terça-feira, 8 de abril de 2008

As semifinais do Paulista


Não surpreende a classificação de Guará e Ponte para as semifinais do Campeonato Paulista. Não digo isso pelas campanhas, claramente merecedoras, mas pelo que é sempre esperado por torcedores e boa parte da imprens: a classificação dos quatro grandes.

De fato, há oito anos os quatro não se classificam para as semifinais. A última vez foi em 2000, quando Santos e São Paulo decidiram o campeonato após eliminarem, respectivamente, Palmeiras e Corinthians (o São Paulo foi campeão). Um ano antes, curiosamente, a final foi exatamente contrária: o Corinthians venceu o Palmeiras, após eliminarem São Paulo e Santos.

Ainda na década de 90, em 98 a Portuguesa tirou o Santos da semi para ser garfada por Castrilli. De 90 a 97, não houve semifinais em mata-mata.

Já na década atual, sem considerar os anos de 2002, em que os grandes disputaram a Liga Rio-São Paulo, e 2005 e 2006, quando o Paulistão foi disputado por pontos corridos, as outras três edições também apresentaram azarões na semifinal.

Em 2001, a situação foi idêntica a deste ano: uma semifinal entre grandes e outra entre pequenos. Curioso que os grandes envolvidos eram exatamente os eliminados de hoje, Santos e Corinthians. A Ponte apareceu de novo, mas contra o Botafogo de Ribeirão.

Em 2003, a intrusa foi a Portuguesa Santista de Souza, Rico e Adriano, que perdeu na semi para o São Paulo. Só o Santos ficou de fora. E em 2004, na final caipira, Palmeiras e Santos foram eliminados por Paulista e São Caetano.

Confira quem ficou de fora nos últimos anos em que houve semifinal:

2008 - Corinthians e Santos
2007 - Corinthians e Palmeiras
2004 - Corinthians e São Paulo
2003 - Santos
2001 - Palmeiras e São Paulo
1998 - Santos

Corinthians e Santos ficaram de fora três vezes, São Paulo e Palmeiras duas.

domingo, 6 de abril de 2008

Colunas da semana

No Olheiros, sobre como Renato Gaúcho tem aproveitado a boa fase do Fluminense para lançar mais uma geração de Xerém.

Na Trivela, conheça a seleção das Ilhas Virgens Britânicas, com um futebol ainda muito inocente.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Chupa, Luqueño

Não sou são-paulino.

Tampouco é de meu feitio manifestações como esta.

Mas não posso aplaudir o anti-futebol e o anti-jogo, por mais que seja uma tática para vencer.

segunda-feira, 31 de março de 2008

A hora seria agora*

Renovar faz parte do ciclo da vida. Para os clubes de futebol, então, é o principal elo deste ciclo. Manter o alto nível (ou alcançá-lo) depende da observação diária e prospecção de novas figuras. Entretanto, um certo clube de Milão desafia este paradigma mostrando que é possível permanecer no topo deixando praticamente de lado a substituição de engrenagens fadigadas por outras novas e afiadas.

O Milan campeão europeu tinha em campo, na final contra o Liverpool, seis jogadores acima dos trinta anos de idade. Uma média que sobe ainda mais se considerarmos os suplentes – de fato, Kaká era o mais jovem dos dezoito relacionados. É totalmente possível, sim, ser vitorioso com um time experiente. O Brasil mostrou isso duas vezes, em 62 e 94, e na própria Liga dos Campeões da Europa o Bayern, em 2002, e a Juventus, em 96, usaram deste expediente.

Surpreende, entretanto, o fato de que mesmo com um elenco veterano, o Milan pouco mudou para esta temporada – veio Pato, apareceu Paloschi e Costacurta aposentou-se, mas o time titular permaneceu quase inalterado. Ou melhor, pensando bem, isso não surpreendeu. Conhecendo a filosofia de Ancelotti e a metodologia de trabalho rossonera, pouco se poderia esperar em termos de renovação. Mas a eliminação precoce para o Arsenal (um time cheio de garotos!) na UCL e a ofegante campanha na Serie A já acenderam a luz amarela em San Siro.

Um argumento recorrente para a pouca utilização dos garotos milaneses é que falta qualidade na base. Na última edição do Viareggio, a equipe foi eliminada nas oitavas-de-final pela sempre produtiva base do Vicenza, nos pênaltis. Paloschi e Aubameyang se destacaram, mas é muito pouco para um clube como o Milan. Tamanha é a cegueira de Ancelotti para a base que nem mesmo seu filho, o meio-campista Davide, consegue aspirar grande participação num futuro próximo.

Mas dizer que a base é ruim e que, por isso, não pode ser utilizada, é um argumento no mínimo burro. Com o dinheiro que possui, o Milan poderia - e deve - investir mais não só na formação, como também na captação de talentos. Já que não forma, ao menos que amplie a rede de contatos para alistar mais cedo jogadores com mais potencial. Parece lógico, e é. Mas é uma lógica que não se quer seguir.

A atual geração pode, de fato, até não ser tão boa assim, mas alguns jovens emprestados pelo Milan, por falta de espaço na equipe principal, têm feito boa figura com outras camisas. O lateral-esquerdo Leandro Grimi, argentino com cidadania italiana, foi cedido ao Siena, voltou e agora faz boa temporada no Sporting Lisboa. Comprado junto ao Racing de Avellaneda no início de 2007, pode ficar em definitivo em Portugal mesmo tendo vestido a camisa rossonera poucas vezes.

Outro zagueiro, Lino Marzoratti, temporário no Empoli, é titular absoluto da seleção sub-21 e dificilmente ficará de fora das Olimpíadas. Estes são dois exemplos de jogadores que Ancelotti poderia muito bem ter lançado para ganhar experiência, afinal é no setor defensivo que residem as principais preocupações rossoneras: Maldini (finalmente) se despede ao final da temporada e Cafu, Favalli, e Serginho logo vão fazer o mesmo. Uma das poucas exceções, Matteo Darmian é titular da equipe sub-19 e aos poucos vai sendo lançado. É pouco.

Para atestar a falta de valorização da base, basta ver que a supracitada equipe sub-21 italiana não possui nenhum jogador rossonero. Pelo contrário: o clube tenta comprar jogadores que fazem parte dela. Já surgem especulações de que Gilardino poderia ser trocado por Montolivo, da Fiorentina, ao final da temporada. Será esta a estratégia correta? Diz o ditado que em time que está ganhando não se mexe. Mas... Até quando? A hora de mudar seria agora.


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* Coluna publicada originalmente no Olheiros.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Que jogo!

Tinha tudo o Santos x Corinthians desta quarta para ser um jogo insosso: defesas bem postadas, meios-de-campo pouco criativos e ataques improdutivos em um campo pequeno.

Mas tinha tudo também para ser um jogaço: clássico de uma equipe que se encontrou cedo no campeonato contra outra que vem se encontrando a cada jogo, ambas brigando pela classificação.

E que jogo!

As defesas oscilaram, os meios-de-campo produziram e os ataques marcaram, mas também desperdiçaram chances inacreditáveis, como a de André Santos no primeiro tempo. Houve de tudo que precisa um clássico para ser um clássico: briga, expulsão, arbitragem polêmica (e com erros, mas sempre os há), entrega e muita vontade, como há muito não via.

Não há, em nenhum dos dois times, craques. Mas há bons jogadores capazes de momentos de craque, como a jogada de Molina no primeiro gol, e há bons jogadores capazes de momentos de bagre, como a pisada na bola de Perdigão no mesmo lance. Um jogo como há muito tempo não via, e que, como há muito tempo não acontecia, torcia para que o fim não chegasse.

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Para ficar por dentro dos resultados desta quarta-feira de eliminatórias para a Copa de 2010, acesse o Febre Mundialista.

terça-feira, 25 de março de 2008

Cem, dez, zero

Ficam hoje os parabéns ao Galo pelo centenário. O Atlético que, dos grandes, é o que há mais tempo não conquista títulos de expressão. Quando dirigentes brigam em pleno dia de comemorações, entende-se melhor porquê. Contratações como as de Marques e Petkovic colocam ainda mais dúvida no sucesso da equipe, que após a queda à série B parecia ter entendido que a resposta está na base. Que os próximos cem anos sejam melhor que os últimos dez.

Vale também a lembrança dos dez anos da Lei Pelé, que não é tão culpada pela situação atual dos clubes brasileiros como se quer fazer crer. Falta profissionalismo para romper com estruturas deficitárias e inchadas, acabar com vícios administrativos e pensar no clube mais como uma marca - afinal o futebol-negócio de hoje demanda muito mais marketing, já que o que manda é o dinheiro. Só assim os clubes terão como brigar com os gringos pela permanência dos jogadores. Em tempo: como essa mudança de mentalidade é um processo demorado, são necessárias e bem-vindas as revisões que a lei deverá sofrer. Medidas protecionistas são tomadas na Europa - por que aqui não?

Finalmente, promete marcar ainda mais, por mexer com a segunda maior torcida do país, as decisões da reunião de ontem do Conselho corintiano. Não só os sócios com mais de cinco anos poderão votar para presidente do clube, como também foi vetada a reeleição - prática já adotada no São Paulo e fundamental para a transparência e sucesso dos trabalhos. É um marco zero para o Corinthians, há muito envolto em espessas nuvens no que tange sua administração.

quinta-feira, 20 de março de 2008

O grito das eternas promessas

Neste dia 20, o título mundial sub-20 conquistado pelo Brasil na Austrália completa quinze anos. Em um especial para o Olheiros, apresentei o time, a campanha, as revelações daquele Mundial e que fim levou cada um dos campeões.

O resultado você confere aqui.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A mina de ouro do PPV

A mina de ouro para os clubes brasileiros é a TV. São as transmissões que pagam contratações, salários e quase tudo que envolve o futebol brasileiro. No momento em que se discute a venda dos direitos para 2009, 2010 e 2011, vale lembrar que o segredo não é diversificar os canais que irão transmitir o campeonato, mas sim diversificar os pacotes negociados. Na Europa, cada país negocia de um jeito: pacotes completos, pacotes separados...depende do que a pesquisa de mercado aponta como mais viável.

No Brasil, a TV aberta corresponde a uma fatia ainda grande do faturamento, pois a venda de PPV ainda não se compara aos europeus. Mais de uma emissora transmitindo significaria, a princípio, mais dinheiro entrando, mas é a lei da oferta e da procura: mais gente comprando muito do mesmo produto, o preço abaixa. É por isso que a exclusividade aumenta os valores.

Falta oferecer ao torcedor o que ele quer: pacotes individuais de clubes. Se alguem quiser comprar o campeonato todo, paga um valor. Mas se quiser comprar os jogos só do seu time, paga outro. Isso agrega receita, porque o valor vai ser menor e as vendas vão aumentar. Existem até pacotes só para os jogos fora de casa, para aquele torcedor que não perde uma partida do seu time no estádio.

E mais: foi até bom para os clubes a desistência da Record, que recentemente vinha fazendo propostas astronômicas que seriam extremamente prejudiciais: criaria-se uma bolha de investimentos, afinal quem paga a conta da TV são os patrocinadores. Uma hora eles não iriam aguentar, porque ficaria muito caro anunciar no futebol, tornando-se inviável. Assim, as propostas despencariam de um dia para o outro e os clubes, já apertados com o orçamento atual, teriam que se virarm com cotas minúsculas de TV.

segunda-feira, 17 de março de 2008

É pênalti!

Sete pênaltis foram marcados em três jogos neste final de semana.

Os dois do clássico carioca foram bem marcados por Marcelo de Souza Pinto, que apesar de ter ido bem tecnicamente, deixou a desejar na hora de conter os ânimos de um jogo que acabou violento.

Outros dois também foram assinalados no Rio, mas em São Januário. Físicos já demonstraram interesse em analisar o campo magnético do gramado, afinal a gravidade parece atuar de maneira mais intensa na equipe da Colina, especialmente sobre Wagner Diniz: foram doze pênaltis no campeonato estadual e um na Copa do Brasil. Cinco nos últimos três jogos. A atitude exagerada do lateral-direito faz os árbitros duvidarem da existência da falta, e acaba valendo a lei da compensação: muitos pênaltis inexistentes foram marcados, mas outros tantos que deveriam acabaram por não ser assinalados. Dos últimos quatro, teria marcado apenas o primeiro do jogo de ontem. O segundo até falta foi, mas fora da área.

Surpreendente mesmo foi a coragem de Flávio Rodrigues Guerra, apitando três penalidades para o Palmeiras. Confesso que, em clássicos, não me lembro de nada parecido. E mais: a única vez que me recordo de três penalidades na mesma partida foi na fatídica atuação de Palermo pela Argentina, contra a Colômbia, na Copa América de 99 (ele perdeu todos). O Palmeiras converteu todos e, curiosamente, o primeiro pênalti foi o único discutível (ainda que efetivamente tenha sido falta). Talvez fosse ele o terceiro lance, Guerra não teria apitado. Mas vale ressaltar o destempero são-paulino, demonstrado principalmente por Adriano e RIcharlyson, que deveriam ter sido expulsos.

Retratos de um final de semana a 9,15m do gol.

segunda-feira, 10 de março de 2008

O novo Cruzeiro e a seleção das Filipinas

Convido a todos a acessarem duas colunas de minha autoria, publicadas recentemente no Olheiros e na Trivela. Deixo aqui o início de cada um dos textos e o convite para acompanharem o restante.

Celeste Olímpica

O Cruzeiro é hoje, ao lado do Internacional, a equipe que joga o melhor futebol do Brasil. Só não arrisco dizer que é o melhor time por ter visto pouquíssimo do ótimo Colorado de Abelão até agora. Fato é que a Raposa acumula 100% de aproveitamento em cinco rodadas no Campeonato Mineiro e faz, até aqui, campanha irrepreensível na Libertadores.

Disponível em: http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=294

Filipinas: de pioneiros a desconhecidos

“Dirijo-me às ilhas filipinas”, respondia o almirante Ruy López de Villalobos a quem o perguntasse, em suas expedições. Era assim que ele chamava as ilhas localizadas ao sul do Pacífico que, no século 16, eram colonizadas por ordem do Rei Felipe II de Espanha. Reafirmando a autoridade do monarca em suas cartas, Villalobos acabou por dar nome ao arquipélago.

DIsponível em: http://www.trivela.com.br/index.asp?Fuseaction=Extra&id_secao=54

quinta-feira, 6 de março de 2008

Os brazucas na Libertadores

Supera as expectativas, até o momento, a campanha dos clubes brasileiros na Copa Libertadores. Até aqui, sem exceções, todas as cinco equipes empataram fora de casa e venceram seus compromissos diante da torcida.

O Cruzeiro mantém a seqüência a mais tempo, por ter disputado a fase preliminar. E fez mais: venceu também fora de casa o Cerro Porteño. As duas vitórias por 3 a 0 fazem do clube mineiro o mais forte do futebol brasileiro no início de 2008 (falo mais sobre a Raposa amanhã, no Olheiros).

A goleada do Fluminense, maior de um brasileiro sobre argentinos em Libertadores, queiram ou não, faz com que a equipe passe de desacreditada para candidata a, no mínimo, surpresa. A saída de Leandro Amaral deixou Renato à vontade para montar o time como gosta e fez no Vasco, num 4-2-2-2 bastante dinâmico. O grupo que parecia difícil começa a clarear.

O Flamengo, que coloca o retrospecto brasileiro à prova ainda hoje, contra o Nacional, aparecia como time com mais condições, ao lado do São Paulo, de brigar pelo título. Mas o insosso empate diante do Bolognesi e as inesperadas dificuldades para bater o Cienciano em casa colocaram em dúvida a real capacidade do time de Joel Santana.

Se a Libertadores é a cara do São Paulo, hoje o torcedor tem feito caretas. Tanto o empate na estréia diante do Nacional de Medelin quanto a vitória de ontem aconteceram de forma muito mais dramática do que se poderia imaginar. É fato que a equipe tem problemas - e muitos -, mas quando se encontrar novamente deve continuar forte. Não é mais, ao menos por ora, favorita ao título.

E por último, mas não menos importante, o Santos é quem mais surpreendeu, por jogar bem na competição continental, quando se esperava o contrário. O problema é que no Paulista, quando se imagina que o time engrene, acaba empacando. Mas o Cúcuta, semifinalista em 2007, dá mostras de estar muito enfraquecido (empatou os dois jogos em casa) e o Chivas também não apresentou ainda o futebol ofensivo de costume.

Chegamos ainda à metade da fase de grupos e, nos mata-matas, o estilo de jogo muda muito e a experiência da cancha pode fazer a diferença. Mas a considerarmos o início, os brazucas vão muito bem, obrigado.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Chatos de plantão

Impressiona os pormenores que têm recebido importância desnecessária, ultimamente, em mesas redondas ou até mesmo nas transmissões esportivas. É o fênomeno que já abordei neste espaço: a impressão que se tem é que faz-se de tudo para deixar o futebol mais chato. Tudo é mais importante que a bola rolando.

Uma hora são os puristas e saudosistas que reclamam que "tudo na minha época era melhor e o nível era outro" e, por isso, não se sentem motivados a acompanhar mais o futebol. Solução: deixem o espaço para quem quer ver os jogos e, principalmente, sabe analisar melhor.

Outra turma é a que reclama ininterruptamente da arbitragem. Todos os jogos foram decididos por erros do juiz! Nenhum árbitro presta! Profissionalismo já! Mas os mesmos acreditam que o futebol não pode depender da televisão para decidir os lances polêmicos, como faz o tênis, pois isso "acabaria com a graça do futebol". Baita coerência no discurso.

Há também os que acham que o futebol está violento demais, que está corrido demais, que a bola é muito redonda e que os jogadores falam sempre as mesmas coisas. Mas estes são exatamente aqueles que levantam o dedo quando se faz uma comemoração diferente ou quando se dá uma declaração mais polêmica. Novamente, a atitude difere do discurso.

É fato que os grandes jogadores não ficam mais nos clubes brasileiros e que, hoje, jogadores que estão nas principais equipes não teriam espaço se os craques cá estivessem. Mas ao invés de lamentar apenas, que sejam apresentadas soluções. Ou corre-se o risco de virarem todos chatos de plantão.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tigrinhos em extinção*

Há exatos dois meses, abordei neste espaço a grave crise financeira do Rio Branco, de Americana. Rebaixado à segunda divisão do campeonato paulista após 17 anos na elite, o Tigre se via na iminente obrigação de, sem dinheiro, usar os garotos da base para disputar o estadual.

De lá para cá, uma empresa apareceu para administrar o futebol, uma parceria foi feita e hoje o time briga por vaga na segunda fase. Neste ínterim, os meninos realizaram a melhor campanha da história do clube na Copa São Paulo, chegando à final graças a ótimos valores como Felipe, Denis e Danilo, todos destacados pelo Olheiros em sua extensiva cobertura da Copinha.

Pois bem. Para um clube pequeno como o Rio Branco, chegar à final da Copa São Paulo, principal competição de base no país, é motivo de comemoração. Não só isso, é hora de buscar investidores, ampliar a infra-estrutura e trabalhar para repetir o feito. É hora, também, de “fazer caixa” com a venda de alguns desses valores, afinal a realidade da maioria dos clubes é a mesma.

Tanto é verdade que, em muitas agremiações do interior paulista, a saída não só para o futebol profissional, como também para as categorias de base, tem sido a mão – nem sempre tão amiga – de empresas e parcerias. Passado um mês da final da Copinha, o Rio Branco não negociou nenhum dos destaques da campanha do vice-campeonato. Pode, agora, ter que abrir mão desses garotos para não encerrar as atividades de uma das categorias de base mais frutíferas do futebol paulista – quiçá brasileiro.

A justificativa é a mesma: não existe dinheiro para gerir as bases do clube, que custam em torno de R$60 mil mensais. A esperança era conseguir vender algum dos comandados de Marquinhos Sartore, mas até agora não surgiram nada além de especulações, como a ida de Felipe para o Palmeiras ou a contratação de Danilo pelo Sporting Lisboa.

Assim, criou-se um impasse: a cada dia, a chance de uma negociação diminui. E ao mesmo tempo em que não há dinheiro para mantê-los na base, aproveitá-los no profissional significaria perder uma porcentagem dos direitos federativos para a empresa gestora, como consta no contrato da parceria.

A solução encontrada pelos dirigentes do clube foi terceirizar a base. Oferecer à parceira a administração também dos meninos, arcando com todos os custos. Em troca, a empresa leva uma porcentagem na venda, como acontece no profissional. A estratégia é diferente de outras equipes, que apenas “emprestam” as cores para empresários utilizarem seus jogadores. Uma saída muito arriscada para resolver os problemas, pois pode diminuir a já única e mirrada fonte de renda do clube.

Boca limpa

Federações regionais de Portugal tentam implementar o cartão azul nas categorias de base do país. A advertência seria aplicada quando os garotos utilizassem palavrões durante as partidas e a cada dois azuis, o jogador receberia um cartão amarelo. Boa idéia, mas prato cheio para os anciãos da International Board vetarem.


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*coluna publicada originalmente no Olheiros

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pitacos sobre o final de semana


Maldições do Parque Antarctica à parte, o Palmeiras mais uma vez não foi bem porque Diego Souza continua devendo e Valdívia acaba sobrecarregado. Alex Mineiro poderia ser mais utilizado como pivô, pois ele faz bem essa função. Denílson entrou e também pouco rendeu. O time mudou bastante, especialmente na frente. É necessário se adaptar às novas peças, mas ao mesmo tempo um técnico como Luxemburgo já teria que estar fazendo essa equipe render mais. Talvez o excesso de opções de qualidade (pelo menos no nome) esteja atrapalhando.

Mano Menezes foi mais cauteloso do que na última partida, escalando Carlão no lugar de Everton Ribeiro. Ainda assim, o Corinthians conseguiu uma excelente vitória sobre a Ponte - mais pelo resultado que pelo futebol. O time tem jogado mais pelos lados, já que falta um articulador de ofício no meio. As cobranças de falta do canhoto André Santos pela direita são interessantes e têm criado bons momentos. Na defesa, os problemas de posicionamento persistem.

O São Paulo fez uma partida muito irregular diante do Noroeste. Eficiente no primeiro tempo, o time sofreu um apagão e deixou o time de Bauru empatar - não se pode ignorar o mérito do adversário, mas as falhas defensivas da equipe foram bisonhas. Muricy errou ao tirar Borges para a entrada de Hugo. As constantes variações, dentro do jogo, do 3-5-2 para o 4-4-2, confundem André Dias e Alex Bruno, e confundiram Juninho a ponto de ele ficar na reserva. Serve a desculpa de que Muricy continua testando seu novo elenco.

Quanto ao Santos, Molina começa a dar mostras de que é o organizador que faltava à equipe. Carleto mostrou sua importância nos cruzamentos precisos e Evaldo mostrou sua deficiência técnica nas pataquadas. É preciso acertar a saída de bola, mas já se vê uma evolução.

E na final da Taça Guanabara, considero parcialmente justas as reclamações botafoguenses. Jorge Henrique realmente sofreu falta no lance que originou a expulsão de Lúcio Flávio, e Zé Carlos também não merecia ter sido expulso pela confusão - Castillo teve participação muito maior. Mas que foi pênalti, foi. O problema é que em apenas um de cada 50 desses lances, o árbitro marca. De qualquer forma, o Flamengo é - e foi - mais time. Hora dos alvinegros pararem de chorar e de culpar o destino, pois têm condições de vencerem a Taça Rio. Essa história de 'jogamos como nunca, perdemos como sempre' já saiu de moda.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

San José - Os santos no caminho do Santos*


Quando a Conmebol sorteou os grupos da Copa Libertadores no final de 2007, muitos torcedores santistas, cientes das dificuldades financeiras que não permitiriam ao clube investir pesado em reforços, temeram pela desclassificação já na primeira fase. O problema não era o desconhecido San José, da Bolívia, mas o bom Chivas Guadalajara, do México, e o surpreendente Deportivo Cúcuta, da Colômbia, semifinalista no ano passado.

Mas será que os bolivianos realmente não ameaçam e servirão de sparring? Não é o que pensam, pelo menos, “los Santos”, como são conhecidos os jogadores da equipe de Oruro, cidade de 400 mil habitantes situada a 3.700 metros de altura, 200km ao sul de La Paz. Jogando ao lado da apaixonada torcida e, principalmente, com o auxílio da altitude, os campeões do Clausura 2007 querem a melhor campanha da história.

Santo de casa faz milagre?

Esta será a quarta participação do time azul e branco. Na última, em 96, conseguiu avançar à segunda fase graças às três vitórias no Jesús Bermúdez. Fora, duas derrotas para os colombianos América e Atlético Júnior e uma goleada de 4 a 1 para o rival local Guabirá, que foi eliminado. A queda nas oitavas, diante do Barcelona de Guayaquil, foi nos pênaltis, após vencer em casa por 1 a 0 e perder, no Equador, por 2 a 1.

Em 92 e 93, participações pífias: apenas um empate na temporada de estréia, conseguido curiosamente em pleno Morumbi, contra o São Paulo. Conta a história que, para acompanhar de perto este jogo, considerado um dos mais importantes dos 63 anos do clube, um torcedor vendeu sua casa para pagar passagem de avião, ingresso e hospedagem. Este é um exemplo comumente dado pelos hinchas, que se intitulam os mais fanáticos do país. No ano seguinte, os santos ao menos venceram uma, no clássico regional com o Bolívar.

O time do presidente

Se o San José tem mesmo a torcida mais apaixonada do país, não se pode dizer. Mas que possui, de fato, o torcedor mais importante, não há como negar. O presidente boliviano Evo Morales não só torce para o clube, como também já foi jogador da equipe. No começo da década de 70, quando ainda era adolescente, chegou a disputar algumas partidas nos times inferiores. Recentemente, com a polêmica da proibição da FIFA à realização de jogos na altitude, Morales promoveu uma série de manifestações pedindo a reversão da medida. Em uma delas, participou de uma partida amistosa realizada no estádio Jesús Bermúdez.

Os húngaros de 55

A origem do nome do clube tem duas explicações: a fundação aconteceu em 19 de março, dia de São José, padroeiro dos operários. E os fundadores eram trabalhadores da Mina San José, que se organizaram para disputar o campeonato da Asociación de Fútbol de Oruro, liga amadora local. O mentor da idéia foi Herry A. Keegan, administrador inglês da mina.

As cores permanecem inalteradas desde a fundação: azul e branco. O uniforme é semelhante ao Vélez Sarsfield da Argentina, embora não existam registros da influência fortín no clube boliviano. A equipe disputou a liga amadora orurenha até 1955, quando participou da fundação de uma liga semi-profissional em La Paz. A LFPB (Liga de Fútbol Profesional Boliviano) foi o embrião do profissionalismo no país, que culminou com o surgimento, em 1977, do campeonato nacional.

Logo no primeiro ano da competição, o San José montou o que é considerado até hoje o maior time de sua história. Jogando contra equipes muito mais tradicionais de La Paz e Cochabamba, os santos venceram o campeonato com cinco pontos de vantagem. O título veio em um empate diante do todo-poderoso Bolívar, em La Paz, por 2 a 2. Armando Escobar, um dos maiores ídolos orurenho, marcou os dois gols.

Foi num domingo, 29 de janeiro de 1956, que a torcida lotou o então “Monumental Oruro” (o nome Jesús Bermúdez viria somente depois, em homenagem a um grande goleiro do clube) para a partida final do campeonato, com a taça já assegurada. O adversário seria o Jorge Wilstermann e, segundo reportagem do “La Patria”, o San José expôs seu melhor sistema de jogo para vencer por 3 a 1.

Humberto Murillo, habilidoso avançado, abriu o placar com um gol olímpico logo a dois minutos de jogo. Após empate dos visitantes, a fulminante troca de passes entre Marcilla, Murillo, Escobar e Benjamin Maldonado culminou com o segundo gol. Jorge Orellana, de pênalti, decretou o placar final para delírio dos mais de 20 mil orurenses presentes.

Francisco Bonifacio, Silvano Valdivia, Juan Pedro Valdivia, René Torrico, Jorge Marcilla, Luis Peláez, Luis Castro, Armando Escóbar, Jorge Orellana, Humberto Murillo e Benjamín Maldonado receberam da imprensa e da torcida o apelido de “húngaros”, dada a consistência de seu jogo e a velocidade com que atacavam. À época, a seleção de Puskas, Kocsis, Czibor e Hidegkuti, ainda que derrotada na final da Copa da Suíça, era considerada a melhor equipe do planeta.

Começar de novo

Mesmo com o sucesso nacional, o San José decidiu voltar a disputar a liga municipal de Oruro, que conquistou por seis vezes entre 1954 e 1972. Foi somente em 77 que o clube voltou ao cenário boliviano, com o surgimento do verdadeiro campeonato nacional, existente até hoje. Depois de seguidas campanhas sem destaque, o duplo vice-campeonato em 1991 e 92 (ambos para o Bolívar) levou o time à disputa da Libertadores da América.

O primeiro título verdadeiramente nacional viria em 1995, numa decisão surpreendente com o também pouco tradicional Guabirá. Derrota fora de casa por 3 a 1 no primeiro jogo, vitória no Jesús Bermúdez por 3 a 0 e empate em 1 a 1 no jogo extra. O título veio graças ao saldo de gols.

Após anos dourados, veio o descenso em 1999. Os dois anos na segunda divisão quase significaram o fechamento do clube, mas a volta por cima veio a tempo e o time foi campeão da Copa Simón Bolívar, garantindo o retorno. O título do Clausura 2007 devolveu a Oruro os dias de glória, impulsionados por dois brasileiros: Alex da Rosa, naturalizado, e Sandro Coelho, ambos meias. Para esta temporada, contratou o habilidoso Darwin Peña, que se destacou pelo Real Potosí no ano passado. Uma tentativa de alçar vôos em outras terras e respirar ares não tão rarefeitos quanto os de Oruro.


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*Publicado originalmente na seção "Conheça o clube", da Trivela: http://www.trivela.com/index.asp?Fuseaction=Extra&id_secao=28

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Os pênaltis de Edmundo


Não é justo dizer que Edmundo "pipoca" em pênaltis decisivos. Pelo Vasco, em 97, e até antes, pelo Palmeiras, marcou vários gols importantes - inclusive de falta. Mas nos últimos anos não tem tido, de fato, a mesma eficiência.

A final do Mundial de Clubes de 2000; o pênalti pelo Cruzeiro, contra o Vasco, em 2001; contra o mesmo Vasco, pelo Palmeiras, em 2006; e no ano passado, contra o Ipatinga, na Copa do Brasil. São estes os exemplos, vivos na memória, de que Edmundo, ainda que tenha uma bela história, não deva mais cobrar pênaltis.

Porque o Vasco tinha Morais, que cobrou três até agora no campeonato e marcou. Tem Tiago, que apesar da má sorte no segundo gol, foi muito bem durante toda a partida e bate com primasia. E principalmente, porque o Vasco tem a necessidade de vencer logo o Flamengo em um jogo decisivo para acabar com a fama.

Mas se disse, ao final do jogo, que não tinha condições de atuar os 90 minutos, Edmundo poderia, ao menos, ter deixado a cobrança para outro. Pelo bem dele e do Vasco.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Fidelidade

Domingo à tarde, São Paulo e Santos entram em campo pela oitava rodada do Campeonato Paulista. 17.595 pessoas acompanham, no Morumbi, a emocionante vitória são-paulina por 3 a 2. O jogo valia classificação entre os quatro, para o São Paulo, e reabilitação, para o Santos.

Domingo chuvoso, Flamengo e Fluminense jogam pela última rodada da Taça Guanabara. 39.056 espectadores vêem Thiago Neves e o mistão do Flu golearem os reservas do Fla por 4 a 1. O jogo não valia nada: o Rubro-Negro já estava garantido em primeiro lugar no grupo e o Tricolor, em segundo.

E a pergunta que fica é: por quê?

Por que o clássico carioca, mesmo já sabido que Joel pouparia até o goleiro Bruno, teve mais público que o paulista? Será que os cariocas realmente gostam mais de ir ao estádio que os paulistas?

Importante ressaltar que não havia diferença de preço nos ingressos: o valor mais em conta era de R$20 nos dois estádios. A diferença – que pode ter afetado um pouco o número final de presentes no Morumbi – é que no Rio houve venda na bilheteria no dia do jogo. Em São Paulo, não.

Digno de nota, também, a campanha irregular do Santos, que afastou o torcedor do clássico. No Brasileirão do ano passado, com os ingressos ao mesmo valor, 33.865 pessoas viram o mesmo jogo, quando o Peixe aparecia em terceiro. Considerando que, por maior que seja a torcida na capital, o time do Santos não é da cidade. Temos, portanto, outro fator que pode ser apontado: o Fla-Flu tem duas equipes da capital.

Mas, afinal, tais dados explicam essa diferença? Acredito que não. Afinal, o Santos foi quem liderou a média de audiência dos quatro grandes paulistas nos jogos transmitidos pela TV aberta no BR-07. Acredito ser, acima de tudo, uma questão cultural.

Parece a mim que o carioca possui uma ligação muito mais próxima com o futebol. Não digo que goste mais. Mas sinto que o futebol faz mais parte da vida do carioca que do paulista. É um público, enfim, mais assíduo. Não que um Corinthians x Palmeiras não possa ter mais público que um Vasco x Botafogo. Pode. Mas a festa nas arquibancadas talvez não seja a mesma.


Publicado também no Blag do Mauro Beting.

Jogos no exterior pela Premier League

Seria sensacional descer a Anhanguera pra ver um Manchester x Arsenal. Quisera eu um dia poder assistir ao Milan, pessoalmente.

Mas sinceramente, isso não passa de uma utopia. MAIS uma jogada de marketing dos fenomenais marketeiros ingleses. Mas não dá. Tudo bem, o futebol hoje é um negócio e o menos importante, de fato, é o jogo. Mas algo assim seria assinar de uma vez por todas o atestado de colônia futebolística. Penso que voltamos à época colonial sim, onde a metrópole só retira as riquezas daqui (os jogadores) e faz o que quer.

Tá certo, não adianta querer se fechar numa redoma e virar protecionista. Mas se isso acontecer, as chances dos clubes brasileiros conseguirem se desenvolver serão menores ainda.

Até a Austrália tem uma liga mais negociável que o Brasil. De que adianta querer vender pacote de jogos para o exterior, se não tem ninguém decente jogando aqui? Já já o campeonato vai virar um brasileiro sub-20.

Sou positivista: o futebol é nosso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Penso, logo jogo*

Quando enfileirava nos juvenis do Barcelona e era, ainda, pouco conhecido, Lionel Messi sofreu uma fratura no rosto. Dias depois, disputou uma final contra o Espanyol com uma máscara protetora emprestada por Puyol. Incômoda, a máscara não durou dez minutos. Messi a tirou e permaneceu em campo durante todo o jogo.

Mas o que isto significa? Jogador diferenciado? Comprometimento, personalidade de um gigante? Sim, claro. Mas também, demonstra o preparo mental que Messi recebeu durante toda a sua carreira. O argentino teve, aliado à sua excepcional qualidade, apoio irrestrito da família, que mudou-se com ele para a Europa, e acompanhamento contínuo dos técnicos que teve em “La Masía”, local de treinamento do clube catalão.

Messi teve, antes de tudo, uma preparação psicológica perfeita para poder desenvolver suas habilidades e amadurecer para se tornar um craque. É um exemplo de que, além de predisposições genéticas, treinamento intensivo e incentivos financeiros, o trabalho psicológico também é fundamental na formação de um jogador de sucesso.

Infelizmente, esta é uma visão pouco difundida no futebol brasileiro. São raríssimos os casos de clubes que possuem acompanhamento psicológico em sua estrutura profissional –nas categorias de base então, algo digno de registro. De fato, pesquisa recente apontou que 77,9% dos atletas consideram importante a presença de um psicólogo dentro da comissão técnica, ao passo que 75,3% afirmam nunca ter trabalhado com um profissional deste tipo.

A Psicologia do Esporte é uma nova área das chamadas ciências do esporte, que englobam também a preparação física, técnica e tática. Analisar as condições psicológicas dos atletas tem-se mostrado fundamental para alcançar melhores resultados, especialmente no futebol, onde as relações interpessoais acontecem o tempo todo e podem definir o rumo de uma jogada. Por exemplo, uma briga entre dois jogadores durante um treino pode fazer com que um deles não toque a bola ao outro durante a partida, diminuindo as chances de vitória.

Os ‘paizões’

Considerando o atual contexto do futebol brasileiro, em que há a necessidade de se formar atletas mais completos mais cedo, a preparação psicológica é fundamental para que o garoto possa se desenvolver de maneira plena. Ambientes fechados de alojamento, a distância dos familiares e outras dificuldades de adaptação em um novo local, totalmente normais para meninos de quinze anos que estão aprendendo a ter responsabilidade e a resolver seus próprios problemas, podem ser equacionadas com a ajuda de um psicólogo.

Entretanto, é ainda prática comum a do famoso técnico “paizão” nas categorias de base. O perfil destes treinadores, na maioria dos clubes, é o do profissional experiente, que sabe conversar com os garotos na linguagem utilizada por eles e que conversa, ouve reclamações, tira dúvidas e dá conselhos. Tal atitude é positiva e apresenta bons resultados, mas a presença de alguém qualificado a realizar um trabalho mais aprofundado pode, em longo prazo, otimizar a produtividade.

Um dos momentos mais críticos na carreira de um atleta é quando ele se vê escolhido para treinar ou atuar com o time profissional. Hora de alegria, mas também de ansiedade e insegurança. Afinal, o melhor de um elenco juvenil passa a ser o juvenil de um time adulto, o que pode afetar diretamente a auto-estima do garoto. Não é raro ver jovens que aprendem condutas agressivas e anti-desportivas dentro de campo ao observar o comportamento dos “adultos”. É aí que o trabalho psicológico se torna importante, afinal muitos jogadores se perdem nesse processo. É preciso, portanto, maior divulgação e reconhecimento da psicologia do esporte como parte integrante da estrutura dos clubes.


*Coluna publicada originalmente no Olheiros.