terça-feira, 19 de outubro de 2010

Inspirada em símbolos norte-americanos, diretoria do Guaratinguetá apresenta Americana Futebol Ltda.

Invocando símbolos norte-americanos, citando a proximidade com o poder público e criticando a prefeitura de Guaratinguetá, a diretoria do Americana Futebol Ltda. apresentou oficialmente na noite desta segunda-feira (18) o novo clube, que terá como sede a cidade de Americana, a 120km de São Paulo. Segundo o contrato firmado pelo empresário Sony Douer, dono do clube-empresa, a equipe permanecerá no município por pelo menos dez anos.

O evento contou também com a apresentação do novo técnico do Guaratinguetá para a Série B do campeonato brasileiro. Edinho ex-zagueiro do Fluminense e da seleção brasileira, assinou contrato até o final do ano com o objetivo de manter a equipe na segunda divisão nacional. "Esperamos terminar o ano de forma tranquila, já projetando a temporada de 2011 em Americana", afirmou o novo treinador.

De acordo com o diretor executivo Cândido Neto, que intermediou as negociações, as conversas com o proprietário do clube começaram há sete meses e várias cidades demonstraram interesse, mas Americana apresentou a melhor proposta. As vantagens oferecidas por Americana em relação a Guaratinguetá foram apontadas como principais motivos para a mudança.

“O grande trunfo pelo qual nós mudamos de sede é exatamente economizarmos na estrutura para investirmos na equipe profissional. O Guaratinguetá Futebol cresceu, mas a cidade de não acompanhou esse crescimento. Americana nos ofereceu condições de desenvolvermos nosso trabalho que Guará não nos oferece hoje, e por isso estamos aqui”, disse o coordenador técnico de futebol, Ricardo Navajas.

Questionado sobre quais seriam tais vantagens, Navajas citou a proximidade do poder público como fator fundamental na escolha da nova sede. “Pessoas influentes que tenham acesso ao governo do estado e ao governo federal facilitam. Qual é o prefeito que não gostaria de ter em sua cidade uma equipe na primeira divisão do campeonato paulista e na Série B do Brasileiro?”, afirmou, citando o prefeito de Americana, Diego de Nadai, filiado ao mesmo partido do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

De Nadai, por sua vez, afirmou que a contrapartida da cidade será apenas apoiando a equipe, sem aplicação de valores. “Sabemos que não se pode investir nenhum dinheiro público nessa área, então a prefeitura irá auxiliar politicamente, buscando patrocinadores e parceiros para investirem no clube”, emendou.

Durante seu pronunciamento, o presidente José Eduardo Ferreira errou por duas vezes o nome da equipe, chamando o Americana de Guaratinguetá. Agradecendo o apoio da cidade, disse que o objetivo do novo time é disputar títulos. “Queremos alçar vôos mais altos, revelar grandes jogadores e incomodar os grandes”, disse.

A mudança será realizada somente ao final do campeonato brasileiro da Série B, disputado pelo Guaratinguetá. Segundo Navajas, existe a possibilidade de os jogos restantes do time como mandante serem disputados em outro local. “Se hoje nós temos 400 pessoas torcendo contra em Guará, vamos parar? Claro que não. Qual o problema de jogar em Americana?”, disse, sem confirmar ou desmentir a possibilidade de o Guaratinguetá mandar jogos na Arena Barueri até o final do ano, conforme comentado durante o evento.

Distintivo e uniforme: inspiração nos Estados Unidos

Durante a apresentação da nova equipe, foram divulgados o distintivo, o uniforme e o mascote do Americana Futebol, que terá as cores da bandeira do município (azul, branco e vermelho), fundado por imigrantes norte-americanos.

A ligação com a história da cidade, entretanto, para por aí: o escudo tem fortes inspirações nos Estados Unidos. As cinco estrelas remetem às 50 estrelas da bandeira norte-americana, representando os estados daquele país. As listras verticais em branco e vermelho são 13, mesmo número presente na bandeira estadunidense, e que representam as treze colônias que lutaram pela independência do país.

A águia, mascote do clube e também presente no distintivo, foi escolhida por ser o animal símbolo norte-americano. Segundo o diretor executivo Cândido Neto, o nome da mascote, “Zé Merica”, é uma homenagem aos dois países. “Fazemos uma alusão à união entre o futebol brasileiro, representado pelo ‘Zé’, nome mais comum por aqui, e o ‘Merica’, que lembra o nome ‘América’, pelo qual os Estados Unidos são conhecidos”, explicou.


O uniforme, por sua vez, não possui a cor vermelha presente no escudo: é predominantemente branco, com faixa em azul nos ombros e detalhes em amarelo, com calções azuis e meiões brancos. Já a camisa reserva é invertida, com predominância do azul, faixa branca e detalhes em amarelo, calções brancos e meiões azuis. Curiosamente, lembra também as cores do uniforme da seleção de futebol dos Estados Unidos.

sábado, 16 de outubro de 2010

Erros juvenis

Contratação pelo Chelsea de Gyasi, de 11 anos, é exemplo dos equívocos do trabalho de captação

Publicado no Olheiros

Uma das notícias mais comentadas da semana no futebol internacional foi a contratação do atacante Michael Gyasi pelo Chelsea. Se o leitor não lembra do nome, não se culpe. Gyasi é um alemãozinho de onze anos de idade que até outro dia dividia suas tarefas escolares com a equipe sub-10 (!) do modestíssimo Northampton Town, da quarta e última divisão do futebol profissional inglês.

Curiosamente, nenhuma palavra oficial do Chelsea foi ouvida sobe a negociação. A divulgação foi do jornal britânico The Guardian, que afirmou, dentre outras coisas, que Gyasi chegou à academia dos Cobblers há cerca de três anos, pouco depois de mudar-se com seus pais ganeses para a Inglaterra e entrar na escola. Ainda segundo a matéria, ele teria chamado a atenção do clube de Stamford Bridge em um amistoso entre as duas equipes, cujo placar final foi 6 a 2 e ele, o autor dos dois gols do Northampton.

De acordo com o reportado, o Chelsea pagaria uma compensação financeira de dez mil libras (equivalente a cerca de R$ 26 mil) pelos investimentos do clube na formação do garoto até ali, além de outros valores maiores conforme ele progrida nas divisões de base e torne-se um profissional – nesta idade, Gyasi não pode assinar contrato e ser transferido como garotos de 17 anos ou mais.

Além da notória precocidade, chama a atenção neste caso a curiosidade que tal transferência desperta, tendo sido noticiada no mundo todo. Movimentações de garotos entre as escolinhas e divisões de base nos primeiros anos de academia são normais, mais comuns até do que a grande imprensa pensa ou tem capacidade de rastrear, mas talvez as peculiaridades de Gyasi, alemão filho de ganeses na Inglaterra, seja o que tenha chamado a atenção.

Puxando pela memória, podemos lembrar de vários garotos de idade parecida pinçados por grandes clubes. Tentando repetir o efeito Messi, o Barcelona por pouco não levou Erik Lamela do River Plate aos 12 anos, em 2004. Recentemente, teve melhor sorte ao contratar Guido Vadala, também de 12, junto ao Provincial. E não para por aí.

O Manchester United buscou Rhain Davis na Austrália aos nove anos, graças a vídeos do garoto no Youtube; no ano passado, o Al Gharafa, do Catar, passou a contar com Leozinho, filho de SETE anos de Leonardo Vitorino, técnico dos juniores da equipe, em sua escolinha oficial. E em um dos casos mais famosos, a Roma selecionou em 2008 o carioca Caio Werneck, de nove anos, em uma clínica em Petrópolis.

Como dito e mostrado em exemplos, o caso de Gyasi não é inédito. O que mudou nos últimos anos, como dizemos constantemente aqui no Olheiros, é que a super exposição destes garotos ainda tão cedo os coloca sob uma carga de pressão fora do comum e prejudicial para a idade. Afinal, aos onze anos, quem garante que Gyasi irá querer mesmo ser jogador de futebol no futuro? Além disso, a pergunta que parece até macabra, mas precisa ser feita, é: será que os clubes deveriam mesmo oferecer dinheiro em troca de crianças?

A verdade é que é difícil imaginar qual o ganho que um clube pode ter ao pinçar um menino de tão pouca idade em um clube pequeno, levá-lo para seu centro de treinamentos e investir nele por quase dez anos. Na maioria das vezes, o retorno futebolisticamente falando é muito pequeno, e financeiramente é muito raro. Talvez exatamente por isso os clubes insistam tanto e ampliem sua rede de observadores: na base de tentativa e erro, tentam aumentar a chance de sucesso ampliando o número de jogadores com que trabalham.

Essa transformação das categorias de base em linha de produção, deixando de lado a preocupação com a formação do jovem como pessoa e cidadão, sempre foi criticada por este colunista. O futebol deve ser praticado sim pelos melhores, mas primeiramente pelos que gostam. Que Gyasi deseje se tornar um futebolista e que tenha sucesso. Mas que não se force a barra de um menino que acabou de entrar na escola para que ele se torne um craque. Afinal, isso seria tentar mudar a ordem natural das coisas em nome somente do retorno futuro.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Guaratinguetá confirma mudança para Americana e já tem até novo distintivo

A diretoria do Guaratinguetá Futebol Ltda. já acertou a mudança do clube para a cidade de Americana em 2011. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pela assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Americana, que realizou todas as negociações para que a equipe se mudasse para a cidade. Os detalhes da mudança serão informados nesta segunda-feira, em evento oficial de apresentação da nova equipe, que já tem até distintivo pronto. As cores permaneceram as mesmas, já que o azul, o vermelho e o branco são também as cores da bandeira de Americana. O mascote, presente no distintivo, foi alterado de garça para águia.

Após o rompimento definitivo com a prefeitura de Guaratinguetá, os empresários receberam ofertas de diversas cidades para se instalarem, mas as conversas com Americana, que se arrastaram durante todo o ano, foram concluídas com sucesso. O Americana Futebol Ltda. mandará suas partidas da série A-1 do Campeonato Paulista e também do Campeonato Brasileiro no estádio Décio Vitta, de propriedade do Rio Branco Esporte Clube, mas que em 2010 foi municipalizado e teve sua administração transferida à prefeitura.

O Rio Branco, que em setembro completou 97 anos de fundação, foi rebaixado para a Série A-2 do Paulista no início do ano, está afundado em dívidas e depende da concretização de uma parceria para não fechar seu departamento de futebol.

A Federação Paulista de Futebol ainda não confirmou a transferência, mas recentemente o presidente Marco Polo del Nero declarou-se contrário às mudanças de cidade. Na ocasião, ele afirmou estudar até mesmo um aumento na taxa de transferência de R$ 800 mil para barrar novos casos como o do Grêmio Barueri, que mudou-se para Presidente Prudente no início de 2010.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Brasileirão: 70%

Grêmio e Palmeiras sobem, enquanto Fla e Galo se desesperam


O Brasileirão anda a passos largos rumo à sua conclusão com rodadas seguidas no finais e meios de semana. Por isso, já chegamos aos 70% do campeonato, nos aproximando do último quarto, onde tudo se define. Vejamos a quantas anda o desempenho das equipes para tentarmos identificar o que pode acontecer nas próximas rodadas.

Destaques: recuperação palmeirense, campanha gremista e Jonas, que disparou na artilharia

Perebas: Defesas de Ceará e Guarani, campanha do Atlético-MG

A incrível ascensão gremista do segundo turno continuou nas últimas quatro rodadas, e o time de Renato Gaúcho foi novamente quem mais pontuou - foram três vitórias e um empate. O Grêmio, que aparecia na 16ª colocação ao final do primeiro turno, é agora o oitavo colocado, tendo somado 19 pontos de 24 possíveis nas oito rodadas deste segundo turno.

Quem também pontuou bem no período foi o Fluminense, que voltou a jogar bem e encontrar os resultados, somando os mesmos dez pontos e retomando a liderança do Corinthians, que empatou em casa com o Botafogo. O Flu poderia ter aberto vantagem ainda maior se não tivesse deixado a vitória sobre o lanterna Grêmio Prudente escapar no final de semana.

Mas o dono desta segunda parte do returno é o Palmeiras: o time de Felipão finalmente engrenou, também somou dez pontos graças a vitórias convincentes sobre Flamengo e Internacional e foi quem mais subiu posições no período, indo de 13º para 9ºlugar. Os gols de falta de Marcos Assunção e as boas atuações de Kleber foram fundamentais na recuperação alviverde, que ainda sonha com Libertadores, mas é algo difícil.

G-4 ou G-3?

Nas últimas semanas, talvez a maior polêmica do Brasileirão tenha sido a mudança anunciada pela Conmebol na classificação à Libertadores, em que o país campeão NÃO tem uma vaga extra, e sim o campeão assume uma das vagas já existentes. Com isso, o G-4 virou G-3. Os clubes protestaram, a CBF enviou ofício formal pedindo reconsideração e a entidade máxima do futebol sul-americano irá debater o assunto, mas a reversão parece pouco provável, já que a vaga teria de ser retirada de outro país (por que não os mexicanos?).

Por isso, a briga pela Libertadores parece, neste momento, polarizada entre Fluminense, Corinthians e Cruzeiro, que se encontram com boa vantagem sobre os principais concorrentes (Atlético-PR e Botafogo). Como a maioria duvida que o título deixe de ficar com uma dessas três equipes, a tendência natural é que as três vagas restantes para o continental de 2011 fiquem, de fato, com cariocas, paulistas e mineiros.

O Cruzeiro, aliás, é outro que vem bem no período e somou sete pontos, sendo o vice-líder do segundo turno com 17 pontos conquistados. A grande fase de Montillo coloca em xeque a função desempenhada pelos meio-campistas brasileiros, já que o chileno é, ao lado do argentino Conca, do Fluminense, o melhor jogador do campeonato.

Entretanto, a briga por estas vagas ainda não está definida, já que o Atlético-PR também vem muito bem. O Furacão tem a terceira melhor campanha do returno com 15 pontos e somou oito nas últimas quatro rodadas, fazendo o manual de pontos corridos: vitória em casa, empate fora. Contudo, a (até certo ponto surpreendente) saída de Carpegiani para o São Paulo pode minar a arrancada paranaense, que contará agora com Sérgio Soares.

De mal a pior

Se há gente que vai bem, obrigatoriamente alguém vai mal. E a turma de baixo da tabela não se emenda: Atlético-GO, Atlético-MG, Goiás e Grêmio Prudente não largam da zona de rebaixamento há dez rodadas. A dupla goiana até que vem fazendo um returno razoável, mas o déficit de pontos da primeira metade do campeonato ainda não os permite respirar aliviados. O Atlético-GO é quem vive melhor momento, tendo conquistado duas vitórias recentes e aparecendo a três pontos do Avaí.

O Leão da Ilha é um caso à parte: após ótima campanha no início, o time só fez cair de produção e é o vice-lanterna do segundo turno, tendo somado míseros seis pontos em 24 disputados - foram três empates, uma vitória e quatro derrotas. Curiosamente, a vitória foi a segunda maior goleada do campeonato até aqui, nos 5 a 0 sobre o Ceará. A maior tinha sido também avaiana, nos 6 a 1 sobre o Prudente.

Ceará que precisa se cuidar, pois teve o pior desempenho do período: apenas dois pontos, nove gols sofridos e queda de quatro posições, chegando ao 13ºlugar. Curiosamente, a melhor partida do time foi justamente contra o Corinthians, melhor mandante, no Pacaembu. Mas, após abrir 2 a 0, o time cearense permitiu o empate e escancarou as deficiências da outrora melhor defesa.

Destaques também para a má fase do Vitória, que acumula três derrotas seguidas, e do Flamengo, que teve a saída de Zico, a demissão de Silas e o retorno de Luxemburgo, para colocar mais fogo na panela de pressão que se transformou o clube. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

27ª rodada

Melhor ataque
2010: Corinthians (49 gols)
2009: Grêmio (52)
2008: Flamengo, Palmeiras, São Paulo (43)
2007: Cruzeiro (63)
2006: Grêmio (47)

Melhor defesa
2010: Cruzeiro, Internacional (26)
2009: Palmeiras, São Paulo (26)
2008: Grêmio (22)
2007: São Paulo (8)
2006: Santos(24)

Pior ataque
2010: Ceará (21)
2009: Fluminense (26)
2008: Atlético-PR (27)
2007: América-RN (20)
2006: Corinthians (25)

Pior defesa
2010: Atlético-MG (49)
2009: Sport (49)
2008: Figueirense (55)
2007: América-RN (54)
2006: Ponte Preta (50)

Gols e média
2010: 744 (2,77 em 268 jogos)
2009: 769 (2,84)
2008: 721 (2,67)
2007: 759 (2,82)
2006: 712 (2,63)

Artilheiros
2010: Jonas (Grêmio) - 14 gols
2009: Adriano (Flamengo) - 15 gols
2008: Kléber Pereira (Santos) - 19 gols
2007: Josiel (Paraná) - 17 gols
2006: Souza (Goiás) - 14 gols

Série de vitórias atual: Grêmio (3)
Série invicta atual: Atlético-PR (6)
Série de derrotas atual: Vitória (3)
Série sem vencer: Ceará (6)

sábado, 2 de outubro de 2010

Quanto vale um time B?

Com modelos distintos de equipes reservas, Inter e Palmeiras obtêm resultados opostos

Publicado no Olheiros

Se você tem mais de 20 anos, certamente irá se lembrar, mas se tiver menos, pergunte ao seu pai, tio ou avô o motivo de, antigamente, eles irem ao estádio cerca de duas, até três horas antes do jogo. As preliminares em que os times de aspirantes se enfrentavam eram uma atração à parte e serviam como apresentação inicial à torcida de craques do futuro – grande parte da mística do Maracanã vem daquela época, em que gente como Bellini, Vavá e Garrincha era ainda desconhecida.

>>> Saiba tudo sobre a primeira Copa Sub-23

De lá para cá, muita coisa mudou, e talvez o principal motivo do fim dessas equipes seja o assédio de observadores de outros clubes e empresários, que teriam trabalho facilitado com a realização de tais competições – atualmente, os campeonatos de base acontecem em horários alternativos e o controle no acesso a esses jogos é bastante restrito em muitos lugares.

Desde o expressinho tricolor de Muricy Ramalho, campeão da Copa Conmebol em 1994, os times B foram sendo desativados até praticamente desaparecerem. Um dos motivos, talvez o principal, é até compreensível: a incorporação cada vez mais cedo dos jovens ao time profissional fez um garoto de 19 anos, quase sempre, já ser um profissional, e não mais trabalhado pelas categorias de base do clube.

Atualmente, duas equipes da primeira divisão mantêm ininterruptamente um time B: Internacional e Palmeiras. A forma como cada um encara esta equipe dentro da equipe, entretanto, tem sido bastante diferente. Primeiro, na forma como trabalha: o Colorado tem utilizado os “aspirantes” no início do ano, para as rodadas iniciais do Gauchão enquanto oferece uma pré-temporada mais completa. Desta forma, redescobriu Leandro Damião, que viria a ser autor de um dos gols do título da Libertadores.

Já o Verdão tem um time completamente separado, como as equipes B de clubes europeus, disputando até mesmo um campeonato paralelo – em 2010, o Palmeiras B conquistou o acesso no Paulista da Série A-3, com destaque para o atacante Patrik, que depois acabou promovido aos profissionais.

A proposta é sempre parecida: dar rodagem a jogadores que estouraram a idade do júnior e a outros que se destacaram nas categorias inferiores, bem como manter em atividade atletas não aproveitados no profissional – e quem se destacar pode ser chamado a qualquer momento pelo treinador.

Contudo, a segunda e principal diferença entre gaúchos e paulistas está no planejamento para este time B: enquanto o Inter já anunciou que irá utilizar uma equipe sub-23 no primeiro turno do estadual de 2011, o presidente em exercício do Palmeiras, Salvador Hugo Palaia, disse que pretende acabar com o time B. Com dívidas aumentando, gastos acima da receita no departamento de futebol e elenco inchado, o Palmeiras B pode estar com os dias contados. Vale lembrar que, ao mesmo tempo que prega economia, a diretoria alviverde paga alguns dos maiores salários do futebol brasileiro a Felipão e Kleber.

Diferente do exemplo europeu, o Palmeiras B – fundado em 2000 por Mustafá Contursi – jamais rendeu algo ao clube. Não há promessas reveladas pelo time reserva, que só disputa competições estaduais inferiores por não poder atuar na mesma divisão da equipe “oficial”, perdendo assim a experiência mais importante e qualificada que ganham, por exemplo, os aspirantes colorados.

Neste ponto, é de fundamental importância o lançamento da Copa Sub-23. Além de movimentar os jogadores e utilizar um regulamento interessante, igual ao do futebol olímpico, a competição atrai novamente os torcedores por ser realizada antes das partidas do Brasileirão. Pode não atrair por si só, como provou o incrível Vasco x Santos para dois pagantes, mas se mantido nos próximos anos recriará a cultura do jogo preliminar.

No pouco tempo de vida, a Copa Sub-23 já é responsável por recuperar Renan Ribeiro, alçado à titularidade no gol atleticano por Dorival Junior, e por dar visibilidade a nomes pouco conhecidos pelo público geral, mas já bastante seguidos por quem acompanha o dia-a-dia da base, como Eduardo Sasha (justamente do Inter) e Lipe (Vasco).

Sem fim definido para seu time B, o Palmeiras poderia aproveitar a Copa Sub-23 para modificar a forma como administra seus reservas. Faltam, entretanto, mais competições para movimentar a categoria, já que na maioria dos estados já nem existe mais o estadual sub-20, mas somente o sub-18.

Há quem prefira, como o São Paulo, nem mesmo participar da Copa Sub-23 e focar totalmente o Paulista Sub-20. Mas as seguidas recusas em disputar campeonatos como o Brasileiro Sub-20 cobram seu preço agora, quando Sérgio Baresi aposta no trabalho da base para reformular a equipe. No momento em que a faixa etária das competições vai ficando mais precoce, reativar os times sub-23 pode ser uma alternativa bastante viável para os clubes brasileiros. Afinal, mais vale um time B na mão do que vários jovens jogadores voando, sem adquirir experiência alguma.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ranking Olheiros das categorias de base - Setembro/2010

Clique para ver o Ranking

Estaduais de base trazem novidades e mudanças na classificação

Os campeonatos estaduais dão o tom da mudança na edição de setembro do Ranking Olheiros das categorias de base. Com nove federações conhecendo seus campeões nas principais divisões inferiores, já são 15 regionais encerrados em 2010, o que modifica muitas posições na zona intermediária e apresenta novos clubes, como o tradicional Ceará, que acabou com a hegemonia do Fortaleza no sub-18 e aparece pela primeira vez em nosso Ranking.

>>> Veja como está o Ranking após a nova atualização
>>> Entenda o Ranking (critérios de pontuação e mais informações)
>>> Veja todas as competições e os pontos distribuídos no Guia de competições de base

No Top 10, não houve mudança de posições, mas a vantagem do líder Internacional para o Cruzeiro, segundo colocado, diminuiu, ainda que continue maior que cem pontos. Quem por pouco não entrou no seleto grupo foi o Juventude, que com a conquista do Gaúcho Sub-20 sobre o rival Caxias – a primeira desde 2001 – subiu sete posições e parou no 11º lugar, a menos de 10 pontos do Coritiba. Finalmente, o Desportivo Brasil, após grande campanha na Milk Cup, foi quem mais subiu desde a última atuação, em julho, chegando à 41ª colocação.

Nos últimos dois meses, tivemos nove campeonatos estaduais encerrados: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Além disso, o Internacional disputou a Manchester United Premier Cup (antiga Nike Cup) sem muito sucesso, e o Desportivo Brasil ficou em terceiro na Milk Cup. Outros estaduais devem se encerrar nas próximas semanas, como o Catarinense, o Paraense e o Paranaense, e serão contabilizados na última atualização de 2010, em dezembro, que contará ainda com as pontuações referentes à Copa Sub-23, novidade no Ranking, e ao Brasileiro Sub-20, o que garante muita emoção e possibilidade de grandes mudanças até os últimos jogos do ano.

Veja o ranking abaixo e confira a matéria completa no Olheiros:


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pior defesa e com mais derrotas, Atlético-MG ainda pode escapar do rebaixamento

A pouca esperança do torcedor reside em nomes como Obina e Diego Tardelli

Será 13, e não mais 14, o número de rodadas que Dorival Júnior terá para evitar a queda do Atlético-MG. O treinador campeão paulista e da Copa do Brasil desta temporada não teve tempo de promover alterações profundas na equipe em tão pouco tempo, mas sabe que, com ele, não chegarão reforços – é com esta equipe que o Galo, primeiro campeão brasileiro, tentará não se tornar o primeiro grande rebaixado duas vezes para a Série B na era dos pontos corridos.

A missão não será fácil, como as falhas do time já provaram. Mas olhando para os números, a esperança do torcedor pode aumentar ou diminuir – depende da forma como encara as probabilidades e o potencial deste elenco.

Ceará, Atlético-GO, Corinthians, Internacional, Avaí, Cruzeiro, Botafogo, Guarani, Santos, Flamengo, Palmeiras, Goiás e São Paulo. Este é o caminho a percorrer pelo Galo. Serão seis jogos como mandante (em negrito), seis como visitante e o clássico contra o Cruzeiro.

Por mais que a diferença para o Flamengo, primeiro fora da zona de rebaixamento, pareça possível em mais de meio turno (sete pontos), o que preocupa são o número de derrotas e de gols sofridos: 16 e 47, os piores índices do Brasileirão.

Jamais aconteceu, desde 2003, de o time mais derrotado do campeonato escapar do rebaixamento – por uma questão até mesmo lógica. Da mesma forma, a pior defesa sempre foi punida com o rebaixamento.

Preocupa, em especial, o número de derrotas: 16 em 25 rodadas, quase metade. Só para se ter uma ideia, no ano passado o Fluminense era o lanterna ao final da 25ª rodada, com 18 pontos – oito a menos que o Náutico, 16º colocado –, mas só havia sido derrotado 13 vezes. O Sport, maior perdedor até aquele momento com 15 reveses, acabou rebaixado na lanterna.

Olhando para a tabela, é difícil imaginar que o Atlético-MG inicie uma recuperação tão surpreendente quanto à do Flu no ano passado e não seja mais derrotado. Em 2009, o time de Cuca foi batido pela última vez na 27ª rodada, o que foi a 14ª derrota do Tricolor na competição, para então arrancar rumo à salvação.

É possível se salvar com muitas derrotas, desde que o número de empates seja pequeno e, consequentemente, o de vitórias seja grande. Analisando apenas os campeonatos com 20 times (ou seja, desde 2006), o Goiás se safou em 2007 mesmo tendo perdido 19 partidas, ou um turno inteiro. A diferença é que venceu 13 jogos e empatou apenas seis – cenário favorável ao Galo, que empatou apenas três vezes até aqui e é o time com menos empates.

Por outro lado, mesmo que siga invicto até o final do Brasileirão, nada garante que o Atlético se safe. Em 2008, o Figueirense foi rebaixado com as mesmas 16 derrotas, e o Corinthians de 2007 foi o rebaixado com menor número até hoje: apenas 14 – mas empatou outras 14.

Portanto, os números mostram que, apesar de desesperadora, a situação do Galo não é irreversível. Em um momento que a cautela parece ser o mais adequado, empates mesmo fora de casa não podem ser comemorados. Mas como lançar-se ao ataque pela vitória com uma defesa tão instável? É este o desafio que Dorival terá pela frente.

Rebaixados e quase rebaixados nas últimas temporadas e o número de derrotas:

2009
Rebaixados: Coritiba (17), Santo André (19), Náutico (20), Sport (21)
Com mais derrotas que escaparam: Atlético-PR e Vitória (16), Fluminense (14)

2008
Rebaixados: Figueirense (16), Vasco (20), Portuguesa (18), Ipatinga (21)
Com mais derrotas que escaparam: Atlético-PR (17), Vitória e Náutico (16)

2007
Rebaixados: Corinthians (14), Juventude e Paraná (19), América-RN (29)
Com mais derrotas que escaparam: Goiás (19) e Náutico (17)

2006
Rebaixados: Ponte Preta (19), Fortaleza (16), São Caetano (20) e Santa Cruz (24)
Com mais derrotas que escaparam: Palmeiras (18), Juventude (17), Atlético-PR e Flamengo (16)

sábado, 25 de setembro de 2010

Mainz que uma zebra

Com técnico jovem e garotos como Holtby e Schürrle, Mainz 05 é bola da vez na Alemanha

Publicado no Olheiros

Impulsionado por dois jovens jogadores que têm encantado a torcida, o líder do Campeonato Alemão entra em campo na manhã deste sábado para defender a ponta diante de um dos principais postulantes à primeira posição. Sim, estamos falando do Bayern de Munique, mas como o segundo sujeito desta frase. O duelo no Allianz Arena colocará os bávaros frente aos líderes isolados, inéditos e com 100% de aproveitamento desta Bundesliga: o Mainz 05.

Comandado por um técnico jovem e por atletas que despontam no país, o clube da pequena cidade às margens do Rio Reno surge como sensação não só na Alemanha, mas também em todo o continente europeu neste início de temporada graças a Lewis Holtby e André Schürrle, que vêm ofuscando até mesmo Thomas Müller e Tony Kroos nos noticiários.

Considerado um daqueles times pequenos que oscilam entre a segunda e a primeira divisão, o Mainz 05 retornou à Bundesliga na temporada passada e fez ótima figura para seu porte, terminando na nona colocação. Para muitos, a troca de treinador ainda na pré-temporada foi fundamental para o sucesso: saiu o norueguês Jorn Andersen, que havia conquistado o acesso, e assumiu Thomas Tuchel, então treinador das bases, que dirigia o sub-19 do clube. Tuchel, de apenas 37 anos, coordenou a base do Stuttgart entre 2000 e 2005, conquistando o campeonato alemão sub-19 em seu último ano por lá. Além disso, participou ativamente da formação de jovens como Khedira, Tasci e Gentner.

Com tanta experiência com as bases apesar da pouca idade para treinador, o alemão de Krumbach decidiu apostar em garotos que buscavam uma oportunidade e teve respaldo da diretoria. Das 14 transferências realizadas durante a janela, nenhum jogador tinha mais de 27 anos e quatro tinham menos de 20. Destaque para Lewis Holtby, meia atacante de 20 anos recém-completos e emprestado pelo Schalke, que já havia feito bastante barulho pelas seleções de base alemãs.

Sem espaço no Azuis Reais (assim como aconteceu com Özil), Holtby – que já havia sido emprestado no primeiro semestre, ao Bochum – chegou com status de capitão da seleção sub-21 e logo foi escalado como armador por Tuchel em seu 4-3-1-2, que rendeu vitórias convincentes sobre Stuttgart (2x0), Wolfsburg (4x3) e Kaiserslautern (2x1) nas rodadas iniciais. O camisa 18 anotou uma assistência por partida e foi fundamental para que a equipe vermelha assumisse a liderança da Bundesliga pela primeira vez em sua história de 105 anos.

Nas duas partidas seguintes, Tuchel decidiu alterar a forma de jogo: contra um Werder Bremen desfalcado, o 4-3-2-1 deu mais poder de marcação e valeu o triunfo por 2 a 0 em pleno Weserstadion. Já na terça-feira contra o Colônia, com Holtby poupado, a equipe jogou mais solta num 4-2-3-1. Entretanto, foi necessária a intervenção do meia, que entrou apenas no segundo tempo, para aparecerem os gols. Bastaram 26 minutos em campo para ele marcar duas vezes e garantir a incrível quinta vitória em cinco jogos, um dos melhores inícios de temporada da história recente da Bundesliga. Com tanto cartaz, até mesmo Fabio Capello está sendo aconselhado a convocar o jogador para a seleção principal da Inglaterra, já que seu pai é inglês – perguntado, o garoto não descartou a possibilidade.

Mas não é só de Holtby que vive o Mainz. Fruto das categorias de base dos Nullfünfer, André Schürle tem feito valer para os gramados alemães o famoso ditado brasileiro “em se plantando, tudo dá”. O atacante de 1,84m e 19 anos também foi campeão alemão sub-19 no ano passado sob o comando de Tuchel, e ganhou a oportunidade do treinador para mostrar serviço. Contra Wolfsburg, Kaiserslautern e Werder Bremen, saiu do banco para marcar gols decisivos, e já deverá ser titular ante o Bayern.

Para os mais desavisados, Schürrle não é tão cara nova assim: na temporada passada, atuou em 25 partidas e somou cinco gols e três assistências, passando a ser constantemente convocado para a seleção sub-19. Veloz, de bom posicionamento e habilidoso, não é apenas um matador caneludo. Já no início do campeonato, seu destino está traçado – foi contratado na semana passada pelo mesmo Schalke 04 que emprestou Holtby, pelo valor de 4 milhões de euros, e irá mudar de casa ao término da Bundesliga.

Outro jovem que chegou por empréstimo é Marcel Risse, 19 anos, também meia atacante oriundo do Bayer Leverkusen após um ano emprestado ao Nuremberg. Campeão europeu sub-19 em 2008 com a seleção alemã, Risse estreou contra o Werder e foi o homem do jogo, marcando um gol e dando passe para outro, mostrando que pode brigar por um lugar na equipe.

Finalmente, até mesmo Eugen Polanski, volante de 24 anos que havia surgido muito bem no Borussia Mönchengladbach mas que decepcionou em sua passagem pelo Getafe, parece estar readquirindo a boa forma no Stadion am Bruchweg. O cão de guarda do meio-campo tem demonstrado vitalidade e inteligência no auxílio a uma defesa bastante experiente, vazada apenas quatro vezes e melhor do torneio até aqui.

Por mais que seja derrotado pelo Bayern neste sábado e perca a liderança, o Mainz mostra neste início de temporada que é possível, sim, colher resultados apostando em jogadores jovens. Importante lembrar, sem dúvida, que a defesa é toda composta por atletas acima dos 30 anos e tal experiência dá mais tranquilidade aos meninos. Ainda assim, já dá para o torcedor almejar muito mais do Mainz em 2010/11.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O médico e o monstro

Dorival Júnior paga por tentar disciplinar Neymar, que sofre com excesso de proteção e más influências

Não se surpreenda se, ao entrar no gramado da Vila Belmiro hoje à noite para o clássico contra o Corinthians, Neymar for aplaudido pelas torcidas organizadas do Santos e vaiado pelos demais torcedores. Tal manifestação resume o sentimento do torcedor comum, aquele que assiste aos jogos do seu time pela TV e vai ao estádio de vez em quando, sem usar a camisa do time por medo da violência do futebol. Mais que isso, mostra quão nociva é a promíscua relação das diretorias de clubes brasileiros com seus atletas, patrocinadores e apoiadores.

O brasileiro não gosta nem respeita muito hierarquia. Aliás, até que se prove o contrário, o brasileiro nem de trabalhar gosta muito. Difícil puxar pela memória rapidamente, mas não consigo lembrar de outro caso como este, em que por punir um jogador que o desrespeitou e não seguiu suas ordens, o treinador foi demitido. Penso como se pensa na Europa, modelo a ser seguido para o bem e para o mal no futebol: o treinador é o chefe e sua vontade é a que vale, afinal foi contratado para isso. Jogador que derruba treinador com corpo mole é outra coisa, e existem exemplos aos montes por aí.

Comenta-se muito que Dorival Júnior tenha desrespeitado o acordo feito com a diretoria, de que Neymar voltaria a campo nesta quarta, e que essa falta de palavra teria sido mais determinante que a escalação ou não do garoto. Aí, então, o argumento se inverteria: afinal, o treinador foi quem não respeitou a hierarquia, ao dizer uma coisa a seus empregadores e fazer outra.

Pois bem. A história parece um crime sem culpado, um milagre sem santo. Por que Dorival forçaria a saída para aceitar a proposta do São Paulo, como se chegou a cogitar, se já tinha no Santos a participação na Libertadores garantida? Apenas por questão salarial? Não me parece ser a resposta.

Mas há outro ângulo de observação que precisa ser estudado, e transformou-se em motivo de piada tão logo a demissão foi confirmada: qual o verdadeiro poder de Neymar? Quando Renê Simões manchetou as palavras “estão criando um monstro”, ele não poderia ter sido mais feliz. Mas há um significado para esta frase que poucos perceberam: se o garoto tem seus momentos rompantes, as atitudes das pessoas que o cercam estão ajudando a criar uma imagem distorcida do que é na verdade Neymar. As sucessivas tentativas de blindar Neymar estão transformando-o em uma pessoa marrenta, antipática e egoísta perante a opinião pública. E este é o maior perigo.

Ao apoiar Neymar em qualquer circunstância, a diretoria do Santos, que muito prometeu e teve de abrir mão para segurar o garoto no clube, está tirando dele o benefício da dúvida e o aprendizado através do erro. E a mesma diretoria que, como quase todas do país, distribui ingressos para torcidas organizadas em troca de apoio total e irrestrito, cede às pressões dos empresários, patrocinadores e marqueteiros que vêem no garoto a solução para os problemas financeiros que o clube colecionou adotando medidas exatamente iguais a essa. É, portanto, um círculo vicioso.

Neymar não é um monstro. Ele agora encaminha-se, sem culpa, para se tornar o jogador mais odiado do futebol brasileiro por torcida, imprensa e demais jogadores. Se ele era caçado em campo, agora será visto como um troféu. Não é difícil imaginar, em breve, uma contusão séria fruto de uma falta sofrida.

Não se surpreenda, portanto, se Neymar entrar no gramado da Vila Belmiro hoje à noite pela última vez como o jogador que sempre foi. Com tudo isso, ele já mudou internamente. Não se sentirá o todo poderoso, como a maioria brinca, mas certamente perderá um pouco do brilho nos olhos que tinha em suas primeiras partidas, e muito da admiração da torcida que por ele pediu, incansavelmente, antes da Copa. No afã de extrair tudo dele, estão transformando Neymar em um monstro.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Brasileirão: 60%

O Brasileirão tem um novo líder! Chegamos à primeira análise após o início do segundo turno - pois é, já se foram quatro rodadas - e os números mostram que o fator setembro, com o acúmulo de rodadas no meio de semana, cobra seu preço. E o Fluminense é o principal atingido, caindo de produção, somando apenas quatro pontos no período (venceu apenas uma das últimas sete partidas) e vendo o Corinthians assumir a liderança, mesmo com um jogo a menos.

O Timão mostrou força e, quando mais precisava, corrigiu os defeitos de jogar mal fora de casa, vencendo o confronto direto com autoridade no Engenhão para abrir uma vantagem de dois pontos que pode se transformar em cinco, casa vença o Vasco na partida adiada do primeiro turno. Foram onze rodadas de liderança ininterrupta do time de Muricy Ramalho, que enfrenta o dilema de escolher entre dois goleiros instáveis e decidir a melhor posição para Deco - sua entrada no time coincidiu com a queda de rendimento.

Destaques: Jonas, Washington e Montillo, goleadores do período

Perebas: Fernando Henrique e suas falhas, Vasco e as dormidas em São Januário, sofrendo empates em jogos fáceis, e Neymar e seus pitis

Tamanha é a instabilidade do Fluminense no momento que outra equipe já aparece com mais força como adversária do Corinthians na briga pelo título: o Cruzeiro, maior pontuador do segundo turno até aqui (10 em 12 disputados). Cuca tem contado com a sorte que lhe faltou no Rio de Janeiro, e cada mudança sua na equipe parece dar ainda mais certo. Montillo tem tido tardes e noites abençoadas, o time joga com muita fluência e já está invicto há oito jogos. É o time a ser batido no momento.

Curioso notar a divisão de forças deste campeonato: cinco dos sete melhores pontuadores do segundo turno estão entre os sete primeiros colocados. Além do Cruzeiro (3º), também fora bem Corinthians (1º), Internacional (4º), Botafogo (5º) e Atlético-PR (7º), somando sete pontos cada.

Chama a atenção a manutenção do foco Colorado na competição, diferente de outros clubes que, ao vencerem a Libertadores ou mesmo chegarem à decisão, não conseguiram repetir as boas campanhas no Brasileirão. Vale lembrar que em 2006, quando o Inter foi campeão continental pela primeira vez, a história se repetiu e o time foi vice nacional. O apetite por títulos talvez se explique pelo fato de o Colorado não ganhar o Brasileiro desde 1979.

Jonas puxa o Grêmio para cima; quarteto nada fantástico não sai do zero

A ascensão é azul não só por causa do Cruzeiro, mas também graças ao Grêmio, segundo maior pontuador do período (nove pontos, três vitórias) e time que mais subiu na tabela no segundo turno: foram cinco posições, da 16ª à 11ª. A grnade vitória sobre o Corinthians em pleno Pacaembu com gol de Douglas, mais os gols decisivos de Jonas, foram fundamentais para a reação do time de Renato Gaúcho.

O camisa 7 marcou na derrota em casa para o Palmeiras, mas fez dois na vitória em Florianópolis sobre um decadente Avaí para assumir a liderança isolada da artilharia com 11 gols. Curiosamente, Jonas também era o artilheiro do campeonato no ano passado com os mesmo 11 gols (veja números ao final do post), mas acabou o torneio com 14.

Se o Grêmio foi quem mais subiu, o Vasco foi quem mais desceu: quatro posições, do 8ºpara o 12º lugar. A invencibilidade de PC Gusmão, sem derrotas desde quando ainda estava no Ceará, passou a fazer mal para a equipe, que empatou dois jogos em casa, contra fracos Atlético-MG e Avaí, após abrir o placar e recuar em demasia. A derrota para o Inter acabou com uma série estranha, de 15 jogos sem derrota (a maior do campeonato), mas de apenas uma vitória nas últimas sete partidas - os empates fizeram do Vasco um time preso ao medo de perder.

E por falar em empates, o recorde vascaíno não é solitário: foram 11 até aqui, mais de meio turno, empatado com o...Palmeiras. Coincidência ou não, nas duas partidas entre as equipes, as redes não foram balançadas. Esta é, aliás, outra curiosidade deste campeonato: as mesmas equipes sondam a região da melhor defesa e do pior ataque. São os times do zero a zero.

Vasco, Palmeiras, Ceará e Flamengo. Dos 25 jogos que terminaram sem gols até aqui, 15 tiveram a participação de uma destas equipes: foram 5 de Palmeiras, Ceará e Vasco, e três do Flamengo, contando os jogos entre essas equipes (dois empates tenebrosos entre Vasco e Palmeiras e mais um entre Flamengo e Vasco).

O Ceará, por exemplo, tem no momento a melhor defesa (20 gols) e o pior ataque (19). O Vasco aparece em segundo: sofreu 21 e marcou 21. Curiosamente, são as duas equipes treinadas por PC Gusmão neste campeonato. Mas não é exclusividade deles, já que o Flamengo marcou os mesmos 21 gols do Vasco e sofreu 23. Não à toa, este é o Brasileirão com pior média de gols da história dos pontos corridos.

A dança dos técnicos e o destempero de Neymar

Nem bem o returno começou e outros três técnicos foram demitidos. No Ceará, Mário Sérgio foi convidado a se retirar após oito rodadas, tendo assumido o time na terceira colocação e entregando na 11ª. No Grêmio Prudente, a fase anda horrível: lanterna, três derrotas consecutivas e três partidas sem vencer. Resultado? Antônio Carlos Zago, trazido na 13ª rodada após a ida de Toninho Cecílio para o Vitória, caiu da 14ª posição para a vice-lanterna, e foi substituído por Marcelo Rospide na 20ª rodada. Finalmente, o próprio Toninho Cecílio não aguentou o tranco em Salvador, oscilando na parte de baixo da tabela e saindo também na 20ª rodada, para a entrada do interino Ricardo Silva.

Finalmente, o início do returno marcou também as confusões envolvendo Neymar, que arranjou briga na derrota do Santos para o Ceará em Fortaleza, discutiu rispidamente com os companheiros e Dorival Júnior na virada sobre o Atlético-GO em casa e, por isso, ficou de fora do empate com o Guarani em Campinas. Longe de ser produtivo como era no primeiro semestre, Neymar desfalca o Santos e faz com que o Peixe oscile, rondando o G-4 mas permanecendo na mesma posição, longe de sonhar com o título.

23ª rodada

Melhor ataque
2010: Corinthians, Fluminense (40 gols)
2009: Barueri (43)
2008: Grêmio, Palmeiras (40)
2007: Cruzeiro (54)
2006: Grêmio, São Paulo (37)

Melhor defesa
2010: Ceará (20 gols)
2009: Palmeiras (20)
2008: Grêmio (16)
2007: São Paulo (7)
2006: Santos, Internacional (22)

Pior ataque
2010: Ceará (19 gols)
2009: Fluminense (22)
2008: Ipatinga (22)
2007: América-RN (18)
2006: Flamengo (21)

Pior defesa
2010: Atlético-MG e Goiás (44 gols)
2009: Náutico (42)
2008: Portuguesa (47)
2007: América-RN (55)
2006: Ponte Preta (43)

Gols e média
2010: 568 (2,49, em 228 partidas)
2009: 656 (2,89)
2008: 617 (2,68)
2007: 649 (2,84)
2006: 605 (2,63)

Artilheiros
2010: Jonas (Grêmio) - 11 gols
2009: Jonas (Grêmio), Marcelinho Paraíba (Coritiba), Roger (Vitória) e Val Baiano (Barueri) - 11 gols
2008: Alex Mineiro (Palmeiras) e Kléber Pereira (Santos) - 15 gols
2007: Josiel (Paraná) - 15 gols
2006: Soares e Schwenck (Figueirense) e Souza (Goiás) - 10 gols

Série de vitórias atual: Atlético-PR, Corinthians, Internacional (2)
Série invicta atual: Cruzeiro (8)
Série de derrotas atual: Grêmio Prudente (3)
Série sem vencer: Grêmio Prudente (8)

sábado, 18 de setembro de 2010

Ônus e bônus

Trajetória de Neymar é a de muitos garotos: sem suporte psicológico, deverá aprender sozinho

Publicado no Olheiros

Lá se vão quase três anos desde que o Olheiros entrou no ar. No final de 2007, dávamos nossos primeiros passos ao mesmo tempo em que um nome ainda engatinhava no mundo do futebol, mas que apesar jovem já era muito comentado. Não fosse o Brasil um celeiro diário de promessas, Neymarpoderia ser considerado o Freddy Adu brasileiro, tamanha sua precocidade e expectativa que havia sobre si desde os 13 ou 14 anos.

De lá para cá, muita coisa já aconteceu na vida do garoto. Passou pelo batismo da Copa São Paulo, disputou Mundial Sub-17 – sem muito destaque, é verdade – e cresceu no time Santos junto aos companheiros Ganso e André, ganhando status de craque e celebridade, a ponto de ter até mesmo cobertura jornalística da prova final de sua carteira de motorista. Após um semestre iluminado, virou nome fácil na boca do torcedor, que ansiava por um pouco de brilho na seleção que disputou a Copa do Mundo, e depois do fiasco na África do Sul, estreou com a amarelinha marcando gol.

A história de Neymar é igual à de muitos outros garotos prodígios do futebol brasileiro: infância difícil, oportunidade ímpar através do futebol, expectativa crescente e vislumbramento pela fama conquistada. No momento em que um enorme ponto de interrogação paira sobre a cabeça do atacante – maior até que o cabelo espetado do chamativo penteado –, surgem todos os tipos de questionamentos sobre a preparação psicológica que é oferecida não só a ele, centro dos holofotes, mas a todos os jovens jogadores.

Mais que a aparente sensação de impunidade que permeia as atitudes recentes de Neymar, como se a qualidade técnica justificasse a blindagem e as passadas de mão na cabeça, o que chama a atenção é o fato de este não ser episódio único no Santos. A insatisfação de Dorival Júnior com a multa aplicada após a discussão na partida contra o Atlético-GO, pedindo gancho de 15 dias e até mesmo, segundo informações ainda desencontradas, cogitando abandonar o comando do time, só mostra que há algo de podre no reino da Vila Belmiro.

Por mais detestável que seja utilizar frases prontas, a postura de Dorival parece-se muito com um conhecido ditado da língua inglesa: “engana-me uma vez, que vergonha de você; engana-me a segunda vez, que vergonha de mim”. A polêmica dos garotos santistas na Twitcam mostra que, talvez, a rédea esteja um pouco solta demais, comparável à criança que, sem ter pais firmes, que neguem suas vontades, torna-se irrepreensível.

É exatamente o que disse recentemente, em entrevista ao amigo Lincoln Chaves, a especialista Valéria Sapienza: a falta de preparação psicológica para lidar com os desafios da fama e do sucesso aos 18 anos faz com que os meninos se percam. E para que não se percam para sempre, é preciso acabar com as regalias, exigir profissionalismo e aumentar a cobrança, transferindo responsabilidades ao garoto conforme ele cresce.

O que mais preocupa nas crises comportamentais de Neymar, neste momento, não é nem seu futuro no futebol ou uma queda de produção – bem, talvez preocupe a Wagner Ribeiro, que também aconselhou Robinho muito mal durante muito tempo. Pior é o péssimo exemplo que está dando este que é o principal ídolo da garotada de 8, 9, 10 anos, idade em que a criança se apaixona pelo futebol e guarda suas principais lembranças para a vida toda – o perigo desta influência de “bad-boy” e ar de quem faz o que quer é enorme.

No final das contas, talvez seja exatamente por isto que a cabeça de Neymar venha entrando em parafuso: quando devia ouvir e aprender, já é cobrado a falar e ensinar; quando devia seguir, está sendo seguido; e quando devia se espelhar nos exemplos dos mais velhos, já é tido como exemplo para os (poucos) mais novos que ele.

Ônus e bônus de ser quem é, cercado de opiniões distintas do que deve ou não fazer. Por não ter sido orientado corretamente antes, ele deverá agora, provavelmente sozinho, descobrir o que quer. E se trilhar o caminho certo, terá tudo para entrar para a história, porque habilidade o garoto tem como poucos até hoje.

sábado, 11 de setembro de 2010

Rumo ao futebol de bebês?

Criação de categorias como o sub-11 deve ser trabalhada com cuidado

Publicado no Olheiros

É uma brincadeira comum no meio do futebol: a busca por promessas antes que ninguém mais as descubra ainda vai levar clubes e empresários a maternidades. Por mais engraçado e utópico que a piada possa parecer, a realidade não deixa de estar se aproximando um pouco disso. Algo impensado há duas décadas, a realização de campeonatos em categorias como o sub-13 ou o sub-11 tem se tornado comum, especialmente nos maiores centros.

Atualmente, quatro das principais federações do país já possuem ao menos o estadual da categoria mirim, que envolve garotos de 11 e 12 anos. No Rio de Janeiro, o Pré-Mirim tem “atletas” de 10 e 11 anos e o Mirim, 11 e 12; em Minas Gerais, as mesmas categorias englobam, respectivamente, a idade de 9/10 e 11/12; no Paraná, o Pré-Infantil é disputado por meninos de 12 e 13, enquanto o Mirim tem jogadores de 9 a 11 anos; e em São Paulo, desde 2008 existem os Paulistas Sub-13 (de 11 a 13 anos) e Sub-11 (de 9 a 11).

Campeonato federado de futebol entre crianças de nove anos parece um exagero – e é. Os principais especialistas e teóricos no tema defendem a iniciação específica do futebol a partir dos 12 ou 13 anos, mas não é o que vem acontecendo na prática. Pior do que disputas valendo título entre garotos de menos de dez anos, é a constatação que os clubes dão início ao treinamento ainda antes de introduzirem os meninos em competições oficiais, ou seja, aos 7 ou 8 anos de idade, no início da vida escolar.

Neste momento do desenvolvimento infantil, o mais adequado é uma formação poliesportiva, que trabalhe com o objetivo de desenvolver as habilidades motoras mais básicas, em conjunto com a descoberta dos limites do próprio corpo. Nada de esporte para rendimento, cobrança de fundamentos, qualidade técnica ou compreensão tática.

A utilização de crianças desta faixa etária em competições regulares de modalidades específicas é prejudicial à evolução tanto física quanto até mesmo psicológica, que não pode se prender a rotinas e cumprimento de objetivos, algo comum à vida adulta – ou ao menos compreensível de se exigir somente em um contexto mais avançado.

Ao contrário do que é preconizado, estas competições de faixas etárias precoces visam somente o resultado imediato da conquista, atendendo apenas ao interesse de clubes, técnicos e empresários que pensam curto prazo, sem se preocupar com o garoto, que ainda passará por profundas transformações em seu corpo e sua mente, e que nem mesmo poderá vir a ter um físico adequado à pratica do futebol. Lidar com frustrações aos 14, 15, 16 anos, após grande expectativa gerada num momento em que a criança tende a descobrir o mundo à sua volta e idealizá-lo, pode trazer prejuízos irreparáveis ao menino.

Mas o que fazer? Estabelecer o início da prática esportiva de rendimento em uma idade específica? Uma ideia interessante é a defendida pelo autor Fabrício Moreira, que cita a realização de festivais de futebol ou ligas, ambos de duração mais curta que os campeonatos, com número maior de participantes e de caráter mais lúdico para os participantes, promovendo em breve uma renovação e também uma ampliação do alcance do futebol. cabe às federações e clubes adotarem (ou ao menos testarem) a medida, muito comum em países da Europa. Com a palavra, os principais interessados: clubes, técnicos, empresários e pais.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Brasileirão 2010: 50%

Parece que não, mas já chegamos ao final do primeiro turno do Brasileirão 2010. O campeonato em ano de Copa e com pausa no meio do trajeto parece que ainda não "pegou", mas como os anos anteriores têm mostrado, a emoção começa de fato agora no returno, com os elencos fechados, cada equipe sabendo o que busca de fato e confrontos diretos em cada rodada.

Vamos, então, a uma análise das últimas três rodadas, passando por todo o primeiro turno e tentando vislumbrar o que pode acontecer - por mais imprevisível que este campeonato seja - no segundo.

Destaques (rodadas 17 a 19): Grande fase de Elias, do Atlético-GO, recuperação do Atlético-PR e série invicta do Vasco

Perebas: Falhas de Fernando Henrique e defesa do Goiás, que sofreu 10 gols em três jogos

A principal constatação desta reta final de primeiro turno é que o Fluminense não é tão imbatível quanto se pensava. Com apenas uma vitória em seis jogos e a primeira derrota desde a terceira rodada, o time de Muricy Ramalho ainda está na ponta, mas pode perdê-la, bem como o título simbólico de campeão do turno, porque o Corinthians tem um jogo a menos em virtude de seu centenário e, se vencer, ficará dois pontos a frente.

Centenário que pareceu fazer bem ao Timão: após altos e baixos nas últimas semanas, duas vitórias em casa, uma delas num convincente 5 a 1 sobre o Goiás, que fizeram deste Corinthians o melhor mandante da história dos pontos corridos até aqui - foram dez vitórias em dez jogos. A única ameaça continua sendo mesmo o fraco desempenho fora de casa.


Talvez uma das histórias mais curiosas deste Brasileirão seja a de Internacional e Santos, que ao contrário de campeões passados de Copa do Brasil e Libertadores, não abriram mão do segundo semestre e parecem firmes na briga pelo título. Sem Ganso, o Peixe parece mais suscetível a turbulências que o Inter de Celso Roth, mas a incógnita que paira sobre o Colorado é se haverá saídas e se Roth continuará sendo Roth, e cairá de produção no segundo semestre - isso sem contar uma possível pressão da diretoria por priorizar a preparação para o Mundial, promovendo rodízios no elenco.

Elevador do Brasileirão

Se tem gente que sobe, obviamente tem gente que desce. O Botafogo é a grande surpresa positiva deste campeonato, porque Joel mostrou que o time não era somente Loco Abreu e suas bolas aéreas, graças à velocidade que Jobson e Maicosuel trouxeram à equipe, que tem sido imbatível no Engenhão. Quem também vem bem é o Cruzeiro de Cuca, que encontrou em Montillo o camisa 10 que procurava há tempos e, com uma formação sólida e finalmente resolvendo os problemas da defesa, parece crescer no momento certo, similar ao que ocorreu com o Flamengo em 2009.

Também em ascendência está o Atlético-PR, que somou treze de quinze pontos nas últimas rodadas e, de preocupado com o rebaixamento, sonha com mais. Contudo, o Furacão ainda não parece estável assim como seu vizinho de tabela, o Vasco, que tem a maior série invicta do campeonato após a derrota do Fluminense, mas ainda empata demais, recua em demasia quando tem a vantagem e depende demais das boas atuações de Fernando Prass, o melhor goleiro do campeonato. O Guarani, que chegou à turma da Libertadores nas primeiras rodadas e há pouco tempo rondou a zona de rebaixamento, conseguiu duas viradas em casa sobre Fla e Flu e se estabilizou no meio da tabela.

Por outro lado, o Ceará começou a cair, e de invicto em casa e melhor defesa, sofreu a primeira derrota no Castelão e não vence há quatro jogos, caindo para o 11º lugar. Também em queda livre vem o Avaí, que depois de uma boa sequência com Antônio Lopes, somou apenas um ponto em cinco jogos e preocupa seu torcedor.

Dupla instabilidade e turma do fundão

Não adianta: acabou um turno inteiro e São Paulo e Palmeiras não se emendam. A dupla vizinha de treinamento não consegue engatar uma série de bons resultados e permanece nas posições intermediárias. O Verdão parecia que ia engrenar com vitória sobre o Galo no Mineirão e empate com o Flu no Maracanã, mas a derrota no Pacaembu de virada para o Cruzeiro fez Felipão fechar a cara e o time estacionar na 12ª colocação. O Tricolor, por sua vez, vai adquirindo um pouco mais a cara de Baresi, e já não perde há quatro jogos, mas tamanha era a má fase que apesar disso, está apenas na décima posição.

Finalmente, a turma do fundão permanece a mesma: Vitória, Flamengo e Grêmio brigam para ver quem entra na zona de rebaixamento no lugar de Atlético-MG, Atlético-GO, Goiás e Grêmio Prudente. O Fla que acaba de estrear sua dupla de ataque "importada", tem uma peculiaridade: é o time do jogo sem graça, já que possui a melhor defesa, mas o pior ataque. Já foram três 0 a 0 e oito 1 a 0, a favor ou contra. De toda a turma, quem parece melhor no momento é o Grêmio, que começa a reagir com Renato Gaúcho, e o Atlético-GO, que graças a Juninho e Elias deixou a lanterna e está a três pontos de sair do G menos 4 pela primeira vez desde a terceira rodada.

Libertadores e rebaixamento

Na briga pela Libertadores, o desempenho do primeiro turno é imprescindível: em 2009, dos quatro que estavam na zona da Libertadores, apenas dois se classificaram ao final do campeonato - Inter e São Paulo confirmaram a campanha, mas Palmeiras e Goiás caíram de produção. Em 2008, foram os quatro - Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e São Paulo.

Neste ano, a briga é maior, uma vez que Santos e Internacional, já garantidos, estão nas primeiras posições, "abrindo" vagas para equipes com pontuações mais baixas. Por isso, no momento, Botafogo e Cruzeiro, com 31 pontos, estariam classificados.

Já na parte de baixo da tabela, é bom Atlético-MG, Atlético-GO, Grêmio Prudente e principalmente Goiás ficarem de olho. No ano passado, dos quatro que estavam no G menos 4 ao final do primeiro turno, apenas o Fluminense escapou da degola, e graças a uma reação inédita. Em 2008, dois que estavam na zona de rebaixamento caíram (Vasco - 17º, 19 pontos - e Ipatinga - 20º, 16).

Além disso, outra estatística que preocupa o esmeraldino goiano: nos últimos quatro anos, quem tinha a pior defesa ao final do primeiro turno não escapou da queda - basta conferir os números abaixo.

19ª rodada

Melhor ataque
2010: Corinthians (34)
2009: Barueri (38)
2008: São Paulo (33)
2007: Cruzeiro (40)
2006: Paraná (33)

Melhor defesa
2010: Ceará, Flamengo (15)
2009: Palmeiras (17)
2008: Grêmio (12)
2007: São Paulo (7)
2006: Santos (17)

Pior ataque
2010: Flamengo (14)
2009: Cruzeiro (18)
2008: Atlético-PR (17)
2007: América-RN (16)
2006: Flamengo (16)

Pior defesa
2010: Goiás (37)
2009: Náutico e Sport (37)
2008: Portuguesa e Vasco (39)
2007: América-RN (42)
2006: Ponte Preta (39)

Gols e média
2010: 464 (2,46 em 188)
2009: 545 (2,91 em 187)
2008: 519 (2,73)
2007: 520 (2,81)
2006: 502 (2,64)

Artilheiros
2010: Elias (Atllético-GO) e Bruno César (Corinthians) - 9 gols
2009: Adriano (Flamengo) - 10 gols
2008: Alex Mineiro (Palmeiras) e Kléber Pereira (Santos) - 11 gols
2007: Josiel (Paraná) - 12 gols
2006: Dodô (Botafogo) - 9 gols

Série de vitórias atual: Atlético-PR, Corinthians, Cruzeiro, São Paulo (2)
Série invicta atual: Vasco (11)
Série de derrotas atual: Goiás (6)
Série sem vencer: Goiás (12)