sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A sexta estrela


Faço questão de abordar tal assunto hoje, antes da final entre Brasil e Alemanha na Copa do Mundo de futebol feminino. Afinal, antes do início do Mundial pouco se falava. Agora, com a classificação para a primeira final de Copa da história do futebol feminino brasileiro, e com a fenomenal campanha da seleção, este deve ser o principal assunto na mídia.

Qualquer que seja o resultado, é preciso que fique claro que estas meninas são vencedoras. Afinal, se Alemanha, Estados Unidos e os países da Escandinávia são as maiores potências do futebol feminino, é porque houve investimento muito, mas muito pesado nos últimos vinte anos.

E quanto investimento houve no Brasil para o desenvolvimento do futebol feminino? Como vai o campeonato nacional? (Que campeonato!?) Qual incentivo essas meninas tiveram para seguir numa carreira que, ao contrário do futebol masculino, oferece pouca - ou nenhuma - perspectiva?

Talvez o problema esteja exatamente na interminável comparação. Por que o vôlei agrada tanto no masculino quanto no feminino? Por que o basquete do Pan teve mais destaque com Janete & cia. do que com os homens? Por que só no futebol as mulheres não têm destaque? Num país multicultural e multiracial, como pode perdurar preconceito tão forte por tanto tempo?

A própria FIFA faz pouco caso, afinal as regras do futebol são das poucas que não mudam de um para outro gênero. Por que a bola e o gol têm que ser do mesmo tamanho? As goleiras normalmente são mais baixas que os goleiros, e ninguém vê isso?

Por que não adicionar a estrela do título mundial feminino no distintivo da CBF? Afinal, a sigla não significa Confederação Brasileira de Futebol? Não há distinção, pelo menos na teoria.

De qualquer forma, essas meninas são vencedoras e o Brasil prova, ao criar nos terrões craques como Marta, que é, sim, o país do futebol. E lembra porque é, ainda, o país da desigualdade.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Brasileirão: 70%


A segunda análise do returno do Brasileirão já tem ares de reta final: completada a 27ª rodada, faltam 11 jogos para o término do campeonato e a contagem regressiva de dez rodadas começa.

As últimas quatro jornadas do Brasileirão serviram para consolidar a regularidade de duas equipes: o São Paulo, que só vence, e o América-RN, que só perde. De fato, o Mecão ainda não está matematicamente rebaixado (o que pode acontecer em quatro rodadas), mas as possibilidades são remotíssimas. Com isso, sobram três vagas para a série B do ano que vem - e a disputa promete ser diríssima.

Tirando o América, o Goiás tem a pior campanha do segundo turno: quatro pontos em sete jogos fizeram com que Bonamigo fosse demitido, e Márcio Araújo já estreou mal. Os goianos parecem sem reação, ao contrário do Náutico, que venceu as quatro últimas partidas e se vê pela primeira vez em dez rodadas fora da zona de rebaixamento. O Juventude segue seu calvário e, a julgar pelo fraco desempenho dentro de casa e o pífio como visitante (seis pontos em treze jogos), deve acompanhar o Mecão. O Paraná Clube é outro que não vem bem no returno e já permanece entre os quatro piores.

O São Paulo venceu duas partidas importantíssimas, contra Vasco e Santos, e pode até ser campeão já daqui a cinco rodadas. Para isto, terá que superar mais uma seqüência complicada: Flamengo e Inter fora, além do clássico contra o Corinthians. Depois, a "decisão" contra o Cruzeiro.

E a Raposa vai bem, obrigado. O time amadureceu e tem desempenho parecido ao dos campeões dos anos anteriores (Santos/04, Corinthians/05 e São Paulo/06). Não fosse a versão paulista da "máquina tricolor", o time de Dorival Júnior - que conseguiu uma excelente vitória sobre o Vasco no Rio - chegaria tranquilamente ao bicampeonato.

A briga pela Libertadores segue aberta entre Grêmio, Palmeiras, Santos, Botafogo e Vasco. Os dois cariocas perderam força nas últimas rodadas (especialmente os cruzmaltinos, que têm ainda confrontos diretos contra Santos, Bota e Palmeiras). O Grêmio parece mais consistente no momento, mas as duas vagas restantes devem ser definidas apenas nas últimas rodadas.

O panorama de times como Internacional e Sport pouco se alterou: continuam uma campanha cheia de altos e baixos. O Atlético-PR, que chegou a sondar a zona de rebaixamento, se reergueu com Ney Franco e já aparece em 11º, mas o máximo que poderá fazer é garantir com segurança uma vaga na Sulamericana.

Sinal amarelo para Figueirense, Flamengo, Atlético-MG e Corinthians: embora estejam acima de times como Juventude e Goiás, devem tomar cuidado por a diferença de pontos entre o Paraná (18º) e o Goiás (12º) é de apenas três pontos.

E para finalizar, um fato até certo ponto curioso: os oito times que não trocaram de técnico desde o início do campeonato são justamente...os oito primeiros. Coincidência? Resta saber se os times estão em cima porque os técnicos não caíram, OU os técnicos não caíram porque os times estão em cima. Ainda que sutilmente, há diferença. Voltamos em 20 dias com mais uma análise.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O futebol ficou chato


O futebol ficou chato. É uma pena, afinal nunca tivemos tantos campeonatos disponíveis - e talvez até por isso tenha perdido um pouco a graça, afinal tudo que é demais enjoa.

Mas é certo que não se pode mais provocar, ousar, desafiar. Tanto é verdade que Vampeta virou um oásis para os jornalistas, em meio a um imenso deserto de declarações enlatadas. E não cola o argumento de que "as respostas são sempre as mesmas porque as perguntas não mudam". Afinal, se as perguntas não mudam, porque as respostas antigamente eram melhores?

Fato é que não apenas os jogadores tentam ser mais "politicamente corretos", ainda que de político ou correto o futebol em sua essência não tenha nada. E é por isso talvez que muitas vezes tentem deixar os treinamentos mais rígidos: acabando com o improviso, pode-se (ao menos na teoria) eliminar falhas e tornar o imprevisível, previsível.

Hoje o drible da foca, ontem a embaixadinha, amanhã a declaração que "incentiva o adversário e inflama as torcidas a brigarem". Tudo parece proibido, errado, anti-ético.

E só piora quando os personagens - os jogadores - deixam de tentar. Um pouco pelo discurso, mas muito pela falta de qualidade. Tudo bem, ainda existem os que tentam, e sempre há de haver. Mas eles deixaram de ser regra para tornarem-se exceção.

Enfim, o futebol ficou chato. Ou pelo menos perdeu um pouco da graça. Você concorda?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Chutômetro - Liga dos Campeões da Europa

Peço novamente desculpas aos amigos pela falta de atualização e também pelas escassas visitas aos blogs. Não só isso, mas a falta de tempo não tem me deixado postar com a qualidade que gostaria. Ainda assim, vale o registro de que começa amanhã mais uma fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Sem a pretensão de fazer um guia detalhado dos grupos (o que deixo para os amigos da Trivela), deixo aqui uns pitacos (não tão certeiros como os do Bodaum), para primeira rodada:

Grupo A
A missão do Liverpool não começa fácil. O Porto teve um bom início de temporada e o jogo deve ser bastante equilibrado. Aposto num empate. Já na partida entre Olympique Marseille e Besiktas, os franceses são favoritos, ainda que não estejam lá grandes coisas na Ligue 1. Palpite conservador no 2x1.

Grupo B
O Chelsea é a maior barbada da semana. Jogando em casa contra o Rosenborg, o time vai aproveitar o que deve ser um treino de luxo. Enquanto isso, na Alemanha, Schalke e Valencia já estréiam em clima de decisão pela segunda vaga. Pelos retrospectos nacionais, aposto no Schalke.

Grupo C
Aposta boa também é o Real, que está na ponta dos cascos no Espanhol e enfrenta um Werder Bremen cheio de desfalques importantes, sem ataque e com uma péssima defesa que levou três do Borussia Dortmund na sexta. Pra cima deles, Robinho! Olympiacos e Lazio vivem altos e baixos e devem fazer um duelo equilibrado: empate.

Grupo D
Milan e Benfica prometem fazer um bom jogo, ainda que Ancelotti goste de jogar com segurança. Vitória rossonera, mas não sem dificuldades. Na Ucrânia, já que ainda não está tão frio, o Celtic arranca um pontinho.

Grupo E
Rangers e Stuttgart fazem outro jogo imprevisível. O campeão alemão vai se achando aos poucos, e a exibição do final de semana pode significar que vem nova vitória por aí. Em Barcelona, um jogo que seria muito mais difícil na temporada passada. Não vejo o Lyon com chances de surpreender: dá Barça.

Grupo F
Embalada, a Roma recebe o Dynamo de Kiev em uma partida que promete alguns gols - a maioria do lado romanista. Sporting e Manchester United também deve ser um jogo bom de se ver, pois ambos jogam pra frente. Aposto em um empate com muitos gols.

Grupo G
O PSV já não é tão forte, mas também o CSKA não o é. Partida difícil, inclusive de assistir. 1x0 para os holandeses. Na Turquia, Fenerbahçe e Inter não promete muito mais, mas ao menos as equipes têm jogadores mais habilidosos. Mesmo fora, dá Inter (que só pipoca nas finais).

Grupo H
Por fim, jogaço entre Arsenal e Sevilla. Qualquer coisa pode REALMENTE acontecer. Vou no embalo dos líderes do inglês: 2x1. Por outro lado, Slavia e Steaua fará parte dos 'jogos esquecidos'. Dou-me o direito de apostar na dupla: empate ou Steaua.

E você, quais os seus palpites?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Copa do Mundo de Rugby


Vez ou outra é bom variarmos o assunto, afinal falar toda hora de homens correndo atrás de uma bola em um gramado cansa! Por isso, vale a lembrança de que acontece em estádios franceses mais uma edição da Copa do Mundo de Rugby.

Acredite ou não, o rugby é o segundo esporte coletivo mais popular do mundo. O fato pode causar surpresa porque costumamos fechar os olhos para o que não é popular por aqui (ou ainda mais, para tudo que não seja futebol), mas a verdade é que rugby e futebol sempre caminharam lado a lado.

Tanto que existe até a lenda de que o rugby surgiu de uma jogada irregular em uma partida de futebol, quando William Webb Ellis, do time do colégio Rugby (situado na cidade inglesa com o mesmo nome, em Warwickshire), teria pego a bola do jogo com as mãos e seguido com ela até a linha de fundo adversária.

Confesso que ainda não conheço muito bem as regras do jogo - ao contrário do futebol americano, de que sou fã. Mas o rugby é também um esporte muito tático e, principalmente, de muita garra e força, o que atrai ainda mais. um exemplo? O fracote da foto é o francês Sébastien Chabal, carinhosamente conhecido pelos torcedores como "Neandertal").

Esta é a sexta edição do torneio. A Austrália é a maior vencedora, com três títulos, e a atual bicampeã. Nova Zelândia e África do Sul também já levantaram o troféu, e os três países, ao lado da Inglaterra e da anfitriã França são os principais candidatos ao título. Mas a Argentina já surpreendeu no jogo de abertura e venceu os donos da casa por 17 a 12.

O Brasil nunca disputou a Copa do Mundo, principalmente pelo fato da Argentina ser a grande potência sulamericana e ter sido a única a representar o continente até hoje. Nas eliminatórias para esta edição, chegou à segunda fase mas foi massacrado por Chile (57x13) e Paraguai (47x8). O mesmo Chile depois perdeu para a Argentina por 60 a 13 - uma dimensão do esporte no país. Ainda assim, o interesse vem crescendo e a audiência da Copa do Mundo (transmitida pelos canais ESPN) é mostra disso.

Para mais informações, acesse o site oficial da Copa do Mundo de Rugby e o site da Associação Brasileira de Rugby.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Mundial Sub-17: análise final

Assim como no Mundial Sub-20, é hora de fazermos uma análise do Sub-17 após o final da competição. Se compararmos o nível técnico dos dois torneios, este foi aparentemente superior àquele. A principal justificativa que se vem à mente é a de que, nesta idade, as preocupações táticas não são tão rígidas como no sub-20, onde muitos atletas são titulares - quando não estrelas - de seus times.

Foram marcados 165 gols em 52 partidas, com uma boa média de 3,17 por jogo - não foi a melhor da categoria, que costuma ter muitas goleadas. As principais goleadas, aliás, tiveram como protagonistas Nova Zelândia e Trinidad e Tobago - mas não como vencedores. O melhor ataque foi o da Alemanha, com 20 gols, e a defesa do Peru levou três gols em cinco jogos. Na média, entretanto, a Nigéria foi melhor por ter sofrido quatro em sete.

A Nigéria sagrou-se campeã nos pênaltis com um futebol mais eficiente do que costuma ser o africano nesta faixa etária, e por conseqüência um pouco menos vistoso. A ausência das Super Águias da Copa de 2006 modificou o trabalho em toda a estrutura da Federação Nigeriana e uma forte aplicação tática fez da Nigéria o mais europeu dos africanos. O artilheiro do campeonato, Macauley Chrisantus, pode não ser um primor de técnica, mas não lhe falta faro de gol (veja mais sobre ele no blog do amigo Dassler Marques).

O sentimento de que o título foi merecido, mas que poderia ter ficado em mãos melhores, se deu graças às exibições de Espanha e Alemanha ao longo do torneio. Embaladas por Bojan Krkic e Tony Kroos (dois melhores jogadores do Mundial, com uma preferência deste que vos escreve pelo segundo), espanhóis e alemães tinham tudo para fazer uma final espetacular, não fosse a discutida expulsão de Bojan na semifinal e o apagão alemão nos primeiros vinte minutos da semifinal.

Para o futuro, fica a dúvida de até onde este grupo espanhol pode evoluir - ao contrário de Krkic, que parece um jogador praticamente pronto. E quanto à Alemanha, a expectativa do surgimento de uma nova geração vencedora, embalada pelo 'meister' Kroos, que pinta com grande força (credenciado pelas atuações) para ser o futuro camisa 10 alemão.

Fechando os semifinalistas, Gana eliminou o Brasil mas nunca empolgou, mesmo na primeira fase. Saída do mesmo grupo da Alemanha, perdeu também na primeira fase para tais adversários. Ao menos fica o consolo de que Ransford Osei e Sadick Adams podem render muitos frutos num futuro cada vez mais próximo.

A França apresentou Le Tallec, habilidoso atacante que marcou belos e decisivos gols. A Inglaterra já não teve tanto brilho, apesar da vitória sobre o Brasil. E a Argentina, sempre aquém nos sub-17 do seu desempenho nos sub-20, manteve a escrita e passou quase que desapercebida.

E o Brasil, mais uma vez decepcionou, certo? Discurso fácil, mas fato é que a partida contra Gana não deveria ter acontecido tão cedo e foi fatal. Assim como certos erros bobos de jogadores considerados experientes dentro do grupo, apesar da idade (e se é que isso é possível). Duas goleadas maísculas credenciaram o time ao tetra, mas a derrota para a Inglaterra em um jogo que parecia tranquilo complicou demais os planos da equipe.

Lulinha mostrou que é preciso cuidado ainda maior ao se endeusar um garoto. A expectativa em cima do garoto sempre superou o que ele realmente mostrou até hoje, e jogadores menos badalados como Fábio e Alex foram mais decisivos. Alex que, inclusive, foi o mais lúcido brasileiro enquanto o Brasil ainda foi lúcido.

A decepção maior (se não a única) ficou mesmo a cargo do Brasil, assim como no Sub-20. Coincidência ou não, só saberemos mais à frente. O problema, entretanto, é que é preciso ser feito algo agora, realizar um diagnóstico que dificilmente será preciso.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Copa do Mundo de Futebol Feminino - China 2007 [parte 4 de 4]

Grupo D

Brasil


A sempre árdua caminhada do futebol feminino brasileiro começou difícil já no sorteio: enfrentam as chinesas, donas da casa, e um rejuvenescido time dinamarquês. Como por aqui qualquer coisa que não seja o título é considerada uma derrota, a pressão sobre estas meninas é enorme - ainda mais depois da conquista do título pan-americano (o que, convenhamos, não é grande coisa dado o nível das adversárias). Talvez por isso a derrota para a Argentina no sul-americano tenha sido boa, afinal as meninas do Brasil têm limitações, como quaisquer outras. Marta é a melhor do mundo, Kátia vem muito bem e a experiência de Pretinha e Formiga fará muito bem a jovens revelações como Cristiane e Daniela. É uma grande chance de fazermos história. Mas que as cobranças não venham exageradas se essas garotas não trouxerem o título, porque com o (quase nenhum) apoio que elas recebem aqui, a única coisa que deveriam ouvir de nós é um sincero pedido de desculpas e um enorme agradecimento, afinal elas cumprem excepcionalmente bem a árdua tarefa de vestir a amarelinha que pesa demais - ainda mais quando se é o país do futebol. Ainda mais quando se é o país do futebol machista.

China

É bom abrir o olho com as chinesas - e não é trocadilho. Uma das melhores equipes na década de 90, a China passou por um profundo processo de reformulação nos últimos anos preparando-se exatamente para este momento, quando voltam a sediar a Copa do Mundo feminina após 16 anos da primeira edição. Sun Wen não está mais no time, e as "rosas de aço" apostam em talentosas jovens como a atacante Ma Xiaoxu e a goleira Zhang Yanru para voltar aos seus melhores dias. Xiaoxu, aliás, foi eleita a melhor jogadora da Ásia na temporada passada e terminou como artilheira e melhor jogadora do Mundial Sub-20, que a China perdeu para a Coréia do Norte. Alguns dos talentos daquela equipe foram alçados ao time principal, mas os resultados de 2007 não são muito animadores - tanto que a sueca Marika Domanski-Lyfors, contratada em março, admitiu que teria muito trabalho pela frente. Um ponto de interrogação sobre as donas-da-casa, ainda que de uma coisa não se possa duvidar: força, elas têm.

Dinamarca

Presença constante nas primeiras edições da Copa do Mundo, a Dinamarca tinha uma boa geração que sempre incomodava as favoritas. Entretanto, pouco sobrou daquele time e hoje o que se vê é uma equipe renovada, após a ausência do último Mundial. Katrine Pedersen, Anne Dot Eggers Nielsen e Meret Pedersen formam um trio experiente que serve de base para a ainda indefinida equipe de Kenneth Heiner-Moller, um jovem treinador de 35 anos que assumiu a equipe apenas em julho. A qualidade reside no ataque, e é assim que as dinamarquesas pretendem seguir o legado de suas antecessoras: incomodar as favoritas.

Nova Zelândia

A Nova Zelândia assumiu, em todos os aspectos, o papel da Austrália: reina suprema na Oceania e, sempre que chegar a um evento importante, será vista com disconfiança por não possuir adversários à altura. Tanto isso ainda é verdade que, pelo menos por enquanto, as neozelandesas serão apenas meras figurantes. As primeiras participações em cada um dos torneios de ponta servirá de aprendizado para que gerações futuras possam evoluir, assim como fez exatamente a...Austrália. Dito tudo isto, vale lembrar que no Mundial Sub-20 do ano passado, elas arrancaram um inesperado empate das brasileiras (0x0). Se há destaques na equipe Kiwi, estas são a veterana atacante Wendi Henderson e as defensoras Jackman e Rebecca Smith. De resto, muita vontade e pouca técnica na equipe com menor média de idade desta Copa do Mundo.

Palpite do Grupo D: Brasil e China. A Dinamarca tem chances, ainda que poucas, de surpreender.

Seguindo os palpites, as quartas-de-final ficariam assim:

Alemanha x Suécia
Noruega x China

EUA x China
Brasil x Canadá

Mas vale lembrar que palpites são dados para serem contestados!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Copa do Mundo de Futebol Feminino - China 2007 [parte 3 de 4]

Grupo C

Noruega


Uma das tradicionais forças do futebol feminino, a Noruega já conquistou todos os principais títulos em disputa: a Copa de 95, as Olimpíadas de 2000 e o europeu em duas oportunidades. A eliminação nas quartas-de-final em 2003 levantou algumas dúvidas sobre a seqüência do trabalho e a chegada de Bjarne Berntsen ao comando promoveu uma mudança no estilo de jogo das norueguesas: saem os lançamentos e as bolas aéreas, entra um futebol de mais passe e movimentação. A renovação também chega em forma de novos talentos, como Isabell Herlovsen e Stine Frantzen, que tentarão solucionar o principal problema da equipe: o deficitário ataque, que em um recente torneio preparatório para o Mundial, não marcou um gol sequer em três partidas.

Austrália

Assim como no masculino, a seleção feminina da Austrália participou de algumas Copas do Mundo com o desconfiado olhar de que só conseguiu a vaga graças à fragilidade dos adversários da Oceania. Mas na primeira disputa de eliminatórias pela AFC, as "Matildas" desbancaram as forças do continente e carimbaram o passaporte. Tom Sermanni tem em mãos um time forte fisicamente e com algum talento. A ausência de uma liga feminina nacional é determinante para frear a evolução do esporte no país, mas a participação nesta Copa certamente servirá de aprendizado.

Canadá

Tentando sair detrás das sombras das eternas rivais norte-americanas, as canadenses chegam à Copa da China com boas perspectivas. Repetir o feito de quatro anos atrás, quando chegou às semifinais, é o desejo do treinador Even Pellerud, ex-jogador na fria Noruega. As características de seu time são as mesmas dele próprio quando jogador: força física e velocidade na saída para o ataque. As esperanças de, quem sabe, melhorar a colocação de 2003 residem na goleadora Christine Sinclair, que alcançou a impressionante marca de 56 tentos em 88 jogos aos 23 anos de idade. No que lhe falta em habilidade, compensa com força e poder de finalização. Esperança de vitórias para um país que começa a se apaixonar pelo futebol.

Gana

A história de Gana é parecida com a do Canadá: as "rainhas negras" buscam espaço e tentam desbancar a Nigéria, primeira força do continente africano. No último Mundial, conseguiram: venceram a Austrália (adversárias novamente) por 2 a 1, enquanto as nigerianas sequer marcaram gols. O grupo é difícil e as chances de classificação não são boas, mas se as ganesas conseguirem adquirir experiência e melhorarem seu jogo para desbancar as nigerianas, o técnico Isaac Paha certamente se dará por satisfeito. Olho em Adjoa Bayor, veterana de duas Copas, eleita melhor jogadora africana em 2003 e com experiências na liga feminina norte-americana.

Palpite do Grupo C: Noruega avança. Canadá é grande favorito à segunda vaga, mas tanto Austrália quanto Gana podem, porque não, surpreender.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Copa do Mundo de Futebol Feminino - China 2007 [parte 2 de 4]

Grupo B

Suécia


A Suécia está hoje em um patamar parecido ao do Brasil: tem um time forte, que entra com chances de título, mas que está um nível abaixo de Alemanha e Estados Unidos. Atuais vice-campeãs, as suecas só foram derrotadas pelas alemãs na prorrogação, em 2003. Como boa parte do elenco é o mesmo de quatro anos atrás, e considerando a forte liga logal (Marta joga por lá), a experiência acumulada pode servir para conseguir ficar uma posição acima no pódio. Eliminada nas semifinais do europeu frente à Noruega, as comandadas de Thomas Dennerby irão contar com Hanna Ljungberg e Victoria Svensson para conseguir este feito.

Estados Unidos

As estadunidenses estão nervosas e querem vingança. Melhor seleção da década de 90 e bicampeãs mundiais, elas não engoliram a vitória maiúscula que a Alemanha lhes impôs na semifinal de 2003 (3x0), em plenos gramados norte-americanos. A transformação das alemãs em principal potência do esporte surtiu efeitos na terra do Tio Sam e um trabalho de reformulação aconteceu para o tricampeonato não escapar. Será a primeira Copa do Mundo sem Mia Hamm, e agora todos os holofotes voltam-se para Kristine Lilly. A estrela terá a ajuda de Abby Wambach, atacante no melhor estilo camisa 9, para conseguir a única coisa que o técnico Greg Ryan quer: uma vitória na final contra a Alemanha.

Nigéria

A Nigéria domina o cenário do futebol feminino da África, mas pouco tem conseguido fazer em eventos mundiais. Experiência internacional não falta, afinal o país disputou todas as Copas do Mundo desde 1991. Pentacampeã africana (conquistando o último título em novembro), apenas uma vez avançou às quartas na Copa e, em 2003, perdeu as três partidas sem marcar um gol sequer. O técnico Effiom Ntiero surpreendeu ao deixar as veteranas Mercy Akide e Florence Omagbemi de fora da convocação final, e a renovação pode ser a hora da virada ou mais uma decepção para as "Super Falcons", que apostam suas fichas no talento da novata Cynthia Uwak.

Coréia do Norte

Poucos países testemunham uma evolução tão grande em seu futebol quanto a Coréia do Norte. As equipes de base masculinas têm sido presença constante nos mundiais e os frutos devem ser colhidos em breve no time principal. No feminino, esses frutos já aparecem: as norte-coreanas surpreenderam a todos ao vencer o Brasil na semifinal e conquistar o Mundial Sub-20 no ano passado, na Rússia, com uma acachapante goleada de 5 a 0 sobre as chinesas, rivais locais . Tudo bem que nas eliminatórias o time principal acabou perdendo, mas essa mistura entre veteranas e novatas, se não vai levar a equipe muito longe nesta Copa, ao menos servirá de pavimentação para uma estrada mais vitoriosa no futuro.

Palpite do Grupo B: Estados Unidos e Suécia, possivelmente (mas não necessariamente) nessa ordem.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Copa do Mundo de Futebol Feminino - China 2007 [parte 1 de 4]

Certamente você não sabia (ou sabe muito pouco a respeito), mas estamos a uma semana de mais uma Copa do Mundo. Começa nesta segunda-feira a 5ª edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino - China 2007 (FIFA WOMEN'S WORLD CUP CHINA 2007). Não é valorizada, não recebe 10% da atenção que a mídia dá para o torneio masculino (ou o clima é o mesmo de um ano atrás?) e é a única modalidade do mundo que muitas pessoas ainda têm a cara de pau de dizer que é só para os homens. Mas é um dos esportes que mais cresce no cenário internacional (pena que sempre fiquemos pra trás em tudo, ironicamente nós, o país do futebol!).

Dezesseis seleções correm atrás da bola em cinco estádios numa jornada de vinte dias que deveria ter acontecido há quatro anos - a Copa de 2003 aconteceria na China, mas o surto de SARS obrigou a transferência da sede para os Estados Unidos. Norte-americanas e alemãs são novamente as favoritas, mas com a melhor jogadora do mundo em ótima forma o Brasil pode, porque não, sonhar com um pódio.

A partir de hoje e até sexta-feira, o Jornalismo Esporte Clube faz uma apresentação das seleções. O regulamento é simples: quatro grupos de quatro equipes. Os dois primeiros avançam para as quartas-de-final e, a partir daí, é mata-mata até a final.

Grupo A

Alemanha
Atuais campeãs mundiais e européias, as alemãs são as principais favoritas ao título e farão de tudo para continuar no topo. A campanha nas eliminatórias foi avassaladora: oito vitórias em oito jogos, 31 gols marcados e 3 sofridos. A campanha do sexto título europeu em 2005 (o quarto consecutivo) não foi menos espetacular. A categoria de Renate Lingor (terceira melhor na última eleição da Fifa) e o faro de gol de Birgit Prinz (eleita três vezes seguidas a melhor do mundo) são apenas o cartão de visitas. Some-se a isso a muralha defensiva chefiada pela goleira Silke Rottenberg e uma equipe experiente, que tem metade das convocadas como remanescentes do triunfo de quatro anos atrás, não espera nada menos que um lugar na final.

Inglaterra
A Inglaterra também iniciou o futebol feminino no final do século 19, mas o desenvolvimento foi bem diferente. Enquanto no masculino a Premier League é considerado o melhor campeonato do mundo, as inglesas começam a aparecer somente agora no cenário internacional: esta será a segunda participação na Copa do Mundo (em 95, caíram nas quartas-de-final para a Alemanha). O fato de ter sediado o último europeu feminino certamente contribuiu para o amadurecimento da equipe, ainda que o desempenho não tenha sido tão excepcional (uma vitória e duas derrotas). A estrela da companhia é Kelly Smith, habilidosa meia de 28 anos que foi eleita a melhor jogadora do Torneio Quatro Nações, realizado em janeiro na China que contou também com as anfitriãs, Estados Unidos e Alemanha.

Japão
Quando eram a segunda força do futebol asiático, as japonesas jamais passaram das quartas-de-final em Copas do Mundo. Agora que ficaram para trás, então, as expectativas não são as melhores. Com a chegada da Austrália à AFC, a vida do Japão ficou mais complicada e por pouco as "Nadeshiko" não ficam de fora de um mundial pela primeira vez. O investimento pesado no desenvolvimento do futebol feminino no país fez nascer Homare Sawa, a estrela que faltava em uma equipe sempre marcada pelo jogo coletivo. Entretanto, a artilheira que marcou 60 gols em 188 jogos parece muito pouco para o time de Hiroshi Ohashi, que tenta compensar a falta de talento com variações táticas e forte espírito de equipe.

Argentina
A estréia da Argentina em mundiais não foi das melhores: um gol marcado, quinze sofridos e a última colocação em 2003. O técnico é o mesmo, Carlos Borello, mas a equipe evoluiu: no sul-americano do ano passado, válido como eliminatórias, derrotou o Brasil (sem Marta) por 2 a 0 e levou o título. As jogadoras mais experientes fazem uma mescla interessante com as novatas, que já têm alguma rodagem internacional (disputaram o Mundial Sub-20 do ano passado na Rússia). A jovem Maria Belen Potassa, de apenas 18 anos, é esperança de gols ao lado de Mariela Coronel. Ingredientes que fazem uma mistura interessante e que podem render no futuro.

Palpite do grupo: Alemanha passa. Inglaterra e Argentina brigam pela segunda vaga, com ligeiro favoritismo para as inglesas.

Amanhã, o grupo B de Suécia, Estados Unidos, Nigéria e Coréia do Norte.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Brasileirão: 60%


Hora de nossa primeira análise do Brasileirão neste segundo turno. Começamos a contar as rodadas faltantes, e estamos agora a 15 do final, podendo dizer com mais precisão quem briga pelo quê na reta final.

Por mais que ainda existam muitos pontos a disputar, o São Paulo vai sim ser pentacampeão brasileiro. A afirmação pode ser feita por verificarmos que o time da melhor defesa, que jogava feio, marcou 12 gols em três jogos e deu espetáculo na última rodada. A incrível média de 0,3 gols sofridos é apenas um número perto do que tem feito o time de Muricy, e mesmo que perca pontos na difícil seqüência que tem agora (Atlético-MG e Vasco fora e clássico contra o Santos), o time não deve se abalar.

Considerando isso, o Cruzeiro deixa de ser o "perseguidor" do São Paulo (ainda que deva continuar sendo chamado assim pela imprensa), porque não irá alcançar. A equipe mostrou ataque envolvente e não perde há nove rodadas. A última derrota? Justamente para o São Paulo.

O Vasco também vem invicto e vem bem, ainda que tenha mostrado certas dificuldades em alguns momentos e, principalmente, não consiga manter o rendimento fora de casa, coisa que São Paulo e Cruzeiro fazem bem. Até por isso, vai brigar mesmo até o fim por uma vaga na Libertadores.

O Botafogo confirma sua queda livre tendo conquistado apenas uma vitória nas sete últimas partidas. O moral da equipe é baixo e Cuca terá trabalho se quiser ficar entre os quatro primeiros - o que, neste momento, parece difícil de conseguir.

Digo isto principalmente pela ascensão nítida do Santos, que venceu seis das últimas oito partidas. E o mais importante: foram vitórias convicentes. O meio-campo está mais consistente e Kléber Pereira é o atacante que a torcida esperava desde o início do ano e Pedrinho tem jogado muito bem. Some-se a isso a permanência de Kléber, que não era esperada, e o Peixe tem tudo para juntar-se a São Paulo, Cruzeiro e Vasco como os representantes brasileiros na Libertadores de 2008.

O Palmeiras passa por uma seqüência muito difícil no campeonato, ao enfrentar São Paulo, Cruzeiro e Botafogo em um espaço de uma semana. As constantes reclamações sobre a arbitragem somadas à inconstância de um time que Caio Junior ainda não aprendeu a ter total controle fazem do Palmeiras uma equipe que oscilará na metade de cima da tabela até o final do campeonato.

E por falar em oscilação, cinco equipes têm trocado constantemente de posição entre si: Grêmio, Goiás, Sport, Internacional e Atlético-MG ocupavam a mesma faixa há quatro rodadas. Ganhando em casa e perdendo fora, esses times têm poucas aspirações no campeonato que não seja uma vaga na Sul-Americana para "salvar o ano". Pior para Grêmio e Inter, que no início do ano eram considerados candidatos ao título.

Da mesma forma, o Fluminense joga o campeonato despreocupadamente. Pode parecer discurso pronto, mas é fato que a equipe, já classificada para a Libertadores, tem jogado bem menos do que pode. Resta saber se interessa ou não classificar-se à Sul-Americana. Destaque para a dupla de Thiagos (Neves e Silva), que participam da maioria das jogadas da equipe.

O Corinthians é, talvez, a maior incógnita do campeonato. Isto porque não se sabe o que esperar de um interino que foi goleado pelo Atlético mas venceu um clássico. É uma aposta de alto risco. Tem, sim, capacidade para jogar mais e, ao menos, não ser ameaçado pelo rebaixamento. Mas qualquer coisa além disso seria uma surpresa para uma equipe sem um meia de ofício que depende de jogadas esporádicas.

Os times do Sul estão definitivamente...em baixa! Paraná e Figueirense permanecem rigorosamente iguais, mas estão uma posição abaixo do que estavam há quatro rodadas. São equipes sem criatividade e que não possuem muitas perspectivas no campeonato. Entretanto, a permanência não está garantida e uma natural acomodação poderia ser desastrosa, afinal a zona de rebaixamento não está totalmente definida e existem times melhores abaixo deles.

E esses dois times são, exatamente, Atlético-PR e Flamengo. O Furacão tinha ótimas expectativas, mas a vinda de Antônio Lopes foi desastrosa. Ney Franco tem uma boa oportunidade de mostrar do que é capaz, ao passo que Ramon mostra que, para o nível atual, ainda tem fuebol. Já o Flamengo conseguiu uma recuperação fundamental nas partidas que tinha a menos, mas ainda vê acesa a luz amarela. Principalmente porque os dois jogos que faltam são contra Cruzeiro e Vasco - duas pedreiras.

Quanto a Juventude, Náutico e América-RN, os gaúchos conseguiram duas vitórias seguidas pela primeira vez no campeonato, mas não parece ser suficiente. A recente subida do Timbu parece ter acabado, ainda que o time seja melhor que o do Juventude, por exemplo. E o Mecão só conta as rodadas: assim como o São Paulo, pode fazer história pela campanha - mas nesse caso, a pior dos pontos corridos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Sem surpresas


Sem essa de Artmedia, Thun ou Rapid Viena. Definidos os 32 participantes da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa, pela primeira vez nos últimos anos não houve surpresas vindas da fase qualificatória. Todos os considerados favoritos do terceiro qualifying espantaram as zebras e conheceram seus adversários no sorteio desta quinta, em Mônaco.

O único resultado que poderia ser considerado surpresa é a eliminação do Ajax frente ao Sparta Praga, que vai disputar a fase de grupos pela primeira vez. Entretanto, se lembrarmos que no ano passado os holandeses caíram diante do København no mesmo estágio, a desclassificação tem seu peso reduzido.

Da mesma forma, equipes pouco tradicionais como Rosenborg, Steaua Bucareste e Besiktas fizeram o mínimo: eliminaram, respectivamente, Tampere, BATE e Zürich. Vamos a uma análise resumida dos grupos da temporada 2007/08:

Grupo A – Lucky odds
O Liverpool tem sido feliz nos últimos sorteios, e dessa vez não foi diferente. O grupo A não é dos mais difíceis e os Reds devem vencer a chave sem dificuldades. O Olympique perdeu um pouco da força da temporada passada com a saída de Ribéry e deve brigar com o Porto pela segunda vaga. Mas o Besiktas, que finalmente consegue chegar de novo à fase de grupos, pode arrancar pontos preciosos e surpreender.

Grupo B – Três para duas
O Chelsea conseguiu um grupo mais tranqüilo nesta temporada. O time de José Mourinho começou bem o campeonato local e não deve ter problemas para se classificar em primeiro. Valencia e Schalke devem brigar até a última rodada pela segunda vaga, e o saldo de gols conseguido em cima do Rosenborg pode ser fundamental.

Grupo C – Cadê eles?
E o Real Madri conseguiu escapar do Lyon! Se bem que, a julgar pelo início de temporada do hexacampeão francês, até que não seria má idéia. De qualquer forma, o Real é virtual favorito – isto porque muitas vezes complica o que parece fácil. Como não se sabe ao certo como se portará o novo time de Schuster, fica a incógnita. Também na teoria, o Werder Bremen seria o segundo colocado, mas o ataque da equipe não se encontra sem Klose. A Lazio suou para eliminar o Dínamo Bucareste, então não custa nada ao Olympiacos sonhar com uma vaga.

Grupo D – UCL ou Brasileirão?
Na temporada passada, o Milan passava por dificuldades e, talvez, sequer tivesse avançado às oitavas se não tivesse sido sorteado em um grupo tão fácil. Desta vez, o sorteio também foi generoso, mas nem precisava. O Celtic, que engrossou o caldo nas oitavas, não deve ser páreo, e vai brigar com Shaktar e Benfica pela segunda vaga – afinal todos estão praticamente no mesmo nível. Bastante equilíbrio no grupo mais brazuca da UCL – 15 brasileiro estarão em campo.

Grupo E – Grupo da morte, de novo?
Se existe uma equipe que não tem tido sorte nos sorteios, é o Barcelona. Os campeões de 2005/06 quase foram eliminados na primeira fase na temporada passada e agora enfrentam os campeões francês e alemão. Pior para o Rangers, que vai virar sparring. Pior também para Lyon ou Stuttgart, que teriam capacidade para ir mais longe. Mas um dos dois vai ficar de fora.

Grupo F – Vendetta!
Vez ou outra algum duelo histórico se repete na fase de grupos. Assim será Manchester e Roma nesta chave: os comandados de Spalletti têm sede de vingança. Parece difícil que Sporting e, principalmente, Dynamo de Kiev, tirem ingleses e italianos da fase seguinte.

Grupo G – Alguém vai sobrar
Um grupo interessante, com equipes que são fortes em seus campeonatos locais, mas que ainda carecem de um resultado expressivo na Europa. A Inter é candidata natural a uma das vagas, mas a dificuldade em apontar uma equipe mais fraca mostra o equilíbrio do grupo. Talvez por isso, esse sim seja o grupo da morte. Zico tem uma prova de fogo e a paciência dos turcos está acabando, mas o Fenerbahçe é, talvez, o menos qualificado.

Grupo H – Tudo definido?
O Grupo H precisa ainda da definição do duelo entre Sevilla e AEK, mas como os espanhóis venceram a primeira por 2 a 0, devem mesmo fazer, ao lado do Arsenal, a dupla forte da chave. Steaua Bucareste e Slavia Praga (o mais fraco dentre os 32) não devem complicar, mas isso não é garantia de fortes emoções para os torcedores dos Gunners – que ainda choram a saída de Henry.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O muro de Munique


O alemão tem fama de organizado, metódico e formal. Por isso, é difícil conseguir deixá-lo nervoso, tirá-lo de sua seriedade costumeira. E até por isso, quando se consegue, é melhor estar pronto para agüentar as conseqüências, principalmente quando o alemão que se irritou é o Bayern de Munique.

A meta de toda temporada do Bayern é conquistar todos os títulos que disputa. Se a Champions League não vier, ajusta-se uma ou duas peças. Se o Campeonato Alemão escapar, acende-se o sinal amarelo. Mas quando os todo-poderosos bávaros sequer se classificam para a UCL, mudanças radicais acontecem.

E as mudanças começaram ainda no final da temporada passada. Saiu Felix Maggath, duramente criticado por não saber lidar com jogadores de nome, entrou Ottmar Hitzfeld, técnico dos triunfos recentes da equipe, como a UCL 2000/01. Ainda sem poder contratar, Hitzfeld começou a arrumar o principal defeito do time com o que tinha em mãos no momento: colocou Demichelis para jogar ao lado de Lúcio, em uma defesa que sofreu 40 gols em 34 partidas (o Borussia M'Gladbach, rebaixado, sofreu 44).

Karl-Heinz Rummenigge, dirigente bávaro, alardeou no final de maio: "temos 100 milhões de euros para contratações e não temos medo de usá-los". Um desabafo que ele poderia ter guardado para si, afinal todos os clubes sabiam que o Bayern tinha dinheiro em caixa e pediram alto. Ainda assim, eles pagaram e os reforços começaram a chegar. Ribéry, Luca Toni, Klose, Altintop, Zé Roberto, Schlaudraff, van Buyten...um time de respeito para a Europa. Um timaço para a Alemanha.

Vale ressaltar que a maioria das contratações foi para o ataque, mesmo sabendo que os problemas defensivos eram os mais graves. Isto porque Hitzfeld viu que poderia melhorar o sistema defensivo com os jogadores que tinha. Fixou van Bommel na frente da dupla argentino-brasileira e formou um verdadeiro muro de Munique.

Nas sete partidas que realizou nesta temporada, o Bayern marcou 17 gols e sofreu um. Mais impressionante que este dado é o fato de que, em média, três chutes foram dados ao gol de Kahn por partida. E para completar, uma estatística que não é feita no Brasil: na temporada passada, Lúcio ganhou 59% das divididas que disputou e Demichelis, 58%. Atualmente, os números chegam a 68% e 66%, e tendem a subir.

Hitzfeld solidificou a defesa, mas não fez só isso. Possibilitou, com as contratações, atuar tanto num 4-2-2-2 à brasileira, quanto num típico 4-3-1-2 alemão ou ainda em um 4-4-1-1 inglês. Mostrou que é possível Luca Toni e Klose atuarem juntos e já fez de Ribéry o dono do time. A conquista do prato da Bundesliga virá sem problemas, com números impressionantes.

Sorte de Milan, Barcelona e Chelsea que os bávaros não disputam a UCL deste ano. Mas que se preparem para a próxima temporada, porque os alemães vêm como um Panzer, pronto para derrubar tudo e a todos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A África é logo ali

Começou neste final de semana a Copa do Mundo 2010, com três goleadas em quatro partidas. Isso mesmo! É que os Jogos do Pacífico Sul, que acontecem em Samoa Americana, servem como fase inicial das eliminatórias da Oceania para o Mundial da África do Sul. E os favoritos (se é que eles existem em um estágio como esse) cumpriram seu papel.

As Ilhas Salomão, do desconhecido técnico brasileiro Airton Andrioli, confirmaram a fama de potência ascendente na região e aplicaram um sonoro 12 a 1 sobre os donos da casa, últimos colocados do ranking da FIFA (os mesmos que levaram 31 a 0 da Austrália nas eliminatórias para 2002). Não que isso seja grande coisa: nas eliminatórias para a Copa de 2006, os salomões (?) surpreenderam a Nova Zelândia (meu Deus!) e chegaram à final do continente contra a Austrália. As derrotas de APENAS 2x1 e 7x0 para os Socceroos foi comemorada com muito abacaxi, água de côco e luaus intermináveis. De qualquer forma, os olheiros do mundo do futebol já prestam atenção em Commins Menapi, artilheiro do jogo com quatro gols.

Já as Ilhas Fiji foram mais incisivas: 16x0 sobre Tuvalu, um arquipélago que consegue a proeza de ser um dos poucos territórios do mundo a não ser filiado à FIFA, somente à OFC. Os jogos contra os tuvaluanos (?), portanto, não contam para as eliminatórias.

Surpreendente mesmo foi a vitória da Nova Caledônia sobre o Taiti, por 1 a 0, gol do capitão Pierre Wajoka. É a primeira vez que a ex-colônia francesa disputa as eliminatórias e já conseguiu uma vitória, por isso olho neles! Por fim, Vanuatu fez 4 a 0 em Samoa, cujos jogadores foram acusados de 'chinelinhos' pela torcida. Ainda faltam as estréias das Ilhas Cook e de Tonga, por isso emoção não vai faltar.

Regulamento

A briga é grande para ver quem vai perder para a Nova Zelândia na final continental (se bem que para 2006 os All Whites ficaram atrás das Ilhas Salomão). Dez equipes foram divididas em dois grupos de cinco e jogam entre si em turno único, com todos os jogos acontecendo em Samoa Americana até a primeira semana de setembro.

Os dois primeiros de cada grupo avançam para as semifinais. Os vencedores disputam a final e se classificam para a fase seguinte. Os perdedores disputam a decisão de terceiro lugar para se juntar aos outros. Daí, estes três melhores mais a Nova Zelândia disputam um quadrangular ida e volta. O vencedor disputa (e provavelmente perde) uma vaga na Copa com o quinto colocado da eliminatória asiática.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A justificativa de Dunga


Que Dunga tem problemas de relacionamento com a imprensa não é novidade. Entretanto, a justificativa que o técnico tem dado para deixar Ronaldinho e Kaká no banco soa muito mais como desculpa.

Dunga parece querer dar satisfações à imprensa. Quer dizer "aqui quem manda sou eu", ao passo que os jornalistas fazem cara de "mas eu não perguntei nada!". De fato, Dunga se explica sem ter sido acusado. Parece querer dizer que não é apenas um técnico-tampão, que pode ser manipulado por Ricardo Teixeira, por mais que isto esteja claro. Tão claro que ninguém fala. E mesmo assim ele se defende.

Seria muito mais fácil para Dunga dizer que Ronaldinho e Kaká não são titulares porque ele quer priorizar o grupo que conquistou a Copa América e que conseguiu algum entrosamento. Talvez, assim, ele até conseguisse o tão desejado respeito que tanto pede.

E poderia encerrar o discurso dizendo que sua intenção é inserir os dois aos poucos na equipe, afinal eles seriam titulares até em uma seleção dos melhores do mundo. Até porque, se a coisa apertar, ele será cobrado e terá que escalar ambos. Aí sim a imprensa vai questionar e cobrar o tal critério defendido por Dunga. E vai ficar feio pra ele. E, aí sim, ele vai ter que dar satisfações.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Brasileirão 2007: análise de público do primeiro turno

Publico, conforme prometido e ainda que atrasado, um panorama do público do campeonato brasileiro no primeiro turno. Deixo claro que os números podem variar de acordo com determinadas fontes, mas o levantamento foi feito com base nos borderôs oficiais divulgados no site da CBF. Por isso, os públicos registrados foram os pagantes, ainda que em praticamente todos os jogos houvesse mais gente no estádio. Clássicos não foram computados como jogos neutros, pois possuem sim um mando e foram registrados para os devidos mandantes. Mas, vamos aos números.

Nos 187 jogos realizados, foi registrado um público de 2.546.187 torcedores, uma média de 13.616 pessoas por jogos. Se não considerarmos na contagem as duas partidas que tivemos com portões fechados (São Paulo 2x0 Goiás, na primeira rodada e Botafogo 3x1 Juventude, na 14ª rodada), a média sobe para 13.763. De acordo com o site da CBF, no ano passado a média foi de 12.401 por jogo. Um aumento de 9,7%.

A rodada com mais público foi exatamente a última, com 173.868, média de 17.387. O diferencial foram quatro partidas com a promoção "Torcer faz bem", onde a troca de produtos por ingresso fez comparecerem, no mínimo 23 mil pessoas em cada jogo. A pior rodada foi a 14ª, com público de 80.576 e média de 8.058. O jogo do Botafogo, com portões fechados, pode ter influenciado. Entretanto, apenas três dos outros nove jogos teve público superior a 10 mil pessoas, e o maior foi de 13 mil no Estádio dos Aflitos.

Curiosamente, uma mesma rodada apresentou o melhor e o pior público do primeiro turno. O clássico Fla-Flu, ainda que realizado em data diferente da do restante da rodada, levou 49.828 torcedores ao Maracanã. Já o empate entre Juventude e Náutico foi acompanhado por 2.086 testemunhas. Confira abaixo os dez melhores e piores públicos do primeiro turno:
O Flamengo é o time que mais aparece na lista dos melhores públicos, em três jogos: um como mandante, outro como visitante e outro em um jogo neutro. Entretanto, de acordo com o critério adotado, entra como visitante e o público vai todo para o Fluminense. Nos piores, Paraná e Santos aparecem em quatro jogos (dois como mandantes e dois como visitantes). Juventude e América-RN aparecem três vezes.

Clubes

Entre os clubes, o Sport é o que apresenta melhores números totais e de média, seguido de perto pelo Cruzeiro. De fato, os dois rankings são muito parecidos. A única diferença significativa é o Flamengo, que tem a terceira melhor média mas é apenas o 12º no público acumulado, por ter ainda três jogos a realizar. O Fluminense foi beneficiado pelo público do Fla-Flu. Corinthians, Grêmio e Botafogo alcançaram bons números em determinado momento do campeonato, mas as campanhas irregulares afastaram o público.

São Paulo e Inter, líderes de público e renda no ano passado, não apresentam o mesmo desempenho. A torcida gaúcha acompanha a oscilação do time e os são-paulinos são taxados de torcida de final: só vão ao estádio quando o time está perto de conquistar o título. O Atlético-MG não vê o fenômeno de público do ano passado, na série B, se repetir, ao passo que o Palmeiras, com o veiculado "fantasma" do Parque Antárctica, afastou também a sempre presente torcida do Palestra.

Não surpreende a lanterna segurada pelo Juventude, que no ano passado só havia levado mais torcida que o São Caetano. A má campanha do time de Caxias do Sul faz a média do ano passado se repetir. O Santos também não tem empolgado e o Atlético-PR, normalmente com bons números, também vê sua torcida sumir perante a má campanha.

Confira os rankings de público por time:

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Mundial Sub-17 - Coréia do Sul 2007 - As seleções

Peço sinceras desculpas aos amigos pela ausência dos últimos dias, mas a carga de trabalho tem sido estonteante. Havia prometido um preview especial do Mundial Sub-17, que começa neste sábado, mas deixo um guia que, certamente, é ainda melhor: escrito pelos amigos Dassler Marques e Marcus Alves para a Trivela. É a seqüência da introdução que postei esta semana. Posto ainda, até amanhã, a análise de público do primeiro turno do Brasileirão que havia prometido.

Grupo A

A Coréia do Sul inicia o Mundial sub-17 sonhando em repetir o feito de cinco anos atrás, quando, também como sede, porém, da Copa do Mundo, alcançou as semifinais. Apesar de previamente classificada para a competição, ela disputou as eliminatórias asiáticas e não passou das quartas-de-final. Esse desempenho não repercutiu bem na imprensa sul-coreana, que criticou o treinador Park Kyung-Hoon fortemente. Ex-zagueiro dos Guerreiros Taeguk, Park confia muito no potencial do meio-de-campo Yoon Bitgaram. Ele será o responsável pela ligação da defesa e o ataque.

Como maiores empecilhos à passagem da Coréia do Sul para as oitavas-de-final, aparecem Costa Rica e Peru. Os Ticos chegaram às quartas-de-final das últimas três edições do Mundial sub-17, mas nunca conseguiram avançar para as semifinais. Agora com uma seleção mais equilibrada, eles esperam superar esse estigma. Além de uma defesa composta por quatro bons nomes, La Sele possui, ainda, um ataque bastante rápido. Diego Brenes, considerado um dos melhores das eliminatórias, é uma das principais esperanças do técnico Manuel Ureña para acabar com a desconfiança em torno de seu nome. El Purito, como é conhecido, está em baixa depois do desempenho ruim nos Jogos Pan-Americanos.

Em sua segunda participação na competição, o Peru aspira por uma campanha melhor do que a realizada em casa, há dois anos, quando não passou nem da primeira fase. O destaque peruano e melhor atleta do Sul-Americano sub-17, Reimond Manco, assegurou que os Jotitas, como é conhecida essa equipe, alcançarão as semifinais. A força dessa seleção é exaltada pelo treinador Juan José Oré a todo o momento. Ele inclusive recomendou alguns de seus garotos para a disputa das eliminatórias da próxima Copa do Mundo. Ainda assim, os Jotitas precisam contornar a irregularidade exibida no Sul-Americano para merecerem essa confiança.

Consciente de seu papel, o técnico de Togo, Samuel Abraw, confessou que esse Mundial sub-17 servirá como aprendizado para a sua equipe. Sem contar com “diferenciais” como Manco, ele espera que a sua defesa mantenha o rendimento apresentado no Africano sub-17, quando ela segurou a favorita Gana nas semifinais. Se o habilidoso Camaldine Abraw, filho do técnico e alvo de interesse do Anderlecht, mostrar seu futebol no ataque, os Gaviões poderão, então, sonhar com vôos mais altos.

Grupo B

A Coréia do Norte volta ao MundialsSub-17, dois anos após a participação em 2005, disposta a repetir a campanha que os colocou entre os oito melhores. Diante do Brasil de Celsinho e Ramón (hoje no CSKA Moscou), os norte-coreanos foram até a prorrogação, vendendo caro a derrota em sua primeira participação no torneio. Com uma equipe pouco conhecida, em especial pela pouca internacionalização do futebol e de todo o país, resta ver o que acontecerá no caso de uma nova boa participação e o conseqüente interesse estrangeiro nos atletas, algo possível pelos bons retrospectos recentes da seleção sub-17 em termos continentais.

Por incrível que pareça, esta será a primeira participação da Inglaterra na história da competição. Por sua grandeza natural, os ingleses comandam um segundo escalão de favoritos ao título - logo atrás de Brasil, Nigéria, Gana e Espanha - credenciados pelo vice-campeonato europeu deste ano e 14 vitórias em 21 jogos nos últimos meses. Os meias Henri Lansburi (Arsenal) e Danny Rose (Tottenham), além do avante Victor Moses (Crystal Palace), são os principais nomes do time. Moses, que tem origens nigerianas, foi o artilheiro no Europeu sub-17 e comanda em campo uma ótima equipe chefiada por John Peacock, antes de mais nada, uma grande força do grupo B.

A força mental e o poder de concentração dos garotos será, certamente, o principal requisito em teste para que o Brasil se sagre tetracampeão mundial sub-17. Com momentos de muito brilho técnico no Sul-Americano da categoria, do qual foi campeão, e nos Jogos Pan-Americanos, quando foi eliminado na primeira fase, o time do treinador Lucho Nizzo – antes comandado por Edgar Pereira – precisará reduzir a zero alguns momentos de apagão que colocaram interrogações em seu caminho recente.

Os atletas brasileiros devem ter na cabeça a fatídica derrota da geração anterior, diante do México na finalíssima de 2005, mas especialmente as vaias e críticas recebidas no Pan. O potencial desta equipe - onde os laterais Rafael (Fluminense) e Fábio (Fluminense), e os meias Felippe (Botafogo) e Lulinha (Corinthians) são as grandes figuras – é muito bom e resulta em favoritismo. O corintiano Lulinha, já com certa projeção nacional e até internacional, com propostas oficiais do Barcelona, é ao lado do espanhol Bojan Krkic, candidato a craque do Mundial.

A Nova Zelândia chega a seu segundo Mundial sub-17, oito anos após receber o evento. A projeção internacional recente – jogou e perdeu três jogos no Mundial sub-20 2007 – é fruto da migração australiana para a a Confederação Asiática e a abertura de um filão antes inexistente. Classificada para o Mundial com vitórias sobre Nova Caledônia, Taiti e Fiji, a seleção neozelandesa precisará provar mais, especialmente após ser batida por 4 a 0 pela Coréia do Sul, durante a preparação. O meia-direita Jacob Matthews e o atacante Costa Barbarouses, artilheiro na fase classificatória, comandam as esperanças remotas da equipe de Colin Tuua.

Grupo C

Honduras chega com credenciais, pela primeira vez que disputa o Mundial sub-17. É da equipe parte da responsabilidade de ter parado o México, atual campeão mundial, na fase classificatória. Com um elenco coeso e calcado na doação física, o time hondurenho é candidato a zebra do torneio e deve avançar eventualmente como um dos melhores terceiros colocados. O meia Johnny Harold Leveron é tido por muitos como a referência técnica, e destoa positivamente no voluntarioso onze do treinador Miguel Escalante.

O referendado título europeu da Espanha sub-17, neste ano, não é a única das qualidades do fortíssimo time chefiado por Juan Santisteban, referência mundial em categorias de base e há 19 anos na seleção espanhola. O atacante Bojan Krkic, de raízes sérvias, foi o grande astro da competição européia e já integra, logicamente ainda de forma suplementar, o plantel principal do Barcelona. Fran Mérida, meia que seguiu os passos de Fàbregas, saindo do Barça para o Arsenal, é outro nome badalado, assim como toda a equipe, jamais campeã do torneio, mas fortes com perspectivas desta feita.

Dotada de uma tradição que contrasta com as inúmeras glórias na categoria sub-20, a seleção da Argentina volta ao Mundial após ficar de fora em 2005, novamente com o peso de não nunca ter ido à final do torneio. Isto, poucas semanas após a façanha de Agüero e companhia no Canadá. Desfalcada ainda de seu principal nome, Federico Laurito (Udinese), lesionado com gravidade durante o último Sul-Americano, os argentinos devem apostar em uma formação coletivamente forte e sem brilhos individuais. Os defensores Mateo Musaccio (River Plate) e Alexis Machuca (Newell’s), são valorosos e já atuaram na primeira divisão local.

Uma das quatro classificadas da Ásia - isso se não contarmos os anfitriões sul-coreanos - a Síria, quarta colocada do torneio asiático, disputará, pela primeira vez, o Mundial sub-17. Com a classificação assegurada após vitórias contra adversários como Bangladesh e Vietnã, os sírios terão testes mais duros neste torneio, embora possam ter como referência a campanha no sub-20 de 2005, quando o país chegou entre os oito melhores. Outro problema é a ausência do artilheiro Mohammad Jaafar, o que reduz ainda mais as já pequenas chances do país neste torneio.

Grupo D

A Nigéria entra na disputa do Mundial sub-17 como favorita ao título. Ausente na última edição da competição, ela retorna após conquistar o Africano sub-17. Essa excelente campanha foi fundamental para o treinador Yemi Tella, pois a sua indicação para o cargo havia sido cercada de desconfiança em virtude de sua pouca experiência. Em alta, ele conduzirá mais uma safra recheada de talentos. Entre os destaques dos Golden Eaglets, estão Ibrahim Rabiu, apontado como sucessor de Okocha, e o artilheiro Chrisantus Macauley. Eles tentarão igualar a marca de três títulos do Brasil na competição.

Sem participar do Mundial sub-17 desde que o venceu, em 2001, a França, a princípio, brigará com o Japão pela segunda colocação do grupo. A exemplo do que aconteceu no Europeu sub-17, os Les Bleuets não chegam à Coréia do Sul como favoritos. Ainda assim, eles não podem ser descartados. Além de serem treinados pelo experiente François Blaquart, assistente de Jacques Santini na última Eurocopa, os Mini-Bleus possuem boas opções no elenco. Os zagueiros Mathieu Saunier e Mamadou Sakho e os atacantes Henri Saivet e Damien Le Tallec são alguns dos destaques dessa seleção. Le Tallec, irmão do outrora promissor Anthony Le Tallec, não prima pela técnica, mas pode surpreender positivamente à frente do ataque francês.

Atual campeão asiático da categoria, o Japão aposta em um meio-campista bastante promissor para superar as tradicionais Nigéria e França. Yoichiro Kakitani é constantemente comparado com Shunsuke Nakamura em virtude de seu estilo e, ainda, com Hideotoshi Nakata por causa de seu temperamento. Jogador do Cerezo Osaka, ele cumpre qualquer função no meio-de-campo, onde também atua o artilheiro Kota Mizunuma. Ao lado do goleiro Ryotaro Hironago, eles são as principais armas do técnico Hiroshi Jofuku. No comando desde 2003, Jofuku ainda precisa definir um esquema para a equipe.

O Haiti se classificou para o Mundial sub-17 depois de superar adversários como o atual campeão México. Aliada aos recentes resultados dos profissionais, essa façanha mostra que o futebol haitiano não pode ser desprezado. Comandados pelo treinador Jean Yves Labaze, essas promessas conquistaram a Copa Caribenha sub-16 no ano passado. Esse excelente momento é conseqüência da manutenção de uma mesma base por mais de dois anos. Ainda inexperiente, La Bicolore disputa a competição pensando nos frutos a serem colhidos no futuro. [MA]

Grupo E

Aos quatorze anos, Freddy Adu disputou o Mundial sub-17 de 2003 pelos Estados Unidos. Nascido em Gana, ele era considerado uma das maiores promessas do futebol mundial. Assim como Adu, Alex Nimo será mais um africano a atuar pela seleção americana na competição. O atacante natural da Libéria é constantemente comparado com seu compatriota George Weah. Maior destaque da seleção treinada por John Hackworth, ele conta com as assistências do habilidoso Bryan Dominguez para brilhar na Coréia do Sul.

Outro nome desse campeonato que merece ser acompanhado de perto é o meia Eden Hazard, do Lille. Considerado a revelação do último Europeu sub-17, Hazard é a maior esperança da lgica. Com uma base formada, sobretudo, por atletas provindos da famosa academia do Racing Genk, os Diablotins esperam não decepcionar em sua primeira participação no Mundial sub-17. Essa classificação é resultado do trabalho do técnico Bob Browaeys e, também, da federação, que, há cinco anos, mantém investimentos nas categorias de base.

Menos cotada, a Tunísia é comandada pelo ex-meio-campo do Espérance e das Águias de Cartago, Maher Kanzari, de apenas trinta e dois anos. Aparentemente inexperiente, ele acumula os conhecimentos adquiridos ao lado de treinadores como Henri Michel e Francesco Scoglio. A preparação dos tunisianos foi realizada na Síria, na Suíça e na Alemanha. Apesar desse período de treinamentos, eles certamente não exercerão um papel de destaque.

O Tadjiquistão surpreendeu a todos ao se classificar para o Mundial sub-17. Nem mesmo seu técnico, Pulod Kodirov, esperava pelo terceiro lugar alcançado nas eliminatórias asiáticas. Ao lado da Arábia Saudita, ele foi a única seleção a vencer todas as suas partidas na fase de grupos. O atacante Davrondzhon Tukhtasunov contribuiu bastante ao marcar cinco gols. Ele é apontado como a próxima estrela a deixar a Ásia Central depois do uzbeque Maxim Shatskikh, do Dínamo de Kiev. Atuando ofensivamente, como o fez nas eliminatórias, o Tadjiquistão pode surpreender mais uma vez.

Grupo F

O regresso da Colômbia ao Mundial sub-17, após o quarto lugar de 2005, passa pelas mãos do conceituado treinador Eduardo Lara, comandante da equipe naquele torneio. Com outra geração em mãos, Lara acumula dois resultados contrastantes: pelo Sul-Americano sub-17, foi vice-campeão, mas, no Pan, acabou eliminado na primeira fase pela Jamaica, embora esta tenha jogado com a equipe três anos mais velha. Com o talento de quase sempre, a Colômbia é em tese a terceira força do grupo F, podendo então avançar. Aí em diante, é outra história.

Qualificada como a quinta melhor dentre as cinco nações européias classificadas, a Alemanha volta ao Mundial sub-17 após oito anos ausente e, justamente, em um período em que a falta de novos bons jogadores foi acusada. O rápido meia/atacante Sascha Bigalke (Hertha Berlim) e o talentoso Toni Kroos (Bayern de Munique), meia de ligação, são os candidatos a craque na equipe dirigida por Heiko Herrlich, ex-jogador do Bayer Leverkusen. Embora a força germânica nunca possa ser desprezada, ter voltado à disputa do torneio já é uma vitória para os alemães, que estão no plano secundário na briga pelo título.

Após a fraca campanha em 2001, quando recebeu o Mundial e perdeu os três jogos que disputou, a seleção de Trinidad e Tobago volta à competição, pela primeira vez através da fase eliminatória. A ampliação do torneio, passando de 16 a 24 seleções, certamente teve peso para a qualificação da equipe, derrotada por Estados Unidos e Costa Rica nos dois primeiros jogos na seletiva classificatória. O atacante Stephen Knox, oásis de talento no time de Anton Corneal, precisará muito da ajuda dos companheiros para classificar a nação caribenha, ou ao menos fazer o primeiro gol do país na história do campeonato.

Naturalmente favorita pela tradição na história do Mundial sub-17, a seleção de Gana tem time suficientemente forte para batalhar entre as equipes favoritas ao título. Terceiro lugar no último Africano sub-17, atrás de Togo e Nigéria, a equipe contará mais uma vez com o já badalado Kelvin Owusu Bossman, único “estrangeiro” do time, jogador do Reading, da Inglaterra. Ransford Osei, atacante goleador, é outro nome a se observar, de uma seleção que nesta categoria normalmente não se contenta só em revelar bons jogadores, mas também briga por título.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Entrevista com Erich Beting

Tive o prazer de conhecer o jornalista Erich Beting no 1º Fórum de Marketing Esportivo da ESPM. Fiz questão de agendar uma entrevista com ele, que sabe tudo sobre marketing e negócios do esporte. O resultado é a conversa que você ouve abaixo, realizada durante o Domingo Esportivo do dia 08 de julho.

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Se não conseguir ouvir, clique aqui.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Mundial Sub-17 - Coréia do Sul 2007 - Introdução


Passada a euforia argentina por outra conquista no Mundial Sub-20, os olhos cada vez mais atentos ao futebol de base voltam-se para a Coréia do Sul, sede da categoria mais jovem organizada pela Fifa: o Mundial Sub-17. Assim como no Mundial Sub-20, apresento a partir de hoje o Sub-17 e suas seleções. A introdução de hoje faz parte também de um especial da Trivela, com o qual tive o prazer de colaborar. A partir de amanhã, os grupos.

Os coreanos sediam a 12ª edição do campeonato, que tem como maior vencedor a seleção brasileira, com três conquistas (Egito 97, Nova Zelândia 99 e Finlândia 2003). Nigerianos e ganeses levantaram o caneco duas vezes nas primeiras edições e o México é o atual campeão, após derrotar o Brasil no Peru, em 2005. Aquele time mexicano foi a base da equipe que chegou até às quartas-de-final do Sub-20 deste ano no Canadá, impulsionada pelo garoto-prodígio Giovanni dos Santos, que já começa a aparecer no Barcelona. A ausência do campeão será uma das mais sentidas na Coréia: após uma campanha pífia nas eliminatórias, ficou atrás de Haiti e Honduras. Uma baita zebra.

As zebras, aliás, são tão comuns em um campeonato com essa média de idade que, muitas vezes, a surpresa é não haver surpresas. Burkina Faso em 2001, Omã em 95, Catar em 91 e Bahrein em 89 são exemplos de semifinalistas que não eram nem um pouco cotados em suas edições. Por isso, atenção Brasil, Argentina e Espanha, principais favoritos: muito cuidado com franco-atiradores como Síria, Tadjiquistão e, claro, Haiti e Honduras.

Quem já vingou e quem ficou pelo caminho

Difícil apontar promessa concretizadas das duas últimas edições, afinal muitos desses jogadores são, ainda, extremamente jovens. Atletas como Anderson, Freddy Adu e Giovanni dos Santos já estão na Europa, mas continuam em processo de amadurecimento.

Um que já parece realidade mais sólida é Cesc Fabregas, artilheiro em 2003 na campanha do vice-campeonato espanhol. Eleito melhor jogador do torneio, já é um dos principais nomes do Arsenal e disputou a Copa de 2006. Outro que apareceu recentemente é o francês Florent Sinama-Pongolle, artilheiro em 2001 com nove gols, recorde do torneio. Campeão com a França em Trinidad & Tobago, foi contratado pelo Liverpool e emprestado ao Recreativo Huelva, o que coloca um ponto de interrogação em sua seqüência.

Talvez o principal jogador a ter disputado um Sub-17 tenha sido Ronaldinho Gaúcho em 97, quando o Brasil conquistou seu primeiro título na categoria. Ainda que não tenha sido a estrela do torneio, evoluiu muito mais que o espanhol Sérgio e o brasileiro Fábio Pinto, eleitos os dois melhores da competição. Buffon e Totti, campeões mundiais em 2006, saíram da safra de 93, que rendeu também Kanu à Nigéria. Fernando Redondo apareceu na primeira edição, em 85, e Luís Figo surgiu na campanha portuguesa de 89.

Por outro lado, uma maldição paira sobre os eleitos da Fifa como melhor jogador de cada edição: de todos, o único que conseguiu algum destaque foi o norte-americano Landon Donovan, craque de 99. Veja se você se lembra dos outros: William Oliveira (Brasil, 85); Phillip Osundo (Nigéria, 87); James Will (Escócia, 89); Nii Odartey Lamptey (Gana, 91); Daniel Addo (Gana, 93); Mohamed Kathiri (Omã, 95); Sérgio (Espanha, 97).

Fórmula de disputa

Pela primeira vez, 24 seleções disputam o torneio, que até 2005 contava com 16 equipes. O regulamento é o mesmo do Sub-20: os dois melhores de cada grupo, além dos quatro melhores terceiros colocados, avançam para as oitavas-de-final. A partir daí, é mata-mata até a final, que acontece em Seul, no mesmo estádio da abertura da Copa de 2002.

domingo, 12 de agosto de 2007

Brasileirão: 50%


E chegamos ao final do primeiro turno. Hora de mais uma análise do campeonato, desta vez mais aprofundada. Um super post! Amanhã, uma análise completa do público da primeira fase.

A lamentar, apenas, a diferença de jogos de algumas equipes, que não nos permitem analisar melhor os resultados. Afinal, todos têm jogos suficientes para podermos analisar o que cada um apresentou até aqui. E pelo que pôde ser visto, também há de se lamentar a queda anual do nível do campeonato, inversamente proporcional à saída de jogadores, que só aumenta. Fica até um desafio: quem foi o melhor jogador do primeiro turno? Difícil dizer.

Foram marcados 520 gols em 185 jogos, uma média de 2,81 gols por jogo. No ano passado, tínhamos 502 em 190: 2,64. A rodada com mais gols foi justamente a primeira: 39. A com menos, a décima: 22. A duas maiores goleadas foram os 5 a 1 do Inter em cima do Sport e do Náutico sobre o América. Detalhe: os dois vencedores eram visitantes.

O São Paulo começou cambaleante após a perda de alguns jogadores e a queda atingiu níveis críticos nas semifinais do paulista e nas oitavas da Libertadores. O time demorou para se acertar, mas finalmente adquiriu sua hoje principal característica: a regularidade. A defesa é impressionante e a equipe assumiu a liderança na 17ª rodada. Agora, já tem 7 pontos de vantagem. O binômio 'defesa + contra-ataque' garante ao tricolor o posto de melhor visitante, com apenas uma derrota em dez jogos fora de casa. É o principal, senão o único, candidato ao título.

O Botafogo foi o time do primeiro turno. Goleou, encantou, abriu cinco pontos de vantagem mas, após a saída de Dodô, pego no antidoping, não foi mais o mesmo. Alguns problemas internos, como o de Zé Roberto, somados a uma natural queda de produção fazem o time levantar dúvidas sobre até onde deve agüentar. Mas, ao não ser que Cuca perca o comando, deve brigar até o final por uma vaga na Libertadores - e deve conseguir. Quanto ao título, creio não haver mais fôlego.

Assim como o São Paulo, o Cruzeiro encontrou-se já com o campeonato em andamento. A defesa dá sinais de melhora e o ataque é o melhor do primeiro turno, com 40 gols marcados. Dorival Júnior ainda tem problemas, a equipe têm momentos de paralisia, mas para o nível atual deve ficar entre os seis melhores.

O Vasco é, sem dúvida, a maior surpresa do campeonato. O time foi muito mal no campeonato carioca e a chegada de Celso Roth deixou até os mais otimistas com vários pingos de desconfiança. O time ainda não é confiável, mas chegou a liderar e esteve quase o tempo todo entre os cinco primeiros. O clube, inclusive, foi um dos que contratou melhor na janela do meio do ano. Wágner Diniz finalmente encaixou no 3-5-2 de Roth que tem sido imbatível em São Januário (é o melhor mandante e o único a ainda não perder em casa). Mas o desempenho longe do Rio ainda deixa muito a desejar e pode ser o fiel da balança.

Palmeiras, Goiás, Grêmio, Santos, Inter e Sport têm muito em comum: são equipes extremamente irregulares. Até por isso, aparecem grudadas na tabela: a diferença entre palmeirenses (5º) e rubro-negros (10º) é de apenas três pontos. O Palmeiras não consegue emplacar resultados em casa; o Grêmio alterna vitória maiúsculas e derrotas bobas; Goiás, Santos, Inter e, principalmente, Sport, vão bem em casa mas dificilmente marcam pontos fora. São equipes que devem ficar neste bolo da Sul-Americana, com algumas alternâncias, até o final. Apenas Santos, Grêmio e Palmeiras que parecem ter um pouco mais de bala na agulha.

Fluminense, Paraná, Atlético-MG e Figueirense também seguem numa mesma toada. Os paranistas começaram bem e lideraram, mas agora empacaram na zona da pasmaceira, que nem classifica nem rebaixa. Dificilmente sairão daí. O Fluminense tem potencial, mas não desenvolve: quando parece que "agora vai", o time empaca. O Galo, muito irregular, já esteve na zona da libertadores e na do rebaixamento. E o Figueirense faz o que sabe: revela este ou aquele jogador, tira pontos dos grandes, mas pouco incomoda o pelotão superior.

Atlético-PR e Corinthians rondaram a zona de rebaixamento quase todo o primeiro turno. O Furacão ainda começou bem, mas caiu de produção e Antônio Lopes não deve durar até o final do campeonato. Assim como Carpegiani, que se não tem uma constelação nas mãos, tem material para fazer um pouco melhor do que vem fazendo. Ainda que os que estão embaixo não ameacem, é bom ambos ficarem de olho.

Na zona do rebaixamento, o Náutico é o único que tem demonstrado possuir forçar para escapar. Entretanto, o Timbu é bem melhor fora do que dentro de casa. Roberto Fernandes tem feito o que pode com o elenco que tem, mas não acredito que a equipe escape.

Já o Flamengo deve escapar. Primeiro porque tem jogos a menos, depois porque trouxe alguns reforços que devem dar para o gasto e, finalmente, porque sinceramente não acredito que Corinthians e Flamengo venham a cair um dia.

Por fim, este deve finalmente ser o ano do Juventude. Algumas derrotas em casa, exatamente como o São Caetano no ano passado, vão custar muito caro ao final do campeonato. E o América de Natal já caiu. Um time que marcou dez pontos em 19 jogos, conquistou apenas uma vitória em casa, sofreu 42 gols, marcou 16, está a doze pontos de sair da zona de rebaixamento e tem quatro vezes menos pontos que o líder não pode escapar. Então restam duas vagas!

2006 vs. 2007

Vale a pena também comparar com o campeonato do ano passado, para termos uma idéia melhor do que acontece. Em 2006, o São Paulo também liderava e possuía uma campanha muito parecida: eram 11 vitórias, 4 empates e 3 derrotas, uma vitória a menos do que hoje por ter um jogo a menos na ocasião. A vantagem sobre o Santos era de cinco pontos, contra sete atualmente. Nos gols, a principal diferença: o ataque são-paulino era mais eficiente (32 gols - o segundo melhor então - contra 24), e a defesa bem mais vazada (havia sofrido 21 contra os 7 de hoje).

Outros números interessantes para comparação: o melhor ataque era do Paraná, com 33 gols. O pior, do Flamengo, com 17. A melhor defesa era do Santos, com 17 sofridos e a pior, da Ponte, com 39. Estariam classificados à Libertadores Santos, Paraná e grêmio, exatamente os mesmos que acabaram se classificando no final do campeonato. E estariam rebaixados Botafogo, Corinthians, Fortaleza e Santa Cruz. Os dois primeiros escaparam. Os últimos, não.

A diferença de pontos do Santa Cruz, lanterna, para o Goiás, primeiro fora da zona de rebaixamento, era de três pontos. E a pontuação do lanterna era a metade do líder. Dodô era o artilheiro, com nove gols, e Souza, que acabou ficando na liderança da tábua de artilharia, tinha oito. Ou seja: na metade do campeonato de 2006, havia mais equilíbrio. Agora, o cenário já parece bem mais definido.