
segunda-feira, 22 de março de 2010
Craques das Copas - Gerd Müller

quinta-feira, 18 de março de 2010
História das Copas - Inglaterra 1966 (parte II)
Ao se classificar para enfrentar Portugal, a sensação da Copa, a Coreia do Norte já havia conquistado um grande feito, e muitos imaginavam que pararia por ali. Mas não foi o que os coreanos queriam: logo a um minuto de jogo, Seung Zin Pak abriu o placar, espantando a todos. Mas isso não era tudo: Li e Yang ampliaram para uma surpreendente vantagem de 3 a 0.O time português parecia liquidado, mas dois gols de Eusébio, um de pênalti quando o primeiro tempo já terminava, animaram novamente os lusitanos, que voltaram com tudo para o segundo tempo e jogaram uma partida memorável, virando o placar para 5 a 3, um dos maiores jogos de todos os tempos. Acabava ali a aventura norte-coreana.
Nos outros jogos, a Alemanha não teve dificuldades para massacrar o Uruguai por 4 a 0, diferente dos donos da casa, que só marcara um gol na Argentina a 12 minutos do fim. No outro jogo das quartas-de-final, a União Soviética venceu a Hungria por 2 a 1 em uma partida muito truncada. Os portugueses enfrentariam agora os anfitriões em uma semifinal, enquanto que os alemães duelariam contra os soviéticos.O encanto português acabou na semifinal, ao perder por 2 a 1 para os ingleses, em um jogo onde Eusébio pouco apareceu, apsar de ter marcado o gol de honra de pênalti já no fim do jogo. A Inglaterra enfrentaria na final a Alemanha, que derrotou a União Soviética de Lev Yashin pelo mesmo placar, com gols de Haller e Beckenbauer. Portugal ainda contentou-se com o terceiro lugar, liderado novamente pelo craque Eusébio, que marcou um gol na vitória por 2 a 1 sobre os soviéticos.
No dia 30 de julho, 93 mil espectadores aguardavam pela final, que não decepcionou a ninguém pela emoção. Haller abriu o placar para os alemães quando o jogo mal começara e logo depois Hurst empatou. Já no final do segundo tempo, Peters virou para os ingleses, levando o público ao delírio. Mas a Alemanha empatou quando o jogo já terminava. Uma prorrogação tensa aguardava a todos. Hurst marcou um dos gols mais polêmicos da história das Copas: a bola bateu no travessão e caiu em cima da linha.O juiz suíco Gottfried Dientz, após titubear um pouco, confirmou o gol inglês, levando os alemães ao desespero e esfriando seus ânimos. A Alemanha não conseguiu mais reagir, e Hurst marcou ainda mais um gol, confirmando o título dos inventores do futebol em seu próprio templo.
VIII Copa do Mundo - 1966 - Inglaterra
Campeão: Inglaterra
Vice: Alemanha
3º: Portugal
4º: União Soviética
Período: de 11 a 30 de julho de 1966
Total de jogos: 32
Gols marcados: 89
Média de gols: 2,78 por partida
Artilheiro: Eusébio (Portugal) - 9 gols
Público total: 1.614.677 pagantes
Média de público: 50.459 pagantes
O Brasil: 11º lugar - 3 jogos (1V e 2D), 4GP/6GC
Jogos: Primeira fase: Brasil 2x0 Bulgária (Pelé e Garrincha)
Brasil 1x3 Hungria (Tostão; Bene, Farkas e
Brasil 1x3 Portugal (Rildo; Eusébio (2) e Simões)
quarta-feira, 17 de março de 2010
As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos
dona? Garrincha?), definir as melhores seleções de todos os tempos (fora as
brasileiras) é assunto para a vida toda. É quase impossível comparar períodos
distintos do esporte, e pode resultar anacrônico igualar o futebol de dife-
rentes décadas. A bola que voa em 2010 é outra pelota, se comparada a que
rolava em 1970. Piorou? Melhorou? Mudou. Como a vida. Como o mundo.
É com estas palavras que a bola começa a rolar e Mauro Beting abre o jogo em seu "As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos", lançamento da Editora Contexto que teve sua noite de autógrafos realizada nesta terça-feira, na Livraria Saraiva do Shopping Eldorado.
Habilidoso com as palavras como jamais seria com a bola nos pés - ato confesso dele próprio, ainda que seja dos melhores goleiros que este país não viu -, Mauro Beting escalou os amigos André Rocha e Dassler Marques para o auxiliarem na escolha, análise e tradução para o ótimo futebolês as sete melhores seleções de todos os tempos, campeãs mundiais ou não.
Em ano de Copa do Mundo, entender porque a Hungria de 54 e a Holanda de 74 não foram campeãs (mas sim a Alemanha, em ambos os casos), conhecer de lances perdidos da conquista inglesa em 1966, como o lençol de Pedro Rocha em Bob Moore,
Por ter tido o privilégio de estar presente no lançamento e a honra de aprender demais com este craque de todas as linhas, fica aqui uma dica para os fãs de futebol, de Copa do Mundo, de literatura e de Mauro Beting.
O livro já está disponível nas melhores livrarias e aqui, no site da Saraiva.
Faça como as seleções descritas neste livro: não perca!
segunda-feira, 15 de março de 2010
Grandes técnicos das Copas - Vittorio Pozzo

VITTORIO POZZO
Em apenas um período de quatro anos, Vittorio Pozzo levou a seleção italiana à conquista de duas Copas do Mundo e de uma medalha de ouro olímpica, transformando-se em um dos maiores técnicos de toda a história. Não só "o velho maestro", como era chamado, montou um dos melhores times de todos os tempos, como também foi o responsável por estabelecer várias características tradicionais do futebol italiano, como a forte marcação mesclada com ataques habilidosos.
Conhecido como um mago da tática, Pozzo era também um líder de sucesso. Autoritário, mas paternalista e atencioso, ele exigia de seus jogadores a vitória a qualquer preço, mesmo quando alguns de seus comandados não eram italianos. A conquista da Copa de 34 em casa foi um triunfo para I itália e para seu ditador, Mussolini. Mas provando que o time era realmente bom e que não havia vencido por favorecimentos, Pozzo levou a Itália ao bicampeonato na França.
Pozzo teve contato com o futebol pela primeira vez na Inglaterra quando jovem. Foi jogador de futebol entre 1905 e 1911, atuando pelo Grasshoppers da Suíça e pelo Torino. Em 1912 e 1924, dirigiu a seleção olímpica italiana, conquistando uma medalha de bronze em Paris. Em 1929, assumiu o comando da seleção principal.
Após a conquista da medalha de ouro em 36, a Itália aparecia como favorita ao Mundial de 38, embora o time estivesse bastante diferente do campeão quatro anos antes. Pozzo convocou Piola e Colaussi, que juntos fizeram 9 gols e foram fundamentais na batalha do bicampeonato. A conquista fez dele um herói nacional, embora ainda assim tenha lutado contra adversários políticos para manter-se no cargo, de onde saiu em 48, aos 62 anos, aposentando-se. No total, dirigiu a Azzurra em 93 jogos, conquistando 63 vitórias, 17 empates e 15 derrotas. Tanto o número de jogos como o de vitórias são ainda hoje recordes nacionais.
Mas a carreira de Pozzo não foi só de alegrias: em 1949, a tragédia com o avião da delegação do Torino matou muitos amigos e colegas de profissão de Pozzo, que conhecia tão bem os jogadores que foi um dos escolhidos para identificar os corpos. Após a aposentadoria, ainda aventurou-se como jornalista esportivo, mas o regime fascista de Mussolini havia endurecido de tal forma que não poupava nem os comentários do velho mestre. Uma figura popular ou não, o lugar de Pozzo na história das Copas estará sempre guardado, juntamente com o do time que dirigiu.
TÁTICAS
Quando morava na Inglaterra, Pozzo observou o centro-médio Charlie Roberts do Manchester United e teve a idéia de formar um sistema com dois jogadores recuados e um centro-médio que armasse as jogadas. Inspirado pela Áustria do técnico Hugo Meisl, Pozzo desenvolveu sua própria formação tática, chamada de "Método". Os times dirigidos por ele (seja a seleção italiana ou o Torino, que comandou de 1912 a 1924) jogavam mais com os atacantes centrais Giuseppe Meazza e Giovanni Ferrari do que com os meias, conseguido furar os bloqueios das defesas com mais facilidade através da combinação de dois estilos típicos de jogo na época: o 2-3-5 e o WM.
Na década de 40, o centro-médio transformou-se em um desarmador de jogadas, e a estratégia, revisada, recebeu o apelido de "Sistema". Esse novo estilo foi o antecessor do típico modo de jogo italiano: defesas sólidas e rápidos contra-ataques, que se provaram eficientes ao longo do tempo no complexo mundo do futebol internacional.
Nome: Vittorio Pozzo
Data de nascimento: 12/03/1886
Local de nascimento: Turin, Itália
Data de morte: 21/12/1968
CARREIRA
Como jogador
1905 e 1906: Grasshoppers (SUI)
1906 a 1911: Torino
Como técnico
1912 a 1924: Torino e seleção olímpica da Itália
1929 a 1948: Seleção italiana
Títulos
1924: Medalha de bronze nas olimpíadas de Paris
1934: Copa do Mundo da Itália
1936: Medalha de ouro nas olimpíadas de Berlim
1938: Copa do Mundo da França
domingo, 14 de março de 2010
História das Copas - Inglaterra 1966 (parte I)
Os inventores do futebol foram presenteados pela FIFA com a organização do Mundial de 66. Semanas antes do início da Copa, a taça Jules Rimet foi roubada e achada misteriosamente num lixão por um cachorro chamado Pickles. Muitos, entretanto, acreditam que a história seja uma farsa, apenas para promover o torneio.A preparação do Brasil foi bastante turbulenta, sofrendo várias derrotas em amistosos e padecendo de uma péssima organização. O técnico Vicente Feola era duramente criticado por não definir um time titular e um esquema de jogo.
Além do Brasil e da anfitriã Inglaterra, Portugal de Eusébio - que se classificara de maneira invicta eliminando os vice campeões tchecos - e Alemanha eram cotados como favoritos. Argentina, Uruguai e Chile foram os outros representantes da América do Sul, enquanto a Coréia do Norte qualificou-se de maneira heróica ao derrotar a Austrália, após a desistência da Coréia do Sul. Todavia, não era a primeira peça que os norte-coreanos iriam pregar. Na Europa, os favoritos Espanha, Itália e França se classificaram, enquanto que o México foi, mais uma vez, o representante da Concacaf.
O Brasil foi à Inglaterra a passeio. Essa é a conclusão que se pode tirar do desastre canarinho na terra da rainha. Cedendo a pressões, o técnico Vicente Feola convocou 44 jogadores para a preparação da Copa, definindo os 22 escolhidos apenas duas semanas antes do início do Mundial. Ainda com toda essa bagunça, o Brasil conseguiu vencer na estréia, derrotando a Bulgária por 2 a 0, com gols de Pelé e Garrincha, de falta. Pelé, entretanto, machucou-se logo na primeira partida, assim como havia acontecido em 62. Os zagueiros caçavam-no em campo de maneira tão feroz que o Rei conviveu com outro drama: suas únicas duas contusões sérias foram nas Copas de 62 e 66. No segundo jogo, uma derrota inexplicável para a já frágil Hungria por 3 a 1. Tostão fez o gol de honra brasileiro.Para o jogo decisivo contra Portugal, um reforço inesperado: Pelé estava recuperado e jogaria. O técnico brasileiro sofria pressão de todos os lados e trocou nove jogadores do time que perdera para os húngaros. Novamente, Pelé foi caçado em campo e, novamente, a falta de entrosamento causada pelo despreparo custou ao Brasil a vitória: 3 a 1 para o empolgado time português, comandado por Eusébio, o craque da Copa. Era o fim do sonho do tri consecutivo.
A eliminação do Brasil na primeira fase não foi a única - e nem a maior - surpresa dessa Copa. Os norte-coreanos aprontaram o que, se levadas em conta as condições, foi a maior zebra da história das Copas. Após perderem para a União Soviética por 3 a 0 e arrancarem um empate sofrido com o Chile, a Coréia do Norte enfrentou a Itália, favorita do jogo, sem muitas pretensões. Talvez o salto alto tenha sido o fator principal que custou a vitória aos italianos: no final do primeiro tempo, Doo Ik Pak marcou o gol histórico que eliminou a Squadra Azurra da Copa. Mas as façanhas coreanas, acreditem, não pararam por aí.No grupo 1, os anfitriões ingleses classificaram-se sem dificuldades após 2 vitórias e um empate, juntamente com o Uruguai. O México conseguiu dois empates e terminou na frente da França, embora ambos tenham sido eliminados. No Grupo 2, Alemanha e Argentina se classificaram, em mais um fracasso espanhol. Estavam então definidas as quartas-de-final: Inglaterra x Argentina, União Soviética x Hungria, Alemanha x Uruguai e Portugal x Coréia do Norte.
sábado, 13 de março de 2010
Um bom lugar para começar
Publicado no Olheiros
As grandes competições são para os grandes jogadores, para os atletas prontos, correto? Não há muito espaço para os jovens inexperientes, pelo medo de que possam sucumbir à pressão das partidas decisivas. Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, e com o clamor popular pela convocação de Neymar crescendo a cada exibição de gala do Santos, tal discussão parece bastante aproriada: afinal, é possível utilizar os meninos em jogos de ponta sem correr riscos exagerados?
Nesta semana, dois ótimos exemplos para os defensores da resposta “sim” à pergunta do parágrafo anterior foram dados na maior competição de clubes do mundo: a Uefa Champions League. Com apenas 19 e 17 anos respectivamente, Miralem Pjanic e David Alaba foram os destaques das heróicas classificações de Lyon e Bayern de Munique às quartas de final.
Pjanic não é nenhuma novidade. O meia bósnio vindo do Metz em 2007 estreou na UCL ainda na temporada passada, e nesta transformou-se titular absoluto do meio-campo de Claude Puel, tendo marcado três gols e anotado cinco assistência na Ligue 1. E foi além: na atual Liga dos Campeões, é o motor do renovado Lyon pós-Juninho Pernambucano, com quatro gols (vice-artilheiro do campeonato) e três assistências. Na primeira fase, contra o Debrecen, da Hungria, foi o homem do jogo, com um belo gol de falta no melhor estilo do meia brasileiro.
Por isso, quando o camisa 8 dominou a bola na coxa direita à frente de Casillas e fuzilou de canhota sem deixar a bola cair, sabia-se que era a afirmação definitiva de um jogador que ascendeu aos profissionais aos 16 anos, marcou seu primeiro gol na Ligue 1 aos 17 (um dos mais jovens da história do campeonato) e estreou aos 18 na seleção principal de seu país.Um dia antes, 1287 quilômetros a leste de Madrid, na capital da Toscana, outro garoto aparecia com evidência na surpreendente eliminação do time da casa. Desta vez, não por marcar um gol, mas por evitá-los. David Olatunkubo Alaba, austríaco de Viena, mas de mãe filipina e pai nigeriano, quebrou mais um recorde em sua ainda breve carreira.
Jogador mais jovem a atuar na Bundesliga austríaca (estreou aos 17 anos, três meses e 20 dias pelo Áustria Viena), o garoto que tinha dois dias de idade na final da Euro 92, quando a Dinamarca bateu a Alemanha, alcançou duas marcas em uma semana pelo Bayern de Munique: no final de semana, aos 17 anos, oito meses e dez dias, foi o atleta mais novo a defender os bávaros pela Bundesliga, no empate em 1 a 1 com o Colônia. Três dias depois, era titular diante da Fiorentina, em uma partida válida pelas oitavas de final da Champions League.
Alaba torna-se, desde já, uma referência em ascensões meteóricas. Há seis meses, recém-alçado ao time titular dos Violetas (austríacos, não os que ajudou a afundar na quarta-feira), recusou uma extensão de contrato para assinar com os bávaros e foi direcionado ao time B. Foram 16 partidas na Regionalliga Sul, terceira divisão nacional, e há exatamente um mês, no dia 10 de fevereiro, foi convocado para o elenco que enfrentaria o Greuther Fürth pela Copa da Alemanha. A estreia foi perfeita, e concedeu até mesmo uma assistência nos 6 a 2.
O desempenho acima do esperado foi surpreendente para um garoto tão inexperiente no que se refere a este nível de jogo, e por mais que seu chamamento tenha sido primordialmente devido às contusões de Demichelis e Contento, Alaba foi amplamente elogiado pela imprensa alemã, recebendo a melhor avaliação de toda a linha defensiva da equipe. Tudo isso jogando fora de sua posição ideal – foi improvisado na lateral esquerda, por mais que seja um meiocampista central de orientação defensiva.
Alaba poderá retornar ao time B assim que Demichelis voltar, mas o importante é que mostrou qualidades para permanecer no elenco principal, feito bastante relevante em um Bayern que emprestou o supervalorizado Toni Kroos por problemas de adaptação. Com exemplos como o de Rooney – que aos 18 anos marcou um hat-trick sobre o Fenerbahçe, na UCL de 2004 e é, no momento, o maior atacante em atividade –, não há dúvida que até mesmo as principais competições do mundo são, sim, um bom lugar para se começar.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Morre Euzébio, ex-jogador do Santos e campeão paulista de 73

Ouça entrevista com Euzébio feita em 2008, para o Domingo Esportivo da rádio Azul Celeste de Americana, afiliada à Rádio Bandeirantes:
O motivo do acidente ainda não foi esclarecido, mas de acordo com informações preliminares obtidas junto à família de Euzébio, ele estava sozinho em um Toyota/Corolla e teria batido contra uma mureta.
A ele, a homenagem deste blog, reproduzindo parte de um texto que fiz em 2005 sobre sua carreira e vida. Abaixo, deixo o texto completo para leitura. São sete páginas de uma história de vida impressionante, que merece ser conhecida.
"A religião esteve com Euzébio em toda sua vida, especialmente no centro do gramado do estádio do Morumbi na tarde nublada daquele domingo, 26 de agosto de 1973. O Santos, escalado com Cejas; Zé Carlos, Carlos Alberto, Vicente e Turcão; Clodoaldo e Léo; Jair da Costa, Euzébio, Pelé e Edu empatara com a Portuguesa em 0 a 0 na final do campeonato paulista. Da beira do gramado, a imprensa, toda a favor da Portuguesa, via as arquibancadas lotadas de santistas após entrevistar alguns dos outros 10 mil que ficaram do lado de fora sem ingresso. O público de 116.156 torcedores é recorde paulista até hoje e dificilmente será quebrado. Jogo nervoso. A Portuguesa tinha um elenco jovem e, no Santos, Euzébio era o mais jovem e o mais nervoso. O garoto não foi escalado para cobrar os pênaltis, mas ficou ajoelhado no campo, mãos justapostas, camisa molhada de suor, rezando um Pai-Nosso. O goleiro santista defendeu os três primeiros pênaltis da Portuguesa, enquanto Zé Carlos desperdiçou a cobrança para desespero de Euzébio. Faltando ainda duas cobranças de cada lado, só uma tragédia tiraria o título do Santos. Então, na terceira defesa de Cejas, o árbitro Armando Marques, erroneamente, apita e declara o Santos campeão. O menino que cortava cana no interior de São Paulo vibra com seus companheiros e com os mais de 100 mil torcedores, corre, pula, grita. Só que, cinco minutos depois, os jogadores já perceberam o que havia ocorrido."
Clique aqui para visualizar o texto compledo do perfil de Euzébio.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Encostado no Fla, Erick Flores é emprestado ao Ceará
Após muita indefinição, a diretoria do Flamengo acertou o empréstimo de Erick Flores ao Ceará até o final do ano. O meia de 20 anos não vinha sendo aproveitado pelo técnico Andrade – desde a estreia do treinador, atuou apenas três vezes no Brasileirão, sempre entrando do banco.
Em 2010, foi titular na estreia na Taça Guanabara (mas foi substituído no intervalo por Vinícius Pacheco, que não saiu mais da equipe), e depois entrou no final da partida contra o Volta Redonda, na segunda rodada.
O nome de Erick chegou a ser confirmado no Internacional no início da temporada – já numa demonstração clara de que Andrade não pretendia contar com o jogador –, mas a negociação não evoluiu.
Levado ao profissional em 2008 por Caio Júnior, Erick Flores estreou na vitória sobre o Atlético-MG, no primeiro turno do Brasileirão daquele ano. Seu melhor momento foi sob o comando de Cuca, quando tornou-se titular e teve papel importante na conquista da Taça Rio. Chegou ainda a participar da preparação da seleção sub-20, mas não foi convocado para o Mundial do Egito.
Ao todo, disputou 28 partidas pelo Flamengo, não tendo marcado nenhum gol e feito duas assistências.
terça-feira, 9 de março de 2010
Craques das Copas - Franz Beckenbauer

Começou sua carreira aos 9 anos, no time mirim do SC München 06, indo para o Bayern quatro anos depois. Sua estréia no time principal só aconteceria em 64, jogando de ala esquerdo. Um ano depois, aos 20, já foi convocado pela primeira vez para a seleção alemã. Na Copa de 66, era titular na zaga e, mesmo assim, marcou dois gols contra a Suíça na primeira fase, um contra o Uruguai nas quartas-de-final e outro contra a União Soviética na semifinal. A derrota para os ingleses na final foi doída, mas ele estava certo de que chegaria a sua vez.
Em 69, uma temporada dourada no Bayern de Munique: campeão da Copa da Alemanha e do campeonato nacional. Em 70, no México, ele tentaria o título mundial novamente. Como capitão da seleção, Beckenbauer possuía muito mais responsabilidade em campo, e por isso marcou apenas um gol na Copa, mas um gol que valeu muito: foi contra a Inglaterra, nas quartas-de-final, a vingança pela derrota de quatro anos antes.
Sua determinação foi posta à prova na semifinal contra a Itália, quando o `Kaiser` disputou boa parte do jogo com o braço enfaixado junto ao corpo, demonstrando a vontade de vencer. A Alemanha perdeu para a Itália e ficou com o terceiro lugar, mas o público não esqueceria tão cedo a demonstração de garra daquele alemão.
Após conquistar o tricampeonato nacional, o `Kaiser` tinha a missão de levar a seleção à conquista do bicampeonato em sua própria nação, que organizaria a Copa de 74. E ele não os desapontou. A essa altura, ele já jogava na posição que revolucionou: líbero, atrás da defesa, organizando o time e ajudando também ofensivamente. Juntamente com Gerd Müller e Paul Brietner, Beckenbauer atendeu ao clamor da massa alemã e foi o primeiro capitão a levantar a Taça FIFA, após um início conturbado na primeira fase. Embora não tenha marcado nenhum gol nesta campanha, Beckenbauer a reconhece de longe como a mais memorável, pelo fato da seleção ter vencido os holandeses, que chegaram à final com todo o favoritismo. O sonho do Kaiser estava concretizado.Após a Copa, o Bayern conquistou três títulos europeus consecutivos, um recorde até hoje. O time, que fora a base da seleção campeã mundial, encantou a todos e era, de longe, o melhor time do mundo na época. Em 77, Beckenbauer aceitou o convite do Cosmos, de Nova Iorque, e foi jogar ao lado de Pelé. Apesar de ter ficado lá por três anos e conquistar três campeonatos nacionais, Beckenbauer achou que a experiência não deu muito certo e ele voltou, já fora da seleção. Jogou duas temporadas no Hamburgo, encerrando sua participação no campeonato alemão com 44 gols em 424 jogos. Em 83, voltou para o Cosmos para encerrar definitivamente a carreira.

Logo no ano seguinte, foi escolhido como técnico da seleção alemã, levando-a ao vice-campeonato em 86, no México, e dando seqüência ao trabalho, levou o time à conquista do tri na Itália em 90, terminando a Copa de forma invicta. Após a conquista, deixou o comando da seleção para tornar-se técnico e depois presidente do seu clube de coração, o Bayern de Munique, onde ficou até 98. Eleito para a vice-presidência da Federação Alemã de Futebol, trabalhou ativamente no Comitê Organizador da Copa de 2006.
Nome: Franz Beckenbauer
Data de nascimento: 11/09/1945
Local: Munique, Alemanha
Carreira:
Em clubes:
1954 a 1958: SC München 06
1958 a 1977: FC Bayern Munich
1977 a 1980 e 1983: New York Cosmos
1980 a 1982: Hamburg SV
Na seleção:
14 gols (4 na Copa de 66 e 1 na Copa de 70) em 103 jogos (50 como capitão)
Como técnico:
1984 a 1990: Seleção alemã
1990 e 1991: Olympique de Marselha
1994 e 1996: Bayern de Munique
Títulos:
Como jogador:
Campeão da Copa de 1974
Pentacampeão alemão (1969, 1972, 1973, 1974 e 1982)
Tetracampeão da Copa da Alemanha (1966, 1967, 1969 e 1971)
Tricampeão da Copa Européia de Clubes (1974, 1975 e 1976)
Tricampeão da Liga Norte Americana (1977, 1978 e 1980)
Como técnico:
Campeão da Copa de 90
Campeão alemão de 1994
Campeão da Copa da UEFA em 1996
segunda-feira, 8 de março de 2010
Análise: qual candidato ao título da Copa tem o melhor goleiro?
Por isso, nada melhor que analisar os goleiros dos sete cabeças-de-chave mais a França, afinal se o campeão sair de alguém de fora deste grupo teremos, em solo africano, a maior zebra da história das Copas. Acompanhe, dê sua opinião e lembre-se: todo grande time começa por um grande goleiro.
Grupo A - França
Grupo B - Argentina
Grupo C - Inglaterra
Grupo D - Alemanha
Grupo E - Holanda
Grupo F - Itália
A Itália é Buffon e mais dez, correto? Bem, não necessariamente. Apontado por muitos como melhor goleiro do mundo na década, Buffon não tem tido uma temporada muito feliz com a Juventus. Apesar de parecer já veterano, sua idade (32) o permite até mesmo disputar a Copa de 2014, mas o fato é que Marcelo Lippi já testou outros nomes como Amelia, Marchetti e De Sanctis por precaução. Buffon será titular da Azzurra, sem dúvidas, mas certamente não com a mesma segurança de quatro anos atrás - suas atuações na Euro e na Copa das Confederações são prova disso.
Grupo G - Brasil
O Brasil não tem centroavantes de peso cotados para a artilharia da Copa, mas em compensação não precisa se preocupar com o gol. Não parece uma descrição muito fiel às tradições tupiniquins, correto? Mas é o mais fiel retrato da realidade. Ao passo que o lobby por Ronaldinho Gaúcho e Pato só aumenta, a maior unanimidade da seleção é Júlio César: defesas incríveis na Copa das Confederações, Copa América e, especialmente, nos jogos contra a Argentina concederam ao goleiro da Internazionale o posto de melhor camisa 1 do mundo em 2009. Há muito tempo, o Brasil não tinha tanta tranquilidade no gol - é só torcer para que ele não se machuque, porque depender de Doni ou Gomes é demasiadamente arriscado. Victor, o melhor goleiro em atividade no Brasil há dois anos, parece fora da briga pela reserva.
Grupo H - Espanha
E você, quem acha que terá o melhor goleiro na Copa do Mundo?
domingo, 7 de março de 2010
História das Copas - Chile 1962 (parte II)




sábado, 6 de março de 2010
Culpado ou inocente?
Publicado no Olheiros
Com qual idade uma pessoa alcança a maturidade emocional, psicológica, profissional? Depende muito das características, de seu histórico de vida, sua formação e educação, certo? Quantas “burradas” não se faz aos 20 anos? Elas significam, afinal, que não se possui cabeça ou será despreparado para o resto de sua vida? Qualquer estudante de psicologia de primeiro período responderá que não. Seguindo este pensamento, como condenar um jovem de infância pobre, de quem toda uma família depende financeiramente e que vê, sob sua perspectiva, suas chances de um futuro melhor minguarem, decidir “sumir para o mundo”? É assim, antes de qualquer coisa, que deve ser analisada toda a polêmica envolvendo o jovem atacante Walter, do Internacional.
Criticado duramente por Jorge Fossati mesmo após ter resolvido a vida do Inter na estreia da Libertadores, diante do Emelec, Walter decidiu trancar-se em seu apartamento no bairro Menino de Deus, em Porto Alegre. Não compareceu aos treinos, não falou com a imprensa e nem mesmo membros da comissão técnica quis atender. Só se sabia que estava vivo graças à palavra de Teo Constantin, representante do empresário de Walter, Juan Figger, e que acompanha o jogador todo o tempo. Nesta semana e meia, muito se falou sobre o garoto – quase tudo com afobação, visão simplista e falta de noção da realidade.
A primeira versão dava conta que o retorno da mãe Edith a Recife, somado às críticas de Fossati – com quem, segundo consta, Walter não se relaciona bem desde o início do ano –, teriam causado o sobressalto de indignação do atacante. Depois, falou-se em uma possível situação forçada para aumento de salário ou que o jogador fosse negociado, e que até mesmo um clube grande do exterior já havia manifestado interesse.Entre críticas pelo excesso de peso e até mesmo alegações de que ele estaria gastando o salário mensal de R$ 15 mil consigo e com a namorada, deixando a família sem dinheiro, a cabeça do atacante (e até mesmo a do torcedor, que ficou sem entender mais nada) girou bem mais que 180 graus.
Pouca gente parece se lembrar, entretanto, que se trata, antes de tudo, de um ser humano. Uma pessoa com anseios, medos, incertezas e dúvidas próprias da idade. Quantos não abandonaram a faculdade aos 20 para seguirem carreira completamente diferente? Walter tem, como todo garoto, o direito de errar – ainda mais quando se vem de uma família carente, caso da maioria dos jogadores de futebol. Precisa, mais que punições, reprimendas ou críticas públicas, de aconselhamento.
Lucho Nizzo falou com propriedade, em entrevista publicada esta semana aqui no Olheiros, que sugam demais dos garotos, tratam-nos como adultos e exigem o mesmo que se espera de um profissional de trinta anos. Walter é, neste contexto, o exemplo mais claro desta realidade. Quantos de nós não nos trancamos no quarto após brigarmos com o pai, a namorada ou ouvimos uma bronca do chefe em nosso primeiro emprego? Se Walter pensou, naquele momento, que de nada adiantaria jogar quão bem fosse que jamais seria elogiado, é porque a carga de pressão em cima do jovem já ultrapassou o limite suportável por ele.
Não se pode, obviamente, passar a mão sobre a cabeça em todos os erros, e vale lembrar que seus problemas com a balança não são novos, e até mesmo supostos problemas de comportamento irritadiço e desobediência às ordens são, sim, passíveis de repreensão. O caso da partida contra o Guarani, na Copa do Brasil do ano passado, é exemplar: por ter sido relacionado para o banco de reservas, e não para o time titular, Walter pediu para ser devolvido ao time B. Em 2008, suspeitas de adulteração de idade afetaram o desempenho do atacante. Entretanto, ao passo que muito se fala sobre uma alimentação nada ortodoxa, pouco se lembra da dedicação exemplar que demonstrou em sua recuperação do joelho operado.
Por isso, palavras como as de Fernando Carvalho, de que “este jogador, pela atitude que tem, não tem mais valor de mercado”, são dignas de lamentação e retratam a pequenez do pensamento do dirigente brasileiro, que nivela todos os atletas sob a mesma linha pobre, exigindo deles 101% de aplicação nos deveres e negando-lhes 1% de seus direitos. É a palavra de alguém que parece nunca ter lidado com as dificuldades da vida ou ter aprendido a trabalhar com garotos em formação.Há de se aplaudir, sob esta perspectiva, a intervenção do presidente da Federação Gaúcha, Francisco Novelletto. O bom relacionamento entre os dois vem do tempo de Walter nas bases do São José, time do dirigente. O telefonema dele foi o único do círculo da bola que o garoto atendeu, e Novelletto o convenceu a receber os representantes de seu empresário. Desde então, Walter saiu do confinamento, assistiu ao jogo do São José e, segundo consta, está mais calmo e voltará aos treinos na próxima semana.
Se o que muitos dizem a respeito da relação ruim de Fossati com outros garotos do elenco for verdade, Walter pode acabar não conseguindo se recuperar do baque, e um empréstimo, como o que já foi ventilado para o São Paulo, poderá ser a melhor solução para respirar novos ares e ver que ele não é mais perseguido que os outros, apenas sofre cobranças como os demais. É certo que, a esta altura, Juan Figger já se arrependeu absurdamente de ter rejeitado a proposta de R$ 10 milhões de um clube espanhol que até mesmo o Inter havia aceitado.
E como muito bem pontou Diogo Olivier, do Zero Hora – que fez o diagnóstico cirurgicamente mais preciso até aqui –, Walter é, antes de culpado, vítima de suas condições precárias, da falta de conhecimento e preparo psicológico e de algumas escolhas erradas. Mais do que qualquer cifra, o que vale agora é a recuperação do homem. Assim que esta etapa for cumprida, ele finalmente poderá ser o jogador que todos esperam (e sabem) que pode ser.
sexta-feira, 5 de março de 2010
"Estão sugando os meninos"
Polêmicas. Assim são as pessoas de opinião forte, que não escondem seus pensamentos. E assim foi a repercussão da primeira parte da entrevista com Lucho Nizzo, ex-técnico da seleção brasileira sub-17, cuja primeira parte publicamos no sábado passado. Num reflexo exatamente do que falou ao Olheiros, Lucho recebeu críticas dos leitores de nosso blog a respeito de suas decisões frente à seleção nos dois últimos Mundiais Sub-17.
Nesta segunda parte, abordamos a visão do treinador sobre aspectos táticos, técnicos e até mesmo jurídicos do trabalho de base, e a sua visão sobre as principais promessas do futebol brasileiro na atualidade. Lucho fala sobre os problemas pessoais enfrentados por Nikão – que por pouco não o afastaram definitivamente dos gramados e poderiam ter impedido exibições de gala durante a última Copa São Paulo –, avalia a dupla Philippe Coutinho e Wellington Silva e fala até mesmo de sua conturbada passagem pelo América de Romário e Bebeto.
Antes de mais nada, Lucho como sempre não foge das perguntas. Fala, argumenta, expõe seu ponto de vista e conversa como poucos no meio. Afirma não possuir mágoas do seu tempo de seleção brasileira – “aprendi muito”, diz – e que está estudando novas propostas, podendo continuar a parceria com Bebeto ou ainda trabalhar sozinho, na base ou no profissional. Para finalizar, ratifica as críticas à forma com que é feito o trabalho de base no país atualmente: “estão sugando tudo o que os garotos têm”.
Olheiros - Muito se fala sobre a formação tática das equipes de base, criticando quem utilize o 3-5-2 ou só escale no famigerado 4-4-2. Você tem uma formação preferida e monta o time com ela ou adequa aos jogadores?
Nizzo - É preciso adequar, sempre. Veja o Corinthians, foi montado para jogar no 4-3-3, o Mano Menezes buscou no mercado as opções, montou o seu time. Aí você pega um clube que monta o 4-3-3 no mirim. Isso é um crime, é complicado explicar para o menino as funções de um 4-3-3, o aspecto cognitivo interfere muito. Quando você assume um clube, tem que saber o material humano que possui e qual o melhor estilo de jogo. Na seleção, eu pensava em aproveitar o máximo de cada jogador. E é o q eu tentei fazer. Tentei fazer Coutinho, Neymar e Wellington Silva jogarem juntos. Não deu certo, mas se desse certo será que criticariam se tivesse ganho com um só atacante? No Brasil, avalia-se resultado, e não o trabalho.
Philippe Coutinho e Wellington Silva já estão prontos para a Europa?
Nizzo - Eu acho que não. Essa situação nós conversamos muito na época do Neymar, e hoje estamos cometendo uma agressão muito grande quando interrompemos a fase de preparação dos meninos e os mandamos pra fora. Primeiro pela questão do cumprimento de etapa: é a mesma coisa que você tirar o médico do penúltimo, último ano de faculdade e colocá-lo no hospital, ele precisa vivenciar antes. Coutinho é um grande jogador, tem um futebol brilhante, magnífico, sem comentários, mas dizer que ele já está pronto? Não está. Precisa aprimorar algumas coisas, que no profissional não terá tempo. No profissional não tem tempo de treinar, é Estadual, Copa do Brasil, Brasileiro...Wellington Silva também tem um potencial formidável, ele verticaliza, é difícil hoje você encontrar um atacante que vai pra dentro do gol. Mas ele precisa ganhar mais massa muscular, por exemplo. Fala-se de técnica, tática, mas é preciso fazer também o trabalho emocional com esses garotos. Você já ouviu eles falarem de algo assim? Não, mas na certa na primeira vez que eles passarem por uma situação difícil vai se exigir uma postura de adulto. Até entendo os clubes colocarem para jogar para serem vistos e negociados, mas é complicado. Além de um outro fator, que é mais importante ainda: nesse período de formação, quando vão embora, eles perdem o contato com o futebol brasileiro. Acabam mudando a consciência tática e perdem aquela coisa ousada do futebol brasileiro, o atrevimento, a coragem de tentar algo diferente.
Qual a sua opinião sobre Nikão, que já teve um histórico complicado e deu a volta por cima no Santos?
Nizzo - Nikão é um jogador de muita qualidade, que eu convoquei três vezes. As três vezes que veio comigo, não foi nem sombra daquilo que a gente sabe que é capaz de render, e quando o deixei de convocar muitos me criticaram. Mas ninguém procurou saber o porquê de ele não render. E numa ocasião, conversando – e faz parte do meu trabalho essa conversa, entender o processo, a vida dos meninos – descobri que ele tinha sérios problemas familiares, era praticamente órfão, vivia com a avó e ela faleceu e, por pouco, não viajou conosco, porque não teria uma pessoa responsável por ele. Acho que todos esses acontecimentos na vida desse garoto foram determinantes para que a autoestima dele caísse. E ele pensa “fazer o quê, se sou sozinho no mundo?”. Aí vem o momento critico das divisões de base: preocupam-se muito com o atleta, esquecem do ser humano. Esquecem que pra render, o menino precisa estar bem emocionalmente. Ele é como um artista, um cantor, precisa estar bem emocionalmente para render tudo o que pode. Aí vai minha critica às divisões de base: estão só sugando, como uma laranja, tudo o que o garoto tem. Daí chutam e chama outro. A divisão de base tem que antes de formar um jogador, formar um homem, porque se ele não der certo, tem condições de ser alguém na vida.
Qual a sua opinião sobre a polêmica dos garotos da base são-paulina, entrando na justiça por seus direitos?
Nizzo - É complicado... trabalhei com o Lucas Piazon, ele viajou com a gente para o México. Eu fico triste, porque eu digo que os maiores problemas do futebol são criados fora do campo. É triste um garoto de 16 anos já todo enrolado. A última informação que eu tive era que o pai dele assumiu um contrato com o Corinthians já tendo um com o São Paulo. É o fim do mundo isso, as pessoas perderam a noção do que é certo ou errado. Um menino que tem tudo pra ser um grande jogador, já cheio de problema. Aquilo que acontecia com nomes consagrados acontece já com meninos, que são apenas promessas. Os pais precisam ter mais tranquilidade, acreditar mais nos clubes. Se levou para o São Paulo, confie no trabalho. Se não quer mais, faça a rescisão de forma amigável, na justiça, que faça corretamente. Fico muito triste com isso, porque no final acaba por queimar o próprio jogador e sua carreira.
Como você vê a sua passagem pelo América? Ela foi mesmo conturbada? O que aconteceu de fato, afinal o time não foi tão mal assim e chegou à semifinal da Taça Moisés Mathias de Andrade.
Nizzo - Eu fiquei muito contente com o convite que o Bebeto me fez. Fizemos um trabalho legal, conheci o Bebeto no programa de TV “Joga 10” e ficamos amigos. Aí ele começou a frequentar o Tigres, onde eu trabalhava e consegui subir de divisão, e nesses encontros ele disse ter a vontade de ser treinador, e que me chamaria para ser assistente. Ele me convidou e um convite dele não teria como dizer não. Aceitei e foi muito legal, dentro das dificuldades que tínhamos de plantel e estrutura, era um clube de menor porte que vinha da segunda divisão... Fizemos o planejamento e chegamos bem, à frente de equipes com mais estrutura do que a nossa. E de repente chega um comunicado do Romário dizendo “Bebeto, preciso mudar porque o América precisa de mais”. Mais o quê, se perdemos apenas para os grandes e fomos bem? Mas tudo bem, sabemos que fizemos um trabalho tranquilo dentro do que nos foi dado.
Quais seus planos para o futuro? Já surgiu algum convite?
quinta-feira, 4 de março de 2010
Criticar por criticar
Energicamente criticado durante todo seu tempo de comando, Dunga chegou como solução para o fiasco de 2006, um ex-jogador da confiança de Ricardo Teixeira que poderia acabar com as mordomias e farras do Mundial anterior, eleitas razões pelo fracasso da Alemanha. No início do trabalho, o que se imaginava era um Dunga subserviente, que pouco entendia de formação tática ou padrão de jogo e que estava quase que como um "laranja" no comando da seleção. Era, acima de tudo, uma resposta da CBF: "vocês criticaram isso e aquilo, vamos fazer exatamente o oposto".
Difícil imaginar influência tão grande da imprensa no trabalho da seleção. Até mesmo na década de 60, quando João Saldanha tanto criticou que acabou virando técnico, percebia-se um Brasil tão preocupado com o que o jornal vai dizer no dia seguinte ao jogo. Entretanto, ás vésperas da Copa, a imprensa só faz criticar por criticar.
A crítica que se faz incessantemente a Dunga é pelo fato de, dados os critérios que adotou desde o início, jogadores considerados acima da média como Ronaldinho e Pato estarem de fora. Fosse ele totalmente sem critério e incoerente em cada convocação, mas chamasse quem a imprensa quer, todos aplaudiriam - foi o que Parreira fez em 2006 e deu no que deu. Mas, dadas as circunstân cias e os resultados que alcançou sem Ronaldinho, não há como dizer que Dunga esteja errado em seu pensamento - por mais que soe inconcebível que Gaúcho fique de fora.
Não gosto do time, nunca gostei de Dunga mas de fato é preciso se render aos resultados. Não há, na história recente da seleção, treinador tão coerente com seus pensamentos e que faça as coisas de maneira mais regrada. Foi assim, afinal, que Dunga conduziu toda sua carreira como jogador - de incrível aplicação tática e disciplinar, mas sem qualquer lampejo de técnica.
Por isso, e lembrando tudo o que a imprensa cobrou em 2006, Dunga está coberto de razão. Quando ele diz que "a imprensa cobrou comprometimento em 2006 e agora critica em 2010", está novamente certo.
Se isso será suficiente para ganhar a Copa, veremos em quatro meses. Mas ninguém poderá dizer que ele não fez o que se esperava de um treinador: barrar os "festeiros", premiar quem rendeu e chamar os jogadores que corresponderam às chances.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Amistosos pré-Copa
29 das 32 seleções que disputam o Mundial vão a campo neste meio de semana
Interessante notar que, em amistosos pré-Copa, são mais frequentes encontros pouco comuns em jogos de seleções, como duelos África-Ásia, Europa-África e América-Oceania, por exemplo. Na busca por tentar se adaptar ao estilo dos adversários da primeira fase da Copa (e considerando que a FIFA proíbe amistosos entre equipes sorteadas no mesmo grupo), as seleções enfrentam equipes que são rivais de seus antagonistas da primeira fase.
É esse o caso, por exemplo, de Costa do Marfim x Coreia do Sul: enquanto os marfinenses procuram assimilar o estilo de jogo asiático dos vizinhos de seus adversário da Coreia do Norte, os sul-coreanos buscam aprender mais sobre o estilo de jogo africano, já que enfrentam a Nigéria na primeira fase.
Brasil x Irlanda
O Brasil de Dunga venceu a Copa América, as Eliminatórias e a Copa das Confederações, mas o treinador sabe que nada disso adianta se a seleção não voltar da África com o hexa. Por isso, Dunga adotou postura ainda mais defensiva em suas entrevistas e chegou a afirmar que, se a Copa fosse daqui a uma semana, o grupo que está em Londres é que iria para a disputa. Tudo isso porque cresce o clamor, mais da imprensa que popular, na verdade, para a convocação de Ronaldinho Gaúcho - emulando algo parecido com o lobby por Romário em 2002. Se for campeão sem o craque, Dunga irá calar os críticos de uma vez por todas.
A Irlanda "ganhou" o amistoso com o Brasil como prêmio de consolação por ter ficado de fora da Copa no famoso lance da mão de Henry, na repescagem contra a França. As duas seleções se enfrentaram recentemente: em 2008, vitória por 1 a 0, com gol de Robinho. O time irlandês, comandado pelo italiano Giovanni Trapattoni, não contará com sua maior estrela: Robbie Keane, atacante do Celtic, está fora por contusão.
Alemanha x Argentina
A partida que prometem mais emoção será entre Alemanha e Argentina, na Allianz Arena de Munique. As duas equipes repetem o duelo das quartas de final da Copa passada, vencida pelos alemães, então anfitriões.
Os argentinos podem ter esta como única partida de preparação até o torneio caso a federação atenda o desejo de Maradona e cancele o jogo de 24 de maio diante do Canadá, em Buenos Aires. Já a Alemanha tem outros três amistosos programados - contra Malta, Hungria e Bósnia -, mas nenhum deles tem a importância da Argentina, o que torna o confronto desta quarta especial.
O jogo serve ainda para Maradona e Joachim Löw, este técnico da Alemanha, solucionarem algumas dúvidas sobre a lista de convocados para o Mundial. O meia Michael Ballack, capitão da seleção alemã, esquentou o clima da partida ao lembrar da briga generalizada depois da eliminação no Mundial e afirmar que este tipo de atitude "diz muito" da personalidade dos argentinos.
"Eles assumem cada jogo como uma coisa de vida ou morte e recorrem a tudo para tentar vencer. Acho que eles aprendem isso desde pequenos", disse Ballack, apimentando o confronto.
França x Espanha
França e Espanha fazem um replay das oitavas de final da Copa de 2006, quando os franceses, comandados por Ribéry, eliminaram os espanhóis em mais uma campanha "morre na praia". Desta vez, porém, é a Fúria a favorita ao título e os Bleus que correm por fora, tendo se classificado apenas na repescagem, graças a um gol irregular.
No time espanhol, Fernando Torres, que se recupera de lesão, não deverá atuar os 90 minutos. A novidade será Jesus Navas, recuperado de seus problemas de saúde a tempo de ganhar uma vaga na lista dos 23. Já na equipe francesa, a lista de desfalques por contusão é enorme: Karim Benzema, William Gallas, Eric Abidal, Sebastien Squillaci e Andre-Pierre Gignac. Franck Ribéry, que ainda não está 100%, deverá começar no banco.
Itália x Camarões
A Itália enfrenta Camarões no estádio Louis II, em Mônaco. Curiosamente, as duas equipes podem se enfrentar nas oitavas do Mundial - os africanos estão no Grupo E, junto com Holanda, Dinamarca e Japão, enquanto os europeus fazem parte do F, com Nova Zelândia, Eslováquia e Paraguai.
O técnico de Camarões, Paul Le Guen, excluiu os experientes Rigobert Song e Geremi de sua lista mas promoveu o retorno dos zagueiros Sebastien Bassong e Benoit Assou-Ekotto, do Tottenham.
Inglaterra x Egito
A Inglaterra tenta esquecer os problemas extracampo em Wembley diante do Egito, recente vencedor da Copa Africana de Nações e que não está entre os classificados ao Mundial. A boa fase do atacante Wayne Rooney é destaque. "Ele é o melhor atacante do mundo", disse o goleiro egípcio Essam El-Hadary.
A expectativa é que Rooney faça todos esquecerem os problemas com o zagueiro John Terry, que perdeu a braçadeira de capitão. O jogador do Chelsea perdeu o posto para o meia Steven Gerrard, do Liverpool, por conta do escândalo sexual que protagonizou com uma antiga namorada de seu ex-companheiro de equipe Wayne Bridge, agora no Manchester City. Como consequência, Bridge anunciou semana passada que desistia da seleção para não criar um ambiente ruim no grupo que vai à Copa.
A decisão do técnico italiano Fabio Capello ainda não é definitiva - sua intenção é dar a braçadeira de capitão durante o Mundial ao zagueiro Rio Ferdinand, do Manchester United, que está machucado.
Veja os jogos deste meio de semana:
02/03
Brasil x Irlanda
03/03
França x Espanha
Holanda x EUA
Nova Zelândia x México
Japão x Bahrein
Austrália x Indonésia
Nigéria x Rep. Dem. Congo
Itália x Camarões
África do Sul x Namíbia
Turquia x Honduras
Eslováquia x Noruega
Costa do Marfim x Coreia do Sul
Áustria x Dinamarca
Grécia x Senegal
Bósnia x Gana
Argélia x Sérvia
Inglaterra x Egito
Suíça x Uruguai
Alemanha x Argentina
Eslovênia x Catar
Portugal x China
"O trabalho de base precisa mudar"
Vida de técnico não é fácil – no futebol, mais que em outros esportes, talvez só não seja mais difícil que a do juiz, ou a da mãe do juiz. Ser treinador de seleção brasileira, então, é assinar um termo de aceite para os infindáveis questionamentos e xingamentos que virão. Não se pode pensar, entretanto, que nas seleções de base a caminhada seja menos ardilosa. Pelo contrário: as dificuldades para avaliar os jogadores e montar um plantel são infinitamente superiores, ao passo que a pressão por resultados é a mesma da categoria profissional.Um homem sentiu vividamente esta realidade na pele nos últimos três anos. Luiz Antonio Nizzo, o Lucho, assumiu a seleção brasileira sub-17 das mãos de Edgar Pereira pouco antes do Mundial de 2007, na Coreia do Sul. O time foi eliminado precocemente, e depois, também sob seu comando, o Brasil perderia para o Equador nos Jogos Pan-Americanos. Apesar das conquistas de outros torneios internacionais e vários jogadores já famosos revelados, Lucho foi severamente criticado por novo insucesso no Mundial do ano passado, na Nigéria.
Magoado com as críticas e ainda indignado com denúncias infundadas que fizeram, à época, sobre convocações de jogadores e acordos com empresários, Lucho atendeu a reportagem do Olheiros pela segunda vez, desde o lançamento de nosso site. Desde o quarto 801 do hotel em que estava hospedado em São Paulo, na última semana, “trabalhando, esperando por propostas”, ele diz, o carioca de 46 anos atendeu-nos em uma conversa telefônica de mais de uma hora. Aqui, fala sobre o trabalho desenvolvido, os problemas enfrentados no relacionamento com os clubes e sentencia: o trabalho nas categorias de base precisa ser revisto.
A entrevista está dividida em duas partes, e você acompanha a segunda parte na próxima quarta-feira, também no Olheiros.
Olheiros - Como você avalia os resultados dos dois últimos mundiais, muito abaixo da expectativa criada com duas grandes gerações? Aproveite e faça um balanço geral do seu trabalho dentro da seleção sub-17
Lucho Nizzo - Eu acho que, dentro do período em que eu fiquei, e das condições em que eu fui, foi um trabalho muito bom. Lógico que não foi coroado com as conquistas, mas se nós levarmos em consideração, o início foi com a geração que nasceu em 1988, em que conseguimos montar uma equipe e logo em seguida assumiu o Nelson [n.E.: Rodrigues, técnico da seleção brasileira sub-20], mas no Mundial foi todo mundo que trabalhou comigo. Na geração ‘90, assumi o trabalho do Edgar [n.E.: Pereira, técnico da seleção brasileira sub-17 antes de Lucho], em cima do Pan-americano e Mundial, então não tive muita coisa a fazer a não ser dar prosseguimento ao trabalho que já tinha sido iniciado. Com os meninos nascidos em 1992 sim, tive tempo de montar o grupo, ganhamos quase todas as competições preparatórias, mas infelizmente no Mundial não houve êxito. Quando a gente fala de sucesso, é complicado. O que é sucesso? É um trabalho iniciado, a formação, a descoberta de jogadores que eram desconhecidos da mídia, como o Gerson, do Grêmio, o Alysson, o Romário, que pegamos novinho, um Batata, um Welinton, um Wellington silva. Então eu acho que, dentro do nosso trabalho, que é de descobrir e formar novos valores, acho que o trabalho foi muito bom. Lógico que culminaria as conquistas, mas nem sempre podemos ganhar. A questão do sucesso depende de quem esta de fora e vê o trabalho com a gente. Infelizmente, jogadores como Neymar e Coutinho não reeditaram no Mundial tudo aquilo que já haviam feito. Estou tranquilo, consciente do meu trabalho. Dei o máximo, fiz um trabalho pensando na formação. Só eu sei as dificuldades que passei para trabalhar com esses meninos, são muitos problemas com os clubes. O universo da base é muito grande, o que fica para a mídia é só o produto final, mas ninguém vê o dia a dia do nosso trabalho.
Quais são esses problemas de que você fala? São questões de organização dentro da CBF como um todo? Há realmente tantas falhas como se comenta?
Nizzo - Seria hipócrita da minha parte eu estar enumerando situações que a CBF tenha feito. Não tenho nada a reclamar da CBF quanto a suporte e apoio quando estive lá, só tenho que agradecer pela oportunidade que tive. A dificuldade a que me refiro é a dificuldade do próprio trabalho de base no país, mas entendo que é a política de cada clube. Exemplo: hoje, a categoria que estamos trabalhando é 94, mas você pouco verá jogadores nascidos em 1994 titulares de seus respectivos clubes, porque vai jogar um garoto de 1993, que é o último ano. Então o que acontece? Você sai para uma competição e vê poucos jogadores que pode levar. Jogadores 93 não tem validade, precisa de 94. Então é o que aconteceu comigo. Quando começamos com 92, priorizava-se 91. Na Copa 2 de julho que participamos, quase não vi 92 jogar. E aí, o que acontece? Você tem que ir ao clube, observar treinamentos coletivos para que você possa detectar alguém. Foi assim que detectamos o Dodô, por exemplo, juvenil do primeiro ano que não jogava, era reserva, mas achamos que era importante observar. Convocamos para o torneio amistoso nos EUA e foi bem, passou a ser titular da seleção. E aí, o q acontece? Torna-se titular do Corinthians e começam os comentários de que o treinador da CBF tem conchavo com empresários. É uma visão que tem que acabar. Então, você convoca o Neymar – e poucas pessoas realmente conheciam o potencial dele, salvo as que o acompanhavam. Quando ele vai para a seleção, o treinador diz que ele não tem nada que jogar na base, deve ir pra seleção profissional. É preciso calma. Hoje todo mundo está entendido da base, a palavra base virou moda. Quanto treinador que nunca passou por lá, não conhece o universo da categoria de base, se acha preparado para falar de algo que não sabe! Aí não liberou o garoto para o Sul-Americano, tive que jogar com um time diferente, e quando ele chega para o Mundial não há sintonia com o time.
Nas seleções de base, fala-se muito em clubes favorecidos e até mesmo em esquemas para a convocação de jogadores, com a participação de empresários. Você já ficou sabendo de alguma coisa do tipo, ou alguém já te propôs isso?
Nizzo - A gente escuta um monte de coisa, mas não se pode dizer o que é verdade. Posso dizer que nunca participei de algo assim. Estou aberto a qualquer tipo de investigação, provas, o que for. Quem tiver qualquer coisa contra mim, que apareça e traga subsídios que me comprometam. Não tenho nada a temer, trabalhei, fiz meu melhor, e não tenho culpa se a legislação esportiva faz com que o jogador precise ter um empresário que tome conta dele. Se a gente convoca o jogador, e ele tem empresário, que culpa tenho eu? Não tenho ligação com empresário, conheço vários, claro, mas quem trabalha nesta área acaba automaticamente tendo contato. Quem me conhece sabe da minha posição, nunca quis ter nenhuma relação com empresário para que não ocorresse nenhum comentário maldoso depois. A minha maior satisfação, meu maior título, é saber que tive uma participação na carreira desses meninos. Agora, infelizmente, comentários maldosos a gente vai ter sempre.
Você acredita que o calendário nacional de competições de base está correto ou precisa de alterações? E o espaço de dois anos entre os Mundiais, é correto?
Nizzo - Acho que está correto sim, o problema não é o calendário, mas criarmos uma condição de trabalho que proporcione ao profissional da base fazer um trabalho de formação e não com a obrigação de ganhar títulos. Até mesmo o Olheiros fez um ranking! (risos). O problema disso é que nós profissionais nos aperfeiçoamos e entendemos a intenção, mas os dirigentes do clube acabam pegando aquilo e aumentando a cobrança dentro dos próprios clubes, afinal os dirigentes não evoluíram ao longo do tempo. Mas voltando, o calendário não é tão determinante, o trabalho na base teria que ser mais qualificado.
Até porque existem muitos ex-jogadores amigos de dirigentes virando técnicos de base.
Nizzo - Exatamente! Pra tudo que você vai ensinar na vida, você precisa ter o conhecimento, saber o processo de aprendizado. Posso ter sido um grande jogador, mas se não sei como trabalhar o aprendizado, não tem como. Posso ir bem no profissional, mas na base, em que você tem um pré-mirim, mirim, em que o garoto não sabe nada, é difícil.
Você acredita que exista de fato uma carência de bons camisas nove na base brasileira? Há mais ou menos bons centroavantes surgindo? A que se deve isso?
Nizzo - Acho que é uma questão de evolução, o futebol passa por momentos de evolução e também situações cíclicas. Fui muito criticado durante o Mundial porque eu jogava com apenas um atacante. E pergunto: a equipe que mais ganha no mundo, o Barcelona, joga como? Jogava como eu: um volante de contenção, dois meias por dentro, distribuindo o jogo, dois meias atacantes enfiados e um atacante de área. O Barcelona joga assim e todo mundo dizia que era uma grande equipe. Aí, aqui se faz um trabalho igual e muitos falam que precisa de mais atacante. Não acho que o que determina uma equipe ofensiva sejam atacantes, mas sim jogadores que fazem a alimentação, a chegada desse meio ao ataque. Hoje temos muita carência sim de meias atacantes... não meia armador, mas meia atacante, aquele antigo camisa 10, que encosta, alimenta e chega pra finalizar.
Nizzo - Claro. Ele começou comigo, foi sempre muito solícito, humilde, de caráter, hombridade, gosta de trabalhar. Certa vez me disse: “professor, jogo onde você quiser”. Então, até voltando à pergunta, antes se tinha dois volantes, dois meias, dois atacantes, mas o futebol muda. Hernanes foi melhor jogador do campeonato brasileiro há pouco tempo, mas não era meia atacante, era volante. Quando você tem dois atacantes e não tem um meia que chega, o que acontece? O atacante acaba voltando pra buscar a bola e acaba fazendo o pivô...E com isso, o que os treinadores começaram a fazer? Deixam um atacante na área e um homem vindo de trás. A minha visão é essa: usar o meia atacante. No próprio mundial me criticaram porque coloquei o Zezinho como atacante, mas ele jogou na Série B pelo Juventude e foi destaque jogando assim, como atacante pelo lado direito. O Neymar jogava pelo lado esquerdo, e trouxe o Coutinho pra fazer essa função de ligação. Eu tinha na minha cabeça jogadores muito ofensivos. Não funcionou? Mas eu tentei. Conversei com cada um deles, os coloquei na seleção da forma como jogavam nos clubes.