domingo, 6 de junho de 2010

Apresentação das seleções - Eslováquia


Sem nunca ter participado de uma competição internacional oficial, a Eslováquia tenta recuperar as glórias do seu passado tchecoslovaco desde que se tornou uma nação independente, em 1993. Embora não tenha muitos nomes imponentes, a seleção tem mostrado um progresso constante, que traz consigo muitas esperanças para 2010 - a própria classificação para as oitavas de final não será surpresa.

O caminho à África do Sul
Quarta colocada do grupo nas eliminatórias para a França, terceira para 2002 e segunda para a Alemanha 2006. Só restava a liderança para que a Eslováquia garantisse a sua vaga— algo que foi confirmado no dia 14 de outubro de 2009. O país conseguiu contrariar os prognósticos e carimbou o passaporte para a África do Sul dominando o difícil Grupo 3 das eliminatórias, com equipes tradicionais como a Polônia e a vizinha República Tcheca.

Os eslovacos conquistaram a vaga ao permanecer invictos diante de todos os adversários do grupo, com exceção dos eslovenos. A Eslovênia acabaria terminando na segunda posição, mas, depois de vencer por 2 a 1 na segunda rodada e por 2 a 0 fora de casa, na penúltima, o país chegou a fazer com que a líder duvidasse da classificação.

As derrotas, porém, não afetaram a determinação da Eslováquia, que assegurou seu lugar no Mundial com uma vitória de 1 a 0 sobre a Polônia na última rodada. Com jogadores experientes no futebol continental, os eslovacos querem manter a escrita de bom desempenho apresentado nas Copas pelas equipes médias do centro-leste europeu, seguindo exemplos recentes de Bulgária, Romênia e Turquia.

As estrelas
Sólido com a camisa vermelha do Liverpool na Inglaterra, o zagueiro Martin Skrtel permanece firme e forte quando veste o uniforme azul da Eslováquia. O meio-campista Marek Hamsik marca belos gols pelo Napoli e mantém a mesma classe na seleção. Stanislav Sestak, com seis gols, foi o atacante mais eficiente da campanha eslovaca nas Eliminatórias e deve ser a maior esperança de gols da equipe em solo sul-africano. "Somos perseverantes: não baixamos a cabeça antes de termos conseguido", garante Sestak.

O técnico
Nascido em 1964, o ex-jogador da seleção eslovaca Vladimír Weiss foi chamado para dirigir o país em junho de 2008. Ele assumiu o lugar de Jan Kocian, que não conseguiu levar a Eslováquia à Euro 2008.

Dono de uma personalidade forte, o técnico iniciou a carreira à frente do Artmedia Bratislava, classificando o clube para a fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa na temporada 2005/06. No ano seguinte Weiss se transferiu para a primeira divisão russa, onde treinou o Saturn. Em 2008, voltou de forma brilhante para o Artmedia, conduzindo o time ao título do certame nacional. O próximo desafio era a seleção.

Vladimír Weiss é filho do ex-jogador da seleção da Tchecoslováquia de mesmo nome. Além disso, o treinador é pai do jogador do Manchester City que convoca regularmente para a seleção e cujo nome é... Vladimír Weiss.

Participação anterior
Já que se trata da primeira participação da Eslováquia como nação independente, o passado futebolístico do país está ligado ao da Tchecoslováquia, que esteve em oito edições do maior torneio de futebol do mundo. O país chegou à final da Copa do Mundo da FIFA em 1934 (derrota de 2 a 1 para a Itália na prorrogação) e em 1962 (derrota de 3 a 1 para o Brasil). Em 1990, a seleção tchecoslovaca chegou às quartas de final.

Time-base
Mucha; Pekarik, Skrtel, Durica e Zabavnik; Weiss, Strba, Hamsik e Stoch; Jendrisek e Sestak

Jogos
15/06 - 08h30 - Nova Zelândia x Eslováquia (Royal Bafokeng)
20/06 - 08h30 - Eslováquia x Paraguai (Free State)
24/06 - 11h - Eslováquia x Itália (Ellis Park)

Lista final de convocados

Goleiros
Jan Mucha (Legia Varsovia/POL)
Dusan Kuciak (Vaslui/ROM)
Dusan Pernis (Dundee Utd/ESC)

Defensores
Peter Pekarik (Wolfsburgo/ALE)
Martin Petras (Cesena/ITA)
Martin Skrtel (Liverpool/ING)
Jan Durica (Lokomotiv Moscou/RUS)
Radoslav Zabavnik (Mainz/ALE)
Marek Cech (West Bromwich Albion/ING)
Zdeno Strba (Xanthi/GRE)

Meias
Kornel Salata (Slovan Bratislava)
Kamil Kopunek (Spartak Trnava)
Jan Kozak (Timisoara/ROM)
Juraj Kucka (Sparta Praga/TCH)
Marek Sapara (Ankaragücü/TUR)
Marek Hamsik (Napoli/ITA)
Vladimir Weiss (Manchester City/ING)
Erich Jendrisek (Schalke 04/ALE)
Miroslav Stoch (Chelsea/ING)

Atacantes
Stanislav Sestak (Bochum/ALE)
Robert Vittek (Ankaragücü/TUR)
Martin Jakubko (Ramenskoye/RUS)
Filip Holosko (Besiktas/TUR)

Apresentação das seleções - Nova Zelândia

Depois de uma desastrosa campanha quatro anos atrás, a Nova Zelândia se reabilitou sob o comando do técnico Ricki Herbert e se classificou para a Copa do Mundo quase três décadas depois da estreia, na edição da Espanha em 1982. Herbert e seu auxiliar Brian Turner foram figuras importantes naquela campanha e agora dirigem a seleção do país. A dupla armou uma defesa compacta que o Bahrein, quinto colocado das eliminatórias asiáticas, não foi capaz de superar durante os 180 minutos da repescagem.

Quatro anos depois de serem eliminados pelas Ilhas Salomão, os neozelandeses venceram a Copa das Nações da Oceania e garantiram assim a vaga na Copa das Confederações de 2009, quando tiveram uma apresentação respeitável após a estreia fraca diante da campeã europeia Espanha. A dramática vitória sobre o Bahrein na decisão da vaga para a África do Sul uniu o país do rúgbi em torno da seleção de futebol como nunca antes na história, resultando no recorde de público nacional para o jogo decisivo na capital Wellington. Almejar qualquer coisa além de uma participação honrosa, entretanto, já seria sonhar demais.

O caminho à África do Sul
A Nova Zelândia venceu os cinco primeiros jogos do seu grupo nas eliminatórias da Oceania e conquistou o inquestionável primeiro lugar. A derrota para Fiji aconteceu sem a maioria dos jogadores que vinham ocupando a titularidade e não teve maiores consequências. Depois disso, veio a espera de 11 meses até o confronto decisivo diante do quinto colocado da Ásia. O Bahrein havia eliminado a Arábia Saudita e conquistado a vaga na repescagem, fase na qual fora eliminado por Trinidad e Tobago quatro anos antes.

Sob um calor exaustivo, os neozelandeses lutaram bravamente durante os primeiros 90 minutos e seguraram um empate sem gols em Manama. O jogo de volta foi disputado com muita tensão e a seleção da casa conseguiu o gol da vitória no último minuto do primeiro tempo, numa cabeçada de Rory Fallon. O representante asiático ainda teve a chance de empatar com um pênalti marcado aos cinco minutos da segunda etapa, mas quem se consagrou foi o goleiro Mark Paston, que certamente será lembrado por sua defesa decisiva.

As estrelas
O capitão e zagueiro central Ryan Nelsen é sem sombra de dúvidas o nome de maior destaque e com mais credenciais do elenco. O jogador é presença constante nos jogos do Blackburn da Inglaterra há vários anos, sendo o único neozelandês a atingir tal longevidade na Premier League. Os All Whites, como são conhecidos, contam com diversas opções no ataque também, começando pelo produtivo Shane Smeltz. O atacante foi considerado o Jogador do Ano da Oceania, além de ter sido o artilheiro do Campeonato Australiano, a A-League. A sua principal característica é a qualidade na finalização, enquanto o jovem e alto Chris Wood se destaca ao lado de Rory Fallon no jogo aéreo.

O técnico
Ricki Herbert é um dos maiores nomes do futebol neozelandês e marcou época no grupo que disputou o Mundial de 1982, tornando-se mais tarde o primeiro jogador do país a atuar na Inglaterra, defendendo o Wolverhampton. Alguns anos depois de assumir o comando da seleção nacional, em 2005, Herbert passou a treinar também o Wellington Phoenix, clube neozelandês que disputa a A-League. Visto com bons olhos tanto no país quanto na vizinha Austrália, o treinador transformou os All Whites em um time regular e homogêneo.

Participação anterior
O país participou apenas uma vez do maior evento do futebol mundial, quando se classificou para a Copa da Espanha, naquela que seria considerada uma das maiores conquistas do esporte nacional. A seleção obteve resultados impressionantes contra Austrália, Arábia Saudita e China, chegando à marca de 15 jogos sem derrota nas eliminatórias, um recorde na época. Contando com o jovem Wynton Rufer, que viria a ser o jogador neozelandês mais conhecido atuando fora do país, os All Whites perderam os três jogos no Mundial, o que não desmereceu a participação do país, que enfrentou as fortes seleções do Brasil, União Soviética e Escócia.

Time-base
Paston; Sigmund, Nelsen e Vicelich; Bertos, Brown, Elliott e Lochhead; Smeltz, Fallon e Killen.

Jogos
15/06 - 08h30 - Nova Zelândia x Eslováquia (Royal Bafokeng)
20/06 - 11h - Itália x Nova Zelândia (Mbombela)
24/06 - 11h - Paraguai x Nova Zelândia (Peter Mokaba)

Lista final de convocados

Goleiros
James Bannatyne (Team Wellington)
Glen Moss (Melbourne Victory-AUS)
Mark Paston (Wellington Phoenix)

Defensores
Andy Boyens (New York Red Bulls-USA)
Tony Lochhead (Wellington Phoenix)
Ryan Nelsen (Blackburn Rovers-ING)
Winston Reid (FC Midtjylland-DIN)
Ben Sigmund (Wellington Phoenix)
Tommy Smith (Ipswich-ING)
Ivan Vicelich (Auckland City)

Meias
Andy Barron (Team Wellington)
Leo Bertos (Wellington Phoenix)
Tim Brown (Wellington Phoenix)
Jeremy Christie (FC Tampa Bay Rowdies-USA)
Aaron Clapham (Canterbury United)
Simon Elliott (sem clube)
Michael McGlinchey (Motherwell-ESC)
David Mulligan (sem clube)

Atacantes
Jeremy Brockie (Newcastle Jets-AUS)
Rory Fallon (Plymouth-ING)
Chris Killen (Middlesbrough-ING)
Shane Smeltz (Gold Coast United-AUS)
Chris Wood (West Bromwich Albion-ING)

Nunca sem meu irmão

Cortado da Copa, Jonathan dos Santos (irmão de Giovani) diz que não volta à seleção mexicana

Irmãos que defendem suas seleções nas Copas do Mundo já não é mais algo pitoresco, diferente ou curioso: ao longo dos Mundiais, já foram quarenta casos, oitenta atletas que, na mesma Copa, atuaram lado a lado com seus irmãos, gêmeos ou não. Por isso, os mexicanos Giovani e Jonathan dos Santos seriam apenas mais dois nas estatísticas ao disputar a Copa de 2010. Seriam, porque Jonathan não permaneceu na lista final dos convocados por Javier Aguirre.

Publicado no Olheiros

O meia de 20 anos possui, de fato, pouca experiência com a camisa Tricolore (foram cinco partidas até aqui), mas em um elenco com apenas três meias e nove jogadores de marcação, o corte foi considerado até certo ponto surpreendente, e de maneira nada positiva. A reação de Jona, como é conhecido, é que foi ainda mais inesperada. Após sair chorando da concentração da seleção, ele teria decidido nunca mais defender a equipe de seu país.

A declaração não foi ouvida do próprio Jonathan, mas de seu pai, Geraldo dos Santos. “Jona não voltará a jogar pelo México. Adoro este país, que passou a ser meu, mesmo sendo brasileiro, mas minha tristeza é com a seleção mexicana, e meu filho não a defenderá mais”, disse Zizinho, como é conhecido o brasileiro pai da dupla prodígio.

No dia seguinte, outra bomba. Abalado pelo corte de Jona, Giovani teria dito ao pai que cogitava a possibilidade de abandonar a disputa da Copa do Mundo. “Gio está muito magoado. Ele nem sente mais vontade de jogar a Copa”, disse Zizinho. Segundo ele, os irmãos se despediram às lágrimas e, em todas as vezes que conversou com cada um deles, eles estavam chorando.

No momento do anúncio do corte, Javier Aguirre lembrou o fato de que o ciclo de Jona como jogador está apenas começando. “Neste momento não se realiza o sonho de Jonathan de disputar uma Copa do Mundo, mas o seu caminho na seleção mexicana é longo. Após a Copa haverá os Jogos Pan-Americanos, a Copa América sub-23 e os Jogos Olímpicos”, disse Néstor de la Torre, diretor geral de seleções do México.

A decisão do treinador mexicano pode até não afetar diretamente a equipe para a disputa desta Copa – ou pode, dependendo de como Giovani irá lidar com o fato conforme passam os dias, já que ele é titular e uma das principais armas ofensivas da Tri. Mas considerando que Jonathan seria reserva, pode influenciar fortemente no futuro da própria seleção.

O corte de Jona representa a quebra de uma promessa de quando Aguirre, treinador do México na Copa de 2002, reassumiu o comando: retomar o caminho das vitórias e garantir a vaga para o Mundial, deixando medalhões de fora e chamando os melhores jogadores, além de preparar uma nova geração para o futuro. Até aqui, apenas o objetivo da classificação foi alcançado, já que Aguirre acabou por incluir o veteraníssimo Blanco na lista – talvez exatamente na vaga que poderia ser do meia do Barcelona, que talvez como prova de seu valor teve contrato renovado pelo clube catalão até 2012.

Mais do que acrescentar para a equipe, a convocação de garotos para a Copa do Mundo deveria ser incentivada (ou até exigida, com algo como uma obrigação de três nomes abaixo dos 21 anos) para a aquisição de experiência em eventos de tamanha grandeza. Vale lembrar que o México não é o Brasil, que tem talento sobrando à disposição para esbanjar e até dizer “não, obrigado”. Quando se lembra que nomes como Adolfo Bautista foram mantidos, e que Jona já havia sofrido trauma semelhante (certa vez, foi excluído da seleção sub-15 já no aeroporto, e teve de devolver o uniforme à delegação), a revolta começa a passar de compreensível para mútua.

As declarações de Zizinho podem ter sido exageradas – podem até nem ter sido verdade –, mas têm um fundamento e um alvo direto: de la Torre tem influência acima do desejado nas decisões de Aguirre, fato que a imprensa mexicana não cansa de lembrar. As opiniões do diretor geral de seleções da Femexfut seriam tão pesadas a ponto de interferir na convocação final para a Copa, e especificamente no caso de Jona.

A que ponto toda a polêmica influenciará no desempenho de Giovani, estamos a uma
semana de conferir (ao menos no amistoso contra a Itália, ele foi muito bem). Se Jonathan voltará atrás em sua decisão, isto é algo que somente o tempo dirá. Só não se pode esperar para investigar até onde vai o poder dos dirigentes da federação, sob o risco de se jogar fora toda uma geração de ouro do futebol mexicano – e com ela, o próprio futuro da seleção.

sábado, 5 de junho de 2010

Apresentação das seleções - Paraguai

Depois de fazer a melhor campanha da sua história nas Eliminatórias, o Paraguai chega à quarta Copa do Mundo consecutiva com a intenção de provar de que está à altura das grandes seleções do continente. O selecionado alvirrubro do técnico argentino Gerardo Martino parece estar pronto para ratificar o que os antecessores insinuaram em 1998 e 2002, quando o Paraguai chegou às oitavas de final e foi eliminado por duas das finalistas daquelas edições do torneio - França e Alemanha, respectivamente.

A atual seleção paraguaia demonstra a sua habitual força defensiva, mas tem a vantagem de contar com jogadores potentes e habilidosos no ataque, capazes de ameaçar qualquer defesa. Esta pode ser a maior diferença entre este grupo e aquele que não passou da primeira fase na Alemanha 2006. Vários jogadores que sofreram aquele revés parecem ter aprendido a lição e estão prontos para se vingarem em solo sul-africano, como Roque Santa Cruz, um dos mais experientes do elenco.

As pretensões paraguaias pareciam ter sofrido um duro golpe com o acidente envolvendo Salvador Cabañas, o principal personagem da equipe desde a aposentadoria dos ícones Chilavert e Gamarra. Sem o homem-gol, ferido à bala e que sobreviveu de forma surpreendente, os guaranis encontraram uma solução melhor do que o esperado: o argentino naturalizado Lucas Barrios, que apesar de nunca ter atuado no futebol do país, chegou de última hora para buscar a vaga de titular. O desempenho nos amistosos recentes coloca os paraguaios como favoritos à segunda vaga da chave.

O caminho à África do Sul
Pela primeira vez desde que o atual sistema de pontos corridos foi adotado, o Paraguai conseguiu superar a barreira dos 30 pontos. Foram 33, conseguidos com dez vitórias (somente igualadas pelo Chile), três empates e apenas cinco derrotas. A confirmação da classificação chegou em 9 de setembro de 2009, quando os paraguaios derrotaram a Argentina por 1 a 0 na 16ª rodada em Assunção. A festa foi tamanha que o presidente Fernando Lugo decretou feriado nacional em comemoração.

O ponto alto da campanha foi a verdadeira fortaleza estabelecida no Estádio Defensores del Chaco, onde o Paraguai venceu sete partidas. Como visitante, a seleção paraguaia só perdeu três jogos e conquistou 12 pontos, o que demonstra a sua personalidade para encarar confrontos difíceis fora de casa. Entretanto, serve o alerta de que o time caiu demais de produção no segundo turno, após chegar a liderar a classificação com certa folga.

"O segredo da nossa classificação esteve no trabalho silencioso e responsável dos jogadores e de todos os profissionais em torno da seleção. Se não tivéssemos atingido o objetivo, como fizeram os treinadores anteriores, teríamos entrado na história paraguaia de forma negativa. Quem comanda uma seleção o faz por dois motivos: durar no cargo ou entrar para a história. Escolho a segunda opção", disse o técnico Gerardo Martino.

As estrelas
O selecionado paraguaio conta com jogadores de renome internacional que jogam, em sua maioria, em clubes do México e da Europa. Apesar de o elenco contar com jogadores de destaque em todas as posições, os nomes de peso estão no ataque - e isso apesar do triste incidente envolvendo Salvador Cabañas. Roque Santa Cruz ficou fora de boa parte das partidas das Eliminatórias, mas é um dos atacantes mais importantes do conjunto guarani.

Mas não é o único: Nelson Haedo Valdez e Óscar Cardozo também têm desandado a marcar gols no futebol europeu e esperam fazer o mesmo na África do Sul. Entretanto, Lucas Barrios tem uma história que parece sair dos filmes. Após grande temporada no Borussia Dortmund, deve ser confirmado como titular para a estreia, e em três jogos já marcou dois gols.

O técnico
Nascido em 20 de novembro de 1962 em Rosário, Gerardo Martino é um dos muitos treinadores argentinos que vêm se destacando no futebol sul-americano. O "Tata", um talentoso meia ofensivo na década de 1990, começou a carreira como técnico em 1998 à frente de clubes pequenos no futebol argentino. Já em 2002, ele desembarcou no Paraguai, onde dirigiu o Cerro Porteño e o Libertad, clube com o qual alcançou os maiores sucessos.

Muitas vezes comparado ao mentor Marcelo Bielsa, Martino teve um merecido prêmio em 2006 ao receber uma oferta para substituir Aníbal Ruiz à frente da seleção paraguaia. E ele não decepcionou: com um trabalho sério, responsável e discreto, o país conquistou a melhor classificação da sua história.

Participações anteriores
- A Copa de 2010 é a oitava participação do Paraguai em um Mundial, e a quarta consecutiva.
- O Paraguai nunca ganhou duas partidas em uma mesma edição, nem conseguiu passar das oitavas de final da competição.
- Nas participações anteriores, o Paraguai acumulou seis vitórias, sete empates e nove derrotas. Sua campanha mais memorável foi em 98, quando ostentou uma defesa sólida, formada por Arce, Ayala e Gamarra, além do goleiro Chilavert – foram eliminados pelos anfitriões franceses apenas no gol de ouro.

Time-base
Villar; Darío Verón, Julio Cesar Cáceres, Da Silva, Morel Rodriguez; Vera, Riveros, Victor Cáceres, Barreto; Valdez e Óscar Cardozo (Barrios).

Jogos
14/06 - 15h30 - Itália x Paraguai (Green Point)
20/06 - 08h30 - Eslováquia x Paraguai (Free State)
24/06 - 11h - Paraguai x Nova Zelândia (Peter Mokaba)

Lista final de convocados

Goleiros
Justo Villar (Valladolid, ESP)
Aldo Bobadilla (Independiente Medellin, COL)
Diego Barreto (Cerro Porteño)

Defensores
Denis Caniza (León, MEX)
Darío Verón (Pumas, MEX)
Julio César Cáceres (Atlético-MG)
Antolín Alcaraz (Brujas, BEL)
Paulo da Silva (Sunderland, ING)
Claudio Morel (Boca Juniors, ARG)
Carlos Bonet (Olimpia)
Aureliano Torres (San Lorenzo, ARG)

Meias
Enrique Vera (LDU, EQU)
Cristian Riveros (Cruz Azul, MEX)
Jonathan Santana (Wolfsburg, ALE)
Néstor Ortigoza (Argentinos Juniors, ARG)
Víctor Cáceres (Libertad)
Edgar Barreto (Atalanta, ITA)

Atacantes
Rodolfo Gamarra (Libertad)
Roque Santa Cruz (Manchester City, ING)
Nelson Haedo Valdez (Borussia Dortmund, ALE)
Lucas Barrios (Borussia Dortmund, ALE)
Óscar Cardozo (Benfica, POR)
Edgar Benítez (Pachuca, MEX)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

História das Copas - Estados Unidos 1994



A escolha dos Estados Unidos como sede da 15ª edição da Copa do Mundo foi muito contestada, pelo fato do país não ter tradição nenhuma no futebol. Entretanto, o sucesso de público calou a boca dos críticos, embora as partidas tenham sido realizadas em um horário nada agradável para os jogadores: muitos jogos começaram sob o forte sol do meio dia, para adequar-se ao fuso horário europeu.

O Brasil nunca havia passado por eliminatórias tão conturbadas. Pela primeira vez na história, a seleção perdeu uma partida preliminar: 2 a 0 para a Bolívia em La Paz com uma ajuda do goleiro Taffarel. O técnico Parreira não convocava o atacante Romário e, pressionado pela torcida e pela necessidade de uma vitória contra o Uruguai no último jogo, chamou o Baixinho, que deu conta do recado e classificou a seleção canarinho. A Bolívia, que havia vencido o Brasil, estrearia em Copas, ao passo que a Colômbia, com status de favorita, assegurou a vaga após ter goleado a Argentina por 5 a 0 pelas eliminatórias. Os hermanos só se classificaram na repescagem, vencendo a Austrália.

Na Europa, dois grandes times ficaram de fora do Mundial: A Inglaterra foi eliminada por Noruega e Holanda, enquanto que a França caiu diante de Suécia e Bulgária. A Itália só se classificou no último jogo, eliminando Portugal com uma vitória magra em Milão. A Rússia se classificou pela primeira vez após a cisão da União Soviética. Já a Grécia se classificou pela primeira vez e Espanha, Bélgica, Romênia e Irlanda completaram a lista européia. A Alemanha, é claro, já estava classificada por ser a atual campeã.

Na Concacaf, o México ficou com a única vaga disponível, já que os anfitriões estadunidenses tinham lugar garantido. Na Ásia, a Arábia Saudita se classificou pela primeira vez, frustrando os planos japoneses de disputar sua primeira Copa. Acompanharam os árabes a Coréia do Sul. Na África, os veteranos Camarões e Marrocos tiveram a companhia da estreante Nigéria na viagem rumo à América do Norte.

Primeira fase

A Alemanha tratou de acabar com a maldição do jogo de estréia, sendo o primeiro campeão a vencer tal partida desde que a mesma foi instituída, em 1974. Mesmo assim, foi um jogo duro no estádio Solder Field, em Chicago: 1 a 0 sobre a fraca Bolívia com um gol de Klinsmann. O artilheiro do Monaco ainda marcaria o gol alemão no empate em 1 a 1 contra a Espanha e mais dois na vitória de 3 a 2 sobre a Coréia do Sul, que ainda arrancou um empate contra os espanhóis. Coreanos e bolivianos, entretanto, morreram na praia.

O Brasil teve uma primeira fase fácil nos resultados e difícil no futebol. A zaga titular, Ricardo Rocha e Ricardo Gomes, foi cortada por contusões e coube a Aldair e Márcio Santos a tarefa de segurar os adversários. Apesar de só tomar um gol na primeira fase, a defesa brasileira deu muitos sustos. Na partida de estréia, o meio-campo com Raí e Zinho criou muito pouco e Romário só marcou um gol aproveitando uma cobrança de escanteio. Raí aumentou de pênalti, mas sua saída era pedida pela torcida e pela imprensa, que apelidara o outro meia armador, Zinho, de "

No segundo jogo, a seleção de Camarões era temida por sua campanha na Copa de 90. O que se viu, entretanto, foi um time longe do que apresentara um futebol vistoso quatro anos antes. Romário mais uma vez desiquilibrou, abrindo o placar numa arrancada aos 39 do primeiro tempo. Márcio Santos, de cabeça, e Bebeto completaram a goleada. Bebeto e Romário eram uma dupla quase perfeita. Com as duas vitórias, o Brasil já estava classificado, mas precisava ao menos empatar com a Suécia para garantir o primeiro lugar. Mais uma vez o meio-campo não rendeu e a zaga, preocupada demais em marcar os atacantes Dahlin e Brolin, se descuidou e deixou espaços para Kenneth Andersson abrir o placar. O Brasil sofreu mas brilhou de novo a estrela de Romário que, de bico, empatou.

O Brasil enfrentaria os donos da casa no feriado nacional, o Dia da Independência, 4 de julho. Mas por muito pouco os Estados Unidos sequer se classificaram para a segunda fase, o que quebraria uma escrita do país-sede sempre avançar na competição. Os americanos empataram com a Suíça na estréia e venceram a badalada Colômbia por 2 a 1 com um gol contra do zagueiro Escobar, mas a derrota para a Romênia por 1 a 0 quase lhes custou a vaga. Um fato triste é que Escobar, que marcou o gol contra, foi assassinado na Colômbia logo quando voltou da Copa exatamente por ter marcado esse gol. A Colômbia, aliás, foi uma das grandes decepções da Copa, sendo eliminada logo na primeira fase. A Romênia de Hagi terminou em primeira no grupo.

No Grupo D, a Argentina só se classificou em terceiro, embora tenha sido nos critérios de desempate. Após vencer o saco de pancadas grego por 4 a 0 e derrotar os surpreendentes nigerianos por 2 a 1, o craque Maradona foi pego no antidoping e foi expulso do Mundial. Uma despedida trágica de um jogador polêmico. A Bulgária de Letchkov e Stoitchkov foi outra surpresa, vencendo os argentinos - sem Maradona - por 2 a 0.

Já no grupo E, imperou a chatice. Todos os times terminaram com 4 pontos e a classificação foi definida apenas por sorteio: a Irlanda ficou em segundo, na frente da Itália. O México foi o campeão do grupo por ter feito mais gols e a Noruega foi eliminada. A grande surpresa do grupo foi a vitória irlandesa por 1 a 0 sobre os italianos na estréia, com um golaço por cobertura do meio da rua do meia Houghton.



Por fim, outra surpresa no Grupo F: a Arábia Saudita venceu Marrocos e Bélgica para ficar em segundo lugar no grupo, perdendo para a Holanda apenas no confronto direto. O atacante Al Owairan fez um gol histórico, driblando quase todo o time belga e fuzilando o já veterano goleiro Preud`homme.

Oitavas de final

O Brasil teria uma tarefa inglória nas oitavas de final: enfrentar os donos da casa no maior feriado nacional, o dia da comemoração da independência do país. Naquele 4 de julho, os americanos se inflaram de patriotismo para buscar a classificação com uma vitória sobre o Brasil que se tornaria histórica. E os americanos dificultaram o quanto puderam. Parreira finalmente tirou Raí do time, escalando Mazinho, que trouxe mais mobilidade ao meio-campo.

Mas a retranca estadunidense era forte e o Brasil só conseguiu marcar um gol aos 27 minutos do segundo tempo, numa jogada de Romário que lançou Bebeto que, por sua vez, acertou um chute milimétrico para o fundo das redes do goleiro Meola. Se a torcida ficou nervosa ao ver a partida, os jogadores também tiveram seus ânimos acirrados, tanto que Leonardo, escalado na lateral, acertou uma cotovelada no rosto de Tab Ramos e foi justamente expulso, sendo suspenso pelo resto do Mundial. O americano teve seu maxilar quebrado pela força do golpe. Mas no final das contas, o que valia era que o Brasil estava classificado para as quartas de final.

O adversário seria a Holanda, que vencera a Irlanda com boa atuação do atacante Dennis Bergkamp. A imprensa brasileira falava de uma revanche de 20 anos antes, quando o Brasil foi eliminado pela Laranja Mecânica. Além dos holandeses, também passaram para as quartas-de-final os espanhóis, com uma ótima vitória de 3 a 0 sobre a Suíça, e os búlgaros, que eliminaram os mexicanos nos pênaltis após empate de 1 a 1.

A Suécia tratou de espantar a zebra saudita e venceu por 3 a 1, com um gol de Dahlin logo aos 6 minutos e outros dois de Kenneth Andersson. Al Guesheyan descontou. Em partida com início eletrizante, a Alemanha venceu a Bélgica por 3 a 2, sendo que com 11 minutos de jogo o placar já apontava três gols: dois para os alemães e um para os belgas.

Mas as duas partidas mais emocionantes das oitavas-de-final foram, sem dúvida, Romênia x Argentina e Itália x Nigéria. Na primeira, os argentinos tentavam provar que poderiam chegar à final sem o astro Maradona. Mas esbarraram em mais uma grande atuação de Hagi e seus companheiros. Dumitrescu abriu o placar aos 11 e Batistuta empatou 5 minutos depois. Logo depois da saída de bola, Dumitrescu colocou os romenos novamente na frente e Hagi tratou de matar os argentinos com seu gol no 13° minuto da segunda etapa. Balbo ainda descontou mas já era tarde: a Argentina estava eliminada.

A Itália sofreu muito mais, mas pelo menos conseguiu a classificação. Surpreendida pelo alegre futebol nigeriano, os italianos levaram um gol de Amunike aos 25 do primeiro tempo. A pressão italiana transformou-se em desespero quando, a dois minutos do fim, Roberto Baggio empatou. Na prorrogação, o craque da Juventus marcou mais um, desta vez de pênalti, e assegurou a classificação italiana, que momentos antes parecia tão impossível. Mais uma vez o futebol africano era punido por sua displiscência na marcação.

Apresentação das seleções - Itália

Atual campeã mundial, a Itália entrará novamente como candidata a repetir o feito na Copa da África do Sul. Única, ao lado do Brasil, a conquistar dois títulos consecutivos, a seleção comandada por Marcello Lippi sonha em voltar a fazer história, como em 1934 e 1938.

Entretanto, para isso Lippi precisará enfrentar críticas e desconfianças ainda maiores que em 2006. Praticamente abrindo mão do talento para prestigiar os jogadores campeões com ele há quatro anos, o treinador que desistiu da aposentadoria e voltou à Azzurra após o fraco desempenho sob o comando de Donadoni apoia sua filosofia em um esquema tático ofensivo para os padrões italianos (um misto de 433 com 4231) e na maior quantidade de campeões mundiais ainda em condições de atuar que conseguir reunir.

Por isso, além de Buffon – que teve talvez sua pior temporada na Juventus –, nomes já não tão mais inquestionáveis como Cannavaro, Gattuso, Camoranesi e Pirlo estarão novamente presentes, enquanto jovens esperanças como Giuseppe Rossi acabaram ficando de fora. Com tudo isso, é de se esperar que a Itália não vá muito longe na África do Sul.

O caminho à África do Sul
Sem brilho, mas com a eficiência de sempre, a Itália encerrou a campanha no Grupo 8 como líder invicta. Em dez jogos, obteve sete vitórias e três empates, com 18 gols marcados e sete sofridos.

A Azzurra assumiu a liderança já na primeira rodada, ao vencer Chipre por 2 a 1. A partir daí, não deixou mais o topo da chave. No entanto, da mesma forma que em 1982 e 2006, só confirmou a classificação na penúltima partida das eliminatórias. Coincidência ou não, o país se sagrou campeão do mundo nas duas oportunidades.

Alberto Gilardino foi o artilheiro italiano com quatro gols, três deles marcados em menos de 15 minutos na suada vitória de virada contra Chipre, por 3 a 2, na última rodada.

As estrelas
Considerado há anos um dos melhores goleiros do mundo, Gianluigi Buffon segue aos 31 anos como um dos pilares da defesa italiana. A espetacular defesa de reflexo após a cabeçada de Zinédine Zidane já na prorrogação da final da Copa de 2006 ilustra bem o talento do jogador.

Outra peça fundamental da defesa é o capitão Fabio Cannavaro, injustamente vencedor do prêmio da FIFA de melhor jogador do mundo em 2006. Aos 36 anos, ele busca ser ainda uma referência para os companheiros pelo posicionamento dentro da área e pela experiência de 130 partidas pela seleção.

O técnico
Aos 61 anos, Marcello Lippi é um técnico experiente e hábil estrategista. A prova veio na Copa de 2006, em que cinco dos 12 gols da campanha do tetracampeonato mundial foram marcados por jogadores que iniciaram as partidas no banco. Entre os maiores feitos da carreira de Lippi está o recorde de 31 partidas consecutivas sem derrota com a seleção. Após conquistar praticamente todos os títulos mais importantes, o treinador decidiu encerrar a passagem pela equipe nacional em alta, com a taça na Alemanha.

Mas, depois da decepcionante participação da Itália na Euro 2008, Lippi aceitou o desafio de substituir Roberto Donadoni e voltou ao comando. Rapidamente, ele reconstituiu a defesa, remodelou o meio de campo e testou diversos novos atacantes, utilizando 36 jogadores ao longo das eliminatórias. Cannavaro e o lateral Gianluca Zambrotta foram os que mais estiveram presentes, com 810 minutos cada.

"Nenhuma seleção é superior à Itália. Não quero dizer que somos melhores que os outros, mas posso afirmar que não somos inferiores a ninguém", disse um resoluto Lippi após o sorteio das chaves, portanto bem antes de sua equipe apenas empatar sem gols com Camarões e ser derrotada para o México por 2 a 1, nos dois únicos amistosos

Participações anteriores
Os italianos só não participaram de duas das 18 edições da Copa. No entanto, apenas em 1958 o país não superou as Eliminatórias; antes, em 1930, a Itália não se inscreveu na competição. A sala de troféus é ampla, com quatro conquistas mundiais em 1934, 1938, 1982 e 2006. Além disso, a Azzurra foi vice-campeã em 1970 e 1994 e terceira colocada em 1990.

Time-base
Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Chiellini, Criscito; De Rossi, Marchisio, Pirlo; Camoranesi, Gilardino e Di Natale.

Jogos
14/06 - 15h30 - Itália x Paraguai (Green Point)
20/06 - 11h - Itália x Nova Zelândia (Mbombela)
24/06 - 11h - Eslováquia x Itália (Ellis Park)

Lista final dos convocados

Goleiros
Gianluigi Buffon (Juventus)
Morgan De Sanctis (Napoli)
Federico Marchetti (Cagliari)

Defensores
Salvatore Bocchetti (Genoa)
Leonardo Bonucci (Bari)
Fabio Cannavaro (Juventus)
Giorgio Chiellini (Juventus)
Domenico Criscito (Genoa)
Christian Maggio (Napoli)
Gianluca Zambrotta (Milan)

Meias
Mauro Camoranesi (Juventus)
Gennaro Gattuso (Milan)
Claudio Marchisio (Juventus)
Riccardo Montolivo (Fiorentina)
Angelo Palombo (Sampdoria)
Simone Pepe (Udinese)
Andrea Pirlo (Milan)
Daniele De Rossi (Roma)

Atacantes
Antonio Di Natale (Udinese)
Alberto Gilardino (Fiorentina)
Vincenzo Iaquinta (Juventus)
Giampaolo Pazzini (Sampdoria)
Fabio Quagliarella (Napoli)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Apresentação das seleções - Camarões

Apesar de terem perdido um pouco do brilho desde que surpreenderam o mundo na Copa de 1990, os camaroneses não podem ser subestimados na África do Sul. Camarões é um autêntico representante do melhor do futebol africano, e isso se reflete na posição ocupada pelo país no ranking da FIFA: 11ª, a melhor do continente.

Camarões já esteve cinco vezes no Mundial, um recorde na África. Na Itália 1990, conseguiu chegar às quartas de final, marca somente igualada por Senegal, em 2002. Mas, desde aquela campanha vitoriosa, nunca mais passou da primeira fase. Nas três últimas participações, o país ganhou apenas uma das nove partidas que disputou. Além disso, ficou de fora da Alemanha 2006 ao perder um pênalti no final do último jogo das eliminatórias, contra o Egito.

Mas o longo caminho até a África do Sul de um novo ímpeto à seleção. Por isso, a torcida espera que este grupo repita o feito da geração de Roger Milla e François Oman-Biyik, que entrou para a história em 1990. "Fizemos as pessoas voltarem a acreditar na seleção. Disputar uma Copa do Mundo é uma grande conquista, principalmente agora que ela acontece na África. Somos perigosos, porque temos um grupo experiente e aprendemos a jogar bem em equipe", disse o sempre polêmico Eto’o.

O caminho à África do Sul
Vencer o Marrocos por 2 a 0 no jogo decisivo das eliminatórias pode até ter sido fácil, mas na realidade Camarões precisou de uma virada completa na campanha que vinha fazendo para conseguir se classificar. Após iniciar a fase final com apenas um ponto em duas partidas, os camaroneses acumularam quatro vitórias seguidas e, com isso, garantiram a vaga. Foram dois triunfos na mesma semana contra o Gabão, adversário direto no grupo (2 a 0 fora de casa e 2 a 1 na volta), e uma goleada de 3 a 0 sobre o Togo, além do confronto final contra os marroquinos. Animada pela boa atuação da defesa, que conta com os experientes Geremi Njitap, Rigobert Song e o goleiro Idriss Carlos Kameni, a seleção camaronesa sofreu apenas dois gols nas seis partidas da fase final das eliminatórias.

As estrelas
Artilheiro de Camarões nas eliminatórias com nove gols em 11 partidas, Samuel Eto'o é um dos maiores craques do futebol mundial no momento e, portanto, o homem que deve dar mais trabalho às defesas adversárias. O promissor Pierre Webo é outra ameaça do setor ofensivo camaronês. Jean Makoun, Stéphane Mbia e Alex Song formam um meio-campo de qualidade e forte na marcação, enquanto que Rigobert Song, Geremi e Kameni dão segurança e experiência à defesa.

O técnico
A sorte dos camaroneses nas eliminatórias só começou a mudar com a chegada do francês Paul Le Guen ao comando da seleção. Famoso pela seriedade, o técnico de 45 anos já havia treinado grandes clubes, como Lyon, Glasgow Rangers e Paris Saint-Germain. Ele assumiu Camarões no lugar do alemão Otto Pfister, que deixou o cargo depois do fraco desempenho do selecionado no início da fase final do torneio classificatório.

Le Guen levou profissionalismo ao grupo e foi o responsável pela visível mudança de atitude dos jogadores camaroneses. Uma das suas decisões mais polêmicas foi tirar a faixa de capitão de Rigobert Song, líder da seleção havia muito tempo, e entregá-la a Samuel Eto'o, três vezes melhor jogador africano. A mudança, no entanto, deu bons resultados e acabou sendo exatamente o que faltava aos dois atletas e ao plantel.

Participações anteriores
- Camarões foi eliminado na primeira fase na Espanha 1982, apesar de não haver sofrido nenhuma derrota. Com três empates, acabou perdendo o segundo lugar do grupo para a Itália no número de gols marcados.

- Os camaroneses já disputaram 17 partidas no Mundial, recorde entre as seleções africanas. A vitória por 1 a 0 na abertura da Copa de 90 sobre a Argentina, então detentora do título, é uma das maiores zebras da história do torneio.

- Roger Milla é o jogador mais velho a marcar um gol na maior competição do futebol mundial. O feito foi conseguido contra a Rússia, em 1994, quando ele tinha 42 anos e 39 dias. O atacante também se tornou o primeiro africano a jogar três edições da Copa do Mundo.

Time-base
Kameni; Geremi, Chedjou (Bassong), N'Koulou, Assou-Ekotto; Emana, Mbia, Song, Enoh, Idrissou; Eto'o

Jogos
14/06 - 11h00 - Japão x Camarões (Free State Stadium)
19/06 - 15h30 - Camarões x Dinamarca (Loftus Versfeld)
24/06 - 15h30 - Camarões x Holanda (Green Point)

Lista final de convocados

Goleiros

Guy Roland N'Dy Assembe (Valenciennes-FRA)
Idriss Carlos Kameni (Espanyol-ESP)
Hamidou Souleymanou (Kayserispor-TUR)

Defensores
Benoit Assou-Ekotto (Tottenham-ING)
Sebastien Bassong (Tottenham-ING)
Gaetan Bong (Valenciennes-FRA)
Aurelien Chedjou (Lille-FRA)
Geremi (Ankaragucu-TUR)
Stephane Mbia (Olympique-FRA)
Nicolas Nkoulou (Monaco-FRA)
Rigobert Song (Trabzonspor-TUR)

Meio-campistas
Achille Emana (Bétis-ESP)
Enoh Eyong (Ajax-HOL)
Jean Makoun (Lyon-FRA)
Georges Mandjeck (Kaiserslautern-ALE)
Joel Matip (Schalke 04-ALE)
Landry Nguemo (Celtic-ESC)
Alexandre Song (Arsenal-ING)

Atacantes
Vincent Aboubakar (Coton Sport-CMR)
Eric Choupo-Moting (Nuremburg-ALE)
Samuel Eto'o (Inter de Milão-ITA)
Mohamadou Idrissou (Freiburg-ALE)
Achille Webo (Mallorca-ESP)