sábado, 11 de setembro de 2010

Rumo ao futebol de bebês?

Criação de categorias como o sub-11 deve ser trabalhada com cuidado

Publicado no Olheiros

É uma brincadeira comum no meio do futebol: a busca por promessas antes que ninguém mais as descubra ainda vai levar clubes e empresários a maternidades. Por mais engraçado e utópico que a piada possa parecer, a realidade não deixa de estar se aproximando um pouco disso. Algo impensado há duas décadas, a realização de campeonatos em categorias como o sub-13 ou o sub-11 tem se tornado comum, especialmente nos maiores centros.

Atualmente, quatro das principais federações do país já possuem ao menos o estadual da categoria mirim, que envolve garotos de 11 e 12 anos. No Rio de Janeiro, o Pré-Mirim tem “atletas” de 10 e 11 anos e o Mirim, 11 e 12; em Minas Gerais, as mesmas categorias englobam, respectivamente, a idade de 9/10 e 11/12; no Paraná, o Pré-Infantil é disputado por meninos de 12 e 13, enquanto o Mirim tem jogadores de 9 a 11 anos; e em São Paulo, desde 2008 existem os Paulistas Sub-13 (de 11 a 13 anos) e Sub-11 (de 9 a 11).

Campeonato federado de futebol entre crianças de nove anos parece um exagero – e é. Os principais especialistas e teóricos no tema defendem a iniciação específica do futebol a partir dos 12 ou 13 anos, mas não é o que vem acontecendo na prática. Pior do que disputas valendo título entre garotos de menos de dez anos, é a constatação que os clubes dão início ao treinamento ainda antes de introduzirem os meninos em competições oficiais, ou seja, aos 7 ou 8 anos de idade, no início da vida escolar.

Neste momento do desenvolvimento infantil, o mais adequado é uma formação poliesportiva, que trabalhe com o objetivo de desenvolver as habilidades motoras mais básicas, em conjunto com a descoberta dos limites do próprio corpo. Nada de esporte para rendimento, cobrança de fundamentos, qualidade técnica ou compreensão tática.

A utilização de crianças desta faixa etária em competições regulares de modalidades específicas é prejudicial à evolução tanto física quanto até mesmo psicológica, que não pode se prender a rotinas e cumprimento de objetivos, algo comum à vida adulta – ou ao menos compreensível de se exigir somente em um contexto mais avançado.

Ao contrário do que é preconizado, estas competições de faixas etárias precoces visam somente o resultado imediato da conquista, atendendo apenas ao interesse de clubes, técnicos e empresários que pensam curto prazo, sem se preocupar com o garoto, que ainda passará por profundas transformações em seu corpo e sua mente, e que nem mesmo poderá vir a ter um físico adequado à pratica do futebol. Lidar com frustrações aos 14, 15, 16 anos, após grande expectativa gerada num momento em que a criança tende a descobrir o mundo à sua volta e idealizá-lo, pode trazer prejuízos irreparáveis ao menino.

Mas o que fazer? Estabelecer o início da prática esportiva de rendimento em uma idade específica? Uma ideia interessante é a defendida pelo autor Fabrício Moreira, que cita a realização de festivais de futebol ou ligas, ambos de duração mais curta que os campeonatos, com número maior de participantes e de caráter mais lúdico para os participantes, promovendo em breve uma renovação e também uma ampliação do alcance do futebol. cabe às federações e clubes adotarem (ou ao menos testarem) a medida, muito comum em países da Europa. Com a palavra, os principais interessados: clubes, técnicos, empresários e pais.

2 comentários:

PAULO KRAIDE PIEDADE (PAULOFILÉ) disse...

Caro Maurício,
Tudo bem?
Bela abordagem, assunto muito pertinente, IMPORTANTE E URGENTE que se faça alguma coisa e apesar de vc não ter mencionado "professores" como interessados e "com a palavra", vou dar um pitaco, rsrsrss...
Extremamente importante que seja implantado algo que direcione para a tese do autor (Fabrício Moreira). Além de se evitar a iniciação precoce nas competições, há necessidade de um trabalho psicológico nas crianças e não raras vezes nos pais... que, via de regra "atrapalham" o processo pedagógico, inibindo a criança em suas limitações e cobrando resultados prematuros, que, podem levar a conseqüências irreparáveis ao longo da vida do indivíduo... matéria (repito) da maior relevância para o meio do esporte, mais especificamente do futebol.

Abraço ao "Xará" Paulo Vargas("atleta modelo do Parque Botânico de Americana") e outro especial prá vc e família, extensivo ao sôgro(Lambari) e cunhado(Lambarizinho ou Guarú, como queiram!).

Bom final de semana...

PAULOFILÉ55
http://paulofile55.blogspot.com/

Consultora Educacional disse...

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