Mostrando postagens com marcador Copa 1938. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa 1938. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

História das Copas - França 1938 (parte II)

Nas quartas-de-final, o Brasil enfrentou uma batalha contra a Tchecoslováquia. O primeiro jogo terminou empatado em 1 a 1, com gols de Leônidas e Nejedly (de pênalti). Dois dias depois, a verdadeira guerra. Numa partida violenta, Kopecky abriu o placar para os tchecos, mas Leônidas e Roberto viraram no segundo tempo.

O jogo não cumpriu seus 90 minutos, já que os times ficaram sem o número mínimo de jogadores para continuar: três expulsões e cinco lesões fizeram com que o árbitro francês Georges Capdeville encerrasse a partida, pois naquela época não existia substituição.

Nos outros jogos das quartas-de-final, a Hungria passou pela Suíça por 2 a 0, a Suécia - que não jogou as oitavas-de-final devido à desistência da Áustria - atropelou os cubanos por 8 a 0 e, na partida mais esperada da Copa, a Azzurra eliminou os anfitriões franceses por 3 a 1. A partir daquele momento, os franceses que já não simpatizavam com a seleção italiana declararam guerra aos atuais campeões.

As semifinais emparelharam Hungria contra Suécia e Brasil contra a Itália. Na primeira partida, um passeio húngaro: 5 a 1. A Hungria chegava à final da Copa como uma total surpresa, pois muitos apostavam numa final entre Brasil e Itália ou França. A final antecipada veio, então, na semifinal. O Brasil jogou sem Leônidas da Silva, declarado lesionado, embora muitos achassem que estava sendo poupado para uma possível final.

Os franceses lotaram o estádio em Marselha para impulsionar os brasileiros: se antes eles já gostavam da nossa seleção, agora que o jogo era contra a Itália parecia que o Brasil é que era o time da casa. Durante uma paralisação da partida, o jogador italiano Piola deu um pontapé em Domingos da Guia dentro da área brasileira. O zagueiro revidou e o árbitro suíço Hans Wüthrich marcou pênalti. Não adiantou reclamar. Meazza converteu e abriu 2 a 0. Romeu descontou no final, mas o Brasil ia mesmo disputar o terceiro lugar com a Suécia, e a Itália iria para a sua segunda final consecutiva, desta vez contra a Hungria.

O Brasil entrou em campo no dia 19 de junho de 1938 para decidir o terceiro lugar com a Suécia. Leônidas teve uma excelente apresentação e marcou dois gols no jogo que terminou 4 a 2 para o Brasil, sacramentando a artilharia do brasileiro e colocando pela primeira vez o Brasil entre os primeiros numa Copa do Mundo.

Mas o momento mais esperado aconteceu naquele mesmo dia, só que em Paris: Itália e Hungria perfilaram-se para a disputa do título de campeão do mundo. A Itália era favorita por ter sido campeã na edição anterior, mas havia muitos que apostavam na força ofensiva da Hungria, que marcara até então 13 gols em 3 jogos. Apesar do apoio incondicional dos franceses, os húngaros não agüentaram por muito tempo a pressão italiana: Colaussi abriu o placar logo aos 5 do primeiro tempo.

Dois minutos depois, Titkos empatou e devolveu o ânimo ao seu time, o que não foi suficiente para segurar a squadra Azzurra: Piola e Colaussi novamente abriram 3 a 1 no final da primeira etapa. Os húngaros ainda descontaram com Sarosi, mas a oito minutos do fim Piola marcou novamente e decretou a vitória italiana: 4 a 2, com direito a saudação a Mussolini. Mas a Itália só voltaria a levantar um título 44 anos depois.

III Copa do Mundo - 1938 - França

Campeão: Itália
Vice: Hungria
3º lugar: Brasil
4º lugar: Suécia

Período: de 09 a 19 de junho de 1938
Total de jogos: 18
Gols marcados: 84
Média de gols: 4,66 por partida
Artilheiro: Leônidas (Brasil) - 8 gols
Público total: 374.937 pagantes
Média de público: 20.830 pagantes

O Brasil: 3º lugar - 5 jogos (3V, 1E e 1D), 14GP/11GC
Jogos: Oitavas de final: Brasil 6x5 Polônia (Leônidas (3), Romeu e Perácio (2) para o Brasil / Szerfke (pênalti), Piontek e Willimowski (3) para a Polônia)
Quartas de final: Brasil 1 x 1 Tchecoslováquia (Leônidas e Nejedly)
Brasil 2 x 1 Tchecoslováquia (jogo desempate: Leônidas e Roberto para o Brasil, Kopecky para a Tchecoslováquia)
Semifinal: Brasil 1 x 2 Itália (Romeu / Colaussi e Meazza (pênalti))
Disputa do 3º lugar: Brasil 4 x 2 Suécia (Romeu, Leônidas (2) e Perácio / Jonasson e Nyberg)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

História das Copas - França 1938 (parte I)

A França foi escolhida como sede da Copa de 38 sob as negras nuvens da Segunda Guerra Mundial, que já anunciavam a tempestade que viria. A Argentina também se candidatou, e com a derrota boicotou a competição, bem como o Uruguai e os outros times americanos. Apenas Brasil e Cuba quiseram participar, se classificando automaticamente. Desta vez, o campeão anterior e o país-sede não precisaram disputar as eliminatórias, e o sistema de disputa foi o mesmo da edição anterior.

O Brasil não enfrentou os problemas das edições anteriores, indo à Europa com força máxima. Bem organizada, a delegação desembarcou em solo francês antecipadamente e aproveitou o tempo extra para treinar e se adaptar ao ambiente. O Brasil era, naquela ocasião, o time mais badalado da Copa, mais até do que os campeões italianos, e tinham lugar assegurado no coração dos franceses como seu segundo time.

Brasil e Polônia fizeram um dos jogos mais memoráveis da história das Copas. Pelas oitavas-de-final, um jogo de 11 gols que foi para a prorrogação teve seu destino mudado várias vezes. Os poloneses cantavam vitória, embalados pela boa campanha nos Jogos Olímpicos de 36, em Berlim. Mas logo o Brasil já deu seu cartão de visitas: Leônidas abriu o placar e, ao final do primeiro tempo, o placar marcava 3 a 1. (*na foto, Jules Rimet e seu sobrinho, Yves, sorteiam os grupos da Copa)

Mas na segunda etapa os poloneses empataram em 4 a 4, e a prorrogação foi tensa. Leônidas tratou logo de acabar com o ímpeto dos poloneses marcando dois gols ao início do tempo extra, e mesmo que Willimowski tenha diminuído, o Brasil já estava classificado. Leônidas da Silva começou aí a se tornar o artilheiro e melhor jogador desta Copa.

Ainda pelas oitavas-de-final, a anfritriã França passou sem problemas pela Bélgica, da mesma forma que Tchecoslováquia e Hungria fizeram, respectivamente, com Holanda e Antilhas Holandesas (que só participou da Copa por causa da desistência do Japão).

A campeã Itália só bateu a Noruega na prorrogação, enquanto que dois confrontos terminaram empatados mesmo depois do tempo extra e precisaram de uma nova partida: Alemanha e Suíça empataram em 1 a 1 no jogo de abertura, e os suíços venceram o segundo jogo por 4 a 2; Cuba e Romênia também ficaram iguais, só que em 3 a 3. Na segunda partida, a surpresa: um gol de Sosa a acinco minutos do fim levou a seleção cubana às quartas-de-final da Copa. Um feito impressionante para um país que nunca mais disputaria uma Copa do Mundo. (continua)

*Foto: o goleiro alemão Rudolf Raftl acompanha um lance do jogo de abertura da Copa, entre Alemanha e Suíça.