sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A arrogância tupiniquim


Dentre tantos outros assuntos que gostaria de ter abordado nos últimos dias - e não tenho conseguido por falta de tempo, realmente -, o principal é o desempenho da seleção brasileira, que me irrita profundamente.

Ainda durante a partida contra o Peru, pensava em alguma forma de entender por que, mesmo tendo tantos jogadores acima da média, a seleção brasileira não conseguia jogar bem. Naquela partida, o Brasil aumentava seu jejum de vitórias fora de casa. Se antes o Brasil vencia fácil a todos os adversários, depois de uns tempos começou a ficar complicado jogar bem em casa, por exemplo, afinal "os times jogam muito retrancados", disseram vários treinadores que passaram pelo cargo. Agora, sabe-se lá porquê, o Brasil não vence nem fora, quando teoricamente os oponentes sairiam mais para o jogo e dariam mais espaços.

Nos dias entre o jogo contra o Peru e o contra o Uruguai, muito foi dito e Kaká argumentou que, antes de dar espetáculo, o importante é vencer. Falou-se sobre a ineficiência do meio-campo, mas tenho pra mim que quem não cabe na seleção é Mineiro, não Gilberto Silva. Enquanto assistia a partida entre Colômbia e Argentina, ouvi André Escobar, comentarista do Sportv, dizer que a torcida brasileira não aceitaria jogar com três volantes, como a seleção argentina fazia.

Pois bem. Eis que, ao acompanhar a péssima apresentação contra o Uruguai, deparei-me com algumas ponderações sobre esse tema. Primeiro: não acredito que jogadores do nível de seleção brasileira fiquem "atordoados" ou "perdidos em campo" devido a uma marcação mais consistente, como tentou-se fazer crer. Segundo: obviamente, não tenho a pachorra de dizer que encontrei a solução para que o time jogue bem.

Mas, ainda que deteste chavões, o futebol parece mesmo não ter mais tantos "bobos". Acredito que o Brasil não joga bem porque não tem um técnico no banco, e sim um selecionador, que nem isso faz direito - não aceito convocações como Fernando e Vágner Love. Dunga pode até montar o time antes do jogo, dispor as peças no gramado, mas não possui variações táticas e saídas para problemas antigos que a seleção enfrenta, como a marcação com duas linhas de quatro.

Outro fator que considero importante: no Real, Robinho não marca. No Milan, Kaká não marca. No Barça, Ronaldinho não tem obrigação de marcar. São estrelas. Mas quando se juntam na seleção, precisam voltar e marcar para que o Brasil não seja batido na inferioridade numérica. Se existe um ponto que o time não dá sustos é a defesa, e por isso considero que os três não devem voltar para dar combate aos meias adversários.

Entretanto, o pensamento que me veio é algo totalmente diferente. O Brasil não consegue mais dar espetáculo não pelo nivelamento dos times ou pela falta de amor à camisa. O Brasil é arrogante. Provavelmente nem seja algo intencional, mas naturalmente quem é considerado o melhor acaba mudando seu comportamento. E digo que o Brasil é arrogante por nunca se preocupar com o adversário e deixar que o adversário se preocupe com ele, cabendo aos brasileiros apenas jogar. É o discurso que aparece na mídia: quantas vezes você já viu Dunga dizendo que "fulano de tal é perigoso e precisamos tomar cuidado"? Ou que "podemos recuar um pouco para sair no contra-ataque"? São atitudes que a própria torcida e a imprensa não admitem, mas que poderiam muito bem ser utilizadas para o bem do time.

Ao contrário, só o que se fala são opções no ataque, formas do Brasil jogar, contestações às convocações e NUNCA se lembra que do outro lado existem outros onze jogadores. É como se o adversário não existisse. Daí, quando as dificuldades surgem, não se está preparado para elas.

Poderia me alongar muito mais, falar sobre minhas idéias de esquemas táticos e outros assuntos. Mas por hoje, peço humildade não só à seleção como a todos nós. Porque não é só o Brasil que entra em campo e, por mais que existe sempre a pressão por vitória, é preciso lembrar que o futebol é um jogo, e que muitas vezes nem sempre o melhor vence.

3 comentários:

Filipe Lima disse...

Não sei o quanto tem de arrogância nesse time, não. Se houvesse tanta, não teríamos levado a Copa América.

É desorganização tática, mesmo, ao meu ver.

Abraços.

PAULOFILÉ disse...

Boa Maurício!

Sei que é utópico, mas, se valorizarmos mais o que temos no Brasil, com um percentual dos jogadores profissionais que não foram embora para o exterior, participando de uma "Seleção Permanente"(para dar uma base tática), e, incluindo os "reais destaques" que estão jogando no exterior... Nada como: Doni? Gilberto? Gilberto Silva? Entre outros... São foras de série? Prá jogar na Seleção tem que ser!!!Desta forma, plagiando os "olheiros das peneiras":... no mesmo nível do que temos aqui... ficamos com o que temos, ou seja, vamos valorizar quem está no país... Não é tão simples, mas, ezequível! Quem sabe até melhore um pouco o nível técnico do VERDADEIRO FUTEBOL TUPINIQUIM!

Forte Abraço e, mais uma vez, parabéns pelo BLOG.

Futebol e Arte disse...

Fala, Maurício!

Realmente é uma questão a se pensar. Difícil ver um treinador da Seleção dizendo que estuda e se preocupa com os pontos fortes. Só a Argentina. Talvez seja por isso que o Brasil normalmente jogue bem contra os "hermanos"...

Abraço!