quarta-feira, 14 de abril de 2010

Clássico dos canteranos


Chivas e América duelaram com maioria de jogadores formados nas bases

Publicado no Olheiros

Estádio Jalisco, Guadalajara. Com um gol de Omar Arellano aos 35 minutos do primeiro tempo, o Chivas derrota o América e assume a ponta do Torneo Bicentenário, o clausura da temporada mexicana. Mais que a vitória no “clássico dos clássicos” e os três pontos, o triunfo do time branco, vermelho e azul entrará para a história do futebol do país por uma razão bastante peculiar.

O duelo mais importante da temporada para as duas equipes contou com 13 jogadores formados nas próprias categorias de base dos clubes, um número bastante raro em qualquer liga profissional de alto nível. Foi o “Guadalajara-América” dos canteranos, como chamou a imprensa esportiva do México, graças especialmente às contusões e ausências que permitiram a utilização de jovens promessas das duas maiores academias formadoras de jogadores do país.

No time vencedor do Chivas, apenas Aarón Galindo, Adolfo Bautista e Omar Arellano não foram formados no clube. Já pelos lados do América, Guillermo Ochoa, Óscar Rojas, Ángel Reyna, Antonio López e Israel Martínez, todos oriundos das bases azulcrema, estiveram em campo. Além de ter sido o clássico das bases, foi também a despedida de sete selecionáveis que, após a partida, partiram rumo à fase preparação visando à Copa do Mundo.

“Claro que é um adicional ter vários canteranos na equipe, porque sabemos a responsabilidade que implica uma partida assim, bem como o que ela representa para toda a torcida. São jogos que disputamos com outra mentalidade, muito mais motivados”, disse o jovem atacante Antonio López, recém-promovido das bases americanas, tendo ganhado uma chance após a tragédia com Salvador Cabañas. Apesar da derrota, foi Tony que criou as maiores chances dos canários na partida. Édgar Mejía, por sua vez, disse que “partidas como estas são muito importantes para nós. O compromisso é muito maior, pois crescemos vivendo esta rivalidade desde as bases”, lembra.

Curiosamente, a ausência mais sentida no clássico foi exatamente da maior estrela ascendente do futebol mexicano: Javier Hernandez, atacante de 21 anos do Chivas e artilheiro do Bicentenário com dez gols. O “Chicharito”, como é conhecido, é a esperança de gols de Javier Aguirre na África do Sul. Cria da base dos Rayadas, ficou de fora da campanha vitoriosa da Sub-17 no Mundial de 2005 por uma lesão, e após ser sondado por clubes como PSV e Wolfsburg, assinou nesta semana um contrato com o Manchester United.

Ao mesmo tempo, o maior orgulho da safra recente do América enfrenta um momento delicado: há pouco inquestionável e, ainda, o grande ídolo do futebol nacional, o goleiro Guillermo Ochoa passa por um 2010 tétrico, cometendo erros incríveis também na meta da seleção e recebendo cada vez mais questionamentos sobre sua titularidade na seleção. No clássico, o gol de Arellano foi possível graças a outra falha de Memo, ao abrir o ângulo para o remate do atacante na tentativa de interceptar um cruzamento que não veio.

Nova falha, outro round perdido na luta pela camisa um na Copa da África do Sul: outra atuação segura de Luís Michel, experiente goleiro de 30 anos do Chivas que teve participação decisiva na vitória de sua equipe – outra cria de Guadalajara, que passou a ter chances na seleção recentemente, após viver por muito tempo na sombra de Oswaldo Sanchéz.

Rivais eternos, Chivas e América formam boa parte da base da seleção mexicana convocada por Aguirre para uma série de amistosos preparatórios para a Copa, que servirão para definição da lista final que viajará à África. Dos nomes chamados, apenas dois – Jonny Magallón, pelos tricolores, e Juan Carlos Valenzuela, pelas Águias – não foram formados em seus respectivos clubes.

Sinal de que, apesar da fase instável de Giovanni dos Santos e Carlos Vela, suas mais recentes promessas e de quem, a esta altura, esperava-se muito, o trabalho de formação dos clubes mexicanos continua dando resultados bastante satisfatórios. E com a recente investida de clubes internacionais na busca por jogadores que, antes, não sentiam-se tentados a deixar suas equipes, a força dessas bases poderá ser colocada ainda mais à prova. Mais do que hora de mostrar que é possível, sim, sobreviver muito bem com seus próprios recursos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

História das Copas - Alemanha 1974 (parte I)

A Alemanha, sede da Copa de 74, havia sido escolhida como organizadora do evento pela primeira vez em 1942, mas por causa da II Grande Guerra, só sediou a competição 28 anos depois, aproveitando os investimentos feitos para as Olimpíadas de 1972, em Munique, da mesma maneira que o México fizera anos antes.

Após a Copa de 70, uma nova taça deveria ser feita para substituir o Troféu Jules Rimet, que ficou sob posse definitiva do Brasil (mas não por muito tempo, pois foi roubado da sede da CBD e nunca mais achado. Diz-se que o troféu foi derretido pelos ladrões e transformado em peças de ouro, ao passo que a FIFA cedeu uma réplica, dessa vez somente banhada a ouro, para a sala de troféus brasileira). A nova Taça, chamada de Taça FIFA, foi esculpida pelo italiano Silvio Gazzaniga e marcou novas transformações no futebol mundial, com a eleição do brasileiro João Havelange, então presidente da CBD, como novo chefe da entidade.

A novidade começava no modo de disputa. Em vez do tradicional sistema de quartas de final, os 8 classificados se dividiriam novamente em dois grupos, cujos vencedores fariam a final. Outro fator interessante para os brasileiros é que essa foi a primeira Copa a ser transmitida totalmente ao vivo e em cores para o país tricampeão do mundo.

O Brasil novamente não teve de disputar as eliminatórias. Seus vizinhos Argentina e Uruguai juntaram-se ao Chile e foram os representates da América do Sul, enquanto que o Haiti protagonizou uma incrível surpresa ao derrotar o México, conquistando a vaga. O Zaire ficou com a vaga africana e a Austrália derrotou a Coréia do Sul para garantir a vaga disputada entre Oceania e Ásia.

Na Europa, algumas surpresas: a Inglaterra foi eliminada pela Polônia, Portugal pela Bulgária e a Espanha pela Iugoslávia. A Alemanha Oriental classificou-se pela primeira vez, justamente para a Copa que queria ajudar a sediar, mas não houve acordo. Após anos de brigas desde a separação que ocorreu depois da Segunda Guerra, uma trégua permitiu que os `orientais` acompanhassem os jogos e entrassem na Alemanha Ocidental. A surpresa foi enorme quando, no sorteio das chaves, ambas as seleções caíram no mesmo grupo. Um encontro tenso e aguardado estava marcado.

A preparação do Brasil para a Copa de 74 foi tensa. Carlos Alberto, Pelé, Tostão e Gérson haviam se aposentado e Jairzinho e Rivelino tomaram a frente de uma seleção que mesclava velhos craques com jovens talentos. Os resultados não agradaram e a seleção chegou desacreditada.

A Copa de 74 inaugurou uma tradição que foi abolida na última Copa, exatamente na Alemanha: o campeão passou a fazer o jogo de abertura. Coube ao Brasil estrear essa honra, porém o resultado foi decepcionante: 0 a 0 contra a Iugoslávia. Até a Copa de 2002, a última em que o jogo de abertura foi dessa forma, apenas a Alemanha em 94 e o Brasil em 98 venceram seus jogos. Mas zebras à parte, o Brasil também não saiu do zero em sua segunda partida, contra a Escócia, resultado do futebol defensivo adotado por Zagallo.

Apenas na terceira e última rodada da primeira fase, precisando desesperadamente de uma vitória por 3 a 0 para não depender do resultado do jogo entre Iugoslávia e Escócia para se classificar, o Brasil foi para o ataque contra a frágil seleção do Zaire e venceu exatamente por 3 a 0, com gols de Jairzinho, Rivelino e Valdomiro, este a 11 minutos do fim. No sufoco, o Brasil passava para a próxima fase em segundo, atrás dos iugoslavos.

Nos outros grupos, a Alemanha Ocidental perdeu para a Alemanha Oriental num jogo muito esperado, ficando em segundo lugar, atrás dos orientais. Na época, rumores davam conta de que os alemães ocidentais perderam o jogo para escapar do grupo da Holanda na próxima fase, que àquela altura já era considerava favorita ao título.

E por falar na Holanda, apesar do empate em 0 a 0 com a Suécia, o time do técnico Rinus Michels fez história na Alemanha. Com um futebol envolvente chamado pelo técnico de futebol total, os holandeses ganharam os apelidos de "carrossel holandês", já que nenhum jogador possuía posição fixa no campo, e "laranja mecânica", pela facilidade com que os envolventes ataques estraçalhavam as zagas adversárias. Foi assim contra o Uruguai na estréia (vitória por 2 a 0) e contra a Bulgária (4 a 1). Os holandeses assumiam o posto de principais favoritos ao título.

Finalizando, no grupo 4 a Itália deu vexame e foi eliminada ainda na primeira fase. Após vencer a fraca seleção haitiana na estréia por 3 a 1, empatou com a Argentina em um gol e perdeu para a Polônia, voltando para casa mais cedo. Os poloneses tinham um time forte, cujo expoente era o atacante Lato, que se tornaria artilheiro da Copa, e venceram as três partidas da primeira fase, incluindo a goleada de 7 a 0 sobre o Haiti.

Ficariam, então, assim definidos os grupos da segunda fase: no grupo A, Brasil, Alemanha Oriental, Holanda e Argentina; no grupo B, Alemanha, Polônia, Suécia e Iugoslávia. Os times jogariam entre si e os vencedores fariam a final.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O que falta?


Vasco não vence Flamengo em jogos decisivos desde 2001

20 de maio de 2001. Com gols de Viola e Juninho Paulista, o Vasco vencia o Flamengo por 2 a 1 e saía na frente da decisão do Estadual daquele ano. O resultado final é conhecido: no segundo jogo, Petkovic marca de falta, aos 43 da segunda etapa, o gol do tricampeonato consecutivo do Fla sobre o maior rival.

Aquele gol de Pet, talvez o mais famoso da história do clássico dos milhões, marca também o início de um tabu que completará dez anos em 2011: aquele 20 de maio foi a última partida decisiva entre Vasco e Flamengo com vitória cruzmaltina (como eles somente se enfrentam no Brasileirão deste ano, não haverá outra partida decisiva em 2010).

De lá para cá, foram nove jogos valendo título ou classificação, com um empate e oito vitórias flamenguistas: a segunda partida da final de 2001, as semifinais das Taças Guanabara de 2004, 2007 e 2008, as finais do Estadual de 2004, as finais da Copa do Brasil de 2006 e agora a semifinal da Taça Rio de 2010.

Curiosamente, no mesmo período outros 26 jogos foram realizados, e aí os números mudam: 13 vitórias vascaínas, 8 flamenguistas e 5 empates, em partidas válidas por Campeonato Carioca, Brasileirão e uma pelo Rio-São Paulo de 2002 – todas durante os turnos de pontos corridos. Não raro, em um mesmo campeonato o Vasco vencia as partidas durante os turnos mas, na hora decisiva, era derrotado: o exemplo clássico foi 2004, em que o Vasco venceu por 2 a 1 o jogo da Taça Rio, mas perdeu a semifinal da Taça Guanabara e as duas partidas da finalíssima.

Se levarmos em conta que a vitória em 2001 não valeu título – foi apenas a primeira partida da decisão – o jejum aumenta para 22 anos. O gol de Cocada na final do Estadual de 1988 foi o último título vascaíno conquistado sobre o rival. Em outras três ocasiões, o Flamengo foi vice, mas não houve decisão: em 1992 e 1998, o Vasco foi campeão antecipado ao conquistar os dois turnos e, em 1994, houve um quadrangular final.

O que acontece com o Vasco? Seria uma crise de identidade do clube, vítima da fila de títulos à qual se submeteu devido às más administrações? Ou meramente um problema psicológico, fruto da cobrança e expectativa excessivas de torcida e imprensa a cada jogo decisivo contra o maior rival? Na partida de ontem, pode-se culpar a arbitragem, mas o fato é que, por mais que tenha dominado todo o primeiro tempo, não conseguiu marcar quando as chances se apresentaram.

Descobrir o que falta para o time conseguir finalmente derrotar o maior rival em uma partida decisiva pode ser a chave, também, para se redescobrir o rumo das glórias de um grande que, a cada dia, se apequena mais.

Confira a relação de jogos decisivos entre Vasco e Flamengo, desde 2001:

Estadual

22/02/01 – Final Taça Guanabara: Flamengo 2x1 Vasco
20/05/01 – 1ª final Estadual: Flamengo 1x2 Vasco
27/05/01 – 2ª final Estadual: Vasco 1x3 Flamengo
15/02/04 – Semifinal Taça Guanabara: Vasco 0x2 Flamengo
11/04/04 – 1ª final Estadual: Flamengo 2x1 Vasco
18/04/04 – 2ª final Estadual: Vasco 1x3 Flamengo
25/02/07 – Semifinal Taça Guanabara: Vasco 1x1 Flamengo (nos pênaltis, 1x3)
17/02/08 – Semifinal Taça Guanabara: Flamengo 2x1 Vasco
11/04/10 – Semifinal Taça Rio: Flamengo 2x1 Vasco

Copa do Brasil

19/07/06 – 1ª final: Flamengo 2x0 Vasco
26/07/06 – 2ª final: Vasco 0x1 Flamengo

Confira a relação de jogos normais entre Vasco e Flamengo, desde 2001:

Estadual

13/05/01 – Flamengo 0x0 Vasco
25/03/02 – Flamengo 0x1 Vasco
26/05/02 – Vasco 0x0 Flamengo
01/03/03 – Vasco 1x1 Flamengo
21/03/04 – Vasco 2x1 Flamengo
20/03/05 – Vasco 2x2 Flamengo
19/03/06 – Flamengo 1x2 Vasco
25/03/07 – Vasco 3x0 Flamengo
06/04/08 – Vasco 2x2 Flamengo
22/03/09 – Vasco 2x0 Flamengo
14/03/10 – Flamengo 1x0 Vasco

Torneio Rio-São Paulo

10/03/02 – Vasco 3x1 Flamengo

Brasileirão

06/10/01 – Vasco 5x1 Flamengo
16/10/02 – Vasco 2x1 Flamengo
15/06/03 – Vasco 1x2 Flamengo
12/10/03 – Flamengo 2x1 Vasco
10/07/04 – Flamengo 0x1 Vasco
24/10/04 – Vasco 1x0 Flamengo
17/07/05 – Flamengo 1x0 Vasco
22/10/05 – Vasco 2x1 Flamengo
16/07/06 – Flamengo 0x1 Vasco
26/10/06 – Vasco 3x1 Flamengo
16/09/07 – Flamengo 1x1 Vasco
18/10/07 – Vasco 1x2 Flamengo
13/07/08 – Flamengo 3x1 Vasco
19/10/08 – Vasco 0x1 Flamengo

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Grandes técnicos das Copas - Zagallo


Zagallo tem a honra de possuir mais títulos de Copas do Mundo do que qualquer pessoa na terra: ao total, foram quatro, duas como jogador, uma como treinador e uma como diretor técnico. Apesar disso, recebia duras críticas quando no comando da seleção brasileira, críticas que eram sempre silenciadas com resultados.

Atualmente conhecido como um técnico renomado, Zagallo começou no futebol como jogador. No início da década de 50, defendia o América do Rio ainda sob a bandeira do amadorismo. Transferido para o Flamengo, brilhou na ponta esquerda, compensando a pouca força física com extremo talento e habilidade. Além disso, sempre voltava para ajudar o time na marcação, atitude incomum na época. Em 53, foi para o Botafogo e passou a ser figura constante nas concovações da seleção brasileira.

Foi na Copa de 58 que o mundo conheceu Zagallo e seus companheiros de equipe. Surpreendendo a todos, Zagallo defendia e atacava com maestria numa época onde só existiam jogadores exclusivamente defensivos ou ofensivos. Juntamente com Pelé, Vavá e Garrincha, ele furou o bloqueio sueco e conquistou a primeira Taça Jules Rimet para o Brasil. Em 62, no Chile, ele já havia deixado um pouco de lado suas características defensivas para ser um verdadeiro ponta esquerda. Sua importância cresceu ainda mais quando Pelé se machucou e toda a responsabilidade caiu em seus ombros e nos de Garrincha. Felizmente, ambos deram conta do recado e o Brasil conquistou o bicampeonato.

Zagallo encerrou sua carreira em 64, mas dois anos depois já atuava como técnico. E foi do lado de fora das quatro linhas que ele demonstrou toda a sua paixão pelo futebol e todo seu conhecimento tático que já possuía quando jogador. Seu primeiro clube foi o Botafogo e lá conquistou dois campeonatos cariocas. Às vésperas da Copa de 70, o técnico da seleção brasileira João Saldanha brigou com a CBF, que queria impôr a convocação de alguns jogadores exigidos pelo regime militar vigente na época, e abandonou o escrete canarinho. Coube a Zagallo a tarefa de reerguer o ânimo de um grupo cabisbaixo pela derrota humilhante na Copa de 66 e pelos maus resultados nas eliminatórias.

Já de cara, Zagallo tirou Edu, ponta-esquerda titular com Saldanha, e escalou Tostão, que não era bem um ponta, jogava de centro-avante no Cruzeiro. Abençoado com uma geração de craques, Zagallo viu sua mudança dar resultado, bem como tudo o mais deu certo: com um futebol show, arte, o Brasil faturou a Taça Jules Rimet pela terceira vez, de forma definitiva. Aquele time com quatro camisas 10 em seus clubes - Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino - nunca será esquecido. E nem seu treinador.

Após a Copa, Zagallo deixou o comando da seleção e dirigiu Flamengo e Fluminense. Em uma aventura pelo Oriente Médio, conseguiu a façanha de classificar os Emirados Árabes Unidos para a Copa de 90, na Itália. Quatro anos depois, compartilhou toda sua experiência com Carlos Alberto Parreira na Copa dos Estados Unidos. Mais uma vez, a presença do Velho Lobo foi fundamental e trouxe sorte à seleção, que conquistou seu quarto título após 24 anos: exatamente o tempo que Zagallo ficou fora da seleção. Após o triunfo, assumiu mais uma vez o comando do escrete canarinho.

Muito criticado, conquistou a Copa América de 97 na Bolívia, a primeira do Brasil fora do país e esbravejou, desabafando, a famosa frase "vocês vão ter que me engolir". Na Copa de 98, sua superstição com o número 13 foi levada às últimas conseqüências e, apesar de ser extremamente criticado, chegou à final. Infelizmente, dessa vez o Velho Lobo não teve sorte e oBrasil perdeu para a anfitriã França após um episódio mal explicado com Ronaldo.

Após a Copa, Zagallo saiu da seleção e treinou a Portuguesa e o Flamengo, conquistando mais um campeonato carioca. Uma estátua de bronze representando sua figura foi erguida na frente do Maracanã, o estádio em cujo gramado Zagallo desfilou tantas vezes seu belo futebol. Para ele, o trunfo brasileiro é não ter se rendido ao futebol força como na Europa, onde a imponência física é mais importante que a habilidade e o talento. Aos 74 anos, após passar por uma cirurgia, o Velho Lobo segue firme como coordenador técnico da seleção brasileira que busca o hexa em 2006.

Nome: Mário Jorge Lobo Zagallo
Data de nascimento: 09/07/1931

CARREIRA

Como jogador
1946 a 1950: América
1951 a 1957: Flamengo
1958 a 1965: Botafogo
37 jogos pela seleção, 4 gols

Como treinador
1966 a 1970: Botafogo
1970: Seleção brasileira
1971 e 1972: Fluminense
1972 e 1973: Flamengo
1978 a 1979: Botafogo
1979: Al Hilal (KSA)
1980: Al Nasr (KSA)
1980 a 1981: Vasco de Gama
1984 a 1985: Flamengo
1986 a 1987: Botafogo
1988 a 1989: Bangu
1990 a 1991: Vasco de Gama
1995 a 1998: Seleção brasileira
2000: Portuguesa
2000 a 2001: Flamengo

Títulos:
10 campeonatos cariocas (6 como jogador, 4 como técnico)
4 Copas do Mundo

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O fim da hegemonia?


Pela primeira vez em sete anos, não há um clube inglês na semifinal da Champions League

Lembra-se da temporada 2002/03 da Liga dos Campeões da Europa? O Milan de Dida derrotou a Juventus nos pênaltis na decisão, após eliminarem Real Madrid e Internazionale nas semifinais.

Aquela foi a última temporada em que não houve ao menos um clube inglês na semifinal do maior campeonato de futebol do mundo - sim, maior até que a Copa do Mundo, principalmente pelo nível técnico apresentado.

Naquela temporada, o Manchester United foi o inglês a chegar mais longe, sendo eliminado pelo Real Madrid após derrota por 3 a 1 no Santiago Bernabéu e vitória por 4 a 3 no Old Trafford - circunstâncias semelhantes às da eliminação desta quarta, assim como foram semelhantes as doses de heroísmo deste Bayern de Munique às daquele Manchester campeão europeu em 1999. Vingança tardia, mas finalmente saboreada.

De 2002/03 para cá, o Chelsea caiu na semifinal diante do Mônaco em 2003/04; Liverpool e Chelsea se enfrentaram nas semis de 2004/05, com os Reds avançando para o título diante do Milan; o azarão Arsenal eliminou o surpreendente Villareal em 2005/06, para ser derrotado pelo Barcelona de Ronaldinho Gaúcho.

A hegemonia consolidou-se a partir de 2006/07: naquele ano, Chelsea, Liverpool e Manchester United chegaram às semifinais - então apenas a segunda vez na história que três times do mesmo país conseguiam o feito; em 2007/08, os mesmos três repetiram a escrita, desta vez sem intrusos na final e com vitória do Manchester; e no ano passado, o Arsenal substituiu o Liverpool no trio de semifinalistas, que ao final acabaram sucumbindo à qualidade técnica de Messi e seu Barcelona mágico.

O golaço de Robben em Manchester marca não apenas a volta do Bayern de Munique às semifinais de competições europeias após nove anos (na última vez em que chegou, em 2000/01, foi campeão), mas também coloca um ponto de interrogação sobre a pouco questionada hegemonia dos clubes ingleses nos últimos anos. Com estruturas administrativas mais modernas, bastante diferentes daquelas de seus rivais espanhois e italianos, os ingleses transformaram a Premier League na NBA do futebol e pareceram bastante à frente de seus adversários - e por um bom tempo.

Entretanto, a primeira semifinal de UCL com clubes de quatro países diferentes desde 2003/04 mostra que, apesar do poder econômico, os ingleses perderam sim um pouco de sua força nesta temporada - basta ver, com a falência do Portsmouth e as severas críticas dos torcedores aos proprietários de Manchester, Chelsea e Liverpool, que o modelo de administração talvez não seja tão perfeito assim.

Obviamente, a queda do Manchester tem muito a ver com a expulsão de Rafael e a lesão de Rooney, da mesma forma que os problemas de formação de elenco para a temporada afastaram o Liverpool da disputa e a queda de produção de Drogba em 2010 - um pouco fruto da cirurgia que o marfinense teima em adiar - limou as chances de avanço do Chelsea. Também, a forma como o Arsenal foi derrotado lembra - de maneira horrível para os torcedores dos Gunners - que os outros times têm, sim, MUITAS qualidades.

Ainda assim, serve de alerta para os ingleses o fato de que, apesar de tantas participações e tamanha hegemonia, eles tenham vencido apenas um dos últimos quatro títulos. Porque se eles se julgavam superiores nos primórdios do futebol e, ao demorar para se perceberem iguais aos outros, acabaram ficando para trás, o mesmo pode acontecer de novo, agora com os clubes.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Estádios Clássicos - San Siro / Giuseppe Meazza


O San Siro - ou Giuseppe Meazza, como queiram - é um templo do futebol digno de orgulho tanto para os Nerazzuri da Internazionale como para os Rossoneri do Milan. Não é exagero chamá-lo de um símbolo para os amantes do futebol de todo o mundo, da mesma maneira que o La Scala e o Il Duomo ressoam para os milaneses amantes da música. Situado na zona oeste da cidade e com uma capacidade de 85.700 espectadores, suas íngrimes rampas de acesso e os três andares de arquibancada fazem cada centímetro parecer com uma fortaleza intransponível.

Tamanha é a sua grandeza que o San Siro já sediou jogos de duas Copas do Mundo diferentes: as de 1934 e 1990, ambas oferecendo encontros históricos nos maiores momentos do futebol. A estrutura original foi construída no modelo inglês, com quadro arquibancadas separadas e capacidade para apenas 35 mil pessoas. No outono de 1926, a primeira partida foi realizada, naturalmente um clássico milanês, o qual a Inter venceu por 6 a 3, feito que se orgulha até hoje.

O primeiro jogo da seleção foi em 20 de fevereiro de 1927, quando a Squadra Azzurra emapatou em 2 a 2 com a então forte Tchecoslováquia. Entretanto, o verdadeiro batismo foi sete anos depois, na segunda edição da Copa do Mundo. O estádio recebeu três partidas, todas emocionantes: a primeira, uma vitória da Suíça por 3 a 2 sobre a Holanda; depois, a partida das quartas-de-final entre Alemanha e Suécia, com os alemães vencendo por 2 a 1.

Mas foi em 3 de junho de 1934 que o estádio ganhou seu lugar no coração dos tifosi italianos. O clima era eletrizante antes da semifinal entre Itália e Áustria, considerada por muitos a melhor seleção do Mundial. Um gol de Enrico Guaita logo aos 10 minutos foi suficiente para eliminar o fantasma austríaco e garantir a vaga na final, embora os jogadores da Áustria tenham reclamado muito de um pênalti não marcado. O craque e artilheiro do time Giuseppe Meazza e seus companheiros venceram a Tchecoslováquia por 2 a 1 em Roma e levantaram o troféu Jules Rimet pela primeira vez.

Em um país onde o cristianismo tem raízes muito fortes e as tradições familiares permanecem, os milaneses nascem já vestindo as cores do time de seus pais. E assim como isso é verdade para os fãs, a história dos próprios clubes foi moldada por laços familiares inquebráveis. Cesare Maldini e seu filho Paolo deixaram marcas inegáveis no Milan. Do outro lado da cerca, Massimo Moratti vem tentando nos últimos anos reviver as glórias que seu pai Ângelo alcançou na presidência do clube na década de 60, quando a Inter ganhou suas duas Copas Européias, em 64 e 65, três a menos que o arqui-rival Milan. Embora Moratti Junior tenha passado a presidência da Inter para Giacinto Facchetti em 2004, ele ainda é dono do clube.

Em quase um século de rivalidade, só um homem chegou perto de atravessar o precipício: tendo passado os melhores anos de sua carreira na Inter, o craque Giuseppe Meazza vestiu a camisa rubro-negra e defendeu o Milan por uma temporada. Após sua morte, ambos os clubes entraram num acordo e decidiram renomear o estádio em sua homenagem, e desde 3 de março de 1980, é oficialmente conhecido como Giuseppe Meazza. Entretanto, para os torcedores mais supersticiosos, será sempre o San Siro.

A Alemanha Ocidental construiu boa parte de sua campanha vitoriosa na Copa de 90 no San Siro. Com três estrelas da Inter em seu time (Andreas Brehme, Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann), a torcida local deu ao time notável apoio. E das seis partidas sediadas em Milão, os alemães estiveram presentes em cinco. Foi ali que os futuros campeões derrotaram a Iugoslavia por 4 a 1, os Emirados Árabes Unidos por 5 a 1, empataram com a Colômbia em 1 a 1, venceram os rivais holandeses por 2 a 1 e a Tchecoslováquia por 1 a 0. Mas foi no jogo de abertura da Copa que o San Siro ofereceu ao mundo um espetáculo inesquecível. A Argentina, atual campeã, abriria o Mundial contra Camarões, que muitos apostavam que faria apenas figuração. Entretanto o que se viu foi a vitória camaronesa com o gol de Omam-Biyik. Os poucos torcedores camaroneses presentes vibraram como loucos no que é, até hoje, o jogo mais lembrado da história do San Siro.

Desde muito tempo, horas de tifosi entusiasmados rumam para o estádio a cada rodada do campeonato italiano para torcer ou pelo Milan, ou pela Inter. Do derby inicial em 1926 até hoje, o San Siro já abrigou 250 jogos, um dos quais, recentemente, fez a Inter amargar sua pior derrota para o arqui-rival. Em 21 de maio de 2001, o time do técnico Marco Tardelli sofreu uma humilhante derrota por 6 a 0. Mas a torcida e, principalmente, esse estádio, sabem que essa rivalidade ainda vai durar por muitos e muitos anos.

Nome: Estádio Giuseppe Meazza (San Siro)
Local: Milão, Itália
Capacidade: 85.700
Inauguração: 19/09/1926

Sediou 3 jogos da Copa de 34 e mais 6 jogos da Copa de 90, além da Eurocopa de 1980.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Paulistão: quem se classifica para a semifinal?

JustificarO Paulistão chega à sua última rodada com uma pitada de emoção maior que nos últimos anos, pelo fato de dois dos grandes ainda buscarem a classificação. O curioso é que eles são exatamente Corinthians e São Paulo, que no início da temporada priorizaram a Libertadores, promovendo rodízios de jogadores nas partidas do Estadual, e encaram a classificação à semifinal como exigência, tanto para acalmar a torcida quanto para encontrarem o time ideal para a competição sul-americana, já que ambos ainda estão devendo em futebol.

Veja do que cada time precisa para se classificar:

Grêmio Prudente – Tem a situação teoricamente mais confortável dos quatro, pois joga em casa diante do São Caetano e precisa de uma vitória simples para se classificar. Caso Corinthians e Portuguesa não vençam, até mesmo uma derrota garante a equipe de Toninho Cecílio nas semifinais. O Grêmio vem de quatro vitórias consecutivas (contra Corinthians e Portuguesa, adversários diretos) e tem pela frente um São Caetano praticamente garantido nas semifinais do Interior, mas sem muita inspiração como visitante.

São Paulo – Apesar de entrar na última rodada na zona de classificação, tem o adversário mais difícil dos quatro: pega o já classificado Santo André, como visitante. A partida, entretanto, será em Piracicaba a pedido do mandante, o que pode favorecer o Tricolor – ainda que, mesmo que o jogo fosse no ABC, o São Paulo teria maioria da torcida. A dúvida é se o Santo André entrará com os titulares ou não, o que pode influenciar diretamente na dificuldade encontrada pelo time de Ricardo Gomes. Outra questão é se o treinador manterá a equipe que goleou o Botafogo, deixando Washington no banco e mantendo Marlos no meio – em suas entrevistas pós-jogo, afirmou que a formação usada neste domingo é opção, e não solução. Caso chova em Piracicaba, o campo pesado pode exigir uma referência na área.

Corinthians – Segundo sites de matemática, o Corinthians tem até mais chances de classificação que o São Paulo, mesmo tendo chegado à última rodada na quinta colocação. Isto porque joga em casa diante do Rio Claro, que briga para não cair. O Timão precisa vencer, já que um empate significaria os mesmos 33 pontos do São Paulo, mas perderia nos critérios de desempate. Dentinho estará de volta à equipe, mas Chicão, Ralf e Jorge Henrique estão suspensos. Ronaldo deverá ir para o sacrifício, emplacando sua quinta partida consecutiva – algo que não fez ainda nesta temporada.

Portuguesa – A situação da Lusa é a mais improvável. Para se classificar, precisa vencer o Ituano (que ainda briga contra o rebaixamento) no Canindé e torcer por tropeços de dois dos três concorrentes – empates de Corinthians e São Paulo já servem. A classificação pode até vir na terceira posição, caso o Grêmio Prudente perca – aí, a Portuguesa ficaria na frente pelo saldo de gols. Para o jogo decisivo, Benazzi não contará com Glauber e Marcos Paulo, suspensos. O capitão Marco Antônio, que voltou a sentir dores no pé, é dúvida, e Domingos, suspenso diante do Rio Branco, volta à zaga.

Palpite do blog: Classificam-se Grêmio Prudente e Corinthians.


REBAIXAMENTO

Sertãozinho, Rio Branco e Monte Azul, três clubes que subiram no ano passado, já estão de volta à Série A-2. Na última rodada, cinco equipes lutam para fugir da última vaga: o Paulista, com 17 pontos, é o mais ameaçado e virtual rebaixado – recebe um desanimado Palmeiras, e precisa vencer, além de torcer para derrota de um de seus concorrentes, ou empates de Ituano ou Mirassol.

Caso o Galo consiga a vitória, as atenções recaem sobre Rio Claro e Ituano, ambos com 19 pontos e que jogam fora de casa respectivamente contra Corinthians e Portuguesa, que ainda sonham com a vaga na semifinal. Mirassol e Bragantino se enfrentam, e um empate ou vitória do Mirassol garantem os dois na elite no ano que vem. Para o Braga cair, só mesmo um desastre: derrota para o Mirassol e vitórias de Rio Claro, Ituano e Paulista.

Palpite do blog: Cai o Paulista


TROFÉU DO INTERIOR

A conta do Troféu do Interior é mais complicada, por envolver também o Grêmio Prudente, ainda na briga pela semifinal. Garantidos, o Botafogo, que recebe o já rebaixado Monte Azul, e o São Caetano, que visita o Prudente. Sobram mais duas vagas: Mogi Mirim e Ponte Preta se enfrentam por uma dessas vagas, e o Oeste recebe o rebaixado Rio Branco de olho nos resultados da rodada – até mesmo o Bragantino poderia se classificar, caso vença sua partida, a Ponte derrote o Mogi e o Oeste perca para o Rio Branco. Caso o Prudente fique de fora das semifinais do campeonato, sobraria apenas uma vaga, que ficaria entre Ponte e Oeste.

Palpite do blog: Classificam-se Botafogo, São Caetano, Mogi Mirim, Ponte Preta e Oeste

domingo, 4 de abril de 2010

História das Copas - México 1970 (parte II)

Quartas-de-final

O jogo contra o Peru, embora encarado com certa tranqüilidade por alguns jogadores devido à fragilidade do adversário, era considerado de vida ou morte por outros, pois o técnico peruano, Didi, havia tecido críticas ao estilo de jogo brasileiro.

Entretanto, a partida em si não foi nem um pouco tensa. Logo aos 15 minutos, Rivelino e Tostão já havia aberto 2 a 0 no placar. O Brasil passou então a administrar o resultado. Os peruanos diminuíram mas Tostão marcou de novo; Cubillas conseguiu fazer o seu, mas Jairzinho fechou a contagem em 4 a 2 e o Brasil passava às semifinais sem dificuldades.

Nos outros jogos, o México saiu na frente mas não agüentou a pressão italiana, cujo ataque finalmente desencantou e marcou quatro. Uruguai e União Soviética fizeram um jogo medíocre, com os uruguaios marcando o único gol da partida já no final da prorrogação. Totalmente diferente foi o confronto entre Inglaterra e Alemanha. Os alemães não haviam digerido ainda a derrota para os ingleses na final da Copa de 66 e foram atrás da vingança.

Sob um sol escaldante, a Inglaterra abriu 2 a 0 no início da segunda etapa com Mullery e Peters, reforçando o discurso que haviam apresentado até então de que estavam apenas esperando o adversário da final. Entretanto, os alemães não estavam entregues. Beckenbauer diminuiu e Uwe Seeler empatou a nove minutos do fim. Novamente, como há quatro anos, haveria prorrogação. E foi na prorrogação que a história mudou, com Müller fazendo o gol da vitória dos alemães. A ausência de Gordon Banks, que sofrera uma intoxicação alimentar na véspera da partida, foi muito sentida pelos ingleses. Pela primeira vez na história das Copas, as semifinais apresentavam apenas seleções que já haviam conquistado a taça.

Semifinais

O Brasil venceu o Uruguai por 3 a 1, mas o jogo foi muito mais apertado do que o placar. Cubilla abriu o placar aos 19 minutos do primeiro tempo, com a ajuda de Félix: o atacante chutou torto mas pegou o goleiro no contrapé e a bola entrou. Os uruguaios montaram então uma fortíssima retranca, a qual os brasileiros tinham dificuldade em furar. Clodoaldo empatou já no fim da primeira etapa, tranqüilizando os brasileiros.

No segundo tempo, o Brasil foi subindo de produção até que Jairzinho virou aos 31 e Rivelino deu números finais ao placar aos 44. Nesse jogo, uma cena histórica: Pelé é lançado e, com uma de corpo genial, passa pelo goleiro Mazurkiewicz por um lado enquanto a bola vai pelo outro. Pelé corre então atrás da bola, chuta e ela, caprichosamente, sai rente à trave, para alívio do zagueiro Ancheta, que correi desesperadamente para evitar o gol. Mas o Brasil já estava classificado para a terceira final em quatro Copas.

A semifinal entre Itália e Alemanha foi tão sensacional que é considerada por muitos (principalmente na Europa, nem tanto no Brasil) como a melhor partida da história das Copas, o duelo de campeões foi recheado de momentos de emoção. Enquanto que, na primeira fase, os alemães possuíam uma campanha exemplar, com vitórias incontestáveis, a Azzurra havia se arrastado para chegar às quartas. Aí os papéis se inverteram, com a Itália goleando o México e a Alemanha sofrendo para vencer a Inglaterra. Mas vamos ao jogo.

A Itália abriu o placar aos 7 minutos num chute de Bonisegna se trancou na defesa esperando a Alemanha que, por sua vez, temia o contra-ataque. Beckenbauer comandava todas as ações mas os alemães não conseguiam furar o bloqueio italiano. Foi só aos 44 minutos do segundo tempo que Schnellinger empatou, aproveitando um cruzamento da esquerda. Na prorrogação, um show de futebol.

Aos 4 minutos, Müller vira; aos 8, Burgnich empata; Riva dá novamente a liderança à Itália aos 13; Müller empata aos 4 do segundo tempo e, no minuto seguinte, Rivera recebe passe de Bonisegna, que fez grande jogada, e deu números finais ao placar: 4 a 3. Beckenbauer disputou metade do segundo tempo e a prorrogação inteira com o braço atado junto ao corpo, após uma queda. Toda a garra alemã não foi suficiente para vencer esta que foi uma das partidas mais memoráveis da história das Copas.

A final

"Noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração". Essa era a música que embalava a torcida brasileira durante a Copa do Mundo, e ela nunca esteve tão certa como naquele 21 de junho de 1970. O mundo parou para acompanhar a final de Copa do Mundo que daria ao vencedor o direito de posse definitiva da Taça Jules Rimet. Quem saísse tricampeão do Estádio Azteca ficaria para sempre com aquele troféu.

O Brasil, com Félix, Brito, Piazza, Everaldo e Carlos Alberto; Clodoaldo, Gerson, Rivelino e Pelé; Tostão e Jairzinho entrou em campo diante de 107 mil espectadores para enfrentar a Itália, que havia vencido a Alemanha em uma semnifinal espetacular. Ainda no primeiro tempo, Pelé abriu o placar de cabeça. Uma falha de Clodoaldo provocou uma sucessão de erros da defesa, deixando a bola livre nos pés do italiano Boninsegna que completou para o gol vazio.

A superioridade do Brasil era evidente e, no segundo tempo, os gols foram surgindo. Gerson fez dois a um aos 20 minutos num chute forte cruzado ameia altura, colocado no canto esquerdo do goleiro Albertosi. Aos 32, Gerson fez um lançamento preciso do meio de campo, colocando a bola na cabeça de Pelé, dentro da área. Pelé tocou para a finalização atabalhoada de Jairzinho. Jair passaria para a história das Copas por ter marcado em todos os jogos do Brasil no torneio. Para completar a festa brasileira, aos 42 minutos, o capitão Carlos Alberto completava para o fundo da rede italiana um passe de Pelé. Os italianos foram derrotados por um dos melhores times de todos os tempos, consagrado por imprensa e torcedores de todo o mundo.

Depois da final, o técnico da equipe da Tchecoeslováquia, que tinha sido muito criticado pela derrota para o Brasil na estréia disse: "Agora o mundo compreende a razão de termos perdido de quatro a um. Ninguém vence esse time do Brasil." Após a festa e a invasão do gramado pela torcida, o capitão Carlos Alberto levantou a taça Jules Rimet que seria levada em definitivo para o Brasil.

IX COPA DO MUNADO - 1970 - MÉXICO
Campeão: Brasil
Vice: Itália
Terceiro: Alemanha
Quarto: Uruguai

Período: de 31 de maio a 21 de junho de 1970
Total de jogos: 32
Gols marcados: 95
Média de gols: 2,97 por partida
Artilheiro: Müller (Alemanha Oc.) - 10 gols
Público total: 1.585.400 pagantes
Média de público: 49.543 pagantes

O Brasil: CAMPEÃO - 6 jogos (6V), 19GP/7GC

jogos: Primeira fase: Brasil 4x1 Tchecoslováquia (Rivelino, jairzinho(2) e Pelé; Petras)
Brasil 1x0 Inglaterra (Jairzinho)
Brasil 3x2 Romênia (Pelé (2) e Jairzinho; Dumitrache e Rembrovsky)

sábado, 3 de abril de 2010

Futebol 2.0


Graças à Internet, garoto brasileiro chegou à seleção austríaca sub 18

A Internet revolucionou, dentre tantos outros segmentos, também o futebol: pelo PC, partidas de quase todos os campeonatos do mundo podem ser acompanhadas ao vivo, informações de quaisquer jogadores podem ser compiladas e, principalmente, vídeos e mais vídeos podem ser assistidos em sites e redes sociais. A antiga expressão “jogador de videotape”, que se transformara em “jogador de DVD”, evoluiu nos últimos anos para “jogador de Youtube” – o caso do garoto Vitor Flora, já retratado aqui no Olheiros, é um dos mais emblemáticos.

Esse avanço tecnológico do futebol (ao menos fora das quatro linhas) ocorreu de forma mais perceptível com a popularização da Web 2.0 – ferramentas interativas atreladas à Internet banda larga. E foi graças a elas que um jovem jogador brasileiro chegou, na última semana, à seleção sub 18 da Áustria.

Rafhael Domingues, atacante de 18 anos do Toledo Colônia Work (TCW), da primeira divisão paranaense (que acabou rebaixado nesta temporada), é neto de austríacos – seu avô materno, Franz Joseph Schweighofer, nasceu na região do Tirol. Graças à dupla cidadania, Rafinha, como é conhecido, foi atrás do sonho de atuar na Europa.

E foi através do site de relacionamentos Facebook que a “convocação” aconteceu: Rafinha entrou em contato com membros das categorias de base da federação austríaca contando de sua ascendência, enviando vídeos de suas atuações pelo TCW e colocando-se à disposição da equipe sub 18. “Pensei que eles não iriam dar bola para mim. Um mês depois de ter entrado em contato, recebi a convocação por e-mail. No começo não acreditei, mas quando eles pediram o contato do Toledo para me levarem para o amistoso, vi que era verdade mesmo”, contou um surpreso atacante ao jornal Gazeta do Povo.

Chegando a Viena com seu pai, Rafinha encontrou língua e cultura diferentes, que dificultaram a adaptação à seleção. “No primeiro treino o treinador falava, eu esperava um pouco e olhava o que os outros jogadores faziam, para depois repetir”, lembra. Ainda assim, a estreia diante da República Tcheca não poderia ter sido melhor. Diante de 1300 torcedores no pequeno estádio municipal da cidade de Laa an der Thaya, no noroeste austríaco, o paranaense de Marechal Cândido Rondon jogou pela primeira vez com a camisa preta da Áustria – um país tão novo quanto seus companheiros de time.

Logo aos três minutos, os tchecos abriram o placar após cobrança de escanteio, mas a partir daí Rafinha provou-se fundamental: empatou aos 34, após boa jogada pela direita, e virou o jogo aos 10 do segundo, chutando de bico cara a cara com o goleiro. Substituído aos 25, foi aplaudido pela torcida e, nos vestiários, virou o centro das atenções, tentando – como podia – responder às perguntas dos curiosos companheiros sobre o futebol brasileiro.

Elogiado pelo técnico Hermann Stadler – “ele é rápido, ágil e habilidoso” –, Rafinha ganhou destaque na imprensa local e já aprendeu uma ou outra palavra em alemão durante sua estadia. Contudo, por mais que seu futebol tenha impressionado, Stadler deixou claro que outros fatores pesam muito em futuras convocações – especialmente a questão do idioma. “Sem dúvida, ele é talentoso e especial. Esportivamente falando, não há problema algum, mas há outras circunstâncias a serem avaliadas”, sentenciou o ex-atacante do Áustria Salzburg. De fato, trazer um jogador de outro continente para atuar em amistosos e competições sub 18 de seleções demanda muitos ajustes operacionais. Períodos maiores de treinamento e adaptação mais profunda ao futebol e aos costumes do país ficariam prejudicados pela distância, transformando Rafinha quase que em um ente separado do restante do time.

Para solucionar este problema, o garoto está disposto a enfrentar todos os desafios. “Quero começar a aprender inglês e alemão”, conta, acrescentando os próximos e inevitáveis passos para se concretizar o sonho. “Acho que no futuro seria melhor eu jogar na Áustria ou na Alemanha, para ser observado e poder ser convocado de novo”, reflete. A vontade, Rafinha garante, é mesmo atuar pela seleção européia no futuro – a própria busca pela dupla cidadania já foi com essa intenção.

Caso a aventura austríaca não dê certo, o atacante promete não desanimar. “Não sei o que vai acontecer. Se surgisse uma oportunidade de jogar nos grandes do estado, eu aceitaria com certeza”, afirma. O primeiro contrato profissional com o TCW foi assinado recentemente e vale até 2013. Até lá, Rafinha terá tempo para provar se tem realmente talento ou se é, apenas, mais um fruto da geração Web 2.0.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

De malas prontas


Nikão afirma que não joga mais pelo Santos e deve ir para o futebol nordestino

Publicado no Olheiros

“Não jogo mais no Santos. Não tem mais volta. Eu queria ficar, porque já estava adaptado”. Estas podem ter sido as últimas palavras de Nikão como jogador do Santos. Emprestado pelo Mirassol até a última quarta-feira, o jogador de 17 anos pode estar de malas prontas para o Vitória.

Isto porque o Peixe não exerceu a preferência de compra de 50% de seus direitos, estipulados em R$ 1,2 milhão. A diretoria santista fez uma contraproposta de R$ 240 mil por 80%, não aceita pelo empresário de Nikão, Carlos Alberto. Segundo o diretor das categorias de base do time da Baixada, Paulo de Carvalho, o Santos não descartou o jogador. “O empresário rejeitou, mas ainda vamos aguardar. Ainda pode acontecer de ele continuar jogando”, disse.

Enquanto a situação com o alvinegro não se define, o empresário de Nikão afirma que alguns clubes da Europa, além de Palmeiras e Vitória, estariam interessados. No momento, a maior chance de concretização é com o tricolor baiano, que segundo Paulo Carneiro negocia a compra de parte dos direitos federativos do garoto desde o Carnaval.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Craques das Copas - Johan Cruyff


Poucos jogadores têm a honra de serem comparados com Pelé, Maradona e Beckenbauer. Apesar de nunca ter conquistado a Copa do Mundo, este holandês é um desses jogadores, tendo conquistado fama mundial com seu futebol. O nome dele? Johan Cruyff.

Johannes Hendrikus Cruyff nasceu em Amsterdã e, com 12 anos, após a morte de seu pai, decidiu que seria jogador de futebol para ajudar a sua família. Conseguiu um lugar nas categorias de base do Ajax, onde sua mãe trabalhava, ainda quando tinha apenas 7 anos e, aos 13, abandonou os estudos para dedicar-se somente ao futebol. Já mais velho, foi observado pelo técnico Rinus Michels, que gostou de sua técnica e desenvolveu um trabalho de aprimoramento físico, uma vez que Cruyff era muito franzino. Logo ele ascendeu ao time principal e, aos 19 anos, conquistou seu primeiro título holandês.

Logo chamou a atenção internacionalmente por seu futebol elegante e extremamente técnico, com qualidade tanto para desarmar jogadas como para servir os companheiros e concluir para o gol. Além disso, possuía uma personalidade forte apesar do pouco estudo e nunca escondia o que pensava a respeito dos acontecimentos dentro e fora do mundo da bola. Acusado de arrogante, chegou a ser afastado do time a pedido dos seus companheiros. A verdade é que ele era uma pessoa muito inteligente, e os outros sabiam disso.

Por ser um dos maiores jogadores de todos os tempos, sua carreira na seleção foi relativamente curta: estreou em 66 e jogou apenas 48 partidas e uma Copa do Mundo. Não conseguiu levar a seleção holandesa para Copa de 70, mas foi o grande jogador do Mundial de 74 - quando marcou três gols - e decidiu não disputar a Copa da Argentina por não concordar com o regime militar existente no país.

Em 73, após conquistar seis campeonatos holandeses e três campeonatos europeus, transferiu-se para o Barcelona, onde jogou por seis anos. Após anunciar o fim de sua carreira aos 31 anos, voltou ao futebol um ano depois para jogar nos Estados Unidos por mais dois. Voltou à Espanha para defender o modesto Levante da segunda divisão e, oito anos após sua saída, voltou ao clube que o consagrou. Demonstrando o mesmo futebol de anos antes, venceu mais uma vez o campeonato holandês com o Ajax e encerrou sua vitoriosa carreira aos 36 anos no Feyenoord, onde conquistou seu nono título da Liga.

Um ano depois, já começou sua também vitoriosa carreira de treinador no Ajax, vencendo duas Copas da Holanda. Repetindo o trajeto que fez quando jogador, foi para o Barcelona em 1988, onde foi tetracampeão espanhol e campeão europeu após contratar vários holandeses como Gullit e Van Basten para o time. Em 96, deixou o clube prometendo nunca mais ser treinador, pois o stress e o cigarro já haviam obrigado-o a submeter-se uma cirurgia no coração. Apesar de ter se distanciado dos gramados, ele é e continuará sendo reverenciado por sua habilidade dentro e fora deles.

Nome: Johannes Hendrikus Cruyff
Data de nascimento: 25/04/1947
Local: Amsterdam, Holanda

Carreira:

Em clubes:
1964 a 1973: Ajax
1973 a 1978: Barcelona
1979: Los Angeles Aztecs
1980 e 1981: Washington Diplomats
1981: Levante
1981 a 1983: Ajax
1983 e 1984: Feyenoord Rotterdam

Na seleção:
33 gols em 48 jogos (33 como capitão)

Títulos:

Como jogador:
9 campeonatos holandeses
6 Copas da Holanda
3 Copas Européias

Como técnico:
4 campeonatos espanhóis
1 Copa Européia
1 Copa da Espanha
2 Copas da Holanda

quarta-feira, 31 de março de 2010

Série estádios clássicos - Estádio Centenário


Campos sagrados, fortalezas inexpugnáveis, arenas gigantescas e sedes intimidadoras - eles são também os locais de disputa dos momentos mais memoráveis das Copas do Mundo. A partir de hoje, o Jornalismo Esporte Clube leva até você os perfis das catedrais do futebol.

ESTÁDIO CENTENÁRIO

O estádio Centenário em Montevidéu permanece na trilha do passado e do presente do planeta futebol. Um monumento ao amor dos sul-americanos pelo esporte, o colosso de concreto que abrigava 100 mil pessoas foi o palco principal da primeira Copa do Mundo, introduzindo ao mundo a irrefutável visão do futebol como o único esporte verdadeiramente global.

Construído para sediar a Copa de 30 e em comemoração ao 100º aniversário de independência do Uruguai, o Centenário permanece até hoje como um marco inquestionável do futebol e da identidade nacional. Apesar de ter acontecido no cume de uma das maiores crises econômicas da história, a Copa do Mundo atraiu 13 seleções que buscavam o sucesso e o reconhecimento mundial, e o Centenário foi palco de pelo menos um jogo de cada uma das equipes. O estádio recebeu 10 das 18 partidas do Mundial, incluindo os três jogos-desempate, já que naquela época não havia disputa por pênaltis. Conquistou o título de "templo do futebol", dado pelo então presidente da FIFA, Jules Rimet.

O ambicioso projeto de construção do estádio começou em 21 de julho de 1929, a cerca de um ano do início do torneio. Mas o dinheiro era escasso para atender aos requisitos de infraestrutura da FIFA e também para garantir a segurança econômica que a organização de um evento como esse exigiam. Apesar disso, multidões de operários trabalharam incansavelmente para assegurarem que o estádio estivesse pronto a tempo. Cada parte do estádio foi designada para uma companhia construtora, enquanto os suprimentos de água e energia elétrica sendo garantidos pela comunidade local. Sob a supervisão do arquiteto Juan Antonio Scasso, três turnos foram organizados para que a construção não parasse, seguindo 24 horas por dia.

Os esforços intermináveis foram recompensados na abertura da Copa, no dia 18 de julho, quando o Uruguai bateu o Peru por 1 a 0 e toda a nação explodia em êxtase, orgulhosa pela vitória e pelo grande feito que fora a construção daquele estádio. Embora o Centenário seja considerado o palco principal da Copa de 30, havia outros dois estádios na capital Montevidéu - o relativamente pequeno Pocitos e o Parque Central. De fato, oficialmente a primeira partida disputada na história das Copas, a vitória da França por 4 a 1 sobre o México, aconteceu no estádio Pocitos para um público de cerca de mil espectadores no dia 13 de julho. Mas o mais importante para os uruguaios é que as cinco partidas da Celeste Olímpica na campanha do título mundial foram disputadas no gigante de concreto.

A final viu os anfitriões recuperarem-se após um gol dos arqui-rivais argentinos e virarem o jogo para 4 a 2 para conquistarem a primeira Copa do Mundo. O capitão uruguaio José Nazassi foi o primeiro jogador a erguer a Taça Jules Rimet. As comemorações duraram dias e mais dias em Montevidéu, ao passo que a era global do futebol começava com um triunfo doméstico. O futebol nunca mais seria o mesmo.

Mesmo 75 anos depois, quando o Centenário já se aproxima de sua própria comemoração de cem anos, o estádio permanece como a casa e, muitas vezes, como uma fortaleza inexpugnável para a seleção uruguaia.
O time conheceu raras vitórias em seu estádio, e mesmo os melhores do mundo encontram dificuldades neste templo do futebol. O Brasil, por exemplo, só conseguiu duas vitórias em 20 partidas disputadas lá até hoje. As estatísticas do Uruguai no Centenário em Copas América se aproximam da perfeição. O país sediou o evento por sete vezes, mas só quatro após a construção do estádio. E em todas as quatro, eles não só não perderam um jogo sequer como foram campeões.
Os dois maiores clubes uruguaios, Peñarol e Nacional, eternos rivais e ambos sediados na capital, já jogaram inúmeros clássicos no estádio que ambos chamam de casa. Tirando algumas modernizações, o estádio permanece muito parecido com o que era quando construído para sediar a primeira Copa do Mundo. E até hoje, quem entra nesse estádio é transportando de volta à época em que as camisas dos uniformes tinham botões e cordões e o futebol era algo muito mais inocente. Mas nem por isso menos belo.
Estádio Centenário

Localização: Montevideu, Urugui
Inauguração: 18/07/1930
Sediou 10 jogos da Copa de 30 e quatro Copas América (1942, 1956, 1967 e 1995).

terça-feira, 30 de março de 2010

Grandes técnicos das Copas - Joseph 'Sepp' Herberger




Conhecida como "O Milagre de Berna", a vitória da Alemanha na Copa de 54 está intrinsecamente ligada a Joseph Herberger, um homem cujas conquistas transcendem as fronteiras convencionais do mundo dos técnicos de futebol. De fato, ele é considerado o pai da ressurreição alemã pós-Segunda Guerra, um homem do esporte que se transformou em um ícone da reconstrução do país após o triunfo sobre os favoritos húngaros na final.

"Sepp", como era conhecido, era o caçula de seis filhos de uma família podre. Quando seu pai morreu, teve que trabalhar com apenas 14 anos nas empreiteiras de construção civil e depois em metalúrgicas. Mas mesmo assim, ele mantinha sua paixão pelo futebol e estreou no clube local, o Waldhof Mannheim, aos 17 anos. Convocado pelo exército, afastou-se dos gramados por dois anos até voltar ao Waldhof e ser convocado para a seleção alemã. Jogou apenas três jogos, mas deixou sua marca de artilheiro também no futebol internacional.

Jogou por mais dois clubes e, aos 30 anos, começou a estudar para virar treinador. Formou-se em primeiro em sua turma com a tese "Buscando a máxima performance no futebol" e trabalhou por quatro anos como técnico de juvenis na federação alemã. Após o fracasso alemão nas olimpíadas sediadas por Berlim em 36, Sepp foi nomeado treinador da seleção principal. Na medida do possível, fez um bom trabalho na Copa de 38, mas foi tolhido pelas políticagens da época, que o obrigaram a convocar jogadores da Áustria, então anexada pelo regime nazista alemão. Durante a Segunda Guerra, as competições foram suspensas e Sepp ocupou seu tempo tentando sobreviver à destruição dos combates. Em 1950, voltou a comandar a seleção, que foi excluída do Mundial do Brasil.

Em 54, Sepp já tinha montado um time-base para a seleção alemã, com o jogo todo centrado no capitão Fritz Walter do Kaiserslautern. Apesar de serem uma boa equipe, os alemães eram considerados azarões e estavam com a moral muito baixa após a derrota na guerra. Na primeira fase, uma derrota humilhante por 8 a 3 para os incríveis húngaros de Puskas e Kocsis parecia ter provado que essa afirmação era verdadeira. Muito criticado, Sepp afirmou que decidiu por escalar um time mais fraco como estratégia para um plano mais ambicioso: ele havia poupado seus jogadores para o jogo contra a Turquia, que a seleção venceu. Depois, no desempate contra os mesmos turcos, mais uma vez escalou a força máxima. E deu certo: a Alemanha estava na segunda fase. Os críticos se calaram e mais uma vez ele foi reconhecido como um grande estrategista do futebol.

Sua fama cresceu, em parte graças ao seu árduo trabalho: ele mantinha um caderno em que anotava todos os detalhes dos próximos adversários, inclusive suas forças e fraquezas. Em 4 de julho de 54, a seleção alemã, contrariando todos os prognósticos, chegou a final e enfrentaria os amplamente favoritos húngaros. "Era uma final previsível", diziam, mas não foi bem o que aconteceu. Autoritário, Herberger sabia como motivar seus jogadores e arrancou deles o máximo naquele dia: os alemães foram mais fortes, mais valentes, determinados e, acima de tudo, tiveram espírito de equipe. Sepp sempre cobrava isso de seus jgoadores: "vocês têm que ser um grupo de 11 amigos", dizia. E o que se viu foi uma vitória impressionante, uma conquista histórica que serviu de exemplo para o povo alemão, que se sentia menosprezado. O "Milagre de Berna" não poderia ter outro nome, nem outro responsável: Sepp liderou um grupo cabisbaixo para uma vitória triunfante.

A conquista alavancou uma nova onda de otimismo e muitos jovens começaram a jogar futebol, orientados pelas recomendações de Sepp, que coordenava até as categorias de base da seleção alemã. Em 62, recebeu a Ordem Nacional do Mérito de Primeira Classe e permaneceu no cargo até 64, conquistando resultados expressivos nas Copas de 58 (quarto lugar) e de 62 (chegou até às quartas-de-final). Seu sucessor foi Helmut Schön. Em 77, morreu de uma infecção no pulmão, aos 80 anos.

TÁTICAS

Herberger era um estrategista nato. Após a vitória alemã na estréia da Copa de 54 sobre a Turquia por 4 a 1, ele fez oito mudanças na equipe, deixando seus melhores jogadores descansarem para a partida decisiva. Com o time reserva, perdeu para a Hungria por 8 a 3. Entretanto, a manobra se mostrou um golpe de mestre quando o time alemão, recuperado, derrotou novamente os turcos no jogo-desempate.

Nome: Joseph 'Sepp' Herberger
Data de nascimento: 28/03/1897
Data de morte: 20/04/ 1977
Local de nascimento: Mannheim, Alemanha

CARREIRA

Como jogador
1914 a 1921: Waldhof Mannheim
1921 a 1926: VFR Mannheim
1926 a 1930: Tennis Borussia Berlim
3 jogos pela seleção alemã, 2 gols

Como técnico

Em clubes
1930 a 1932: Tennis Borussia Berlim

Na seleção alemã
1936 a 1964 (campeão da Copa de 54)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sem chances no São Paulo, Wellington e Sérgio Mota podem ir para o Figueirense


Publicado no blog do Olheiros

Após a confirmação de Marco Aurélio Cunha como consultor da nova gestão do Figueirense Futebol Clube, não param de surgir especulações sobre negociações de jogadores com o São Paulo, através de uma possível parceria que teria, como uma de suas principais características, o empréstimo de jogadores tricolores que não estejam sendo aproveitados.

Neste contexto, segundo informações do site Infoesporte, duas recentes revelações são-paulinas poderiam pintar em Florianópolis para a disputa da Série B: os meias Wellington e Sérgio Mota, pouco aproveitados por Ricardo Gomes nesta temporada - Mota entrou quatro vezes do banco e Wellington chegou a ser titular contra o Mirassol, mas foi expulso contra o Oeste e não jogou mais.

Apesar das especulações, os jogadores ainda não foram oferecidos e, pelo que consta, o nome de Sérgio Mota não teria sido bem recebido pelos profissionais do departamento de futebol do Figueira. No ano passado, o meia já foi emprestado ao Toledo para a disputa do Paranaense, mas não fez uma boa campanha, retornou e não foi aproveitado no Brasileiro.

E você, o que acha: eles teriam espaço no time de Ricardo Gomes? Se forem realmente emprestados, poderão se destacar na campanha do Figueirense na Série B?

domingo, 28 de março de 2010

História das Copas - México 1970 (parte I)

O Brasil não encontrou dificuldades em sua preparação para a Copa, derrotando seus adversários nas eliminatórias por placares mais que convincentes, uma vez que o futebol apresentado também era de grande qualidade. No comando da seleção estava João Saldanha, cronista esportivo convidado a dirigir o time por João Havelange, presidente da CBD.

Entretanto, apesar dos bons resultados, Saldanha brigou com os dirigentes e não convocou o atacante Dario, do Atlético-MG, time do General Médici, causando descontentamento e, após um empate com o Bangu em um jogo-treino, sua demissão foi anunciada. Zagallo assumiu o comando da equipe, mas o futebol que se via não era o mesmo. A seleção chegava, assim, um tanto quanto desacreditada ao Mundial.

Na estréia, contra a Tchecoslováquia, uma virada para impôr respeito: Petras abriu o placar logo aos 11 minutos, resultado da pressão tcheca, mas Rivelino empatou 13 minutos depois. O Brasil administrou o jogo e Pelé ampliou aos 14 do segundo tempo. Os tchecos se perderam em campo e Jairzinho fez mais dois, para completar a fatura.

Tostão foi escalado apesar das críticas que diziam que, após o desvio de retina que ele sofrera numa partida do campeonato brasileiro, ele estaria acabado para o futebol. Entretanto, o cruzeirense jogou bem e não saiu mais do time. Nessa partida, um lance antológico: Pelé, ao ver o goleiro Viktor adiantado, chutou do meio do campo. O guarda-metas correu de volta para o gol, mas a bola passou rente à trave. Foi o quase-gol mais bonito da história das Copas.

No jogo seguinte, o Brasil enfrentou a Inglaterra, adversário feroz que tornou o jogo muito difícil. Gérson não jogou por problemas musculares e, quando o placar ainda estava no zero, o goleiro inflês Gordon Banks proagonizou a defesa mais conhecida da história do futebol, ao espalmar uma cabeçada `indefensável` de Pelé. O gol só saiu no segundo tempo, após grande jogada de Tostão, que tocou para Pelé servir Jairzinho.

Já classificado, o Brasil jogou contra a Romênia buscando a vitória para permanecer na cidade de Guadalajara até a final. E foi uma luta para conseguir a vitória, pois os romenos montaram uma forte retranca. Rivellino estava fora dessa vez, mas Pelé acabou com o nervosismo ao marcar de falta aos 20 minutos do primeiro tempo. Jairiznho ampliou ainda antes do intervalo, dando mais tranqüilidade ao escrete canarinho. Na segunda metade, Dumitrache diminuiu em falha da zaga, mas antes que os romenos pudessem esboçar uma reação, Pelé marcou novamente. Dembrovski ainda descontou, mas a vitória já era brasileira.

A comoção do povo mexicano para organizar as Olimpíadas de 68 e a Copa de 70 foi tão grande que, impulsionado pela sua torcida, o time mexicano passou pela primeira vez à segunda fase da Copa, deixando de lado o estigma de saco de pancadas da Copa. Os `ticos`, como eram chamados, pegaram um grupo mediano, empatando sem gols contra a União Soviética, goleando os fracos El Salvadorenhos e conquistando a classificação numa suada vitória de 1 a 0 sobre a Bélgica, com gol de pênalti. Esta foi a primeira Copa dos mexicanos sem o goleiro Carbajal, que em 66 estabelecera um recorde ainda inalcançado: foi o jogador que atuou em mais Copas do Mundo: 5, de 1950 a 1966. Na Copa de 70, Carbajal foi convocado para a reserva como homenagem.

No Grupo 2, a Itália classificou-se sem muito alarde, vencendo a Suécia pela contagem mínima e empatando sem gols contra Uruguai e Israel. O Uruguai, que perdeu para a Suécia, classificou-se nos critérios de desempate, mandando os suecos de volta para casa.

No grupo 4, a Alemanha venceu os 3 jogos e despachou logo seus adversários. A briga pela segunda vaga ficou entre peruanos, búlgaros e marroquinos, mas o time comandado pelo brasileiro Didi, bicampeão em 58 e 62, cujo astro maior era o atacante Cubillas, não deu chances e venceu a Bulgária por 3 a 2 e o Marrocos por 3 a 0, garantindo a vaga nas quartas-de-final para enfrentar o Brasil. Os outros jogos das quartas-de-final seriam Uruguai x União Soviética, Itália x México e Alemanha x Inglaterra.

sábado, 27 de março de 2010

Ele não está pronto

Apesar da campanha favorável, ainda não é hora de Neymar ir para a Copa

Publicado no Olheiros

Vila Belmiro, 14 de março de 2010. Aos 35 minutos do segundo tempo, Paulo Henrique deixa Madson na cara do gol, e o baixinho apenas toca na saída de Marcos para empatar em 3 a 3 o clássico entre Santos e Palmeiras. Na saída de bola, o time da casa pressiona e retoma a posse. Neymar é lançado próximo à linha lateral, mata no peito, domina com o joelho e peteca uma vez com o pé direito, até receber um toque de Pierre, que fica com a bola. Na sequência, o camisa dezessete santista se escora em Léo, corre e atinge, sem bola, o volante palmeirense com um pontapé.

A expulsão de Neymar pelo árbitro Antonio Rogério Batista do Prado monopolizou as discussões futebolísticas, desde o balcão do botequim até à mesa redonda televisiva, na semana passada. Não pela legitimidade do cartão vermelho, mas muito pelo gancho que o meia atacante poderia pegar – falou-se em 18 partidas, que afinal tornaram-se apenas duas.

Pouco foi falado, entretanto, sobre a reação do garoto à expulsão e ao próprio lance, em que Pierre lhe toma a bola limpamente, por sinal. São naturais o desespero de um jogador habilidoso que sofre inúmeras faltas durante a partida e o desconsolo de um menino de 18 anos que recebe o primeiro vermelho de sua carreira. Foi a primeira expulsão, mas não a primeira advertência: Neymar já levou cinco cartões amarelos neste ano, o maior número entre os quatro grandes de São Paulo.

Pode-se dizer que é exatamente a marcação irritantemente insistente que faz com que Neymar revide, cometa faltas bobas e receba os amarelos. Somente a vivência lhe dará a experiência necessária para controlar seu temperamento e entender que, se é perseguido dentro de campo, o é exatamente por ser diferenciado - “ele está louco” é a única coisa que pode ser publicada da leitura labial que se faz de Neymar nos instantes que seguem a expulsão.

Evitando ser minimalista e reduzir todo o contexto em apenas um fato, a expulsão de Neymar é um argumento sólido contra os que defendem veementemente sua convocação à seleção brasileira para a disputa da Copa do Mundo. A crise tardia de identidade do time de Dunga, o medo inconsciente e coletivo de que Kaká e Luís Fabiano, que enfrentam temporadas turbulentas, não dêem conta do recado e a sensação de que o banco de reservas é pobre de inspiração transformaram um simples desejo de muitos no pedido incessante de quase todos – “Neymar deve ir à África do Sul”.

O coro soma-se à campanha velada de quase a totalidade da imprensa pela convocação de Ronaldinho Gaúcho, por mais que o camisa 80 do Milan não tenha feito nada de relevante nos últimos três anos e, de uma hora para outra, tenha resolvido jogar diante de Sienas e Livornos. A ida de Neymar, defende-se, ofereceria um gole de habilidade a um time sedento por ideias e seria fundamental para o desenvolvimento do jogador, que tem tudo para se tornar um dos principais craques do futebol mundial, garantem.

Contudo, Neymar não está pronto. Levá-lo à Copa criaria um ambiente de expectativa muito grande sobre o menino, diferente do que aconteceu com Pelé em 58 – exemplo que costumam oferecer à discussão para convencer que ele pode sim ser convocado, mas que fecha os olhos à diferença existente entre a cobertura midiática da época e a atual e, bem, ao fato de Pelé ser Pelé. Correria-se um risco exagerado de, assim como foi com o inglês Theo Walcott em 2006, esperar tanto do garoto que ele mesmo se perca no processo.

Esta é uma história comum a muitas promessas do futebol que não se concretizam. Que Neymar é diferente da maioria delas, certamente o é, e pelo que já demonstrou neste primeiro ano de profissional tem realmente tudo para ser protagonista em 2014. Mas o mau desempenho no Mundial Sub-17 do ano passado alerta para o fato de que nem sempre o craque está em um dia bom.

Principalmente, é preciso lembrar que Neymar teria, na delegação brasileira, peso e importância radicalmente diferentes dos que possui no Santos, onde já é estrela estabelecida - teria de se relegar a um segundo plano. Neste ponto, os dois argumentos principais que defendem sua convocação se excluem: se ele deve ser chamado apenas para ganhar experiência, então será um jogador espectador, configurando-se em uma opção a menos de um time que já carece de boas alternativas no banco.

Por outro lado, se for convocado realmente por seu desempenho e para atuar de fato, não será uma convocação apenas para que conviva com os grandes nomes e amadureça, podendo facilmente queimá-lo no sempre conturbado processo que envolve uma Copa do Mundo, com pressão gigantesca por resultados e espaço zero para erros.

Por tudo isso, Neymar ainda não está pronto. Nem Paulo Henrique, seu companheiro de equipe, que acredito ser até um jogador já mais maduro. Afinal, Robinho já foi unanimidade e, por querer queimar etapas, voltou ao Brasil como um dos atletas mais criticados por sua atitude antiprofissional. O craque não precisa de oportunidade. Ele precisa de tempo para se estabelecer – algo que acontecerá naturalmente com o novo menino da Vila.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Álbum de figurinhas da Copa sai no dia 11 de abril

Agora é oficial. A Editora Panini, responsável pelo licenciamento dos álbuns de figurinhas oficiais das Copas do Mundo, incluiu em seu site global as primeiras imagens da coleção que será lançada na próxima semana (a coletiva de imprensa para o lançamento do álbum no Brasil está marcada para a próxima terça, dia 30, com o álbum chegando às bancas no dia 11 de abril, um domingo).

(Clique na foto para visualizar em tamanho maior)

As imagens foram retiradas em seguida, por se tratarem de um teste do layout do site. Mas através do blog Copa do Mundo em 3x4, dos amigos Felipe Noronha e Danilo Pilan, que trazem uma série de curiosidades sobre os álbuns dos Mundiais, obtivemos imagens feitas em um evento da editora na Itália:


A capa do álbum, como já divulgado na semana passada via Twitter, será laranja, seguindo toda a identidade visual do Mundial escolhida pela Fifa - a imagem de fundo do site oficial da Copa é laranja, assim como foi azul claro toda a identidade visual da Copa de 2006.

Além do logotipo oficial da Copa, a capa tem também as bandeiras dos 32 países representados por suas seleções, e não conta mais com a foto da bola oficial do Mundial, como ocorreu em 2002 e 2006.

Ainda não sabemos o número total de figurinhas, mas serão todos os 32 times, seus escudos e uma foto posada da equipe, além de cromos dos 10 estádios, da Taça Fifa, do logotipo oficial, do mascote e do pôster oficial. Cada página, como podemos ver na página do Brasil, tem 19 cromos, com 17 jogadores mais o escudo e a foto posada da equipe.

O preço do álbum e do pacotinho ainda não foi divulgado, mas fique atento para mais informações.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Crônica de uma morte anunciada


Vasco de Vágner Mancini é apenas mais um time mal montado e mal treinado

No dia em que iam demiti-lo, Vágner Mancini levantou-se pela manhã para estudar o adversário que enfrentaria. "Sonhava sempre com vitórias", disse a mãe, recordando depois os pormenores daquela quarta-feira ingrata. Tinha uma reputação bastante bem ganha de observador certeiro dos times alheios, mas não descobrira qualquer saída nas manhãs que precederam a sua demissão.*

O Vasco estampou ontem no peito de sua nova camisa a cruz que o vascaíno carrega não é de hoje em suas costas: um clube que acumula vexames com a mesma facilidade que somava títulos na década passada, quando a Cruz de Malta - que na verdade é a Cruz Pátea - era vestida com orgulho por seus torcedores.

Há oito anos o Gigante da Colina não caía duas vezes seguidas para pequenos: em 2002, derrotas para Americano e Bangu, ambas em São Januário. Com as quedas perante Olaria e - novamente - Americano, o torcedor mais pessimista já vislumbra novo rebaixamento no Brasileiro.

De novo, o calvário cruzmaltino não tem nada: velhos erros foram cometidos na preparação, como a contratação em massa de jogadores ainda em dezembro, quando sequer o técnico era conhecido. Como saber se o futuro comandante da nau aprovaria os marujos selecionados?

Vágner Mancini, por sua vez, não fez o que dele se esperava - ou fez, para quem, como este que vos bloga, pouco acreditava no treinador que teve no Paulista e no Vitória triunfos importantes, mas que no Grêmio e no Santos, clubes de verdadeira expressão e com latente pressão, falhara retumbantemente.

Com Mancini, o Vasco começou promissor, muito graças à goleada sobre o Botafogo em uma noite atípica das duas equipes. Dodô, encantado, desencantou contra o ex-clube e depois marcou mais três contra o Friburguense, adotando um quaresmal jejum de gols ainda não quebrado.

O tempo que era ensolarado na Colina fechou após a derrota na final da Taça Guanabara, sujeito a trovoadas e relâmpagos durante o restante do período - empate sem gols em casa com o Sousa, da Paraíba, derrota para o Flamengo no clássico e novo empate pela Copa do Brasil, contra o mesmo ASA que já eliminou Palmeiras.

Essencialmente, o Vasco perdeu seu espírito após o revés do Maracanã. Um time zumbi, que já naquela partida mostrou uma de suas muitas faces distorcidas: dominou todo o jogo, mas não foi capaz de defini-lo - e assim foi também contra o Flamengo.

Mancini errou ao mudar muito do pouco que vinha dando certo na equipe, alterando a formação para três zagueiros, mudando a toda rodada o miolo da defesa e insistindo em jogadores desqualificados como Magno, Paulinho e Geovane Maranhão (foram 29 atletas utilizados). A nova mexida, voltando para o 4-3-1-2 do início do ano - e de todo o ano passado -, foi o último levante de um treinador que não conseguiu dar moral à equipe e mexer com o brio de um grupo que, num ínterim, perdeu toda a confiança.

Mais: durante toda sua passagem, fez do Vasco um time ansioso, que mesmo tentando ser leve e veloz batia demais: foram 72 amarelos em 18 jogos, média de quatro por partida, além de 8 expulsões, quase uma a cada dois jogos.

Um time que buscava resolver a partida como se fosse a última, buscando a bola da mesma forma que uma mariposa segue instintamente a vela sem questionar sua chama que, eventualmente, irá matá-la.

Enfim, o Vasco de Mancini foi, desde seu início, a crônica de uma morte anunciada. Caberá, agora, a Leão, ou Tite, ou Abel Braga, ou Oswaldo de Oliveira, ou por que não Antônio Lopes, ressuscitá-lo a tempo de salvar o time de outra crucificação ao final da temporada.

* Adaptação do primeiro parágrafo de "Crônica de uma morte anunciada", de Gabriel Garcia Marquez.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Juntos novamente

Dupla de sucesso das bases do Fortaleza se reencontra, agora no Vitória

Publicado no blog do Olheiros

Dois garotos que fizeram muito sucesso pelas bases do Fortaleza irão se reecontrar em outro time do Nordeste: o atacante Bambam foi anunciado como reforço do Vitória para a disputa do Campeonato Baiano, da Copa do Brasil e do Brasileirão.

Bambam, 19, estava encostado no time B do Internacional, e chega sem custos para o clube baiano. Ele poderá reeditar a parceria com Adaílton na Copa São Paulo de 2008 e em outros torneios de base – na ocasião, ambos foram o destaque da equipe que chegou às quartas de final da Copinha.

Após inúmeros problemas com o Fortaleza, Adaílton finalmente chegou ao Vitória no início do ano e até agora marcou três gols no Estadual. Bambam, por sua vez, disputou o primeiro turno da Série B de 2009 com o Leão antes de seguir para o Inter.