quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ranking Olheiros do futebol de base brasileiro

Olheiros.net lança o primeiro ranking do futebol de base brasileiro. Confira!

Contestações, questionamentos quanto à formula de cálculo, insatisfação pelo fato do clube X estar abaixo do Y. Mais até do que estabelecer uma verdade dos fatos sobre quem é melhor que quem, os rankings de clubes e seleções servem para alimentar a discussão no bar, na roda de amigos e até nas mesas redondas.

Entretanto, quando se fala de futebol de base, nunca houve levantamento semelhante. Afinal, quem tem a melhor categoria de base do país?

Para responder a essa pergunta, os Olheiros Pedro Venancio e Maurício Vargas coletaram dados das principais competições de base nacionais e internacionais nos últimos três anos para lançar a primeira edição do Ranking Olheiros do futebol de base brasileiro.

Uma iniciativa inédita, pioneira como o próprio Olheiros, primeiro site a falar exclusivamente da base no Brasil.

Mas afinal, o que importa na base? Conquistar títulos ou revelar jogadores? A fórmula de cálculo adotada pretende encontrar este meio termo, tanto que os primeiros colocados, como se pode ver, têm revelado diversos nomes de qualidade para o futebol nacional ao passo que colecionam troféus.

Após a definição dos critérios de pontuação e a coleta de dados, o resultado é o material que se vê na nova seção do site. O Ranking será permanentemente atualizado, a cada competição concluída.

Por isso, fique de olho nas informações sobre os campeonatos, que você só encontra no Olheiros. Você torce para o seu time ser campeão, revelar novos craques e chegar – ou permanecer – no topo. E aguarde. Vem aí também o Ranking Olheiros de seleções. Algum palpite para o primeiro lugar?

Confira a primeira edição do Ranking Olheiros em:
http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=1207

terça-feira, 12 de maio de 2009

Baila comigo*


*Coluna desta terça-feira na Trivela.

Foi em meados de 1989 que Velloso estreou no gol do Palmeiras, substituindo o titular Zetti, lesionado. Desde então, uma amizade muito forte uniu os dois goleiros, que se enfrentaram diversas vezes. Entre 1994 e 1995, Velloso, então titular alviverde, foi procurado por Valdir de Moraes, treinador de goleiros do São Paulo, e convidado a trocar de CT na Barra Funda. Estava tudo certo para que a transferência ocorresse, até que numa conversa casual Zetti revelasse que não estava sendo valorizado pela diretoria Tricolor, que dificultava a renovação para contratar o palmeirense. Quando soube disso, Velloso encerrou as negociações e cada um ficou no seu clube.

Na semana passada, Velloso aguardava uma reunião com o presidente do Paraná Clube, Aurival Corrêa, para discutir a renovação do elenco para a disputa da Série B. Em vez disso, foi surpreendido com o anúncio de que ele não seria mais o treinador, já que um grupo de empresários iria investir no clube, levando alguns jogadores, mas exigia a contratação de um técnico de confiança. O nome escolhido foi exatamente o de Zetti.

“Foi a primeira vez que fui demitido na minha vida. Já entendi que para trabalhar como treinador eu vou ter de mudar. E principalmente estar preparado para coisas que eu nem sonhava. E também não vou acreditar na palavra das pessoas”, disse um magoado Velloso ao Bandsports. A forma como a troca de comando foi tratada não mostrou apenas como, pela segunda vez, os dirigentes “azedaram” a amizade dos dois ex-goleiros. Velloso parece ter descoberto, da pior maneira, a forma como atuam os donos da bola no país do futebol.

A palavra “planejamento” é uma das mais utilizadas no vocabulário futebolístico brasileiro, mas é usada na prática, como define seu conceito, em apenas, vá lá, 1% dos clubes. A sensação que se tem é que o emprego da palavra acontece em razão inversamente proporcional à efetiva realização do dito cujo planejamento. Mais um caso clássico do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” que impera em gramados tupiniquins.

Tamanha é a instabilidade com que lida o técnico de futebol no Brasil – lição número dois a ser aprendida por Velloso e quaisquer outros aspirantes a “homem do boné” –, que apenas uma hora depois da segunda parte de nosso Guia da Série B ter entrado no ar, ele já estava defasado. Conforme indicamos, a possibilidade de que Velloso saísse já era latente, mas como a bola da vez era Vagner Benazzi, fora dos padrões financeiros do clube no momento, a impressão era de que o time se viraria nas primeiras rodadas com o que sobrou do Estadual.

Velloso não possui ainda, de fato, tanta experiência como técnico a ponto de brigar por um acesso à primeira divisão – ainda mais com o elenco que possui o Tricolor. Entretanto, considerá-lo o único culpado pela queda de produção no octogonal do Paranaense e pela eliminação na Copa do Brasil é não querer enxergar a realidade. Sem alguns titulares contundidos, a equipe sentiu a falta de peças de reposição à altura e foi logo eliminada da disputa pelo título estadual.

Sem tempo para qualquer trabalho mais aprofundado, Zetti montou um onze com o que tinha em mãos e foi sufocado pelo Bahia, sofrendo dois gols nos vinte primeiros minutos de jogo. Depois do estrago, Marcelo e Aderaldo foram expulsos e o time só se defendeu até o final. Para quem venceu a primeira apenas na sétima rodada no ano passado e escapou do rebaixamento nas últimas partidas, o enredo atual pode ser ainda mais sinistro. Bem diferente do time que Zetti encontrou em sua passagem anterior, quando foi vice estadual e disputou a Libertadores. Os vôos da Gralha Azul poderão ser bem mais curtos neste ano.

Eu voltei

No Atlético Goianiense, a mudança deve ser vista sob outro prisma. “Tenho certeza que você voltará ao Atlético”, disse o presidente Valdivino José de Oliveira quando Mauro Fernandes foi contratado pelo Vitória para substituir Vagner Mancini. Ele só não sabia que seria tão cedo – apenas três meses depois.

Fernandes chegou a Salvador com a responsabilidade de manter a equipe na mesma toada que vinha desde o ano passado, quando fez boa campanha no Brasileirão. Entretanto, a classificação suada na Copa do Brasil, eliminando o ASA de Arapiraca somente nos pênaltis, somada a um empate com o Bahia e uma derrota para o Fluminense de Feira de Santana – todos na mesma semana – resultou numa pressão exagerada sobre o técnico, cujo time liderava o Baianão.

Sendo assim, o treiandor ficou disponível no mercado e Valdivino sentiu desde então uma enorme coceira para trazê-lo de volta. Com PC Gusmão, chegou às finais do Goianão e venceu o primeiro jogo, mas a derrota na segunda partida e a consequente perda do título eram a oportunidade que o dirigente precisava para trazer o técnico campeão da Série C de volta. A desculpa foi, além da derrota na decisão, o salário de PC e de sua comissão técnica, considerado alto para os padrões do clube.

Conhecedor do elenco que montou, o técnico devolveu a confiança a equipe e aproveitou um remendado América para vencer em Natal e começar a Série B com vitória. Com um retrospecto invejável em Goiânia – no ano passado, foram 21 vitórias e dois empates –, a torcida já começa a sonhar alto.

sábado, 9 de maio de 2009

O Brasileirão dos meninos*


* Publicado originalmente no Olheiros.

Com o início neste final de semana de mais uma temporada dos campeonatos nacionais das séries A e B, não começa apenas a briga pelo título máximo do futebol brasileiro. Em um ano que promete ser excepcional, afinal nunca na história recente houve tantos craques desfilando pelos gramados tupiniquins, a expectativa recai também sobre quais serão as revelações que os 40 principais times do Brasil preparam para os próximos meses.

Histórico não só por sua tradição de fatos e acontecimentos como também pelos nomes que apresentou ao longo do tempo, o Brasileirão se orgulha de ter sido o palco de exibições de gala protagonizadas por garotos, como os cinco gols fenomenais de Ronaldo sobre o Bahia em 1993, a estreia aquática do ensaboado Pato em um chuvoso Palestra Itália em 2006 ou até mesmo a guerra vencida sob o comando do cadete com espírito de comandante Anderson, na Batalha dos Aflitos em 2005.

Entretanto, com a chegada recente e inesperada de jogadores de ponta como o próprio Ronaldo, Fred, Adriano e D’Alessandro, entre outros, existe a sensação de que talvez sobre menos espaço para os garotos aparecerem. Afinal, nas últimas temporadas, o discurso mais utilizado foi exatamente de que, com as dificuldades financeiras e a incapacidade de manter seus destaques, os clubes eram obrigados a apostar principalmente em sua base, como brilhantemente fez o Atlético-MG no retorno à elite.

Se o espaço diminui, a garotada trata de buscá-lo. Após uma janela de transferências fraca em virtude da crise, a expectativa é que os clubes europeus se movimentem mais no mercado de verão. Nomes como Hernanes e Ramires, que apareceram bem já em 2007, podem ter suas saídas finalmente confirmadas, deixando a vaga para quem vem de baixo. No próprio Cruzeiro, que tem a política clara de negociar destaques para se manter, pode ocorrer novamente o adeus de Wagner, abrindo caminho para Bernardo se firmar de vez como titular.

Quem tem despedida marcada para o meio do ano é Thiago Neves, que pode ser acompanhado por Fred, que mal chegou. Maicon, que tem entrado bem e feito gols importantes, aguarda ansiosamente uma chance, assim como Alan. Wellington, meia da seleção sub-17, dificilmente será aproveitado nos profissionais nesta temporada. Ainda no Rio, o Flamengo terá a confirmação do xará Wellinton, zagueiro do Brasil sub-20, em substituição ao recém-aposentado Fábio Luciano, e o Botafogo aposta em nomes que aparecem bem, como o lateral-esquerdo Gabriel – além do já experiente goleiro Renan.

Sede de dois dos melhores times de 2009 – o Grêmio na Libertadores e o Inter no geral –, o Rio Grande do Sul mostra mais uma vez a capacidade formadora de sua dupla de gigantes. Taison é o grande nome de um trio ofensivo que tem Nilmar e D’Alessandro, e Adilson Warken e Saimon devem garantir que a fama de copero y peleador do Tricolor continue viva.

Há ainda muitos outros nomes que podem pintar ou se consolidar – casos de Rafael Tolói, Ciro, Victor Ramos, Souza, Wallyson, Renan Oliveira e Medina, entre outros, mas talvez aquele que mais desperte curiosidade seja o de Neymar, que deve estrear em Brasileiros neste domingo contra o Grêmio. Sua qualidade indiscutível terá a primeira prova verdadeira quando a bola rolar no Olímpico.

B de base

A Série B também promete apresentar muitas revelações. Com orçamentos modestos e maiores dificuldades, aliás, é até mais comum que times da Segundona que possuam categorias de base minimamente estruturadas as utilizem para rechear seus elencos.

Grande favorito da temporada, o Vasco montou uma equipe com média de idade bastante baixa, ao contrário do que normalmente se faz na Série B. Além disso, conta com a expectativa de que Alex Teixeira e Alan Kardec finalmente engatem uma sequência razoável de bons jogos. Fica também a pergunta no ar: será que Philippe Coutinho será integrado aos profissionais? Como a caminhada cruzmaltina não parece que será das mais difíceis, talvez fosse o caso de esperar. Mas como há menos holofotes, menos pressão e, principalmente, como em breve o garoto parte rumo à Itália, talvez sua estreia aconteça antes do que se imagina.

Um dos times a apostar mais na base para esta campanha é o Fortaleza, que teve o melhor desempenho do Nordeste nas duas últimas Copas São Paulo e tem em Bismarck uma responsabilidade grande pelo sucesso do time. Coadjuvantes, Bambam, Marllon e outros podem também se tornar protagonistas de um acesso que poderia ser comparado ao do Galo. A Ponte, que chega credenciada a uma das vagas, tem em Tinga, destaque na Copinha, um de seus principais nomes.

O mesmo acontece com o Figueirense de Talhetti, o Guarani de Romário e o Juventude de Zezinho, da seleção sub-17. Todos com vontade de crescer e aparecer. Com tantos candidatos a craque, espaço é o que não vai faltar para novas revelações no Brasileirão que se inicia.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Por que Ronaldo não pode ser convocado


Quem é o melhor atacante em atividade no futebol brasileiro hoje? Diego Tardelli tem os maiores números absolutos: foram 20 gols, 16 no Campeonato Mineiro e 4 na Copa do Brasil. Taison, Keirrison e Gilmar, do Náutico, têm 19 cada, divididos entre Estaduais, Copa do Brasil e Libertadores.

Ronaldo chegou ao seu décimo gol na vitória corintiana sobre o Atlético-PR, ultrapassando Chicão na artilharia do time na temporada. Na sequencia de cinco partidas que realizou recentemente (a maior desde que voltou), foram cinco gols, média de um por jogo.

Longe, aqui, de querer comparar o Fenômeno com os atacantes acima citados.

Mas o burburinho sobre sua convocação para as Eliminatórias e/ou Copa das Confederações cresce e monopolizou a coletiva de Dunga e Ricardo Teixeira no anúncio de um novo patrocinador para a CBF.

Ainda é cedo.

Não porque Ronaldo tenha feito menos gols que Tardelli ou Taison, ou ainda porque Luís Fabiano tenha caído absurdamente de produção no Sevilla, mesmo marcando gols na seleção (grande parte porque ele é, na verdade, o único centro-avante do time).

Ronaldo não deve ser convocado porque seria um retrocesso enorme em sua recuperação e preparação física a estadia, por menor que seja, com a seleção brasileira.

É fato que ele ainda está acima do peso, e dificilmente voltará às medidas anteriores. Mas para o nível das defesas que enfrenta por aqui, sua forma é mais que suficiente para que ele apareça somente na hora de definir - e isso ele faz como nenhum outro.

Mas no nível de seleção, Ronaldo parecerá deslocado. E mais: ficará uma semana na Granja Comary jogando rachões, participando de movimentações sem função tática ou técnica nenhuma. E se for para a Copa das Confederações, perderá todo o cronograma de treinamentos físicos preparado pela comissão técnica corintiana.

Não é jogando que se adquire forma física. É treinando, ficando de fora de um ou outro jogo, conforme o planejado, e trabalhando com quem o tem recuperado tão bem até agora.

Se ficar no Corinthians, Ronaldo poderá voltar para a seleção na hora certa, da maneira certa, e rendendo o que sempre pôde.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quem para o Manchester?

Cada era teve seu time na história da Copa Européia: o Real Madrid da década de 50, Benfica e Inter em 60, Ajax do início dos 70 - depois Bayern e Liverpool e o Milan do final dos anos 80.

Desde a introdução da Uefa Champions League em 1992/93, entretanto, nunca houve uma hegemonia. Houve sim o Real Madrid três vezes campeão em cinco anos, e a Juventus que venceu a final de 96 e perdeu as duas seguintes, mas desde o Milan de Gullit, Van Basten e Rijkaard, não temos um bicampeão.

De fato, um mesmo time não chegava a duas decisões seguidas desde que o Valencia foi bi-vice em 2000 e 2001. E o último campeão a chegar novamente à decisão foi, como dito, a Juve.

O feito do Manchester ganha importância quando fica claro o domínio inglês, que desde 2004/05 coloca todos os anos um time na decisão. Caso o Chelsea se classifique hoje, será a primeira final repetida em anos seguidos da história e a segunda somente entre ingleses, enquanto espanhóis e italianos monopolizaram a disputa uma vez cada. Significará, também, que a Inglaterra será a maior vencedora do torneio, já que hoje possui as mesmas onze conquistas que os clubes da Espanha e da Itália.

Minha aposta para esta tarde, entretanto, é no Barcelona. E em uma decisão com dois times tão espetaculares, qualquer palpite é suicídio.

Mas vale o registro.

Confira até onde foram os campeões da UCL na temporada seguinte ao título e compare com o desempenho do Manchester:

1996/97 - Juventus - Vice
1997/98 - Borussia Dortmund - Semifinal
1998/99 - Real Madrid - Quartas
1999/00 - Manchester United - Quartas
2000/01 - Real Madrid - Semifinal
2001/02 - Bayern Munique - Quartas
2002/03 - Real Madrid - Semifinal
2003/04 - Milan - Quartas
2004/05 - Porto - Oitavas
2005/06 - Liverpool - Oitavas
2006/07 - Barcelona - Oitavas
2007/08 - Milan - Oitavas
2008/09 - Manchester United - Finalista

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O início, o meio, o fim


Vivemos a semana mais interessante do futebol nacional. A semana que parece perdida por começar com o ápice dos estaduais e terminar com uma desinteressante primeira rodada do Brasileiro. Chuto agora uma bola lindamente levantada pelo amigo André Rocha em seu blog semanas atrás: na bagunçada organização dos clubes brasileiros, o que é menos importante torna-se mais importante do que o que é mais importante. Soa confuso? Tente entender as justificativas dos dirigentes.

No dia primeiro de janeiro, pergunte a torcedores dos vinte clubes da Série A o que eles preferem: o título estadual ou a vaga na Libertadores? A maioria dará preferência ao torneio continental. Mesma coisa com os da Segundona: quase todos sonham com o acesso e desdenham do regional.

Mas eis que vêm os tropeços ante os pequenos, os duelos contra desconhecidos na Copa do Brasil e os torneios antes prioritários são menosprezados, já que o que vale é o bom momento no Estadual, onde a chance do título é latente. Ao priorizar o antes de menor prioridade, os clubes se confundem, tropeçam e dão adeus aos dois ao mesmo tempo. São os casos, por exemplo, de Santos e Botafogo.

E os que vencem seguem firme para o restante do ano, certo? Bem, nem sempre. Pergunte aos flamenguistas quantos deles abririam mão do Carioca de 2008 em nome da classificação na Libertadores.

E é bom lembrar que a última vez que o campeão estadual foi também nacional foi com o supercampeão Cruzeiro de 2003. E quando se vai mal, a desculpa é que o planejamento não foi adequado, porque o Estadual não serve de parâmetro.

Uma verdadeira bola de neve.

Cujo fim nos remete ao início (ou seria o meio?) da nossa idéia: enquanto para alguns clubes o ano já acabou, para outros está no meio e outros está apenas começando - ou a torcida do Galo quer lembrar do Mineiro'09?

E a impressão que se tem é que, no final das contas, o campeonato que valeu mais no ano é aquele que não vale mais nada, que já passou, que serve apenas de balão de ensaio para o restante da temporada. Cuja abolição muitos - inclusive este que vos bloga - pedem.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Série BBB


A Série B do Campeonato Brasileiro já deixou de ser considerada o fundo do poço para os grandes clubes brasileiros. A prova disso é que times tradicionais como Fluminense e Vitória já chegaram até à Terceirona e deram a volta por cima. Com a mudança de regulamento e a introdução dos pontos corridos, a ausência de um grande na Série B virou exceção, e não mais regra.

Por tudo isso, a segunda divisão nacional atrai mais e mais atenção, a ponto de ter-se criado até uma Série D, já que times tradicionais ficaram presos na obscura terceira divisão. Com transmissão pela TV de todos os jogos, times equilibrados e tradicionais, a Série B transformou-se, na verdade, em Série BBB - boa, bonita e (ainda) barata. Com o rompimento com a FBA e a volta da competição às mãos da CBF, a briga é por mais dinheiro no bolso dos clubes.

Assumo, a partir de hoje, uma coluna semanal específica sobre a Série B na Trivela. Na estreia, a primeira parte do guia do campeonato, com a apresentação de dez equipes que brigam pelo acesso - quem chegou e quem saiu, chances de subir e como foi a preparação.

Fica o convite aos amigos para acessarem e acompanharem.

sábado, 25 de abril de 2009

Para servir de lição*


*Publicado originalmente no Olheiros.

Os meninos de Lucho Nizzo aprenderam, da pior forma, umas das primeiras lições do futebol: não se ganha jogo na véspera. Por mais precipitado que possa parecer uma crítica apenas depois da primeira derrota, é num momento como este que observações mais profundas podem e devem ser feitas, afinal o brilho da vitória cega um pouco a visão para as arestas a serem aparadas.

Percebe-se claramente, neste Sulamericano, que o Brasil é, de longe, a melhor seleção. Possui os melhores talentos individuais – mais no ataque que na defesa, é verdade – e mais nomes de possível destaque no futuro do que muitas das outras seleções combinadas. Entretanto, por mais natural que seja qualquer tropeço de um time favorito, especialmente contra uma forte seleção colombiana, o revés brasileiro da última quinta serve para exemplificar muitas situações que acontecem corriqueiramente na base nacional. 

A primeira delas é a supervalorização imediata do craque. É costume dizer que os campeonatos de base possuem um nome de destaque antes da competição e outro depois, já que normalmente o atleta que gera mais expectativa não corresponde. Já tem sido assim com Philippe Coutinho, criticado aqui e ali por sua deficiência nas finalizações e preciosismo nos dribles. O prodígio vascaíno (é bom que se lembre, já negociado com a Internazionale) tem, sim, pontos a serem aprimorados, mas quem não os tem nessa idade? 

É fato que, em muitos casos, quando olhamos para trás em seleções brasileiras de base, grandes nomes da época não vingaram tanto quanto outros, haja visto Adriano, Geovanni e Bismarck, por exemplo – os dois últimos então jogadores do Vasco, aliás. Mas é muito arriscado imputar a estes meninos responsabilidades comuns a profissionais, como disciplina tática feroz ou a concentração total durante os noventa minutos. São coisas que vêm com o tempo, e Nizzo tem demonstrado saber trabalhar com estas variáveis. 

Apesar dessas ponderações, é inegável que a produtividade brasileira vem caindo da estreia até aqui. Pelo pouco que se conhecia da seleção paraguaia, a goleada inicial ficou fora de contexto, assoberbada por ter acontecido contra um rival de peso do continente. Mas bastaram as rodadas subsequentes para mostrar que o Paraguai, apesar da vitória sobre o surpreendente Peru, é talvez o time mais fraco da chave. 

Contra os peruanos, aliás, os brasileiros já não começaram tão ligados quanto no primeiro jogo, e sofreram um bocado, especialmente com Arroe, que já havia mostrado sua qualidade no Sulamericano Sub-15 de 2007. A vitória só veio após a expulsão de Centeno. Na partida desta quarta, ficou evidente a desatenção da equipe, que marcou mal no lance do primeiro gol e, com o passar do tempo, lançou-se desesperadamente ao ataque, sofrendo o segundo pelos méritos do ótimo Cuero. 

Ficam claras, também, as deficiências de posicionamento de Sidimar, que, amarelado, foi deslocado para a lateral-direita na etapa complementar. Para quem viu seu desempenho na Copa São Paulo deste ano, quando o Atlético-MG foi eliminado ainda na primeira fase, fica difícil entender não só sua escalação como titular, mas também sua própria convocação. Elivélton, peça-chave no esquema de Nizzo por segurar mais o lado direito enquanto Wellington avança, também tem demonstrado um pouco de incerteza. 

O Brasil estará no Mundial da Nigéria. Muito provavelmente, acabará até sendo campeão continental – nos últimos dois Sub-20, enfrentou dificuldades maiores e saiu vencedor. Erros como os que foram cometidos na quarta são comuns para uma garotada cheia de vontade de aparecer e com muito futebol para mostrar, mas é bom que a pedra se apresente no caminho agora, quando ainda é possível corrigir, do que depois, em pleno Mundial, como aconteceu em 2007 com as duas seleções. Faz bem para a torcida, que pode sonhar com uma campanha à altura do Brasil, e bem para os próprios garotos, que ficarão mais próximos de desenvolver suas carreiras da forma que o futebol que eles possuem, hoje, promete.

sábado, 18 de abril de 2009

Venceu e convenceu


Quais os três atributos principais de um time vencedor? Velocidade, marcação e habilidade? O Brasil de Lucho Nizzo teve estas e muitas outras qualidades na estreia no Sulamericano Sub-17 em Iquique, no Chile. Com uma atuação que beirou a perfeição no primeiro tempo, Philippe Coutinho & Cia. golearam o Paraguai por 4 a 0 e mostraram por que são, de longe, os principais candidatos ao título do campeonato e, desde já, ao troféu do Mundial da Nigéria.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Textos da semana

Pedindo perdão pelas seguidas e demoradas ausências, deixo as indicações de textos da semana.

No Olheiros, a aposta de Louis Van Gaal em jovens talentos é recompensada com a iminente conquista do Campeonato Holandês pelo AZ Alkmaar. Leia >>

Na Trivela, a coluna Futebol Alpino traz o drama do FC Sion, repleto de jogadores titulares em suas seleções, mas que não consegue formar um time decente e se vê ameaçado pelo rebaixamento. Leia >>

E no Febre Mundialista, um review da última rodada das Eliminatórias para a Copa de 2010 em todos os continentes. Leia >>

Abraços e boa leitura!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dilema de Tostines


Luís Fabiano é o artilheiro da seleção brasileira nas Eliminatórias. Dos 19 gols, marcou seis, em oito jogos. Números sólidos, que o garantem na Copa de 2010, seguindo o critério de Dunga - se é que ele o tem.

O 4-2-3-1 é talvez o sistema da moda hoje, e é assim que tem jogado o Brasil do contra-ataque. Os resultados vêm contra equipes que atacam e enfrentam - foi assim contra Chile e Venezuela fora de casa, Portugal e Itália nos amistosos. A retranca peruana só não funcionou porque o time é, de fato, muito fraco.

Acontece que são poucos os loucos que atacam o Brasil. Portugal e Itália, mesmo, nunca o fariam num jogo de Copa. Talvez só a Argentina encare de igual para igual a seleção, não importa quão bem ela esteja.

Por tudo isso, cabe a pergunta: será que este é o melhor esquema para se jogar? Quando os adversários se fecham, é melhor ter apenas uma referência na área e um mico de circo do lado esquerdo ou dois atacantes brigadores, que enfrentam a zaga, se movimentam e criam espaços?

Por tudo o que Pato tem feito e Robinho não tem, caberia estudar uma mudança.

Porque o dilema que paira sobre Luís Fabiano é: ele é o atacante titular da seleção porque faz os gols ou faz os gols porque é o ÚNICO atacante da seleção?

Botero, da Bolívia, é o artilheiro.

Talvez esteja aí uma pista.

terça-feira, 31 de março de 2009

Tudo sobre as Eliminatórias


Acompanhar os resultados de Brasil e Argentina nas Eliminatórias é fácil, mas como saber quais as zebras nos continentes asiático e africano? E quais os desfalques de El Salvador para a partida contra os Estados Unidos?

No
Febre Mundialista, todas as informações, resultados, classificações atualizadas e próximos jogos das eliminatórias para a Copa de 2010, além da história das Copas, grandes craques e muito mais.

A África é logo ali, a um clique de distância.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Quebrando a cuca

O principal problema de Cuca no Flamengo é que ele parece ter acabado com a única solução do time: a eficientíssima jogada pelas laterais, com Léo Moura e Juan. Em que pese a contusão do lateral-esquerdo, que sete das 13 partidas sem jogar, o desempenho dos dois é infinitamente inferior em relação a 2008 - quando ambos foram até convocados para a seleção, ainda que em momentos diferentes.

Ao fazer suas famosas experimentações, Cuca decidiu por lançar Leo Moura no meio, apostando em sua habilidade. Era a verticalidade, entretanto, sua principal característica, que não pode ser explorada na profusão de homens que existe no meio-campo. Com Éverton Silva na ala direita, ele mata a jogada ofensiva, claramente o ponto fraco do lateral. Além disso, Juan tem ficado sobrecarregado nas jogadas abertas e acaba errando mais passes ou afunilando, o que justifica a cobrança da torcida.

Desde 2007, quando Joel começou a fazer a dupla funcionar, o Flamengo nunca teve um centro-avante titular, o homem-gol definitivo. Basta ver que em 2008 o artilheiro do time foi Marcinho, com 17 gols - e ele saiu em julho, na 11ª rodada do Brasileiro. Agora, Cuca até flerta com a linha de quatro, como fez no clássico de domingo. Assim, Ronaldo Angelim perde o fator surpresa quando aparecia no ataque. Ou seja: um time totalmente desequilibrado.

Após os erros recentes, Cuca ficou taxado de treinador que sabe montar elencos. Se cair tão cedo na Gávea, pode ser que ninguém queira contar com ele durante o resto do ano. Se não quebrar a cabeça agora e fazer o Flamengo voltar a jogar, poderá ter muito tempo livre para pensar no que quiser por um bom tempo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Dez foguetes molhados do Vasco

A confirmação é uma das fases mais difíceis da vida. Garantem os médicos que os três primeiros três meses de gestação são os mais complicados e, passado este período, a gravidez é tranquila. Da mesma forma, o desafio de qualquer nova banda não é estourar um hit, mas continuar fazendo sucesso depois do primeiro álbum. No futebol, então, a cobrança pela afirmação acontece diariamente, a cada treinamento e em todos os jogos.

Novos garotos surgem todos os dias no Brasil, o Eldorado na formação de pé-de-obra. É impossível, entretanto, que o futebol profissional absorva toda essa demanda, ano após ano. Afinal, mais jovens deixam a base do que veteranos se aposentam. Por causa disso, não só aqueles que não se destacam na base perdem espaço. Muitos prodígios, devido às mais diversas razões, acabam por não confirmar no profissional o que prometiam na base.

Apresentar os maiores foguetes molhados dos grandes clubes brasileiros na última década serve, então, para mostrar que não só futebol exige uma constante confirmação de capacidade, como também o surgimento em um grande clube não dá garantias de que a carreira irá se desenvolver.

Começamos nossa série de especiais com o Vasco, poderoso revelador de talentos no início da década de 90, mas que nos últimos anos tem ficado no posto de coadjuvante, assistindo às conquistas estaduais seguidas de Fluminense e Flamengo. Forte no sub-15 e sub-17, o Gigante da Colina parece pecar em algum momento na transição do sub-20 para o profissional, tendo lançado nos últimos anos poucos nomes que efetivamente deram certo.

Confira, no Olheiros, as dez maiores promessas vascaínas que não se concretizaram de 1995 pra cá. >>

quarta-feira, 11 de março de 2009

Liga dos Campeões...da Inglaterra?


Não é novidade para ninguém a hegemonia dos clubes ingleses no futebol europeu e, por tabela, mundial. Se na virada do milênio quem dominavam eram os espanhóis - no caso, o Real Madrid -, que tiveram até final doméstica (Real 3x0 Valência, em 2000), e se a Itália teve um período dourado entre 85 e 96, com cinco títulos em dois anos, a impressão que se tem é que os ingleses conquistarão o terceiro troféu em cinco temporadas - e se tornarão o país com mais triunfos da história da Liga dos Campeões.

Desde 2004-05, a Inglaterra tem um representante na decisão. No ano passado, fez apenas a terceira final doméstica da história da UCL. E agora, assim como fez en 2007/08, coloca seus quatro representantes nas quartas-de-final - em 2006/07 foram três, pois o Arsenal caiu nas oitavas ante o PSV.

Não dá para colocar apenas o poder econômico como responsável pela hegemonia. O Real Madrid tem muito mais dinheiro e gasta bem mais que os concorrentes, mas não consegue montar times decentes e parou pelo QUINTO ano consecutivo nas oitavas.

Os times ingleses desenvolveram um jogo compacto, altamente competitivo e envolvente. Nada de chuveirinho ou passes laterais. O que vale é a movimentação, MUITA velocidade, entrega e a disciplina tática.

O preço que se paga é o fato de o Liverpool ter apresentado em campo mais espanhóis que o próprio Real Madrid. Enquanto isso, a seleção nacional não chega a uma semifinal de uma Euro desde 1996, quando foi sede, e de uma Copa desde 1990. Mas se tivermos novamente três ingleses entre os quatro semifinalistas, parece ter valido a pena.

Desempenho na UCL por país

Itália - 11 títulos / 14 vices
Espanha - 11 títulos / 9 vices
Inglaterra - 11 títulos / 5 vices
Alemanha - 6 títulos / 7 vices
Holanda - 6 títulos / 2 vices
Portugal - 4 títulos / 5 vices
França - 1 título / 5 vices

sábado, 7 de março de 2009

Vou, não vou*

*Publicado originalmente no Olheiros.

É difícil afirmar precisamente, mas neste sábado três jogadores brasileiros deverão ser negociados com o futebol internacional. Parece pouco? Esta é a média diária de transferências para fora do país. O número não surpreende, mas se dissermos que em 2008 foram 1.176 negociações para o exterior, os três por dia já não parecem tão pouco assim – na teoria, dá para formar 106 equipes completas e ainda sobra um time com um a menos.

E quem ainda não se convenceu da vocação exportadora de pé-de-obra adquirida pelo Brasil nos últimos anos, basta lembrar que, em 2006, foram negociados 851 atletas. O boom aconteceu em 2007, com 1085 transações – um aumento de 27,5%. São muitos números, cuja frieza muitas vezes não nos permite analisar as circunstâncias deste fenômeno. 

Mais difícil de afirmar, ainda, é qual o percentual de garotos, ou ainda de jogadores de no máximo 21, 22 anos, incutido nessas centenas de transferências – seria necessário analisar ficha por ficha no emaranhado site de registros da CBF. Fato é que se pudesse chutar, diria sem medo que perto de metade deste número envolveu jovens atletas que despontaram – ou não – nos gramados brasilis. 

Não são novidade os fatores que fizeram a procura aumentar: novos mercados com grana para contratar, clubes enfraquecidos sem recursos para bancar a permanência dos astros (e coadjuvantes, ou até mesmo reservas) e, principalmente, o vislumbramento com propostas do exterior, oriundo quase sempre da falta de conhecimento dos garotos sobre a realidade da vida longe de casa. O fato é que o menino de oito anos já joga pelada na rua com camisa do Ronaldo que não é o gaúcho ou o carioca, mas o português. 

Fruto da globalização? Sem dúvida. Mas é nestas horas que entra o papel fundamental do técnico, o “professor”, o exemplo que o garoto não tem em casa e que deve ajudá-lo a discernir realidade de utopia. O problema é que o mais comum é que os próprios treinadores aconselhem os meninos a buscarem sempre a transferência para o exterior, não importa para onde, sob quais condições ou por quanto tempo – só importa o valor. O motivo é claro: os “professores” são, muitas vezes, procuradores, empresários ou donos de parte dos “direitos federativos” de pré-adolescentes em idade de formação de personalidade e caráter. 

Para piorar, o jogador que começa a perceber um pouco de sucesso que seja já projeta a independência financeira que sempre prometeu aos pais ou a si mesmo – a vitória na vida através da bola. Tal vitória vem traduzida em dólares, petrodólares, euros, rublos ou ienes. O idioma local não importa, afinal a linguagem do dinheiro é universal. 

Até por isso, é louvável quando se vê um jovem como Keirrison, excelente jogador, de potencial absurdo e uma aposta quase certa para o futuro em um meio onde se é preciso provar seu valor a cada dia. K9 já declarou mais de uma vez que não tem vontade alguma de deixar o futebol brasileiro tão cedo. Propostas do Leste Europeu e do Oriente Médio já chegaram, mas não o seduziram. Um futebolista consciente e estudado, que sabe cuidar de sua própria carreira, é ainda, infelizmente, uma exceção. 

São muitos os exemplos dos garotos que arrumaram as malas no momento errado. E o destino nem precisa ser Moscou ou Dubai. Basta ver a sequencia das carreiras de Carlos Alberto e Roger, frutos do Fluminense, desde quando foram para Portugal e voltaram. O problema aí pode até ser mais o perfil do próprio jogador dentro de campo, inclusive, do que a hora em que a transferência se concretizou. Mas mesmo assim, não custa imaginar como poderia ter sido se, desde cedo, tivesse recebido orientação decente. 

E a idade já não é limite, pois vemos hoje garotos de quinze, dezesseis anos – ou até nove, como foi o caso de Caio na Roma – delineando suas carreiras bem longe. A questão, aqui, não é como impedir os clubes de fora de tirarem os jogadores cedo demais do Brasil. É, na verdade, como podemos convencê-los de que fiquem por aqui, joguem um pouco mais por estas bandas, se valorizem e aí sim sigam outros rumos. 

Com um assédio tão grande, condições tão ruins em nossos clubes e falta de ídolos no futebol local, atingir este objetivo parece mais difícil que a conta proposta no início da coluna. Por tudo isso, é muito importante saber escolher a hora certa de ir, para não acabar voltando logo em seguida, com saudade do arroz e feijão ou das temperaturas mais amenas. 

Bye, bye, Brasil 

Confira o número de transferências realizadas para o exterior nos últimos anos: 

2008 – 1176 
2007 – 1085 
2006 – 851 
2005 – 804 
2004 – 857 
2003 – 858 

Fonte: site oficial da CBF

domingo, 1 de março de 2009

Textos da semana

Convido os amigos a conferirem os textos publicados nesta semana por este que vos bloga:

No Olheiros, saiba quem está por trás da surpreendente campanha do FC Twente, vice-líder do campeonato holandês.

Na coluna Futebol Alpino da Trivela, os clássicos nacionais agitaram o reinício dos campeonatos suíço e austríaco.

E no Febre Mundialista, a segunda parte da história da Copa de 1958, com a consagração do Brasil e o nascimento de um mito.

Uma boa semana a todos!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Porto seguro*

* Publicado originalmente no Olheiros.

Basta uma rápida olhada pela tábua de classificação do campeonato italiano que logo alguma coisa não parece no lugar. Inter, Juventus e Milan brigam pela ponta, mas há um intruso se metendo na briga pela vaga remanescente na Liga dos Campeões 2009/10. Trata-se do Genoa, um dos clubes mais tradicionais do país, campeão de seis das sete primeiras edições da Serie A, mas que viveu recentemente o inferno da terceira divisão e tenta, aos poucos, ressurgir das cinzas.

Para isso, conta indubitavelmente com os gols do argentino Diego Milito, que voltou no início da temporada após três anos no Zaragoza e rapidamente foi elevado ao posto de semi-deus na metade rossoblú da capital da Ligúria. Não é à toa: em 20 jogos, marcou 16 vezes e é o vice-artilheiro do campeonato. Seus gols ajudaram a alcançar resultados impressionantes, como as vitórias sobre Milan e Roma no Luigi Ferraris – marcou um nos milaneses e dois nos romanos.

Entretanto, não é só de Milito que se faz uma boa campanha no Calcio. O Genoa apresenta uma característica interessante, se analisarmos com mais atenção: é um time cheio de eternas promessas – e isto não é ruim. O clube tem aproveitado jogadores talentosos, que despontaram em outras equipes, mas que acabaram não atendendo às expectativas e buscam um recomeço ou mesmo o reconhecimento definitivo longe da pressão das grandes camisas.

Até mesmo o goleiro brasileiro Rubinho concorda com a tese. “O Genoa tem por tradição pegar jogadores que não estão jogando nas equipes maiores, como o Palladino, que não jogava na Juventus, e o Borriello no ano passado. Eram promessas de times grandes que fizeram a escolha de vir para cá sabendo que aqui teriam mais sucesso. O segredo do nosso time é que esses jogadores vieram para cá com a humildade de trabalhar como jogador de time pequeno para voltar aos grandes”, afirmou em entrevista recente concedida ao amigo Rafael Reis, ex-colunista do Olheiros e repórter da Folha Online.

Foi assim com Matteo Ferrari, zagueiro descoberto pela Internazionale no SPAL 1907, hoje um clube semi-amador. Como de praxe nos grandes italianos, rodou de empréstimo em empréstimo (passando inclusive pelo próprio Genoa) dos 18 aos 21 anos, até que se firmou no Parma e foi contratado. Em 2004, foi comprado pela Roma e ganhou a medalha de bronze na Olimpíada de Atenas, como um dos três jogadores acima de 23 anos. Mas o desempenho abaixo do esperado obrigou-o a ser emprestado de novo, desta vez para o Everton.

Chegando a Gênova, entretanto, logo firmou-se na zaga, jogando a maioria das vezes no centro da linha de três defensores proposta por Gian Piero Gasperini. O esquema tático pouco usual para os padrões italianos e o desempenho de Ferrari e seus companheiros são outra explicação para o sucesso do clube na temporada: apesar dos 3 a 0 sofridos para a Roma no último domingo, os grifoni têm ainda a segunda melhor defesa do campeonato, com 20 gols tomados em 23 partidas.

O belga Vanden Borre é outro exemplo de aposta que tem dado certo. Após aparecer muito bem pelo Anderlecht, fazendo sua estréia pela seleção aos 17 anos, chegou à Fiorentina para o campeonato 2007/08 mas teve poucas chances, atuando apenas quatro vezes. Envolvido numa troca com Papa Waigo, foi comprado em definitivo pelo Genoa para esta temporada e tem tido atuações bastante satisfatórias pela ala direita, posição fundamental para o sucesso do esquema tático de Gasperini, a ponto de voltar a ser convocado para a seleção.

Na outra ala, Domenico Criscito, emprestado pela Juventus, também tem atuado bem. Outro jogador cedido pela Vecchia Signora que tem demonstrado bons sinais de recuperação é o uruguaio Ruben Olivera, que despontou como um furacão pelo Danúbio e nada produziu nas poucas chances que teve com Fabio Capello – em sua opinião, porque jogava pelos lados, deslocado de sua posição original, mais no centro. Após passagens frustradas por Atlético de Madrid e Sampdoria e até uma volta ao futebol uruguaio, para defender o decadente Peñarol, chegou ao Genoa querendo mostrar serviço, e ainda que não seja titular, tem conseguido emplacar uma sequencia maior de jogos.

E certamente nenhum torcedor genovês torcerá os lábios se tiver seu time chamado de “filial da Juve”. Afinal, outros dois jogadores fundamentais têm sua história ligada ao clube de Turim. Raffaele Palladino e Giuseppe Sculli tiveram trajetórias bastante parecidas: despontaram em clubes pequenos, foram contratados mas não tiveram muito espaço para mostrar seu valor. Sculli, que passou por todas as divisões de base italianas, perambulou por diversas equipes menores até se firmar como companheiro de Milito no ataque rossoblu, tendo feito seis gols até aqui.

Palladino, por sua vez, criou enormes expectativas graças a suas performances em Viareggio e no Primavera, quando marcou 41 vezes em 61 jogos. Emprestado à Sarlenitana, foi chamado de volta para a disputa da Série B, e teve boas chances com Didier Deschamps de mostrar seu valor, marcando duas vezes na estréia e alcançando um hat-trick ante a Triestina. A concorrência desleal no ataque com Del Piero, Iaquinta e Trezeguet forçou-o a se adaptar à função de winger pela esquerda, e apesar de ser destro, tem desempenhado o papel muito bem, fechando no meio para remates precisos.

Por pouco Palladino não voltou a Turim já em janeiro, mas a transferência de Iaquinta para o Zenit não se concretizou. “Poderia ter voltado, mas me sinto feliz aqui. Não inteiramente feliz, afinal acho que ainda tenho muito a mostrar até o final da temporada”, afirmou logo após o fechamento da janela. Sinal de que o Luigi Ferraris pode não ser a parada final para estas quase-eternas-promessas, mas é certamente um porto seguro para que elas se recuperem e sigam seu rumo. Foi assim com Borrielo na temporada passada. É assim também este ano com Thiago Motta, ex-Barça. Bom para os jogadores, melhor para o clube.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Idéias para o calendário do futebol brasileiro


Em épocas de Estaduais, pré-temporadas curtas e início de Libertadores e Copa do Brasil, o mesmo assunto sempre vem à tona: o inadequado calendário do futebol brasileiro. O assunto não é novo nem mesmo neste blog, mas se depois de trinta anos os pontos corridos finalmente foram adotados, por que não discutir o tema à exaustão até que se chegue a um consenso?

A proposta é simples: o calendário brasileiro deve ser adequado ao europeu. Mas como conseguir incutir na cabeça do torcedor as temporadas que começam em um ano e terminam em outro? A idéia seria readequar as competições.

Primeiro ponto: os Estaduais precisam acabar. Rivalidades regionais existem e são centenárias, e não deixarão de as ser com o fim desses campeonatos, que convenhamos, só existem no Brasil e não fazem mais o menor sentido. Será possível que com isso os clubes pequenos acabem? Esta é uma regra do próprio sistema que rege o futebol, capitalista como é - quantos clubes grandes, como Santa Cruz, Guarani e Bahia, já não foram ultrapassados por outros de menor tradição, mas maior aporte financeiro e mais bem estruturados? O protecionismo não pode ser conivente com a incompetência.

Assim, com o fim dos estaduais, o Brasileirão poderia começar em fevereiro, deixando janeiro para a pré-temporada. Um campeonato bem estruturado em quatro divisões pode comportar os times pequenos que atualmente só disputam os regionais e mantê-los ativos por todo um semestre - que é o que acontece com a maioria atualmente.

Três divisões nacionais com 20 times, como acontece atualmente, e mais uma quarta divisão nos moldes europeus: regionalizadas na primeira fase, que pode durar um semestre e envolver dezenas de clubes, classificando os melhores para a fase nacional no segundo semestre, com 20 ou 40 clubes, classificando 4 para a Terceirona do ano seguinte. Assim, os pequenos continuariam existindo.

Por fim, Libertadores e Copa do Brasil são competições completamente distintas. Não é justo que uma equipe que dispute uma, não participe de outra. Nesse caso, os grandes europeus jamais disputariam suas copas nacionais - este sim o local adequado para os pequenos receberem os grandes.

A idéia é separar: Copa do Brasil em um semestre, competições internacionais em outra. Libertadores e Sul-Americana disputadas juntas podem permitir o mesmo que UCL e Copa Uefa: os terceiros colocados ainda têm chance de serem campeões de um torneio menor. Obviamente, neste caso seria necessária uma adequação de todo o calendário sul-americano - e para a Conmebol não é interessante ter as mesmas competições, por envolver contratos de patrocínio e exposição na mídia. Sem contar que clubes como Boca e River têm vaga vitalícia na Sul-Americana - procedimento que precisa ser abolido. Quem joga uma, não joga outra.

Enfim: campeonatos de fevereiro a novembro, férias em dezembro, pré-temporada em janeiro. Dá até para abrir 15 dias de descanso em julho.

Não é difícil, nem complicado de se chegar a essa fórmula.

Basta querer.