quinta-feira, 3 de junho de 2010

Apresentação das seleções - Japão


Campeão de três das últimas cinco Copas da Ásia e dono de um dos elencos mais fortes do futebol do continente, o Japão chega com um ar enfraquecido à Copa de 2010 - que será a sua quarta participação no torneio.

O objetivo é superar a decepcionante campanha na Alemanha, quando os samurais azuis foram eliminados na primeira fase após a derrota por 3 a 1 para a Austrália, o empate em 0 a 0 com a Croácia e a retumbante goleada por 4 a 1 sofrida contra o Brasil. A tarefa, porém, será mais difícil sem o ex-meia da Roma Hidetoshi Nakata, que pendurou as chuteiras aos 29 anos e vai desfalcar a seleção pela primeira vez após ter disputado as edições de 1998, 2002 e 2006.

A notada deficiência no ataque, que não possui um finalizador de qualidade, e a fragilidade defensiva devem minar as chances de classificação em um grupo equilibrado, mas que certamente tem três equipes mais fortes que a de Takeshi Okada. "Não vamos mudar a nossa tática, porque quando armei o esquema da equipe ele já estava definido de forma a superar as melhores seleções do mundo. O nosso grande objetivo na África do Sul é chegar às semifinais", disse um confiante treinador.

O caminho à África do Sul
O Japão não enfrentou maiores dificuldades para chegar à quarta e última fase das eliminatórias asiáticas para a África do Sul - na qual ganhou quatro, empatou três e perdeu apenas uma das oito partidas do Grupo 1. Os pontos baixos da campanha foram os dois jogos contra a Austrália, que venceu em casa por 2 a 1 e segurou um empate sem gols em território japonês. Os resultados, no entanto, não impediram os samurais de terminarem o grupo à frente de Bahrein, Catar e Uzbequistão.

As estrelas
O grande astro do Japão é o armador Shunsuke Nakamura, que em junho de 2009 deixou o Celtic da Escócia para jogar no Espanyol de Barcelona, até finalmente voltar a sua terra natal. Outro jogador que também atua na Europa é o jovem meio-campista Keisuke Honda, um talentoso canhoto como Nakamura, que joga no holandês VVV Venlo. Liderando a defesa está o zagueiro e capitão Yuji Nakazawa, de 31 anos, que com mais de 90 partidas pela seleção profissional é o terceiro jogador que mais vezes defendeu o Japão em todos os tempos. Representando a nova geração, Keisuke Honda fez grande temporada pelo CKSA Moscou e é uma esperança de habilidade em um time de pouco brilho.

O técnico
O comandante Okada é considerado um dos melhores estrategistas japoneses. Foi ele quem levou a seleção à primeira participação em uma Copa do Mundo da FIFA, em 1998, após superar o Irã em uma difícil repescagem.

Após deixar a equipe nacional, o treinador de 53 anos tirou o Consadole Sapporo da segunda divisão japonesa e ainda comandou o Yokohama Marinos no bicampeonato nacional de 2003 e 2004. Em 2006, ele deixou o Yokohama e, um ano depois, retornou à seleção para substituir Ivica Osim, que havia sofrido um derrame.

Participações anteriores
A participação do Japão na África do Sul será a quarta consecutiva no torneio, tendo a primeira delas acontecido na França 1998. A melhor campanha foi conquistada quando o país abrigou o Mundial ao lado da Coreia do Sul, em 2002. Na ocasião, os samurais azuis terminaram em primeiro no Grupo H à frente de Bélgica, Rússia e Tunísia, e avançaram à fase de mata-mata pela primeira e até agora única vez na história. Os japoneses foram então eliminados nas oitavas de final pela Turquia, que acabaria depois como terceira colocada, em uma acirrada disputa definida no gol solitário de Umit Davala, aos 12 minutos.

Números
- Na primeira participação em uma Copa do Mundo, na França, os comandados de Okada perderam todos os três jogos da fase de grupos, marcando um gol e sofrendo quatro.

- Masashi Nakayama fez o primeiro gol japonês na competição, aos 29 minutos do segundo tempo da derrota por 2 a 1 para a Jamaica, na França.

Time-base
Narazaki; Uchida, Abe (Nakazawa), Tulio Tanaka e Nagatomo; Matsui, Hasebe, Nakamura e Endo; Keiji Tamada e Shinji Okazaki

Jogos
14/06 - 11h00 - Japão x Camarões (Free State Stadium)
19/06 - 08h30 - Holanda x Japão (Moses Mabhida)
24/06 - 15h30 - Dinamarca x Japão (Royal Bafokeng)

Lista final de convocados

Goleiros

Seigo Narazaki (Nagoya Grampus)
Eiji Kawashima (Kawasaki Frontale)
Yoshikatsu Kawaguchi (Jubilo Iwata)

Defesa
Yuji Nakazawa (Yokohama Marinos)
Marcus Tulio Tanaka (Nagoya Grampus)
Yuichi Komano (Jubilo Iwata)
Daiki Iwamasa (Kashima Antlers)
Yasuyuki Konno (FC Tokyo)
Yuto Nagatomo (FC Tokyo)
Atsuto Uchida (Kashima Antlers )

Meio-campo
Shunsuke Nakamura (Yokohama Marinos)
Yasuhito Endo (Gamba Osaka)
Kengo Nakamura (Kawasaki Frontale)
Junichi Inamoto (Kawasaki Frontale)
Yuki Abe (Urawa Red Diamonds)
Makoto Hasebe (Wolfsburg, Alemanha)
Keisuke Honda (CSKA Moscou)
Daisuke Matsui (Grenoble)

Ataque
Shinji Okazaki (Shimizu S-Pulse)
Keiji Tamada (Nagoya Grampus)
Yasuhito Okubo (Vissel Kobe)
Kisho Yano (Albirex Niigata)
Takayuki Morimoto (Catania)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Apresentação das seleções - Dinamarca

A Dinamarca está de volta à elite do futebol mundial. Após ficar de fora da Alemanha 2006 e da Euro 2008, o país, que foi um dos fundadores da FIFA, conseguiu obter de forma espetacular a vaga para a África do Sul 2010.

A seleção costuma ter um bom rendimento na maior competição do futebol mundial e terá mais uma chance de mostrar a sua força no ano que vem. O país sempre passou da primeira fase em suas participações - já chegou duas vezes às oitavas e uma vez às quartas. Eles estiveram entre as seleções que mostraram o melhor futebol na Euro 2004, mas acabaram voltando mais cedo para casa após a derrota por 3 a 0 para a República Tcheca nas quartas de final.

Agora, a seleção do atacante Jon Dahl Tomasson acabou com um jejum de seis anos sem participar de grandes torneios e está se preparando para fazer uma boa campanha na África do Sul. Se os dinamarqueses não tiverem tantos problemas com contusões, como aconteceu nas Eliminatórias, a seleção comandada por Morten Olsen poderá surpreender no ano que vem.

O caminho à África do Sul
A Dinamarca sofreu apenas uma derrota em dez partidas nas Eliminatórias, superando a forte concorrência de Portugal e Suécia para ficar com a primeira colocação do Grupo 1. A seleção escandinava mostrou um excelente desempenho, especialmente contra os portugueses, conseguindo uma vitória por 3 a 2 e um empate em 1 a 1. Na primeira partida, em Lisboa, os dinamarqueses conseguiram a virada graças a três gols marcados nos últimos dez minutos do segundo tempo. Contra a arquirrival Suécia foram duas vitórias por 1 a 0.

O pior aproveitamento foi nos duelos contra a Hungria. Após um empate sem gols na abertura do torneio classificatório, os campeões europeus de 1992 enfrentaram os húngaros novamente na última partida, apenas para cumprirem tabela, e saíram derrotados por 1 a 0.

As estrelas
Os principais destaques da seleção dinamarquesa atuam em grandes clubes europeus, como Juventus, Arsenal, Liverpool e Werder Bremen. A liderança do selecionado cabe ao capitão Jon Dahl Tomasson, que joga atualmente no Feyenoord e já defendeu o Milan e o Villarreal. O atacante Nicklas Bendtner (Arsenal), entretanto, é o principal destaque por seus gols: foram quatro nas eliminatórias.

Além deles, Olsen terá em campo outros jogadores com experiência internacional, como Daniel Agger (Liverpool) e o trio do meio-campo formado por Daniel Jensen (Werder Bremen), Christian Poulsen (Juventus) e Dennis Rommedahl (Ajax).

O técnico
Na África do Sul, Morten Olsen completará dez anos como técnico da seleção dinamarquesa. Ele está no comando do selecionado desde o ano 2000 e conduziu o país à Copa de 2002 e à Euro 2004. Como jogador, Olsen fez carreira como líbero e defendeu, entre outros, o Colônia e o Anderlecht. O seu maior título foi a Copa da UEFA (atual Liga Europa) em 1983 pelo clube belga. Ele pendurou as chuteiras aos 40 anos e passou a atuar como técnico. Antes de assumir a seleção dinamarquesa, dirigiu o Colônia e o Ajax, entre outros.

"Toda Copa do Mundo é especial. É fantástico o fato de que o torneio será disputado pela primeira vez na África, pois isso aproximará muito as pessoas do continente. Mas toda Copa do Mundo possui o seu próprio encanto e uma atmosfera única. Ainda me recordo muito bem da vibração no Japão e na Coreia do Sul em 2002, o que também foi uma experiência fantástica. Para mim e para todos os jogadores, participar de uma Copa do Mundo é uma grande honra", disse.

Participações anteriores
A primeira participação dos dinamarqueses foi no México 1986, ocasião em que ficaram entre os 16 melhores do mundo, com a incrível Dinamáquina que surpreendeu a todos. Mas a maior glória do futebol dinamarquês ocorreu em 1992 com a conquista do título europeu na Suécia.

Desde então, este pequeno país fanático por futebol colecionou outros bons resultados. Os escandinavos chegaram entre os oito melhores na França 1998, perdendo somente para o Brasil, que acabou sendo o vice-campeão, enquanto na Coreia/Japão 2002 foram eliminados pela Inglaterra nas oitavas.

Números
- A Dinamarca participará na África do Sul da sua quarta Copa do Mundo.

- Em 1986 e em 2002, a seleção chegou às oitavas de final. Em 1998, foi eliminada nas quartas pelo Brasil.

- O país conquistou a Euro 1992 e a Copa das Confederações de 1995.

- Os dinamarqueses ganharam três medalhas de prata (1908, 1912 e 1960) e uma de bronze (1948) no Torneio Olímpico de Futebol Masculino.

Time-base
Sorensen; Jacobsen, Agger, Kjaer e S. Poulsen; C. Poulsen, Jensen, Rommedahl, Tomasson, Jorgensen; Bendtner

Jogos
14/06 - 08h30 - Holanda x Dinamarca (Soccer City)
19/06 - 15h30 - Camarões x Dinamarca (Loftus Versfeld)
24/06 - 15h30 - Dinamarca x Japão (Royal Bafokeng)

Lista final de convocados

Goleiros
Thomas Sørensen (Stoke City/ING)
Stephan Andersen (Brøndby)
Jesper Christiansen (FC Copenhague)

Defensores
William Jørgensen (FC Copenhague)
Lars Jacobsen (Blackburn/ING)
Simon Kjær (Palermo/ITA)
Per Krøldrup (Fiorentina/ITA)
Daniel Agger (Liverpool/ING)
Patrick Mtiliga (Málaga/ESP)
Simon Poulsen (AZ Alkmaar/HOL)

Meias
Martin Jørgensen (AGF Aarhus)
Christian Poulsen (Juventus/ITA)
Daniel Jensen (Werder Bremen/ALE)
Jakob Poulsen (AGF Aarhus)
Dennis Rommedahl (Ajax/HOL)
Jesper Grønkjær (FC Copenhague)
Thomas Kahlenberg (Wolfsburg/ALE)
Thomas Enevoldsen (Groningen/HOL)
Christian Eriksen (Ajax/HOL)
Mikkel Beckmann (Randers)

Atacantes
Jon Dahl Tomasson (Feyenoord/HOL)
Søren Larsen (Duisburg/ALE)
Nicklas Bendtner (Arsenal/ING)

Apresentação das seleções - Holanda

Com a Holanda, não existe meio termo: ou a equipe realiza uma boa campanha, ou fica anos sem brilhar. Na África do Sul, a seleção tentará acabar com essa irregularidade e subir um degrau em relação a 1974 e 1978, quando perdeu as finais respectivamente para a Alemanha, por 2 a 1, e para a Argentina, por 3 a 1, após dolorosa prorrogação. "Nós temos um objetivo pela frente. Queremos ser campeões mundiais", diz Frank de Boer, assistente técnico.

Desde a aposentadoria de Rinus Michels, com a conquista da Euro 1988, os inúmeros sucessores de Johan Cruyff nunca alcançaram uma grande glória. Por isso mesmo, o país ganhou a fama de ter um futebol vistoso, mas pouco eficiente para chegar a uma conquista de peso. É esta imagem que o treinador Bert van Marwijk vem tentando mudar desde que assumiu o cargo, após a campanha decepcionante na Euro 2008.

Nas eliminatórias, porém, a seleção liderada por Arjen Robben e Dirk Kuyt foi perfeita e agora pode se apoiar na história para sonhar com boa campanha na África do Sul. O último país a garantir vaga em uma edição da Copa sem perder pontos foi a Alemanha, em 1982, e os alemães chegaram à decisão do torneio. Os holandeses não escondem que as ambições são grandes para 2010 e, mais uma vez, possuem - ao menos no papel - as armas que permitem pensar desta forma.

O caminho à África do Sul
A Holanda encerrou a fase de classificação com 100% de aproveitamento: foram oito vitórias em oito partidas, com o ataque marcando 17 gols. Desde que assumiu o cargo, Van Marwijk segue invicto com a seleção, marca que chegou a 18 partidas com as vitórias recentes em amistosos, sobre México e Gana. Em um Grupo 9 que tinha Noruega e Escócia como maiores adversários na busca pela vaga, o país acabou levando os dois únicos gols das modestas Islândia e Macedônia. Em Oslo e em Glasgow, as vitórias vieram pelo placar mínimo, mas com excelentes atuações da defesa.

As estrelas
Sem poder contar com Edwin van der Saar e Ruud van Nistelrooy, que decidiram não mais jogar pela seleção, Van Marwijk precisou adaptar a equipe que herdou de Marco van Basten sem mexer radicalmente na base. Os líderes do grupo são Arjen Robben, que fez grande temporada com o Bayern de Munique, Mark van Bommel e Giovanni van Bronckhorst, que já estavam presentes sob o comando do antigo treinador. Rafael van der Vaart, Robin van Persie, Nigel De Jong e Wesley Sneijder, campeão europeu com a Inter, são outros destaques que compõem o time, muito forte ofensivamente, mas ainda com problemas na defesa.

O treinador
Com uma carreira pouco expressiva como jogador (uma única partida pela seleção), Van Marwijk possui um currículo bem mais respeitado como técnico. No comando do Feyenoord, ele conquistou a Copa da UEFA em 2002 e, mais tarde, a Copa da Holanda, após passagem apenas regular pelo Borussia Dortmund entre 2004 e 2006.

O treinador de 56 anos é também conhecido por ser um homem calmo, discreto e sempre disponível para conversar com os atletas. "Na seleção, o treinador normalmente não tem muito tempo para trabalhar o grupo, por isso gosto de otimizar o tempo que passo com os meus jogadores", explica. "Faço de tudo para ser um deles: participo dos treinos e faço exercícios específicos para tentar conhecê-los melhor".

Van Marwijk tem personalidade diferente de Marco van Basten, que comandou a Holanda entre 2004 e 2008, mas taticamente o trabalho de ambos é parecido. "Marco pôs em prática um esquema 4-2-3-1 e os jogadores se adaptaram bem a ele, por isso não pretendo fazer grandes mudanças", explica o treinador, que trouxe para a comissão técnica antigos craques da seleção, como Phillip Cocu e Frank de Boer. Escolha aparentemente certa, já que até agora o retrospecto é dos melhores, ainda que o time tenha atuado mais no 4-3-3 atualmente.

Participações anteriores
Em oito participações, os holandeses chegaram duas vezes à final, em 1974 e 1978. Outra boa participação veio na França em 1998, quando ficaram com o quarto lugar. Em 2006, caíram logo nas oitavas de final após uma verdadeira batalha contra Portugal, na partida que bateu os recordes de cartões na história dos Mundiais.

Time-base
Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel e De Jong; Kuyt, Sneijder (Van der Vaart) e Robben; Van Persie

Jogos
14/06 - 08h30 - Holanda x Dinamarca (Soccer City)
19/06 - 08h30 - Holanda x Japão (Moses Mabhida)
24/06 - 15h30 - Camarões x Holanda (Green Point)

Lista final de convocados

Goleiros
Maarten Stekelenburg (Ajax)
Michel Vorm (Utrecht)
Sander Boschker (Twente)

Defensores
Khalid Boulahrouz (Stuttgart/ALE)
Edson Braafheid (Celtic/ESC)
John Heitinga (Everton/ING)
Joris Mathijsen (Hamburg/ALE)
Andre Ooijer (PSV Eindhoven)
Giovanni van Bronckhorst (Feyenoord)
Gregory van der Wiel (Ajax)

Meiocampistas
Ibrahim Afellay (PSV Eindhoven)
Nigel de Jong (Manchester City/ING)
Demy de Zeeuw (Ajax)
Stijn Schaars (AZ Alkmaar)
Wesley Sneijder (Inter de Milão/ITA)
Mark van Bommel (Bayern de Munique/ALE)
Rafael van der Vaart (Real Madrid/ESP);

Atacantes
Ryan Babel (Liverpool/ING)
Eljero Elia (Hamburg/ALE)
Klaas Jan Huntelaar (Milan/ITA)
Dirk Kuyt (Liverpool/ING)
Arjen Robben (Bayern de Munique/ALE)
Robin van Persie (Arsenal/ING)

terça-feira, 1 de junho de 2010

História das Copas - Itália 1990 (parte II)

Quartas de final

O futebol exageradamente defensivo adotado em toda Copa teve, nas quartas-de-final, seu maior expoente: poucos gols e muitos, muitos pênaltis. A Argentina enfrentou a Iugoslávia em Florença e após um jogo em que nenhuma das duas equipes conseguiu marcar, brilhou a estrela do goleiro Goycoechea, que com a defesa de dois pênaltis, classificou os campeões mundiais para a semifinal.

A Alemanha enfrentou mais uma batalha, desta vez com os tchecos, que bateram muito e receberam quatro cartões amarelos, sem contar a expulsão de Moravcik. Os alemães classificaram-se com um gol de pênalti de Matthäus aos 25 da primeira etapa. Já a Itália venceu a Irlanda por 1 a 0, gol de Schillaci, como sempre. Aos trancos e barrancos, a Azzurra avançava.

Mas o melhor jogo das quartas de final foi, sem dúvida, Inglaterra e Camarões. De um lado, Shilton, Gascoine e Lineker. Do outro, Oman-Biyik e Milla. Foi um jogo eletrizante, especialmente na prorrogação. Platt abriu o placar aos 25 minutos e Kunde empatou de pênalti aos 27 da segunda etapa. Três minutos depois, os camaroneses chocavam o mundo ao virarem o jogo com Ekéké. A Inglaterra foi para cima e, faltando 7 minutos para o fim, Lineker empatou em um pênalti duvidoso. Na prorrogação, mais um pênalti. O artilheiro da Copa de 86 não perdoou e mandou para o fundo do gol de N`Kono. Os leões foram domados. A Inglaterra estava na semifinal.

Semifinais

Se a Copa de 90 ganhasse um apelido, este seria certamente "a Copa dos pênaltis". De fato, nunca um Mundial teve tantas penalidades máximas marcadas (12) e tantas partidas definidas pela cobrança do tiro livre (4). Além disso, o futebol extremamente defensivo fez da Copa da Itália a com pior média de gols da história dos Mundiais: 2,21 por jogo.

As semifinais mostraram muito bem essa realidade: ambas foram decididas nos pênaltis. Argentina e Itália fizeram um jogo emocionante. O talismã `Totó` Schilacci abriu o placar logo aos 17 minutos do primeiro tempo e Caniggia foi empatar só aos 22 da etapa final, acabando com a invencibilidade de Zenga, que se tornou o goleiro a ficar mais tempo sem tomar gol em uma Copa do Mundo. Na verdade, o único gol que a Itália tomara até então custou muito caro para a Azzurra. O jogo foi para a prorrogação e, terminando empatado, foi para os pênaltis. Gyocoechea brilhou mais uma vez defendendo a cobrança de Donadoni e colocou a Argentina na final. O estádio San Paolo em Nápoles emudecera. A Itália estava eliminada.

Na outra semifinal, Alemanha e Inglaterra fizeram, diante dos 63 mil espectadores que lotaram o estádio Delle Alpi, em Turim, outro jogo brigado. Já aos 25 do segundo tempo, Parker marcou um gol contra que poderia ter acabado com os ânimos ingleses. Mas dessa vez a defesa alemã não foi tão brilhante e permitiu o empate de Lineker a nove minutos do fim. Mais uma decisão por pênaltis. No final, a Alemanha venceu por 4 a 3 e se classificou para sua terceira final seguida. Um recorde. Pela primeira vez, uma final de Copa do Mundo se repetia, e de forma consecutiva. Entraria a Alemanha para a história, perdendo três finais seguidas?

A Itália teve que se contentar com o terceiro lugar após ser derrotada nos pênaltis pela Argentina. A decisão de terceiro lugar no sábado, 07 de julhode 1990, em Bari, foi contra a Inglaterra. Apesar de eliminados da disputa pelo título, os italianos foram aplaudidos por sua torcida e jogaram um futebol um pouco aimca da média de toda a Copa. Roberto Baggio abriu o placar apenas aos 26 da segunda etapa. O talismã inglês Platt empatou a nove minutos do fim e, por sua vez, o preciosíssimo talismã italiano Schilacci, de pênalti (pra variar), deu números finais ao placar aos 41. Um prêmio de consolação para a Itália por ter organizado a Copa de maneira tão excepcional.

A decisão

Alemanha e Argentina repetiriam a finalíssima da Copa de 86. Era a terceira final consecutiva dos alemães e foi uma das finais mais feias e violentas da história das Copas. O time argentino usou e abusou da "catimba" sul-americana para truncar o jogo, tanto que o zagueiro Monzon foi expulso aos 19 minutos por jogada violenta.


Aos 39 minutos do primeiro tempo, o lateral alemão Brehme fez o gol único do jogo ao converter um pênalti. Não chegou a ser surpresa o fato da Copa com mais pênaltis até então ter sido decidida justamente em um pênalti. Ao final da partida, duas cenas distintas: enquanto Maradona chorava em campo pela perda do título, o capitão alemão, Lothar Matthaus, erguia a taça para delírio da torcida. A Alemanha conquistava o seu tricampeonato, igualando-se ao Brasil e à Itália.

A Copa da Itália acabou sendo a consagração do chamado antijogo. O torneio totalizou quinze expulsões e a pior média de gols de todos os tempos.

XIV Copa do Mundo - 1990 - Itália

Campeão: Alemanha
Vice: Argentina
Terceiro: Itália
Quarto: Inglaterra

Período: de 08 de junho a 08 de julho de 1990
Total de jogos: 52
Gols marcados: 115
Média de gols: 2,21 por partida
Artilheiro: Schillaci (Itália) - 6 gols
Público total: 2.516.348 pagantes
Média de público: 48.391 pagantes

O Brasil: 9º lugar - 4 jogos (3V e 1E), 4GP/2GC
Os jogos: Primeira fase: Brasil 2x1 Suécia (Careca (2); Brolin)
Brasil 1x0 Costa Rica (Müller)
Brasil 1x0 Escócia (Müller)
Oitavas-de-final: Brasil 0x1 Argentina (Caniggia)

Apresentação das seleções - Gana

Única seleção africana a passar da fase de grupos da Copa de 2006 e primeira a se classificar para a África do Sul, Gana está ansiosa para provar finalmente ao mundo que é a maior força do continente.

Embora estejam se preparando para aquela que será apenas a sua segunda participação na maior competição do futebol mundial, os ganeses já desfrutaram de um considerável sucesso em todas as categorias do futebol internacional. Em seu currículo de títulos estão quatro Copas das Nações Africanas (apesar de a última ter sido em 1982) e dois títulos de Mundial Sub-17. Para completar, em outubro de 2009 o país se tornou o primeiro representante africano a conquistar o Mundial Sub-20 com uma vitória nos pênaltis contra o Brasil.

Com a experiência adquirida na campanha de 2006, quando derrotou República Tcheca e Estados Unidos e perdeu para Itália e Brasil, os ganeses estão prontos para serem uma ameaça ainda maior na primeira Copa do Mundo na África. Ainda que não contem com Essien, machucado, são certamente a melhor aposta dentre os africanos para um suposto semifinalista surpresa.

Resta saber somente como se sairão sem Essien: em 2006, com o craque suspenso, foram facilmente dominados pelo Brasil nas oitavas de final, perdendo de 3 a 0. Na Copa Africana de Nações, tiveram campanha sólida e chegaram à decisão.

O caminho à África do Sul
Gana carimbou o passaporte após vencer os quatro primeiros jogos da fase final das Eliminatórias. A seleção só veio a sofrer um gol na derrota por 1 a 0 em Benin, quando a vaga já estava garantida. O capítulo crucial da classificação aconteceu na rodada de junho de 2009, quando os ganeses conseguiram duas vitórias fora de casa por 2 a 0 contra Mali e Sudão, com Matthew Amoah marcando um gol na primeira partida e dois na segunda. Mas a longa campanha das eliminatórias teve também percalços e momentos de incertezas. Na fase anterior, após perder para Gabão e Líbia, o selecionado de Gana só conseguiu ficar em primeiro no grupo no saldo de gols.

As estrelas
Sem o poder ofensivo característico de muitas seleções africanas, Gana compensa com um meio-campo de primeira classe. Sem Essian, machucado, Sulley Muntari e o capitão Stephen Appiah formam uma das linhas médias mais fortes do continente, capaz tanto de desbaratar ataques adversários quanto criar jogadas de gol. O time tem características mais europeias que africanas: não joga tanto na velocidade e habilidade de seus atacantes, deixando a defesa desprotegida, mas possui solidez no meio-campo e força física.

Os dois integrantes do ataque são geralmente escolhidos entre Asamoah Gyan, Junior Agogo e Matthew Amoah. Já a defesa conta com John Mensah e John Paintsil protegendo a retaguarda diante do goleiro Richard Kingson. Os três têm em comum o fato de atuarem no futebol inglês.

O técnico
Milovan Rajevac assumiu o comando de Gana após a saída de Claude Le Roy, que não resistiu à decepcionante terceira colocação na Copa das Nações Africanas de 2008 dentro de casa. Ex-zagueiro que fez carreira na antiga Iugoslávia, o treinador sérvio é conhecido pelos trabalhos à frente do Estrela Vermelha e do FK Borac, o qual classificou a uma inédita competição europeia.

Números
- Gana foi a seleção mais jovem da Copa de 2006, com uma média de idade de menos de 24 anos.

- Asamoah Gyan fez o gol mais rápido da Copa de 2006, com apenas 68 segundos de jogo na vitória por 2 a 1 sobre a República Tcheca. O gol também foi o primeiro marcado pelo país na história da competição.

Time-base
Kingson; Paintsil, Addo, Afful, Mensah; Appiah, Boateng, Muntari, Asamoah; Amoah, Annan.

Jogos
13/06 - 11h - Sérvia x Gana (Loftus Versfeld)
19/06 - 11h - Gana x Austrália (Royal Bafokeng)
23/06 - 15h30 - Gana x Alemanha (Soccer City)

Lista final de convocados

Goleiros
Richard Kingson (Wigan/ING)
Daniel Agyei (Liberty Professionals)
Stephen Ahorlu (Hearts of Lions)

Zagueiros
Samuel Inkoom (Basel/SUI)
Jonathan Mensah (Granada/ESP)
Lee Addy (Bechem Chelsea)
Rahim Ayew (Zamalek/EGI)
Hans Sarpei (Bayer Leverkusen/ALE)
John Mensah (Sunderland/ING)
Isaac Vorsah (Hoffenheim/ALE)
John Paintsil (Fulham/ING)

Meio-campos
Sulley Muntari (Inter de Milão/ITA)
Derek Boateng (Getafe/ESP)
Anthony Annan (Rosenborg/NOR)
Kwadwo Asamoah (Udinese/ITA)
André Ayew (Arles-Avignon/FRA)
Stephen Appiah (Bologna/ITA)
Quincy Owusu Abeyie (Al-Sadd/CAT)
Kevin-Prince Boateng (Portsmouth/ING)

Atacantes
Matthew Amoah (NAC Breda/HOL)
Asamoah Gyan (Rennes/FRA)
Prince Tagoe (Hoffenheim/ALE)
Dominic Adiyiah (Milan/ITA)

Apresentação das seleções - Sérvia

A primeira vez que a Sérvia entrou em campo como um país independente foi apenas no dia 16 de agosto de 2006, quando enfrentou a República Tcheca e venceu por 3 a 1. Mas os sérvios já fizeram parte de duas outras seleções, hoje desmembradas: Iugoslávia e Sérvia e Montenegro. Enquanto Iugoslávia e Sérvia e Montenegro usavam camisas azuis, a Sérvia adotou o vermelho como uniforme, além do apelido Beli Orlovi (Águias Brancas).

A primeira participou de nove edições da Copa do Mundo, entre 1930 e 2002, e foi duas vezes vice-campeã da Euro. Na Alemanha, já como Sérvia e Montenegro, o país acabou perdendo os três jogos do grupo e foi eliminado na primeira fase.

O time atual tem na defesa seu ponto forte, com o comando de Vidic: foi vazada apenas oito vezes em dez jogos. O time varia do 442 ao 4231, com Milijas e Stankovic responsáveis por toda a movimentação, e Jovanovic pela armação e até mesmo gols - foi o artilheiro da equipe nas eliminatórias, com cinco gols.

"Estamos emocionados por termos garantido a vaga para a África do Sul. Provamos que somos uma grande seleção. Estou certo de que daremos o nosso melhor e não vamos decepcionar os torcedores na Copa do Mundo", disse o atacante Nicola Zigic.

O caminho à África do Sul
Quando o sorteio da primeira fase das eliminatórias europeias foi realizado, muitos imaginavam que Áustria, Romênia e Sérvia brigariam pelo segundo lugar e que a França ficaria em primeiro. E, embora os bleus tenham vencido os sérvios por 2 a 1 em Saint-Denis, na segunda rodada, a seleção de Radomir Antic ganhou as cinco partidas seguintes e abriu quatro pontos na liderança do grupo.

A diferença foi mantida com o empate em um gol contra a própria França, o que deixou a Sérvia precisando apenas de uma vitória no penúltimo compromisso, contra a Romênia. O resultado veio e a vaga para a África do Sul foi carimbada sem tropeços, com um marcante 5 a 0 em Belgrado.

As estrelas
Considerado por muitos como um dos melhores zagueiros do mundo, Nemanja Vidic do Manchester United é uma fortaleza no coração da defesa sérvia. Forte na roubada de bola e no jogo aéreo, o sérvio de 28 anos foi eleito o melhor jogador da Premier League na temporada 2008/09. Já o dinâmico meia Dejan Stankovic joga pela seleção nacional desde 1998 e atualmente ostenta a faixa de capitão, enquanto Marko Pantelic e Milan Jovanovic são as ameaças no ataque.

O técnico
A carreira de jogador de Radomir Antic inclui uma impressionante série de oito anos pelo Partizan de Belgrado e passagens pelo futebol turco, espanhol e inglês. Mas foi como treinador que ele começou a ganhar verdadeiro destaque, tendo comandado Zaragoza, Real Madrid e Oviedo, até chegar ao Atlético de Madri, com o qual obteve a inesperada conquista do Campeonato Espanhol e da Copa do Rei na temporada 1995/96, na primeira das suas três passagens pelo clube.

Já em 2008, quando foi contratado pela Sérvia, Antic estava parado havia quatro anos. Mas, mesmo depois de todo esse tempo, foi graças ao seu conhecimento tático e capacidade de tirar o máximo dos seus jogadores que os sérvios conquistaram a vaga para a África do Sul.

Participações anteriores
A próxima edição será a primeira vez que a Sérvia disputará a Copa do Mundo como um único país independente. O país participou de nove edições da competição como parte da Iugoslávia e esteve na Alemanha 2006 ainda como Sérvia e Montenegro.

Time-base
Stojkovic; Ivanovic, Vidic, Subotic, Obradovic; Krasic, Milijas, Stankovic e Jovanovic; Zigic e Pantelic

Jogos
13/06 - 11h - Sérvia x Gana (Loftus Versfeld)
18/06 - 08h30 - Alemanha x Sérvia (Nelson Mandela Bay)
23/06 - 15h30 - Austrália x Sérvia (Mbombela)

Lista final de convocados

Goleiros

Vladimir Stojkovic (Wigan-ING)
Zeljko Brkic (Vojvodina Novi Sad)
Bojan Isailovic (Zaglebie Lubin)

Defensores
Branislav Ivanovic (Chelsea-ING)
Antonio Rukavina (Munich 1860-ALE)
Nemanja Vidic (Manchester United-ING)
Neven Subotic (Borussia Dortmund-ALE)
Aleksandar Lukovic (Udinese-ITA)
Ivan Obradovic (Zaragoza-ESP)
Aleksandar Kolarov (Lazio-ITA)

Meio-campistas
Dejan Stankovic (Inter-ITA)
Nenad Milijas (Wolverhampton-ING)
Milos Krasic (CSKA Moscow-RUS)
Milan Jovanovic (Standard Liege-BEL)
Milos Ninkovic (Dynamo Kiev-UCR)
Zdravko Kuzmanovic (Stuttgart-ALE)
Zoran Tosic (Colônia-ALE)
Gojko Kacar (Hertha Berlim-ALE)
Radosav Petrovic (Partizan)

Atacantes
Nikola Zigic (Valencia-ESP)
Marko Pantelic (Ajax-HOL)
Danko Lazovic (Zenith St Petersburg-RUS)
Dragan Mrdja (Vojvodina Novi Sad)