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quinta-feira, 10 de junho de 2010

História das Copas - Alemanha 2006

Havia muita expectativa em cima dessa Copa. Muitos diziam que seria o melhor Mundial desde 82, na Espanha, tamanha a qualidade das seleções e o número de craques vivendo grande fase em suas carreiras. Ronaldinho, Henry, Totti, Drogba e Lampard, entre outros, tiveram uma excelente temporada européia e prometiam muito, bem como as seleções. O Brasil chegava como maior favorito da história; a Alemanha era dona da casa e não podia ser subestimada; a Argentina chegava com a geração mais talentosa desde 86 e a Inglaterra, por sua vez, apresentava a melhor equipe desde 66.

Com tudo isso, a bola rolou no dia 9 de junho, em Munique, para a partida de abertura da Copa da Alemanha. Em campo, os anfitriões mostraram seu poder de fogo e venceram a Costa Rica por 4 a 2, deixando os fãs empolgados: 6 gols só no primeiro jogo! Mas o jogo inaugural, que historicamente tem uma média baixa de gols, se provou uma exceção.

A primeira rodada da Copa do Mundo demonstrou um medo muito grande das equipes. O nervosismo da estréia falou mais alto do que a vontade de uma vitória inicial, que daria muito mais confiança às equipes. O que se viu nos primeiros dias de competição foram jogos muito equilibrados, com poucas chances de gol. Os times se estudavam muito e quem conseguia uma vantagem mínima já se fechava na defesa para assegurar a vitória. Um comportamento que, como vimos, acabou por permear toda a Copa.

Na estreia, o Brasil jogou muito mal e conseguiu uma vitória magra sobre a Croácia, por 1 a 0. Ronaldo, muito acima do peso, se arrastou em campo. Na segunda rodada, mesmo sem novamente atuar de maneira satisfatória, a seleção derrotou a Austrália em Munique por 2 a 0. O ataque brasileiro finalmente desencantou e Ronaldo marcou duas vezes na vitória de 4 a 1 sobre o Japão, igualando o recorde de Gerd Muller com 14 gols na história das Copas.

O principal destaque da primeira fase foi, sem dúvida, a maior goleada da Copa, aplicada pela Argentina sobre Sérvia e Montenegro: 6 a 0. Belos gols, jogadas coletivas altamente plásticas e atuações inspiradas de Tevez, Messi e Maxi Rodriguez colocaram os hermanos definitivamente como um dos principais favoritos. Já os sérvios e montenegrinos, que chegaram à Copa credenciados pela melhor defesa das Eliminatórias, tiveram muito o que explicar à imprensa de seu país.

A zebra passeou com mais liberdade pelos gramados alemães na segunda rodada. Primeiro, um empate sem gols entre Angola e México, comemorado entusiasticamente pelos africanos, que disputaram sua primeira Copa. Depois, uma zebra ainda maior: Gana venceu a República Tcheca por 2 a 0 e só não goleou graças à grande atuação do goleiro Petr Cech, do Chelsea. Os tchecos pintaram como possíveis azarões na primeira rodada, mas depois que perderam seu atacante e referência na área Koller, eles pareciam perdidos diante dos africanos.

No geral, a primeira fase foi bem mais "normal" do que em 2002, quando os maiores favoritos caíram logo de cara. Todos os grandes se classificaram, com destaques para a anfitriã Alemanha e as campanhas de Portugal e Espanha, que fecharam com três vitórias.

Surpresas, somente a Suíça avançando em primeiro lugar no Grupo G, à frente de uma França que só se classificou no final do jogo contra Togo, marcando 2 a 0. Outros classificados, como o Equador no Grupo A, e Gana, no Grupo F, derrubaram alguns apostadores, mas foram claramente justificados pelas boas atuações das equipes. Terminada a primeira fase, haviam sido marcados 117 gols, uma média razoavelmente baixa de 2,43 por jogo.

Oitavas de final

Depois de uma primeira fase mediana, com poucos jogos de alto nível técnico, a expectativa era de grandes jogos nas oitavas-de-final. Entretanto, com raras exceções, não foi o que aconteceu. Uma dessas exceções foi a Alemanha, que partiu para cima da Suécia como um verdadeiro tanque de guerra em Munique. A blitz inicial deu resultado e com menos de 20 minutos o placar já apontava 2 a 0, com dois gols de Podolski.

Emoções também para argentinos e mexicanos: os hermanos levaram um gol no início, foram dominados, mas colocaram a cabeça no lugar e empataram, levando o jogo para a prorrogação. Um belo gol de Máxi Rodriguez selou a vitória e a classificação para as quartas. Numa partida muito fraca tecnicamente, a Inglaterra venceu o Equador por 1 a 0 graças a um gol de falta de David Beckham. Os comandados de Sven-Goran Eriksson, que chegaram entre os principais favoritos, não conseguiam desenvolver um bom futebol e suscitavam dúvidas quanto a capacidade do English Team.

Quem também venceu sem convencer foi o Brasil, que apesar dos 3 a 0 sobre Gana, levou sufoco, foi pressionado durante todo o jogo e só marcou nos contra-ataques. Ao menos, Ronaldo atingiu a marca história de 15 gols em Copas e Cafu tornou-se o jogador brasileiro a atuar mais vezes em Copas.

A Itália enfrentou a Austrália com medo da fama de violentos dos adversários. Mas quem teve um jogador expulso foi a Azzurra: Materazzi deu um costumeiro carrinho e foi para o chuveiro mais cedo. No último lance do jogo o lateral Fabio Grosso invadiu a área e o árbitro espanhol Luis Medina Cantalejo assinalou pênalti, que Totti converteu. Violento mesmo foi o jogo entre Portugal e Holanda. A "Batalha de Nuremberg", como ficou conhecido o duelo, teve quatro expulsões e 16 cartões amarelos. Um recorde. Enquanto houve futebol, Portugal foi melhor e Maniche fez o gol da vitória em bela jogada.

França e Espanha fizeram o melhor jogo das oitavas. O único - ao lado da vitória da Argentina sobre o México por 2 a 1 - em que as duas equipes marcaram. Os espanhóis haviam dito que aquele seria o último jogo de Zidane e realmente parecia assim quando David Villa abriu o placar de pênalti. Mas a França veio com tudo na segunda etapa e, com gols de Ribery, Vieira e um golaço de Zidane no final, venceu por 3 a 1 e tratou de aposentar Raúl, o líder da Fúria.

Por outro lado, as oitavas também registraram o pior jogo da Copa. Ucrânia e Suíça fizeram qualquer coisa, menos jogar futebol. Um empate insosso sem gols onde as duas equipes mais se preocuparam em não tomar gol do que em fazê-los. A decisão nos pênaltis, a única das oitavas, teve uma peculiaridade: a Ucrânia venceu por 3 a 0, ou seja, a Suíça não converteu nenhuma cobrança. Um feito nunca antes alcançado, assim como outro dos próprios suíços: foram eliminados sem levar um gol sequer na Copa.

Quartas de final

Alemanha e Argentina foi um grande jogo, com todos os ingredientes de uma verdadeira decisão. E foi um grande jogo, com todos os ingredientes de uma verdadeira decisão. O técnico Jose Pekerman anulou as principais jogadas da equipe alemã e o primeiro tempo foi muito tenso, com as equipes arriscando mas, ao mesmo tempo, se resguardando na defesa. No segundo tempo, a Alemanha cresceu e empatou a dez minutos do fim. Após uma prorrogação tensa, chegou a vez da disputa de pênaltis, onde brilhou a estrela do goleiro Lehmann, que defendeu duas cobranças e garantiu a vaga na semifinal.

Itália e Ucrânia chegavam às quartas-de-final carregando, cada uma, um ponto de interrogação: até onde poderia chegar a Azzurra, já que só havia se classificado graças a um pênalti mal marcado? E seria a Ucrânia a nova zebra do leste europeu, que desde 1994 sempre marca presença nas semifinais da Copa? A resposta a essas perguntas não demorou a chegar: com seis minutos, Zambrotta abriu o placar e a Itália passeou em campo, sacramentando a vaga na semifinal.

Ingleses e portugueses jogariam em Gelsenkirchen. O jogo teve emoção e drama mas não teve gols - como foi o mote desta Copa. A expulsão de Rooney e as supostas simulações dos portugueses chamaram mais a atenção do que o futebol. Na disputa de pênaltis, caiu outro recorde: Ricardo defendeu três cobranças e colocou o time de Luís Felipe Scolari na semifinal novamente, após 40 anos.

E por último, mas não menos importante, um jogo com triste fim para todos os brasileiros. A imprensa brasileira entrou na onda de querer "aposentar" Zidane, e como havia acontecido nas oitavas-de-final, foi Zidane quem aposentou Cafu, Roberto Carlos & cia. Em uma "exibição" apática, o Brasil foi completamente dominado pela França, que teve na atuação inspirada de seu camisa 10 o impulso necessário que precisava para ganhar confiança e vencer a partida, chegando às semifinais.

Semifinais

Itália e Alemanha. Dois gigantes do futebol. O jogo foi parelho e ambas as equipes atacaram, ainda que cautelosamente, não querendo abrir espaços. A Alemanha era ligeiramente melhor, especialmente no segundo tempo, quando a seleção italiana parecia cansada e, entregue, só se arrastava tentando levar o jogo para a prorrogação.

O técnico Marcelo Lippi lançou três atacantes na equipe - Gilardino, Iaquinta e Del Piero - e a Itália mandou no jogo a partir da prorrogação. Gilardino em grande jogada quase abriu o placar nos minutos iniciais e a Alemanha ainda teve uma chance de ouro com Podolski, que cabeceou livre, pra fora. Mas contra a Itália não se pode errar e o golpe de misericórdia veio a dois minutos do fim, quando a disputa de pênaltis já parecia inevitável. Após cobrança de escanteio, Pirlo deu belo passe para Grosso, que marcou um lindo gol. A Alemanha ainda tentou, mas no contra-ataque, Del Piero mandou os donos da casa, bem, de volta pra casa!

Na outra semifinal, duas equipes que jogavam de forma parecida: defesas sólidas, meias abertos nas pontas e apenas um centro-avante. Muito se esperava de Zidane após a exibição magnífica das quartas-de-final, mas desta vez ele não foi tão brilhante, muito em razão da marcação constante de Costinha, um verdadeiro carrapato. Portugal chegava nos pés do talentoso - e na mesma proporção genioso - Cristiano Ronaldo e, principalmente, no embalo de seu técnico, Luís Felipe Scolari. Mas a França se provou mortal e, em um pequeno descuido da defesa lusa, Henry foi derrubado dentro da área. Pênalti convertido por Zidane, que foi o suficientepara assegurar a vaga na decisão.

A final

Na disputa pelo terceiro, a seleção de Klinsmann retribuiu todo o carinho da torcida ao vencer Portugal por 3 a 1, em Stuttgart, com dois belos gols de Schweinsteiger e um contra de Petit - Nuno Gomes descontou.

Os italianos, que jamais haviam vencido uma disputa de pênaltis em Copas, derrotaram os franceses na finalíssima após o empate por 1 a 1 no tempo normal e prorrogação. No tempo normal, os franceses abriram o placar nos minutos iniciais, com Zidane. A Itália empatou ainda na primeira etapa, com Materazzi escorando de cabeça depois de jogada de escanteio. Zidane deixou a França com um homem a menos ao ser expulso na prorrogação, depois de agredir um adversário. No final, Trezeguet perdeu a única cobrança francesa nos pênaltis, decidindo o título italiano.

Doze anos depois de perder o tri para o Brasil, a Itália foi tri em 1982. Doze anos depois de perder o tetra também para o Brasil nos pênaltis, a Itália sagrou-se tetra e ganhou a Copa do Mundo de 2006. Num jogo disputadíssimo e tenso, a "Squadra Azzurra" venceu a França por 5 a 3 nos pênaltis, depois de 1 a 1 no tempo normal e nenhum gol na prorrogação.

Os italianos conseguiram provocar um fim de carreira melancólico do francês Zidane, expulso na prorrogação por agredir Materazzi com uma cabeçada no peito. De herói francês, Zidane virou vilão em sua despedida do futebol aos 34 anos. Deixou o gramado debaixo de uma vaia estrondosa.

XVIII Copa do Mundo - Alemanha - 2006

Campeão: Itália
Vice: França
Terceiro: Alemanha
Quarto: Portugal

quarta-feira, 9 de junho de 2010

História das Copas - Coreia/Japão 2002

As campanhas de Coreia e Japão para sediarem a Copa de 2002 eram as melhores, e como a FIFA já estudava implementar um rodízio de continentes como forma de globalizar ainda mais o esporte, os dois países eram os candidatos mais fortes. Mas quando a entidade anunciou que os dois países sediariam o Mundial em conjunto, o entusiasmo deu lugar à decepção das duas nações: nenhuma queria dividir a honra. Apesar de alguns problemas entre os dois países (o Japão reclamou quando o nome oficial foi Coréia/Japão e não Japão/Coréia), os asiáticos deram um show de organização e tecnologia, com os mais belos estádios já vistos servindo de palco para os jogos do torneio.

Primeira fase

O Brasil pegou uma chave considerada dos sonhos, com Turquia, China e Costa Rica, todos países sem expressão no cenário futebolístico mundial. Se o caminho ficava mais fácil, a pressão aumentava: resultados ruins acabariam de vez com a imagem da seleção. Na estréia contra a Turquia, o jogo foi nervoso e os turcos jogaram melhor no primeiro tempo, até que Hasan Sas abriu o placar no último lance antes do apito final. Na volta do intervalo, o Brasil precisava de um gol rápido e foi o que conseguiu, com Ronaldo, aos cinco minutos, na raça, de carrinho. O jogo seguiu tenso e Luizão sofreu um pênalti mandraque, que o juiz coreano ajudou e muito, afinal a falta foi fora da área. Rivaldo, que não tinha nada a ver com isso, marcou o gol da vitória aos 42 minutos.

No segundo jogo, contra a China, o Brasil jogou bem, mas mais por deficiência técnica dos chineses do que por mérito dos brasileiros. Roberto Carlos abriu de falta aos 15, Rivaldo ampliou aos 35 e Ronaldinho Gaúcho marcou seu primeiro gol em copas no final do primeiro tempo. Com o jogo já ganho, o time de Felipão apenas administrou a vantagem e ainda ampliou aos 10 da segunda etapa, com Ronaldo novamente.

No terceiro jogo, o Brasil já estava classificado mas mesmo assim não deu sopa para o azar: 5 a 2 na Costa Rica. Ronaldo fez dois gols em três minutos após um começo arrasador da seleção. Edmílson ampliou de meia-bicicleta aos 38 e Wanchope descontou um minuto depois. No segundo tempo, Gomez diminuiu para 3 a 2 e acendeu a luz amarela para o Brasil, mas Rivaldo e Júnior trataram de pôr as coisas em ordem e classificaram o Brasil com 100% de aproveitamento.

Embora a Copa de 2002 tenha ficado devendo um pouco no nível técnico, as zebras passearam soltas nos gramados orientais, garantindo muita emoção à disputa. Logo no jogo de abertura, a poderosa França, jogando sem Zidane, machucado, foi surpreendida pelos despretensiosos senegaleses que, exibindo um futebol vistoso, desbancaram os `bleus` e venceram por 1 a 0 com o gol de Papa Bouba Diop. Na última rodada, precisando vencer, a França contou com Zidane mas de nada adiantou: derrota por 2 a 0 para os dinamarqueses e eliminação catastrófica, sem nem marcar um gol sequer. O Uruguai perdia de 3 a 0 mas arrancou um empate com o Senegal, o que de nada adiantou: as duas seleções campeãs mundiais estavam eliminadas.

Outra seleção badalada e favorita ao título, a Argentina também não passou da primeira fase, com um desempenho pífio. Na primeira rodada, vitória simples com gol de Batistuta. No jogo mais esperado da segunda fase, os argentinos perderam para a Inglaterra por 1 a 0, gol de pênalti de Beckham. O time não agradava e o empate em 1 a 1 com a Suécia fez os hermanos voltarem para casa mais cedo. A Nigéria decepcionou e ficou em última no grupo, que teve ingleses e suecos classificados.

No Grupo B, um dos mais insossos do Mundial, a Espanha não encontrou dificuldades para vencer seus três inexpressivos adversários: vitórias de 3 a 1 sobre a estreante Eslovênia e sobre o Paraguai, culminando com um triunfo por 3 a 2 em cima da África do Sul. A Fúria credenciava-se para a conquista do título, enquanto o Paraguai se classificou à frente da África do Sul apenas por ter marcado um gol a mais.

Um dos anfitriões, a Coreia sofria uma pressão muito grande: nunca um país sede foi eliminado na primeira fase do torneio, e parecia que dessa vez o tabu seria quebrado. Mas não foi o que se viu em campo: com uma equipe vibrante empurrada pela grande massa que lotava os estádios, a anfitriã conseguiu uma surpreendente vitória por 2 a 0 sobre a Polônia e uma vitória ainda mais surpreendente pela contagem mínima sobre Portugal. Como zebra pouca é bobagem, os Estados Unidos bateram Portugal no jogo de estréia por 3 a 2, com grande atuação do time norte-americano. As duas seleções mais improváveis haviam se classificado.

No grupo E, em terras japonesas, a Alemanha começou arrasadora, aplicando uma sonora goleada de 8 a 0 sobre a Arábia Saudita, com 3 gols de cabeça de Klose. O empate em 1 a 1 com a Irlanda e a vitória de 2 a 0 sobre Camarões foram suficientes para deixar os alemães em primeiro no grupo e os irlandeses em segundo.

Continuando com as zebras, o México mostrou a evolução de seu futebol ao vencer o Grupo G, com vitórias sobre Croácia e Equador e um empate com a Itália. A Itália se classificou em segundo graças aos dois gols de Vieira na estraia contra o Equador, mas teve uma campanha irregular.

Por fim, o Japão desempenhou o mesmo papel que a Coreia: muito cobrado, mostrou sua força ao derrotar a irreconhecível Rússia e a fraca Tunísia, empatando com os outros classificados do grupo, os belgas, que ainda empataram com a Tunísia e venceram os russos. A Rússia só ganhou da Tunísia e voltou para casa mais cedo.

Oitavas de final

Se as zebras deram as caras na primeira fase, na segunda etapa do Mundial elas já estavam acostumadas com os gramados e tomaram conta da festa. A Bélgica bem que tentou aprontar para cima do Brasil, mas uma bela atuação de Marcos no gol e com Rivaldo e Ronaldo mais uma vez inspirados, a seleção venceu por 2 a 0. O primeiro tempo foi tenso, com os belgas pressionando e o meia Marc Wilmots incomodando muito a zaga brasileira. A adversária seria a Inglaterra, que não encontrou problemas para derrotar a Dinamarca por 3 a 0. Mais uma vez, os dinamarqueses fizeram bonito na primeira fase mas depois não repetiram o bom futebol.

Mas estávamos falando de zebras. O fato da Coréia do Sul ter passado à segunda fase já era um feito histórico, mas agora eles enfrentariam a tricampeã Itália e poucos apostavam - se é que alguém apostava - numa vitória dos donos da casa. Empolgada pelo gol e empurrada pela torcida, a Coréia pressionou a Itália o tempo todo. Parecia que os times haviam trocado de uniforme, pois os coreanos jogavam muito melhor. Faltando três minutos para o fim, quando o jogo já se encaminhava para os pênaltis, Ahn aproveitou um cruzamento e colocou a bola para dentro, para desespero dos italianos e para a loucura dos coreanos em todo o país. Assim como os vizinhos do Norte em 66, a Coréia do Sul eliminava a Azzurra em um jogo histórico.

Mas como emoção e zebra poucas são bobagem, o Senegal enfrentou a Suécia em um grande jogo em Oita. A partida foi para a prorrogação e em uma bela jogada no final do primeiro tempo, Camara chutou, a bola escorou na trave e matou os suecos. O Senegal virara o jogo e estava nas quartas de final, sendo a segunda seleção africana a chegar tão longe, após Camarões tê-lo feito em 90.

Mas chega de zebras. Duas equipes tradicionais, Alemanha e Espanha suaram para vencer. Os alemães enfrentaram o Paraguai e começaram uma prática que não mudou até a final: futebol defensivo e contra-ataques. Contra o Paraguai, um jogo de poucas chances e o 0 a 0 parecia que duraria até à prorrogação quando Neuville acertou um belo voleio a dois minutos do fim e venceu o goleiro Chilavert, que fora muito criticado na primeira fase por estar visivelmente acima do peso.

Já os espanhóis, que cresciam na competição, tiveram um jogo difícil contra os irlandeses, que marcavam muito forte e saíam rapidamente para o ataque com boas trocas de passe. Após uma prorrogação sem gols, Casillas defendeu um pênalti e a Espanha avançou às quartas.

Por fim, outros dois jogos emocionantes: num clássico regional, os Estados Unidos venceram o México por 2 a 0 com gols de McBride e Donovan, o craque norte-americano. Já o Japão não teve a mesma sorte da Coréia, outra anfitriã, e em um jogo fraco, perdeu para a Turquia por 1 a 0, gol de Davala aos 12 do primeiro tempo.

Quartas de final

Brasil e Inglaterra fariam a partida mais esperada das quartas-de-final. O belo estádio de Shizuoka foi palco de um jogo eletrizante desde o seu início. Ambas as equipes criavam boas oportunidades, mas foi a Inglaterra quem marcou primeiro. Lúcio falhou feio na tentativa de cortar o lançamento de Heskey e acabou entregando a bola nos pés de Michael Owen, que ficou cara a cara com Marcos e só teve o trabalho de chutar para o gol.

A partida ficou mais nervosa e o Brasil atacava de todos os meios. O gol de empate surgiu após uma pipocad de Beckham, que não dividiu uma bola com Lúcio na linha lateral. Após a cobrança, Ronaldinho Gaúcho carregou a bola e deu um lindo passe para Rivaldo, que deixou o zagueiro Ferdinand procurando a bola e chutou cruzado no fundo do gol de Seaman. O gol antes do intervalo era o que o Brasil precisava.

No segundo tempo, a seleção melhorou e se impôs sobre o English Team. A virada veio numa cobrança de falta espetacular de Ronaldinho Gaúcho, logo a 5 minutos, chutando de muito longe, quase da linha lateral, e encobrindo o goleiro inglês David Seaman. Ronaldinho ainda foi expulso pelo juiz Felipe Ramos Rizo, após falta em Mills. A Inglaterra, com um homem a mais, tentou pressionar mas não conseguiu sucesso, e o Brasil estava nas semifinais.

Adivinha quem seria o adversário do Brasil? A Turquia, novamente, o adversário mais difícil da seleção na primeira fase. Mais uma vez com a torcida contra, os turcos seguraram o ímpeto dos habilidosos senegaleses e venceram com um gol de ouro logo no início da prorrogação. Mansiz, de sem-pulo, marcou um belo gol e acabou com o sonho africano de chegar pela primeira vez a uma semifinal.

Na outra chave, a Espanha enfrentou os coreanos, donos da casa, que mais uma vez eram apoiados massivamente pela torcida. Uma arbitragem muito questionável do egípcio Gamal Gandhour anulou um gol legítimo dos espanhóis. Ao final, a decisão foi para os pênaltis e os coreanos venceram com o gol de Myung-bo Hong. A imprensa mundial reclamou muito de um suposto favorecimento dos coreanos, e a verdade é que eles, que nunca haviam sequer passado da primeira fase, estavam na semifinal.

O adversário dos anfitriões seria a Alemanha, que mais uma vez venceu por 1 a 0 em um jogo onde mais se defendeu do que atacou. Os Estados Unidos acuaram os alemães e detinham muito mais a posse da bola, mas em um escanteio ainda no primeiro tempo, o meia Michael Ballack colocou os tricampeões na frente para não mais largarem a liderança. Por mais que os estadunidenses tentassem, não conseguiriam furar a barreira alemã, que tinha no goleiro Oliver Khan seu maior expoente.

Semifinais

As campanhas da seleção brasileira em 94 e em 2002 tiveram muitas semelhanças: em ambas, o Brasil chegou desacreditado, em ambas os técnicos eram acusados de retranqueiros, em ambas o time teve dificuldades para se classificar e em ambas, o Brasil enfrentou uma seleção européia duas vezes: na primeira fase e na semifinal.

E foram essas coincidências que motivaram o Brasil a buscar a vitória contra a Turquia, em Saitama, no dia 26 de junho de 2002. Como já conhecia o perigoso adversário, Felipão tratou de avisar seus defensores, que tomaram uma posição mais cautelosa. Ronaldinho Gaúcho, suspenso, foi substituído por Edílson. No primeiro tempo, zero a zero. Na volta do intervalo, logo a quatro minutos, Ronaldo recebeu a bola, ganhou do adversário na base da força e, entrando na área, chutou com o bico da chuteira. A bola foi morrer no canto do goleiro Rustü, para desespero dos turcos, que tentaram empatar, mas sem sucesso. O Brasil igualara assim o recorde da Alemanha, chegando a três finais de Copa do Mundo consecutivas.

E o outro finalista seria exatamente a Alemanha, que enfrentou os já temíveis coreanos e sua massa vermelha de torcedores. O que se viu nas oitavas e nas quartas de final se repetiu na semifinal: os alemães, acuados, sofreram a pressão coreana durante todo o jogo, até que um gol do salvador da pátria, Michael Ballack, colocou os tricampeões mundiais na frente. A Coréia estava em choque, porque diferentemente das outras vezes, eles não conseguiram reverter o placar. Mas ao invés de tristeza, o sentimento geral era de muito orgulho, pelo país ter chegado tão longe. Brasil e Alemanha fariam, então, uma final histórica, entre os dois maiores vencedores de Copas do Mundo, um jogo que até então nunca havia acontecido.

A decisão

Os maiores vencedores de Copas do Mundo estava presentes no belíssimo Estádio Internacional, em Yokohama. E respeito era a ordem do dia para as duas equipes, afinal do outro lado havia uma camisa pesada, não importa de que lado se estava jogando. Um primeiro tempo cauteloso por parte das duas seleções, com algumas chances esporádicas. O grande desfalque da seleção alemã era o meia Ballack, suspenso após receber um cartão amarelo na semifinal contra a Coreia. E sua ausência foi duramente sentida pelos tricampeões, que criaram menos que a seleção brasileira, que chegou com mais perigo ao gol de Khan na primeira etapa.


Na volta do segundo tempo, a Alemanha continuava detendo mais a posse da bola, embora o Brasil fosse mais ofensivo. Até que aos vinte minutos, Rivaldo soltou uma bomba de fora da área, que Khan não segurou e Ronaldo, livre, só teve o trabalho de empurrar para o fundo das redes. No duelo entre o melhor goleiro e o artilheiro da Copa, o placar estava 1 a 0 para Ronaldo.

E a partir daí começou a brilhar uma outra estrela. Quando muito se esperava de Ronaldinho Gaúco e Rivaldo, foi Kléberson quem comeu a bola na final. Jogando muito, o meio-campo do Atlético-PR havia acertado um belo chute no travessão de Kahn já nos descontos do primeiro tempo. Aos 35 da segunda etapa, fez bela jogada e tocou a bola para Ronaldo que, aproveitando-se do corta luz de Rivaldo, emendou para o gol, vencendo mais uma vez a muralha alemã chamada Oliver Kahn. O Brasil já podia comemorar a vitória.

XVII Copa do Mundo - 2002 - Coréia/Japão

Campeão: Brasil
Vice: Alemanha
Terceiro: Turquia
Quarto: Coréia do Sul

Período: de 31 de maio a 30 de junho de 2002
Total de jogos: 64
Gols marcados: 161
Média de gols: 2,52 por partida
Artilheiro Ronaldo (Brasil) - 8 gols
Público total: 2.705.197 pagantes
Média de público: 42.269 pagantes

O Brasil: CAMPEÃO - 7 jogos (7V), 18GP/4GC

Jogos:
Primeira fase:
Brasil 2x1 Turquia (Ronaldo e Rivaldo; Hasan Sas)
Brasil 4x0 China (Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo)
Brasil 5x2 Costa Rica (Ronaldo (2), Edmílson, Rivaldo e Júnior; Wanchope e Gomez)

Oitavas-de-final:
Brasil 2x0 Bélgica (Rivaldo e Ronaldo)

Quartas-de-final:
Brasil 2x1 Inglaterra (Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho; Owen)

Semifinal:
Brasil 1x0 Turquia (Ronaldo)

Final:
Brasil 2x0 Alemanha (Ronaldo (2)

terça-feira, 8 de junho de 2010

História das Copas - França 1998

A França foi mais um país escolhido como sede da Copa pela segunda vez, após México e Itália. O país promoveu um show de organização e contou com belos estádios. Após 24 anos, o brasileiro João Havelange passou o cetro da FIFA para seu secretário, o suíço Joseph Blatter, tendo conquistado dois sonhos: transformou o futebol em um negócio mundial que movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano e aumentou novamente o número de participantes da Copa: de 24 para 32. A partir de então, somente os dois primeiros de cada grupo se classificariam para a segunda fase, que continuaria como antes.

Nas eliminatórias, o Uruguai ficava de fora mais uma vez. A África, agora com cinco vagas, presenteou a África do Sul com a primeira participação. A Concacaf levou os figurões México e Estados Unidos e os estreantes jamaicanos, que fizeram muita festa no Velho Continente. A Ásia, por sua vez, teve como representantes Coréia do Sul, Irã, Arábia Saudita e Japão, que finalmente conseguiu se classificar. A Austrália, representante da Oceania, novamente ficou de fora, perdendo dessa vez a repescagem para os iranianos. Na Europa, poucas surpresas. A Suécia, após o terceiro lugar em 94, sequer se classificou, sendo a principal baixa. Outras seleções medianas, como Portugal, Rússia e República Tcheca, também ficaram de fora. As principais novidades foram a Dinamarca, que voltava após 86 e a Croácia, que disputava a Copa pela primeira vez.

Primeira fase

O Brasil abriu a Copa em 10 de junho de 98 no belíssimo Stad de France, em Saint-Denis. A seleção da Escócia, embora fraca, deu trabalho. César Sampaio marcou o primeiro gol da Copa de cabeça após um escanteio e Collins empatou, de pênalti, no final do primeiro tempo. Aos 28 da segunda etapa, quando o jogo caminhava para um final nervoso, Cafu deu um toque na bola, que bateu em Boyd e entrou. Foi um sufoco, mas a vitória estava assegurada. A segunda partida foi a única fácil da primeira fase: vitória tranquila sobre o Marrocos por 3 a 0. Ronaldo marcou seu primeiro gol em uma Copa do Mundo, logo aos nove minutos. Rivaldo e Bebeto também fizeram os seus.

A última partida foi a mais complicada. O Brasil já estava classificado e a Noruega precisava de uma vitória para avançar sem depender do resultado do jogo entre Marrocos e Escócia. Jogando sem preocupação, o Brasil abriu o placar aos 33 do segundo tempo com Bebeto. Mas a Noruega foi para cima e empatou com Flo após uma falha da zaga. Cinco minutos depois, Júnior Baiano cometeu pênalti polêmico (que depois foi comprovado que realmente houve) e Rekdal marcou o gol da vitória. Pela primeira vez desde 66, o Brasil perdia um jogo na primeira fase.

Apesar de não ter proporcionado grandes jogos, a Copa de 98 teve uma melhora significante no nível do futebol apresentado se comparada com os Mundiais de 90 e 94. A anfitriã França foi uma prova disso, demonstrando força ao derrotar seus três adversários na primeira fase com um futebol altamente ofensivo. As goleadas de 3 a 0 sobre a África do Sul e 4 a 0 sobre a Arábia Saudita credenciavam os `bleus` para a disputa do título. A vitória sobre a forte seleção dinamarquesa - outra classificada do grupo - só ratificou ainda mais este fato.

Já a atual vice-campeã Itália sofreu um pouco mais, ainda que somente no primeiro jogo. Em uma bela atuação de Roberto Baggio, a Azzurra arrancou um empate contra o Chile no final do jogo. Os chilenos, impulsionados por sua perigosa dupla de ataque Salas e Zamorano, empatou os três jogos da primeira fase, mas foi o suficiente para avançar juntamente com a Itália, que derrotou Áustria e Camarões sem maiores problemas. Os camaroneses, após 94, decepcionavam mais uma vez.

No grupo D, aconteceram talvez a melhor partida da primeira fase e a maior zebra. Logo na estréia, a Espanha perdeu de virada para a Nigéria por 3 a 2, com a ajuda do goleiro Zubizarreta. A Fúria ainda empatou sem gols com o Paraguai, time forte na defesa. A Bulgária decepcionava e após a derrota para a Nigéria, já estava eliminada. Na última rodada, a Espanha goleou os búlgaros por 6 a 1 mas de nada adiantou, pois os paraguaios desencataram e venceram a já classificada Nigéria por 3 a 1, assegurando a segunda vaga.

Já no Grupo E, quatro empates em seis jogos. Os eternos rivais Holanda e Bélgica não saíram do zero e o México de Hernandez e Blanco derrotou a fraca seleção da Coréia do Sul por 3 a 1. Na segunda rodada, os holandeses golearam os coreanos por 5 a 0 com show de Dennis Bergkamp e a Bélgica forçou outro empate, desta vez com o México. Na última rodada, o empate entre holandeses e mexicanos classificou as duas equipes, uma vez que os belgas empataram de novo, desta vez com os coreanos.

No grupo F, a Alemanha não encontrou dificuldades para se classificar, vencendo Estados Unidos e Irã por 2 a 0. A Iugoslávia também venceu essas duas seleções e empatou com os alemães em 2 a 2, garantindo a classificação de ambos. Neste grupo, um fato histórico: muito se temia pelo fato de Estados Unidos e Irã - eternos rivais políticos e até militares - se enfrentarem. Mas não houve incidentes e os jogadores deram um exemplo de como o futebol pode ajudar a levar a paz aos povos. No final, vitória muito comemorada dos iranianos por 2 a 1.

No Grupo G, a indicação da Romênia como cabeça-de-chave foi questionada por muitos mas pareceu ter sido acertada: com vitórias sobre Colômbia e a badalada Inglaterra, que voltava a Copa após a ausência em 94, os romenos se deram ao luxo de empatar com a Tunísia na última rodada e ainda assim se classificarem. O English Team venceu seus outros dois compromissos para ficar com a segunda vaga.

Finalizando, a Argentina não teve dó dos três estreantes em Copas que estavam em seu grupo: venceu Japão e Croácia por 1 a 0 e goleou a Jamaica por 5 a 0, com três gols de Batistuta. Os croatas venceram japoneses e jamaicanos e classificaram-se em segundo, enquanto os japoneses frustraram-se com a derrota para os `reaggae-boys` da Jamaica por 2 a 1.

Oitavas de final

O jogo contra o Chile pelas oitavas-de-final foi o mais fácil da campanha brasileira na França - mais fácil até do que a partida contra Marrocos. Sem inspiração, a dupla Salas-Zamorano pouco perigo levou ao gol de Taffarel e César Sampaio, em noite inspirada, marcou dois ainda no primeiro tempo. Ronaldo ampliou de pênalti e, apesar de Salas ter diminuído já no segundo tempo, marcou mais um. A seleção enfrentaria nas quartas-de-final a perigosa Dinamarca, que mais uma vez demonstrou um belo futebol e eliminou os badalados nigerianos com uma goleada por 4 a 1. A Dinamáquina dava sinais de que voltava a funcionar 12 anos depois.

A Alemanha seguia firme em sua campanha apesar de ter levado um susto. O México abriu o placar com Hernandez e contava com as jogadas plásticas de Blanco para chegar ao gol de Koepke. Mas os alemãs não se dão por vencidos e Klinsmann empatou aos 30 do segundo tempo. Faltando quatro minutos para o fim do jogo, o artilheiro Oliver Bierhoff virou o placar e mostrou mais uma vez que com a Alemanha não se brinca. Já a Itália eliminou a Noruega em um jogo fraco, com Vieri marcando o único gol da partida ainda no primeiro tempo.

A França foi outra que sofreu muito para se classificar. Sem Zidane, os `Bleus` penaram para vencer a forte retranca paraguaia e quase perderam o jogo. Na prorrogação, o regulamento da morte súbita foi cruel com o time de Chilavert e Gamarra - que não fez uma única falta em todo o torneio - e a França venceu com um gol chorado de Blanc. A Romênia, cujos jogadores haviam pintado o cabelo de amarelo em comemoração à classificação em primeiro lugar no grupo, foi eliminada pela Croácia com um gol de pênalti de Suker. O favoritismo subiu à cabeça e o craque Hagi despedia-se assim de forma melancólica das Copas. Já a Holanda venceu a Iugoslávia por 2 a 1 com um gol salvador de Davids já nos descontos.

Mas o jogo mais sensacional das oitavas foi, sem dúvida, Argentina e Inglaterra. Batistuta abriu o placar logo aos 6 e Alan Shearer empatou apenas 4 minutos depois, de pênalti. Aos 16, o garoto-prodígio inglês Michael Owen fez grande jogada e virou o placar. Zanetti empatou no comecinho do segundo tempo e a partida continuou tensa e movimentada até o final da prorrogação. Foi um jogo brigado e o astro inglês David Beckham foi expulso após uma falta desleal em Simeone. Nos pênaltis, a mística dos goleiros argentinos veio à tona e brilhou a estrela de Roa, que pegou o pênalti de Batty para levar a Argentina às quartas-de-final.

Quartas de final

O que o jogo contra o Chile teve de fácil, a partida contra a Dinamarca teve de complicada. Os dinamarqueses tinham uma jogada ensaiada que dava resultado: enquanto os adversários discutiam com o juiz a respeito da falta, eles cobravam rapidamente e pegavam a defesa desprevenida. E foi assim que, aos 2 minutos, Jorgensen abriu o placar. O Brasil estava nervoso em campo mas dez minutos depois, Bebeto empatou. Rivaldo, em grande atuação, virou aos 27 e tranqüilizou a torcida. O jogo era aberto e ambas as equipes tinham chances de gol. No segundo tempo, Roberto Carlos tentou tirar a bola da grande área com uma bicicleta e furou, deixando livre para Laudrup empatar novamente. O jogo era dramático até que Rivaldo, em grande jogada, desempatou e garantiu a classificação brasileira para a semifinal.

O adversário seria a Holanda, que também esteve no caminho do Brasil em 94. A laranja enfrentou a Argentina nas quartas-de-final e, mais uma vez, os argentinos proporcionaram um belo jogo. Kluivert abriu o placar aos 12 do primeiro tempo e CLáudio Lopez empatou cinco minutos depois. O jogo seguiu movimentado e tenso e, quando parecia que a prorrogação era inevitável, Bergkamp recebeu um belo lançamento e bateu. A bola foi morrer no fundo dol gol de Roa. Os holandeses estavam classificados e os argentinos, mais uma vez, dramaticamente eliminados.

A França mais uma vez sofreu para se classificar. Após vencer o Paraguai apenas na prorrogação, os `bleus` empataram sem gols com a Itália em um jogo fraco e sem lances de perigo. Nos pênaltis, os donos da casa venceram por 4 a 3 e avançaram às semifinais.

E quem enfrentaria a França? A surpreendente Croácia, do artilheiro Davor Suker, que humilhou a Alemanha com uma vitória incontestável por 3 a 0. Jarni abriu o placar aos 3 do segundo tempo e Suker, duas vezes, aos 30 e aos 35, fechou o caixão alemão, que pela segunda vez consecutiva perdia nas quartas-de-final para uma seleção européia sem muita tradição.

Semifinais

Que semifinal foi aquela. Considerada por muitos o melhor jogo da Copa, a semifinal entre Brasil e Holanda foi emocionante. Os dois times jogavam de forma ofensiva e os ataques levavam vantagem sobre as defesas. No primeiro tempo, 0 a 0, mas assim que começou a segunda etapa, Ronaldo em seu melhor estilo de arrancadas fulminantes, abriu o placar para o Brasil. A Holanda pressionava e abusava das jogadas de linha de fundo, jogando nas costas de Zé Carlos, inexperiente lateral-direito que substituía Cafu, suspenso. E foi em uma bola alta a três minutos do fim, quando a classificação brasileira já parecia assegurada, que Kluivert subiu e, parado no ar, cabeceou enquanto Junior Baiano só olhava.

A partida foi então para a prorrogação e aí o jogo tomou um tom dramático. A cada ataque, a partida poderia terminar. Taffarel E Van der Sar fizeram defesas incríveis e, após mais 30 minutos de sofrimento, o jogo terminou. Pênaltis. Taffarel pegou a cobrança de Cocu e pôs o Brasil na frente. Dunga converteu e Taffarel pegou de novo, desta vez a cobrança de Frank de Boer, para colocar o Brasilna final novamente.

A outra semifinal também foi emocionante, embora nem tanto. O artilheiro croata Suker abriu o placar no primeiro minuto do segundo tempo, mas o lateral direito Lilian Thuram não deu nem tempo para a comemoração e empatou um minuto depois. Novamente, o talismã francês deu sorte à equipe e virou o jogo aos 24. A partir daí, a França só cozinhou o jogo, com a Croácia tentando passar pela defesa sem sucesso. Aos trancos e barrancos, os franceses chegaram à final dos sonhos, contra o Brasil.

A decisão

Naquele domingo, 12 de julho, o Brasil enfrentaria os donos da casa, mas a confiança era geral pois o time vinha jogado bem e vencido adversários igualmente fortes. Entretanto, minutos antes da partida já se podia ter uma idéia do desastre que seria aquela tarde em Saint-Dennis. A lista oficial da FIFA indicava Edmundo no lugar de Ronaldo. Ninguém sabia o que havia acontecido, afinal Ronaldo era o principal jogador da seleção. Mas na hora que o time entrou em campo, Ronaldo estava lá.

Veio então a notícia que o atacante da Inter de Milão havia passado mal e só confirmou sua presença após um último teste no vestiário. Mas o time estava apático em campo, como se abalado pelo que acontecera com Ronaldo, seja lá o que for. A França, que não tinha nada a ver com isso, fez 2 a 0 já no primeiro tempo com Zidane, duas vezes, de cabeça. O Brasil estava morto em campo, era perceptível no rosto dos jogadores o desânimo e a incapacidade de se esboçar uma reação. Em um determinado momento, esse clima tenso ficou bem claro: Ronaldo chocou-se com o goleiro Barthez e ficou caído no chão. Os jogadores brasileiros, desesperados, foram correndo ver se o atacante estava bem.

Na volta para o segundo tempo, nem a fala mais inspirada de Zagallo poderia evitar o inevitável: Petit, em um contra-ataque, fechou de vez o caixão brasileiro, marcando 3 a 0. A França estava em festa. Eles haviam conseguido o que tanto queriam: vencer a Copa do Mundo que organizaram em cima do Brasil. Depois disso, muito se falou sobre Ronaldo, e a versão mais aceita é a de que ele teria sofrido uma convulsão no hotel e que isso havia chocado os jogadores, mas um suposto contrato com a Nike o teria feito entrar em campo mesmo assim. A verdade pode nunca vir à tona, mas uma coisa é clara: o Brasil perdeu a Copa para si mesmo.

XVI Copa do Mundo - 1998 - França

Campeão: França
Vice: Brasil
Terceiro: Croácia
Quarto: Holanda

Período: de 10 de junho a 10 de julho de 1998
Total de jogos: 64
Gols marcados: 171
Média de gols: 2,672 por partida
Artilheiro: Suker (Croácia) - 6 gols
Público total: 2.904.400 pagantes
Média de público: 45.381 pagantes

O Brasil: Vice-campeão - 7 jogos (5V e 2D), 14GP/10GC

Jogos:

PRIMEIRA FASE:
Brasil 2x1 Escócia (César Sampaio e Boyd, contra; Collins)
Brasil 3x0 Marrocos (Ronaldo, Bebeto e Rivaldo)
Brasil 1x2 Noruega (Bebeto; Rekdal e Flo)

OITAVAS-DE-FINAL:
Brasil 4x1 Chile (Ronaldo (2) e César Sampaio (2); Salas)

QUARTAS-DE-FINAL:
Brasil 3x2 Dinamarca (Rivaldo (2) e Bebeto; Jorgensen e Brian Laudrup)

SEMIFINAL:
Brasil 1x1 Holanda (Ronaldo; Kluivert) - Brasil 4 a 2 nos pênaltis

FINAL:
Brasil 0x3 França (Zidane (2) e Petit)

História das Copas - EUA 1994 (parte II)

Quartas de final

Foi o melhor jogo do Brasil na Copa. A imprensa considerava a partida como uma vingança da derrota sofrida para Cruyff & cia em 74. O time brasileiro era o mesmo do jogo contra os Estados Unidos, a não ser a substituição de Leonardo, expulso, por Branco. O lateral do Fluminense teve sua convocação criticada, já que muitos consideravam Roberto Carlos em melhor fase no Palmeiras. Teria que marcar o veloz ponta-direita Overmars e sua condição física deixou todos com a pulga atrás da orelha. Mas ele provou ter seu valor.

Após um primeiro tempo truncado, o Brasil abriu 2 a 0 em dez minutos. Bebeto recebeu grande lançamento de Aldair, cruzou e Romário completou. Pouco tempo depois, Bebeto driblou o goleiro De Goeij e ampliou, homenageando seu filho recém-nascido na comemoração. Mas a Holanda não estava morta. Taffarel falhou e Bergkamp e Winter empataram com dois gols na seqüência. Foi aí que brilhou a estrela de Branco. Aos 36 minutos, falta para o Brasil um pouco para trás da meia lua da grande área. Branco manda um petardo, a bola passa pela barreira, quase resvala em Romário, que desvia, e morre no canto do gol holandês. Vitória. Estávamos na semifinal.

E a Suécia seria novamente nossa adversária. Em um jogo emocionante, os suecos eliminaram a Romênia de Hagi nos pênaltis por 5 a 4. Brolin abriu o placar aos 33 do segundo tempo e Radociou empatou a apenas dois minutos do fim. Ele mesmo virou o jogo para a Romênia na prorrogação, mas Kenneth Andersson tratou de igualar novamente o placar a cinco minutos do fim.

Já a Itália contou com a estrela de Roberto Baggio para, novamente, garantir a vitória no final. Dino Baggio abriu o placar contra a Espanha e Caminero empatou no segundo tempo. Quando todos achavam que o jogo ia para a prorrogação, Robbie dribla o goleiro Zubizarreta e põe a Azzurra na semifinal.

O adversário italiano seria a surpreendente seleção da Bulgária, comandada por Stoitchkov e Letchkov. Após um gol de pênalti de Matthäus no início do segundo tempo, a Bulgária não se intimidou e pressionou o time alemão, conseguindo uma virad espetacular em menos de cinco minutos. Stoitchkov empatou e Letchkov de peixinho, após cruzamento da direita de Kiriakov, fez 2 a 1 e eliminou os então campeões mundiais em uma das maiores zebras da história das Copas.

Semifinais

O Brasil tinha a Suécia, novamente, pela frente. Este jogo faria dos suecos o adversário mais comum do Brasil na história das Copas: os times se enfrentariam pela sexta vez.

Foi um jogo tenso, o duelo dos invictos. A Suécia, entretanto, adotou uma postura mais defensiva do que no jogo da primeira fase. Ainda assim, levou perigo ao gol de Taffarel. Mas o Brasil era superior, embora pecasse nas finalizações. Tanto isso era verdade que o fanfarrão goleiro sueco Thomas Ravelli dava pulinhos a cada chute para fora. Mas quem ri por último, ri melhor.

A Suécia parecia conseguir atingir seu objetivo de levar a partida para os pênaltis quando aos 35 do segundo tempo, Jorginho fez um cruzamento primoroso, caindo certinho na cabeça do baixinho Romário que, do alto de seus 1,68m, escorou de cabeça para o fundo do gol do atônio Ravelli. Romário tinha colocado o Brasil numa final de Copa do Mundo após 24 anos.

Na outra semifinal, um duelo esperadíssimo: Baggio versus Stoitchkov. A Itália começou melhor e o jogo era bem movimentado. Brilhou então a estrela do craque italiano, que marcou dois gols em cinco minutos e matou a Bulgária. Stoitchkov ainda descontou de pênalti no final do primeiro tempo, marcando seu sexto gol no torneio e terminando empatado na artilharia com o russo Salenko, que marcou cinco gols no jogo contra Camarões, um recorde. Aliás, outro recorde foi batido neste jogo: o camaronês Roger Milla foi o jogador mais velho a marcar um gol, aos 42 anos.

Apesar do gol e da pressão búlgara no segundo tempo, a Itália já havia sacramentado a vitória e a classificação para a final. Brasil e Itália repetiriam a final de 70. Se naquela ocasião quem vencesse se tornaria o primeiro tricampeão mundial, agora o vencedor seria o primeiro tetra.

Apos a derrota para a Itália, a Bulgária entrou abatida no estádio Rose Bowl em 16 de julho de 94 e foi goleada pelos suecos por 4 a 0, que fizeram todos os gols no primeiro tempo. Brolin, Mild, Larsson e Kenneth Andersson marcaram os gols que coroaram uma campanha excepcional.

A decisão

No dia seguinte, depois de 24 anos, a seleção brasileira voltaria a disputar a final de uma Copa do Mundo. A Itália seria a adversária, assim como na Copa de 70, a última em que o Brasil jogou a final. Desta vez, o apito final revelaria ao mundo um tetracampeão, pois cada país já tinha conquistado três Copas do Mundo (o Brasil em 58, 62 e 70 e a Itália em 34, 38 e 82). O Brasil entrou de mãos dadas, ato que repetiu em todos os jogos desde uma partida pelas eliminatórias.

Os esquemas defensivos de Brasil e Itália tiraram parte do brilho do espetáculo e, a exemplo da final do Mundial anterior, o jogo não teve os gols e a emoção de uma verdadeira final de Copa do Mundo.Quase não houve chances de gol e ao final de 90 minutos regulamentares e de 30 minutos de prorrogação, Brasil e Itália não tinham saído do 0 a 0, levando a decisão da Copa para os pênaltis pela primeira vez na história.

O capitão Baresi, da Itália, foi o primeiro a bater e desperdiçou a cobrança chutando para fora. Pelo Brasil, o zagueiro Márcio Santos chutou forte, mas em cima do goleiro Pagliuca, que não teve dificuldade em espalmar. Daí para a frente, Albertini e Evani converteram para a Itália. Romário e Branco também fizeram seus gols para o Brasil. O goleiro brasileiro Taffarel defendeu o pênalti cobrado por Massaro e o capitão Dunga colocou o Brasil em vantagem.

Faltando uma cobrança para cada lado, o placar mostrava Brasil 3 a 2. O ídolo da Itália, Roberto Baggio, foi encarregado da cobrança e bateu por cima do travessão dando o título ao Brasil. Éramos tetracampeões.

XV Copa do Mundo - Estados Unidos - 1994

Campeão: Brasil
Vice: Itália
Terceiro: Suécia
Quarto: Bulgária

Período: de 17 de junho a 17 de julho de 1994
Total de jogos: 52
Gols marcados: 141
Média de gols: 2,71 por partida
Artilheiros: Salenko (Rússia) e Stoitchkov (Bulgária) - 6 gols
Público total: 3.567.415 pagantes
Média de público: 68.604 pagantes

O Brasil: CAMPEÃO - 7 jogos, 5V e 2E (11GP/3GC)

Os jogos:

PRIMEIRA FASE:
Brasil 2x0 Rússia (Romário e Raí)
Brasil 3x0 Camarões (Romário, Márcio Santos e Bebeto)
Brasil 1x1 Suécia (Romário, Kenneth Andersson)
OITAVAS-DE-FINAL:
Brasil 1x0 Estados Unidos (Bebeto)
QUARTAS-DE-FINAL:
Brasil 3x2 Holanda (Romário, Bebeto e Branco; Bergkamp e Winter)
SEMIFINAL:
Brasil 1x0 Suécia (Romário)
FINAL:
Brasil 0x0 Itália (3x2 nos pênaltis)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

História das Copas - Estados Unidos 1994



A escolha dos Estados Unidos como sede da 15ª edição da Copa do Mundo foi muito contestada, pelo fato do país não ter tradição nenhuma no futebol. Entretanto, o sucesso de público calou a boca dos críticos, embora as partidas tenham sido realizadas em um horário nada agradável para os jogadores: muitos jogos começaram sob o forte sol do meio dia, para adequar-se ao fuso horário europeu.

O Brasil nunca havia passado por eliminatórias tão conturbadas. Pela primeira vez na história, a seleção perdeu uma partida preliminar: 2 a 0 para a Bolívia em La Paz com uma ajuda do goleiro Taffarel. O técnico Parreira não convocava o atacante Romário e, pressionado pela torcida e pela necessidade de uma vitória contra o Uruguai no último jogo, chamou o Baixinho, que deu conta do recado e classificou a seleção canarinho. A Bolívia, que havia vencido o Brasil, estrearia em Copas, ao passo que a Colômbia, com status de favorita, assegurou a vaga após ter goleado a Argentina por 5 a 0 pelas eliminatórias. Os hermanos só se classificaram na repescagem, vencendo a Austrália.

Na Europa, dois grandes times ficaram de fora do Mundial: A Inglaterra foi eliminada por Noruega e Holanda, enquanto que a França caiu diante de Suécia e Bulgária. A Itália só se classificou no último jogo, eliminando Portugal com uma vitória magra em Milão. A Rússia se classificou pela primeira vez após a cisão da União Soviética. Já a Grécia se classificou pela primeira vez e Espanha, Bélgica, Romênia e Irlanda completaram a lista européia. A Alemanha, é claro, já estava classificada por ser a atual campeã.

Na Concacaf, o México ficou com a única vaga disponível, já que os anfitriões estadunidenses tinham lugar garantido. Na Ásia, a Arábia Saudita se classificou pela primeira vez, frustrando os planos japoneses de disputar sua primeira Copa. Acompanharam os árabes a Coréia do Sul. Na África, os veteranos Camarões e Marrocos tiveram a companhia da estreante Nigéria na viagem rumo à América do Norte.

Primeira fase

A Alemanha tratou de acabar com a maldição do jogo de estréia, sendo o primeiro campeão a vencer tal partida desde que a mesma foi instituída, em 1974. Mesmo assim, foi um jogo duro no estádio Solder Field, em Chicago: 1 a 0 sobre a fraca Bolívia com um gol de Klinsmann. O artilheiro do Monaco ainda marcaria o gol alemão no empate em 1 a 1 contra a Espanha e mais dois na vitória de 3 a 2 sobre a Coréia do Sul, que ainda arrancou um empate contra os espanhóis. Coreanos e bolivianos, entretanto, morreram na praia.

O Brasil teve uma primeira fase fácil nos resultados e difícil no futebol. A zaga titular, Ricardo Rocha e Ricardo Gomes, foi cortada por contusões e coube a Aldair e Márcio Santos a tarefa de segurar os adversários. Apesar de só tomar um gol na primeira fase, a defesa brasileira deu muitos sustos. Na partida de estréia, o meio-campo com Raí e Zinho criou muito pouco e Romário só marcou um gol aproveitando uma cobrança de escanteio. Raí aumentou de pênalti, mas sua saída era pedida pela torcida e pela imprensa, que apelidara o outro meia armador, Zinho, de "

No segundo jogo, a seleção de Camarões era temida por sua campanha na Copa de 90. O que se viu, entretanto, foi um time longe do que apresentara um futebol vistoso quatro anos antes. Romário mais uma vez desiquilibrou, abrindo o placar numa arrancada aos 39 do primeiro tempo. Márcio Santos, de cabeça, e Bebeto completaram a goleada. Bebeto e Romário eram uma dupla quase perfeita. Com as duas vitórias, o Brasil já estava classificado, mas precisava ao menos empatar com a Suécia para garantir o primeiro lugar. Mais uma vez o meio-campo não rendeu e a zaga, preocupada demais em marcar os atacantes Dahlin e Brolin, se descuidou e deixou espaços para Kenneth Andersson abrir o placar. O Brasil sofreu mas brilhou de novo a estrela de Romário que, de bico, empatou.

O Brasil enfrentaria os donos da casa no feriado nacional, o Dia da Independência, 4 de julho. Mas por muito pouco os Estados Unidos sequer se classificaram para a segunda fase, o que quebraria uma escrita do país-sede sempre avançar na competição. Os americanos empataram com a Suíça na estréia e venceram a badalada Colômbia por 2 a 1 com um gol contra do zagueiro Escobar, mas a derrota para a Romênia por 1 a 0 quase lhes custou a vaga. Um fato triste é que Escobar, que marcou o gol contra, foi assassinado na Colômbia logo quando voltou da Copa exatamente por ter marcado esse gol. A Colômbia, aliás, foi uma das grandes decepções da Copa, sendo eliminada logo na primeira fase. A Romênia de Hagi terminou em primeira no grupo.

No Grupo D, a Argentina só se classificou em terceiro, embora tenha sido nos critérios de desempate. Após vencer o saco de pancadas grego por 4 a 0 e derrotar os surpreendentes nigerianos por 2 a 1, o craque Maradona foi pego no antidoping e foi expulso do Mundial. Uma despedida trágica de um jogador polêmico. A Bulgária de Letchkov e Stoitchkov foi outra surpresa, vencendo os argentinos - sem Maradona - por 2 a 0.

Já no grupo E, imperou a chatice. Todos os times terminaram com 4 pontos e a classificação foi definida apenas por sorteio: a Irlanda ficou em segundo, na frente da Itália. O México foi o campeão do grupo por ter feito mais gols e a Noruega foi eliminada. A grande surpresa do grupo foi a vitória irlandesa por 1 a 0 sobre os italianos na estréia, com um golaço por cobertura do meio da rua do meia Houghton.



Por fim, outra surpresa no Grupo F: a Arábia Saudita venceu Marrocos e Bélgica para ficar em segundo lugar no grupo, perdendo para a Holanda apenas no confronto direto. O atacante Al Owairan fez um gol histórico, driblando quase todo o time belga e fuzilando o já veterano goleiro Preud`homme.

Oitavas de final

O Brasil teria uma tarefa inglória nas oitavas de final: enfrentar os donos da casa no maior feriado nacional, o dia da comemoração da independência do país. Naquele 4 de julho, os americanos se inflaram de patriotismo para buscar a classificação com uma vitória sobre o Brasil que se tornaria histórica. E os americanos dificultaram o quanto puderam. Parreira finalmente tirou Raí do time, escalando Mazinho, que trouxe mais mobilidade ao meio-campo.

Mas a retranca estadunidense era forte e o Brasil só conseguiu marcar um gol aos 27 minutos do segundo tempo, numa jogada de Romário que lançou Bebeto que, por sua vez, acertou um chute milimétrico para o fundo das redes do goleiro Meola. Se a torcida ficou nervosa ao ver a partida, os jogadores também tiveram seus ânimos acirrados, tanto que Leonardo, escalado na lateral, acertou uma cotovelada no rosto de Tab Ramos e foi justamente expulso, sendo suspenso pelo resto do Mundial. O americano teve seu maxilar quebrado pela força do golpe. Mas no final das contas, o que valia era que o Brasil estava classificado para as quartas de final.

O adversário seria a Holanda, que vencera a Irlanda com boa atuação do atacante Dennis Bergkamp. A imprensa brasileira falava de uma revanche de 20 anos antes, quando o Brasil foi eliminado pela Laranja Mecânica. Além dos holandeses, também passaram para as quartas-de-final os espanhóis, com uma ótima vitória de 3 a 0 sobre a Suíça, e os búlgaros, que eliminaram os mexicanos nos pênaltis após empate de 1 a 1.

A Suécia tratou de espantar a zebra saudita e venceu por 3 a 1, com um gol de Dahlin logo aos 6 minutos e outros dois de Kenneth Andersson. Al Guesheyan descontou. Em partida com início eletrizante, a Alemanha venceu a Bélgica por 3 a 2, sendo que com 11 minutos de jogo o placar já apontava três gols: dois para os alemães e um para os belgas.

Mas as duas partidas mais emocionantes das oitavas-de-final foram, sem dúvida, Romênia x Argentina e Itália x Nigéria. Na primeira, os argentinos tentavam provar que poderiam chegar à final sem o astro Maradona. Mas esbarraram em mais uma grande atuação de Hagi e seus companheiros. Dumitrescu abriu o placar aos 11 e Batistuta empatou 5 minutos depois. Logo depois da saída de bola, Dumitrescu colocou os romenos novamente na frente e Hagi tratou de matar os argentinos com seu gol no 13° minuto da segunda etapa. Balbo ainda descontou mas já era tarde: a Argentina estava eliminada.

A Itália sofreu muito mais, mas pelo menos conseguiu a classificação. Surpreendida pelo alegre futebol nigeriano, os italianos levaram um gol de Amunike aos 25 do primeiro tempo. A pressão italiana transformou-se em desespero quando, a dois minutos do fim, Roberto Baggio empatou. Na prorrogação, o craque da Juventus marcou mais um, desta vez de pênalti, e assegurou a classificação italiana, que momentos antes parecia tão impossível. Mais uma vez o futebol africano era punido por sua displiscência na marcação.

terça-feira, 1 de junho de 2010

História das Copas - Itália 1990 (parte II)

Quartas de final

O futebol exageradamente defensivo adotado em toda Copa teve, nas quartas-de-final, seu maior expoente: poucos gols e muitos, muitos pênaltis. A Argentina enfrentou a Iugoslávia em Florença e após um jogo em que nenhuma das duas equipes conseguiu marcar, brilhou a estrela do goleiro Goycoechea, que com a defesa de dois pênaltis, classificou os campeões mundiais para a semifinal.

A Alemanha enfrentou mais uma batalha, desta vez com os tchecos, que bateram muito e receberam quatro cartões amarelos, sem contar a expulsão de Moravcik. Os alemães classificaram-se com um gol de pênalti de Matthäus aos 25 da primeira etapa. Já a Itália venceu a Irlanda por 1 a 0, gol de Schillaci, como sempre. Aos trancos e barrancos, a Azzurra avançava.

Mas o melhor jogo das quartas de final foi, sem dúvida, Inglaterra e Camarões. De um lado, Shilton, Gascoine e Lineker. Do outro, Oman-Biyik e Milla. Foi um jogo eletrizante, especialmente na prorrogação. Platt abriu o placar aos 25 minutos e Kunde empatou de pênalti aos 27 da segunda etapa. Três minutos depois, os camaroneses chocavam o mundo ao virarem o jogo com Ekéké. A Inglaterra foi para cima e, faltando 7 minutos para o fim, Lineker empatou em um pênalti duvidoso. Na prorrogação, mais um pênalti. O artilheiro da Copa de 86 não perdoou e mandou para o fundo do gol de N`Kono. Os leões foram domados. A Inglaterra estava na semifinal.

Semifinais

Se a Copa de 90 ganhasse um apelido, este seria certamente "a Copa dos pênaltis". De fato, nunca um Mundial teve tantas penalidades máximas marcadas (12) e tantas partidas definidas pela cobrança do tiro livre (4). Além disso, o futebol extremamente defensivo fez da Copa da Itália a com pior média de gols da história dos Mundiais: 2,21 por jogo.

As semifinais mostraram muito bem essa realidade: ambas foram decididas nos pênaltis. Argentina e Itália fizeram um jogo emocionante. O talismã `Totó` Schilacci abriu o placar logo aos 17 minutos do primeiro tempo e Caniggia foi empatar só aos 22 da etapa final, acabando com a invencibilidade de Zenga, que se tornou o goleiro a ficar mais tempo sem tomar gol em uma Copa do Mundo. Na verdade, o único gol que a Itália tomara até então custou muito caro para a Azzurra. O jogo foi para a prorrogação e, terminando empatado, foi para os pênaltis. Gyocoechea brilhou mais uma vez defendendo a cobrança de Donadoni e colocou a Argentina na final. O estádio San Paolo em Nápoles emudecera. A Itália estava eliminada.

Na outra semifinal, Alemanha e Inglaterra fizeram, diante dos 63 mil espectadores que lotaram o estádio Delle Alpi, em Turim, outro jogo brigado. Já aos 25 do segundo tempo, Parker marcou um gol contra que poderia ter acabado com os ânimos ingleses. Mas dessa vez a defesa alemã não foi tão brilhante e permitiu o empate de Lineker a nove minutos do fim. Mais uma decisão por pênaltis. No final, a Alemanha venceu por 4 a 3 e se classificou para sua terceira final seguida. Um recorde. Pela primeira vez, uma final de Copa do Mundo se repetia, e de forma consecutiva. Entraria a Alemanha para a história, perdendo três finais seguidas?

A Itália teve que se contentar com o terceiro lugar após ser derrotada nos pênaltis pela Argentina. A decisão de terceiro lugar no sábado, 07 de julhode 1990, em Bari, foi contra a Inglaterra. Apesar de eliminados da disputa pelo título, os italianos foram aplaudidos por sua torcida e jogaram um futebol um pouco aimca da média de toda a Copa. Roberto Baggio abriu o placar apenas aos 26 da segunda etapa. O talismã inglês Platt empatou a nove minutos do fim e, por sua vez, o preciosíssimo talismã italiano Schilacci, de pênalti (pra variar), deu números finais ao placar aos 41. Um prêmio de consolação para a Itália por ter organizado a Copa de maneira tão excepcional.

A decisão

Alemanha e Argentina repetiriam a finalíssima da Copa de 86. Era a terceira final consecutiva dos alemães e foi uma das finais mais feias e violentas da história das Copas. O time argentino usou e abusou da "catimba" sul-americana para truncar o jogo, tanto que o zagueiro Monzon foi expulso aos 19 minutos por jogada violenta.


Aos 39 minutos do primeiro tempo, o lateral alemão Brehme fez o gol único do jogo ao converter um pênalti. Não chegou a ser surpresa o fato da Copa com mais pênaltis até então ter sido decidida justamente em um pênalti. Ao final da partida, duas cenas distintas: enquanto Maradona chorava em campo pela perda do título, o capitão alemão, Lothar Matthaus, erguia a taça para delírio da torcida. A Alemanha conquistava o seu tricampeonato, igualando-se ao Brasil e à Itália.

A Copa da Itália acabou sendo a consagração do chamado antijogo. O torneio totalizou quinze expulsões e a pior média de gols de todos os tempos.

XIV Copa do Mundo - 1990 - Itália

Campeão: Alemanha
Vice: Argentina
Terceiro: Itália
Quarto: Inglaterra

Período: de 08 de junho a 08 de julho de 1990
Total de jogos: 52
Gols marcados: 115
Média de gols: 2,21 por partida
Artilheiro: Schillaci (Itália) - 6 gols
Público total: 2.516.348 pagantes
Média de público: 48.391 pagantes

O Brasil: 9º lugar - 4 jogos (3V e 1E), 4GP/2GC
Os jogos: Primeira fase: Brasil 2x1 Suécia (Careca (2); Brolin)
Brasil 1x0 Costa Rica (Müller)
Brasil 1x0 Escócia (Müller)
Oitavas-de-final: Brasil 0x1 Argentina (Caniggia)

terça-feira, 25 de maio de 2010

História das Copas - Itália 1990 (parte I)

Depois do México, a Itália foi escolhida para sediar a Copa pela segunda vez, derrotando Inglaterra e União Soviética na disputa. A Bota provou ter sido a escolha certa, dando um show de organização, embora o futebol apresentado tenha deixado muito a desejar. A fórmula de disputa seria a mesma de quatro anos antes.

O Brasil passou por uma eliminatória conturbada: no último jogo, contra o Chile, no Maracanã, jogava por um empate para se classificar e o goleiro Rojas armou um teatro ao ser lançado um rojão em campo. A FIFA descobriu a farsa e suspendeu o time chileno das competições internacionais. Além do Brasil, Uruguai e Colômbia se classificaram.

Na Europa, a Holanda era favorita após conquistar a Eurocopa de 88 na Alemanha, que também era favorita, após perder duas finais seguidas. As sempre favoritas Espanha e Inglaterra também se classificaram, enquanto que a sensação de 86, Dinamarca, foi eliminada pela Romênia.

Na África, Egito e Camarões se classificaram, enquanto que Coréia do Sul e Emirados Árabes Unidos foram os representantes asiáticos. Na Concacaf, os já experientes México e Estados Unidos seriam acompanhados da estreante Costa Rica.

Primeira fase

Após duas eliminações trágicas, o futebol brasileiro abriu mão do espetáculo e jogava burocraticamente. O técnico Sebastião Lazaroni escalou o time no 3-5-2 e, não bastassem os problemas dentro de campo, havia brigas entre os jogadores e a comissão técnica. A CBF havia oferecido uma premiação pelo título e os jogadores não concordaram. Em protesto, cobriam o patrocinador da seleção nas fotos oficiais.

Problemas à parte, o Brasil venceu na estreia, contra a Suécia. Careca marcou os dois gols brasileiros e Brolin diminuiu. Foi um jogo ruim e, ainda assim, o melhor da seleção na primeira fase. Depois, vitórias magras contra Costa Rica e Escócia, ambas por um a zero, ambas com gols de Müller. O Brasil, muito criticado, chegava às oitavas de final com três vitórias nada convincentes. Seria o futebol de resultado o caminho certo?

O capitão Maradona puxava a fila de jogadores argentinos que adentravam o gramado do estádio San Siro, em Milão, na tarde do dia 09 de junho de 1990. O adversário seria o time de Camarões, que em sua primeira participação, em 82, foi eliminado de forma invicta na primeira fase. A prova de que tipo de futebol se veria neste Mundial foi dada logo no primeiro jogo: zero a zero no final do primeiro tempo. A Argentina tentava de todas as formas chegar ao gol, mas foi a seleção africana que marcou. Após cabeçada de Oman Biyik, o goleiro Pumpido não segurou e a bola morreu no fundo das redes. A Argentina deu a volta por cima e se classificou no sufoco, vencendo a União Soviética por 2 a 0 e empatando com a Romênia em 1 a 1. Camarões foi o primeiro do grupo.

No grupo A, a anfitriã Itália conseguiu uma classificação tranquila. Embora os resultados pareçam contradizer, o time jogava bem, comandado pelo meio-de-campo Donadoni. O atacante reserva Schilachi virou o talismã da equipe, entrando no segundo tempo das duas primeiras partidas e marcando gols decisivos. A Tchecoslováquia foi a outra classificada do grupo.

O Grupo D teve os placares mais dilatados, proporcionados pela defesa dos Emirados Árabes Unidos e pelo ataque da Alemanha. No encontro das duas seleções, 5 a 1 para os alemães, com dois gols de Völler. A Alemanha ainda goleou a Iugoslávia, que por sua vez goleou os Emirados Árabes. A Colômbia, alheia aos placares elásticos, conseguiu classificar-se em terceira no grupo, liderada pelo folclórico goleiro Higuita.

Já a Espanha empatou com o Uruguai na estréia e venceu Bélgica e Coréia do Sul para obter uma classificação tranquila. A Bélgica, quarta colocada em 86, também passou, acompanhada dos uruguaios. O grupo F, por sua vez, foi o que melhor traduziu o pobre futebol desta Copa: cinco empates em seis jogos. Somente a Inglaterra conseguiu vencer o Egito. Com Holanda e Irlanda empatados em pontos e gols, foi-se necessário um sorteio para definir quem seria o segundo colocado, sorteio vencido pela Irlanda. Chegavam as oitavas de final e, com ela, os pênaltis.

Oitavas de final

Brasil e Argentina entraram em campo no dia 16 de junho de 1990, em Turim, com espíritos bastante distintos. Enquanto a Argentina se classificou com dificuldades mas vivia em paz com a torcida por jogar bem e ser a atual campeã mundial, o Brasil obteve três vitórias nada convincentes na primeira fase.

Ironicamente, a partida contra a Argentina foi a melhor do time brasileiro no Mundial. Dominando o jogo, a seleção mandou três bolas na trave e Dunga anulava Maradona, não dando espaços para o craque. Em um momento de descuido do meio-campo da Fiorentina, Maradona partiu do meio campo, fez grande jogada e tocou para Canniggia nas costas da zaga brasileira. O atacante ainda deixou Taffarel no chão antes de completar para o gol vazio, faltando dez minutos para o fim. Água batizada à parte, o Brasil não reagiu e foi eliminado, perdendo pela primeira vez em Copas para sua maior rival.

Outro jogo de destaque das oitavas-de-final foi Camarões e Colômbia. Embora um jogo sonolento tenha ido para a prorrogação sem gols, o tempo extra reservou muitas surpresas. O veterano Roger Milla havia entrado no lugar de Mfede no segundo tempo e marcou o primeiro gol camaronês aos cinco do segundo tempo da prorrogação. Três minutos depois, o goleiro Huguita, que sempre saía jogando e até arriscava alguns perigosos dribles em cima dos atacantes adversários, tentou fintar Milla e, na intermediária, perdeu a bola. Milla só teve o trabalho de tocar para o fundo das redes, protagonizando a famosa dança. Redin ainda diminuiu de pênalti, mas Camarões era o primeiro país africano a chegar às quartas-de-final.

A Itália, mais uma vez com seu talismã Schillaci, venceu o Uruguai por 2 a 0, com dois gols no segundo tempo. Baggio havia conquistado uma vaga de titular e melhorara o toque de bola do time. A Alemanha venceu a Holanda por 2 a 1 em um jogo muito brigado. Völler desentendeu-se várias vezes com os holandeses, especialmente com Rijkaard, e ambos foram expulsos.

A Inglaterra venceu a Bélgica por 1 a 0 com um gol salvador de Platt no último minuto da prorrogação. Irlanda e Romênia não saíram do zero e decidiram a classificação nos pênaltis, com vitória dos irlandeses por 5 a 4. A Tchecoslováquia goleou a Costa Rica por 4 a 1 com três gols de Skuhravy e a Espanha foi eliminada pela Iugoslávia com dois gols do meia Stojkovic.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

História das Copas - México 1986 (parte II)

O Brasil deslanchou de vez nas quartas-de-final. Contra a fraca Polônia, que não era nem sombra da forte seleção das Copas anteriores, o Brasil só encontrou resistência no primeiro tempo, que venceu por 1 a 0 com gol de pênalti de Sócrates. Com o gol o time melhorou e passou a dar espetáculo. Josimar, cuja convocação havia sido criticada pela imprensa, que queria Zé Teodoro, do São Paulo, fazia grande Copa e, em mais uma exibição exuberante, ampliou aos 11 da segunda etapa. Edinho ampliou aos 33 e, em mais um pênalti, Careca deu números finais ao placar. O Brasil pegaria a França, e a Polônia só voltaria a uma Copa 16 anos depois, na Ásia.

A França derrotou a campeã Itália até com certa facilidade por 2 a 0, com gols de Platini e Stopyra. A Azzurra dava adeus à Copa relativamente cedo, embora tenha tido um desempenho burocrático. Os anfitriões mexicanos avançaram às quartas-de-final com muita garra ao vencerem os búlgaros por 2 a 0 e enfrentariam a Alemanha Ocidental, que venceu com muita dificuldade o Marrocos. O líbero Lothar Matthäus marcou aos 44 do segundo tempo o gol vencedor. Matthäus já estava em sua segunda Copa, embora não tenha entrado em nenhum jogo da campanha de 82.

Outra partida das quartas-de-final seria entre a Argentina, que vencera em um jogo feio o Uruguai por 1 a 0, gol de Pasculli, e a INglaterra do artilheiro Gary Lineker, que despachou o Paraguai por 3 a 0 com dois gols do atacante do Everton. Lineker já marcara três vezes contra a Polônia na primeira fase e despontava como artilheiro do Mundial com cinco gols.

Fechando as oitavas-de-final, a Bélgica venceu a União Soviética em um jogo emocionante: 2 a 2 no tempo normal, com os belgas vencendo por 4 a 3 após a prorrogação. Era a despedida de mais um grande goleiro soviético, Dassaev. Os belgas enfrentariam a Espanha, que massacrou a até então sensação da Copa, a Dinamarca. Assim como os escandinavos haviam goleado, sofreram uma goleada: inexplicáveis 5 a 1 de virada, com quatro gols do atacante Butragueño. A Dinamáquina havia emperrado.

Quartas de final

Que seria um jogo difícil contra a França, todo mundo sabia, mas ninguém esperava que fosse tanto. O jogo foi muito equilibrado, embora as melhores chances da partida tenham sido da seleção brasileira. Aos 18 minutos do primeiro tempo, Careca abriu o placar, marcando seu quinto gol na competição, o que fez dele vice-artilheiro. Ainda no primeiro tempo, Platini empatou após jogada de Giresse. Foi o único gol sofrido pela seleção na Copa. Na segunda etapa, o Brasil pressionou e Branco sofreu pênalti. Sócrates, cobrador oficial, pediu para que Zico batesse. O Galinho voltava de cirurgia e precisava de confiança. Mas ele chutou em cima do goleiro Bats e a partida terminou empatada, indo para os pênaltis.

Foi a primeira decisão de pênaltis que o Brasil enfrentou na história das Copas. Sócrates e Platini erraram. Júlio César acertou a trave e o goleiro Carlos precisava pegar para o Brasil não ser eliminado. Fernandez chutou e a bola bateu na trave, mas voltou, bateu nas costas de Carlos e entrou. Gol da França, que ninguém reclamou, mas que pelas regras da FIFA, não valem. Em cobrança de pênaltis, se a bola bate na trave e não entra, acaba ali a jogada. Mas de nada adiantaria reclamar. Após a tragédia de Sarriá em 82, o Brasil era eliminado mais uma vez de maneira catastrófica. Com duas derrotas traumáticas, acabava a era do futebol arte na seleção brasileira.

Nas outras, partidas, a Alemanha sofreu para eliminar o time da casa, vencendo somente nos pênaltis após 0 a 0 no tempo normal. Jogo truncado também foi o da classificação belga, nos pênaltis, contra a Espanha, após empate de 1 a 1. Mas o jogo mais emocionante foi, sem dúvida, a partida entre Argentina e Inglaterra. Maradona versus Lineker. O melhor jogador em atividade no futebol mundial contra o artilheiro da Copa.

E foi um jogaço. Argentina e Inglaterra haviam guerreado pela posse das Ilhas Malvinas, mas dentro de campo a luta foi somente com a bola nos pés. No primeiro tempo, 0 a 0. No segundo, duas jogadas que são obrigatórias na memória de qualquer fã do futebol. Aos seis minutos, cruzamento na área, Maradona sobe e...gol! Mas o que o juiz - e só ele não viu - é que Maradona, marotamente, colocou a mão ao lado da cabeça e empurrou para as redes. Perguntado sobre o gol ilegal, Maradona disse que foi "la mano de Diós".

El Pibe ampliou quatro minutos depois, em uma jogada antológica, considerada por muitos o gol mais bonito da história das Copas. Ele dominou a bola ainda no campo de defesa argentino, driblou cinco ingleses mais o goleiro Peter Shilton e mandou para o fundo do gol. O artilheiro gary Lineker ainda descontaria a nove minutos do fim, mas aquela parecia ser mesmo a Copa de Maradona.

Semifinais

Na semifinal contra a Bélgica, Maradona novamente gastou a bola e marcou, no segundo tempo, os dois gols da vitória argentina, credenciando o time para a disputa da final. Burruchaga também jogou muito, proporcionando jogadas sensacionais na companhia de El Pibe.

Já Alemanha e França repetiram a semifinal de quatro anos antes. Mais uma vez a partida foi emocionante e, mais uma vez, deu Alemanha. Brehme abriu o placar logo aos nove minutos do primeiro tempo e a França pressionou durante todo o jogo. A Alemanha também chegava com perigo e, no último minuto da partida, Völler fecharia o caixão francês com outro gol. O que serviu de consolo para a França é que desta vez ela teve mais sorte na disputa pelo 3º lugar, batendo a Bélgica por 4 a 2, na despedida de Platini das Copas do Mundo.

A decisão

Assim como na primeira vez, na Copa de 70, o estádio Azteca na Cidade do México foi palco de uma final exuberante. A Argentina, apoiada pela torcida mexicana (que torcia contra a Alemanha por ter eliminado o México), começou melhor e abriu aos 22 do primeiro tempo com uma cabeçada do zagueiro Brown. O técnico alemão Fraz Beckenbauer colocou o atacante Völler no intervalo e conseguiu equilibrar um pouco o jogo, mas mesmo assim a Argentina ampliou com Valdano aos 11 do segundo tempo.

Maradona era eficientemente marcado por Matthäus e pouco aparecia. Como compensação, Burruchaga jogava muita bola, da mesma forma que fizera na semifinal. Mas a Alemanha não estava morta. Rummenigge diminuiu aos 28 e o time se encheu de esperança e partiu para cima. Faltando oito muitos para o fim do jogo, Völler empatou. Mas aí brilhou a estrela de Maradona, que fez grande jogada e passou para Burruchaga fazer o gol do título, dois minutos depois. O apito final do árbitro brasileiro Romualdo Arppi Filho decretou a vitória da Argentina e a segunda derrota consecutiva da Alemanha em uma final de Copa do Mundo.

XIII Copa do Mundo - 1986 - México

Campeão: Argentina
Vice: Alemanha
Terceiro: França
Quarto: Bélgica

Período: de 31 de maio a 29 de junho de 1986
Total de jogos: 52
Gols marcados: 132
Média de gols: 2,54 por partida
Artilheiro: Lineker (Inglaterra) - 6 gols
Público total: 2.402.451 pagantes
Média de público: 46.200 pagantes

O Brasil: 5º lugar - 5 jogos (4V e 1E), 10GP/1GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 1x0 Espanha (Sócrates)
Brasil 1x0 Argélia (Careca)
Brasil 3x0 Irlanda do Norte (Careca (2) e Josimar)
Oitavas-de-final: Brasil 4x0 Polônia (Sócrates, Josimar, Edinho e Careca)
Quartas de final: Brasil 1(3)x(4)1 França (Careca e Platini)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

História das Copas - México 1986 (parte I)



A Colômbia foi escolhida sede da Copa de 86, mas por causa de uma grave crise econômica no país, abdicou da organização do evento. Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e até o Canadá foram cotados, mas o México foi escolhido pelo sucesso obtido na organização da Copa de 70. Foi a primeira vez que um país sediou o torneio pela segunda vez. Entretanto, um ano antes da competição, um forte terremoto ameaçou a realização da Copa, mas com muito esforço, o México deu mais um show de organização.

O Brasil se classificou sem dificuldades, com boa parte da seleção de 82 ainda presente, reforçada por alguns destaques, como Careca e Casagrande. Argentina, Uruguai e Paraguai também se classificaram. O Canadá teve sua única participação até hoje ao eliminar Costa Rica e Honduras. Outro estreante da Copa foi o Iraque, que eliminou a Síria e acompanharia a Coréia do Sul. Na África, Marrocos e Argélia confirmaram o domínio no continente.

Na Europa, mais uma vez a Holanda ficou de fora, desta vez eliminada por Hungria e Bélgica. A Itália já estava garantida como campeã, enquanto as favoritas Alemanha, Espanha, França e Inglaterra também garantiram vaga. Portugal se classificou pela primeira vez desde 66, mas desta vez não teve o mesmo brilho. A Dinamarca foi a outra estreante em Copas, e viria a surpreender a todos com seu futebol envolvente. A Polônia também se classificou, mas pela primeira vez sem Lato, o time não chegou muito longe.

O regulamento da Copa finalmente encontrou um formato ideal, que se repete até hoje: depois da primeira fase, os classificados jogam em partidas de mata-mata até a final. O Brasil não pegou um grupo tão fácil como quatro anos antes, mas também não teve muitos problemas. Os dois primeiros jogos foram duros, com vitórias simples sobre Espanha e Argélia, mas na terceira partida, contra a Irlanda do Norte, o time desencantou e fez 3 a 0, com dois gols de Careca. A seleção do técnico Telê Santana havia encontrado um equilíbrio entre o futebol-arte de 82 e o jogo de resultados pregado por toda a Europa como verdadeiro vencedor. Classificado, o Brasil enfrentaria a Polônia nas oitavas, que havia se classificado atrás do surpreendente Marrocos, que ficou em primeiro no grupo, e da Inglaterra. Portugal deu vexame e ficou em último.

No grupo A, um duelo muito aguardado entre a campeã Itália e a Argentina de Maradona. O jogo foi muito movimentado e o empate em 1 a 1 foi justo. A Argentina ficou em primeiro no grupo por ter vencido a Bulgária, enquanto os italianos não passaram de um empate. Os búlgaros ainda se classificaram em terceiro, ao passo que os sul-coreanos não passaram, mais uma vez, de saco de pancadas.

Já no Grupo B, os anfitriões mexicanos fizeram bonito mais uma vez: venceram a forte seleção belga, ganharam do Iraque e empataram com o Paraguai, classificando-se em primeiro, na frente dos belgas e dos paraguaios. O Iraque não marcou pontos.

No grupo C, a França de Platini passeou em campo e derrotou Hungria e o fraco Canadá, que saiu da Copa sem nem marcar gols. A Hungria, que havia protagonizado a maior goleada das Copas quatro anos antes, foi desta vez a vítima, perdendo de 6 a 0 para a União Soviética, que se classificou em segundo.

A Alemanha teve dificuldades para se classificar, empatando com o Uruguai, vencendo a Escócia e perdendo para a Dinamarca, estreante que fez história: com um futebol envolvente, venceu os alemães por 2 a 0 e goleou o Uruguai por 6 a 1, sendo apelidade de Dinamáquina. O destaque do time era o atacante Larsen, sempre ajudado por Laudrup. Alemães e uruguaios se classificaram na bacia das almas.