sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tigrinhos em extinção*

Há exatos dois meses, abordei neste espaço a grave crise financeira do Rio Branco, de Americana. Rebaixado à segunda divisão do campeonato paulista após 17 anos na elite, o Tigre se via na iminente obrigação de, sem dinheiro, usar os garotos da base para disputar o estadual.

De lá para cá, uma empresa apareceu para administrar o futebol, uma parceria foi feita e hoje o time briga por vaga na segunda fase. Neste ínterim, os meninos realizaram a melhor campanha da história do clube na Copa São Paulo, chegando à final graças a ótimos valores como Felipe, Denis e Danilo, todos destacados pelo Olheiros em sua extensiva cobertura da Copinha.

Pois bem. Para um clube pequeno como o Rio Branco, chegar à final da Copa São Paulo, principal competição de base no país, é motivo de comemoração. Não só isso, é hora de buscar investidores, ampliar a infra-estrutura e trabalhar para repetir o feito. É hora, também, de “fazer caixa” com a venda de alguns desses valores, afinal a realidade da maioria dos clubes é a mesma.

Tanto é verdade que, em muitas agremiações do interior paulista, a saída não só para o futebol profissional, como também para as categorias de base, tem sido a mão – nem sempre tão amiga – de empresas e parcerias. Passado um mês da final da Copinha, o Rio Branco não negociou nenhum dos destaques da campanha do vice-campeonato. Pode, agora, ter que abrir mão desses garotos para não encerrar as atividades de uma das categorias de base mais frutíferas do futebol paulista – quiçá brasileiro.

A justificativa é a mesma: não existe dinheiro para gerir as bases do clube, que custam em torno de R$60 mil mensais. A esperança era conseguir vender algum dos comandados de Marquinhos Sartore, mas até agora não surgiram nada além de especulações, como a ida de Felipe para o Palmeiras ou a contratação de Danilo pelo Sporting Lisboa.

Assim, criou-se um impasse: a cada dia, a chance de uma negociação diminui. E ao mesmo tempo em que não há dinheiro para mantê-los na base, aproveitá-los no profissional significaria perder uma porcentagem dos direitos federativos para a empresa gestora, como consta no contrato da parceria.

A solução encontrada pelos dirigentes do clube foi terceirizar a base. Oferecer à parceira a administração também dos meninos, arcando com todos os custos. Em troca, a empresa leva uma porcentagem na venda, como acontece no profissional. A estratégia é diferente de outras equipes, que apenas “emprestam” as cores para empresários utilizarem seus jogadores. Uma saída muito arriscada para resolver os problemas, pois pode diminuir a já única e mirrada fonte de renda do clube.

Boca limpa

Federações regionais de Portugal tentam implementar o cartão azul nas categorias de base do país. A advertência seria aplicada quando os garotos utilizassem palavrões durante as partidas e a cada dois azuis, o jogador receberia um cartão amarelo. Boa idéia, mas prato cheio para os anciãos da International Board vetarem.


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*coluna publicada originalmente no Olheiros

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pitacos sobre o final de semana


Maldições do Parque Antarctica à parte, o Palmeiras mais uma vez não foi bem porque Diego Souza continua devendo e Valdívia acaba sobrecarregado. Alex Mineiro poderia ser mais utilizado como pivô, pois ele faz bem essa função. Denílson entrou e também pouco rendeu. O time mudou bastante, especialmente na frente. É necessário se adaptar às novas peças, mas ao mesmo tempo um técnico como Luxemburgo já teria que estar fazendo essa equipe render mais. Talvez o excesso de opções de qualidade (pelo menos no nome) esteja atrapalhando.

Mano Menezes foi mais cauteloso do que na última partida, escalando Carlão no lugar de Everton Ribeiro. Ainda assim, o Corinthians conseguiu uma excelente vitória sobre a Ponte - mais pelo resultado que pelo futebol. O time tem jogado mais pelos lados, já que falta um articulador de ofício no meio. As cobranças de falta do canhoto André Santos pela direita são interessantes e têm criado bons momentos. Na defesa, os problemas de posicionamento persistem.

O São Paulo fez uma partida muito irregular diante do Noroeste. Eficiente no primeiro tempo, o time sofreu um apagão e deixou o time de Bauru empatar - não se pode ignorar o mérito do adversário, mas as falhas defensivas da equipe foram bisonhas. Muricy errou ao tirar Borges para a entrada de Hugo. As constantes variações, dentro do jogo, do 3-5-2 para o 4-4-2, confundem André Dias e Alex Bruno, e confundiram Juninho a ponto de ele ficar na reserva. Serve a desculpa de que Muricy continua testando seu novo elenco.

Quanto ao Santos, Molina começa a dar mostras de que é o organizador que faltava à equipe. Carleto mostrou sua importância nos cruzamentos precisos e Evaldo mostrou sua deficiência técnica nas pataquadas. É preciso acertar a saída de bola, mas já se vê uma evolução.

E na final da Taça Guanabara, considero parcialmente justas as reclamações botafoguenses. Jorge Henrique realmente sofreu falta no lance que originou a expulsão de Lúcio Flávio, e Zé Carlos também não merecia ter sido expulso pela confusão - Castillo teve participação muito maior. Mas que foi pênalti, foi. O problema é que em apenas um de cada 50 desses lances, o árbitro marca. De qualquer forma, o Flamengo é - e foi - mais time. Hora dos alvinegros pararem de chorar e de culpar o destino, pois têm condições de vencerem a Taça Rio. Essa história de 'jogamos como nunca, perdemos como sempre' já saiu de moda.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

San José - Os santos no caminho do Santos*


Quando a Conmebol sorteou os grupos da Copa Libertadores no final de 2007, muitos torcedores santistas, cientes das dificuldades financeiras que não permitiriam ao clube investir pesado em reforços, temeram pela desclassificação já na primeira fase. O problema não era o desconhecido San José, da Bolívia, mas o bom Chivas Guadalajara, do México, e o surpreendente Deportivo Cúcuta, da Colômbia, semifinalista no ano passado.

Mas será que os bolivianos realmente não ameaçam e servirão de sparring? Não é o que pensam, pelo menos, “los Santos”, como são conhecidos os jogadores da equipe de Oruro, cidade de 400 mil habitantes situada a 3.700 metros de altura, 200km ao sul de La Paz. Jogando ao lado da apaixonada torcida e, principalmente, com o auxílio da altitude, os campeões do Clausura 2007 querem a melhor campanha da história.

Santo de casa faz milagre?

Esta será a quarta participação do time azul e branco. Na última, em 96, conseguiu avançar à segunda fase graças às três vitórias no Jesús Bermúdez. Fora, duas derrotas para os colombianos América e Atlético Júnior e uma goleada de 4 a 1 para o rival local Guabirá, que foi eliminado. A queda nas oitavas, diante do Barcelona de Guayaquil, foi nos pênaltis, após vencer em casa por 1 a 0 e perder, no Equador, por 2 a 1.

Em 92 e 93, participações pífias: apenas um empate na temporada de estréia, conseguido curiosamente em pleno Morumbi, contra o São Paulo. Conta a história que, para acompanhar de perto este jogo, considerado um dos mais importantes dos 63 anos do clube, um torcedor vendeu sua casa para pagar passagem de avião, ingresso e hospedagem. Este é um exemplo comumente dado pelos hinchas, que se intitulam os mais fanáticos do país. No ano seguinte, os santos ao menos venceram uma, no clássico regional com o Bolívar.

O time do presidente

Se o San José tem mesmo a torcida mais apaixonada do país, não se pode dizer. Mas que possui, de fato, o torcedor mais importante, não há como negar. O presidente boliviano Evo Morales não só torce para o clube, como também já foi jogador da equipe. No começo da década de 70, quando ainda era adolescente, chegou a disputar algumas partidas nos times inferiores. Recentemente, com a polêmica da proibição da FIFA à realização de jogos na altitude, Morales promoveu uma série de manifestações pedindo a reversão da medida. Em uma delas, participou de uma partida amistosa realizada no estádio Jesús Bermúdez.

Os húngaros de 55

A origem do nome do clube tem duas explicações: a fundação aconteceu em 19 de março, dia de São José, padroeiro dos operários. E os fundadores eram trabalhadores da Mina San José, que se organizaram para disputar o campeonato da Asociación de Fútbol de Oruro, liga amadora local. O mentor da idéia foi Herry A. Keegan, administrador inglês da mina.

As cores permanecem inalteradas desde a fundação: azul e branco. O uniforme é semelhante ao Vélez Sarsfield da Argentina, embora não existam registros da influência fortín no clube boliviano. A equipe disputou a liga amadora orurenha até 1955, quando participou da fundação de uma liga semi-profissional em La Paz. A LFPB (Liga de Fútbol Profesional Boliviano) foi o embrião do profissionalismo no país, que culminou com o surgimento, em 1977, do campeonato nacional.

Logo no primeiro ano da competição, o San José montou o que é considerado até hoje o maior time de sua história. Jogando contra equipes muito mais tradicionais de La Paz e Cochabamba, os santos venceram o campeonato com cinco pontos de vantagem. O título veio em um empate diante do todo-poderoso Bolívar, em La Paz, por 2 a 2. Armando Escobar, um dos maiores ídolos orurenho, marcou os dois gols.

Foi num domingo, 29 de janeiro de 1956, que a torcida lotou o então “Monumental Oruro” (o nome Jesús Bermúdez viria somente depois, em homenagem a um grande goleiro do clube) para a partida final do campeonato, com a taça já assegurada. O adversário seria o Jorge Wilstermann e, segundo reportagem do “La Patria”, o San José expôs seu melhor sistema de jogo para vencer por 3 a 1.

Humberto Murillo, habilidoso avançado, abriu o placar com um gol olímpico logo a dois minutos de jogo. Após empate dos visitantes, a fulminante troca de passes entre Marcilla, Murillo, Escobar e Benjamin Maldonado culminou com o segundo gol. Jorge Orellana, de pênalti, decretou o placar final para delírio dos mais de 20 mil orurenses presentes.

Francisco Bonifacio, Silvano Valdivia, Juan Pedro Valdivia, René Torrico, Jorge Marcilla, Luis Peláez, Luis Castro, Armando Escóbar, Jorge Orellana, Humberto Murillo e Benjamín Maldonado receberam da imprensa e da torcida o apelido de “húngaros”, dada a consistência de seu jogo e a velocidade com que atacavam. À época, a seleção de Puskas, Kocsis, Czibor e Hidegkuti, ainda que derrotada na final da Copa da Suíça, era considerada a melhor equipe do planeta.

Começar de novo

Mesmo com o sucesso nacional, o San José decidiu voltar a disputar a liga municipal de Oruro, que conquistou por seis vezes entre 1954 e 1972. Foi somente em 77 que o clube voltou ao cenário boliviano, com o surgimento do verdadeiro campeonato nacional, existente até hoje. Depois de seguidas campanhas sem destaque, o duplo vice-campeonato em 1991 e 92 (ambos para o Bolívar) levou o time à disputa da Libertadores da América.

O primeiro título verdadeiramente nacional viria em 1995, numa decisão surpreendente com o também pouco tradicional Guabirá. Derrota fora de casa por 3 a 1 no primeiro jogo, vitória no Jesús Bermúdez por 3 a 0 e empate em 1 a 1 no jogo extra. O título veio graças ao saldo de gols.

Após anos dourados, veio o descenso em 1999. Os dois anos na segunda divisão quase significaram o fechamento do clube, mas a volta por cima veio a tempo e o time foi campeão da Copa Simón Bolívar, garantindo o retorno. O título do Clausura 2007 devolveu a Oruro os dias de glória, impulsionados por dois brasileiros: Alex da Rosa, naturalizado, e Sandro Coelho, ambos meias. Para esta temporada, contratou o habilidoso Darwin Peña, que se destacou pelo Real Potosí no ano passado. Uma tentativa de alçar vôos em outras terras e respirar ares não tão rarefeitos quanto os de Oruro.


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*Publicado originalmente na seção "Conheça o clube", da Trivela: http://www.trivela.com/index.asp?Fuseaction=Extra&id_secao=28

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Os pênaltis de Edmundo


Não é justo dizer que Edmundo "pipoca" em pênaltis decisivos. Pelo Vasco, em 97, e até antes, pelo Palmeiras, marcou vários gols importantes - inclusive de falta. Mas nos últimos anos não tem tido, de fato, a mesma eficiência.

A final do Mundial de Clubes de 2000; o pênalti pelo Cruzeiro, contra o Vasco, em 2001; contra o mesmo Vasco, pelo Palmeiras, em 2006; e no ano passado, contra o Ipatinga, na Copa do Brasil. São estes os exemplos, vivos na memória, de que Edmundo, ainda que tenha uma bela história, não deva mais cobrar pênaltis.

Porque o Vasco tinha Morais, que cobrou três até agora no campeonato e marcou. Tem Tiago, que apesar da má sorte no segundo gol, foi muito bem durante toda a partida e bate com primasia. E principalmente, porque o Vasco tem a necessidade de vencer logo o Flamengo em um jogo decisivo para acabar com a fama.

Mas se disse, ao final do jogo, que não tinha condições de atuar os 90 minutos, Edmundo poderia, ao menos, ter deixado a cobrança para outro. Pelo bem dele e do Vasco.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Fidelidade

Domingo à tarde, São Paulo e Santos entram em campo pela oitava rodada do Campeonato Paulista. 17.595 pessoas acompanham, no Morumbi, a emocionante vitória são-paulina por 3 a 2. O jogo valia classificação entre os quatro, para o São Paulo, e reabilitação, para o Santos.

Domingo chuvoso, Flamengo e Fluminense jogam pela última rodada da Taça Guanabara. 39.056 espectadores vêem Thiago Neves e o mistão do Flu golearem os reservas do Fla por 4 a 1. O jogo não valia nada: o Rubro-Negro já estava garantido em primeiro lugar no grupo e o Tricolor, em segundo.

E a pergunta que fica é: por quê?

Por que o clássico carioca, mesmo já sabido que Joel pouparia até o goleiro Bruno, teve mais público que o paulista? Será que os cariocas realmente gostam mais de ir ao estádio que os paulistas?

Importante ressaltar que não havia diferença de preço nos ingressos: o valor mais em conta era de R$20 nos dois estádios. A diferença – que pode ter afetado um pouco o número final de presentes no Morumbi – é que no Rio houve venda na bilheteria no dia do jogo. Em São Paulo, não.

Digno de nota, também, a campanha irregular do Santos, que afastou o torcedor do clássico. No Brasileirão do ano passado, com os ingressos ao mesmo valor, 33.865 pessoas viram o mesmo jogo, quando o Peixe aparecia em terceiro. Considerando que, por maior que seja a torcida na capital, o time do Santos não é da cidade. Temos, portanto, outro fator que pode ser apontado: o Fla-Flu tem duas equipes da capital.

Mas, afinal, tais dados explicam essa diferença? Acredito que não. Afinal, o Santos foi quem liderou a média de audiência dos quatro grandes paulistas nos jogos transmitidos pela TV aberta no BR-07. Acredito ser, acima de tudo, uma questão cultural.

Parece a mim que o carioca possui uma ligação muito mais próxima com o futebol. Não digo que goste mais. Mas sinto que o futebol faz mais parte da vida do carioca que do paulista. É um público, enfim, mais assíduo. Não que um Corinthians x Palmeiras não possa ter mais público que um Vasco x Botafogo. Pode. Mas a festa nas arquibancadas talvez não seja a mesma.


Publicado também no Blag do Mauro Beting.

Jogos no exterior pela Premier League

Seria sensacional descer a Anhanguera pra ver um Manchester x Arsenal. Quisera eu um dia poder assistir ao Milan, pessoalmente.

Mas sinceramente, isso não passa de uma utopia. MAIS uma jogada de marketing dos fenomenais marketeiros ingleses. Mas não dá. Tudo bem, o futebol hoje é um negócio e o menos importante, de fato, é o jogo. Mas algo assim seria assinar de uma vez por todas o atestado de colônia futebolística. Penso que voltamos à época colonial sim, onde a metrópole só retira as riquezas daqui (os jogadores) e faz o que quer.

Tá certo, não adianta querer se fechar numa redoma e virar protecionista. Mas se isso acontecer, as chances dos clubes brasileiros conseguirem se desenvolver serão menores ainda.

Até a Austrália tem uma liga mais negociável que o Brasil. De que adianta querer vender pacote de jogos para o exterior, se não tem ninguém decente jogando aqui? Já já o campeonato vai virar um brasileiro sub-20.

Sou positivista: o futebol é nosso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Penso, logo jogo*

Quando enfileirava nos juvenis do Barcelona e era, ainda, pouco conhecido, Lionel Messi sofreu uma fratura no rosto. Dias depois, disputou uma final contra o Espanyol com uma máscara protetora emprestada por Puyol. Incômoda, a máscara não durou dez minutos. Messi a tirou e permaneceu em campo durante todo o jogo.

Mas o que isto significa? Jogador diferenciado? Comprometimento, personalidade de um gigante? Sim, claro. Mas também, demonstra o preparo mental que Messi recebeu durante toda a sua carreira. O argentino teve, aliado à sua excepcional qualidade, apoio irrestrito da família, que mudou-se com ele para a Europa, e acompanhamento contínuo dos técnicos que teve em “La Masía”, local de treinamento do clube catalão.

Messi teve, antes de tudo, uma preparação psicológica perfeita para poder desenvolver suas habilidades e amadurecer para se tornar um craque. É um exemplo de que, além de predisposições genéticas, treinamento intensivo e incentivos financeiros, o trabalho psicológico também é fundamental na formação de um jogador de sucesso.

Infelizmente, esta é uma visão pouco difundida no futebol brasileiro. São raríssimos os casos de clubes que possuem acompanhamento psicológico em sua estrutura profissional –nas categorias de base então, algo digno de registro. De fato, pesquisa recente apontou que 77,9% dos atletas consideram importante a presença de um psicólogo dentro da comissão técnica, ao passo que 75,3% afirmam nunca ter trabalhado com um profissional deste tipo.

A Psicologia do Esporte é uma nova área das chamadas ciências do esporte, que englobam também a preparação física, técnica e tática. Analisar as condições psicológicas dos atletas tem-se mostrado fundamental para alcançar melhores resultados, especialmente no futebol, onde as relações interpessoais acontecem o tempo todo e podem definir o rumo de uma jogada. Por exemplo, uma briga entre dois jogadores durante um treino pode fazer com que um deles não toque a bola ao outro durante a partida, diminuindo as chances de vitória.

Os ‘paizões’

Considerando o atual contexto do futebol brasileiro, em que há a necessidade de se formar atletas mais completos mais cedo, a preparação psicológica é fundamental para que o garoto possa se desenvolver de maneira plena. Ambientes fechados de alojamento, a distância dos familiares e outras dificuldades de adaptação em um novo local, totalmente normais para meninos de quinze anos que estão aprendendo a ter responsabilidade e a resolver seus próprios problemas, podem ser equacionadas com a ajuda de um psicólogo.

Entretanto, é ainda prática comum a do famoso técnico “paizão” nas categorias de base. O perfil destes treinadores, na maioria dos clubes, é o do profissional experiente, que sabe conversar com os garotos na linguagem utilizada por eles e que conversa, ouve reclamações, tira dúvidas e dá conselhos. Tal atitude é positiva e apresenta bons resultados, mas a presença de alguém qualificado a realizar um trabalho mais aprofundado pode, em longo prazo, otimizar a produtividade.

Um dos momentos mais críticos na carreira de um atleta é quando ele se vê escolhido para treinar ou atuar com o time profissional. Hora de alegria, mas também de ansiedade e insegurança. Afinal, o melhor de um elenco juvenil passa a ser o juvenil de um time adulto, o que pode afetar diretamente a auto-estima do garoto. Não é raro ver jovens que aprendem condutas agressivas e anti-desportivas dentro de campo ao observar o comportamento dos “adultos”. É aí que o trabalho psicológico se torna importante, afinal muitos jogadores se perdem nesse processo. É preciso, portanto, maior divulgação e reconhecimento da psicologia do esporte como parte integrante da estrutura dos clubes.


*Coluna publicada originalmente no Olheiros.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Vice? Campeões!


Acompanhei muito de perto, em virtude do trabalho na rádio Azul Celeste, toda a campanha do Rio Branco na Copa São Paulo, desde os amistosos até à final. E acredito poder dizer, sem medo de errar e sem cometer injustiças, que ninguém merecia mais aquele troféu que estes meninos.

Pois analisando os quatro semifinalistas, vemos dois clubes gigantes do futebol brasileiro, donos das melhores estruturas do país, e um emergente, que possui administração competente e estratégia agressiva de crescimento para os próximos anos. Enquanto isso, o Rio Branco passa pela pior crise de sua história.

Rebaixamento após 17 anos na elite, dívidas e mais dívidas, falta de apoio da cidade. Os problemas do clube não são segredo para quem vive de perto. E mesmo assim, esses garotos foram longe. Mesmo com bem menos recursos que São Paulo, Inter ou Figueirense.

Só para citar duas barras superadas pelo elenco, houve denúncias - não comprovadas, é verdade - de falta de comida no alojamento, além de uma virose que pegou dez jogadoers em plena competição.

E é por tudo isso, e por saber o quanto esses garotos lutaram, que deixo aqui meus parabéns. E fica a certeza de que, se na Copinha eles foram vice, na vida têm tudo para serem campeões.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A nova invasão européia*

A África, como conhecemos hoje, teve sua divisão geopolítica definida, em grande parte, por acordos estabelecidos entre os países europeus que colonizaram o continente, como Inglaterra, França e Portugal. Muito em razão disso, estouram intermináveis conflitos uma vez que, em um mesmo país, habitam diferentes grupos étnicos e, não obstante, uma mesma etnia encontra-se dispersa entre dois ou mais territórios.

Em meio a um clima político sempre agitado, começa neste domingo a 26ª edição da Copa Africana de Nações, sediada pela quarta vez em Gana. Décadas após a conquista da independência, o continente vê uma nova – e desta vez diferente – invasão européia. Trata-se dos jogadores nascidos no Velho Continente que, por possuírem raízes africanas, escolheram defender as cores das nações de seus antepassados.

Tradicional destino de jogadores africanos – e, dos antigos colonizadores, o que possui laços mais fortes com o continente –, a França aproveitou-se, durante muitos anos, da qualidade oferecida pelo toque de habilidade de estrelas como George Weah, Abedi Pelé e Didier Drogba. Agora, vê o caminho inverso sendo percorrido.

É o caso de Emerse Fae, campeão mundial sub-17 com a França em 2001. Nascido em Nantes, o meio-campista do Reading preferiu defender a Costa do Marfim. Fae enfrentará François Jodar, técnico do Mali, que comandou os Bleus na campanha vitoriosa em Trinidad & Tobago. Caso os marfinenses enfrentem a Tunísia, ele terá pela frente outro ex-companheiro: Chaouki Ben Saada, atacante do Bastia, escolheu por honrar as cores das Águias de Cartago.

Até mesmo Dede Ayew, filho de Abedi Pelé, que aos 18 anos disputa sua primeira competição oficial por Gana, chegou a jogar nas seleções de base da França. Ele nasceu em Lille, quando seu pai atuava por lá. Há também franceses de nascimento nas seleções de Benin, Gana, Guiné, Mali, Marrocos e Senegal.

Outros exemplos são o jovem Karamoro Cisse, nascido na Itália, que faz na CAN sua estréia pela equipe de Guiné; Stephan Loboue, goleiro reserva da Costa do Marfim que enfileirou na equipe sub-18 da Alemanha por ter nascido em Pforzheim; e Quincy Owusu Abeyie, que acaba de ser liberado pela FIFA para defender Gana após jogar o Mundial Sub-20 de 2005 pela Holanda.

Nesse vai-e-vem, dentre os jogadores mais conhecidos, Frederic Kanouté e Mohamed Sissoko optaram por defender Mali. Outros, como Karim Benzema, decidiram tentar a sorte na Europa (Benzema foi inclusive destaque da França em 2007).

Queda de braço

Mais que escolhas profissionais e demonstrações de amor à pátria (independente de qual seja), tais situações têm criado disputas acirradas pelos jovens talentos africanos/europeus. A FIFA permite que o jogador decida, até completar 21 anos, por qual seleção quer atuar, desde que não tenha disputado partidas pelas seleções principais. Com isso, o assédio tem sido enorme e muitos garotos recebem “incentivos” para defenderem este ou aquele país.

O número de filhos de argelinos que são disputados todos os anos com a França, por exemplo, impressiona (talvez na tentativa de descobrir um novo Zidane). Ibrahim Affelay, holandês com raízes marroquinas, quase provocou uma crise diplomática entre os dois países em 2006 antes de optar pelo lado europeu – surgiram acusações de ambas as federações sobre um possível aliciamento. Prova de que não é apenas nas categorias de base dos clubes que tal prática existe – um verdadeiro “comércio” de pessoas entre Europa e África volta a acontecer depois de muito tempo de liberdade.


*Coluna publicada originalmente no Olheiros.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Pato à milanesa


Choverão comentários, exaltações hiperbólicas e arautos do “eu havia dito”. Mas o que me motiva, hoje, a escrever estas linhas, é muito mais um sentimento que uma análise pseudo-entendida.

Sou apaixonado por futebol. Do contrário, não teria este espaço e colaboraria em outros. Mas acredito, acima de tudo, que o esporte é um prazer e precisa ser uma realização. Do contrário, vira mecânico e enfadonho.

De fato, assim tem sido recentemente, com muita transpiração e pouca – ou quase nenhuma – inspiração. E é por isso que a atuação rossonera merece este desabafo, pois há tempos não degustava futebol como fiz neste domingo. Há tempos não me divertia realmente assistindo a uma partida.

E é assim que tem que ser, no final das contas. Seja bem-vindo, Pato. O futebol estava com saudade de sorrir.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Deixem os meninos sonharem*


Muito se fala em épocas de Copa São Paulo que a competição, outrora charmosa, hoje perdeu muito do seu brilho pela suposta invasão de times de aluguel, bem como uma verdadeira avalanche de empresários e observadores. De fato, um torneio que começou apenas com clubes da capital e que atualmente conta com 88 equipes – e que já teve até convidados internacionais – dificilmente mantém o nível.

Entretanto, é exagerado – e preguiçoso, no mínimo – desvalorizar a Copinha pela presença de times desconhecidos como fazem alguns e como fez, ridiculamente, o técnico Vizolli, do São Paulo, dizendo que ele forma jogadores para o São Paulo e “não para um Piauí", após o empate de quarta-feira contra o time nordestino.

Mas não é tal arrogância o tema desta coluna. Tentando aprofundar a questão, perguntei-me do porquê certas equipes viajam, às vezes, três, quatro dias em ônibus para sequer marcarem um gol. Porque existem brigas enormes nas federações pela vaga do estado? O que ganham equipes como os Ypirangas do Amapá e de Pernambuco, que sofreram mais de dez gols em apenas um jogo? Que jogadores são revelados nestas condições? Com que auto-estima o garoto vai voltar para casa e continuar tentando a sorte no futebol?

A resposta pode parecer simples e até burra, mas não se ganha nada. Dificilmente se revela alguém. E é exatamente aí que reside a mágica do futebol: mesmo sem condições, muitas vezes passando fome, o garoto sonha e sabe que, provavelmente, só correndo atrás de uma bola ele poderá, no mínimo, sobreviver para continuar, que seja, correndo. Tirar dele a esperança, enquanto ele viaja naquele ônibus incômodo, de que ele poderá brilhar, é mais cruel que qualquer dificuldade que a vida lhe impõe.

Quem nunca quis ser jogador de futebol um dia? O Olheiros é composto por ex-futuros craques, assim como a maioria da imprensa esportiva brasileira. Até por isso, os sonhos desses meninos deveriam ser mais respeitados. É certo que nem todos têm muito futuro – a maioria, na verdade – e acabarão se perdendo pelos campos do Brasil. Mas como jovens que são, ao menos ainda têm direito de sonhar. E isso, ninguém tira deles.


* Coluna publicada originalmente no Olheiros.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Copa São Paulo de Futebol Junior

Primeira competição de 2008, tradicional reveladora de talentos que virou uma mega feira de negócios. Mas, ainda assim, nós do Olheiros estaremos lá pra acompanhar.

Cruzeiro, São Paulo, Corinthians e Flamengo são, a meu ver, os principais favoritos. Inter e Grêmio também vêm bem. Vamos ver o que acontece.

Convido a todos para acessarem os especiais que fizemos no Olheiros:

Apresentação dos grupos, de A a K: http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=168
Apresentação dos grupos, de L a V (!): http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=169

Seleção da história da Copinha: http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=141
Onze jogadores da Copinha que não vingaram: http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=148
Oito esquadrões da Copa São Paulo: http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=160

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

2007: o esporte em números


0 pontos fez Rubens Barrichello na temporada da Fórmula 1
2 a 1 foi o placar da vitória do Milan sobre o Liverpool na final da UCL
3 a 0 foi o placar da vitória do Brasil sobre a Argentina, na final da Copa América
4 medalhas no Pan perdeu Rebeca Gusmão pelo doping constatado
6 vitórias por ippon teve Tiago Camilo rumo ao ouro no Mundial de Judô
7 ligas mundiais de vôlei tem o Brasil, com a conquista na Polônia
8 medalhas conquistou Thiago Pereira na natação do Pan, sendo 5 de ouro
10 gols fez Kaká, artilheiro da UCL 2006/07
12 estádios quer ter o Brasil na Copa 2014; a Fifa prefere dez
17 gols fez o Brasil, vice-campeão da Copa do Mundo de Futebol Feminino
20 gols marcou Josiel, do Paraná, artilheiro do Brasileiro
30 de outubro, data do anúncio do Brasil como sede da Copa de 2014
31 milhões de reais pagou o Bayern de Munique por Breno, do São Paulo
34 gols fez Afonso Alves, artilheiro do campeonato holandês pelo Heereven
40 medalhas de prata conquistou o Brasil no Pan
44 pontos fez o Corinthians, 17º lugar e rebaixado no Brasileiro
49 títulos acumulou Janeth em sua carreira, que se encerrou no Pan
54 medalhas de ouro conquistou o Brasil no Pan
67 medalhas de bronze conquistou o Brasil no Pan
69 pontos fez o Coritiba, campeão da Série B
77 pontos fez o São Paulo, pentacampeão Brasileiro
110 pontos fez Kimi Raikkonen, campeão mundial de Fórmula 1
150 jogos investigados pela ATP no escândalo de apostas e resultados
161 medalhas acumulou o Brasil nos jogos panamericanos
+ 1002 gols foi a marca atingida por Romário
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2007

Feliz 2008 cheio de conquistas a todos!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Para não fechar*


O que têm em comum Mineiro, Flávio Conceição, Marcos Assunção, Marcelinho Paraíba, Macedo e Anaílson? Todos, entre muitos outros, foram revelados pelo Rio Branco de Americana. Tradicional clube do interior de São Paulo, o Tigre era o pequeno há mais tempo na primeira divisão do futebol paulista – o rebaixamento em 2007, com uma campanha melancólica, interrompeu um período de 17 anos na série A-1.

Como em todo descenso, uma combinação de fatores resultou na queda da equipe. O principal deles, sem dúvida, foi a lapidação sofrida nas últimas administrações, que tinham milhões em caixa graças à venda de jogadores e transformaram este capital em dívidas. Não obstante, hoje o Rio Branco tem fama de mau pagador – basta perguntar a qualquer empresário ou jogador do interior do estado.

Mas nem sempre foi assim. Com grandes campanhas na década de 90, o Tigre lotava o estádio Décio Vitta e era conhecido como um grande celeiro de craques. Quem montou toda a estrutura das bases foi Cilinho, o mesmo que anos antes havia apresentado ao Brasil os ‘menudos’ do Morumbi. Receita de sucesso, mas também chave do problema: nada, ou muito pouco, foi atualizado e o clube parou no tempo, chorando a dura realidade profissional da Lei Pelé.

Ainda assim, as bases do Rio Branco conseguiram render alguns frutos recentes, nas boas campanhas da Copinha: o atacante Thiago Ribeiro e o goleiro Fabiano, ambos negociados com o São Paulo, são a prova de que o talento resiste até em solos pouco férteis. O time sub-20 foi vice-campeão paulista no ano passado e a equipe da Copa São Paulo 2008 é considerada uma das mais fortes já montadas na cidade. E é bom que seja, pois o presente – e não mais o futuro – do clube depende desses garotos.

Tigrinhos na cova dos leões

Sem dinheiro para contratar, o Rio Branco pode acabar disputando a série A-2 com um time formado apenas pelos garotos da base reforçados de, no máximo, quatro ou cinco atletas profissionais que ainda possuem vínculo com o clube. A chance é grande, depois que propostas de investidores não foram concretizadas, mas não é nova: em abril, logo ao final do Paulistão, a diretoria já admitia que não teria condições de seguir com o futebol por conta própria.

De lá para cá, oito meses se passaram e nada foi feito. Para piorar, 2007 foi ano de eleição e o departamento de futebol não se mexeu, sob a alegação de que o trabalho teria que começar com a nova presidência. Ninguém se candidatou e nove conselheiros formaram um colegiado para assumir a bomba.

Falou-se em não disputar o campeonato, o que decretaria o rebaixamento automático para a quarta divisão. Há pouco mais de um mês para a estréia, nem técnico – e muito menos time – o clube tem. A solução, ao que parece, será mesmo confiar tudo aos garotos, que correm um sério risco de se queimarem com um rebaixamento para a A-3.

Não que não possuam qualidade, mas nem mesmo o time do Cruzeiro campeão brasileiro sub-20 agüentaria a pressão e a dificuldade de se jogar uma segunda divisão no meio de profissionais. Sinal do tempo, afinal no futebol brasileiro atual, carente de craques, a garotada tem sido cada vez mais importante. E caminha para virar a salvação da pátria.


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* Coluna publicada originalmente no Olheiros.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Novos heróis?*


Retomo aqui um assunto abordado primeiramente pelo amigo Leandro Guimarães, em sua coluna inicial no Olheiros: a facilidade com que o Corinthians revela bons valores – e a facilidade enorme com que estas pedras brutas são descartadas ainda pouco lapidadas. Ampliamos, entretanto, devido ao rebaixamento da equipe à série B do Campeonato Brasileiro: o Corinthians tem, chegando ao profissional, uma das gerações mais vencedoras do famoso Terrão. Qual o futuro dessa molecada?

Terra do fogo

Com os altos e baixos vividos pelo clube nos últimos quatro anos, muitos garotos com capacidade de vingar acabaram sendo queimados. Ou tinham poucas chances na equipe da MSI – e quando entravam não agradavam porque o nível de exigência do torcedor era alto –, ou pesava sobre eles o peso de salvar o time de situações perigosas, como em 2004 e até mesmo agora, em 2007.

Assim, jogadores de potencial como Abuda, Jô e Bobô foram praticamente expulsos do Parque São Jorge. Ainda que se discuta a qualidade de todos, Jô vai muito bem (obrigado) na Rússia e Bobô até já marcou em jogo da Champions League pelo Besiktas. O mesmo pode acontecer agora com Lulinha e Dentinho: em um time sem referências, eles assumiram uma responsabilidade que não cabia a eles.

Considero este, aliás, fator primordial pelo qual as últimas revelações do Terrão não têm dado tão certo. Uma coisa é apostar na base quando o ambiente fora das quatro linhas é sério mas sem pressão exagerada, como o trabalho feito pelo Atlético-MG no ano passado, quando venceu a Série B utilizando vários garotos revelados na base. Outra é um “moleque” de 18 anos ter seu treino interrompido por pseudotorcedores com dedo em riste.

Pra apagar o incêndio?

Por isso, é fundamental que a nova comissão técnica encabeçada por Mano Menezes controle com pulso firme a influência do extra-campo sobre o elenco profissional, ao passo que avalia a nova geração que pode já render frutos para a cruzada corintiana da Série B. Sem Lulinha, já promovido ao profissional, a equipe sub-17 acaba de conquistar, de maneira invicta, o Paulista da categoria com números impressionantes.
24 vitórias, dois empates, 71 gols marcados e 19 sofridos. Invencibilidade de 56 partidas e quatro derrotas em 105 jogos. A campanha do time assusta até mesmo o técnico da base, José Augusto – que já sentiu o amargo sabor da pressão no time de cima.

Desta equipe, que atua junta há dois anos e conquistou o Paulista Sub-15 em 2005, despontam André, Renato, Marcelinho, Lucas e Sasha, além do artilheiro do time no sub-17, Fernando Henrique, com 14 gols. Na final, vitórias de 2 a 1 e 2 a 0 sobre o Pão de Açúcar.

Alguns destes garotos receberão os holofotes pela primeira vez em pouco mais de um mês, quando começar a Copa São Paulo. Mais uma vez, a pressão será enorme – e agora ainda maior, afinal não há dinheiro para grandes contratações e após Palmeiras, Botafogo, Grêmio e Atlético voltarem logo no primeiro ano de Série B, o acesso imediato virou obrigação. Mais um teste dificílimo para mais uma geração promissora do Corinthians. Assim como outras, talento eles têm. Resta saber como serão aproveitados.

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Coluna publicada originalmente no Olheiros.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Baila comigo

Voltamos, amigos, após o blog tirar uma semana de férias forçadas. Ao passo que prometo para semana que vem a análise final do campeonato brasileiro (fizemos nove até o momento), tenho vários assuntos que considero válidos para, ao menos, um pitaco. Mas fazemos isso aos poucos.

Algo que chamou-me muito a atenção neste final de temporada foi o grande salão de festas que se tornou o futebol brasileiro, com um enorme baile de formatura digno das noites de Cinderela. A dança dos técnicos é maior que nunca.

Pode parecer uma situação comum, afinal entre metas não cumpridas e pedidos de salários milionários, muita gente acaba saindo do conforto do banquinho. Mas o tal planejamento que todo mundo prega, e que quase ninguém faz, pode finalmente estar começando a dar o tom da dança.

Dos doze grandes, metade trocou de técnico - e o número pode subir se Luxemburgo sair mesmo do Santos, como parece. Tantos treinadores de nível disponíveis ao mesmo tempo mexe demais com o mercado, que fica maluco e afeta outros nichos. (não que todos sejam excelentes, mas são profissionais reconhecidos, afinal estão onde estão).

Entretanto, o que acontece é que saídas como as de Nelsinho, Espinosa e Leão já eram esperadas. O que muda é a mentalidade de outras equipes como Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras, que mesmo com anos de razoáveis para bons, botaram os comandantes para dançar.

Talvez seja uma mostra de que o perfil de técnico ideal esteja mudando: de boleiro, especialista apenas em treinamentos ou táticas, para manager - como gosta Luxa -, planejador, com formação e visão longo prazo. Não à toa, o mercado internacional já é maior que há alguns anos para os treinadores brasileiros. Tomara que o nível continue a crescer, mas que, ao contrário dos jogadores, os clubes possam segurá-los.

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Nota rápida 1: Ao corintiano leitor deste espaço, o Timão disputa a Série B e volta, sem problemas. Não por competência da diretoria, mas pelo homem que ela escolheu para comandar o time e os jogadores que ele trará. Afinal, cair não é nenhum desespero e nos campeonatos europeus, quase todo mundo já jogou a segundona.

Nota rápida 2: Recomendo a sensacional brincadeira do amigo Filipe Lima, em seu blog: em um exercício de futuro-do-pretéritologia, imaginou como seriam os últimos campeonatos se houvesse mata-mata. Vale a pena.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O que faz um craque?*

Caro leitor, pense na pergunta que está no título desta coluna: o que faz um craque? O que diferencia este daquele jogador? Habilidade? Força? Rapidez de raciocínio? Velocidade? Dentre os profissionais, estas são algumas das características que tornam um atleta mais completo que o outro. Mas e entre os garotos? Como comparar indivíduos ainda em formação?

Acompanhando a evolução do futebol, percebemos mudanças profundas nas características do padrão de jogo, (2-3-5, WM, 4-2-4, 4-3-3, 4-4-2, 3-5-2), no papel desempenhado pelos atletas (ponta, lateral, líbero, cabeça-de-área, meia-armador) e na forma como eles disputam o jogo – enquanto hoje um jogador percorre em média onze quilômetros por partida, na década de 70 ele percorria sete.

Porém, um fator mudou pouco ao longo do tempo: a necessidade de uma preparação física adequada. Desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, ou das primeiras partidas de futebol disputadas na Grã-Bretanha, o condicionamento físico é requisito primordial para o atleta ser de fato atleta e diferenciar-se das pessoas comuns.

Até por isso, as características físicas como estrutura óssea, composição muscular,
resistência e explosão são as mais utilizadas na avaliação de jovens que chegam aos testes das categorias de base – as famosas peneiras. Goleiros têm que ser altos, assim como zagueiros precisam ser fortes, volantes necessitam de vigor acima da média e atacantes têm que correr sem se cansar. Contudo, esse pode não ser o melhor caminho.

É preciso considerar as diferenças de crescimento de um garoto para outro. Enquanto um atinge seu auge aos 16, outro pode se desenvolver até os 22. Assim, o menino que hoje é magro e tem pouca massa muscular pode render em breve, se bem trabalhado, muito mais que seu companheiro que se desenvolveu precocemente. Por isso, é fundamental que o profissional que avalia esses meninos tenha conhecimento suficiente para saber quem pode se desenvolver e quem tem tudo para ser um “foguete molhado”.

Vejamos um exemplo das diferenças que meninos de mesma idade podem apresentar: no Mundial Sub-20 realizado este ano no Canadá, a República Tcheca tinha uma média de altura de 1,83 m, enquanto os franzinos garotos de Zâmbia apresentaram a média de 1,57m. Uma diferença absurda, que obviamente existe por fatores genéticos e nutricionais, entre outros. Detalhe: enquanto os tchecos foram derrotados apenas na final, pela Argentina, os zambianos pararam nas oitavas.

Mas o que isto significa? Que somente jogadores altos e fortes têm espaço no futebol atual? Um certo baixinho que marcou mil gols desmente. Como em tudo na vida, também no futebol generalizações são perigosas. Que os olheiros realmente abram os olhos, e que o talento nunca seja preterido. Pelo bem do futebol de hoje e de amanhã.


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* Coluna publicada originalmente no Olheiros.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tragédia na Fonte Nova: era preciso?

Louvável, desejável e nada mais que a obrigação a atitude do governador Jacques Wagner, anunciando a decisão de implodir a Fonte Nova. Lamentável, porém, que reine no Brasil a (in)cultura de se tomar atitudes somente quando uma tragédia acontece (sem contar os N exemplos de que, mesmo assim, nada é feito).

Lembro-me de uma declaração de Bobô, se não me engano no ano passado (e se não me engano, em matéria que li no Máquina do Esporte), de que a Fonte Nova era um excelente estádio e que teria todas as condições de passar por algumas reformas e sediar jogos da Copa do Mundo. Apesar de nunca ter visitado o estádio, sei muito bem que a frase do Superintendente da Sudesb foi totalmente cega e descabida. À época, entretanto, ninguém deu pelota.

Entretanto, o que me preocupa mesmo são outras declarações desse tipo que vêm agora à tona, mostrando o total despreparo e falta de visão da maioria dos dirigentes brasileiros: alertado sobre as condições do Couto Pereira, o presidente do Coritiba, Giovani Gionedis, adota a postura imbecil e arrogante de todos os incompetentes engravatados: “Estamos tranqüilos em relação a isso, pois o Coritiba sempre cuida do seu patrimônio. Não reconheço esse estudo, pois ele não foi apresentado ao clube”.

Isso me irrita profundamente. Por que não levar a sério o estudo e verificar as reais condições do estádio? Afinal, se foi constatado tal problema, ele deve existir, não é? Por que assumir uma postura como essa de “temos tudo sob controle”, quando não se tem? É essa falta de visão que nos separa dos países desenvolvidos: onde está a preocupação com o torcedor, com a segurança? O mínimo que deveria ser feito é, com tal estudo em mãos, verificar as condições. Mas não. Prefere-se deixar tudo como está e acomodar-se.

Triste também é o silêncio da CBF. Até a FIFA se manifestou. Mas isso não surpreende em nada. E com seguidas atitudes como essas, aos poucos nada mais surpreende e perdemos nossa força de luta. Afinal, o que são sete vidas em nome do bem maior que é a Copa do Mundo?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Eliminatórias Copa 2010 - Análise dos grupos

Pouca gente se interessa e muita gente nem sabe do que se trata, mas aconteceu neste domingo em Durban, na África do Sul, o sorteio dos grupos das eliminatórias asiáticas, européias, africanas e da Concacaf para a Copa de 2010. Como gosto muito de acompanhar as eliminatórias, faço uma breve análise do sorteio, lembrando sempre que tenho como base o momento atual das seleções (afinal, as eliminatórias européias, por exemplo, começam só depois da Eurocopa).

Na Concacaf, pouco há a se dizer, afinal a primeira fase tem muitos sacos de pancada na disputa. O cenário promove poucas surpresas e, se tudo der certo, os favoritos avançam sem problema à terceira fase e aí a briga esquenta. No grupo A deveremos ter Estados Unidos, Guatemala e Trinidad & Tobago brigando por duas vagas no hexagonal final, com Cuba fazendo número. No B, México, Jamaica, Honduras e Canadá também travarão uma disputa acirrada, enquanto que a Costa Rica tem tarefa fácil no C e deve passar, ao lado do Panamá, deixando Guiana e Haiti para trás.

Na África, o sorteio também foi muito preliminar e as grandes forças não devem ter problemas. Destaque para o grupo que coloca frente a frente Nigéria e África do Sul. Os Bafana-Bafana participam das eliminatórias porque elas também valem para a Copa das Nações Africanas de 2010.

Na Ásia, a briga já esquenta. Participando das eliminatórias pela primeira vez no continente, a Austrália pega um grupo difícil com Iraque, campeão continental, e a China. Apenas dois avançam à fase final. O Japão pegou o Bahrein, que quase foi à Alemanha, e os ascendentes Omã e Tailândia, mas não deve ter dificuldades, assim como Arábia Saudita e Uzbequistão, no grupo 4. A chave 3 reservou uma grande rivalidade, quando as duas Coréias se enfrentam. E no grupo 5, o Irã tem trabalho fácil, enquanto Kuwait e Emirados Árabes brigam pela segunda vaga.

Europa

Mas a grande atração mesmo são as chaves européias. Vamos a uma análise mais detalhada das chaves.

Grupo 1 – Portugal, Suécia, Dinamarca, Hungria, Albânia e Malta
Portugal é favorito a vencer a chave, ainda que não se saiba quem será o técnico das eliminatórias – há 99% de certeza na saída de Felipão após a Euro. Suécia e Dinamarca brigariam pela segunda posição, com um teórico e ligeiro favoritismo aos suecos, que têm números impressionantes nas últimas eliminatórias tanto da Copa quanto da Euro. Mas nada impede que uma zebra tire Portugal da Copa, num dos grupos mais fortes.
Palpite: Portugal e Suécia

Grupo 2 – Grécia, Israel, Suíça, Moldávia, Letônia e Luxemburgo

De longe o grupo mais fraco, graças à ascendência grega dentro do continente – que finalmente deve receber seus dividendos mundialmente. Tendo sido a maior pontuadora nas eliminatórias da Euro em um grupo mais difícil que este, a Grécia é favoritíssima a passar. Só acho que, apesar da excelente campanha dentro de casa, não será dessa vez que Israel conseguirá se classificar – a consistência suíça deve falar mais alto.
Palpite: Grécia e Suíça

Grupo 3 – República Tcheca, Polônia, Irlanda do Norte, Eslováquia, Eslovênia e San Marino

Considerando as forças presentes, acredito que este seja a chave mais equilibrada. A República Tcheca é favorita e não deve decepcionar. A Polônia, que tem ido bem nas eliminatórias mas fracassa de forma contumaz nos torneios, pode ter seu caminho dificultado pela sempre chata Eslováquia e a surpreendente Irlanda do Norte. Por ser o grupo mais equilibrado, deixo o palpite de que será este o único a não classificar o segundo colocado para a repescagem.
Palpite: República Tcheca

Grupo 4 – Alemanha, Rússia, Finlândia, País de Gales, Luxemburgo e Liechtenstein

Chave tranqüila para a Alemanha, que classificou-se à Euro sem tropeços. Sorte boa para a Rússia do sortudíssimo Guus Hiddink, que conseguiu classificar sua seleção à Euro na base do milagre e agora não deve ter sustos, podendo até, quem sabe, beliscar pontos dos alemães no confronto direto. Apesar da campanha razoável nas eliminatórias para a Euro, a Finlândia deve ficar pelo caminho.
Palpite: Alemanha e Rússia

Grupo 5 – Espanha, Turquia, Bélgica, Bósnia, Armênia e Estônia

Outro grupo tranqüilo para as duas forças principais, já que a Bélgica vai involuindo aos poucos seu nível internacional. Não me surpreenderia se a Turquia vencesse o grupo e mandasse a Espanha para a repescagem, já que a Fúria costuma tropeçar nos qualificatórios.
Palpite: Espanha e Turquia

Grupo 6 – Croácia, Inglaterra, Ucrânia, Bielorrúsia, Cazaquistão e Andorra

Vingança! É com esse espírito que os ingleses enfrentam novamente a Croácia em outro dos grupos mais equilibrados. A Ucrânia foi mal nas eliminatórias da Euro, mas qualquer prognóstico é complicado quando não se sabe sequer o nome do novo treinador do English Team. Considerando as últimas campanhas croatas em qualificatórios, parece mais seguro apostar neles novamente.
Palpite: Croácia e Inglaterra

Grupo 7 – França, Romênia, Sérvia, Lituânia, Áustria e Ilhas Faroe

Poderia ser o grupo mais difícil se a Áustria vivesse dias melhores e se ainda não pairassem certas dúvidas sobre quão longe podem chegar Romênia e Sérvia. Ainda assim, os Bleus têm um árduo caminho pela frente e tropeços como os do qualificatório para a Euro não podem se repetir. Em uma disputa muito parelha, escolho a Romênia para a segunda colocação baseando-me no desempenho recente.
Palpite: França e Romênia

Grupo 8 – Itália, Bulgária, Irlanda, Chipre, Geórgia e Montenegro

Ao contrário de algumas opiniões que ouvi, não acho o grupo italiano muito difícil. Bulgária e Irlanda estão num nível bem inferior e, ao contrário das últimas campanhas, não acredito em muita dificuldade da Azzurra para avançar. Búlgaros e irlandeses brigam pela segunda vaga, mas cravo no time do eterno Robbie Keane.
Palpite: Itália e Irlanda

Grupo 9 – Holanda, Escócia, Noruega, Macedônia e Islândia

Finalizamos com o grupo que tem uma seleção a menos – mas nem por isso a vida fica mais fácil. A Macedônia roubou pontos importantes na Euro e pode repetir o feito contra os favoritos holandeses. Escócia e Noruega podem travar uma disputa acirradíssima pela vaga na repescagem – ou não. Tudo depende de quanto tempo os escoceses conseguem mostrar a excelente performance dos últimos meses. Pela regularidade, aposto na Noruega.
Palpite: Holanda e Noruega