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quarta-feira, 21 de abril de 2010

História das Copas - Alemanha 1974 (parte II)

O grupo do Brasil, atual campeão, na segunda fase era considerado muito mais forte do que o da Alemanha, país sede: os brasileiros enfrentariam Holanda, Argentina e Alemanha Oriental. No primeiro jogo, contra os alemães, vitória suada por 1 a 0, gol de Rivelino. Enquanto isso, a Holanda passeava em campo, goleando a Argentina por 4 a 0. Na segunda rodada, o primeiro Brasil x Argentina da história das Copas: um jogo muito disputado, vencido pelos brasileiros por 2 a 1. A Holanda vencera a Alemanha Oriental por 2 a 0 e jogava pelo empate com o Brasil, na última rodada, pela vaga para a final.

O fato de o Brasil ter chegado à última partida da segunda fase com chances de chegar à final foi em si só um grande feito, dadas as limitações daquele time. Entretanto, contra o carrossel holandês, os brasileiros não tiveram chance. Aos 5 do segundo tempo, Neeskens recebeu cruzamento de Cruyff e completou para o gol. Cruyff, 15 minutos depois, faria o seu e classificaria a Holanda para a final da Copa, merecidamente. Ao Brasil restava o consolo de disputar o 3º lugar.

A Alemanha Ocidental seria a adversária da Holanda, após vencer, também sem dificuldades, seus três jogos no grupo B: 2 a 0 sobre a Iugoslávia, 4 a 2 sobre a Suécia e 1 a 0 sobre a Polônia, que apesar da derrota foi para a disputa do 3º lugar com o Brasil, por ter vencido seus outros dois adversários. Estava definida, então, uma final justa entre a Holanda, do futebol mais vistoso, contra a Alemanha, do mais eficiente. Enquanto isso, a Polônia comemorava a boa campanha e enfrentaria um Brasil desmotivado na disputa pela medalha de bronze.

Num jogo disputado em ritmo de treino, o time brasileiro perdeu de um a zero para os poloneses, com um gol do ponta Lato, aproveitando um avanço do lateral Marinho. O Brasil perdia merecidamente o terceiro lugar para o eficiente time polonês.

No dia 7 de julho, a seleção holandesa pisou o gramado do estádio Olímpico, em Munique, como grande favorita, para fazer a primeira final de uma Copa do Mundo da sua história. Mas o time alemão era igualmente respeitável, com o eficiente goleiro Sepp Mayer, o lateral Paul Breitner e o capitão Franz Beckembauer, os meio-campistas Bonhof e Overath, e o eficiente artilheiro Gerd Muller.

No começo da partida, Cruyff e companhia envolveram os alemães com seus toques de primeira e deslocamentos rápidos. Antes que um adversário tocasse na bola, o craque Johan Cruyff foi derrubado na entrada da área por Vogts e Hoeness. Pênalti, que o próprio Cruyff converteu. Mas o experiente time alemão fez uma marcação cerrada sobre Cruyff, anulando o cérebro do time, emperrando a engrenagem principal do carrossel.

Antes do término do primeiro tempo, a Alemanha já tinha virado o jogo com um gol de pênalti cobrado por Breitner e um outro do oportunista centroavante Muller. No segundo tempo, os holandeses se intimidaram e os alemães seguiram administrando a vantagem sem descuidar da defesa. Como na final de 54 contra a Hungria, a Alemanha reverteu um favoritismo quase que unânime para conquistar o bicampeonato.

X Copa do Mundo - 1974 - Alemanha

Campeão: Alemanha
Vice: Holanda
Terceiro: Polônia
Quarto: Brasil

Período: de 13 de junho a 7 de julho de 1974
Total de jogos: 38
Gols marcados: 97
Média de gols: 2,55 por partida
Artilheiro: Lato (Polônia) - 7 gols
Público total: 1.774.022 pagantes
Média de público: 45.685 pagantes

O Brasil: 4º lugar - 7 jogos (3V, 2E e 2D), 6GP/4GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 0x0 Iugoslávia
Brasil 0x0 Escócia
Brasil 3x0 Zaire (Jairzinho, Rvelino e Valdomiro)
Segunda fase: Brasil 1x0 Alemanha Oriental (Rivelino)
Brasil 2x1 Argentina (Rivelino e Jairzinho; Brindisi)
Brasil 0x2 Holanda (Neeskens e Cruyff)
Decisão do terceiro lugar: Brasil 0x1 Polônia (Lato)

terça-feira, 13 de abril de 2010

História das Copas - Alemanha 1974 (parte I)

A Alemanha, sede da Copa de 74, havia sido escolhida como organizadora do evento pela primeira vez em 1942, mas por causa da II Grande Guerra, só sediou a competição 28 anos depois, aproveitando os investimentos feitos para as Olimpíadas de 1972, em Munique, da mesma maneira que o México fizera anos antes.

Após a Copa de 70, uma nova taça deveria ser feita para substituir o Troféu Jules Rimet, que ficou sob posse definitiva do Brasil (mas não por muito tempo, pois foi roubado da sede da CBD e nunca mais achado. Diz-se que o troféu foi derretido pelos ladrões e transformado em peças de ouro, ao passo que a FIFA cedeu uma réplica, dessa vez somente banhada a ouro, para a sala de troféus brasileira). A nova Taça, chamada de Taça FIFA, foi esculpida pelo italiano Silvio Gazzaniga e marcou novas transformações no futebol mundial, com a eleição do brasileiro João Havelange, então presidente da CBD, como novo chefe da entidade.

A novidade começava no modo de disputa. Em vez do tradicional sistema de quartas de final, os 8 classificados se dividiriam novamente em dois grupos, cujos vencedores fariam a final. Outro fator interessante para os brasileiros é que essa foi a primeira Copa a ser transmitida totalmente ao vivo e em cores para o país tricampeão do mundo.

O Brasil novamente não teve de disputar as eliminatórias. Seus vizinhos Argentina e Uruguai juntaram-se ao Chile e foram os representates da América do Sul, enquanto que o Haiti protagonizou uma incrível surpresa ao derrotar o México, conquistando a vaga. O Zaire ficou com a vaga africana e a Austrália derrotou a Coréia do Sul para garantir a vaga disputada entre Oceania e Ásia.

Na Europa, algumas surpresas: a Inglaterra foi eliminada pela Polônia, Portugal pela Bulgária e a Espanha pela Iugoslávia. A Alemanha Oriental classificou-se pela primeira vez, justamente para a Copa que queria ajudar a sediar, mas não houve acordo. Após anos de brigas desde a separação que ocorreu depois da Segunda Guerra, uma trégua permitiu que os `orientais` acompanhassem os jogos e entrassem na Alemanha Ocidental. A surpresa foi enorme quando, no sorteio das chaves, ambas as seleções caíram no mesmo grupo. Um encontro tenso e aguardado estava marcado.

A preparação do Brasil para a Copa de 74 foi tensa. Carlos Alberto, Pelé, Tostão e Gérson haviam se aposentado e Jairzinho e Rivelino tomaram a frente de uma seleção que mesclava velhos craques com jovens talentos. Os resultados não agradaram e a seleção chegou desacreditada.

A Copa de 74 inaugurou uma tradição que foi abolida na última Copa, exatamente na Alemanha: o campeão passou a fazer o jogo de abertura. Coube ao Brasil estrear essa honra, porém o resultado foi decepcionante: 0 a 0 contra a Iugoslávia. Até a Copa de 2002, a última em que o jogo de abertura foi dessa forma, apenas a Alemanha em 94 e o Brasil em 98 venceram seus jogos. Mas zebras à parte, o Brasil também não saiu do zero em sua segunda partida, contra a Escócia, resultado do futebol defensivo adotado por Zagallo.

Apenas na terceira e última rodada da primeira fase, precisando desesperadamente de uma vitória por 3 a 0 para não depender do resultado do jogo entre Iugoslávia e Escócia para se classificar, o Brasil foi para o ataque contra a frágil seleção do Zaire e venceu exatamente por 3 a 0, com gols de Jairzinho, Rivelino e Valdomiro, este a 11 minutos do fim. No sufoco, o Brasil passava para a próxima fase em segundo, atrás dos iugoslavos.

Nos outros grupos, a Alemanha Ocidental perdeu para a Alemanha Oriental num jogo muito esperado, ficando em segundo lugar, atrás dos orientais. Na época, rumores davam conta de que os alemães ocidentais perderam o jogo para escapar do grupo da Holanda na próxima fase, que àquela altura já era considerava favorita ao título.

E por falar na Holanda, apesar do empate em 0 a 0 com a Suécia, o time do técnico Rinus Michels fez história na Alemanha. Com um futebol envolvente chamado pelo técnico de futebol total, os holandeses ganharam os apelidos de "carrossel holandês", já que nenhum jogador possuía posição fixa no campo, e "laranja mecânica", pela facilidade com que os envolventes ataques estraçalhavam as zagas adversárias. Foi assim contra o Uruguai na estréia (vitória por 2 a 0) e contra a Bulgária (4 a 1). Os holandeses assumiam o posto de principais favoritos ao título.

Finalizando, no grupo 4 a Itália deu vexame e foi eliminada ainda na primeira fase. Após vencer a fraca seleção haitiana na estréia por 3 a 1, empatou com a Argentina em um gol e perdeu para a Polônia, voltando para casa mais cedo. Os poloneses tinham um time forte, cujo expoente era o atacante Lato, que se tornaria artilheiro da Copa, e venceram as três partidas da primeira fase, incluindo a goleada de 7 a 0 sobre o Haiti.

Ficariam, então, assim definidos os grupos da segunda fase: no grupo A, Brasil, Alemanha Oriental, Holanda e Argentina; no grupo B, Alemanha, Polônia, Suécia e Iugoslávia. Os times jogariam entre si e os vencedores fariam a final.