terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dança das cadeiras


Treinador ainda sofre mais do que mãe de juiz. Após 25 rodadas do Campeonato Brasileiro, já aconteceram 23 trocas de técnico - o maior número para tantas rodadas desde o início dos pontos corridos, em 2003. A última vítima foi PC Gusmão, demitido após a goleada sofrida pelo Figueirense para o Sport, na Ilha do Retiro.

Quem deve assumir é Mário Sérgio, que há poucos dias estava no Atlético-PR. O Furacão é, aliás, o recordista de trocas: já foram quatro até agora, média de um técnico novo a cada cinco rodadas (na ordem: Ney Franco, Roberto Fernandes, Tico dos Santos, Mário Sérgio e agora Geninho). Náutico e Ipatinga completam o top 3 com quatro nomes diferentes. Quanto aos treinadores, Cuca é o recordista: do Botafogo, para o Santos e agora no Flu, foram três times diferentes.

Das vinte equipes, oito mantém seus treinadores desde o início do campeonato: Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, São Paulo, Vitória, Flamengo, Sport e Coritiba. Curiosamente, são os nove primeiros colocados - o Botafogo, quarto lugar, foi o único que mudou e está lá em cima.

É o famoso dilema de Tostines: os técnicos estão desde o início porque a campanha é boa ou a campanha é boa porque técnicos estão desde o começo? A resposta é igualmente dúbia: pelas duas razões.

Para se fazer uma boa campanha, é preciso muito planejamento. E isso significa, entre outras coisas, saber contratar bem com pouco dinheiro (Botafogo e Grêmio são os exemplos de elencos modestos, mas equilibrados), dar respaldo ao treinador (vide São Paulo, mesmo em momentos de turbulência) e lidar com a janela de transferências com sabedoria (o que o Cruzeiro parece finalmenter ter conseguido fazer este ano).

Obviamente, não há receita pronta. Os times, dependentes do dinheiro das transferências, dançam conforme a música. E os técnicos, ora seguros, ficam sem cadeira rapidamente.

Abaixo, a seleção da 25ª rodada

Harley (GOI): Segurou a pressão gremista com no mínimo duas defesas difíceis.

Vítor (GOI): Aproveitou os espaços, avançou bastante e fez o gol da virada.
Maurício (PAL): Ótima partida, atento nas coberturas e na marcação.
Índio (INT): Seguro, foi firme nas divididas e anulou Wellington Paulista.
Marcelo Cordeiro (VIT): Sempre bem no apoio, mostrou oportunismo no gol da vitória.

Zé Luís (SAP): Bem na marcação, cruzou as bolas que originaram os dois gols da equipe.
Bida (SAN): Muita vontade, correu o jogo todo e se posicionou bem para marcar.
D’Alessandro (INT): Grandes passes e um golaço. Finalmente mostrou do que é capaz.
Diego Souza (PAL): Sobe de produção quando joga mais à frente, e por isso marcou o gol da vitória.

Adeílson (IPA): Fez um gol e infernizou a defesa atleticana com grande movimentação.
Roger (SPO): Dois gols pelo segundo jogo seguido. Vive ótima fase.

V. Luxemburgo (PAL): Mesmo sem a dupla de ataque titular, conseguiu armar uma equipe brigadora e saiu de campo com uma vitória importantíssima.

3 comentários:

Arthur Virgílio disse...

Isso vem sendo praxe nos últimos brasileiros de pontos corrido. Quem mantém o técnico termina a competição bem. Não foi diferente com o São Paulo e não vai ser esse ano com o campeão brasileiro.

Porém existem casos que não existe mais como um técnico permanecer na equipe. PC Gusmão que o diga, afinal de contas foram cinco derrotas consecutivas. E Mário Sérgio acertou o retorno.

Warley Morbeck disse...

Artur, discordo de você.

Não acho que quem mantém o técnico é que vai bem.

O correto é: quem vai bem mantém o técnico.

Warley Morbeck
http://flamengoeternamente.blogspot.com/

Danilo Damasceno disse...

Planejamento deveria ser o carro chefe dos clubes. A historia seria outra.Abração