segunda-feira, 2 de junho de 2008

Brasileirão 2008: 10%

Pedindo desculpas aos amigos pela demora nas atualizações, pois estive fora o final de semana todo, deixo a seleção da rodada, sempre aberta aos pitacos. Convido ainda para acessarem minha coluna semanal no Olheiros, em que falo sobre a lei do "6+5" e sua influência nas transações de jogadores, além do Febre Mundialista, com tudo sobre as Eliminatórias da Copa.

Logo abaixo, a primeira de dez análises do Campeonato Brasileiro, da mesma maneira que fiz no ano passado.

Fernando Henrique (FLU): Não fosse o pênalti cometido, teria tido uma atuação perfeita.

Coelho (ATM): Incisivo, abriu o placar no Mineirão com um belo gol de falta.

Miranda (SAP): Sólido na defesa, ainda levou perigo quando foi ao ataque.
Renato (IPA): Firme na marcação, marcou o primeiro gol do Ipatinga na Série A.
Juan (FLA): Mais ofensivo no novo esquema de Caio Junior, sofreu o pênalti da vitória.

Rodrigo Souto (SAN): Ultimamente, tem sido o único lúcido no time santista.
Ramires (CRU): Correu o campo todo e ainda salvou o Cruzeiro da derrota.
Michael (COT): Principal articulador da equipe, foi premiado com o gol.
Marques (ATM): Aqui improvisado como meia, jogou com muita vontade e reviveu bons tempos.

Jean (VAS): Entrou no intervalo e marcou os dois gols da virada vascaína.
Felipe (NAU): Marcou dois na goleada sobre o Botafogo, um deles um golaço.

Técnico: Caio Júnior (FLA): Mudou o já tradicional sistema de jogo de Joel e se deu bem, acertando também nas substituições.

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Sonolento. Nenhuma palavra define melhor este início de Brasileirão. Se "equilibrado" é outro verbete bastante utilizado, só o é graças à baixíssima qualidade apresentada até aqui pelas equipes. Os números comprovam: 89 gols em 40 jogos, contra 121 da 4ª rodada de 2007. Média de 2,22 e de apenas 1,6 no último final de semana. Não bastasse isso, quinze partidas terminaram empatadas, sendo nove em 1 a 1 e cinco em 0 a 0. Apenas o Náutico ainda não empatou, um dado curioso.

Curiosamente, o BR-08 vinha sendo apontado como o possivelmente mais equilibrado da era dos pontos corridos graças não ao baixo nível técnico, mas ao alto número de equipes qualificadas: São Paulo, Palmeiras, Internacional, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense eram os canditatos. Entretanto, o que tem se visto até aqui é uma realidade bem diferente: jogos fracos e pouca emoção.


Cruzeiro e Flamengo, eliminados da Libertadores, puderam focar o Nacional desde o início e lideram com os mesmo 10 pontos que o Botafogo tinha na temporada passada. A Raposa é o time mais consistente até aqui, com melhores ataque e defesa, mas Marcelo Moreno foi embora e pode ser só o começo. Já o Flamengo atuou apenas uma vez fora de casa e pegou Fluminense e Santos com times reservas. Caio Júnior vai dando sua cara à equipe e só o tempo vai dizer se isso é bom ou não.

Ao Náutico, surpresa do campeonato, um aviso: na quarta rodada de 2007, o Paraná tinha os mesmos 9 pontos e acabou rebaixado. Manter o aproveitamento em casa é fundamental. Já o Vasco, curiosamente, também aparecia na quarta colocação (o único a repetir posição). Lopes tem armado muito mal o time, mas tem tido sorte com as atuações ora de Edmundo, ora de Leandro Amaral, ora de Jean.


O Grêmio não figurava entre os mais badalados, mas mais uma vez Celso Roth consegue dar consistência defensiva e o time foi o último a sofrer gols. O Palmeiras, favorito, não conseguiu ainda convencer e teve atuações decepcionantes, reflexo da queda vertiginosa de produção de Valdivia. A sétima posição do Atlético-MG pode ser enganadora, pois venceu a primeira somente agora, após três empates. Time interessante, por outro lado, é o Coritiba, que apesar da oitava colocação tem em Michael um dos destaques do campeonato até agora. Caso Dorival Junior vá mesmo para o Inter, a química pode ser quebrada.

E por falar em trocas de técnicos, já foram sete: Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo, Internacional, Náutico e Santos. Só um (Ney Franco) foi demitido, é verdade, mas é um número altíssimo. Assim como é alta a irregularidade do Furacão, de fulminante no Paranaense para insosso no Brasileirão. O Sport não pode ser analisado ainda por estar na final da Copa do Brasil, mas Figueirense e Vitória já demonstraram grandes poderes ofensivos e grandes problemas defensivos. Promessa de emoções para as torcidas.

Chamam a atenção as campanhas de Inter e São Paulo até aqui. Se o Tricolor sofre com a eliminação da Libertadores e com a pressão (sem contar os desfalques e o elenco reduzido), a má fase do Inter é inexplicável pelo grupo que possui. Preocupa também o Botafogo, que apostou alto ao contratar Geninho, de personalidade bastante diferente da de Cuca, que vai assumir um Santos ainda turbulento pela passagem de Leão. O primeiro tem menos chances de sucesso que o segundo.

E por fim, luz vermelha acesa já para Ipatinga, Goiás e Portuguesa. Em quatro rodadas, a Lusa tem um ponto a menos do que tinha o América-RN em 2007. A defesa sofreu quase três gols por jogo e preocupa - e muito.

Destaques: Michael, meia do Coritiba, e o time todo do Cruzeiro.

Perebas: A defesa da Lusa e o zagueiro André Luís, do Botafogo, que fez um baita papelão.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Herói e vilão

Publicado também no blag do Mauro.

Não pode o torcedor vascaíno culpar Edmundo pela dolorosa desclassificação em casa, após tamanha epifania ao final do jogo. Afinal, não fosse ele, o Vasco sequer teria chegado às penalidades. Talvez não devesse realmente bater o pênalti. Mas como barrar o animalesco atacante? Nem mesmo Lopes, quem melhor se dá com ele, delega tal poder.

Em seu retorno a São Januário, Magrão cobrou a conta de ter sido o anti-herói do gol mil: sua defesa aos 14 minutos, em cabeçada de Leandro Amaral, valeu mais que muitos gols de peladas contabilizados por Romário. Quiseram as indefiníveis forças ocultas do futebol que ele fosse vazado em mais quatro pênaltis, no gol oposto. Mas, agora, não só ele converteu o seu como viu a bola de Edmundo voar para bem longe, para encontrar talvez aquela isolada na final do Mundial Interclubes.

O jogo
Nem parecia que era o Vasco quem precisava da vitória. Desde o início, o Sport jogou adiantado, tocou a bola e conteve a esperada pressão inicial cruzmaltina, que sequer existiu. Os vascaínos erravam a saída de bola a não criavam.

Com César Lucena no lugar de Romerito, Nelsinho Baptista liberou os laterais e compactou a equipe. Igor colou em Leandro Amaral e impediu que o atacante recebesse em profundidade, como sempre faz muito bem. Morais, sumido, obrigou Edmundo a recuar para armar o jogo e o Vasco parecia tão perdido quanto Antônio Lopes à beira do campo, gritando sem muita convicção.
Com Wagner Diniz preso, a equipe da casa afunilava o jogo pelo meio e não achava espaços para finalizar. Faltou, acima de tudo, movimentação para vencer a bem postada – porém alta e lenta - defesa do Sport.

Acima de tudo, faltou espírito de entrega para o Vasco no primeiro tempo. Para cada vascaíno na arquibancada, havia pelo menos um rubro-negro em campo, correndo, lutando e se doando.

Lopes fez no intervalo o que deveria ter feito antes do jogo começar. Recuou Jonílson e avançou os laterais, mas mesmo assim o Vasco não produzia. Bem fechado, o Sport só daria chances em chutes de fora da área ou em bolas paradas. Assim, Magrão fez defesa monumental em cabeçada de Leandro Amaral, após cobrança do rápido Madson, que deu novo ânimo à equipe.

Da mesma forma, cinco minutos depois Leandro Bomfim, apagado como de costume, cobrou falta na cabeça de Leandro Amaral, na pequena área, reacender a chama cruzmaltina.

Contudo, a nau parecia afundar quando Luizão foi expulso infantilmente. Pior que o zagueiro, só Lopes, que sacou Madson para a entrada de Rodrigo Antônio, preocupado em recompor o sistema defensivo em um jogo que precisava atacar.

O Sport, percebendo que era temido pelo Vasco, foi ao ataque e Enílton, o causador da expulsão de Luizão, foi parado pela trave.

Quando a esperança já havia se esvaecido, o último suspiro saiu dos pés de Pablo, que muito tentou e nada acertou durante toda a noite. Ou quase nada, pois a única bola que Magrão não segurou, Edmundo fez dois a zero.

O resto é história. Que durmam os jogadores do Sport, extasiados após classificação mais que merecida. Que durma Edmundo, nesse eterno jogo de herói e vilão instantâneo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Seleção da 3ª rodada

Hora da seleção da terceira rodada do Campeonato Brasileiro, feita em conjunto com o amigo Dassler Marques, embora sempre haja uma ou outra diferença. Na semana que vem, uma análise mais profunda do Brasileirão após 10% já disputados.

Cornete, opine, critique, escale a sua. Participe!

Magrão (SPO): Pegou um pênalti aos 46 do segundo tempo e fez no mínimo mais duas defesas difíceis.

Jonathan (CRU): Ótimo no apoio, dois passes em jogadas de gol.
Léo (GRE): Fez um gol e ajudou a defesa gremista a continuar invicta.
Rever (GRE): Tão bom quanto Léo no geral, mas ainda melhor na marcação.
Marcelo Cordeiro (VIT): Duas assistências e participação em outro gol.


Eduardo Luiz (VAS): Zagueiro de origem, jogou improvisado e foi o melhor do time, marcando o gol vascaíno.
Ramires (CRU): O mesmo excelente futebol de sempre: preciso na marcação, eficiente no apoio.
Wagner (CRU): Ditou o ritmo cruzeirense na goleada sobre o Santos.
Jackson (VIT): Além do gol, criou várias chances durante o jogo.

Dinei (VIT): Marcou duas vezes na goleada sobre o Figueirense.
Guilherme (CRU): Dois gols e chegou à artilharia

Técnico: Caio Júnior (FLA): Mudou o time no intervalo e virou o jogo nos dez minutos iniciais.

Entrevista com Mauro Beting

Papo com Mauro Beting no quadro "Extra campo" do Domingo Esportivo da Rádio Azul Celeste de Americana.

Entrevista veiculada no dia 25/05/2008. Mauro fala sobre o Campeonato Brasileiro, Libertadores, Copa do Brasil e calendário do futebol.







Caso você não consiga ouvir, clique aqui.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Semifinais inéditas

A Copa Libertadores chega a seu momento decisivo e poucas pessoas podem dizer que imaginavam tais equipes nas semifinais. Aparte o Boca, Fluminense, América e LDU não figuravam entre os candidatos sequer a possíveis surpresas da competição. Por mais que o tricolor tenha investido pesado, a falta de experiência internacional e um grupo complicado eram apontados como fatores essenciais para uma possível eliminação precoce.

Contudo, o Flu igualou o São Paulo na garra e conseguiu a vitória pela diferença técnica entre as duas equipes, pouco questionada. Agora, entra como azarão diante de um Boca forte como sempre e de quem nunca se pode duvidar. Independente do resultado final, serão dois jogos extremamente equilibrados e muito emocionantes, em que exatamente isso - o equilíbrio emocional - pode ser a diferença entre passar ou não. Uma classificação épica em um Maracanã bem diferente do que viu o Flamengo ser eliminado pelo América.

América que, empurrado por Cabañas e beneficiado pelo erro de arbitragem da primeira partida, conseguiu eliminar o Santos. Diferente do que aconteceu no Maracanã, mesmo quando vencia por 1 a 0 o Santos não dava a impressão de que conseguiria o segundo. Interessante perceber essas situações: é impossível detectar, pelo contexto do jogo, se uma equipe irá conseguir reverter o resultado. Entretanto, parece mais simples perceber quando isso não será possível. De qualquer modo, o Peixe foi muito mais além do que sua torcida imaginava. De um início de temporada temeroso, Leão descobriu que tem um grupo que pode até mesmo, porque não, repetir a boa campanha do ano passado no Brasileirão.

Por fim, a LDU aparece como a maior surpresa da edição 2008, repetindo o feito do Deportivo Cúcuca no ano passado. Os excelentes resultados fora de casa contra os argentinos Lanús e San Lorenzo não deixam margem de dúvida sobre a capacidade de um elenco mediano, mas bastante consciente de suas limitações e capacidades. Um dos destaques da equipe é o inteligente Guerron, que também possui um porte físico invejável e um belo chute de fora da área. Novamente, os equatorianos decidem em casa e podem fazer história.

Palpites? Difícil dizer. Mas pelo que vi até aqui, Boca e LDU.

E você, o que achou da Libertadores 2008?

Em tempo: Atendendo a sugestão dos amigos e refletindo melhor, passo a eleger também o técnico da rodada do Brasileirão. Seguem, portanto, os dois primeiros eleitos:

1ª) Celso Roth (GRE): Tirou leite de pedra com o elenco que tem e conseguiu uma sempre dificílima vitória no Morumbi.
2ª) Roberto Fernandes (NAU): Armou bem a equipe na defesa e conseguiu um belo resultado no Maracanã.


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Seleção da rodada

Segue a seleção da 2ª rodada do campeonato brasileiro, feita em conjunto com o amigo Dassler Marques, ainda que existam algumas diferenças entre ambas. Pitacos são bem-vindos!

Bruno (FLA): Responsável pelo empate sem gols no Olímpico.

Rafael (SAP): Grata surpresa no empate com o Furacão.
Danilo (ATP): Firme na defesa, ainda marcou gol de cabeça.
Espinoza (CRU): Mais uma partida segura. Terceiro maior ladrão de bolas do campeonato.
Júnior (SAP): Controlou o jovem time tricolor e deu o gol para Éder Luís.

Fabrício (CRU): Eficiente na marcação e rápido nas saídas de bola.
Pierre (PAL): O carrapato de sempre no meio-campo.
Cleiton Xavier (FIG): Dois gols e o dono do jogo na vitória sobre o Coritiba.
Denílson (PAL): A melhor partida desde que chegou no Palmeiras.

Edmundo (VAS): Entrou no intervalo e comandou a vitória vascaína com dois gols.
Kleber Pereira (SAN): Três gols e uma atuação de gala.

Convido, ainda, a acessarem minha coluna de sábado no Olheiros, em que falo sobre a renovação da seleção alemã.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Libertadores - Quartas-de-final

Definidos os confrontos das quartas-de-final da Copa Libertadores, é hora de analisar os resultados. Dos oito apontados pelo blog como favoritos a avançar, cinco se classificaram. Os argentinos Estudiantes e Lanus decepcionaram, enquanto o Flamengo derrubou todos os prognósticos. Mas vamos aos duelos das quartas:

São Paulo x Fluminense

Técnica versus garra, alma versus coração. Um duelo super-comentado e sobre o qual resta pouco a dizer, além do óbvio: muito equilíbrio. O Fluminense é, hoje, superior, mas mesmo assim difícil de confiar. Jogo ótimo para definição nos pênaltis.
Palpite: São Paulo

Boca Juniors x Atlas

Duelo repetido da primeira fase. O Atlas decide em casa, o que não é vantagem alguma contra o Boca. Na fase de grupos, 3 a 0 em La Bombonera e 3 a 1 no México, mas o Atlas jogou muito bem na Argentina - o que mostra o quão difícil é a missão. Se repetir o bom futebol das oitavas, terá muito mais chances que o Cruzeiro de vencer o Boca.
Palpite: Boca

América-MEX x Santos

O Santos, que continua surpreendendo por seu crescimento, pega um time que cresceu de repente e surpreendeu o Flamengo que festejava. Como agora decide em casa, resta saber como o Peixe vai se portar no México no primeiro jogo, pois contra o Cúcuta o jogo foi decidido na Vila. Se conseguir um bom resultado, tem tudo para superar em MUITO as expectativas e alcançar a semifinal, já que a Vila é uma grande arma - que tende a ser menos importante conforme o time vai subindo de produção.
Palpite: Santos

San Lorenzo x LDU

Os argentinos, no ano do centenário, conseguiram uma classificação heróica diante do River, mas que não precisava ser tão sofrida pela qualidade do time. A LDU surpreendeu o, para mim, candidato ao título Estudiantes, e tem em Guerron um excelente jogador, além de decidir em casa.
Palpite: San Lorenzo.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pitacos do fim de semana

Estive sábado no Pacaembu para comentar a vitória corintiana. Tudo muito bonito, arquibancadas pintadas, mas faltou mais uma vez o respeito à imprensa: várias rádios aglomeradas e, no andar de cima, espaço vago proibido de ser utilizado. Lamentável. Em campo, um Corinthians pouco vibrante, Douglas pouco participativo e uma defesa muito desatenta nas bolas aéreas. Time tem para subir, e com folga. Mas falta mais entrega de uma equipe que já mostrou que tem capacidade para tanto. A entrada de Diogo Rincón no lugar de Lulinha deve melhorar um pouco isso.

*

Boa recuperação de Massa na Fórmula 1. Tem sido constantemente mais rápido que Kovalainen e, não fossem as duas pataquadas no início da temporada, poderia ser o líder. Duas vitórias e um segundo lugar nas últimas três corridas deixam o brasileiro de novo na briga - que será interna, porque ou os engenheiros da McLaren tiram um coelho da cartola, ou será a temporada mais tranqüila para a Ferrari desde a aposentadoria de Schumacher..

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Confira a seleção da primeira rodada do Brasileirão:

Fábio (CRU): Segurou a pressão do Vitória com um jogador a menos. Fez no mínimo seis defesas difíceis.

Paulo Sérgio (GRE): Cobrou a falta para o gol de Pereira.
Sidnei (INT): Muito seguro, marcou o gol da vitória sobre o Vasco.
Felipe Santana (FIG): O time sofreu cinco, mas ele marcou dois e garantiu o empate.
Juan (FLA): Uma assistência e um gol na vitória por 3 a 1.

Eduardo Costa (GRE): Anulou Éder Luiz.
Ramires (CRU): Bem nos desarmes, levou perigo e quase marcou o seu.
Marcinho (FLA): Marcou um gol e deu passe para outro.
Michael (COT): Comandou a vitória sobre o Palmeiras. Um gol e uma assistência.

Hugo (COT): Um gol e uma assistência.
Geraldo (NAU): Fez os dois da vitória sobre o Goiás.

E você, o que achou do início do Brasileirão?

Convido a todos a acessarem também minha coluna desta semana no Olheiros, em que falo sobre a temporada dos destaques dos Mundiais Sub-17 e Sub-20 do ano passado.

Por fim, para quem gosta de Copa do Mundo, um convite a acessarem o Febre Mundialista.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Achando o caminho


Postado também no Blag do Mauro Beting.

Comemorou muito o torcedor vascaíno que lotou São Januário pela primeira vez no ano. E tem motivos para tanto. O Vasco venceu bem demais o ótimo Corinthians de Alagoas, que mostrou ter eliminado com méritos Atlético-PR e Juventude em suas melhores fases. Não poderia, portanto, ser considerado mais uma surpresa em fase tão avançada da competição.

Ainda assim, o time de Gilmar Batista surpreendeu ao de Antônio Lopes por não se intimidar, adiantando a marcação da saída de bola no campo adversário com três – e às vezes até quatro – homens. Não à toa, com dois minutos já estava na frente.

Após linha de impedimento bisonha da zaga vascaína, o ótimo Reinaldo Alagoano fuzilou de esquerda, sem deixar a bola quicar. O centro-avante, um dos artilheiros da Copa do Brasil, mostrou ser diferenciado e fez interessante dupla com Fábio Neves, este muito oportunista e habilidoso. Dificilmente ambos continuarão em Maceió por muito tempo.

O Vasco não se encontrava, mas achou um gol aos 21, com Jota se atrapalhando após desvio de cabeça de Leandro Amaral. O atacante, reestreando na equipe, foi bem acolhido pela torcida e demonstrou falta de ritmo, mas muita vontade. Esta foi, aliás, a tônica do jogo na primeira etapa: um ritmo alucinante das duas equipes. Aos 36, o sempre veloz Wagner Diniz lançou Edmundo para virar o placar.

Os motivos para a efusiva comemoração vascaína começaram a aparecer no segundo tempo. O Vasco voltou com o mesmo pique. O Corinthians, não. Batista recuou o volante Du para auxiliar Rogerinho na marcação a Wagner Diniz. Esqueceu-se do outro ala, uma novidade de Lopes para a partida: o franzino Madson, que retornara de empréstimo para ser titular. Ótima aposta a do delegado. Com ele, o time tem agora dois alas extremamente velozes. Dele, o passe para o gol de Morais.

A boa postura tática alagoana se desfez com o terceiro gol. A equipe foi ao ataque de forma desordenada e deu espaços para os contra-ataques vascaínos. Edmundo, novamente em noite inspirada, parecia ter em Leandro Amaral companheiro de longa data. Ambos fecharam a noite com um gol cada, servindo e sendo servidos.

Leandro Amaral voltou jogando o que sabe. Edmundo fez dois, é o artilheiro da Copa do Brasil e jogou como há muito não jogava. E Madson pode fazer com Wagner Diniz a mais veloz dupla de alas do futebol brasileiro.

Realmente, há motivos para o torcedor vascaíno comemorar. Entretanto, há ressalvas: os espaços para contra-ataques são grandes, Leandro Bomfim não dá combate algum e o físico de Edmundo não deve agüentar a maratona que se avizinha.

Se Lopes resolveu alguns problemas, encontrou outros. Mas menores que os anteriores.

Em tempo: Difícil explicar o que aconteceu ao Flamengo. Talvez o antigo bordão de que no futebol tudo é possível. Só não é possível entender como um time entra em campo e deixa a alma no vestiário.

Por fim, lamentável o espaço dado ao caso Isabella Nardoni. Que os culpados paguem, mas que a imprensa aprenda seu verdadeiro papel.

sábado, 3 de maio de 2008

Domingo Esportivo especial - final do Paulistão 2008

Convido aos amigos a acompanharem o Domingo Esportivo especial sobre a final do Campeonato Paulista 2008.

Vamos relembrar dos títulos paulistas de 93 e 96 do Palmeiras, com gols e entrevistas.

Teremos também gols históricos das finais paulistas disputadas pela Ponte Preta.

Ainda, retrospectiva da semana com os principais fatos e um raio-x completo do duelo entre Verdão e Macaca.

E também muitos prêmios no nosso palpitão.

Jornada esportiva especial - final do campeonato paulista 2008. Não perca!

Domingo Esportivo

Todo domingo, das 12h às 14h, na Rádio Azul Celeste AM 1440 - ou pelo site www.azulceleste.com.br

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Ufa!



Sufocante! Como se pensava – ou até mais.
Assim como foi claudicante a arbitragem do chileno Rubén Selman, conivente com a violência, especialmente no segundo tempo. Ao menos Fábio Santos e Cadarcio mereciam ser expulsos. Ao final, o resultado foi satisfatório pelo ambiente, mas o São Paulo poderia ter tentado mais e sair vencedor pela falta de qualidade do adversário.

A partida esteve equilibrada até os 25 do primeiro tempo, com o Tricolor chegando bem através de Jorge Wagner e Adriano. O Nacional pouco tentou a alardeada bola aérea para Richard Morales e quando tentou, o atacante sequer finalizou corretamente, bem marcado que estava por Alex Silva.

A pressão finalmente se pronunciou entre os 27 e os 32, com cinco minutos de bola nos pés dos uruguaios. Entretanto, o máximo que se conseguiu foi um chute à queima roupa de Fornaroli que Rogério quase aceitou, mas Pirulito afastou.

Na segunda etapa, Muricy trocou Zé Luís por Fábio Santos e segurou mais os alas. O Nacional intensificou os cruzamentos e o posicionamento de Hernanes na cabeça de área, em duas oportunidades, gerou contra-ataques que por pouco não resultaram em gols. Adriano, apagado, ao menos segurou dois zagueiros consigo.

O critério do árbitro era muito simples: a primeira pancada era por conta da casa. Nos três cartões amarelos que aplicou, fez questão de contar com os dedos as faltas que o jogador cometeu. Ao menos contar sabia. Fábio Santos entrou duro em Cadarcio, que revidou. A partir deste momento, a bola passou a ser um detalhe, tanto que Jorge Wagner foi substituído aos 20 minutos após falta violenta.

Gerardo Pessulo lançou o time todo ao ataque com as entradas de Bertolo e do jovem Vera, mas a partida tinha muito mais aparência de guerra do que verdadeiramente era. No fim, Borges poderia ter marcado em um contra-ataque, não tivesse demorado tanto para decidir se passava ou chutava.

Foi talvez a melhor apresentação são-paulina na Libertadores, tanto na parte tática quanto na fibra defensiva. Fica a confiança de que a atuação será superada na próxima quarta, quando a qualidade deve suplantar a violência. E que venha o Fluminense!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Papo com Sérgio Guedes

Conversei com Sérgio Guedes, técnico da Ponte Preta, antes da primeira partida da final do Campeonato Paulista.


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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Copa Libertadores: Confrontos das oitavas


Definidos os confrontos das oitavas-de-final da Libertadores, é hora de uma breve análise dos duelos. Vamos a eles, e opine você também.

Fluminense x Atlético Nacional-COL

Apesar de ser o dono da melhor campanha da primeira fase, o Flu não chega às oitavas no melhor momento da temporada. A derrota para o Botafogo na final da Taça Rio colocou em dúvida a verdadeira capacidade da equipe. Caso Dodô possa jogar, a coisa muda. Apesar da campanha, o time colombiano não é de fato o pior entre os 16 classificados. Mostrou isso dando muito trabalho ao São Paulo nos dois jogos. Uma derrota por 2 a 0, por exemplo, pode acabar cedo demais com as pretensões do Tricolor.
Palpite: Fluminense

Flamengo x América-MEX

Seria mais fácil se o Fla não estivesse envolvido na final do Campeonato Carioca. No ano passado, o time viajou ao Uruguai com a cabeça no Rio e acabou eliminado. Talvez seja a hora de priorizar a competição continental, que afinal vale muito mais. O América é perigoso, mas sempre é difícil saber o quanto os mexicanos estão realmente focados na Libertadores. A despedida de Joel pode ser uma grande motivação para que os jogadores dêem o sangue.
Palpite: Flamengo

River Plate x San Lorenzo

Único duelo nacional das oitavas. O San Lorenzo vem motivado pela comemoração do centenário e conta com a experiência de Ramón Díaz, técnico do River Plate na última conquista continental das Gallinas, e com a habilidade de Andrés D'Alessandro. O River, por sua vez, aposta no melhor ataque da primeira fase (14 gols) e no vice-artilheiro da competição, Sebastian Abreu.
Palpite: San Lorenzo

Atlas x Lanús

O Atlas pode ser considerado uma pequena surpresa, já que o Colo Colo era apontado como favorito à outra vaga no grupo do Boca. O atacante Bruno Marioni, ex-Boca, tem surpreendido com suas boas atuações e o time é de muita pegada: foi o que mais cartões levou na primeira fase. E por falar em pegada, o Lanús é, dos argentinos, a equipe com mais cara de copeira desta edição. É um time que morde bastante na marcação, com jogadores como Pelletieri, Fritzler. Deve dar muito trabalho ainda.
Palpite: Lanús

Cruzeiro x Boca Juniors

Uma pena que este cruzamento aconteça tão cedo. Mas a culpa é inteiramente do Cruzeiro (ou da altitude?), que perdeu a melhor campanha da 1ª fase graças à inexplicável goleada para o Potosí. O time também está na final do estadual, e talvez querer ganhar tudo pode significar não ganhar nada. Qualidade, o time tem e pega um Boca que se faz de morto: sua melhor característica.
Palpite: Boca (sempre!).

Estudiantes x LDU

Pouca gente dá atenção para o Estudiantes, mas este é, a meu ver, o melhor time da competição até aqui. Possui uma chave mais fácil e conta com a experiência de Verón e muita garra, no melhor estilo argentino. A LDU acaba sendo uma surpresa, pois o esperado era que o Libertad avançasse. Duelo menos equilibrado, ao meu ver.
Palpite: Estudiantes

Cúcuta x Santos

Único duelo que repete a primeira fase e jogo muito interessante devido à imprevisibilidade dos dois times: o Cúcuta começou muito mal e melhorou sensivelmente, vencendo o grupo. Possui uma defesa sólida, mas é tão inconstante quanto o Santos, que se continua invencível na Vila, longe dela é muito vulnerável. Mas dá pra passar, coisa que há pouco tempo não se imaginaria.
Palpite: Santos

São Paulo x Nacional-URU

Dizem os torcedores são-paulinos que agora é que começa de verdade a Libertadores. Mas nunca foi tão difícil chegar até aqui. Os problemas do São Paulo são mais do que conhecidos, assim como a solução: se Adriano ainda quer ser um grande jogador, esta é sua última chance. Time mordido contra um adversário complicadíssimo, que pressiona demais em casa e morde muito. Jogo complicado lá.
Palpite: São Paulo

Seguindo meus palpites, as quartas ficariam assim (o da esquerda decidindo em casa):

Fluminense x São Paulo
Boca Juniors x Lanús
Flamengo x Santos
Estudiantes x San Lorenzo

O que significa, pelo regulamento da Conmebol, que teríamos uma semifinal brasileira e uma argentina, e uma final entre brasileiros e argentinos.

E você, o que acha?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Ah, os ares do sul...

Quando aposentar, Edmundo deveria se mudar para Santa Catarina. Os ares catarinenses definitivamente fazem bem a ele, que resgatado pelo Figueirense, foi o único responsável pela classificação vascaína em Criciúma. Jogando novamente no ataque, como nos ótimos tempos de Vasco, fez o que dele não mais se esperava.

Mas não precisava ser tão sofrido. Fica claro a cada jogo que o Vasco é um time limitado, e transparente que possui sérios problemas defensivos. Talvez por isso a contratação de Antônio Lopes: se é pra depender de Edmundo, ninguém melhor que o treinador que melhor se deu bem com ele até hoje.

O jogo

Muito recuado no início, o Vasco foi sufocado pelo Criciúma. A estratégia de Leandro Machado de escalar Beto e Jean Coral abertos, para jogar nas costas de Wagner Diniz e Pablo, não deu certo porque os alas não passavam do meio-de-campo.

O recuo excessivo deixou Edmundo e Jean isolados e Morais sozinho na armação. Mesmo abafando, o Criciúma tinha dificuldades em criar pois Wendell, coringa do elenco, não substituía Valdeir à altura. Assim, aos poucos o Vasco conseguiu acertar a saída de bola e equilibrou o jogo.

Escalado como centro-avante, Edmundo começou a aparecer quando perdeu um gol incrível aos 29. Morais recebeu frente a frente com o goleiro Pedro Paulo, mas decidiu não finalizar e tocar para o Animal, que limpou bem dois zagueiros, mas chutou por cima do travessão com o gol aberto.

No lance seguinte, o troco. Beto finalmente encontrou espaço com os avanços de Wagner Diniz e cruzou na medida para Jael cabecear sem chances para Tiago. Aos 39, nova jogada de Edmundo, deixando Jean livre para finalizar. Mas a gentileza foi retribuída e Jean errou ao tentar devolver.

Um minuto depois, Edmundo preferiu resolver sozinho. Matou no peito e deu dois dribles curtos na área, deixando três adversários caídos para somente completar para o fundo das redes. Um gol digno dos tempos de centro-avante, do craque que não se achava que poderia ser mais.

Satisfeito com o resultado, Lopes sacou Morais para a entrada de Rodrigo Antônio na zaga e lançou Alan Kardec para ser referência na área. Mas a bola aérea foi novamente simpática aos donos da casa e Zulu, que ao entrar tornou-se o quarto atacante do time, devolveu a esperança ao já taciturno torcedor catarinense.

Quando a pressão era intensa, novamente Edmundo decidiu. Brigando pela bola como há muito não se via, lançou bola perfeita para Wagner Diniz, que só rolou para Alan Kardec marcar. O Criciúma já estava eliminado, mas ainda assim o dez vascaíno quase marcou duas vezes, em cobranças de falta.

Por ora, o Vasco avança. Pena que Edmundo tenha cada vez menos dias de Edmundo.

sábado, 19 de abril de 2008

Sinal dos tempos*

* Coluna publicada originalmente no Olheiros.


Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Em uma ensolarada tarde carioca, um gaúcho de cabelo estilo militar troca e-mails com seu assistente sobre o desempenho de jogadores brasileiros no exterior quando, de súbito, sente um arrepio que não vem do gélido ar condicionado.

Ao clicar por engano num link para o site da FIFA, Dunga percebe que por lá existe, sim, uma seção dedicada ao futebol nas Olimpíadas, com notícias e até perfil das seleções classificadas para Pequim. “Meu Deus. Eles dão mesmo valor para o torneio olímpico”, suspira.

E qual não é a surpresa de Dunga ao ler a seguinte declaração do presidente da entidade, o suíço Joseph Blatter: “Sou da opinião de que os Jogos Olímpicos são um evento destinado à juventude. Quando o futebol envia seus jogadores de menos de 23 anos, temos um torneio de boa qualidade. A tendência na Fifa é que nos afastemos inclusive dos sub-23 e que participem apenas as seleções juvenis”. Silêncio e consternação. Dunga, em seguida, faz alguns telefonemas.

A cena, obviamente, é fictícia, mas a fala de Blatter não. Ela foi proferida na segunda-feira, durante uma entrevista coletiva na sede da FIFA. Às vésperas do sorteio das chaves para o torneio olímpico de futebol (que acontece no domingo), a possibilidade de mudança do limite de idade dos jogadores pega de surpresa até mesmo gente que acompanha muito mais de perto o futebol olímpico do que Dunga.

Tradicionalmente conservadora quanto às regras do jogo, a postura da FIFA é sintomática do momento de mudança que atravessa o futebol mundial. Afinal, não há dúvida de que rodadas e mais rodadas de discussão foram travadas antes de Blatter revelar uma intenção como essa durante uma entrevista coletiva. Não foi um insight pessoal. Foi fruto de muita conversa e negociação.

Alterar a idade limite de certas competições é uma medida que já foi adotada desde o ano passado na Copa São Paulo pela Federação Paulista, que às vezes acerta nas inovações, por mais que elas não sejam acatadas pela FIFA – spray da barreira que o diga. Perceber que hoje o atleta já é profissional mais cedo não demanda muita observação. O fenômeno é mundial e o Olheiros faz parte disso.

Mas afinal, o que isso muda? O futebol nos Jogos Olímpicos, assim como o Mundial Interclubes, tem fama de ser valorizado apenas por sul-americanos e talvez africanos, mas não pelos europeus. Pode ser. Mas por trás do argumento de que atualmente atletas com 19 anos já são titulares clubes, e que assim o nível seria excelente, existe um interesse muito maior – e nesse a FIFA não é nada conservadora.

O anúncio é uma vitória dos clubes europeus, o que surpreende, já que na maioria das vezes eles são oposição a qualquer idéia da entidade. Mas o que fala mais alto é, como sempre, o bolso. Vale lembrar que as Olimpíadas acontecem em agosto, portanto, início de temporada na Europa. Liberar jogadores de 22 anos que já desempenham papel de liderança nas equipes faz com que os clubes percam dinheiro em excursões internacionais.

Sem contar o antigo discurso aplicado às seleções principais, mas que se aplica aqui com mais veemência: e se o meu atleta se machucar, quem paga a conta? E os jogos que ele ficar de fora durante a temporada, alguém me empresa um substituto de graça, e à altura? E a pré-temporada dele, que vai ser prejudicada com esse torneio em agosto, como é que fica?

Pois bem. Desta vez a FIFA parece ter ouvido o lamurio dos clubes, mesmo que isso signifique praticamente uma nova edição de Mundial Sub-20 – contra o qual eles têm brigado bastante, diga-se de passagem. Ninguém discute que os torneios serão igualmente emocionantes e terão atletas de qualidade, afinal a modernização do trabalho de base tem entregado jogadores praticamente prontos ao técnico de cima com 17, 18 anos. Mas vale também – e como! – a questão mercadológica. Sinal dos tempos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O garçom


No melhor momento da carreira, Edmundo teve em Evair o companheiro ideal: um artilheiro que virou garçom para que ele pudesse marcar 29 gols e levar o Vasco ao tricampeonato brasileiro. Agora, quem lhe dá oportunidades é alguém com menos brilho, mas que lhe deixa ainda mais próximo do gol: seis dos sete gols marcados pelo Animal na temporada foram de pênalti. Quatro deles, em faltas sobre o lateral-direito.

Se o Vasco deu a impressão que fez seu máximo na semifinal da Taça Rio contra o Fluminense, a impressão se aproximou da certeza após a apagada atuação do primeiro tempo. Um time sonolento, sem criatividade e que jogava como seu treinador pensava: não tomar gol em casa era lucro.

Uma escalação exageradamente cautelosa, com três zagueiros mais Jonílson e Souza presos, deixou a equipe do delegado Lopes sem opções. Faltava alguém para dividir a responsabilidade com Morais, já que Souza não aparecia e Wagner Diniz, apesar do 3-5-2 a seu favor, inexistiu.

Como o ataque não era alimentado, Jean voltava demais para buscar a bola e Alan Kardec ficava isolado. A primeira boa chance foi um rebote perdido sabe-se lá como pelo artilheiro dos gols espíritas, após bom chute de fora da área de Pablo.

O garoto, aliás, mostrou personalidade e foi o menos pior dos vascaínos na primeira etapa. Já nos acréscimos, a dobradinha se repetiu: Pablo fez ótima jogada na grande área e Alan Kardec, sozinho, fez a parte dele: chutou fraco, nas mãos do goleiro.

Já o Criciúma não tinha do que reclamar. Focado na rodada decisiva do Catarinense no final de semana, o time de Leandro Machado marcou com os onze homens no campo de defesa e mesmo quando tinha oportunidade, saía lentamente com a bola para o ataque, deixando claro que jogava pelo empate para decidir no intimidador Heriberto Hulse.

Insatisfeito, Lopes fez duas alterações no intervalo. Sacou Alan Kardec para preservá-lo das vaias – e tentar garantir que a bola entrasse. Edmundo, que seria poupado, exerceu a liderança que faltava dentro de campo.

A saída de Vilson poderia ter sido boa, caso fosse substituído por alguém que povoasse o meio. Lopes, contudo, preferiu não arriscar contra um time que não atacava e lançou Rodrigo Antônio, lateral de origem, como zagueiro pela direita.

Logo a um minuto, Luiz André fez falta dura e, como já tinha amarelo, foi expulso. Em dez minutos, o goleiro Zé Carlos fez mais defesas do que em toda a primeira etapa. A pressão que se anunciava com a vantagem numérica não durou muito e esfriou com a fina chuva que caía.

As principais chances aconteceram pelo lado esquerdo do ataque e Jean quase marcou duas vezes. Alex Teixeira tentou dois chutes logo que entrou mas, como a maioria do time, acabou sumindo. Até que aos 37, quando o empate parecia irreversível, deu certo a jogada ensaiada exaustivamente durante a semana: Wagner Diniz corre, toca a bola de lado e o zagueiro chega – mostrando que não faltou ao ensaio – atrasado. Edmundo marca e o Vasco vence. Tá, foi de pênalti. Mas pode anotar a assistência para Wagner Diniz.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Choque-rei eletrizante



As chaves do clássico de domingo:

- Não dá para crucificar a assistente ou o árbitro, afinal quem pode provar que ambos tinham condições de perceber o toque de onde estavam? A pessoa teria que estar olhando diretamente para o lance para perceber, e no momento todos olhavam o lance como um todo, não uma parte específica. É preciso mudar o foco. Haverá erros em todos os jogos.

- Muricy marcou atrás da linha da bola, sacrificou Zé Luís para a segunda partida para anular Valdívia e conseguiu deixar Adriano e Dagoberto livres no mano-a-mano.

- Alex Silva jogou 60 minutos, não apareceu, mas sua volta foi fundamental para acertar o posicionamento da defesa. Com André Dias na sobra, a chance de erros é bem menor.

- O São Paulo entrou muito mais ligado. Ganhou quase todas as divididas. Com isso, equilibrou um duelo que pendia para o lado alviverde.

Chaves do próximo jogo:

- Zé Luís e Richarlyson farão mais falta que Pierre - e Zé Luís mais que Richarlyson. Fábio Santos deve voltar, mesmo a contragosto.

- O Palmeiras precisa jogar mais pelos lados. Como resolver isso, já que os alas são-paulinos ficaram (e devem continuar) plantados, é problema para Luxemburgo.

- Ou Diego Souza aparece para o jogo, ou fica no banco. Jogar com um a menos não dá.

- Muricy deve armar a equipe da mesma maneira. Fechado, em um campo menor, o São Paulo tem ótimas chances de um novo triunfo.

- A entrada de Martinez melhorou o time. Mas seria suicídio jogar sem alguém à frente da zaga para frear os contra-ataques são-paulinos.

terça-feira, 8 de abril de 2008

As semifinais do Paulista


Não surpreende a classificação de Guará e Ponte para as semifinais do Campeonato Paulista. Não digo isso pelas campanhas, claramente merecedoras, mas pelo que é sempre esperado por torcedores e boa parte da imprens: a classificação dos quatro grandes.

De fato, há oito anos os quatro não se classificam para as semifinais. A última vez foi em 2000, quando Santos e São Paulo decidiram o campeonato após eliminarem, respectivamente, Palmeiras e Corinthians (o São Paulo foi campeão). Um ano antes, curiosamente, a final foi exatamente contrária: o Corinthians venceu o Palmeiras, após eliminarem São Paulo e Santos.

Ainda na década de 90, em 98 a Portuguesa tirou o Santos da semi para ser garfada por Castrilli. De 90 a 97, não houve semifinais em mata-mata.

Já na década atual, sem considerar os anos de 2002, em que os grandes disputaram a Liga Rio-São Paulo, e 2005 e 2006, quando o Paulistão foi disputado por pontos corridos, as outras três edições também apresentaram azarões na semifinal.

Em 2001, a situação foi idêntica a deste ano: uma semifinal entre grandes e outra entre pequenos. Curioso que os grandes envolvidos eram exatamente os eliminados de hoje, Santos e Corinthians. A Ponte apareceu de novo, mas contra o Botafogo de Ribeirão.

Em 2003, a intrusa foi a Portuguesa Santista de Souza, Rico e Adriano, que perdeu na semi para o São Paulo. Só o Santos ficou de fora. E em 2004, na final caipira, Palmeiras e Santos foram eliminados por Paulista e São Caetano.

Confira quem ficou de fora nos últimos anos em que houve semifinal:

2008 - Corinthians e Santos
2007 - Corinthians e Palmeiras
2004 - Corinthians e São Paulo
2003 - Santos
2001 - Palmeiras e São Paulo
1998 - Santos

Corinthians e Santos ficaram de fora três vezes, São Paulo e Palmeiras duas.

domingo, 6 de abril de 2008

Colunas da semana

No Olheiros, sobre como Renato Gaúcho tem aproveitado a boa fase do Fluminense para lançar mais uma geração de Xerém.

Na Trivela, conheça a seleção das Ilhas Virgens Britânicas, com um futebol ainda muito inocente.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Chupa, Luqueño

Não sou são-paulino.

Tampouco é de meu feitio manifestações como esta.

Mas não posso aplaudir o anti-futebol e o anti-jogo, por mais que seja uma tática para vencer.