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domingo, 7 de março de 2010

História das Copas - Chile 1962 (parte II)

Quatro anos depois do primeiro empate em 0 a 0 da história das Copas, Brasil e Inglaterra se enfrentavam novamente. Dessa vez, entretanto, o placar foi bem diferente. O Brasil deu show, principalmente com Zito e Didi no meio-campo e Garrincha no ataque, que marcou o primeiro gol aos 32. Quatro minutos depois, os ingleses empataram com Hitchens, mas Vavá, aos 9 da segunda etapa, e Garrincha novamente aos 14, acabaram com as esperanças dos ingleses: Brasil 3 a 1.

Nos outros jogos das quartas de final, a Iugoslávia, campeão olímpica dois anos antes em Roma, venceu a Alemanha por 1 a 0; a Tchecoslováquia derrotou uma decadente Hungria pelo mesmo placar e os donos da casa eliminaram a União Soviética de Yashin por 2 a 1.

Nas semifinais, o encontro mais esperado: Brasil e Chile. Os anfitriões estavam empolgados com a vitória sobre os soviéticos e anunciavam uma comemoração da vitória regada a café brasileiro, produto muito exportado na época. Garrincha mais uma vez comandou o time e o Brasil venceu sem dificuldades, por 4 a 2. O Mané das pernas tortas abriu o placar logo aos 9 minutos e ampliou a vantagem aos 32. Toro diminuiu já perto do intervalo, mas tão logo reiniciou-se a segunda etapa, Vavá marcou mais um. Os chilenos voltaram a diminuir com o artilheiro Leonél Sanchéz, de pênalti, mas a 12 minutos do fim, Vavá sepultou qualquer esperança de um empate, ao aproveitar cruzamento de Garrincha. O Brasil estava na final novamente e os chilenos, mesmo derrotados, apoiariam o Brasil na final, tamanho era o deslumbramento que o futebol canarinho despertava nas pessoas.

O outro finalista seria a Tchecoslováquia, que derrotou os iugoslavos por 3 a 1 em um jogo de público fraquíssimo para uma semifinal: 5 mil pessoas. Os campeões olímpicos dominaram a maior parte das ações do jogo, mas os tchecos abriram o placar com Kadraba logo no início da segunda etapa. Jerkovic empatou e, quando o jogo já rumava para a prorrogação, Scherer marcou duas vezes para sacramentar a classificação theca.

Na decisão do terceiro lugar, os 67 mil chilenos que lotaram o estádio Nacional em Santiago vibraram com a vitória por 1 a 0 sobre a Iugoslávia, gol marcado por Rojas, aos 45 do segundo tempo. No dia seguinte, eles lotariam novamente o mesmo estádio, dessa vez para torcer para o Brasil, mesmo eles tendo sido eliminados pelos brasileiros.

O jogo foi movimentado, com chances para os dois times e marcação cerrada por parte dos tchecos no meio-de-campo. Mas Garrincha & cia conseguiram furar o bloqueio, embora tenha sido Masopust, aos 15 minutos, quem abriu o placar. Sem se abater, o brasil empatou dois minutos depois com Amarildo, virando o jogo na segunda etapa, com Zito e Vavá. O apito final do juiz soviético Nickolaj Latychev selou o bicampeonato do Brasil, que foi recebido com muita festa na volta para casa.

VII Copa do Mundo - 1962 - Chile

Campeão: Brasil
Vice: Tchecoslováquia
3º: Chile
4º: Iugoslávia

Período: de 30 de maio a 17 de junho de 1962
Total de jogos: 32
Gols marcados: 89
Média de gols: 2,78 por partida
Artilheiros Jerkovic (Iugoslávia), Leonel Sanchez (Chile), Albert (Hungria), Ivanov (URSS), Garrincha e Vavá (Brasil) - 4 gols

Público total: 896.363 pagantes
Média de público: 28.011 pagantes

O Brasil: CAMPEÃO - 6 jogos (5V e 1E), 14GP/5GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 2x0 México (Zagallo e Pelé)
Brasil 0x0 Tchecoslováquia
Brasil 2x1 Espanha (Adelardo; Amarildo (2))
Quartas-de-final: Brasil 3x1 Inglaterra (Garrincha (2) e Vavá; Hitchens)
Semifinal: Brasil 4x2 Chile (Garrincha (2) e Vavá (2); Toro e Leonel Sánchez)
Final: Brasil 3x1 Tchecoslováquia (Amarildo, Zito e Vavá; Masopust)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

História das Copas - Chile 1962 (parte I)


A escolha do Chile como sede da Copa de 62 pegou muitos de surpresa: a Argentina era a principal favorita. Muitos acreditavam que o país não ofereceria condições ideiais de infra-estrutura para um evento de tal magnitude, o que em certos pontos provou-se verdade.

Brasil e Chile estavam classificados automaticamente, juntando-se a eles Uruguai, Colômbia e Argentina como representantes da América do Sul. Na Europa, praticamente todos os favoritos se classificaram. Entretanto, uma das maiores surpresas foi a desclassificação da Suécia, vice-campeã da edição anterior. Na Europa, favoritos como Alemanha, Itália, Inglaterra e Espanha passaram sem dificuldades. O México foi o representante das Américas do Norte e Central, enquanto África e Ásia ficaram mais uma vez de fora, já que a Coréia do Sul foi eliminada pela Iugoslávia e o Marrocos perdeu o playoff para a Espanha.

O Brasil tinha uma mescla de experientes jogadores campeões em 58, como Vavá e Zagallo, com jovens talentos e jogadores já consagrados: era o caso de Garrincha, estrela do Botafogo, e Pelé, já Campeão do Mundo com o Santos e ainda com 21 anos. Foi realmente uma geração de ouro do Brasil, pois mesmo com Pelé machucado, outro jogador já famoso levou literamente o Brasil nas costas: o Mané de pernas tortas, Garrincha.

Já classificada para a Copa, a seleção fez apenas amistosos de preparação. O time era praticamente o mesmo de 58, então entrosamento não era problema. Na estréia, o nervosismo sim atrapalhou a seleção. Jogando contra o fraco time do México, o Brasil suou para vencer por 2 a 0, com gols de Zagallo e Pelé, ambos já no segundo tempo. O lendário goleiro Carbajal fechou o gol e evitou um placar mais elástico.

Contra a Tchecoslováquia, mais um jogo truncado. O placar não saiu do zero, mas a partida teve um gosto de derrota: aos 27 minutos do primeiro tempo, Pelé chutou de sem-pulo e, na mesma hora, sentiu a contusão que o afastaria da Copa: uma distensão na coxa privou o Brasil de sua maior estrela. A contusão abalou os companheiros, que pouco produziram em campo, transformando o placar em justo, afinal de contas.

No último jogo da primeira fase, mais drama: o Brasil precisava de um empate contra a Espanha, mas perdia o jogo até os 25 do segundo tempo. Os espanhóis tinham um dos times mais fortes de sua história, sendo até candidato ao título: o craque do Real Madrid, Di Stefano e o húngaro naturalizado Puskas - já em fim de carreira - eram parte do elenco. Adelardo abriu o placar aos 35 do primeiro tempo e o Brasil só não foi eliminado por uma traquinagem de Nílton Santos. O lateral brasileiro cometeu pênalti em um atacante espanhol mas, marotamente, deu dois passos para fora da área, na tentativa de enganar o juiz, que caiu em sua tramóia e marcou apenas falta.

Se a Espanha abrisse 2 a 0 ali, o Brasil provavelmente não conseguiria reagir e estaria fora da Copa. Na segunda etapa, quando os ânimos já estavam mais acirrados, Amarildo, o substituto de Pelé, tratou de empatar o jogo, dando mais tranqüilidade aos brasileiros. A Espanha se lançou desesperadamente ao ataque, permitindo que o reserva de Pelé marcasse novamente, dando a vitória ao escrete canarinho, que se classificava então às quartas-de-final.

Ainda pela primeira fase, a Itália deu vexame ao tentar repetir a estratégia vencedora de 1934: naturalizou jogadores de outros países, na tentativa fracassada de montar um time forte. O brasileiro Mazzola, com o nome de Altafini, foi um desses `novos italianos`. A Azzurra decepcionou, empatando em 0 a 0 com a Alemanha e perdeu por 2 a 0 para os anfitriões chilenos em um jogo muito duro, apelidado de "A batalha de Santiago". Apesar de vencer os suíços por 3 a 0, a Itália voltaria mais cedo pra casa.

Vexame igual deram os argentinos: Estrearam vencendo a Bulgária, mas perderam para a Inglaterra e empataram sem gols com a Hungria, voltando para casa mais cedo. Enquanto isso, no grupo 1 Iugoslávia e União Soviética se classificavam, e no Grupo 3, o do Brasil, o México vencia sua primeira partida em Copas: 3 a 1 sobre os tchecos, que se chegariam até à final da Copa.