segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Brasileirão: 50%


Chegamos ao final do primeiro turno do campeonato brasileiro e, assim, é hora de mais uma análise dos números. Ainda que faltem três jogos a serem disputados - e eles podem mudar até o campeão simbólico da primeira metade, muito já se pode dizer sobre este campeonato.

A primeira impressão é a de que o nível está diferente do últimos anos: com 19 rodadas por acontecer, os blocos já parecem muito mais definidos, com as aspirações de cada time até o final do ano. Pode-se dizer, com menor margem de erro, que dificilmente o campeão não será São Paulo, Internacional ou Palmeiras. Isto porque, como já se percebe novamente, as equipes de Celso Roth largam muito bem, mas caem no decorrer do campeonato. Fica aberta, assim, uma vaga para a Libertadores, que tem como principal pretendente, hoje, o Goiás, mas que pode muito bem ser o Avaí, se mantiver a sequência. Grêmio e Cruzeiro, pelo que apresentaram até agora, estão um degrau abaixo.

O campeonato começou com uma quantidade incrível de empates - foram cinco em cada uma das duas primeiras rodadas. Com metade dos times envolvidos em Copa do Brasil ou Libertadores, o Internacional disparou com quatro vitórias seguidas, confirmando o bom início de temporada, e o Atlético-MG, eliminado cedo da Copa do Brasil, assumiu a ponta na sexta rodada, liderando por oito rodadas - o maior tempo de liderança do turno. Ao contrário dos anos anteriores, entretanto, o primeiro colocado nunca disparou de fato, e a maior diferença foi apenas de três pontos.

Desde o início do campeonato, os clubes paranaenses e pernambucanos agonizaram na zona de rebaixamento. Com a chegada de Antônio Lopes, o Atlético-PR surpreendentemente se distanciou, e o Coritiba, ainda que bastante irregular, subiu algumas posições. Já Náutico e Sport amargaram as piores sequências negativas do primeiro turno: o Timbu ficou 13 rodadas sem vencer e somou seis derrotas seguidas, enquanto o Leão já está há dez sem triunfar, com quatro derrotas consecutivas.

Quem se recuperou foi o Avaí, que chegou a ser o lanterna na 9ª e na 10ª rodadas e emendou cinco vitórias, estando há nove sem perder. A maior sequência de vitórias, entretanto, pertence a Goiás e São Paulo, que conseguiram seis - a do Tricolor, aliás, está ainda em curso. Já a maior invencibilidade foi do Barueri, que começou muito bem o campeonato mas caiu. O Abelhão não foi batido por dez rodadas seguidas.

Finalistas do Paulistão, Corinthians e Santos têm passado desapercebidos pelo campeonato. Com campanhas modestas, os alvinegros parecem ter pouco a almejar nesta temporada - especialmente o Timão, que perdeu peças importantes e já tem vaga garantida na Libertadores 2010. Com a chegada de Luxemburgo, espera-se que o Santos chegue a brigar pela competição continental, mas a inconsistência ofensiva do time é gritante. Quem rondou a zona de rebaixamento mas parece fadado à zona intermediária é o Botafogo, que se equivocou ao dispensar Ney Franco para trazer Estevam Soares, que chegou com uma proposta de jogo mais defensiva, baseada nos contra-ataques, mudando a filosofia do time nos últimos anos.

Destaques individuais

A briga pela artilharia mais uma vez ficou estagnada. Desde a 12ª rodada, o líder evoluiu apenas dois gols - Felipe (Goiás), Roger (Vitória) e Val Baiano (Barueri) tinham oito, e Adriano (Flamengo) termina o turno na frente, com dez. Diego Tardelli foi destaque do Galo e marcou nove, sendo convocado para a seleção brasileira.

Outros nomes que se sobressaíram foram Pedrão, artilheiro do Barueri negociado com o Oriente Médio; Fernandinho, meia de 23 anos também do time da Grande São Paulo, considerado a principal revelação até aqui; Willians, destaque defensivo por parte do Flamengo, graças ao maior número de bolas roubadas até aqui (89 contra 64 de Pierre); e Cleiton Xavier, líder nas assistências com 12, contra 7 de Júlio César, do Goiás.

Libertadores e rebaixamento

Em 2008, os quatro que estavam na zona da Libertadores se classificaram ao final do campeonato. Em 2007, apenas o São Paulo (saíram Botafogo, Cruzeiro e Vasco e entraram Santos, Flamengo e Fluminense - mas o Cruzeiro se classificou pelo fato do Flu ter sido campeão da Copa do Brasil). E em 2006, saiu o Paraná e entrou o Grêmio, mas o Paraná acabou na Libertadores porque o Inter, campeão continental, acabou em segundo.

Em 2008, dois que estavam na zona de rebaixamento caíram (Vasco - 17º, 19 pontos - e Ipatinga - 20º, 16). Em 2007, também (Juventude - 18º, 16 - e América-RN 20º, 10). E em 2006, também (Fortaleza - 19º, 20 - e Santa Cruz - 20º, 18).

Destaques (rodadas 17 a 19): Golaços de Marcelinho Paraíba, boa fase de Washington, sequência da arrancada do São Paulo e da série invicta do Avaí recuperação do Atlético-PR.

Perebas: Defesas de Náutico e Sport, desempenho do Fluminense, irregularidade do Flamengo.

19ª rodada

Melhor ataque
2009: Barueri (38 gols)
2008: São Paulo (33)
2007: Cruzeiro (40)
2006: Paraná (33)

Melhor defesa
2009: Palmeiras (17 gols)
2008: Grêmio (12)
2007: São Paulo (7)
2006: Santos (17)

Pior ataque
2009: Cruzeiro (18 gols)
2008: Atlético-PR (17)
2007: América-RN (16)
2006: Flamengo (16)

Pior defesa
2009: Náutico e Sport (37 gols)
2008: Portuguesa e Vasco (39)
2007: América-RN (42)
2006: Ponte Preta (39)

Gols e média
2009: 545 (2,91 em 187 jogos)
2008: 519 (2,73)
2007: 520 (2,81)
2006: 502 (2,64)

Artilheiros
2009: Adriano (Flamengo) - 10 gols
2008: Alex Mineiro (Palmeiras) e Kléber Pereira (Santos) - 11 gols
2007: Josiel (Paraná) - 12 gols
2006: Dodô (Botafogo) - 9 gols

Números inéditos
Série de vitórias atual: São Paulo (6)
Série invicta atual: Avaí (9)
Série de derrotas atual: Sport (4)
Série sem vencer: Sport (10)

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