terça-feira, 25 de agosto de 2009

Igual, mas diferente

Publicado originalmente na coluna da Série B da Trivela.

Maior público do ano em todas as divisões, com mais de 70 mil pessoas em um único jogo. Melhor campanha da Série B ao final do primeiro turno, com onze vitórias, seis empates e duas derrotas. As frases acima poderiam descrever os anos sabáticos de Atlético-MG e Corinthians, mas aplicam-se a outro alvinegro dos grandes do futebol brasileiro. Após altos e baixos, o Vasco cumpre metade da caminhada na Segunda Divisão com a convicção de que estará de volta em 2010.

Foram 76.211 pagantes na goleada por 4 a 0 sobre o Ipatinga no sábado, primeiro jogo da campanha no Maracanã, em comemoração aos 111 anos do clube, completados um dia antes. Carlos Alberto foi o camisa 111, jogada do departamento de marketing que chamou a torcida, e ela compareceu. O time de Dorival Júnior prometeu e entregou, com uma atuação convincente e que mostra o momento diferente pelo qual passa o até então adormecido Gigante da Colina. Há pouco tempo, momentos como esse eram constantemente estragados, como a festa pelo gol mil de Romário adiada pelo Gama.

O que mais chama a atenção é o fato de boa parte da imprensa ter descoberto a campanha vascaína só agora, quando os números escancararam-se iguais aos do Corinthians do ano passado com as mesmas dezenove rodadas. Isto mostra que a “saga” de 2008 foi muito mais o comum exagero de tudo que cerca o time paulistano do que realmente uma jornada fantástica, por mais que o grande desempenho tenha ocorrido de fato no segundo turno, com quatorze vitórias, três empates e uma derrota. Para comparação, vale mesmo é lembrar do excelente primeiro turno do Grêmio na Série A passada, com dois pontos a mais.

Há mais coincidências que unem as duas equipes. Ambas perderam para o mesmo adversário – Bahia – e amargaram uma fase de baixa, acumulando empates. A diferença é que os tropeços corintianos foram mais espaçados, e concentrados no final do turno. Os cinco empates seguidos derrubaram o Vasco para a oitava posição e colocaram em dúvida a possibilidade do acesso. De fato, o Corinthians tinha um time muito melhor tecnicamente que este vascaíno, e possuía mais poder de fogo. Não à toa, ambos acumularam o mesmo saldo de gols (22), mas o Timão marcou 36 gols e sofreu mais (14 contra 11).

O Vasco é um time mais voluntarioso, que marca mais, especialmente com Amaral e Nilton, e que depende mais das jogadas dos laterais, Paulo Sérgio e Ramon – líderes de assistências da temporada, com nove e cinco, respectivamente. Se é em Carlos Alberto que a torcida encontra o papel do ídolo tão necessário no momento de superação, talvez o maior trunfo de Dorival Júnior tenha sido conseguir montar uma equipe competitiva sem depender do meia de cabelo dreadlock.

A queda de produção explica-se pela perda de alguns jogadores que formavam o time-base que fez ótima campanha no Estadual. As contusões de Tiago, Fernando, Titi, Jéferson e Rodrigo Pimpão demandaram uma alteração estrutural profunda e demorou até que o treinador encontrasse os substitutos, especialmente do meio para a frente, já que Fernando Prass, Vilson e Gian formaram a melhor defesa do campeonato.

Os jovens volantes Mateus e Souza devolveram a consistência perdida no meio-campo e Alex Teixeira, finalmente, fez jus ao título de promessa e firmou-se como titular, mudando até o estilo de jogo para o 4-3-2-1. Élton, agora isolado, também passou a render mais: é o artilheiro cruzmaltino na temporada com 19 gols e soma cinco assistências.

O Vasco pavimenta um caminho sólido de volta à primeira divisão, com uma campanha eficaz de atração de novos sócios que já conta com 33 mil adesões, patrocínio forte e pagamentos em dia. A aposta, na iminência da queda, de que o retorno seria breve, parecia mais um “querer crer” em Roberto Dinamite do que uma convicção, além de uma constatação dos anos anteriores, em que os grandes sempre voltaram. Agora, passadas as maresias, a nau parece muito mais próxima de um porto seguro ao final da jornada – e com perspectivas de voltar a ser tão importante quanto um dia já foi.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Semanário

Os textos da semana que passou, compilados para os amigos:

Na Trivela, o São Caetano surpreende e se candidata a uma vaga no G-4 ao final do primeiro turno da Série B.

No Olheiros, um especial sobre os gatos no futebol brasileiro: como surgem, os principais casos e a certeza de que a solução está longe do fim.

E ainda, como as expectativas exageradas por pais e treinadores podem acabar com a carreira de uma jovem promessa. Veja >>>

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O gato no futebol brasileiro


A oferta é tentadora, simples e aparentemente lícita. Por uma quantia pequena, de aproximadamente R$ 500 (que para a maioria das famílias às quais a proposta é feita, não é nada pequena e pode significar até mesmo um mês de salário), o empresário que acaba de se apresentar promete “ajeitar a documentação do menino” e colocá-lo em um clube grande. Tudo porque, segundo o engravatado olheiro com carregado sotaque da capital, o garoto “tem tudo para estourar, mas bem que podia ser uns dois anos mais novo”.

Confira, no Olheiros, um dossiê especial sobre o problema, e a constatação de que a solução ainda está muito longe.
Leia >>

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Brasileirão: 50%


Chegamos ao final do primeiro turno do campeonato brasileiro e, assim, é hora de mais uma análise dos números. Ainda que faltem três jogos a serem disputados - e eles podem mudar até o campeão simbólico da primeira metade, muito já se pode dizer sobre este campeonato.

A primeira impressão é a de que o nível está diferente do últimos anos: com 19 rodadas por acontecer, os blocos já parecem muito mais definidos, com as aspirações de cada time até o final do ano. Pode-se dizer, com menor margem de erro, que dificilmente o campeão não será São Paulo, Internacional ou Palmeiras. Isto porque, como já se percebe novamente, as equipes de Celso Roth largam muito bem, mas caem no decorrer do campeonato. Fica aberta, assim, uma vaga para a Libertadores, que tem como principal pretendente, hoje, o Goiás, mas que pode muito bem ser o Avaí, se mantiver a sequência. Grêmio e Cruzeiro, pelo que apresentaram até agora, estão um degrau abaixo.

O campeonato começou com uma quantidade incrível de empates - foram cinco em cada uma das duas primeiras rodadas. Com metade dos times envolvidos em Copa do Brasil ou Libertadores, o Internacional disparou com quatro vitórias seguidas, confirmando o bom início de temporada, e o Atlético-MG, eliminado cedo da Copa do Brasil, assumiu a ponta na sexta rodada, liderando por oito rodadas - o maior tempo de liderança do turno. Ao contrário dos anos anteriores, entretanto, o primeiro colocado nunca disparou de fato, e a maior diferença foi apenas de três pontos.

Desde o início do campeonato, os clubes paranaenses e pernambucanos agonizaram na zona de rebaixamento. Com a chegada de Antônio Lopes, o Atlético-PR surpreendentemente se distanciou, e o Coritiba, ainda que bastante irregular, subiu algumas posições. Já Náutico e Sport amargaram as piores sequências negativas do primeiro turno: o Timbu ficou 13 rodadas sem vencer e somou seis derrotas seguidas, enquanto o Leão já está há dez sem triunfar, com quatro derrotas consecutivas.

Quem se recuperou foi o Avaí, que chegou a ser o lanterna na 9ª e na 10ª rodadas e emendou cinco vitórias, estando há nove sem perder. A maior sequência de vitórias, entretanto, pertence a Goiás e São Paulo, que conseguiram seis - a do Tricolor, aliás, está ainda em curso. Já a maior invencibilidade foi do Barueri, que começou muito bem o campeonato mas caiu. O Abelhão não foi batido por dez rodadas seguidas.

Finalistas do Paulistão, Corinthians e Santos têm passado desapercebidos pelo campeonato. Com campanhas modestas, os alvinegros parecem ter pouco a almejar nesta temporada - especialmente o Timão, que perdeu peças importantes e já tem vaga garantida na Libertadores 2010. Com a chegada de Luxemburgo, espera-se que o Santos chegue a brigar pela competição continental, mas a inconsistência ofensiva do time é gritante. Quem rondou a zona de rebaixamento mas parece fadado à zona intermediária é o Botafogo, que se equivocou ao dispensar Ney Franco para trazer Estevam Soares, que chegou com uma proposta de jogo mais defensiva, baseada nos contra-ataques, mudando a filosofia do time nos últimos anos.

Destaques individuais

A briga pela artilharia mais uma vez ficou estagnada. Desde a 12ª rodada, o líder evoluiu apenas dois gols - Felipe (Goiás), Roger (Vitória) e Val Baiano (Barueri) tinham oito, e Adriano (Flamengo) termina o turno na frente, com dez. Diego Tardelli foi destaque do Galo e marcou nove, sendo convocado para a seleção brasileira.

Outros nomes que se sobressaíram foram Pedrão, artilheiro do Barueri negociado com o Oriente Médio; Fernandinho, meia de 23 anos também do time da Grande São Paulo, considerado a principal revelação até aqui; Willians, destaque defensivo por parte do Flamengo, graças ao maior número de bolas roubadas até aqui (89 contra 64 de Pierre); e Cleiton Xavier, líder nas assistências com 12, contra 7 de Júlio César, do Goiás.

Libertadores e rebaixamento

Em 2008, os quatro que estavam na zona da Libertadores se classificaram ao final do campeonato. Em 2007, apenas o São Paulo (saíram Botafogo, Cruzeiro e Vasco e entraram Santos, Flamengo e Fluminense - mas o Cruzeiro se classificou pelo fato do Flu ter sido campeão da Copa do Brasil). E em 2006, saiu o Paraná e entrou o Grêmio, mas o Paraná acabou na Libertadores porque o Inter, campeão continental, acabou em segundo.

Em 2008, dois que estavam na zona de rebaixamento caíram (Vasco - 17º, 19 pontos - e Ipatinga - 20º, 16). Em 2007, também (Juventude - 18º, 16 - e América-RN 20º, 10). E em 2006, também (Fortaleza - 19º, 20 - e Santa Cruz - 20º, 18).

Destaques (rodadas 17 a 19): Golaços de Marcelinho Paraíba, boa fase de Washington, sequência da arrancada do São Paulo e da série invicta do Avaí recuperação do Atlético-PR.

Perebas: Defesas de Náutico e Sport, desempenho do Fluminense, irregularidade do Flamengo.

19ª rodada

Melhor ataque
2009: Barueri (38 gols)
2008: São Paulo (33)
2007: Cruzeiro (40)
2006: Paraná (33)

Melhor defesa
2009: Palmeiras (17 gols)
2008: Grêmio (12)
2007: São Paulo (7)
2006: Santos (17)

Pior ataque
2009: Cruzeiro (18 gols)
2008: Atlético-PR (17)
2007: América-RN (16)
2006: Flamengo (16)

Pior defesa
2009: Náutico e Sport (37 gols)
2008: Portuguesa e Vasco (39)
2007: América-RN (42)
2006: Ponte Preta (39)

Gols e média
2009: 545 (2,91 em 187 jogos)
2008: 519 (2,73)
2007: 520 (2,81)
2006: 502 (2,64)

Artilheiros
2009: Adriano (Flamengo) - 10 gols
2008: Alex Mineiro (Palmeiras) e Kléber Pereira (Santos) - 11 gols
2007: Josiel (Paraná) - 12 gols
2006: Dodô (Botafogo) - 9 gols

Números inéditos
Série de vitórias atual: São Paulo (6)
Série invicta atual: Avaí (9)
Série de derrotas atual: Sport (4)
Série sem vencer: Sport (10)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Textos da semana

Convido os amigos a acompanharem as duas colunas semanais deste que vos bloga.

No Olheiros, uma análise do grupo do Brasil no Mundial Sub-17 mostra que os adversários são ideais para se crescer durante a competição. Leia >

Na Trivela, Ceará surpreende e, com salários em dia e time entrosado, mostra que pode ir longe na Série B. Leia >

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Brasileirão 2009: 40%


Passadas as férias, que não permitiram as análises da 8ª e da 12ª rodada, chegamos (com um pouco de atraso, é verdade) com um olhar mais aprofundado sobre o campeonato dada a aproximação do final do primeiro turno.

Como tem sido costume nos últimos campeonatos, a aproximação da virada do turno é o momento de maior instabilidade dos clubes: os líderes se alternam, equipes que começaram mal melhoram e o inverso também acontece. As rodadas seguidas, todas as quartas e domingos, testam a capacidade de reposição dos elencos e ajudam a definir quem vai brigar pelo quê na reta final. Sendo assim, qualquer análise feita neste momento pode parecer precipitada.

Dessa forma, não se pode dizer que o Palmeiras seja o principal candidato ao título, apesar de ter roubado a liderança que foi do Atlético-MG por oito rodadas. O Galo, apesar da boa fase de Tardelli, continua levantando suspeitas exatamente pelo trabalho recente de seu treinador, que todos os anos faz boas campanhas no primeiro turno, mas depois cai de produção. Com um elenco tão instável, é preciso tempo para ver as reais intenções do clube.

O Goiás, por sua vez, surpreende com jogadores experientes como Iarley e Ramalho, peças importantes do ano passado como os alas Vitor e Júlio César e ótimas aquisições, como o artilheiro Felipe, o ídolo Fernandão e até mesmo o renegado Léo Lima, que tem ido bem no meio-campo. Com Hélio dos Anjos, o alviverde é sim candidato forte a uma vaga na Libertadores.

Quem não para de subir é o São Paulo, que parece ter reencontrado o seu futebol forte pelo conjunto. São quatro vitórias em cinco rodadas e a ótima fase de Dagoberto, responsável pelos três gols que o time marcou nos dois últimos triunfos. O Avaí, após começar na lanterna, emendou cinco vitórias consecutivas e um empate fora de casa com o Corinthians para chegar à zona intermediária - difícil saber o que almeja o time de Silas, mas não parece que brigará contra o rebaixamento. O Corinthians, por sua vez, acusa o golpe das saídas de André Santos, Cristian e Douglas (principalmente do segundo, fundamental na marcação e coesão do meio-campo) e a ausência momentânea de Ronaldo.

O número de jogadores empatados na artilharia impressiona: são dois com 9 gols e mais cinco com 8, sendo que nenhum deles era apontado no início do campeonato como candidato à chuteira de ouro. Com o mercado aberto até o final do mês, poderemos ter mais perdas para os clubes. O número de gols marcados também é bom - o melhor dos últimos quatro anos -, lembrando que faltam dois jogos adiados a serem realizados.

Na parte de baixo da tabela, a situação mais preocupante é de fato a do Fluminense, que possui apenas em Darío Conca um jogador capaz de fazer algo diferente. Fernando Henrique não inspira confiança, a zaga falha e o time não cria e não finaliza - é o pior ataque. Fred, muito aquém do jogador que saiu do Cruzeiro, rendia pouquíssimo até se machucar. Outros indícios de que a queda é sim possível: Renato Gaúcho também fez o Vasco crescer na reta final, mas não evitou a queda. Valdir Espinosa também foi contratado para auxiliar o time cruzmaltino, e o resultado foi nulo. E, finalmente, o time tem muitos garotos que não podem decidir tudo sozinhos.

Finalmente, dois estados agonizam e devem ter, ao menos um cada um, clube rebaixados ao final do campeonato: Pernambuco tem no Sport apenas uma sombra do temido time do primeiro turno e, no Náutico, uma equipe que não parece capaz de se superar como fez nos dois anos anteriores; e o Paraná vê no Coritiba uma equipe carente dos nomes que revelou nos últimos anos e também dos desfalques, especialmente Ariel, além do Atlético que, concentrado com a preparação da Arena para a sede da Copa de 2014, retira investimentos do elenco para direcionar ao estádio. Se não cair este ano, eventualmente arcará com o preço - assim como fizeram Kaiserslautern, Nuremberg e Colônia na Alemanha, antes da Copa de 2006.

Confira abaixo os números acumulados ao final da 16ª rodada:

Destaques: Recuperação do São Paulo, séries positivas de Goiás e Avaí e boa fase de Dagoberto.

Perebas: Defesa do Náutico, ataque do Fluminense e o Cruzeiro, que não conseguiu se recuperar ainda da derrota na final da Libertadores.

16ª rodada

Melhor ataque
2009: Barueri (33 gols)
2008: Vasco (30)
2007: Botafogo (35)
2006: Paraná (30)

Melhor defesa
2009: Palmeiras (14 gols)
2008: Grêmio (12)
2007: São Paulo (7)
2006: Santos (14)

Pior ataque
2009: Fluminense (13 gols)
2008: Atlético-PR (15)
2007: América-RN e Grêmio (14)
2006: Fortaleza (10)

Pior defesa
2009: Náutico (34 gols)
2008: Portuguesa (32)
2007: América-RN (14)
2006: Ponte Preta (31)

Gols e média
2009: 453 (2,86)
2008: 434 (2,71)
2007: 445 (2,87)
2006: 411 (2,56)

Artilheiros
2009: Val Baiano (Baueri) e Diego Tardelli (Atlético-MG) - 9 gols
2008: Alex Mineiro (Palmeiras) e Kléber Pereira (Santos) - 10 gols
2007: Josiel (Paraná) - 12 gols
2006: Dodô (Botafogo) - 9 gols

Números inéditos
Série de vitórias atual: Goiás (5)
Série invicta atual: Botafogo, Flamengo, Goiás e São Paulo (5)
Série de derrotas atual: Barueri (3)
Série sem vencer: Náutico (13)

Conheça o avô de Diego Tardelli


Para ilustrar a excelente matéria do amigo Dassler Marques, fiz as fotos que a equipe do Terra transformou em galeria.

Confira o simpático senhor Nelson, barbeiro em plena atividade aos 75 anos, na cidade de Santa Bárbara d'Oeste.

A matéria:

terça-feira, 4 de agosto de 2009

B de Bahia?


Publicado originalmente na Trivela.

A regularidade no futebol, um dos meios mais instáveis que se conhece, é uma virtude alcançada por poucos. Mas há casos em que o padrão é não haver padrão algum: dono do retrospecto mais mediano da Série B, o Bahia parece afundado em uma crise mais de identidade do que financeira ou estrutural. Pior do que combater um problema grave é não conhecê-lo, e é talvez esta letargia que promove uma perigosa estagnação no tradicional clube nordestino, que aos poucos começa a se acostumar com a Segunda Divisão.

Do terceiro lugar na rodada inicial ao 14º posto há três semanas, o Tricolor sempre se manteve na parte intermediária da tabela. Após perder para o Fortaleza no sábado, encontra-se em posição emblemática: décimo lugar, com cinco vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Marcou 19 gols e sofreu a mesma quantidade.

A quatro jogos do final do primeiro turno, a equipe chegou a ficar seis rodadas sem vencer, na transição entre Alexandre Gallo e Paulo Comelli, e só conseguiu duas vitórias consecutivas em uma oportunidade (lanterna Campinense fora e Vasco em casa). A vitória sobre os cruzmaltinos, aliás, encerrou um jejum de três partidas sem triunfo no Pituaçu, que desde que começou a ser utilizado pelo clube havia se transformado em um caldeirão, certeza de vitória certa. Desacreditada, parte da torcida chegou a se mobilizar pelo “público zero” no confronto com os cariocas, alegando que o time não conseguia vencer como mandante e que, por isso, de nada adiantaria a torcida apoiar.

O efeito foi exatamente contrário: o público de 25.376 é o segundo maior do campeonato até agora, atrás apenas de Ceará 0x2 Vasco, com 27.629. Ações com resultados assim mostram quanta discordância de opiniões há sobre o time. Da mesma forma, uma enquete promovida após a inesperada vitória sobre o Vasco mostrou divisão total de pensamentos: 31,5% dos participantes disseram acreditar no acesso, contra 28,5% de descrentes. Já 40% dos que opinaram se disseram em dúvida, condicionando a volta à elite após sete anos a fatores tão distintos quanto troca da diretoria, contratação de reforços ou mais garra em campo.

Mas afinal, o que faz do Bahia, campeão brasileiro e uma das folhas salariais mais caras da Série B, um clube que ainda não deu mostras de que pode voltar à Primeira Divisão – e, principalmente, permanecer nela? A falta de planejamento da diretoria é a alegação número um dos críticos: gastou-se demais para trazer nomes rodados como Patrício, Nen, Rubens Cardoso e Nadson e até agora apenas o zagueiro tem correspondido, transformando-se no único destaque do time. Não obstante, falta ainda um meia responsável pela armação e que chame a responsabilidade, carência da equipe durante toda a temporada.

Um pouco da reclamação do torcedor é movida pelo coração, já que Paulo Carneiro possui história no rival rubro-negro. Se a falta de planejamento é regra no futebol brasileiro e pode ser relevada, a alegada saudade de Carneiro dos tempos de Barradão parece reavivar quando ele cita o rival, que “subiu há dois anos mudando de treinador quatro vezes. Então qualquer time pode fazer isso”, disse quando do anúncio de Sérgio Guedes.

Há muitos acertos, como investimentos no CT e modernização da estrutura, mas não dá para negar que contratar quarenta jogadores em oito meses é um pouco de exagero. Some-se a isso o criticado retorno de Paulo Comelli (bancado pelo presidente Marcelo Guimarães Filho, mas não apoiado por Carneiro), que, para muitos, fez o time retroceder, mudando a forma de jogo e desestabilizando a defesa, único setor que funcionava bem. Não à toa, durou menos de um mês no cargo, sendo demitido pelo telefone após acumular duas vitórias, dois empates e duas derrotas: desempenho apenas mediano, que reflete bem a apatia da equipe.

Apatia que é outro sintoma detectado por quem acompanha o clube. Não há jogadas ensaiadas, entrosamento e o torcedor reclama da falta de vibração e entrega dos jogadores. Foram quatro oportunidades em que o Tricolor saiu na frente mas permitiu a virada ou o empate, ao passo que só se recuperou contra o Vasco, numa atuação considerada exemplar, mas exceção até aqui.

Tudo isso faz a saída de Comelli parecer menos repentina e mais compreensível, tão logo um treinador com o perfil desejado ficou disponível no mercado. Sérgio Guedes chega respaldado pelas boas campanhas com Ponte Preta e Santo André, no maior desafio de sua ainda curta carreira. Nos dois clubes, teve mais tempo e menos pressão para trabalhar, mas lidou com elencos parecidos: mesclando jovens e experientes, ainda que mais homogêneos do que terá no Fazendão.

O Bahia ainda tropeça. Cada uma das críticas carrega um pouco de razão, e um time que não briga em campo, não cria e não se incomoda com o revés irrita mais o torcedor que um grupo limitado que se entrega, mas cede ao final – vide a Portuguesa do ano passado. Se continuar assim com o novo técnico, pode dar outro passo rumo a uma realidade que hoje já parece bem mais palpável: transformar-se em um ex-grande, com importância regional relativa e nacional reduzida. Um clube pequeno demais para a Série A, mas que é grande demais para a Série B.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Enfim, de volta!

Após um mês de férias matrimoniais, peço licença aos amigos para um post muito mais pessoal do que verdadeiramente informativo.

Aproveitando o passeio lua-de-melístico, pude realizar um sonho de infância ao conhecer o estádio do Boca Juniors - uma experiência que, mesmo com a arquibancada vazia, não deixa de ser excepcional.

A atmosfera em volta da mítica arena é intimidadora já nas proximidades. O bairro de La Boca, de vizinhança pobre, tem pouco do convidativo ar respirado na parte turística de Buenos Aires, como o revitalizado Puerto Madero ou as charmosas ruas repletas de cafés de Recoleta e Palermo: calçadas sujas, casas abandonadas e pouco movimento de carros ou pedestres, mesmo durante a semana, no horário do almoço. Num dia nublado de inverno, fica ainda um pouco mais feio.


Nota mental: jamais ir a pé à Bombonera como torcida visitante. É difícil escapar ileso.


Chama a atenção a calçada da fama com vários atletas famosos, mas sem a pegada de Diego Maradona. Logo na entrada, uma estátua do baixinho deles com um shorts balonê típico do futebol oitentista. A bilheteria do Museu de la Pasion Boquense confunde-se com o caixa do gift shop, e acabei comprando souvenirs antes do tour (dica boa para salvar alguns pesos, afinal depois de tudo o que se vê, o espírito consumista é inflado por tudo o que leva azul escuro e amarelo-ovo). Pela visita ao museu + splash-and-go no estádio (há a visita completa por vestiários, sala de imprensa e camarotes, mas estava fechada), 25 pesos por cabeça - preço razoável em tempos de câmbio a 2 para 1.


Quadro com todos os campeões da Libertadores por R$ 300 (melhor item do gift shop)


Impressiona a quantidade de estrelas, cada uma com o nome de um jogador que vestiu a camisa do clube. Os painéis com uniformes históricos aguçam a apetite dos colecionadores de camisas com raridades como a primeira utilizada, branca e preta, e a réplica das décadas de 40 e 50 com a polêmica faixa diagonal amarela. Uma maquete do bairro de La Boca tem personagens animados que mostram o dia-a-dia e contam a história do local, antiga sede dos estivadores. Há um espaço dedicado ao elenco atual, e o que deixa a desejar são os objetos históricos: apenas algumas camisas antigas e quadros, com poucos objetos curiosos como há, por exemplo, no museu do Santos. O Peixe, aliás, é representado com o item mais interessante da coleção: uma camisa de Pelé utilizada em 1963.

Camisa de Pelé, fotografada por todos os argentinos enquanto os brasileiros fotografam a de Maradona


O audiovisual é o ponto forte do museu. Diversos monitores mostram cenas de conquistas boquenses, e há dois curta-metragens em exibição constante: um sobre os maiores ídolos do clube e outra que se passa num cinema 360°, com telas em todo o redor e carpete imitando um campo de futebol no chão: no filme 'viviendo la pasión', pode-se vivenciar a experiência de ser um garoto escolhido nas peneiras xeneizes até a consagração do gol do título - mais ou menos como numa campanha publicitária recente da Nike.

Chegando à arquibancada, pode-se perceber o quão único é o estádio. Parece até menor que quando visto na televisão (efeito exatamente contrário do comum, quando tudo parece maior ao vivo - experimente ir ao Maracanã para ter uma idéia da sensação). As arquibancadas são sim incrivelmente altas e mais parecem um prédio - ou as paredes de uma caixa de bombons, como se convencionou dizer. Pode-se até pagar para tirar uma foto segurando a taça do Mundial Interclubes e usando uma faixa de campeão. Legal mesmo é assinar o nome na parede, que serve de recordação para os brasileiros - não identifiquei rabiscos em nenhum outro idioma, o que nos faz pensar se isso é realmente permitido.

Arquibancada visitante: tão alta que é o ponto mais perto do céu e do inferno ao mesmo tempo


Enfim, é de fato uma experiência única. O turismo de futebol, tão comum na Europa, está longe de pegar por aqui. Nossas arenas (?) são mal-cuidadas, pouco atrativas e poucos clubes têm esta visão do estádio como ferramenta de marketing - São Paulo, Palmeiras, Atlético-PR, Botafogo e Internacional são poucos que proporcionam tours dos estádios.

Talvez também por isso a mística boquense impressione tanto aos brasileiros. Afinal, despertar respeito é a melhor forma de se vencer um adversário antes mesmo do jogo começar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Férias!




Merecidas, desejadas, quem as não precisa?

Saio em recesso matrimonial e retorno em um mês, se Deus quiser, desposado e renovado.

Pode ser que pinte uma ou outra postagem até lá, mas elas já ficam desde já rarefeitas e desprogramadas.

Que Dunga não acredite ter, um ano antes da Copa, o time perfeito montado.

Que o brasileiro classificado para as finais da Libertadores traga de volta a taça
ao país (meu palpite? Grêmio!)

Que o campeão da Copa do Brasil não abdique do Brasileiro, afinal Corinthians e Inter têm times muito bons para deixarem de desfilá-los nos gramados daqui.

E que o espírito de porco da nova gripe não nos pegue em Buenos Aires.

até breve!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ranking Olheiros - Segunda edição


Foram recordes de visitas, comentários, críticas, elogios, sugestões. Repercussão em sites, blogs, TV e rádios. O Ranking Olheiros do futebol de base brasileiro foi um sucesso em sua primeira edição. Mais do que cravar quem tinha a melhor base, nossa intenção foi cumprida: promover o debate sobre o trabalho de formação de garotos no país. Um mês depois, apresentamos a segunda edição, com cinco competições disputadas e três novos times aparecendo, graças aos desempenhos nos estaduais de base.

Houve mudanças no Top Ten: apesar do vexame da briga e expulsão do campeonato, o Corinthians chegou às quartas-de-final do Mundialito Sub-18, realizado na Espanha, e somou mais doze pontos, ultrapassando o Santos e conquistando o sexto lugar. O São Paulo, semifinalista, ganhou vinte pontos e se manteve na terceira colocação.

Quem saiu dos dez mais foi o Atlético-MG, após ser eliminado na primeira fase da Spax Cup. Com a realização da edição 2009 do torneio, os pontos acumulados com o bicampeonato em 2007 e 2008 tiveram seus pesos diminuídos, conforme os critérios do ranking. Assim, o Galo perdeu pontos e foi ultrapassado pelo América-MG.

Os maiores pontuadores da segunda edição vieram dos campeonatos estaduais de base, que já terminaram em quatro estados: Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe. O Vitória, campeão baiano, subiu duas posições e aparece em 15º. O Fluminense de Feira de Santana´, vice, também subiu duas e está em 29º. O Colo Colo, eliminado na semifinal, subiu 38 posições com os 20 pontos acumulados e aparece em 34º, enquanto o Vitória da Conquista, estreando no Ranking, está em 48º. Já o Bahia, fora das semifinais deste ano, despencou: perdeu 16,4 pontos e caiu da 16ª para a 30ª posição.

No Rio, duas caras novas: o Tigres, campeão com campanha surpreendente, somou 40 pontos e aparece em 32º lugar. E o Boavista, quarto lugar, também estreia, com 16 pontos na 65ª posição. O Vasco, vice-campeão, somou 28 pontos e subiu do 38º para o 25º lugar, enquanto o Madureira, terceiro colocado, ganhou 16 e foi da 30ª para a 21ª colocação.

Já em Pernambuco, o segundo título do Náutico em três anos garantiu ao Timbu mais 40 pontos e dez posições, assumindo o 16º posto. O Sport subiu um lugar (agora em 14º), graças ao vice-campeonato. O Santa Cruz se recuperou com a terceira colocação e deixa o 83º lugar, subindo para o 37º - a maior ascensão do período. Finalmente, o Porto de Caruaru comprovou o bom trabalho com o quarto lugar e se manteve na 19ª colocação geral. O estado tem agora três times no Top 20.

As outras modificações foram reflexo de desvalorização de pontuações anteriores, nos campeonatos terminados no último mês. Esta edição do ranking serve também para adequação e pequenas correções, como a confirmação do título potiguar pelo ABC em 2008. Vale lembrar que os times empatados em pontos aparecem todos na mesma colocação, relacionados em ordem alfabética.

Outra novidade são as setinhas que indicam quantas posições o time subiu ou desceu em relação à primeira edição, além da estrela para os novatos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rothulado


Poucas pessoas despertam tantas reações diferentes no mundo do futebol sem serem polêmicas ou explosivas como Celso Roth. O treinador é adorado por todas as torcidas, menos por aquela em cujo clube está trabalhando no momento, a ponto de ser motivo de chacota dos adversários toda vez que é anunciado em um novo time.

Títulos são obrigatórios para a (sobre)vida de qualquer técnico ou jogador, e Roth não os conquista desde 2000, quando venceu a Copa do Nordeste pelo Sport. Mas não há como negar que, nos últimos anos - especialmente com o advento dos pontos corridos -, ele tem acabado com o rótulo de treinador excessivamente defensivo que ainda insistem em lhe imputar.

Em 2004, fez excelente campanha com o Goiás de Paulo Baier e Alex Dias, terminando o Brasileirão na 6ª posição, a sete pontos da zona da Libertadores. No ano seguinte, assumiu o Botafogo em agosto e fez a melhor campanha do clube desde o título de 95, terminando em nono lugar.

Após as duas boas campanhas, foi demitido. Ficou um ano e quatro meses parado, até assumir o Vasco no lugar de Renato Gaúcho. No Brasileirão, levou o time carioca à liderança pela única vez em toda a história dos pontos corridos, na quinta rodada. Terminou o primeiro turno em quarto lugar (com um jogo a menos), na zona da Libertadores. Com a queda de produção no segundo turno, acabou demitido e o Vasco terminou o ano em 12º lugar.

No Grêmio, fez um trabalho ainda melhor e por pouco não foi campeão brasileiro, liderando o maior número de rodadas da temporada (deixou a ponta a seis jogos do fim) e levando um time desacreditado ao vice-campeonato. Neste ano, abriu mão do Estadual para traçar uma campanha sólida na Libertadores, mas acabou pagando caro pela escolha.

Agora, no Atlético, desenvolve o mesmo trabalho dos outros clubes: recuperou a auto-estima ferida após a goleada na final do Mineiro, immpôs um sistema de jogo de marcação sufocante e contra-ataques mortais. Quando sai na frente, dificilmente o Galo sofre a virada. Na sexta rodada, assume a liderança com o clube pela primeira vez desde que os pontos corridos foram introduzidos.

Falta a Roth encontrar a consistência adequada em todo o ano. A queda de produção de seus times no segundo turno é evidência histórica. Embora seja difícil conseguir fazer isso com o Atlético neste ano, também parecia improvável em 2008 com o Grêmio. Se conseguir, acabará de vez com o rótulo e provará que tem, sim, qualidade. Basta deixá-lo trabalhar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sinal vermelho...e verde


O futebol paranaense não vive um bom momento no Brasileirão. Seus dois representantes dividem a lanterna do campeonato após cinco rodadas, e a ameaça de um campeonato nacional sem times do estado pela primeira vez desde 1990, se ainda parece longe, ao menos está mais palpável do que em outros momentos.

Se goleadas em casa são um dos fatores que apontam um time candidato ao descenso, ambos já sofreram deste mal: o Coxa perdeu por 4 a 2 para o Santo André e 3 a 1 para o Goiás, times que não aparecem entre os favoritos em nenhuma lista. As derrotas do Atlético foram mais contundentes: 2 a 0 para o Vitória, 3 a 2 para o Náutico e a última, um 4 a 0 para o Atlético-MG que derrubou Geninho.

Curiosamente, se o Coritiba pode parecer mais frágil pela campanha no Estadual, é justamente o campeão paranaense Atlético o mais ameaçado. A escolha da Arena como sede da Copa obriga uma concentração total de investimentos na conclusão do estádio, e muitos times grandes de outros países passaram por isso (Saint Ettiene, na França, e Borussia Dortmund, Colônia e Kaiserslautern, na Alemanha, são exemplos).

Já no ano passado o Furacão soprou com ventos menos fortes e escapou na última rodada. Agora, foca ainda menos no time e tem lançado os garotos vice-campeões da Copa São Paulo para tentarem dar conta do recado.

Todos estes são ingredientes comuns a muitas receitas de insucesso ao longo dos últimos Brasileiros. Apenas a título de comparação, os únicos times que conseguiram se safar de começos tão ruins foram Palmeiras, em 2006, e Fluminense, em 2008. Nos dois casos, os times estavam concentrados em disputas continentais e recuperaram os pontos perdidos ao final da Libertadores.

Pode ser o caso do Coritiba, que tem bons nomes e só precisa de melhores ajustes. Mas não parece ser o caso do Atlético, que se cair, pode dar início a uma bola de neve com a queda das receitas, influenciando no andamento das obras.

No momento, o sinal está vermelho para os clubes paranaenses - até mesmo para aquele que sequer aceita esta cor em seu estádio.

sábado, 6 de junho de 2009

Eliminatórias

Austrália, Japão, Coreia do Sul, Holanda e Inglaterra devem ser as primeiras seleções a carimbarem o passaporte para a Copa de 2010, provavelmente neste final de semana. Com o retorno das Eliminatórias neste final de semana, dezenas de jogos movimentam os quatro cantos do Planeta Bola.

Saiba de tudo o que acontece rumo a Copa da África do Sul no
Febre Mundialista. Resultados, classificação, próximos jogos e notícias, além de posts especiais com a História das Copas, grandes craques e muito mais.

Confira!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Caindo de pé


22min55s, segundo tempo. Carlos Alberto deixa o campo alegando cãibras, para a entrada de Enrico – que só foi visto em campo neste momento.

Nos dois minutos seguintes, o Corinthians faz, em três lances, mais do que o Vasco fez em toda a partida.

Fim de pressão vascaína? Nem um pouco. Como previsto, o empate no Maracanã foi melhor para o Vasco que uma possível vitória - o Corinthians aguardou e deu jogo, e se tivesse perdido iria para cima como um furacão e seria imparável.

Há tempos o Vasco não foi tão Vasco – jogando de igual para igual com os grandes, pressionando, se impondo –, e o Corinthians tão Corinthians – sofrido, com garra, luta e entrega.

Há tempos um jogo sem gols não significava tanto para os protagonistas e suas histórias.

Dorival errou, sim, ao sacar Pimpão e apostar em Edgar contra uma defesa entrosada nas bolas aéreas, e depois ao tirar Léo Lima para dar velocidade ao jogo com Fernandinho, corrigindo a substituição anterior.

O torcedor vascaíno pode reclamar de um pênalti não dado em Elton, que teve a camisa puxada no bololô da área.

Mas não pode reclamar do brio deste time, formado muito antes do que se imaginava, e que recuperou sua dignidade.

O Vasco deu o seu máximo hoje. No momento, não é o suficiente para bater o Corinthians.

Mas quantas equipes vão enfrentar o alvinegro paulista por duas vezes neste ano e não perder nenhuma?

O Gigante da Colina caiu de pé, por ora.

Mas nunca esteve tão perto de se reerguer – desta vez, definitivamente.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Brasileirão 2009: 10%


Passadas as quatro primeiras das 38 rodadas do Campeonato Brasileiro, é hora de voltarmos às nossas tradicionais análises pontuais da competição, destacando o que de melhor e pior aconteceu nessas rodadas iniciais que ninguém dá muita importância, mas que no final acabam fazendo falta.

Se a palavra que definiu as rodadas iniciais do BR'08 foi "sonolento", a deste ano pode ser "estranho". Afinal, por conta das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil, metade dos times começou o campeonato se lixando pra ele e deixando aquele ar de primeira segunda-feira depois das férias, quando nada é muito sério, nunca iremos nos lembrar e tudo pode ser deixado para depois.

Um número impressionante de empates deu a tônica na primeira quinzena: foram dez em vinte jogos, exatamente a metade. Ao final da segunda rodada, apenas oito times haviam conquistado uma vitória. Os resquícios deste começo no tranco são sentidos na parte de baixo da tabela: seis equipes ainda não venceram, contra quatro no ano passado, duas em 2006 e ZERO em 2007.

Pela primeira vez desde 2006, também, um time chega à nossa primeira análise com 100% de aproveitamento. Mesmo focado na Copa do Brasil, onde é favorito, o Inter venceu duas partidas fora de casa - uma delas contra o também favorito Corinthians - e desponta desde já como o time a ser batido. Os outros líderes (Vitória, Santos, Náutico e Atlético-MG) parecem o ser apenas por estarem focados apenas no Brasileirão. Vale lembrar, entretanto, que foi assim que o Grêmio, como quem não quer nada, disputou o título até o final.

A Série A ainda não engrenou também pelo fato de termos três times muito diferentes neste ano - Avaí e Santo André não disputam a primeira divisão desde a década de 70 e o Barueri é estreante -, o que deixa muita gente desnorteada sobre o verdadeiro nível do campeonato. Como podemos ver nos números, entretanto, a expectativa é de um campeonato bem equilibrado.

Como trata-se de um sprint inicial, pouco podemos analisar nos times, que vieram do embalo dos estaduais e ainda se voltam às copas, servindo este período, portanto, mais de base de comparação para nossa próxima análise do que qualquer outra coisa.

Algumas certezas, porém, parecem bastante claras: o Atlético-PR possui um time bastante limitado que, com as atenções voltadas para a Copa de 2014, correm sério risco de rebaixamento; da mesma forma, o Botafogo possui um elenco limitado e pode sofrer mais que o esperado; os caçulas Santo André e Barueri, por outro lado, se não são times de qualidade dificultam demais a vida dos peixes grandes e não vão apenas fazer figuração como se pensa.

Abaixo os números das quatro rodadas iniciais.

Destaques: campanha do Internacional, Pedrão, atacante do Barueri, que marca gol até sentado, e Felipe, bom atacante que comprova a vocação do Goiás para fazer artilheiros

Perebas: a defesa do Coritiba, que tomou sete gols em casa em dois jogos, e o destempero do Fluminense, que já teve três jogadores expulsos

4ª rodada

Melhor ataque
2009: Santos (11 gols)
2008: Cruzeiro (8)
2007: Botafogo (10)
2006: Cruzeiro, Ponte Preta e São Paulo (8)

Melhor defesa
2009: Internacional (1 gol)
2008: Cruzeiro (1)
2007: Corinthians e São Paulo (1)
2006: Santos (1)

Pior ataque
2009: Botafogo, Corinthians e Fluminense (3 gols)
2008: Fluminense (1)
2007: América-RN, Grêmio e São Paulo (3)
2006: Botafogo e Santa Cruz (1)

Pior defesa
2009: Coritiba (11 gols)
2008: Portuguesa (11)
2007: Cruzeiro (10)
2006: Palmeiras (13)

Gols e média
2009: 107 (2,67)
2008: 89 (2,22)
2007: 121 (3,02)
2006: 102 (2,55)

Artilheiros
2009: Marcelinho Paraíba (Coritiba) e Felipe (Goiás) - 4 gols
2008: Guilherme (Cruzeiro), Diogo (Portuguesa) e Kléber Pereira (Santos) - 3 gols
2007: Josiel (Paraná) - 5 gols
2006: Pedro Oldoni (Atlético-PR) e Wagner (Cruzeiro) - 4 gols

Números inéditos
Série de vitórias atual: Internacional (4)
Série invicta atual: Atlético-MG, Internacional, Náutico, Santos (4)
Série de derrotas atual: Atlético-PR (2)
Série sem vencer: Atlético-PR, Avaí, Barueri, Botafogo, Coritiba e Sport (4)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O jogo dos sete erros


Ninguém pode negar a Luxemburgo o status alcançado após tantas conquistas. Mas não há como discordar quando se diz que o técnico do Palmeiras já pareceu muito mais técnico do que agora. Luxemburgo tem sido tão manager quanto pode, e vem tomando decisões erradas há algum tempo. Ontem, errou de novo e prejudicou o time num jogo que poderia ser muito mais fácil.

Os sete erros de Luxemburgo no empate com o Nacional:

1. Esquema tático:
O Palmeiras não tem jogadores para o 3-5-2 que o treinador insiste em utilizar. Wendell, Armero, Fabinho Capixaba – nenhum deles é ala que aprofunda o jogo com a velocidade necessária para se utilizar esta formação. O time renderia muito mais com laterais mais plantados, subindo esporadicamente, Pierre à frente da zaga e Cleiton Xavier e Marquinhos dos lados, com Diego Souza aproximando e Keirrison com um companheiro. Ou ainda, com a volta de Edmilson, Diego Souza no meio, Cleiton Xavier e Marquinhos (ou Willians) abertos pelos lados.

2. Escalações equivocadas: Capixaba precisa de confiança para render o pouco que pode. Souza foi colocado na fogueira em Santiago, mas a pressão da torcida alviverde é pior que duas Bomboneras para um garoto que ainda não está no ritmo do restante da equipe.

3. Mudanças precoces: Não era o caso de pode trocar dois jogadores com menos de trinta minutos em um primeiro jogo de quartas-de-final. Luxemburgo se arriscou sem necessidade, podendo sofrer com expulsão ou contusão em partidas normalmente viris como são as contra uruguaios. Existe uma diferença entre arrojo e invencionice.

4. Obina: Por mais que a torcida gritasse seu nome, não era o caso de lançar o atacante tão cedo, e nessas circunstâncias. Obina não produz e força os chutões dos companheiros, procurando nele uma referência que nem Keirrison, nem mesmo o ex-flamenguista, são. Pareceu ter sido muito mais uma alteração psicológica, para mexer com a torcida. Uma aposta do tipo besta ou bestial.

5. Marquinhos: Por que não lançá-lo desde o início? O time o procurava a todo momento e, como já havia demonstrado, é a melhor opção para a ala direita ofensiva que Luxemburgo tanto precisa.

6. Padrão de jogo: O Palmeiras não possui jogadas ensaiadas, forma de jogo definida ou pontos fortes claros. O forte do São Paulo é a bola aérea. Do Inter, a troca de passes entre seu trio ofensivo. O Corinthians tem a velocidade de Dentinho e Jorge Henrique, a cobertura de Elias e Cristian e uma dupla de zaga eficiente. O Palmeiras continua sem ter nada: os gols saem em jogadas fortuitas, sem preparação, e as chances são atribuídas ao acaso ou a falhas do adversário.

7. Keirrison: Por que sacar seu principal atacante quando o adversário está retrancado e você vence por apenas um a zero? Por que colocar um volante e diminuir a já escassa criatividade da equipe?

Luxemburgo tem cada vez mais perguntas a equacionar, e suas respostas não têm sido boas. Mexe mal, escala errado e o time não evolui. Contratou mal, insiste em jogadores errados e não se incomoda em trabalhar a cabeça dos que precisam, como Keirrison.

O discurso do Nacional, de que o Verde era o pior dos brasileiros na Libertadores, acabou por se justificar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Só faltam seis


A convocação para a Copa das Confederações é a mais importante que teremos até a definitiva, para a Copa, em aproximadamente um ano. Como a garantia da vaga é questão de tempo, os jogos finais das Eliminatórias e demais amistosos servirão apenas para preparação e para que Dunga tire suas últimas dúvidas, nas posições que restam.

O torneio na África do Sul pode servir para confirmar algumas coisas - como se o Brasil precisa mesmo de Ronaldinho ou não, e quem é de fato o lateral-esquerdo. Apenas uma campanha catastrófica tiraria alguns nomes já praticamente certos da lista de 23, da mesma forma que somente uma jornada de sonho garantiria nomes ainda incertos como garantidos.

É fato que ainda temos uma temporada inteira pela frente, mas é difícil discordar que Dunga já tenha hoje 17 dos 23 nomes fechados para a Copa. Basta ver o número de convocações de cada jogador e os chamados recentes para se traçar o panorama.

Com Júlio César e Doni garantidos, falta-nos um terceiro goleiro que seria naturalmente Diego Alves, mas Gomes apareceu de surpresa e pode furar a fila. A lateral-direita é a mais tranquila, com Maicon e Daniel Alves até com passaportes e número dos assentos reservados. Na zaga, qualquer coisa que não seja Lúcio, Juan, Alex e Luisão será surpresa.

O maior enigma está na lateral-esquerda. Pelo número de convocações, Kléber (12), Gilberto (11) e Marcelo (10) brigam por duas vagas. Mas como Gilberto não é chamado desde que foi relegado ao Tottenham, a impressão que se tem é que Kleber e Marcelo irão para a Copa - mas a verdade é que ninguém confia muito no jogador do Internacional. Se considerarmos que Kleber, mais vezes convocado, é o atual titular e nome provável, a lista cai para cinco vagas.

No meio, Gilberto Silva e Josué são escolhas naturais e titulares indiscutíveis. Felipe Melo tem apenas convocações recentes, mas está em alta com Dunga e parece ter sua cadeira reservada. Sobra uma posição para os volantes, que poderia ser de Lucas, Hernanes ou Ramires (vantagem para o são-paulino no histórico recente, mas para o ex-cruzeirense pela ida ao Benfica). Pode ser ainda que Anderson seja chamado e colocado nesta posição, abrindo uma vaga a mais para os meias.

Isto porque Kaká, Elano e Júlio Baptista estão confirmados. Diego tem 15 convocações e, agora na Juventus, poderia ser nome certo não fosse a resistência enorme que Dunga sempre teve com ele - ainda não foi chamado em 2009. Ronaldinho Gaúcho, quem diria, não tem presença garantida, embora seja difícil imaginar que, independente de sua forma física, ele fique de fora. Com isso, outros nomes ficam pouco cotados.

E finalmente, no ataque, Luís Fabiano, Pato e Robinho parecem estar confirmados. Abre-se aí a vaga mais concorrida: recentemente Adriano, agora Nilmar, e ainda Vágner Love, Rafel Sobis, Fred...sem esquecer de Ronaldo. Uma coisa é certa: gente boa vai ficar de fora.

Confira os jogadores garantidos, as posições que estão vagas e os números de convocações

Goleiros:
Júlio César e Doni (falta 1)
Laterais-direitos: Maicon e Daniel Alves
Laterais-esquerdos: Kléber e Marcelo os mais cotados (ainda faltam 2)
Zagueiros: Lúcio, Juan, Alex e Luisão
Volantes: Gilberto Silva, Josué e Felipe Melo (ainda não 100%) (1 ou 2)
Meias: Kaká, Elano e Júlio Baptista (1)
Atacantes: Luís Fabiano, Pato e Robinho (1)

Os mais convocados

Goleiros: Júlio César (17), Doni (12) e Hélton (5)
Laterais-direitos: Maicon (19), Daniel Alves (18) e Rafinha (3)
Laterais-esquerdos: Kleber (12), Gilberto (11) e Marcelo (10)
Zagueiros: Juan (16), Lúcio (15), Luisão (12), Alex (10) e Naldo (7)
Volantes: Gilberto Silva (19), Josué (16), Mineiro (9), Lucas, Dudu Cearense e Fernando (6)
Meias: Elano (20), Diego e Júlio Baptista (15), Kaká (14), Ronaldinho (13) e Anderson (9)
Atacantes: Robinho (22), Vagner Love (10), Pato e Luís Fabiano (9) e Rafael Sóbis (8)
*Agradecimentos ao amigo Dassler Marques.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Copa...do Brasil??


Luiz Adriano, Jadson e Naldo marcaram os gols da decisão da última Copa da Uefa da história. É a primeira vez que jogadores de um mesmo país que não os representados pelos finalistas (no caso, Alemanha e Ucrânia) monopolizam a tábua de escore.

O Shakhtar Donetsk foi campeão com méritos. Jogou melhor que o Bremen, soube aproveitar as falhas defensivas do adversário e as ausências importantes de Mertesacker e Diego.

Mas vale o mérito do misterioso e excêntrico Rinat Akhmetov, bilionário fã do futebol brasileiro que pagou caro até demais por jogadores apenas promissores como Fernandinho e Brandão - que saiu no início do ano. Investimento que se paga - ainda que não inteiramente - agora.

Têm sido normal as legiões brasileiras nos últimos campeões europeus, conforme a tabela abaixo, apenas dos últimos três anos, mostra. A diferença do Shakhtar para o Milan ou o Barcelona, que também tinham cinco dos nossos no elenco, é que no time ucraniano todos são titulares e jogaram a decisão.

Vendo por este ponto de vista, os gols de Jadson e Luiz Adriano não são mais tão dignos de comemoração.

Confira os brasileiros presentes nos últimos campeões europeus:

2008/09
Shakhtar Donetsk - 5 (Fernandinho, Jadson, Ilsinho, Luiz Adriano e Willian)

2007/08
Manchester United - UCL - 1 (Anderson)
Zenit St. Petersburg - Uefa - 0

2006/07
Milan - UCL - 5 (Dida, Cafu, Serginho, Kaká e Ricardo Oliveira)
Sevilla - Uefa - 4 (Daniel Alves, Adriano, Renato e Luís Fabiano)

2005/06
Barcelona - UCL - 5 (Belletti, Sylvinho, Thiago Motta, Edmilson e Ronaldinho Gaúcho) 
Sevilla - Uefa - 4 (Daniel Alves, Adriano, Renato e Luís Fabiano)

Escola de Goleiros


Um post um pouco diferente hoje, para ajudar os amigos.

Pioneira no país, a Escolinha de Goleiros de Americana promove amanhã (21/5), às 19 horas, no Clube Veteranos, um bingo beneficente para arrecadação de fundos do projeto, que completa três anos de atividades, atendendo alunos de 7 a 18 anos com aulas gratuitas. Além de camisas autografadas por ídolos do futebol brasileiro, o bingo terá prêmios em dinheiro.


O coordenador do projeto, Vander Batistella, revelou que serão sorteadas camisas oficiais dos goleiros Marcos (Palmeiras), Ronaldo e Felipe (Corinthians), Magrão (Sport) e Rogério Ceni (São Paulo). Além disso, haverá prêmios em dinheiro (R$ 1 mil, R$ 500, R$300 e R$200).


Em três anos de atividades, o projeto já atendeu aproximadamente 600 alunos. Atualmente cerca de 120 alunos, três vezes por semana, treinam e desenvolvem habilidade na posição.