quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quem para o Manchester?

Cada era teve seu time na história da Copa Européia: o Real Madrid da década de 50, Benfica e Inter em 60, Ajax do início dos 70 - depois Bayern e Liverpool e o Milan do final dos anos 80.

Desde a introdução da Uefa Champions League em 1992/93, entretanto, nunca houve uma hegemonia. Houve sim o Real Madrid três vezes campeão em cinco anos, e a Juventus que venceu a final de 96 e perdeu as duas seguintes, mas desde o Milan de Gullit, Van Basten e Rijkaard, não temos um bicampeão.

De fato, um mesmo time não chegava a duas decisões seguidas desde que o Valencia foi bi-vice em 2000 e 2001. E o último campeão a chegar novamente à decisão foi, como dito, a Juve.

O feito do Manchester ganha importância quando fica claro o domínio inglês, que desde 2004/05 coloca todos os anos um time na decisão. Caso o Chelsea se classifique hoje, será a primeira final repetida em anos seguidos da história e a segunda somente entre ingleses, enquanto espanhóis e italianos monopolizaram a disputa uma vez cada. Significará, também, que a Inglaterra será a maior vencedora do torneio, já que hoje possui as mesmas onze conquistas que os clubes da Espanha e da Itália.

Minha aposta para esta tarde, entretanto, é no Barcelona. E em uma decisão com dois times tão espetaculares, qualquer palpite é suicídio.

Mas vale o registro.

Confira até onde foram os campeões da UCL na temporada seguinte ao título e compare com o desempenho do Manchester:

1996/97 - Juventus - Vice
1997/98 - Borussia Dortmund - Semifinal
1998/99 - Real Madrid - Quartas
1999/00 - Manchester United - Quartas
2000/01 - Real Madrid - Semifinal
2001/02 - Bayern Munique - Quartas
2002/03 - Real Madrid - Semifinal
2003/04 - Milan - Quartas
2004/05 - Porto - Oitavas
2005/06 - Liverpool - Oitavas
2006/07 - Barcelona - Oitavas
2007/08 - Milan - Oitavas
2008/09 - Manchester United - Finalista

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O início, o meio, o fim


Vivemos a semana mais interessante do futebol nacional. A semana que parece perdida por começar com o ápice dos estaduais e terminar com uma desinteressante primeira rodada do Brasileiro. Chuto agora uma bola lindamente levantada pelo amigo André Rocha em seu blog semanas atrás: na bagunçada organização dos clubes brasileiros, o que é menos importante torna-se mais importante do que o que é mais importante. Soa confuso? Tente entender as justificativas dos dirigentes.

No dia primeiro de janeiro, pergunte a torcedores dos vinte clubes da Série A o que eles preferem: o título estadual ou a vaga na Libertadores? A maioria dará preferência ao torneio continental. Mesma coisa com os da Segundona: quase todos sonham com o acesso e desdenham do regional.

Mas eis que vêm os tropeços ante os pequenos, os duelos contra desconhecidos na Copa do Brasil e os torneios antes prioritários são menosprezados, já que o que vale é o bom momento no Estadual, onde a chance do título é latente. Ao priorizar o antes de menor prioridade, os clubes se confundem, tropeçam e dão adeus aos dois ao mesmo tempo. São os casos, por exemplo, de Santos e Botafogo.

E os que vencem seguem firme para o restante do ano, certo? Bem, nem sempre. Pergunte aos flamenguistas quantos deles abririam mão do Carioca de 2008 em nome da classificação na Libertadores.

E é bom lembrar que a última vez que o campeão estadual foi também nacional foi com o supercampeão Cruzeiro de 2003. E quando se vai mal, a desculpa é que o planejamento não foi adequado, porque o Estadual não serve de parâmetro.

Uma verdadeira bola de neve.

Cujo fim nos remete ao início (ou seria o meio?) da nossa idéia: enquanto para alguns clubes o ano já acabou, para outros está no meio e outros está apenas começando - ou a torcida do Galo quer lembrar do Mineiro'09?

E a impressão que se tem é que, no final das contas, o campeonato que valeu mais no ano é aquele que não vale mais nada, que já passou, que serve apenas de balão de ensaio para o restante da temporada. Cuja abolição muitos - inclusive este que vos bloga - pedem.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Série BBB


A Série B do Campeonato Brasileiro já deixou de ser considerada o fundo do poço para os grandes clubes brasileiros. A prova disso é que times tradicionais como Fluminense e Vitória já chegaram até à Terceirona e deram a volta por cima. Com a mudança de regulamento e a introdução dos pontos corridos, a ausência de um grande na Série B virou exceção, e não mais regra.

Por tudo isso, a segunda divisão nacional atrai mais e mais atenção, a ponto de ter-se criado até uma Série D, já que times tradicionais ficaram presos na obscura terceira divisão. Com transmissão pela TV de todos os jogos, times equilibrados e tradicionais, a Série B transformou-se, na verdade, em Série BBB - boa, bonita e (ainda) barata. Com o rompimento com a FBA e a volta da competição às mãos da CBF, a briga é por mais dinheiro no bolso dos clubes.

Assumo, a partir de hoje, uma coluna semanal específica sobre a Série B na Trivela. Na estreia, a primeira parte do guia do campeonato, com a apresentação de dez equipes que brigam pelo acesso - quem chegou e quem saiu, chances de subir e como foi a preparação.

Fica o convite aos amigos para acessarem e acompanharem.

sábado, 25 de abril de 2009

Para servir de lição*


*Publicado originalmente no Olheiros.

Os meninos de Lucho Nizzo aprenderam, da pior forma, umas das primeiras lições do futebol: não se ganha jogo na véspera. Por mais precipitado que possa parecer uma crítica apenas depois da primeira derrota, é num momento como este que observações mais profundas podem e devem ser feitas, afinal o brilho da vitória cega um pouco a visão para as arestas a serem aparadas.

Percebe-se claramente, neste Sulamericano, que o Brasil é, de longe, a melhor seleção. Possui os melhores talentos individuais – mais no ataque que na defesa, é verdade – e mais nomes de possível destaque no futuro do que muitas das outras seleções combinadas. Entretanto, por mais natural que seja qualquer tropeço de um time favorito, especialmente contra uma forte seleção colombiana, o revés brasileiro da última quinta serve para exemplificar muitas situações que acontecem corriqueiramente na base nacional. 

A primeira delas é a supervalorização imediata do craque. É costume dizer que os campeonatos de base possuem um nome de destaque antes da competição e outro depois, já que normalmente o atleta que gera mais expectativa não corresponde. Já tem sido assim com Philippe Coutinho, criticado aqui e ali por sua deficiência nas finalizações e preciosismo nos dribles. O prodígio vascaíno (é bom que se lembre, já negociado com a Internazionale) tem, sim, pontos a serem aprimorados, mas quem não os tem nessa idade? 

É fato que, em muitos casos, quando olhamos para trás em seleções brasileiras de base, grandes nomes da época não vingaram tanto quanto outros, haja visto Adriano, Geovanni e Bismarck, por exemplo – os dois últimos então jogadores do Vasco, aliás. Mas é muito arriscado imputar a estes meninos responsabilidades comuns a profissionais, como disciplina tática feroz ou a concentração total durante os noventa minutos. São coisas que vêm com o tempo, e Nizzo tem demonstrado saber trabalhar com estas variáveis. 

Apesar dessas ponderações, é inegável que a produtividade brasileira vem caindo da estreia até aqui. Pelo pouco que se conhecia da seleção paraguaia, a goleada inicial ficou fora de contexto, assoberbada por ter acontecido contra um rival de peso do continente. Mas bastaram as rodadas subsequentes para mostrar que o Paraguai, apesar da vitória sobre o surpreendente Peru, é talvez o time mais fraco da chave. 

Contra os peruanos, aliás, os brasileiros já não começaram tão ligados quanto no primeiro jogo, e sofreram um bocado, especialmente com Arroe, que já havia mostrado sua qualidade no Sulamericano Sub-15 de 2007. A vitória só veio após a expulsão de Centeno. Na partida desta quarta, ficou evidente a desatenção da equipe, que marcou mal no lance do primeiro gol e, com o passar do tempo, lançou-se desesperadamente ao ataque, sofrendo o segundo pelos méritos do ótimo Cuero. 

Ficam claras, também, as deficiências de posicionamento de Sidimar, que, amarelado, foi deslocado para a lateral-direita na etapa complementar. Para quem viu seu desempenho na Copa São Paulo deste ano, quando o Atlético-MG foi eliminado ainda na primeira fase, fica difícil entender não só sua escalação como titular, mas também sua própria convocação. Elivélton, peça-chave no esquema de Nizzo por segurar mais o lado direito enquanto Wellington avança, também tem demonstrado um pouco de incerteza. 

O Brasil estará no Mundial da Nigéria. Muito provavelmente, acabará até sendo campeão continental – nos últimos dois Sub-20, enfrentou dificuldades maiores e saiu vencedor. Erros como os que foram cometidos na quarta são comuns para uma garotada cheia de vontade de aparecer e com muito futebol para mostrar, mas é bom que a pedra se apresente no caminho agora, quando ainda é possível corrigir, do que depois, em pleno Mundial, como aconteceu em 2007 com as duas seleções. Faz bem para a torcida, que pode sonhar com uma campanha à altura do Brasil, e bem para os próprios garotos, que ficarão mais próximos de desenvolver suas carreiras da forma que o futebol que eles possuem, hoje, promete.

sábado, 18 de abril de 2009

Venceu e convenceu


Quais os três atributos principais de um time vencedor? Velocidade, marcação e habilidade? O Brasil de Lucho Nizzo teve estas e muitas outras qualidades na estreia no Sulamericano Sub-17 em Iquique, no Chile. Com uma atuação que beirou a perfeição no primeiro tempo, Philippe Coutinho & Cia. golearam o Paraguai por 4 a 0 e mostraram por que são, de longe, os principais candidatos ao título do campeonato e, desde já, ao troféu do Mundial da Nigéria.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Textos da semana

Pedindo perdão pelas seguidas e demoradas ausências, deixo as indicações de textos da semana.

No Olheiros, a aposta de Louis Van Gaal em jovens talentos é recompensada com a iminente conquista do Campeonato Holandês pelo AZ Alkmaar. Leia >>

Na Trivela, a coluna Futebol Alpino traz o drama do FC Sion, repleto de jogadores titulares em suas seleções, mas que não consegue formar um time decente e se vê ameaçado pelo rebaixamento. Leia >>

E no Febre Mundialista, um review da última rodada das Eliminatórias para a Copa de 2010 em todos os continentes. Leia >>

Abraços e boa leitura!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dilema de Tostines


Luís Fabiano é o artilheiro da seleção brasileira nas Eliminatórias. Dos 19 gols, marcou seis, em oito jogos. Números sólidos, que o garantem na Copa de 2010, seguindo o critério de Dunga - se é que ele o tem.

O 4-2-3-1 é talvez o sistema da moda hoje, e é assim que tem jogado o Brasil do contra-ataque. Os resultados vêm contra equipes que atacam e enfrentam - foi assim contra Chile e Venezuela fora de casa, Portugal e Itália nos amistosos. A retranca peruana só não funcionou porque o time é, de fato, muito fraco.

Acontece que são poucos os loucos que atacam o Brasil. Portugal e Itália, mesmo, nunca o fariam num jogo de Copa. Talvez só a Argentina encare de igual para igual a seleção, não importa quão bem ela esteja.

Por tudo isso, cabe a pergunta: será que este é o melhor esquema para se jogar? Quando os adversários se fecham, é melhor ter apenas uma referência na área e um mico de circo do lado esquerdo ou dois atacantes brigadores, que enfrentam a zaga, se movimentam e criam espaços?

Por tudo o que Pato tem feito e Robinho não tem, caberia estudar uma mudança.

Porque o dilema que paira sobre Luís Fabiano é: ele é o atacante titular da seleção porque faz os gols ou faz os gols porque é o ÚNICO atacante da seleção?

Botero, da Bolívia, é o artilheiro.

Talvez esteja aí uma pista.

terça-feira, 31 de março de 2009

Tudo sobre as Eliminatórias


Acompanhar os resultados de Brasil e Argentina nas Eliminatórias é fácil, mas como saber quais as zebras nos continentes asiático e africano? E quais os desfalques de El Salvador para a partida contra os Estados Unidos?

No
Febre Mundialista, todas as informações, resultados, classificações atualizadas e próximos jogos das eliminatórias para a Copa de 2010, além da história das Copas, grandes craques e muito mais.

A África é logo ali, a um clique de distância.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Quebrando a cuca

O principal problema de Cuca no Flamengo é que ele parece ter acabado com a única solução do time: a eficientíssima jogada pelas laterais, com Léo Moura e Juan. Em que pese a contusão do lateral-esquerdo, que sete das 13 partidas sem jogar, o desempenho dos dois é infinitamente inferior em relação a 2008 - quando ambos foram até convocados para a seleção, ainda que em momentos diferentes.

Ao fazer suas famosas experimentações, Cuca decidiu por lançar Leo Moura no meio, apostando em sua habilidade. Era a verticalidade, entretanto, sua principal característica, que não pode ser explorada na profusão de homens que existe no meio-campo. Com Éverton Silva na ala direita, ele mata a jogada ofensiva, claramente o ponto fraco do lateral. Além disso, Juan tem ficado sobrecarregado nas jogadas abertas e acaba errando mais passes ou afunilando, o que justifica a cobrança da torcida.

Desde 2007, quando Joel começou a fazer a dupla funcionar, o Flamengo nunca teve um centro-avante titular, o homem-gol definitivo. Basta ver que em 2008 o artilheiro do time foi Marcinho, com 17 gols - e ele saiu em julho, na 11ª rodada do Brasileiro. Agora, Cuca até flerta com a linha de quatro, como fez no clássico de domingo. Assim, Ronaldo Angelim perde o fator surpresa quando aparecia no ataque. Ou seja: um time totalmente desequilibrado.

Após os erros recentes, Cuca ficou taxado de treinador que sabe montar elencos. Se cair tão cedo na Gávea, pode ser que ninguém queira contar com ele durante o resto do ano. Se não quebrar a cabeça agora e fazer o Flamengo voltar a jogar, poderá ter muito tempo livre para pensar no que quiser por um bom tempo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Dez foguetes molhados do Vasco

A confirmação é uma das fases mais difíceis da vida. Garantem os médicos que os três primeiros três meses de gestação são os mais complicados e, passado este período, a gravidez é tranquila. Da mesma forma, o desafio de qualquer nova banda não é estourar um hit, mas continuar fazendo sucesso depois do primeiro álbum. No futebol, então, a cobrança pela afirmação acontece diariamente, a cada treinamento e em todos os jogos.

Novos garotos surgem todos os dias no Brasil, o Eldorado na formação de pé-de-obra. É impossível, entretanto, que o futebol profissional absorva toda essa demanda, ano após ano. Afinal, mais jovens deixam a base do que veteranos se aposentam. Por causa disso, não só aqueles que não se destacam na base perdem espaço. Muitos prodígios, devido às mais diversas razões, acabam por não confirmar no profissional o que prometiam na base.

Apresentar os maiores foguetes molhados dos grandes clubes brasileiros na última década serve, então, para mostrar que não só futebol exige uma constante confirmação de capacidade, como também o surgimento em um grande clube não dá garantias de que a carreira irá se desenvolver.

Começamos nossa série de especiais com o Vasco, poderoso revelador de talentos no início da década de 90, mas que nos últimos anos tem ficado no posto de coadjuvante, assistindo às conquistas estaduais seguidas de Fluminense e Flamengo. Forte no sub-15 e sub-17, o Gigante da Colina parece pecar em algum momento na transição do sub-20 para o profissional, tendo lançado nos últimos anos poucos nomes que efetivamente deram certo.

Confira, no Olheiros, as dez maiores promessas vascaínas que não se concretizaram de 1995 pra cá. >>

quarta-feira, 11 de março de 2009

Liga dos Campeões...da Inglaterra?


Não é novidade para ninguém a hegemonia dos clubes ingleses no futebol europeu e, por tabela, mundial. Se na virada do milênio quem dominavam eram os espanhóis - no caso, o Real Madrid -, que tiveram até final doméstica (Real 3x0 Valência, em 2000), e se a Itália teve um período dourado entre 85 e 96, com cinco títulos em dois anos, a impressão que se tem é que os ingleses conquistarão o terceiro troféu em cinco temporadas - e se tornarão o país com mais triunfos da história da Liga dos Campeões.

Desde 2004-05, a Inglaterra tem um representante na decisão. No ano passado, fez apenas a terceira final doméstica da história da UCL. E agora, assim como fez en 2007/08, coloca seus quatro representantes nas quartas-de-final - em 2006/07 foram três, pois o Arsenal caiu nas oitavas ante o PSV.

Não dá para colocar apenas o poder econômico como responsável pela hegemonia. O Real Madrid tem muito mais dinheiro e gasta bem mais que os concorrentes, mas não consegue montar times decentes e parou pelo QUINTO ano consecutivo nas oitavas.

Os times ingleses desenvolveram um jogo compacto, altamente competitivo e envolvente. Nada de chuveirinho ou passes laterais. O que vale é a movimentação, MUITA velocidade, entrega e a disciplina tática.

O preço que se paga é o fato de o Liverpool ter apresentado em campo mais espanhóis que o próprio Real Madrid. Enquanto isso, a seleção nacional não chega a uma semifinal de uma Euro desde 1996, quando foi sede, e de uma Copa desde 1990. Mas se tivermos novamente três ingleses entre os quatro semifinalistas, parece ter valido a pena.

Desempenho na UCL por país

Itália - 11 títulos / 14 vices
Espanha - 11 títulos / 9 vices
Inglaterra - 11 títulos / 5 vices
Alemanha - 6 títulos / 7 vices
Holanda - 6 títulos / 2 vices
Portugal - 4 títulos / 5 vices
França - 1 título / 5 vices

sábado, 7 de março de 2009

Vou, não vou*

*Publicado originalmente no Olheiros.

É difícil afirmar precisamente, mas neste sábado três jogadores brasileiros deverão ser negociados com o futebol internacional. Parece pouco? Esta é a média diária de transferências para fora do país. O número não surpreende, mas se dissermos que em 2008 foram 1.176 negociações para o exterior, os três por dia já não parecem tão pouco assim – na teoria, dá para formar 106 equipes completas e ainda sobra um time com um a menos.

E quem ainda não se convenceu da vocação exportadora de pé-de-obra adquirida pelo Brasil nos últimos anos, basta lembrar que, em 2006, foram negociados 851 atletas. O boom aconteceu em 2007, com 1085 transações – um aumento de 27,5%. São muitos números, cuja frieza muitas vezes não nos permite analisar as circunstâncias deste fenômeno. 

Mais difícil de afirmar, ainda, é qual o percentual de garotos, ou ainda de jogadores de no máximo 21, 22 anos, incutido nessas centenas de transferências – seria necessário analisar ficha por ficha no emaranhado site de registros da CBF. Fato é que se pudesse chutar, diria sem medo que perto de metade deste número envolveu jovens atletas que despontaram – ou não – nos gramados brasilis. 

Não são novidade os fatores que fizeram a procura aumentar: novos mercados com grana para contratar, clubes enfraquecidos sem recursos para bancar a permanência dos astros (e coadjuvantes, ou até mesmo reservas) e, principalmente, o vislumbramento com propostas do exterior, oriundo quase sempre da falta de conhecimento dos garotos sobre a realidade da vida longe de casa. O fato é que o menino de oito anos já joga pelada na rua com camisa do Ronaldo que não é o gaúcho ou o carioca, mas o português. 

Fruto da globalização? Sem dúvida. Mas é nestas horas que entra o papel fundamental do técnico, o “professor”, o exemplo que o garoto não tem em casa e que deve ajudá-lo a discernir realidade de utopia. O problema é que o mais comum é que os próprios treinadores aconselhem os meninos a buscarem sempre a transferência para o exterior, não importa para onde, sob quais condições ou por quanto tempo – só importa o valor. O motivo é claro: os “professores” são, muitas vezes, procuradores, empresários ou donos de parte dos “direitos federativos” de pré-adolescentes em idade de formação de personalidade e caráter. 

Para piorar, o jogador que começa a perceber um pouco de sucesso que seja já projeta a independência financeira que sempre prometeu aos pais ou a si mesmo – a vitória na vida através da bola. Tal vitória vem traduzida em dólares, petrodólares, euros, rublos ou ienes. O idioma local não importa, afinal a linguagem do dinheiro é universal. 

Até por isso, é louvável quando se vê um jovem como Keirrison, excelente jogador, de potencial absurdo e uma aposta quase certa para o futuro em um meio onde se é preciso provar seu valor a cada dia. K9 já declarou mais de uma vez que não tem vontade alguma de deixar o futebol brasileiro tão cedo. Propostas do Leste Europeu e do Oriente Médio já chegaram, mas não o seduziram. Um futebolista consciente e estudado, que sabe cuidar de sua própria carreira, é ainda, infelizmente, uma exceção. 

São muitos os exemplos dos garotos que arrumaram as malas no momento errado. E o destino nem precisa ser Moscou ou Dubai. Basta ver a sequencia das carreiras de Carlos Alberto e Roger, frutos do Fluminense, desde quando foram para Portugal e voltaram. O problema aí pode até ser mais o perfil do próprio jogador dentro de campo, inclusive, do que a hora em que a transferência se concretizou. Mas mesmo assim, não custa imaginar como poderia ter sido se, desde cedo, tivesse recebido orientação decente. 

E a idade já não é limite, pois vemos hoje garotos de quinze, dezesseis anos – ou até nove, como foi o caso de Caio na Roma – delineando suas carreiras bem longe. A questão, aqui, não é como impedir os clubes de fora de tirarem os jogadores cedo demais do Brasil. É, na verdade, como podemos convencê-los de que fiquem por aqui, joguem um pouco mais por estas bandas, se valorizem e aí sim sigam outros rumos. 

Com um assédio tão grande, condições tão ruins em nossos clubes e falta de ídolos no futebol local, atingir este objetivo parece mais difícil que a conta proposta no início da coluna. Por tudo isso, é muito importante saber escolher a hora certa de ir, para não acabar voltando logo em seguida, com saudade do arroz e feijão ou das temperaturas mais amenas. 

Bye, bye, Brasil 

Confira o número de transferências realizadas para o exterior nos últimos anos: 

2008 – 1176 
2007 – 1085 
2006 – 851 
2005 – 804 
2004 – 857 
2003 – 858 

Fonte: site oficial da CBF

domingo, 1 de março de 2009

Textos da semana

Convido os amigos a conferirem os textos publicados nesta semana por este que vos bloga:

No Olheiros, saiba quem está por trás da surpreendente campanha do FC Twente, vice-líder do campeonato holandês.

Na coluna Futebol Alpino da Trivela, os clássicos nacionais agitaram o reinício dos campeonatos suíço e austríaco.

E no Febre Mundialista, a segunda parte da história da Copa de 1958, com a consagração do Brasil e o nascimento de um mito.

Uma boa semana a todos!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Porto seguro*

* Publicado originalmente no Olheiros.

Basta uma rápida olhada pela tábua de classificação do campeonato italiano que logo alguma coisa não parece no lugar. Inter, Juventus e Milan brigam pela ponta, mas há um intruso se metendo na briga pela vaga remanescente na Liga dos Campeões 2009/10. Trata-se do Genoa, um dos clubes mais tradicionais do país, campeão de seis das sete primeiras edições da Serie A, mas que viveu recentemente o inferno da terceira divisão e tenta, aos poucos, ressurgir das cinzas.

Para isso, conta indubitavelmente com os gols do argentino Diego Milito, que voltou no início da temporada após três anos no Zaragoza e rapidamente foi elevado ao posto de semi-deus na metade rossoblú da capital da Ligúria. Não é à toa: em 20 jogos, marcou 16 vezes e é o vice-artilheiro do campeonato. Seus gols ajudaram a alcançar resultados impressionantes, como as vitórias sobre Milan e Roma no Luigi Ferraris – marcou um nos milaneses e dois nos romanos.

Entretanto, não é só de Milito que se faz uma boa campanha no Calcio. O Genoa apresenta uma característica interessante, se analisarmos com mais atenção: é um time cheio de eternas promessas – e isto não é ruim. O clube tem aproveitado jogadores talentosos, que despontaram em outras equipes, mas que acabaram não atendendo às expectativas e buscam um recomeço ou mesmo o reconhecimento definitivo longe da pressão das grandes camisas.

Até mesmo o goleiro brasileiro Rubinho concorda com a tese. “O Genoa tem por tradição pegar jogadores que não estão jogando nas equipes maiores, como o Palladino, que não jogava na Juventus, e o Borriello no ano passado. Eram promessas de times grandes que fizeram a escolha de vir para cá sabendo que aqui teriam mais sucesso. O segredo do nosso time é que esses jogadores vieram para cá com a humildade de trabalhar como jogador de time pequeno para voltar aos grandes”, afirmou em entrevista recente concedida ao amigo Rafael Reis, ex-colunista do Olheiros e repórter da Folha Online.

Foi assim com Matteo Ferrari, zagueiro descoberto pela Internazionale no SPAL 1907, hoje um clube semi-amador. Como de praxe nos grandes italianos, rodou de empréstimo em empréstimo (passando inclusive pelo próprio Genoa) dos 18 aos 21 anos, até que se firmou no Parma e foi contratado. Em 2004, foi comprado pela Roma e ganhou a medalha de bronze na Olimpíada de Atenas, como um dos três jogadores acima de 23 anos. Mas o desempenho abaixo do esperado obrigou-o a ser emprestado de novo, desta vez para o Everton.

Chegando a Gênova, entretanto, logo firmou-se na zaga, jogando a maioria das vezes no centro da linha de três defensores proposta por Gian Piero Gasperini. O esquema tático pouco usual para os padrões italianos e o desempenho de Ferrari e seus companheiros são outra explicação para o sucesso do clube na temporada: apesar dos 3 a 0 sofridos para a Roma no último domingo, os grifoni têm ainda a segunda melhor defesa do campeonato, com 20 gols tomados em 23 partidas.

O belga Vanden Borre é outro exemplo de aposta que tem dado certo. Após aparecer muito bem pelo Anderlecht, fazendo sua estréia pela seleção aos 17 anos, chegou à Fiorentina para o campeonato 2007/08 mas teve poucas chances, atuando apenas quatro vezes. Envolvido numa troca com Papa Waigo, foi comprado em definitivo pelo Genoa para esta temporada e tem tido atuações bastante satisfatórias pela ala direita, posição fundamental para o sucesso do esquema tático de Gasperini, a ponto de voltar a ser convocado para a seleção.

Na outra ala, Domenico Criscito, emprestado pela Juventus, também tem atuado bem. Outro jogador cedido pela Vecchia Signora que tem demonstrado bons sinais de recuperação é o uruguaio Ruben Olivera, que despontou como um furacão pelo Danúbio e nada produziu nas poucas chances que teve com Fabio Capello – em sua opinião, porque jogava pelos lados, deslocado de sua posição original, mais no centro. Após passagens frustradas por Atlético de Madrid e Sampdoria e até uma volta ao futebol uruguaio, para defender o decadente Peñarol, chegou ao Genoa querendo mostrar serviço, e ainda que não seja titular, tem conseguido emplacar uma sequencia maior de jogos.

E certamente nenhum torcedor genovês torcerá os lábios se tiver seu time chamado de “filial da Juve”. Afinal, outros dois jogadores fundamentais têm sua história ligada ao clube de Turim. Raffaele Palladino e Giuseppe Sculli tiveram trajetórias bastante parecidas: despontaram em clubes pequenos, foram contratados mas não tiveram muito espaço para mostrar seu valor. Sculli, que passou por todas as divisões de base italianas, perambulou por diversas equipes menores até se firmar como companheiro de Milito no ataque rossoblu, tendo feito seis gols até aqui.

Palladino, por sua vez, criou enormes expectativas graças a suas performances em Viareggio e no Primavera, quando marcou 41 vezes em 61 jogos. Emprestado à Sarlenitana, foi chamado de volta para a disputa da Série B, e teve boas chances com Didier Deschamps de mostrar seu valor, marcando duas vezes na estréia e alcançando um hat-trick ante a Triestina. A concorrência desleal no ataque com Del Piero, Iaquinta e Trezeguet forçou-o a se adaptar à função de winger pela esquerda, e apesar de ser destro, tem desempenhado o papel muito bem, fechando no meio para remates precisos.

Por pouco Palladino não voltou a Turim já em janeiro, mas a transferência de Iaquinta para o Zenit não se concretizou. “Poderia ter voltado, mas me sinto feliz aqui. Não inteiramente feliz, afinal acho que ainda tenho muito a mostrar até o final da temporada”, afirmou logo após o fechamento da janela. Sinal de que o Luigi Ferraris pode não ser a parada final para estas quase-eternas-promessas, mas é certamente um porto seguro para que elas se recuperem e sigam seu rumo. Foi assim com Borrielo na temporada passada. É assim também este ano com Thiago Motta, ex-Barça. Bom para os jogadores, melhor para o clube.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Idéias para o calendário do futebol brasileiro


Em épocas de Estaduais, pré-temporadas curtas e início de Libertadores e Copa do Brasil, o mesmo assunto sempre vem à tona: o inadequado calendário do futebol brasileiro. O assunto não é novo nem mesmo neste blog, mas se depois de trinta anos os pontos corridos finalmente foram adotados, por que não discutir o tema à exaustão até que se chegue a um consenso?

A proposta é simples: o calendário brasileiro deve ser adequado ao europeu. Mas como conseguir incutir na cabeça do torcedor as temporadas que começam em um ano e terminam em outro? A idéia seria readequar as competições.

Primeiro ponto: os Estaduais precisam acabar. Rivalidades regionais existem e são centenárias, e não deixarão de as ser com o fim desses campeonatos, que convenhamos, só existem no Brasil e não fazem mais o menor sentido. Será possível que com isso os clubes pequenos acabem? Esta é uma regra do próprio sistema que rege o futebol, capitalista como é - quantos clubes grandes, como Santa Cruz, Guarani e Bahia, já não foram ultrapassados por outros de menor tradição, mas maior aporte financeiro e mais bem estruturados? O protecionismo não pode ser conivente com a incompetência.

Assim, com o fim dos estaduais, o Brasileirão poderia começar em fevereiro, deixando janeiro para a pré-temporada. Um campeonato bem estruturado em quatro divisões pode comportar os times pequenos que atualmente só disputam os regionais e mantê-los ativos por todo um semestre - que é o que acontece com a maioria atualmente.

Três divisões nacionais com 20 times, como acontece atualmente, e mais uma quarta divisão nos moldes europeus: regionalizadas na primeira fase, que pode durar um semestre e envolver dezenas de clubes, classificando os melhores para a fase nacional no segundo semestre, com 20 ou 40 clubes, classificando 4 para a Terceirona do ano seguinte. Assim, os pequenos continuariam existindo.

Por fim, Libertadores e Copa do Brasil são competições completamente distintas. Não é justo que uma equipe que dispute uma, não participe de outra. Nesse caso, os grandes europeus jamais disputariam suas copas nacionais - este sim o local adequado para os pequenos receberem os grandes.

A idéia é separar: Copa do Brasil em um semestre, competições internacionais em outra. Libertadores e Sul-Americana disputadas juntas podem permitir o mesmo que UCL e Copa Uefa: os terceiros colocados ainda têm chance de serem campeões de um torneio menor. Obviamente, neste caso seria necessária uma adequação de todo o calendário sul-americano - e para a Conmebol não é interessante ter as mesmas competições, por envolver contratos de patrocínio e exposição na mídia. Sem contar que clubes como Boca e River têm vaga vitalícia na Sul-Americana - procedimento que precisa ser abolido. Quem joga uma, não joga outra.

Enfim: campeonatos de fevereiro a novembro, férias em dezembro, pré-temporada em janeiro. Dá até para abrir 15 dias de descanso em julho.

Não é difícil, nem complicado de se chegar a essa fórmula.

Basta querer.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Novo Villa, grande de novo

Pouca gente pode se lembrar hoje em dia, com o crescimento de clubes como o Chelsea, mas o Aston Villa foi o primeiro grande inglês: um dos fundadores da FA, cinco de seus setes títulos nacionais foram conquistados antes de 1900. Contudo, desde o título de 81, conduzido por Peter White e seus 20 gols, o Villa não fazia uma campanha tão empolgante – e parece disposto a fazer história novamente.

Foram duros anos sob o comando de John Gregory, Graham Taylor e David O'Leary, com sucessivas campanhas contra o rebaixamento. Mas a chegada do milionário Randy Lerner e a injeção de alguns milhões fez os Villans, comandados por Martin O'Neill, renascerem.

Bicampeão europeu com o Nottingham Forest como jogador e tri escocês com o Celtic nos últimos anos, O’Neill reformulou a equipe com uma receita conhecida: mesclar jovens e experientes. Mas os ingredientes selecionados têm formado um prato cheio para os olhos: um futebol leve, rápido e dono do quarto melhor ataque da Premier League.

Jogadores como Ashley Young, John Carew, James Milner e Stilian Petrov se adequaram à nova filosofia da equipe, que conseguiu manter-se fiel às suas origens graças à por demais comemorada permanência de Gareth Barry, capitão e ídolo local. O 4-4-2 do início do campeonato sofreu três derrotas e foi substituído por um interessantíssimo 4-3-2-1, invicto há onze rodadas e com sete vitórias nas últimas oito partidas.

A defesa melhorou e sofreu apenas dois gols nos últimos quatro jogos. Luke Young saiu da lateral-direita para a esquerda e Laursen passou a revezar com Knight no miolo, garantindo uma zaga menos cansada. A entrada de Cuellar na lateral-direita garantiu também um maior poder de marcação.

Recuando Petrov e Barry da linha de 4, O’Neill lançou Steve Sidwell (ex-Chelsea) e formou uma pouco usual linha de três no meio-campo, protegendo melhor a zaga e liberando Millner e Ashley Young para o apoio. Young, antes, via-se preso a funções mais defensivas, mas com a mudança passou a render muito mais: no antigo esquema, deu uma assistência; agora, já anotou mais quatro passes para gol e três gols, dois deles na vitória sobre o Everton por 3 a 2. Eleito em dezembro o melhor jogador da liga, é fundamental na dobradinha que vem garantindo os resultados.

Dobradinha completada por Gabriel Agbonlahor, rápido atacante de 23 anos que marcou nove gols até agora e recebeu convocações de Fábio Capello nos últimos amistosos. Com a contusão de Carew, Gabby abandonou de vez a antiga função de right-winger para se transformar em um CF poderoso, oportunista e “terrível de ser marcado”, como afirmou John Terry.

Terá agora a companhia de Emile Heskey, recém-contratado a pedido de O’Neill, grande fã do jogador. Na vitória sobre o Portsmouth, na última rodada, Heskey estreou e o time voltou ao 4-4-2. A nova dupla funcionou perfeitamente bem: Agbonlahor dividiu de cabeça e a bola sobrou para Heskey marcar o gol vencedor. Se o esquema mudará de novo – e se isso continuará funcionando –, há ainda mais quinze rodadas para saber. O Villa ainda recebe o Chelsea e visita Liverpool e Manchester United. Se conseguir bater seus adversários, poderá tentar repetir seu último grande feito – a Copa Européia de 1982 – e voltar a ser grande.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

S.O.S. - Salvem o Servette

Publicado originalmente na coluna Futebol Alpino, da Trivela.

O garotinho ao lado só conhece as conquistas de seu clube através de fotos, vídeos e pelas histórias de seu pai ou avô. O Servette FC, uma das maiores e mais tradicionais equipes do futebol suíço, passa pela mais grave crise de sua história centenária. Segundo maior vencedor da Super League com 17 títulos, os grenás chegaram ao fundo do poço: lutando contra o rebaixamento na segunda divisão suíça, começam a se afundar novamente em dívidas e podem ter de fechar as portas definitivamente.

O clube já vinha mal das pernas desde a última conquista nacional, na temporada 1998/99. A bancarrota veio com o francês Marc Roger, que em um ano de administração, entre 2004 e 2005, acumulou uma dívida de 16 milhões de francos suíços – o equivalente, nos dias atuais, a R$ 33 milhões. Roger foi recentemente condenado a dois anos de prisão por crimes de fraude, falsificação de documentos e administração indevida do dinheiro do clube. Como já havia cumprido 22 meses de prisão preventiva, decretada após sua tumultuada saída de Chatelaine, acabou em liberdade.

Roger havia assumido o clube com uma dívida em torno de dez milhões de francos, remanescentes da construção do Stade de Genève, uma das sedes da Eurocopa. O orçamento inicial de construção da arena era de 68 milhões, e a obra seria financiada exclusivamente pelo setor privado, que lucraria com o centro comercial e o hotel localizados no complexo. Entretanto, o custo total ficou em 148 milhões, dos quais 43 milhões foram custeados por verbas públicas, principalmente do estado e da prefeitura de Genebra.

Sob o argumento de gerir profissionalmente o dinheiro do clube, o presidente fundou a AFI, empresa que ficaria responsável pela administração financeira do Servette e do estádio. A comunidade se envolveu e doou grandes quantias para salvar o clube da falência – somente Lorenzo Sanz, ex-presidente do Real Madrid, teria desembolsado três milhões de euros. Mas o dinheiro sumiu, a dívida só aumentou e, em 2005, a falência foi decretada e o time foi automaticamente rebaixado para a terceira divisão.

Oásis ou miragem?

Quando o clube faliu, havia tantos salários atrasados que alguns jogadores até tiveram de encerrar a carreira. Os credores era até mesmo ex-atletas, como o francês Christian Karembeu, que estava no Servette quando a crise estourou. Todos os profissionais foram para outros times e uma equipe formada pelas categorias de base, em sua maioria atletas sub-21, assumiu o nome e a estrutura existentes e conseguiu o acesso à segunda divisão.

Após duas temporadas em que foi possível baixar a poeira, com campanhas regulares e sem sustos, o fantasma volta a assustar os grenás: na metade do campeonato, o time venceu apenas três jogos em quinze e está em 14º lugar, a primeira posição fora da zona de rebaixamento. Pra piorar, os lanternas FC Locarno e FC Gossau têm um jogo a menos e tudo indica uma iminente queda na classificação após a realização da partida adiada pela neve.

A última tentativa de salvar o centenário clube deu-se em setembro, quando o empresário iraniano Majid Pishyar pagou quatro milhões de francos pelo controle majoritário, tornando-se presidente em substituição a Francisco Viñas, muito elogiado pelo gerenciamento de crise que foi feito. Diretor de uma holding de 32 empresas sediada em Dubai, com atividades em diversos setores, Pishyar não foi bem recebido pela imprensa e pela torcida, que vê no milionário um aproveitador que quer apenas ganhar dinheiro, e não salvar o clube.

Promessas de investimento pesado foram feitas: “vamos gastar o necessário para atingir nossos objetivos”, afirmou o iraniano quando assumiu, deixando claro que pretende voltar à primeira divisão e, dentro do possível, controlar as finanças – o que não é o suficiente para a comunidade de Genebra, que quer o fim do problema de uma vez por todas. Os habitantes, sempre muito ligados ao clube, têm deixado de acompanhar o time e nem mesmo o governo acena com a chance de ajuda financeira, já que no passado todos foram enganados.

Com isso, o novo estádio virou um elefante branco. Com capacidade para 30 mil torcedores, a média de público não passa dos dez mil. Até hoje, só ficou lotado nas três partidas da Euro que sediou. O centro comercial anexo é rentável, mas a administração o estádio é insolvente porque os custos de manutenção são maiores que as receitas. Só em 2008, o déficit foi estimado em 2 milhões de francos suíços. Para os dirigentes da Fundação que gere o Stade de Genève, a solução para a rentabilidade é ter o Servette na primeira divisão sempre com casa cheia, alguns jogos internacionais e ainda eventos culturais.

Entretanto, a crise financeira esbarra em um problema de planejamento estratégico: no desenho da construção, a arena não foi projetada para ser multiuso em seu interior e, portanto, não pode receber eventos de outros esportes ou até mesmo shows musicais com muita freqüência. Com isso, a dívida volta a aumentar. E sem receita para contratar, o retorno à elite fica mais distante. Pishyar tem dinheiro de sobra, mas não parece tão disposto assim a investir pesado em época de crise financeira internacional. Para piorar, sua experiência anterior não ajuda em nada: assumiu anos atrás o austríaco Admira Wacker, que em sua gestão faliu e foi rebaixado.

Para uma camisa que já foi envergada por Karl-Heinz Rummenigge e Sonny Anderson, entre outros, o destino parece cruel demais. Uma última alternativa seria voltar-se novamente às divisões de base, que deram conta do recado há pouco tempo e revelaram, nos últimos anos, nomes domo Senderos e Djourou. A rica cidade de Genebra queria um estádio moderno e um clube com ambições européias. Seis anos depois da inauguração do Estádio de Genebra, ela não tem uma coisa nem outra. Quem irá salvar o Servette?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Colunas da semana

Neste sábado, dois textos no Olheiros:

Entrevista com Leonardo Condé, técnico do Atlético-MG na Copa São Paulo, falando sobre o trabalho de base do Galinho, as expectativas para 2009 e sobre o que é mais importante: conquistar títulos ou revelar jogadores?
http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=947

Na coluna "Ponto futuro", a dura realidade dos meninos que sonham com um futuro melhor na Copinha, mas podem acabar vendo seus sonhos se desfazerem tão cedo na vida.
http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=948

A melhor cobertura da Copa São Paulo é no Olheiros!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Copa São Paulo é no Olheiros!


Um torneio com 88 equipes de todo o país sugere dificuldades, mas o Olheiros mobilizou os seus colaboradores para trazer, pelo segundo ano consecutivo, as melhores e mais precisas informações sobre cada um dos aspirantes ao título da Copa São Paulo de Juniores de 2009.

Chegando à sua 40ª edição, a Copinha segue mobilizando todo o futebol brasileiro em janeiro e revelando grandes talentos, sua grande característica. Assim, o Olheiros dá o grande passo de uma cobertura que será enorme – antes, durante e depois da competição –, com boletins diários, especiais, colunas, previews, reviews, blog e o que mais pintar. Para acompanhar tudo sobre isso e até a cobertura da edição passada, basta acessar o
Olheiros!