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domingo, 18 de abril de 2010

Grandes técnicos - Rinus Michels



Se a seleção holandesa da década de 70 era, de fato, a "laranja mecânica", Rinus Michels era o responsável pela manutenção da máquina. Como técnico de uma das mais brilhantes equipes do futebol moderno, o holandês era o homem por trás da teorida do futebol total. Nascido em 28 e atacante do Ajax durante toda sua carreira como jogador, Michels fez seu nome como técnico do clube que defendeu no final da década de 60 e depois na seleção holandesa na Copa da Alemanha em 74.

Apesar de seu maior sucesso ter sido com os laranjas, ele também dirigiu times nos Estados Unidos, na Alemanha e, especialmente, o Barcelona: Michels estabeleceu uma conexão holandesa com o clube catalão que existe até hoje, contratando sempre atletas dos países baixos. Ele foi, impressionantemente, o primeiro holandês designado para dirigir o Ajax: o clube tinha uma tradição de contar sempre com treinadores dos maiores centros europeus. Na primeira temporada, sagrou-se campeão nacional e fez do Ajax um clube que disputava de igual para igual com as grandes potências européias, conquistando em 71 a Copa Européia, atual Copa da Uefa. O time ainda conquistou mais duas taças continentais, mas sem Michels, que assumira o comando do Barcelona em 71.

Àquela altura, Michels já era conhecido por suas estratégias que enfatiizavam uma movimentação inteligente e jogadores habilidosos em todas as posições. Teve desempenho discreto no Barça, mas voltou ao topo com um time holandês que revolucionou o futebol. A figura mais ligada a Rinus Michels e ao sucesso da Holanda é Jhoan Cruyff, um jogador que parecia ter sido feito para o esquema do técnico, tendo uma capacidade inigualável de analisar uma partida ao mesmo tempo que a disputava. O mentor e seu comandado trabalharam juntos no Ajax e no Barcelona, mas foi mesmo na seleção holandesa que ambos ensinaram um novo estilo de jogo para o mundo. Com pouco tempo de treinamento, o time não despertava muitas expectativas, mas o grupo - composto em sua maioria por jogadores do Ajax e do Feyenoord - se entrosou rapidamente, sempre sob a batuta de Michels.

O time rapidamente ficou conhecido com seu jogo rápido com muitos passes. Na segunda fase, a Holanda passou de zebra para favorita, e foi assim que chegou contra os donos da casa. Numa dessas injustiças histórias do futebol, a laranja mecânica perdeu aquele jogo para a eficiência robótica dos alemães, mas saiu aplaudida de pé como melhor time do Mundial e um dos melhores da história. Assim como o Brasil quatro anos antes, a Holanda era o futebol arte, a habilidade máxima posta em campo. Após a Copa, Michels voltou ao Barcelona, mas nunca se desligou totalmente da seleção. Em 84, tornou-se coordenador técnico e, dois anos depois, reassumiu o comando do time. Com mais uma geração de ouro,

Michels conquistou a Eurocopa em solo alemão, vingando na semifinal a derrota para os donos da casa na Copa de 74. A vitória contra a União Soviética na final coroou uma carreira brilhante de um homem inteligente que, além de tudo, sabia ousar. Morreu em março de 2005, deixando o mundo do futebol com certeza um pouco mais triste.

TÁTICAS

Rinus Michels é conhecido pelo que foi essencialmente uma anti-tática: o "futebol total", mais um estilo de jogo do que uma estratégia. Michels permitia que os jogadores trocassem de posição e corressem por todo o campo para explorar os espaços dados pelos adversários e também para confundí-los. A laranja mecânica era inicialmente escalada no 4-3-3 com Jonny Rep avançando pelo lado direito e Rob Rensenbrink pelo flanco esquerdo. Os ataques dos zagueiros Wim Suurbier e Ruud Krol abriam o leque de opções ofensivas, enquanto Cruyff tinha liberdade para andar por todo o campo procurando uma maneira de furar os bloqueios adversários. As chaves para o sucesso do esquema de Rinus Michels eram uma movimentação inteligente, conhecimento tático e forma física apurada.

Nome: Rinus Michels
Data de nascimento:09/02/1928
Data de morte: 03/03/2005
Local de nascimento: Amsterdam, Holanda

CARREIRA

Como jogador
1946 a 1958: Ajax - 121 gols em 269 jogos
5 jogos pela seleção holandesa

Como treinador
1965 a 1971: Ajax
1971 a 1975: Barcelona (acumulando a função de técnico da seleção holandesa)
1975 a 1976: Ajax (Diretor Técnico)
1976 a 1978: Barcelona
1978 a 1980: Los Angeles Aztecs
1980 a 1983: FC Köln
1984 a 1988: Seleção holandesa
1988 a 1989: Bayer Leverkusen

Títulos
6 campeonatos holandeses (2 como jogador e 4 como técnico)
1 Copa Européia (1971, como técnico do Ajax)
1 Eurocopa (1988, como técnino da Holanda)
1 campeonato espanhol (1974, como técnico do Barcelona)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Grandes técnicos das Copas - Zagallo


Zagallo tem a honra de possuir mais títulos de Copas do Mundo do que qualquer pessoa na terra: ao total, foram quatro, duas como jogador, uma como treinador e uma como diretor técnico. Apesar disso, recebia duras críticas quando no comando da seleção brasileira, críticas que eram sempre silenciadas com resultados.

Atualmente conhecido como um técnico renomado, Zagallo começou no futebol como jogador. No início da década de 50, defendia o América do Rio ainda sob a bandeira do amadorismo. Transferido para o Flamengo, brilhou na ponta esquerda, compensando a pouca força física com extremo talento e habilidade. Além disso, sempre voltava para ajudar o time na marcação, atitude incomum na época. Em 53, foi para o Botafogo e passou a ser figura constante nas concovações da seleção brasileira.

Foi na Copa de 58 que o mundo conheceu Zagallo e seus companheiros de equipe. Surpreendendo a todos, Zagallo defendia e atacava com maestria numa época onde só existiam jogadores exclusivamente defensivos ou ofensivos. Juntamente com Pelé, Vavá e Garrincha, ele furou o bloqueio sueco e conquistou a primeira Taça Jules Rimet para o Brasil. Em 62, no Chile, ele já havia deixado um pouco de lado suas características defensivas para ser um verdadeiro ponta esquerda. Sua importância cresceu ainda mais quando Pelé se machucou e toda a responsabilidade caiu em seus ombros e nos de Garrincha. Felizmente, ambos deram conta do recado e o Brasil conquistou o bicampeonato.

Zagallo encerrou sua carreira em 64, mas dois anos depois já atuava como técnico. E foi do lado de fora das quatro linhas que ele demonstrou toda a sua paixão pelo futebol e todo seu conhecimento tático que já possuía quando jogador. Seu primeiro clube foi o Botafogo e lá conquistou dois campeonatos cariocas. Às vésperas da Copa de 70, o técnico da seleção brasileira João Saldanha brigou com a CBF, que queria impôr a convocação de alguns jogadores exigidos pelo regime militar vigente na época, e abandonou o escrete canarinho. Coube a Zagallo a tarefa de reerguer o ânimo de um grupo cabisbaixo pela derrota humilhante na Copa de 66 e pelos maus resultados nas eliminatórias.

Já de cara, Zagallo tirou Edu, ponta-esquerda titular com Saldanha, e escalou Tostão, que não era bem um ponta, jogava de centro-avante no Cruzeiro. Abençoado com uma geração de craques, Zagallo viu sua mudança dar resultado, bem como tudo o mais deu certo: com um futebol show, arte, o Brasil faturou a Taça Jules Rimet pela terceira vez, de forma definitiva. Aquele time com quatro camisas 10 em seus clubes - Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino - nunca será esquecido. E nem seu treinador.

Após a Copa, Zagallo deixou o comando da seleção e dirigiu Flamengo e Fluminense. Em uma aventura pelo Oriente Médio, conseguiu a façanha de classificar os Emirados Árabes Unidos para a Copa de 90, na Itália. Quatro anos depois, compartilhou toda sua experiência com Carlos Alberto Parreira na Copa dos Estados Unidos. Mais uma vez, a presença do Velho Lobo foi fundamental e trouxe sorte à seleção, que conquistou seu quarto título após 24 anos: exatamente o tempo que Zagallo ficou fora da seleção. Após o triunfo, assumiu mais uma vez o comando do escrete canarinho.

Muito criticado, conquistou a Copa América de 97 na Bolívia, a primeira do Brasil fora do país e esbravejou, desabafando, a famosa frase "vocês vão ter que me engolir". Na Copa de 98, sua superstição com o número 13 foi levada às últimas conseqüências e, apesar de ser extremamente criticado, chegou à final. Infelizmente, dessa vez o Velho Lobo não teve sorte e oBrasil perdeu para a anfitriã França após um episódio mal explicado com Ronaldo.

Após a Copa, Zagallo saiu da seleção e treinou a Portuguesa e o Flamengo, conquistando mais um campeonato carioca. Uma estátua de bronze representando sua figura foi erguida na frente do Maracanã, o estádio em cujo gramado Zagallo desfilou tantas vezes seu belo futebol. Para ele, o trunfo brasileiro é não ter se rendido ao futebol força como na Europa, onde a imponência física é mais importante que a habilidade e o talento. Aos 74 anos, após passar por uma cirurgia, o Velho Lobo segue firme como coordenador técnico da seleção brasileira que busca o hexa em 2006.

Nome: Mário Jorge Lobo Zagallo
Data de nascimento: 09/07/1931

CARREIRA

Como jogador
1946 a 1950: América
1951 a 1957: Flamengo
1958 a 1965: Botafogo
37 jogos pela seleção, 4 gols

Como treinador
1966 a 1970: Botafogo
1970: Seleção brasileira
1971 e 1972: Fluminense
1972 e 1973: Flamengo
1978 a 1979: Botafogo
1979: Al Hilal (KSA)
1980: Al Nasr (KSA)
1980 a 1981: Vasco de Gama
1984 a 1985: Flamengo
1986 a 1987: Botafogo
1988 a 1989: Bangu
1990 a 1991: Vasco de Gama
1995 a 1998: Seleção brasileira
2000: Portuguesa
2000 a 2001: Flamengo

Títulos:
10 campeonatos cariocas (6 como jogador, 4 como técnico)
4 Copas do Mundo

terça-feira, 30 de março de 2010

Grandes técnicos das Copas - Joseph 'Sepp' Herberger




Conhecida como "O Milagre de Berna", a vitória da Alemanha na Copa de 54 está intrinsecamente ligada a Joseph Herberger, um homem cujas conquistas transcendem as fronteiras convencionais do mundo dos técnicos de futebol. De fato, ele é considerado o pai da ressurreição alemã pós-Segunda Guerra, um homem do esporte que se transformou em um ícone da reconstrução do país após o triunfo sobre os favoritos húngaros na final.

"Sepp", como era conhecido, era o caçula de seis filhos de uma família podre. Quando seu pai morreu, teve que trabalhar com apenas 14 anos nas empreiteiras de construção civil e depois em metalúrgicas. Mas mesmo assim, ele mantinha sua paixão pelo futebol e estreou no clube local, o Waldhof Mannheim, aos 17 anos. Convocado pelo exército, afastou-se dos gramados por dois anos até voltar ao Waldhof e ser convocado para a seleção alemã. Jogou apenas três jogos, mas deixou sua marca de artilheiro também no futebol internacional.

Jogou por mais dois clubes e, aos 30 anos, começou a estudar para virar treinador. Formou-se em primeiro em sua turma com a tese "Buscando a máxima performance no futebol" e trabalhou por quatro anos como técnico de juvenis na federação alemã. Após o fracasso alemão nas olimpíadas sediadas por Berlim em 36, Sepp foi nomeado treinador da seleção principal. Na medida do possível, fez um bom trabalho na Copa de 38, mas foi tolhido pelas políticagens da época, que o obrigaram a convocar jogadores da Áustria, então anexada pelo regime nazista alemão. Durante a Segunda Guerra, as competições foram suspensas e Sepp ocupou seu tempo tentando sobreviver à destruição dos combates. Em 1950, voltou a comandar a seleção, que foi excluída do Mundial do Brasil.

Em 54, Sepp já tinha montado um time-base para a seleção alemã, com o jogo todo centrado no capitão Fritz Walter do Kaiserslautern. Apesar de serem uma boa equipe, os alemães eram considerados azarões e estavam com a moral muito baixa após a derrota na guerra. Na primeira fase, uma derrota humilhante por 8 a 3 para os incríveis húngaros de Puskas e Kocsis parecia ter provado que essa afirmação era verdadeira. Muito criticado, Sepp afirmou que decidiu por escalar um time mais fraco como estratégia para um plano mais ambicioso: ele havia poupado seus jogadores para o jogo contra a Turquia, que a seleção venceu. Depois, no desempate contra os mesmos turcos, mais uma vez escalou a força máxima. E deu certo: a Alemanha estava na segunda fase. Os críticos se calaram e mais uma vez ele foi reconhecido como um grande estrategista do futebol.

Sua fama cresceu, em parte graças ao seu árduo trabalho: ele mantinha um caderno em que anotava todos os detalhes dos próximos adversários, inclusive suas forças e fraquezas. Em 4 de julho de 54, a seleção alemã, contrariando todos os prognósticos, chegou a final e enfrentaria os amplamente favoritos húngaros. "Era uma final previsível", diziam, mas não foi bem o que aconteceu. Autoritário, Herberger sabia como motivar seus jogadores e arrancou deles o máximo naquele dia: os alemães foram mais fortes, mais valentes, determinados e, acima de tudo, tiveram espírito de equipe. Sepp sempre cobrava isso de seus jgoadores: "vocês têm que ser um grupo de 11 amigos", dizia. E o que se viu foi uma vitória impressionante, uma conquista histórica que serviu de exemplo para o povo alemão, que se sentia menosprezado. O "Milagre de Berna" não poderia ter outro nome, nem outro responsável: Sepp liderou um grupo cabisbaixo para uma vitória triunfante.

A conquista alavancou uma nova onda de otimismo e muitos jovens começaram a jogar futebol, orientados pelas recomendações de Sepp, que coordenava até as categorias de base da seleção alemã. Em 62, recebeu a Ordem Nacional do Mérito de Primeira Classe e permaneceu no cargo até 64, conquistando resultados expressivos nas Copas de 58 (quarto lugar) e de 62 (chegou até às quartas-de-final). Seu sucessor foi Helmut Schön. Em 77, morreu de uma infecção no pulmão, aos 80 anos.

TÁTICAS

Herberger era um estrategista nato. Após a vitória alemã na estréia da Copa de 54 sobre a Turquia por 4 a 1, ele fez oito mudanças na equipe, deixando seus melhores jogadores descansarem para a partida decisiva. Com o time reserva, perdeu para a Hungria por 8 a 3. Entretanto, a manobra se mostrou um golpe de mestre quando o time alemão, recuperado, derrotou novamente os turcos no jogo-desempate.

Nome: Joseph 'Sepp' Herberger
Data de nascimento: 28/03/1897
Data de morte: 20/04/ 1977
Local de nascimento: Mannheim, Alemanha

CARREIRA

Como jogador
1914 a 1921: Waldhof Mannheim
1921 a 1926: VFR Mannheim
1926 a 1930: Tennis Borussia Berlim
3 jogos pela seleção alemã, 2 gols

Como técnico

Em clubes
1930 a 1932: Tennis Borussia Berlim

Na seleção alemã
1936 a 1964 (campeão da Copa de 54)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Grandes técnicos das Copas - Vittorio Pozzo


Iniciamos hoje mais uma série de postagens especiais sobre a Copa do Mundo, falando agora dos grandes técnicos dos Mundiais. Começamos com aquele que dominou o futebol mundial na década de 30.

VITTORIO POZZO

Em apenas um período de quatro anos, Vittorio Pozzo levou a seleção italiana à conquista de duas Copas do Mundo e de uma medalha de ouro olímpica, transformando-se em um dos maiores técnicos de toda a história. Não só "o velho maestro", como era chamado, montou um dos melhores times de todos os tempos, como também foi o responsável por estabelecer várias características tradicionais do futebol italiano, como a forte marcação mesclada com ataques habilidosos.

Conhecido como um mago da tática, Pozzo era também um líder de sucesso. Autoritário, mas paternalista e atencioso, ele exigia de seus jogadores a vitória a qualquer preço, mesmo quando alguns de seus comandados não eram italianos. A conquista da Copa de 34 em casa foi um triunfo para I itália e para seu ditador, Mussolini. Mas provando que o time era realmente bom e que não havia vencido por favorecimentos, Pozzo levou a Itália ao bicampeonato na França.

Pozzo teve contato com o futebol pela primeira vez na Inglaterra quando jovem. Foi jogador de futebol entre 1905 e 1911, atuando pelo Grasshoppers da Suíça e pelo Torino. Em 1912 e 1924, dirigiu a seleção olímpica italiana, conquistando uma medalha de bronze em Paris. Em 1929, assumiu o comando da seleção principal.

Na Copa de 34, teve seu trabalho criticado após o empate com a Espanha nas quartas-de-final, mesmo tendo vencido os Estados Unidos na primeira fase por 7 a 1. Pozzo tratou de motivar seus jogadores, dizendo a eles que as críticas que o time recebera deveriam servir como incentivo para a vitória. E deu certo: a Itália avançou para as semifinais com a vitória de 1 a 0, quando enfrentou a temida seleção austríaca, considerada por todos o melhor time do Mundial. Pozzo usou o favoritismo austríaco em seu favor e conseguiu tirar o melhor dos jogadores, chegando à final. Após a vitória, o técnico calou seus críticos e recebeu o título de Commendatore, alta honraria italiana.

Após a conquista da medalha de ouro em 36, a Itália aparecia como favorita ao Mundial de 38, embora o time estivesse bastante diferente do campeão quatro anos antes. Pozzo convocou Piola e Colaussi, que juntos fizeram 9 gols e foram fundamentais na batalha do bicampeonato. A conquista fez dele um herói nacional, embora ainda assim tenha lutado contra adversários políticos para manter-se no cargo, de onde saiu em 48, aos 62 anos, aposentando-se. No total, dirigiu a Azzurra em 93 jogos, conquistando 63 vitórias, 17 empates e 15 derrotas. Tanto o número de jogos como o de vitórias são ainda hoje recordes nacionais.

Mas a carreira de Pozzo não foi só de alegrias: em 1949, a tragédia com o avião da delegação do Torino matou muitos amigos e colegas de profissão de Pozzo, que conhecia tão bem os jogadores que foi um dos escolhidos para identificar os corpos. Após a aposentadoria, ainda aventurou-se como jornalista esportivo, mas o regime fascista de Mussolini havia endurecido de tal forma que não poupava nem os comentários do velho mestre. Uma figura popular ou não, o lugar de Pozzo na história das Copas estará sempre guardado, juntamente com o do time que dirigiu.

TÁTICAS

Quando morava na Inglaterra, Pozzo observou o centro-médio Charlie Roberts do Manchester United e teve a idéia de formar um sistema com dois jogadores recuados e um centro-médio que armasse as jogadas. Inspirado pela Áustria do técnico Hugo Meisl, Pozzo desenvolveu sua própria formação tática, chamada de "Método". Os times dirigidos por ele (seja a seleção italiana ou o Torino, que comandou de 1912 a 1924) jogavam mais com os atacantes centrais Giuseppe Meazza e Giovanni Ferrari do que com os meias, conseguido furar os bloqueios das defesas com mais facilidade através da combinação de dois estilos típicos de jogo na época: o 2-3-5 e o WM.

Na década de 40, o centro-médio transformou-se em um desarmador de jogadas, e a estratégia, revisada, recebeu o apelido de "Sistema". Esse novo estilo foi o antecessor do típico modo de jogo italiano: defesas sólidas e rápidos contra-ataques, que se provaram eficientes ao longo do tempo no complexo mundo do futebol internacional.

Nome: Vittorio Pozzo
Data de nascimento: 12/03/1886
Local de nascimento: Turin, Itália
Data de morte: 21/12/1968

CARREIRA

Como jogador

1905 e 1906: Grasshoppers (SUI)
1906 a 1911: Torino

Como técnico

1912 a 1924: Torino e seleção olímpica da Itália
1929 a 1948: Seleção italiana

Títulos
1924: Medalha de bronze nas olimpíadas de Paris
1934: Copa do Mundo da Itália
1936: Medalha de ouro nas olimpíadas de Berlim
1938: Copa do Mundo da França