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quinta-feira, 18 de março de 2010

História das Copas - Inglaterra 1966 (parte II)

Ao se classificar para enfrentar Portugal, a sensação da Copa, a Coreia do Norte já havia conquistado um grande feito, e muitos imaginavam que pararia por ali. Mas não foi o que os coreanos queriam: logo a um minuto de jogo, Seung Zin Pak abriu o placar, espantando a todos. Mas isso não era tudo: Li e Yang ampliaram para uma surpreendente vantagem de 3 a 0.

O time português parecia liquidado, mas dois gols de Eusébio, um de pênalti quando o primeiro tempo já terminava, animaram novamente os lusitanos, que voltaram com tudo para o segundo tempo e jogaram uma partida memorável, virando o placar para 5 a 3, um dos maiores jogos de todos os tempos. Acabava ali a aventura norte-coreana.

Nos outros jogos, a Alemanha não teve dificuldades para massacrar o Uruguai por 4 a 0, diferente dos donos da casa, que só marcara um gol na Argentina a 12 minutos do fim. No outro jogo das quartas-de-final, a União Soviética venceu a Hungria por 2 a 1 em uma partida muito truncada. Os portugueses enfrentariam agora os anfitriões em uma semifinal, enquanto que os alemães duelariam contra os soviéticos.

O encanto português acabou na semifinal, ao perder por 2 a 1 para os ingleses, em um jogo onde Eusébio pouco apareceu, apsar de ter marcado o gol de honra de pênalti já no fim do jogo. A Inglaterra enfrentaria na final a Alemanha, que derrotou a União Soviética de Lev Yashin pelo mesmo placar, com gols de Haller e Beckenbauer. Portugal ainda contentou-se com o terceiro lugar, liderado novamente pelo craque Eusébio, que marcou um gol na vitória por 2 a 1 sobre os soviéticos.

No dia 30 de julho, 93 mil espectadores aguardavam pela final, que não decepcionou a ninguém pela emoção. Haller abriu o placar para os alemães quando o jogo mal começara e logo depois Hurst empatou. Já no final do segundo tempo, Peters virou para os ingleses, levando o público ao delírio. Mas a Alemanha empatou quando o jogo já terminava. Uma prorrogação tensa aguardava a todos. Hurst marcou um dos gols mais polêmicos da história das Copas: a bola bateu no travessão e caiu em cima da linha.

O juiz suíco Gottfried Dientz, após titubear um pouco, confirmou o gol inglês, levando os alemães ao desespero e esfriando seus ânimos. A Alemanha não conseguiu mais reagir, e Hurst marcou ainda mais um gol, confirmando o título dos inventores do futebol em seu próprio templo.

VIII Copa do Mundo - 1966 - Inglaterra

Campeão: Inglaterra
Vice: Alemanha
3º: Portugal
4º: União Soviética

Período: de 11 a 30 de julho de 1966
Total de jogos: 32
Gols marcados: 89
Média de gols: 2,78 por partida
Artilheiro: Eusébio (Portugal) - 9 gols

Público total: 1.614.677 pagantes
Média de público: 50.459 pagantes

O Brasil: 11º lugar - 3 jogos (1V e 2D), 4GP/6GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 2x0 Bulgária (Pelé e Garrincha)
Brasil 1x3 Hungria (Tostão; Bene, Farkas e
Brasil 1x3 Portugal (Rildo; Eusébio (2) e Simões)

domingo, 14 de março de 2010

História das Copas - Inglaterra 1966 (parte I)

Os inventores do futebol foram presenteados pela FIFA com a organização do Mundial de 66. Semanas antes do início da Copa, a taça Jules Rimet foi roubada e achada misteriosamente num lixão por um cachorro chamado Pickles. Muitos, entretanto, acreditam que a história seja uma farsa, apenas para promover o torneio.

A preparação do Brasil foi bastante turbulenta, sofrendo várias derrotas em amistosos e padecendo de uma péssima organização. O técnico Vicente Feola era duramente criticado por não definir um time titular e um esquema de jogo.

Além do Brasil e da anfitriã Inglaterra, Portugal de Eusébio - que se classificara de maneira invicta eliminando os vice campeões tchecos - e Alemanha eram cotados como favoritos. Argentina, Uruguai e Chile foram os outros representantes da América do Sul, enquanto a Coréia do Norte qualificou-se de maneira heróica ao derrotar a Austrália, após a desistência da Coréia do Sul. Todavia, não era a primeira peça que os norte-coreanos iriam pregar. Na Europa, os favoritos Espanha, Itália e França se classificaram, enquanto que o México foi, mais uma vez, o representante da Concacaf.

O Brasil foi à Inglaterra a passeio. Essa é a conclusão que se pode tirar do desastre canarinho na terra da rainha. Cedendo a pressões, o técnico Vicente Feola convocou 44 jogadores para a preparação da Copa, definindo os 22 escolhidos apenas duas semanas antes do início do Mundial. Ainda com toda essa bagunça, o Brasil conseguiu vencer na estréia, derrotando a Bulgária por 2 a 0, com gols de Pelé e Garrincha, de falta. Pelé, entretanto, machucou-se logo na primeira partida, assim como havia acontecido em 62. Os zagueiros caçavam-no em campo de maneira tão feroz que o Rei conviveu com outro drama: suas únicas duas contusões sérias foram nas Copas de 62 e 66. No segundo jogo, uma derrota inexplicável para a já frágil Hungria por 3 a 1. Tostão fez o gol de honra brasileiro.

Para o jogo decisivo contra Portugal, um reforço inesperado: Pelé estava recuperado e jogaria. O técnico brasileiro sofria pressão de todos os lados e trocou nove jogadores do time que perdera para os húngaros. Novamente, Pelé foi caçado em campo e, novamente, a falta de entrosamento causada pelo despreparo custou ao Brasil a vitória: 3 a 1 para o empolgado time português, comandado por Eusébio, o craque da Copa. Era o fim do sonho do tri consecutivo.

A eliminação do Brasil na primeira fase não foi a única - e nem a maior - surpresa dessa Copa. Os norte-coreanos aprontaram o que, se levadas em conta as condições, foi a maior zebra da história das Copas. Após perderem para a União Soviética por 3 a 0 e arrancarem um empate sofrido com o Chile, a Coréia do Norte enfrentou a Itália, favorita do jogo, sem muitas pretensões. Talvez o salto alto tenha sido o fator principal que custou a vitória aos italianos: no final do primeiro tempo, Doo Ik Pak marcou o gol histórico que eliminou a Squadra Azurra da Copa. Mas as façanhas coreanas, acreditem, não pararam por aí.

No grupo 1, os anfitriões ingleses classificaram-se sem dificuldades após 2 vitórias e um empate, juntamente com o Uruguai. O México conseguiu dois empates e terminou na frente da França, embora ambos tenham sido eliminados. No Grupo 2, Alemanha e Argentina se classificaram, em mais um fracasso espanhol. Estavam então definidas as quartas-de-final: Inglaterra x Argentina, União Soviética x Hungria, Alemanha x Uruguai e Portugal x Coréia do Norte.