quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Porto seguro*

* Publicado originalmente no Olheiros.

Basta uma rápida olhada pela tábua de classificação do campeonato italiano que logo alguma coisa não parece no lugar. Inter, Juventus e Milan brigam pela ponta, mas há um intruso se metendo na briga pela vaga remanescente na Liga dos Campeões 2009/10. Trata-se do Genoa, um dos clubes mais tradicionais do país, campeão de seis das sete primeiras edições da Serie A, mas que viveu recentemente o inferno da terceira divisão e tenta, aos poucos, ressurgir das cinzas.

Para isso, conta indubitavelmente com os gols do argentino Diego Milito, que voltou no início da temporada após três anos no Zaragoza e rapidamente foi elevado ao posto de semi-deus na metade rossoblú da capital da Ligúria. Não é à toa: em 20 jogos, marcou 16 vezes e é o vice-artilheiro do campeonato. Seus gols ajudaram a alcançar resultados impressionantes, como as vitórias sobre Milan e Roma no Luigi Ferraris – marcou um nos milaneses e dois nos romanos.

Entretanto, não é só de Milito que se faz uma boa campanha no Calcio. O Genoa apresenta uma característica interessante, se analisarmos com mais atenção: é um time cheio de eternas promessas – e isto não é ruim. O clube tem aproveitado jogadores talentosos, que despontaram em outras equipes, mas que acabaram não atendendo às expectativas e buscam um recomeço ou mesmo o reconhecimento definitivo longe da pressão das grandes camisas.

Até mesmo o goleiro brasileiro Rubinho concorda com a tese. “O Genoa tem por tradição pegar jogadores que não estão jogando nas equipes maiores, como o Palladino, que não jogava na Juventus, e o Borriello no ano passado. Eram promessas de times grandes que fizeram a escolha de vir para cá sabendo que aqui teriam mais sucesso. O segredo do nosso time é que esses jogadores vieram para cá com a humildade de trabalhar como jogador de time pequeno para voltar aos grandes”, afirmou em entrevista recente concedida ao amigo Rafael Reis, ex-colunista do Olheiros e repórter da Folha Online.

Foi assim com Matteo Ferrari, zagueiro descoberto pela Internazionale no SPAL 1907, hoje um clube semi-amador. Como de praxe nos grandes italianos, rodou de empréstimo em empréstimo (passando inclusive pelo próprio Genoa) dos 18 aos 21 anos, até que se firmou no Parma e foi contratado. Em 2004, foi comprado pela Roma e ganhou a medalha de bronze na Olimpíada de Atenas, como um dos três jogadores acima de 23 anos. Mas o desempenho abaixo do esperado obrigou-o a ser emprestado de novo, desta vez para o Everton.

Chegando a Gênova, entretanto, logo firmou-se na zaga, jogando a maioria das vezes no centro da linha de três defensores proposta por Gian Piero Gasperini. O esquema tático pouco usual para os padrões italianos e o desempenho de Ferrari e seus companheiros são outra explicação para o sucesso do clube na temporada: apesar dos 3 a 0 sofridos para a Roma no último domingo, os grifoni têm ainda a segunda melhor defesa do campeonato, com 20 gols tomados em 23 partidas.

O belga Vanden Borre é outro exemplo de aposta que tem dado certo. Após aparecer muito bem pelo Anderlecht, fazendo sua estréia pela seleção aos 17 anos, chegou à Fiorentina para o campeonato 2007/08 mas teve poucas chances, atuando apenas quatro vezes. Envolvido numa troca com Papa Waigo, foi comprado em definitivo pelo Genoa para esta temporada e tem tido atuações bastante satisfatórias pela ala direita, posição fundamental para o sucesso do esquema tático de Gasperini, a ponto de voltar a ser convocado para a seleção.

Na outra ala, Domenico Criscito, emprestado pela Juventus, também tem atuado bem. Outro jogador cedido pela Vecchia Signora que tem demonstrado bons sinais de recuperação é o uruguaio Ruben Olivera, que despontou como um furacão pelo Danúbio e nada produziu nas poucas chances que teve com Fabio Capello – em sua opinião, porque jogava pelos lados, deslocado de sua posição original, mais no centro. Após passagens frustradas por Atlético de Madrid e Sampdoria e até uma volta ao futebol uruguaio, para defender o decadente Peñarol, chegou ao Genoa querendo mostrar serviço, e ainda que não seja titular, tem conseguido emplacar uma sequencia maior de jogos.

E certamente nenhum torcedor genovês torcerá os lábios se tiver seu time chamado de “filial da Juve”. Afinal, outros dois jogadores fundamentais têm sua história ligada ao clube de Turim. Raffaele Palladino e Giuseppe Sculli tiveram trajetórias bastante parecidas: despontaram em clubes pequenos, foram contratados mas não tiveram muito espaço para mostrar seu valor. Sculli, que passou por todas as divisões de base italianas, perambulou por diversas equipes menores até se firmar como companheiro de Milito no ataque rossoblu, tendo feito seis gols até aqui.

Palladino, por sua vez, criou enormes expectativas graças a suas performances em Viareggio e no Primavera, quando marcou 41 vezes em 61 jogos. Emprestado à Sarlenitana, foi chamado de volta para a disputa da Série B, e teve boas chances com Didier Deschamps de mostrar seu valor, marcando duas vezes na estréia e alcançando um hat-trick ante a Triestina. A concorrência desleal no ataque com Del Piero, Iaquinta e Trezeguet forçou-o a se adaptar à função de winger pela esquerda, e apesar de ser destro, tem desempenhado o papel muito bem, fechando no meio para remates precisos.

Por pouco Palladino não voltou a Turim já em janeiro, mas a transferência de Iaquinta para o Zenit não se concretizou. “Poderia ter voltado, mas me sinto feliz aqui. Não inteiramente feliz, afinal acho que ainda tenho muito a mostrar até o final da temporada”, afirmou logo após o fechamento da janela. Sinal de que o Luigi Ferraris pode não ser a parada final para estas quase-eternas-promessas, mas é certamente um porto seguro para que elas se recuperem e sigam seu rumo. Foi assim com Borrielo na temporada passada. É assim também este ano com Thiago Motta, ex-Barça. Bom para os jogadores, melhor para o clube.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Idéias para o calendário do futebol brasileiro


Em épocas de Estaduais, pré-temporadas curtas e início de Libertadores e Copa do Brasil, o mesmo assunto sempre vem à tona: o inadequado calendário do futebol brasileiro. O assunto não é novo nem mesmo neste blog, mas se depois de trinta anos os pontos corridos finalmente foram adotados, por que não discutir o tema à exaustão até que se chegue a um consenso?

A proposta é simples: o calendário brasileiro deve ser adequado ao europeu. Mas como conseguir incutir na cabeça do torcedor as temporadas que começam em um ano e terminam em outro? A idéia seria readequar as competições.

Primeiro ponto: os Estaduais precisam acabar. Rivalidades regionais existem e são centenárias, e não deixarão de as ser com o fim desses campeonatos, que convenhamos, só existem no Brasil e não fazem mais o menor sentido. Será possível que com isso os clubes pequenos acabem? Esta é uma regra do próprio sistema que rege o futebol, capitalista como é - quantos clubes grandes, como Santa Cruz, Guarani e Bahia, já não foram ultrapassados por outros de menor tradição, mas maior aporte financeiro e mais bem estruturados? O protecionismo não pode ser conivente com a incompetência.

Assim, com o fim dos estaduais, o Brasileirão poderia começar em fevereiro, deixando janeiro para a pré-temporada. Um campeonato bem estruturado em quatro divisões pode comportar os times pequenos que atualmente só disputam os regionais e mantê-los ativos por todo um semestre - que é o que acontece com a maioria atualmente.

Três divisões nacionais com 20 times, como acontece atualmente, e mais uma quarta divisão nos moldes europeus: regionalizadas na primeira fase, que pode durar um semestre e envolver dezenas de clubes, classificando os melhores para a fase nacional no segundo semestre, com 20 ou 40 clubes, classificando 4 para a Terceirona do ano seguinte. Assim, os pequenos continuariam existindo.

Por fim, Libertadores e Copa do Brasil são competições completamente distintas. Não é justo que uma equipe que dispute uma, não participe de outra. Nesse caso, os grandes europeus jamais disputariam suas copas nacionais - este sim o local adequado para os pequenos receberem os grandes.

A idéia é separar: Copa do Brasil em um semestre, competições internacionais em outra. Libertadores e Sul-Americana disputadas juntas podem permitir o mesmo que UCL e Copa Uefa: os terceiros colocados ainda têm chance de serem campeões de um torneio menor. Obviamente, neste caso seria necessária uma adequação de todo o calendário sul-americano - e para a Conmebol não é interessante ter as mesmas competições, por envolver contratos de patrocínio e exposição na mídia. Sem contar que clubes como Boca e River têm vaga vitalícia na Sul-Americana - procedimento que precisa ser abolido. Quem joga uma, não joga outra.

Enfim: campeonatos de fevereiro a novembro, férias em dezembro, pré-temporada em janeiro. Dá até para abrir 15 dias de descanso em julho.

Não é difícil, nem complicado de se chegar a essa fórmula.

Basta querer.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Novo Villa, grande de novo

Pouca gente pode se lembrar hoje em dia, com o crescimento de clubes como o Chelsea, mas o Aston Villa foi o primeiro grande inglês: um dos fundadores da FA, cinco de seus setes títulos nacionais foram conquistados antes de 1900. Contudo, desde o título de 81, conduzido por Peter White e seus 20 gols, o Villa não fazia uma campanha tão empolgante – e parece disposto a fazer história novamente.

Foram duros anos sob o comando de John Gregory, Graham Taylor e David O'Leary, com sucessivas campanhas contra o rebaixamento. Mas a chegada do milionário Randy Lerner e a injeção de alguns milhões fez os Villans, comandados por Martin O'Neill, renascerem.

Bicampeão europeu com o Nottingham Forest como jogador e tri escocês com o Celtic nos últimos anos, O’Neill reformulou a equipe com uma receita conhecida: mesclar jovens e experientes. Mas os ingredientes selecionados têm formado um prato cheio para os olhos: um futebol leve, rápido e dono do quarto melhor ataque da Premier League.

Jogadores como Ashley Young, John Carew, James Milner e Stilian Petrov se adequaram à nova filosofia da equipe, que conseguiu manter-se fiel às suas origens graças à por demais comemorada permanência de Gareth Barry, capitão e ídolo local. O 4-4-2 do início do campeonato sofreu três derrotas e foi substituído por um interessantíssimo 4-3-2-1, invicto há onze rodadas e com sete vitórias nas últimas oito partidas.

A defesa melhorou e sofreu apenas dois gols nos últimos quatro jogos. Luke Young saiu da lateral-direita para a esquerda e Laursen passou a revezar com Knight no miolo, garantindo uma zaga menos cansada. A entrada de Cuellar na lateral-direita garantiu também um maior poder de marcação.

Recuando Petrov e Barry da linha de 4, O’Neill lançou Steve Sidwell (ex-Chelsea) e formou uma pouco usual linha de três no meio-campo, protegendo melhor a zaga e liberando Millner e Ashley Young para o apoio. Young, antes, via-se preso a funções mais defensivas, mas com a mudança passou a render muito mais: no antigo esquema, deu uma assistência; agora, já anotou mais quatro passes para gol e três gols, dois deles na vitória sobre o Everton por 3 a 2. Eleito em dezembro o melhor jogador da liga, é fundamental na dobradinha que vem garantindo os resultados.

Dobradinha completada por Gabriel Agbonlahor, rápido atacante de 23 anos que marcou nove gols até agora e recebeu convocações de Fábio Capello nos últimos amistosos. Com a contusão de Carew, Gabby abandonou de vez a antiga função de right-winger para se transformar em um CF poderoso, oportunista e “terrível de ser marcado”, como afirmou John Terry.

Terá agora a companhia de Emile Heskey, recém-contratado a pedido de O’Neill, grande fã do jogador. Na vitória sobre o Portsmouth, na última rodada, Heskey estreou e o time voltou ao 4-4-2. A nova dupla funcionou perfeitamente bem: Agbonlahor dividiu de cabeça e a bola sobrou para Heskey marcar o gol vencedor. Se o esquema mudará de novo – e se isso continuará funcionando –, há ainda mais quinze rodadas para saber. O Villa ainda recebe o Chelsea e visita Liverpool e Manchester United. Se conseguir bater seus adversários, poderá tentar repetir seu último grande feito – a Copa Européia de 1982 – e voltar a ser grande.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

S.O.S. - Salvem o Servette

Publicado originalmente na coluna Futebol Alpino, da Trivela.

O garotinho ao lado só conhece as conquistas de seu clube através de fotos, vídeos e pelas histórias de seu pai ou avô. O Servette FC, uma das maiores e mais tradicionais equipes do futebol suíço, passa pela mais grave crise de sua história centenária. Segundo maior vencedor da Super League com 17 títulos, os grenás chegaram ao fundo do poço: lutando contra o rebaixamento na segunda divisão suíça, começam a se afundar novamente em dívidas e podem ter de fechar as portas definitivamente.

O clube já vinha mal das pernas desde a última conquista nacional, na temporada 1998/99. A bancarrota veio com o francês Marc Roger, que em um ano de administração, entre 2004 e 2005, acumulou uma dívida de 16 milhões de francos suíços – o equivalente, nos dias atuais, a R$ 33 milhões. Roger foi recentemente condenado a dois anos de prisão por crimes de fraude, falsificação de documentos e administração indevida do dinheiro do clube. Como já havia cumprido 22 meses de prisão preventiva, decretada após sua tumultuada saída de Chatelaine, acabou em liberdade.

Roger havia assumido o clube com uma dívida em torno de dez milhões de francos, remanescentes da construção do Stade de Genève, uma das sedes da Eurocopa. O orçamento inicial de construção da arena era de 68 milhões, e a obra seria financiada exclusivamente pelo setor privado, que lucraria com o centro comercial e o hotel localizados no complexo. Entretanto, o custo total ficou em 148 milhões, dos quais 43 milhões foram custeados por verbas públicas, principalmente do estado e da prefeitura de Genebra.

Sob o argumento de gerir profissionalmente o dinheiro do clube, o presidente fundou a AFI, empresa que ficaria responsável pela administração financeira do Servette e do estádio. A comunidade se envolveu e doou grandes quantias para salvar o clube da falência – somente Lorenzo Sanz, ex-presidente do Real Madrid, teria desembolsado três milhões de euros. Mas o dinheiro sumiu, a dívida só aumentou e, em 2005, a falência foi decretada e o time foi automaticamente rebaixado para a terceira divisão.

Oásis ou miragem?

Quando o clube faliu, havia tantos salários atrasados que alguns jogadores até tiveram de encerrar a carreira. Os credores era até mesmo ex-atletas, como o francês Christian Karembeu, que estava no Servette quando a crise estourou. Todos os profissionais foram para outros times e uma equipe formada pelas categorias de base, em sua maioria atletas sub-21, assumiu o nome e a estrutura existentes e conseguiu o acesso à segunda divisão.

Após duas temporadas em que foi possível baixar a poeira, com campanhas regulares e sem sustos, o fantasma volta a assustar os grenás: na metade do campeonato, o time venceu apenas três jogos em quinze e está em 14º lugar, a primeira posição fora da zona de rebaixamento. Pra piorar, os lanternas FC Locarno e FC Gossau têm um jogo a menos e tudo indica uma iminente queda na classificação após a realização da partida adiada pela neve.

A última tentativa de salvar o centenário clube deu-se em setembro, quando o empresário iraniano Majid Pishyar pagou quatro milhões de francos pelo controle majoritário, tornando-se presidente em substituição a Francisco Viñas, muito elogiado pelo gerenciamento de crise que foi feito. Diretor de uma holding de 32 empresas sediada em Dubai, com atividades em diversos setores, Pishyar não foi bem recebido pela imprensa e pela torcida, que vê no milionário um aproveitador que quer apenas ganhar dinheiro, e não salvar o clube.

Promessas de investimento pesado foram feitas: “vamos gastar o necessário para atingir nossos objetivos”, afirmou o iraniano quando assumiu, deixando claro que pretende voltar à primeira divisão e, dentro do possível, controlar as finanças – o que não é o suficiente para a comunidade de Genebra, que quer o fim do problema de uma vez por todas. Os habitantes, sempre muito ligados ao clube, têm deixado de acompanhar o time e nem mesmo o governo acena com a chance de ajuda financeira, já que no passado todos foram enganados.

Com isso, o novo estádio virou um elefante branco. Com capacidade para 30 mil torcedores, a média de público não passa dos dez mil. Até hoje, só ficou lotado nas três partidas da Euro que sediou. O centro comercial anexo é rentável, mas a administração o estádio é insolvente porque os custos de manutenção são maiores que as receitas. Só em 2008, o déficit foi estimado em 2 milhões de francos suíços. Para os dirigentes da Fundação que gere o Stade de Genève, a solução para a rentabilidade é ter o Servette na primeira divisão sempre com casa cheia, alguns jogos internacionais e ainda eventos culturais.

Entretanto, a crise financeira esbarra em um problema de planejamento estratégico: no desenho da construção, a arena não foi projetada para ser multiuso em seu interior e, portanto, não pode receber eventos de outros esportes ou até mesmo shows musicais com muita freqüência. Com isso, a dívida volta a aumentar. E sem receita para contratar, o retorno à elite fica mais distante. Pishyar tem dinheiro de sobra, mas não parece tão disposto assim a investir pesado em época de crise financeira internacional. Para piorar, sua experiência anterior não ajuda em nada: assumiu anos atrás o austríaco Admira Wacker, que em sua gestão faliu e foi rebaixado.

Para uma camisa que já foi envergada por Karl-Heinz Rummenigge e Sonny Anderson, entre outros, o destino parece cruel demais. Uma última alternativa seria voltar-se novamente às divisões de base, que deram conta do recado há pouco tempo e revelaram, nos últimos anos, nomes domo Senderos e Djourou. A rica cidade de Genebra queria um estádio moderno e um clube com ambições européias. Seis anos depois da inauguração do Estádio de Genebra, ela não tem uma coisa nem outra. Quem irá salvar o Servette?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Colunas da semana

Neste sábado, dois textos no Olheiros:

Entrevista com Leonardo Condé, técnico do Atlético-MG na Copa São Paulo, falando sobre o trabalho de base do Galinho, as expectativas para 2009 e sobre o que é mais importante: conquistar títulos ou revelar jogadores?
http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=947

Na coluna "Ponto futuro", a dura realidade dos meninos que sonham com um futuro melhor na Copinha, mas podem acabar vendo seus sonhos se desfazerem tão cedo na vida.
http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=948

A melhor cobertura da Copa São Paulo é no Olheiros!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Copa São Paulo é no Olheiros!


Um torneio com 88 equipes de todo o país sugere dificuldades, mas o Olheiros mobilizou os seus colaboradores para trazer, pelo segundo ano consecutivo, as melhores e mais precisas informações sobre cada um dos aspirantes ao título da Copa São Paulo de Juniores de 2009.

Chegando à sua 40ª edição, a Copinha segue mobilizando todo o futebol brasileiro em janeiro e revelando grandes talentos, sua grande característica. Assim, o Olheiros dá o grande passo de uma cobertura que será enorme – antes, durante e depois da competição –, com boletins diários, especiais, colunas, previews, reviews, blog e o que mais pintar. Para acompanhar tudo sobre isso e até a cobertura da edição passada, basta acessar o
Olheiros!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008 em números

758

É o número de vezes que Sir Bobby Charlton vestiu a camisa do Manchester United, entre 1954 e 1973. O lendário jogador estava nas tribunas do Old Trafford quando Ryan Giggs igualou esta marca. A cereja do bolo foi o gol marcado por Giggs, que lhe garantiu o décimo título da Premier League, e o troféu da temporada 2007/08 para os Red Devils.

130

O número de jogos de Edwin Van der Sar pela seleção holandesa. A marca foi alcançada em 10 de novembro, em partida contra a Noruega pelas Eliminatórias para a Copa de 2010. O goleiro de 38 anos tornou-se não só o jogador mais velho a defender a Laranja, mas também o terceiro goleiro que mais vezes atuou por uma seleção, empatando o número do mexicano Jorge Campos.

83

Soma total de gols marcados por Rogério Ceni, em 839 jogos pelo São Paulo, ao longo de 18 anos de carreira no Tricolor. O maior goleiro artilheiro da história foi mais uma vez peça importantíssima na conquista do hexacampeonato brasileiro.

71

É o tempo, em anos, que se passou até que Alexander Frei se tornasse o maior artilheiro da história da seleção suíça. A marca de 37 gols foi alcançada ao fazer dois no amistoso ante Liechtenstein, em maio - vitória por 3 a 0. O atacante do Borussia Dortmund bateu assim o feito de Xam Abegglen, que entre 1922 e 1937 havia anotado 34 vezes.

59

Há exatos 59 anos, o Al Ahly conquistava seu primeiro título egípcio. Agora, alcançou seu quarto triunfo em seqüência e o 33º no total. Além disso, levantaram mais uma vez a Liga Africana e já possuem três vezes mais troféus nacionais que seu maior rival, o Zamalek.

48

É o tempo que se passou desde a primeira edição da Copa Libertadores. Em 2008, pela primeira vez na história, um time equatoriano levantou a taça: a LDU surpreendeu, bateu o Fluminense nos pênaltis e se tornou apenas o terceiro time de fora de Brasil ou Argentina a ser campeão nos últimos 17 anos.

44

Quarenta e quatro anos durou o jejum de títulos da Espanha. Ao conquistar a Euro 2008 de maneira convincente e terminar o ano liderando o Ranking da Fifa com larga vantagem e incrível série invicta, a Fúria acabou com a pecha de amarelona e recebeu o status de melhor seleção do planeta no momento.

31

O número de jogos que durou a invencibilidade do Standard Liége, que com isso levantou seu primeiro título belga em 25 anos. O grito de campeão foi solto no dia 20 de abril, com uma vitória de 2 a 0 sobre o Anderlecht.

23

O número de títulos conquistados por dois gigantes: Sir Alex Ferguson, no comando do Manchester United há vinte anos, e Oliver Kahn, o melhor goleiro alemão de todos os tempos, que se aposentou do Bayern de Munique e do futebol em 17 de maio.

18

Há exatos 18 anos, o Hoffenheim era um time amador que disputava a oitava divisão alemã. Agora, são a sensação do futebol europeu e terminaram o primeiro turno da Bundesliga na ponta - a primeira vez que um time vindo da segunda divisão consegue tal feito.

14

Faltam 14 gols para que Raúl ultrapasse a lenda Alfredo Di Stefano no número de gols marcados na Liga Espanhola. Di Stefano tem 227, e o maior artilheiro de todos os tempos, Telmo Zarra, 237. Raúl já é o maior artilheiro da história da Uefa Champions League.

8

Se o Hoffenheim subiu rapidamente, o Hull City precisou de oito anos para sair da última divisão do futebol inglês até a primeira. Os tigres, que completaram 104 anos de fundação em 2008, estão fazendo uma grande temporada, aparecendo na sexta posição, logo atrás do Arsenal.

É com estes números que o blog deseja a todos um feliz 2009, cheio de gols, pontos, cestas, aces, touchdowns, home runs, pole positions e tudo de melhor que pode existir!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Mete miedo

Do blog do Olheiros.

O sonho de todo garoto das categorias de base é fazer parte da equipe de profissionais. Mas, para ele entrar, alguém tem que sair do time. Pensando nisso, a Nike, patrocinadora do Boca Juniors, lançou uma série de comerciais na TV argentina.

Intituladas "mete miedo", as peças publicitárias mostram garotos da cantera xeneize intimidando atletas consagrados como Palacio, Battaglia, Ponzio e Hirsig. A idéia é trabalhar a ligação entre os grandes ídolos da equipe profissional e os garotos, nem sempre tão amistosa.

Os comerciais falam também do espírito de luta e da valorização das categorias de base, e funciona como um aviso às estrelas, que devem treinar e não podem se acomodar.

Confira:









Um feliz Natal a todos!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

De volta com o mata-mata!

Não, este não é um post para discutir pontos corridos versus mata-mata. É apenas uma brincadeira, que o amigo Filipe Lima iniciou no ano passado e dou continuidade agora. E se o Campeonato Brasileiro 2008 fosse decidido no mata-mata, como seria? Acompanhe a brincadeira.

A regra é simples: pega-se a classificação final do campeonato e arranja-se os oito primeiros na chave que era utilizada até 2002: 1º x 8º, 2º x 7º e assim por diante. Para sabermos os resultados, basta pegar os placares do primeiro e do segundo turno. Em caso de empate, prevalece a melhor campanha.

E aí, como seria?

Quartas-de-final

São Paulo (1º) x Goiás (8º)

Após uma arrancada espetacular, o São Paulo garantiu a primeira colocação e o direito de decidir todos os duelos em casa. No jogo de ida, polêmica pelo local do jogo, já que o Goiás havia perdido o mando de campo. Debaixo de muita chuva em Brasília, Borges apareceu, impedido, e deu a vantagem ao Tricolor. Na volta, Zé Luís abriu o placar logo a dois minutos de cabeça. Iarley empatou de pênalti aos 15 e já nos acréscimos da primeira etapa, em uma cobrança de falta na intermediária, Rodrigo chutou forte, a bola fez uma curva, foi no canto e Harlei não conseguiu alcançar. O São Paulo passou no sufoco, já que o Goiás pressionou muito durante o segundo tempo.

Goiás 0x1 São Paulo
São Paulo 2x1 Goiás

Grêmio (2º) x Botafogo (7º)

O Grêmio liderou boa parte do campeonato, mas acabou ultrapassado pelo São Paulo no fim. No primeiro jogo, no Engenhão, o Tricolor sentiu a saída repentina de Roger e foi derrotado por 2 a 0, com gols de Túlio e Zé Carlos, um em cada tempo. Na volta, o Bota abriu o placar aos 30 minutos e o garoto Douglas Costa empatou logo depois, batendo de fora da área. Aos 18 do segundo tempo, Réver aproveitou o escanteio e virou. Os donos da casa precisavam de mais um gol para se classificar, mas a partida seguiu em ritmo lento até o final.

Botafogo 2x0 Grêmio
Grêmio 2x1 Botafogo

Cruzeiro (3º) x Internacional (6º)

O Cruzeiro esteve na parte de cima da tabela o tempo todo, enquanto o Inter se dedicou também à Sul-Americana, terminando campeão. No primeiro jogo, vitória de um remendado Inter por 1 a 0, com gol de Gustavo Nery. Mas, no Mineirão, prevaleceu a qualidade do time azul e Gérson Magrão, que substituía Wagner, fez 1 a 0 logo a três minutos, passando por Clemer. Nilmar desperdiçou pênalti aos 39, para defesa de Fábio, e o gol da classificação saiu no início da segunda etapa, logo a dois minutos: Sorondo tentou cortar cruzamento de Guilherme e marcou contra.

Internacional 1x0 Cruzeiro
Cruzeiro 2x0 Internacional

Palmeiras (4º) x Flamengo (5º)

O duelo das equipes mais próximas da tabela foi o mais emocionante. Com grande atuação de Ibson e Kléberson, o Flamengo aplicou uma goleada de 5 a 2 no primeiro jogo e praticamente assegurou a passagem às semifinais, mas o Palmeiras pressionou muito no Parque Antárctica buscando três gols. Só conseguiu um, com Sandro Silva, aos 6 minutos do segundo tempo, e Luxemburgo saiu irritado de campo.

Flamengo 5x2 Palmeiras
Palmeiras 1x0 Flamengo

Semifinais

São Paulo (1º) x Flamengo (5º)

Se o Flamengo goleou nas quartas, foi goleado em pleno Maracanã na semifinal. O Flamengo pressionou desde o início, empurrado pela grande torcida, mas Borges novamente foi decisivo, marcando dois gols. Ibson também jogou bem, anotando os dois tentos Rubro-Negros, e o Fla foi para cima, mas Éder Luís fez o quarto já nos acréscimos. O jogo da volta foi tranqüilo para o SP, apesar da pressão carioca, que teve um gol bem anulado no começo. Aos 44min, Zé Luiz cruzou da direita e a bola sobrou livre para Dagoberto marcar para a equipe tricolor. O Fla se entregou e Hugo fechou o placar no segundo tempo, de cabeça.

Flamengo 2x4 São Paulo
São Paulo 2x0 Flamengo

Cruzeiro (3º) x Botafogo (7º)

O Botafogo continuou surpreendendo os favoritos e venceu apertado, na primeira perna, por 1 a 0: em um jogo fraco tecnicamente, Giuliano Bozzano marcou pênalti discutível de Thiago Heleno sobre Wellington Paulista e Lúcio Flávio converteu. Na volta, muita retranca de um Bota repleto de desfalques e o Cruzeiro fez o mínimo, vencendo por 1 a 0 também graças a um pênalti, convertido por Guilherme após falta de Leandro Guerreiro em Wagner.

Botafogo 1x0 Cruzeiro
Cruzeiro 1x0 Botafogo

Final

São Paulo (1º) x Cruzeiro (3º)

O São Paulo chegou à final como grande favorito, após a melhor campanha e quatro vitórias em quatro jogos no mata-mata. No Mineirão, o Cruzeiro começou pressionando, mas logo o São Paulo tratou de equilibrar o jogo. Aos 32, Jonathan recebe na área, em velocidade, e cruza para trás. Guilherme domina e bate de perna esquerda, a bola desvia e engana Rogério Ceni antes de entrar. O São Paulo voltou com duas mudanças para o segundo tempo. Richarlyson e Éder Luís entraram nos lugares de Zé Luís e Aloísio, que estavam com cartão amarelo. A mudança surtiu efeito. Com 36 segundos, Richarlyson achou Borges na área. O atacante driblou Leo Fortunato e tocou na saída de Fábio. A partir daí, o jogo ficou equilibrado e as duas equipes tiveram oportunidades para marcar mais gols.

Na volta, antes mesmo do jogo, o técnico Muricy Ramalho teve uma complicação de última hora para escalar o time. Ele não pôde contar com o goleiro Rogério Ceni que sofreu uma lesão muscular no treino do último sábado e teve de ser substituído por Bosco. Os são-paulinos se mostravam apreensivos, mas os 15 primeiros minutos de jogo foram completamente tricolores. Se o 0 a 0 no intervalo era preocupante, o início do segundo tempo foi desesperador, já que o Cruzeiro pressionava. Após muita tensão, a torcida pôde finalmente explodir: com 35min, após cobrança de escanteio de Jorge Wagner, o zagueiro André Dias subiu mais que a defesa do Cruzeiro para cabecear e marcar o gol que abriu a vitória. Já nos acréscimos, em cobrança de falta, Jancarlos deu números finais ao placar e a festa do hexa foi completa.

Cruzeiro 1x1 São Paulo
São Paulo 2x0 Cruzeiro

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um ano depois da final*

*Especial publicado no Olheiros, em conjunto com Dassler Marques.

Rio Branco e Figueirense, no dia 25 de janeiro no Nicolau Alayon, foi uma final surpreendente para a Copa São Paulo de 2008. Ao contrário do que se pode imaginar, entretanto, as duas equipes tiveram um desempenho destacado ao longo do certame, desmistificando a idéia de zebras comuns a torneios de mata-mata.

O ano todo se passou, porém, e praticamente nenhum menino vingou ao longo da temporada. É verdade que, para um torneio sub-18, seria realmente cedo para imaginar vôos longos e duradouros, mas poucos deram sinal de vida. As realidades envolvendo Figueirense e Rio Branco, contudo, foram distintas. O campeão catarinense ainda não lançou sua geração e atribui a isso uma das causas para a queda na Série A. O Tigre de Americana, por sua vez, protagonizou um verdadeiro desmanche de sua talentosa equipe.

Atento, o Olheiros mostra, nas linhas abaixo, os diferentes rumos que levaram os jogadores finalistas da Copinha de 2008. (Dassler Marques)

Figueirense: meninos no forno

O ano que começou feliz para a torcida do Figueirense acabou negro. Rebaixado para a Série B onde não atua desde 2001, o clube ainda viu o maior rival, Avaí, chegar à elite. Diferentemente de muitos que acabam sendo degolados, o Figueira não expôs sua garotada de ouro, e a maioria segue no Orlando Scarpelli e é considerada a salvação para a temporada de 2009.

Ao contrário do que se pode imaginar, o não aproveitamento de Talhetti e companhia no elenco profissional não foi algo programado. Pelo contrário. Dentro do Figueirense, é consenso a idéia de que faltou utilizar os meninos para tentar salvar a equipe na Série A, mas a passagem de vários treinadores ao longo do Campeonato Brasileiro (Gallo, Guilherme Macuglia, PC Gusmão, Mário Sérgio e Pintado) não ofereceu um terreno seguro para que fosse feita uma transição.

O Campeonato Brasileiro Sub-20 que ainda é disputado no Rio Grande do Sul foi um aquecimento para Marquinhos Júnior, Marcelo (foto acima), Talhetti, Gustavo, Luís Eduardo e Edson Galvão, alguns dos que devem integrar o elenco profissional na Série B de 2009. Ainda que tenham ficado na primeira fase – avançaram Ipatinga e Palmeiras -, os meninos do Figueira saíram invictos: uma vitória e três empates.

As grandes baixas em relação ao time campeão da Copa São Paulo de 2008, no momento, defendem as cores do Porto, em Portugal. O habilidoso lateral-esquerdo William Massari e o zagueiro Rafhael Oliveira estão emprestados aos Dragões até o fim da temporada européia, e atualmente jogam nas categorias de base. Massari vem tendo seu desempenho bastante comentado e é, da dupla, quem pinta melhor na Terrinha até aqui.

Em entrevistas recentes, o treinador Pintado, confirmado para 2009, ressaltou a idéia de aproveitar muitos meninos da geração campeã no seu elenco para a Série B. Além de todos os nomes que foram com Rogério Micalle para o Brasileiro Sub-20, o lateral-direito Luan, o atacante Franklin e mais um ou outro nome devem ser pinçados. O ano que vem será hora, definitivamente, da meninada alvinegra sair do forno. (Dassler Marques)

Rio Branco: desmanche total

A Copa São Paulo deste ano foi a última competição disputada pelo Rio Branco com o clube no comando do departamento de futebol, que agora é terceirizado e totalmente gerido por uma empresa de gerenciamento de atletas. Antes mesmo de a bola rolar, o destino de alguns dos principais jogadores de uma das maiores geração da história do Tigre já estava selado: cinco garotos haviam sido negociados com o empresário Delcir Sonda e, dependendo do desempenho da equipe na Copinha, seriam colocados neste ou naquele clube. Veio o vice-campeonato e, com isso, o desmanche da equipe.

O volante Lucas Vieira, que começou o torneio como titular e candidato a craque, foi negociado com a base santista, junto com os atacantes Índio, reserva e mais jovem do grupo, e Izac, titular na final. Enquanto os dois primeiros continuam na Baixada, mas não participaram da campanha do título do Paulista Sub-20, Izac foi dispensado pelo técnico Narciso. Já Denis, lateral-esquerdo e um dos principais nomes do time, foi para o Atlético Paranaense e fez parte do grupo campeão da 49ª Copa Tribuna de Futebol Júnior.

Felipe, grande destaque da Copinha e vice-artilheiro com sete gols, permaneceu no clube e disputou algumas partidas da Série A-2. Negociado com o Palmeiras, foi muito bem na 1ª Porto Seguro Cup mas não apareceu tanto no Paulista Sub-20, marcando apenas dois gols. Ficou de fora do grupo que disputa o Brasileiro Sub-20, ao contrário de Danilo, apelidado em Americana de “Peito de Aço”. O meio-campista, também negociado com o Palmeiras, marcou três vezes no estadual e foi titular no nacional da categoria, disputado no Rio Grande do Sul, marcando o gol da vitória sobre o Fluminense na primeira fase.

Negociados também foram o atacante Thauan, titular das primeiras partidas, que também está no Palmeiras, mas com menos oportunidades, e o goleiro Alisson, bastante criticado na cidade. Clube e empresário não chegaram a um acordo e o catarinense de 1,98m foi para o Grêmio, onde é reserva de Fernando Júnior e Matheus.

Dos titulares daquela campanha, permanecem no Décio Vitta o lateral-direito Bruno, o meia Tiago Silva e o atacante Hélerson. Os dois últimos sofreram com contusões e disputaram algumas partidas tanto da Série A-2 quanto da Copa Paulista. O primeiro foi capitão do Tigre no Paulista Sub-20, mas a equipe foi eliminada logo na primeira fase. Tiago Silva, inclusive, é nome certo para brigar por posição na Série A-2 que começa em janeiro. Jean e Iago, atacantes que também fizeram parte do grupo, também continuam treinando em Americana. (Maurício Vargas)

Ficha técnica: Rio Branco-SP 0 x 2 Figueirense

Local: Nicolau Alayon, em São Paulo (SP).
Data: 25/01/2008 (sexta-feira).
Arbitragem: Welton Orlando Wohnrath, auxiliado por Cláudio Roberto da Costa e Reinaldo Rodrigues dos Santos.
Cartões amarelos:Talhetti (Figueirense); Rafael Santos, Alisson (Rio Branco).
Gols: Marcelo, aos 36’/1° tempo, Marquinhos, aos 23’/2° tempo (Figueirense).

Rio Branco
Alisson; Bruno, Rafael Santos, Vander e Denis; Thiago Melo (Joãozinho), Felipe, Danilo e Thiago Silva (Índio); Isaac (Thauam) e Hélerson.
Técnico: Marcos Sartore.

Figueirense
Gustavo; Rafael, Luis Eduardo e William; Júlio, Ricardo, Edson Galvão, Talhetti (Franklin) e Massari; Marcelo (Roberto) e Marquinhos (Jeferson).
Técnico: Rogério Micalle

domingo, 14 de dezembro de 2008

Crise de identidade*


*Publicado originalmente no Olheiros

Qual a posição mais carente do futebol brasileiro atualmente? Pode-se dizer com certa razão que são os centroavantes, ou ainda os meias de mais toque de bola e menos firula ou correria. Mas a maior carência, hoje, é sentida até – e principalmente – na seleção brasileira. Deparei-me com ela quando preparava o especial dos nomes para o Sul-Americano Sub-20: a posição mais ausente de nomes, no Brasil é a lateral. Mas... De quem é a culpa?

Poderia ser uma entressafra ou uma crise técnica dos principais nomes, mas é difícil acreditar que Maicon, por exemplo, possa jogar muito mais do que tem feito. E nenhuma entressafra dura mais de dez anos. Afinal, Cafu e Roberto Carlos, mesmo sempre questionados, perduraram intocáveis no onze inicial brasileiro por três Copas do Mundo. A verdade é uma só: o Brasil não tem laterais decentes e a culpa é do trabalho de base mal feito.

Explico. Falei em minha coluna inicial aqui no Olheiros do mal que faziam os técnicos que prendiam garotos a esquemas táticos pré-definidos e limitavam as oportunidades de evolução em uma fase da vida onde a posição em campo pode não ser a definitiva – vide os tantos casos de jogadores que começaram como atacantes e terminaram como volantes, por exemplo. Da mesma forma, o caminho inverso acontece: o problema está na seleção dos meninos e na maneira como se treina.

Historicamente, o futebol brasileiro se caracterizou pela obediência quase ignorante a fórmulas que dão certo. É por isso que o 4-2-2-2 de décadas atrás continua sendo tão utilizado por aqui. Igualmente, o 3-5-2 que garantiu o quinto título mundial tem milhares de adeptos no mundo inteiro, mas quase todos seus seguidores vivem e trabalham no maior país da América do Sul. Basta ver que, dos cinco primeiros colocados do Brasileirão, apenas o Cruzeiro teve quatro zagueiros durante toda sua campanha.

A partir daí, a fórmula de sucesso do São Paulo vai sendo copiada e admirada. Mas a questão é que o futebol brasileiro é muito refém de suas engessadas formações táticas, e não evolui como o sistema de jogo mundial. Não cansa insistir: os laterais brasileiros são os únicos no mundo que não possuem uma identidade em campo. Não sabem qual sua função principal: atacar ou defender? E fazer ambos com 100% de eficiência é impossível.

Por isso, a idéia de laterais ofensivos é embutida na cabeça do olheiro e do treinador da base. Garotos com essas características é que são selecionados, e se destacam nas categorias inferiores por sua “velocidade, habilidade e chegada ao ataque”. É claro. São meias, pontas, atacantes. Não laterais. E aí, a imagem do “ala” surge com força. Basta ver a qualidade de todos os laterais premiados no final do campeonato brasileiro: todos “alas” de suas equipes que jogam com três zagueiros.

Mas jogam com três zagueiros por quê? Para cobrir a subida dos alas, que não marcam. Ou seja: o futebol brasileiro está preso a uma posição que não possui jogadores bons. Ou pior ainda: uma posição que não existe. Porque se os laterais que surgem da base tivessem características defensivas, ou ainda mais equilibradas, bons no apoio mas também na marcação, poder-se-ia criar linhas eficientes de quatro defensores que, com organização tática, poderiam surpreender. Mas a maioria não sabe sequer cruzar...

Basta ver o caso dos irmãos Da Silva: enquanto Fábio, lateral-esquerdo, se destacou na seleção sub-17 pela força ofensiva, agora é Rafael, que sempre foi menos atrevido, que recebe elogios da imprensa inglesa. É fato que Fábio passou por uma cirurgia e não teve as mesmas oportunidades, mas este é o caso típico: os laterais brasileiros que se destacam vão para a Europa e viram, grande parte das vezes, meias esternos, como foi com Mancini. Difícil entender a razão?

Uma alternativa seria escalar esses jogadores no meio-campo, exatamente como esternos. Mas não é da cultura do futebol tupiniquim jogar com duas linhas de quatro e, pelo jeito, nunca será. E o meio perderia meias de verdade, diriam os puristas. Enquanto isso, treinadores montam equipes de base no 3-5-2 para “aproveitar o poder ofensivo dos laterais”.

E assim são criados jogadores medianos, que possuem velocidade, um pouco de habilidade e nada mais. Surgem coringas, como tem sido mais e mais comum, de laterais que também são volantes ou até quebram um galho de zagueiros. Ao mesmo tempo, Fábio Aurélio tem feito partidas excepcionais pelo Liverpool atuando exatamente da maneira que se espera de um lateral. Mas ele é tímio no apoio, não deverá ser notado.

Enquanto isso, permanece a idéia de que Roberto Carlos e Cafu tiveram grandes reservas de luxo, como Felipe, Athirson, Cicinho, Gilberto, Juan Maldonado ou Leonardo Moura, quando foram eles, na verdade, duas exceções em uma regra cada vez mais sacramentada: o Brasil não consegue produzir bons laterais, e a culpa é exatamente de quem deveria solucionar o problema: as categorias de base.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Brasileirão - 100%


É um post enorme. Mas convido a todos a lerem até o final, e comentarem. Vamos à análise final do Campeonato Brasileiro, passando primeira por uma rápida olhada nas últimas três rodadas, para depois falarmos do campeonato todo.

Melhores: Figueirense, Cruzeiro, São Paulo
Piores: Atlético-MG, Ipatinga, Flamengo

O Figueirense foi o melhor da reta final, vencendo as três partidas, o que não foi suficiente para escapar do rebaixamento – o time caiu devido ao péssimo saldo de gols (-24), empatando em pontos e vitórias com o Náutico. O São Paulo tropeçou em casa diante do Fluminense e chegou à última rodada podendo perder o título, mas o Grêmio foi goleado para o Vitória e a diferença que era de dois pontos terminou em três. O Cruzeiro, com duas vitórias e um empate, saiu de uma ameaçada quarta colocação para o tranqüilo terceiro lugar, garantido a vaga na fase de grupo da Libertadores.

O Flamengo, por outro lado, somou apenas um ponto – perdeu fora para Cruzeiro, adversário direto, e Atlético-PR, e só empatou em casa com o Goiás após estar vencendo por 3 a 0. Com isso, pegou apenas a Sul-Americana, graças ao fator Caio Júnior. Impressionante como o técnico conseguiu vaga na Libertadores com o Paraná Clube, mas não repetiu o feito com Palmeiras e Flamengo. O Atlético-MG, apenas cumprindo tabela, também só somou um ponto, além do Ipatinga, que mesmo se tivesse vencido as três, teria caído.

Em um período de poucas mudanças, os quatro times da zona do rebaixamento na 25ª rodada acabaram caindo. Quem mais subiu foram Figueirense e Botafogo (duas posições cada), e que mais caiu foram Flamengo, Goiás, Atlético-MG e Santos (também duas). Com essa queda, o Flamengo foi o único time a alterar sua condição nas últimas três rodadas – cedeu o lugar no G-4 para o Palmeiras.

O Brasileirão 2008 em números

Melhor ataque
2007 - Cruzeiro (73 gols)
2008 - Flamengo (67)

Melhor defesa
2007 - São Paulo (19)
2008 - Grêmio (35)

Pior ataque
2007 - América-RN (24)
2008 - Ipatinga (37)

Pior defesa
2007 - América-RN (80)
2008 - Figueirense (73)

Artilheiros
2007 - Josiel (PAR): 20 gols
2008 - Kléber Pereira (SAN), Keirrison (COT) e Washington (FLU): 21 gols

O Campeonato Brasileiro de 2008 pode ser separado em três períodos distintos. O primeiro, até a 13ª rodada, quando o Flamengo despontou e liderou em dez delas; o segundo, da 14ª a 26ª rodada, quando o Grêmio assumiu a liderança, terminou o primeiro turno na frente com recordes de desempenho, chegando a abrir seis pontos para o segundo colocado; e o terceiro, da 27ª até a última rodada, quando a disputa ficou embolada entre cinco equipes e, finalmente, o São Paulo tomou a ponta graças a um segundo turno impecável.

Esta, obviamente, a análise da parte de cima da tabela. Se olharmos para baixo, percebemos a presença constante do Ipatinga na zona de rebaixamento, apesar de a equipe ter demonstrado muita garra durante todo o torneio, caindo apenas na penúltima rodada. Da mesma forma, a Portuguesa esteve acima da 10ª colocação apenas em duas oportunidades e jogou um futebol até convincente na reta final, mas as falhas defensivas falaram mais alto e o time também caiu na 37ª.

Gols

Um campeonato que prometia muito, com até seis ou sete times candidatos reais ao título, demorou para engrenar: a média de gols do primeiro turno chegou a bater em 2,2 por partida, e nunca esteve acima dos três. A disputa pela artilharia, ao menos, foi mais movimentada e teve mais protagonistas, chegando ao recorde de três chuteiras douradas ao final da competição. Mas o número de gols acabou devendo mais uma vez.

A quarta rodada foi a que teve menos gols, com apenas 16 – foram apenas dois 0 a 0, mas os dois jogos com mais gols tiveram três cada. Na 35ª, por outro lado, 41 gols foram marcados e apenas Sport e Internacional não balançaram as redes. Tivemos várias goleadas por 5 a 0, 4 a 0, mas a maior do campeonato foram os 7 a 1 do Grêmio sobre o Figueirense em pleno Orlando Scarpelli. A segunda maior, Vasco 6x1 Atlético-MG, na 16ª. Mas o jogo com mais gols foi outro: logo na primeira rodada, Portuguesa e Figueirense empataram em 5 a 5.

Sobe e desce

Além de Flamengo, Grêmio e São Paulo, o Palmeiras liderou por duas rodadas, e o Náutico foi o primeiro na segunda rodada. Quinze equipes estiveram na zona de rebaixamento em algum momento do campeonato, ainda que algumas tenham aparecido nas primeiras rodadas, o que é natural devido à prioridade para Libertadores e Copa do Brasil: apenas Cruzeiro, Flamengo, Botafogo, Grêmio e Internacional nunca visitaram o G menos 4.

Dando uma rápida olhada na tabela no fim do primeiro turno e a classificação final do campeonato, percebemos que quem mais subiu posições foram Fluminense e Goiás: ambos galgaram cinco degraus na classificação. O Figueirense, por sua vez, despencou seis postos para chegar à zona do rebaixamento. A Portuguesa caiu cinco, mas foi quem menos pontuou no segundo turno: apenas três vitórias e 16 pontos conquistados, enquanto o São Paulo sobrou e marcou 42, com uma derrota somente no início do returno.

Destaques individuais

Marcinho era o nome do campeonato até ser negociado e o Flamengo despencar. No primeiro turno, ninguém jogou tanto quanto Marquinhos, revelação do Vitória e do torneio. Na frente, Alex Mineiro, Kleber Pereira e Guilherme disputavam a artilharia gol a gol, enquanto Victor segurava o Grêmio na liderança. Na reta final, Keirrison e Washington alcançaram e até ultrapassaram alguns de seus adversários, e Borges marcou oito gols nas últimas seis rodadas para levar o São Paulo ao hexacampeonato.

No meio-campo, quem jogou demais foi a dupla de volantes gremistas, William Magrão e Rafael Carioca – especialmente o segundo, já negociado com o futebol russo. Ramires consolidou o status de grande jogador sendo um dos principais nomes do Cruzeiro. No Palmeiras, momentos esporádicos de brilho de marcos, Leandro, Diego Souza e Kleber, e um time instável que não conseguiu se segurar na ponta.

Os goianos mantiveram a tradição de grandes campanhas no segundo turno graças principalmente à sua dupla de alas: Vitor pela direita e Júlio César pela esquerda marcavam gols com a mesma freqüência com que serviam seus companheiros. O Atlético-MG teve em Leandro Almeida e Renan Oliveira mais uma prova de que precisa apostar mais na base. Dentre os rebaixados, destaque para Madson, que quase conseguiu salvar o Vasco sozinho, Adeílson, bom atacante do Ipatinga, e Athirson, que voltou ao Brasil mostrando um futebol razoável. A Portuguesa teve ainda em Edno um nome a ser lembrado.

Tática

Este é um assunto que pretendo há tempos abordar com mais profundidade: quando o 4231 se torna o esquema da moda na Europa e o 433 volta com força, o Brasil continua refém do 352. Sem meias de qualidade, os laterais velozes e nem sempre bons no cruzamento ou na finalização deixam a função de marcar de lado e formam a base da maioria dos times do campeonato. Dos cinco primeiros, apenas o Cruzeiro não jogou com três zagueiros – o Palmeiras adotou o esquema em algumas oportunidades.

A variação do popular 3421 para um 3142, com um volante de contenção e uma linha de meio-campo com volantes que saem para o jogo ou meias de menor qualidade deram o tom – foi assim com São Paulo, adaptação perfeita de Muricy, e Flamengo. O Grêmio teve, na figura de Tcheco, um esboço de camisa 10, mas quem brilhou foi a dupla Rafa Carioca e Magrão. Dos rebaixados, apenas a Portuguesa não tinha o esquema com três zagueiros como principal, ainda que na busca pelo resultado todos os técnicos tenham alternado bastante.

Seleção

Por fim, deixo a minha seleção do campeonato. Um campeonato que provou que nem sempre é preciso ter um elenco forte – afinal, o São Paulo foi campeão sem reservas de qualidade. Que provou que ser o campeão do turno não garante nada, contrariando a história recente – o Grêmio que o diga. E mostrando que planejamento nada mais é que tomar consciência de suas possibilidades, não cometer loucuras nas contratações e treinar exaustivamente. Ainda que treino continue sendo treino, e jogo continue sendo jogo.

Victor (Grêmio)

Vitor (Goiás)
André Dias (São Paulo)
Rever (Grêmio)
Juan (Flamengo)

Rafael Carioca (Grêmio)
Ramires (Cruzeiro)
Hernanes (São Paulo) - o craque do campeonato
Alex (Internacional)

Keirrison (Coritiba)
Washington (Fluminense)


Técnico: Muricy Ramalho (São Paulo)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Seleção da 38ª rodada

Trazemos hoje a seleção da 38ª rodada. Ainda esta semana, a análise final do Brasileirão e a seleção de todo o campeonato.

Renan (BOT): Várias defesas cara a cara, fez milagres o jogo todo.

Felipe Mattioni (GRE): Iluminado, sofreu o pênalti logo após entrar em campo. Jogou bem.
André Dias (SAP): Outra partida de muita aplicação, garra e marcação perfeita.
Welton Felipe (ATM): Apesar da derrota, ganhou a maioria das divididas e deu trabalho aos atacantes gremistas.
Fernandinho (CRU): Se não foi grande coisa no jogo, ao menos converteu dois gols de pênalti.

Richarlyson (SAP): Surpreendeu pela disposição, marcando Paulo Baier muito bem em uma função à qual não estava mais tão acostumado.
Ramires (CRU): Buscou o jogo o tempo todo e chegou com velocidade ao ataque, levando perigo.
Lúcio Flávio (BOT): Duas bolas na trave, participação no gol e comando da equipe o tempo inteiro.
Tcheco (GRE): Ditou o ritmo gremista, deu belos passes e fez um gol importante.

Borges (SAP): Chato, brigador e a cara dos atacantes são-paulinos: bem no pivô, melhor ainda nas finalizações.
Wilson (SPO): Oportunista, mostrou faro de gol e bom posicionamento para marcar três vezes.

Técnico: Geninho (ATP): A missão nem era tão difícil, mas o Atlético entrou bem postado, com vontade e goleou o Flamengo, escapando do descenso e se classificando para a Sul-Americana.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Colunas da semana

Confira as colunas desta semana:

Na Trivela, o Grasshopper tem o melhor início de campanha em anos, mas a crise financeira mundial pode trapalhar a seqüência. (
Confira na coluna Futebol Alpino)

No Olheiros, a eleição de Maurício Assumpção é a promessa de que o Botafogo voltará a ser um clube revelador de talentos. (
Confira na coluna Ponto Futuro)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Seleção da 37ª rodada

Marcos (PAL): Principal responsável pelo time não ter sido derrotado em Salvador.

Bustos (INT): Antes de se machucar, foi muito perigoso no ataque. Fez o cruzamento para o gol de Gustavo Nery.
Thiago Silva (FLU): Absoluto na zaga, só bobeou no lance do gol.
André Dias (SAP): Mais uma aula de cobertura, posicionamento e marcação.
Tiago Feltri (FIG): Muito veloz pela esquerda, aproveitou os buracos e marcou o gol de empate.

Rafael Carioca (GRE): Soberbo na marcação e na saída de bola, é o pulmão e o cérebro do time gremista.
Arouca (FLU): Correu sem parar e criou as principais oportunidades do Fluminense no primeiro tempo.
Marquinho (FIG): Cruzamento para o primeiro gol, infernizou a defesa do Botafogo.
Paulo Baier (GOI): Jogou muito no segundo tempo. Comandou o time e guardou o seu de pênalti.

Leandro Amaral (VAS): Acordou do sono em que estava nas últimas partidas, brigou e fez dois importantes gols.
Marcel (GRE): Principal responsável pela virada gremista com seu oportunismo e faro de gol.

Técnico: René Simões (FLU): Sua chegada modificou profundamente o estilo de jogo do Flu. Jogou bola para ganhar do São Paulo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Justiça!




E não foi pênalti.

Poucas vezes vi polêmica tão grande em torno de algo nada polêmico. Vi o lance ao vivo e em nenhum momento me pareceu pênalti - sob nenhum ângulo. Léo Fortunato SEQUER toca em Tardelli.

A resposta que me chega é que a maior parte da imprensa esportiva, na necessidade de atrair a atenção, veste a camisa dos times mais populares como o Flamengo, cujos dirigentes (leia-se Kléber Leite e Márcio Braga) tendem a inventar polêmicas para mascarar seus erros.

Infelizmente, mais uma vez a maioria da imprensa embarcou. O inacreditável é que a CBF até puniu Simon - e ele estava certo desde o começo! E pra completar, Fábio Luciano e Diego Tardelli não foram punidos. Impressionante!

Às vezes, chego a achar que as leis da Física mudaram. Na maioria dos lances polêmicos onde o pênalti não é marcado, tendo a concordar com o árbitro. Porque não são pênaltis. Porque a regra é a regra. E porque poucos a conhecem.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Seleção da 36ª rodada


O São Paulo praticamente garantiu o título, mas a briga pelas vagas remanescentes na Libertadores e a fuga do descenso continuam emocionantes! Confira a seleção da 36ª rodada do Brasileirão 2008:

Fábio (CRU): Seguro quando exigido, não teve culpa nos gols e fez duas grandes defesas.

Fabinho Capixaba (PAL): Esteve bem no apoio, discreto na marcação.
André Dias (SAP): Apesar da tarde são-paulina abaixo da média, demonstrou com eficiência como se cobre os espaços e marca à distância.
Thiago Silva (FLU): O melhor em campo na vitória tricolor. Absoluto na marcação, ganhou todas.
Jorge Wagner (SAP): Um gol de falta e uma assistência. Discreto, a cara do estilo de jogo do São Paulo.

Pierre (PAL): Tem sido o melhor do time nas ausências seguidas de Kleber. Muita garra e um gol.
Ramires (CRU): O de sempre: disposição, marcação, qualidade no passe e habilidade na frente. Fez um gol de matador.
Madson (VAS): Em um elenco tão fraco, se sobressai. Ainda assim, corre muito, luta o tempo todo e tem alguma qualidade.
Marlos (COT): 

Keirrison (COT): Melhor atuação individual do campeonato. Quatro gols em um jogo pela primeira vez no Brasileirão 2008.
Kléber (PAL): Com ele em campo, a garra do time é outra. Luta, briga e invariavelmente guarda o seu.

Técnico: Muricy Ramalho (SAP): Agüentou a pressão, teve tranqüilidade e, mesmo jogando mal, conseguiu sair com a vitória.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Brasileirão - 90%


Faltando três rodadas para o final do campeonato, os candidatos ao título e ao rebaixamento diminuíram desde nossa última análise - mas nem por isso a disputa está menos emocionante. Enquanto São Paulo e Grêmio polarizam a briga pelo caneco, sete equipes ainda lutam contra o descenso. Vamos a última análise antes do final do campeonato.

Melhores: São Paulo, Atlético-PR e Atlético-MG
Piores: Botafogo, Figueirense e Vitória

Altos...

O São Paulo mostrou o que é ser chamado de "time de chegada" e venceu as últimas cinco partidas - a última vez que perdeu pontos foi no clássico com o Palmeiras, quando estava a dois pontos do Alviverde. Hoje, a diferença é de sete a favor do Tricolor.

Desde o início das análises, o São Paulo foi o único a vencer as quatro partidas de um mesmo período. Melhor que isso, apenas o Botafogo da virada de turno, que venceu seis jogos seguidos. Além do entrosamento que veio pela definição de uma equipe titular em um sistema coeso, o nome da arrancada é Borges: o atacante fez seis gols nas últimas três partidas.

Quem também subiu bastante foi o Atlético-PR, impulsionado principalmente por Alan Bahia, o líder da equipe, e Rafael Moura, que finalmente parece ter aprendido a fazer gols. O time que sofria pela falta de pontaria começou a marcar e foi quem mais subiu nas últimas rodadas: quatro posições, da 18ª para a 14ª. Já o Galo, impulsionado pela liderança de Leandro Almeida e a habilidade de Renan Oliveira (dois meninos), venceu três seguidas e chegou a uma digna 10ª colocação.

O Palmeiras arrancou uma suada vitória sobre o Santos na Vila, mas a derrota em casa no confronto direto para o Grêmio, seguida da goleada no Maracanã, resultaram em reclamações da torcida e ataques a Luxemburgo e à diretoria. Dentro de campo, um time mal escalado e jogadores completamente perdidos, especialmente na defesa.

Com isso, Grêmio e Flamengo se aproveitaram e, enquanto o tricolor gaúcho segue firme na briga pelo título, o Rubro-Negro se vê com boas chances de garantir uma vaga na Libertadores. O Cruzeiro, por sua vez, permanece oscilando e sendo goleado com a mesma facilidade que goleia. Na próxima rodada, confronto direto com o Fla no Mineirão pode definir a sorte de todos os cinco primeiros.

...e baixos

Chama a atenção a disparidade de desempenho das equipes que ainda buscam algo no campeonato, daquelas que apenas cumprem tabela. O Botafogo perdeu as quatro últimas partidas, enquanto o Vitória fez apenas um ponto. Inter, Santos, Sport e Coritiba tiveram performances irregulares, somando quatro pontos cada.

Por outro lado, o Figueirense somou apenas um ponto nas últimas quatro rodadas - justamente no jogo mais difícil, diante do Grêmio no Olímpico - e está em situação desesperadora. Mesmo que vença o Náutico num jogo de seis pontos, chegará à penúltima rodada na zona de rebaixamento. E mesmo o Ipatinga, que conseguiu duas vitórias sobre os desinteressados Sport e Coritiba, precisa de um milagre: pega o Palmeiras no Palestra e, se perder, estará rebaixado.

Com oito pontos, o Náutico deu uma boa subida e respira, mas ainda corre riscos . se vencer o Figueirense fora, afunda o rival e se livra. As contas mostram que, com 44 pontos, é muito provável que qualquer time escape. Até por isso, o Vasco, que somou sete, precisa desesperadamente vencer as duas que faltam em casa, diante de São Paulo e Vitória. A torcida espera reviver 2004, quando o time venceu o Atlético-PR, escapou da degola e tirou o título do Furacão. Por fim, o Flu voltou a vencer e tem boas chances de escapar. A Lusa tem dois jogos fáceis em casa e, pelo futebol que tem demonstrado, deve escapar.

Abaixo, as estatísticas do período e a seleção da 35ª rodada.

Melhor ataque
2007 - Cruzeiro (71 gols)
2008 - Flamengo e São Paulo (62)

Melhor defesa
2007 - São Paulo (15)
2008 - Grêmio (30)

Pior ataque
2007 - América-RN (24)
2008 - Ipatinga (35)

Pior defesa
2007 - América-RN (71)
2008 - Figueirense e Vasco (68)

Artilheiros
2007 - Josiel (PAR) e Acosta (NAU): 19 gols
2008 - Kléber Pereira (SAN): 21 gols

Seleção da 35ª rodada

Fernando (IPA): Fez grandes defesas no segundo tempo, garantindo a vitória.

Joílson (SAP): Aproveitou a marcação fraca e foi bastante ao ataque. Deu o passe para o gol de Hugo.
Fábio Luciano (FLA): Seguro na defesa, participou decisivamente em dois gols.
Leandro Almeida (ATM): Um líder dentro de campo, apesar da pouca idade. Grudou em Leandro Amaral e fez dois de pênalti.
Jorge Wagner (SAP): Marcou bem e deu mais um de seus cruzamentos açucarados para Borges abrir o placar.

Aírton (FLA): Deu estabilidade ao meio-campo e cobertura à defesa.
Kléberson (FLA): Assistências em três lances e o quarto gol. Sua melhor atuação desde 2002.
Ibson (FLA): Fez gol de rebote, de letra e de primeira. Ainda participou do gol de Kléberson. Tarde de craque.
Paulo Baier (GOI): Fez os três da vitória sobre o Botafogo – um deles um golaço de prima.

Gilmar (NAU): Dois gols na inesperada goleada do Timbu sobre o Cruzeiro. Deu muito trabalho à defesa.
Borges (SAP): Cresceu na reta decisiva, simbolizando a arrancada final do Tricolor.

T.: Caio Júnior (FLA): Plantou Aírton à frente da zaga e montou uma linha de quatro no meio – esquema parecido com o do São Paulo. Foi muito feliz nas apostas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O artilheiro da Europa



Cristiano Ronaldo? Messi? Ibrahimovic? Fernando Torres? Anelka? Não, nenhum destes.

O artilheiro da Europa neste início de temporada é Marc Janko, austríaco de 25 anos que defende desde 2005 o Red Bull Salzburg. O desconhecido atacante alcançou neste meio de semana a incrível marca de 22 gols em 17 rodadas da Bundesliga (foram doze nos últimos quatro jogos). A média é de 1,29 gols por jogo, já que Janko na verdade disputou 16 partidas - ficou de fora apenas da vitória sobre o Altach, time de Zé Elias, na terceira rodada. Detalhe: apenas dois gols foi de pênalti.

Os números deste vienense impressionam. Nos 16 jogos em que atuou, marcou quatro gols em duas oportunidades e três em outras três. Quando entrou em campo, Janko só não balançou as redes seis vezes. E apesar de seus 1,95m, não foram apenas gols de cabeça. Arrancadas, chutes de longa distância, voleios, rebotes. Janko marca de qualquer jeito. E já fez quatro a mais que se companheiro de equipe, o veterano Alexander Zickler, marcou em 2007/08, quando terminou na artilharia com 16.

Seus 22 gols respondem por 48% dos 45 tentos marcados pelo Red Bull, líder do campeonato, até aqui.

Somadas três partidas pela seleção austríaca nas Eliminatórias para a Copa de 2010, mais dois gols entram na conta - um deles na surpreendente vitória por 3 a 1 sobre a França, na estréia. Com mais uma partida contra o Sevilla pela Copa da Uefa, o total de Janko na temporada até aqui são 24 gols em 20 jogos - média de 1,2. Perto dele, o bósnio Vedad Ibisevic tem 13 gols marcados em 12 rodadas da Bundesliga alemã. Os números são melhores até do que no Campeonato Russo, onde Vágner Love marcou 17 em 28 rodadas.

Não à toa, clubes de centros europeus maiores já o assediam. Até o momento, já ligaram para Salzburg querendo saber o preço do jogador Tottenham, Sunderland, Hull City, Middlesbrough, Roma, Everton, La Corunã, Racing Santander, Celtic e Hertha Berlim. A resposta foi animadora: Janko tem contrato até 2011 e a multa está estipulada em 2,5 milhões de euros, mas como ele já cumpriu três anos de contrato, pode sair por um valor bem menor, equivalente aos salários que teria de receber até o fim do vínculo.

Com clubes grandes como Chelsea, Barcelona e Real Madrid precisando de centro-avantes para compor o elenco, não será difícil vê-lo mudando de ares já no meio do ano. Pode ser que, inicialmente, para equipes de menor expressão, afinal o campeonato austríaco não é lá dos mais fortes. Mas números como estes não podem ser desprezados.

Confira os gols de Janko jogo-a-jogo pela Bundesliga austríaca:

Red Bull Salzburg 6x0 Mattersburg (3)
Rapid Vienna 2x2 Red Bull Salzburg (2)
Red Bull Salzburg 1x0 LASK Linz (1)
Austria Vienna 3x2 Red Bull Salzburg (1)
Sturm Graz 2x2 Red Bull Salzburg (1)
Red Bull Salzburg 3x1 Sturm Graz (2)
SCR Altach 3x4 Red Bull Salzburg (4)
Red Bull Salzburg 7x3 SV Kapfenberg (4)
Red Bull Salzburg 5x1 Austria Vienna (3)
SV Ried 2x2 Red Bull Salzburg (2)

Saiba mais sobre o futebol austríaco na coluna Futebol Alpino da Trivela.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Avalanche tricolor

Foi tricolor o final de semana do Campeonato Brasileiro. Enquanto o São Paulo mostrou novamente a força do conjunto ao sair de uma situação complicada - por mais que, ironicamente, Borges tenha brilhado em um time sem destaques solo -, o Grêmio superou os desfalques e um Palmeiras carente de inteligência, criatividade e comando.

Por mais que se dê repercussão exagerada ao caso Marcos-Luxemburgo (que, para quem foi ao estádio, percebeu que nada aconteceu, afinal a torcida em nenhum momento ficou contra o técnico, como se quer fazer crer), o que decidiu o jogo foi mesmo a ausência de Kléber, em maior porcentagem, e de Diego Souza. Não ter alguém capaz de carregar a bola e enfrentar a forte e dura defesa gremista foi um preço muito caro a se pagar - e que custa a briga pelo título.

Ao que parece, teremos agora a repetição de 2007, com o São Paulo administrando a vantagem (coisa que sabe fazer muito bem) e os outros brigando pelo vice-campeonato.

Abaixo, a seleção da 34ª rodada:

Bruno (FLA): Fez no mínimo quatro defesas difíceis

Wagner Diniz (VAS): De volta à boa forma, levou perigo constante nas costas de Kleber, jogando ao lado de Madson.
Héverton (GRE): O menos comentado, mas o melhor do trio de zaga gremista. Ofereceu cobertura e fechou os espaços.
Léo Fortunato (CRU): Bem nas antecipações, grudou em Washington o jogo todo.
Netinho (ATP): Bem no apoio, cobrou a falta que originou o segundo gol do Atlético.

Ramires (CRU): Mais uma vez perfeito nos desarmes e decisivo no ataque.
Rafael Carioca (GRE): Eficiente no primeiro combate, levou a equipe à frente com os espaços no meio.
Tcheco (GRE): Foi o cérebro da equipe gremista, controlando a bola e marcando o gol da vitória.
Taison (INT): Rápido, deu velocidade ao time e marcou um belo gol no contra-ataque.

Jonas (POR): Levou muito perigo e conseguiu marcar duas vezes na forte defesa são-paulina.
Borges (SAP): Fez dois gols e foi presenteado pelo juiz com um terceiro, apesar do toque ter sido de Zé Luís.

T.: Celso Roth (GRE): Conseguiu armar uma equipe forte na defesa apesar dos desfalques.