O Brasil passou por uma eliminatória conturbada: no último jogo, contra o Chile, no Maracanã, jogava por um empate para se classificar e o goleiro Rojas armou um teatro ao ser lançado um rojão em campo. A FIFA descobriu a farsa e suspendeu o time chileno das competições internacionais. Além do Brasil, Uruguai e Colômbia se classificaram.
Na Europa, a Holanda era favorita após conquistar a Eurocopa de 88 na Alemanha, que também era favorita, após perder duas finais seguidas. As sempre favoritas Espanha e Inglaterra também se classificaram, enquanto que a sensação de 86, Dinamarca, foi eliminada pela Romênia.
Na África, Egito e Camarões se classificaram, enquanto que Coréia do Sul e Emirados Árabes Unidos foram os representantes asiáticos. Na Concacaf, os já experientes México e Estados Unidos seriam acompanhados da estreante Costa Rica.
Primeira fase

Problemas à parte, o Brasil venceu na estreia, contra a Suécia. Careca marcou os dois gols brasileiros e Brolin diminuiu. Foi um jogo ruim e, ainda assim, o melhor da seleção na primeira fase. Depois, vitórias magras contra Costa Rica e Escócia, ambas por um a zero, ambas com gols de Müller. O Brasil, muito criticado, chegava às oitavas de final com três vitórias nada convincentes. Seria o futebol de resultado o caminho certo?

No grupo A, a anfitriã Itália conseguiu uma classificação tranquila. Embora os resultados pareçam contradizer, o time jogava bem, comandado pelo meio-de-campo Donadoni. O atacante reserva Schilachi virou o talismã da equipe, entrando no segundo tempo das duas primeiras partidas e marcando gols decisivos. A Tchecoslováquia foi a outra classificada do grupo.
O Grupo D teve os placares mais dilatados, proporcionados pela defesa dos Emirados Árabes Unidos e pelo ataque da Alemanha. No encontro das duas seleções, 5 a 1 para os alemães, com dois gols de Völler. A Alemanha ainda goleou a Iugoslávia, que por sua vez goleou os Emirados Árabes. A Colômbia, alheia aos placares elásticos, conseguiu classificar-se em terceira no grupo, liderada pelo folclórico goleiro Higuita.
Já a Espanha empatou com o Uruguai na estréia e venceu Bélgica e Coréia do Sul para obter uma classificação tranquila. A Bélgica, quarta colocada em 86, também passou, acompanhada dos uruguaios. O grupo F, por sua vez, foi o que melhor traduziu o pobre futebol desta Copa: cinco empates em seis jogos. Somente a Inglaterra conseguiu vencer o Egito. Com Holanda e Irlanda empatados em pontos e gols, foi-se necessário um sorteio para definir quem seria o segundo colocado, sorteio vencido pela Irlanda. Chegavam as oitavas de final e, com ela, os pênaltis.
Oitavas de final
Brasil e Argentina entraram em campo no dia 16 de junho de 1990, em Turim, com espíritos bastante distintos. Enquanto a Argentina se classificou com dificuldades mas vivia em paz com a torcida por jogar bem e ser a atual campeã mundial, o Brasil obteve três vitórias nada convincentes na primeira fase.

Outro jogo de destaque das oitavas-de-final foi Camarões e Colômbia. Embora um jogo sonolento tenha ido para a prorrogação sem gols, o tempo extra reservou muitas surpresas. O veterano Roger Milla havia entrado no lugar de Mfede no segundo tempo e marcou o primeiro gol camaronês aos cinco do segundo tempo da prorrogação. Três minutos depois, o goleiro Huguita, que sempre saía jogando e até arriscava alguns perigosos dribles em cima dos atacantes adversários, tentou fintar Milla e, na intermediária, perdeu a bola. Milla só teve o trabalho de tocar para o fundo das redes, protagonizando a famosa dança. Redin ainda diminuiu de pênalti, mas Camarões era o primeiro país africano a chegar às quartas-de-final.

A Inglaterra venceu a Bélgica por 1 a 0 com um gol salvador de Platt no último minuto da prorrogação. Irlanda e Romênia não saíram do zero e decidiram a classificação nos pênaltis, com vitória dos irlandeses por 5 a 4. A Tchecoslováquia goleou a Costa Rica por 4 a 1 com três gols de Skuhravy e a Espanha foi eliminada pela Iugoslávia com dois gols do meia Stojkovic.
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