quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Conheça o avô de Diego Tardelli


Para ilustrar a excelente matéria do amigo Dassler Marques, fiz as fotos que a equipe do Terra transformou em galeria.

Confira o simpático senhor Nelson, barbeiro em plena atividade aos 75 anos, na cidade de Santa Bárbara d'Oeste.

A matéria:

terça-feira, 4 de agosto de 2009

B de Bahia?


Publicado originalmente na Trivela.

A regularidade no futebol, um dos meios mais instáveis que se conhece, é uma virtude alcançada por poucos. Mas há casos em que o padrão é não haver padrão algum: dono do retrospecto mais mediano da Série B, o Bahia parece afundado em uma crise mais de identidade do que financeira ou estrutural. Pior do que combater um problema grave é não conhecê-lo, e é talvez esta letargia que promove uma perigosa estagnação no tradicional clube nordestino, que aos poucos começa a se acostumar com a Segunda Divisão.

Do terceiro lugar na rodada inicial ao 14º posto há três semanas, o Tricolor sempre se manteve na parte intermediária da tabela. Após perder para o Fortaleza no sábado, encontra-se em posição emblemática: décimo lugar, com cinco vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Marcou 19 gols e sofreu a mesma quantidade.

A quatro jogos do final do primeiro turno, a equipe chegou a ficar seis rodadas sem vencer, na transição entre Alexandre Gallo e Paulo Comelli, e só conseguiu duas vitórias consecutivas em uma oportunidade (lanterna Campinense fora e Vasco em casa). A vitória sobre os cruzmaltinos, aliás, encerrou um jejum de três partidas sem triunfo no Pituaçu, que desde que começou a ser utilizado pelo clube havia se transformado em um caldeirão, certeza de vitória certa. Desacreditada, parte da torcida chegou a se mobilizar pelo “público zero” no confronto com os cariocas, alegando que o time não conseguia vencer como mandante e que, por isso, de nada adiantaria a torcida apoiar.

O efeito foi exatamente contrário: o público de 25.376 é o segundo maior do campeonato até agora, atrás apenas de Ceará 0x2 Vasco, com 27.629. Ações com resultados assim mostram quanta discordância de opiniões há sobre o time. Da mesma forma, uma enquete promovida após a inesperada vitória sobre o Vasco mostrou divisão total de pensamentos: 31,5% dos participantes disseram acreditar no acesso, contra 28,5% de descrentes. Já 40% dos que opinaram se disseram em dúvida, condicionando a volta à elite após sete anos a fatores tão distintos quanto troca da diretoria, contratação de reforços ou mais garra em campo.

Mas afinal, o que faz do Bahia, campeão brasileiro e uma das folhas salariais mais caras da Série B, um clube que ainda não deu mostras de que pode voltar à Primeira Divisão – e, principalmente, permanecer nela? A falta de planejamento da diretoria é a alegação número um dos críticos: gastou-se demais para trazer nomes rodados como Patrício, Nen, Rubens Cardoso e Nadson e até agora apenas o zagueiro tem correspondido, transformando-se no único destaque do time. Não obstante, falta ainda um meia responsável pela armação e que chame a responsabilidade, carência da equipe durante toda a temporada.

Um pouco da reclamação do torcedor é movida pelo coração, já que Paulo Carneiro possui história no rival rubro-negro. Se a falta de planejamento é regra no futebol brasileiro e pode ser relevada, a alegada saudade de Carneiro dos tempos de Barradão parece reavivar quando ele cita o rival, que “subiu há dois anos mudando de treinador quatro vezes. Então qualquer time pode fazer isso”, disse quando do anúncio de Sérgio Guedes.

Há muitos acertos, como investimentos no CT e modernização da estrutura, mas não dá para negar que contratar quarenta jogadores em oito meses é um pouco de exagero. Some-se a isso o criticado retorno de Paulo Comelli (bancado pelo presidente Marcelo Guimarães Filho, mas não apoiado por Carneiro), que, para muitos, fez o time retroceder, mudando a forma de jogo e desestabilizando a defesa, único setor que funcionava bem. Não à toa, durou menos de um mês no cargo, sendo demitido pelo telefone após acumular duas vitórias, dois empates e duas derrotas: desempenho apenas mediano, que reflete bem a apatia da equipe.

Apatia que é outro sintoma detectado por quem acompanha o clube. Não há jogadas ensaiadas, entrosamento e o torcedor reclama da falta de vibração e entrega dos jogadores. Foram quatro oportunidades em que o Tricolor saiu na frente mas permitiu a virada ou o empate, ao passo que só se recuperou contra o Vasco, numa atuação considerada exemplar, mas exceção até aqui.

Tudo isso faz a saída de Comelli parecer menos repentina e mais compreensível, tão logo um treinador com o perfil desejado ficou disponível no mercado. Sérgio Guedes chega respaldado pelas boas campanhas com Ponte Preta e Santo André, no maior desafio de sua ainda curta carreira. Nos dois clubes, teve mais tempo e menos pressão para trabalhar, mas lidou com elencos parecidos: mesclando jovens e experientes, ainda que mais homogêneos do que terá no Fazendão.

O Bahia ainda tropeça. Cada uma das críticas carrega um pouco de razão, e um time que não briga em campo, não cria e não se incomoda com o revés irrita mais o torcedor que um grupo limitado que se entrega, mas cede ao final – vide a Portuguesa do ano passado. Se continuar assim com o novo técnico, pode dar outro passo rumo a uma realidade que hoje já parece bem mais palpável: transformar-se em um ex-grande, com importância regional relativa e nacional reduzida. Um clube pequeno demais para a Série A, mas que é grande demais para a Série B.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Enfim, de volta!

Após um mês de férias matrimoniais, peço licença aos amigos para um post muito mais pessoal do que verdadeiramente informativo.

Aproveitando o passeio lua-de-melístico, pude realizar um sonho de infância ao conhecer o estádio do Boca Juniors - uma experiência que, mesmo com a arquibancada vazia, não deixa de ser excepcional.

A atmosfera em volta da mítica arena é intimidadora já nas proximidades. O bairro de La Boca, de vizinhança pobre, tem pouco do convidativo ar respirado na parte turística de Buenos Aires, como o revitalizado Puerto Madero ou as charmosas ruas repletas de cafés de Recoleta e Palermo: calçadas sujas, casas abandonadas e pouco movimento de carros ou pedestres, mesmo durante a semana, no horário do almoço. Num dia nublado de inverno, fica ainda um pouco mais feio.


Nota mental: jamais ir a pé à Bombonera como torcida visitante. É difícil escapar ileso.


Chama a atenção a calçada da fama com vários atletas famosos, mas sem a pegada de Diego Maradona. Logo na entrada, uma estátua do baixinho deles com um shorts balonê típico do futebol oitentista. A bilheteria do Museu de la Pasion Boquense confunde-se com o caixa do gift shop, e acabei comprando souvenirs antes do tour (dica boa para salvar alguns pesos, afinal depois de tudo o que se vê, o espírito consumista é inflado por tudo o que leva azul escuro e amarelo-ovo). Pela visita ao museu + splash-and-go no estádio (há a visita completa por vestiários, sala de imprensa e camarotes, mas estava fechada), 25 pesos por cabeça - preço razoável em tempos de câmbio a 2 para 1.


Quadro com todos os campeões da Libertadores por R$ 300 (melhor item do gift shop)


Impressiona a quantidade de estrelas, cada uma com o nome de um jogador que vestiu a camisa do clube. Os painéis com uniformes históricos aguçam a apetite dos colecionadores de camisas com raridades como a primeira utilizada, branca e preta, e a réplica das décadas de 40 e 50 com a polêmica faixa diagonal amarela. Uma maquete do bairro de La Boca tem personagens animados que mostram o dia-a-dia e contam a história do local, antiga sede dos estivadores. Há um espaço dedicado ao elenco atual, e o que deixa a desejar são os objetos históricos: apenas algumas camisas antigas e quadros, com poucos objetos curiosos como há, por exemplo, no museu do Santos. O Peixe, aliás, é representado com o item mais interessante da coleção: uma camisa de Pelé utilizada em 1963.

Camisa de Pelé, fotografada por todos os argentinos enquanto os brasileiros fotografam a de Maradona


O audiovisual é o ponto forte do museu. Diversos monitores mostram cenas de conquistas boquenses, e há dois curta-metragens em exibição constante: um sobre os maiores ídolos do clube e outra que se passa num cinema 360°, com telas em todo o redor e carpete imitando um campo de futebol no chão: no filme 'viviendo la pasión', pode-se vivenciar a experiência de ser um garoto escolhido nas peneiras xeneizes até a consagração do gol do título - mais ou menos como numa campanha publicitária recente da Nike.

Chegando à arquibancada, pode-se perceber o quão único é o estádio. Parece até menor que quando visto na televisão (efeito exatamente contrário do comum, quando tudo parece maior ao vivo - experimente ir ao Maracanã para ter uma idéia da sensação). As arquibancadas são sim incrivelmente altas e mais parecem um prédio - ou as paredes de uma caixa de bombons, como se convencionou dizer. Pode-se até pagar para tirar uma foto segurando a taça do Mundial Interclubes e usando uma faixa de campeão. Legal mesmo é assinar o nome na parede, que serve de recordação para os brasileiros - não identifiquei rabiscos em nenhum outro idioma, o que nos faz pensar se isso é realmente permitido.

Arquibancada visitante: tão alta que é o ponto mais perto do céu e do inferno ao mesmo tempo


Enfim, é de fato uma experiência única. O turismo de futebol, tão comum na Europa, está longe de pegar por aqui. Nossas arenas (?) são mal-cuidadas, pouco atrativas e poucos clubes têm esta visão do estádio como ferramenta de marketing - São Paulo, Palmeiras, Atlético-PR, Botafogo e Internacional são poucos que proporcionam tours dos estádios.

Talvez também por isso a mística boquense impressione tanto aos brasileiros. Afinal, despertar respeito é a melhor forma de se vencer um adversário antes mesmo do jogo começar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Férias!




Merecidas, desejadas, quem as não precisa?

Saio em recesso matrimonial e retorno em um mês, se Deus quiser, desposado e renovado.

Pode ser que pinte uma ou outra postagem até lá, mas elas já ficam desde já rarefeitas e desprogramadas.

Que Dunga não acredite ter, um ano antes da Copa, o time perfeito montado.

Que o brasileiro classificado para as finais da Libertadores traga de volta a taça
ao país (meu palpite? Grêmio!)

Que o campeão da Copa do Brasil não abdique do Brasileiro, afinal Corinthians e Inter têm times muito bons para deixarem de desfilá-los nos gramados daqui.

E que o espírito de porco da nova gripe não nos pegue em Buenos Aires.

até breve!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ranking Olheiros - Segunda edição


Foram recordes de visitas, comentários, críticas, elogios, sugestões. Repercussão em sites, blogs, TV e rádios. O Ranking Olheiros do futebol de base brasileiro foi um sucesso em sua primeira edição. Mais do que cravar quem tinha a melhor base, nossa intenção foi cumprida: promover o debate sobre o trabalho de formação de garotos no país. Um mês depois, apresentamos a segunda edição, com cinco competições disputadas e três novos times aparecendo, graças aos desempenhos nos estaduais de base.

Houve mudanças no Top Ten: apesar do vexame da briga e expulsão do campeonato, o Corinthians chegou às quartas-de-final do Mundialito Sub-18, realizado na Espanha, e somou mais doze pontos, ultrapassando o Santos e conquistando o sexto lugar. O São Paulo, semifinalista, ganhou vinte pontos e se manteve na terceira colocação.

Quem saiu dos dez mais foi o Atlético-MG, após ser eliminado na primeira fase da Spax Cup. Com a realização da edição 2009 do torneio, os pontos acumulados com o bicampeonato em 2007 e 2008 tiveram seus pesos diminuídos, conforme os critérios do ranking. Assim, o Galo perdeu pontos e foi ultrapassado pelo América-MG.

Os maiores pontuadores da segunda edição vieram dos campeonatos estaduais de base, que já terminaram em quatro estados: Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe. O Vitória, campeão baiano, subiu duas posições e aparece em 15º. O Fluminense de Feira de Santana´, vice, também subiu duas e está em 29º. O Colo Colo, eliminado na semifinal, subiu 38 posições com os 20 pontos acumulados e aparece em 34º, enquanto o Vitória da Conquista, estreando no Ranking, está em 48º. Já o Bahia, fora das semifinais deste ano, despencou: perdeu 16,4 pontos e caiu da 16ª para a 30ª posição.

No Rio, duas caras novas: o Tigres, campeão com campanha surpreendente, somou 40 pontos e aparece em 32º lugar. E o Boavista, quarto lugar, também estreia, com 16 pontos na 65ª posição. O Vasco, vice-campeão, somou 28 pontos e subiu do 38º para o 25º lugar, enquanto o Madureira, terceiro colocado, ganhou 16 e foi da 30ª para a 21ª colocação.

Já em Pernambuco, o segundo título do Náutico em três anos garantiu ao Timbu mais 40 pontos e dez posições, assumindo o 16º posto. O Sport subiu um lugar (agora em 14º), graças ao vice-campeonato. O Santa Cruz se recuperou com a terceira colocação e deixa o 83º lugar, subindo para o 37º - a maior ascensão do período. Finalmente, o Porto de Caruaru comprovou o bom trabalho com o quarto lugar e se manteve na 19ª colocação geral. O estado tem agora três times no Top 20.

As outras modificações foram reflexo de desvalorização de pontuações anteriores, nos campeonatos terminados no último mês. Esta edição do ranking serve também para adequação e pequenas correções, como a confirmação do título potiguar pelo ABC em 2008. Vale lembrar que os times empatados em pontos aparecem todos na mesma colocação, relacionados em ordem alfabética.

Outra novidade são as setinhas que indicam quantas posições o time subiu ou desceu em relação à primeira edição, além da estrela para os novatos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rothulado


Poucas pessoas despertam tantas reações diferentes no mundo do futebol sem serem polêmicas ou explosivas como Celso Roth. O treinador é adorado por todas as torcidas, menos por aquela em cujo clube está trabalhando no momento, a ponto de ser motivo de chacota dos adversários toda vez que é anunciado em um novo time.

Títulos são obrigatórios para a (sobre)vida de qualquer técnico ou jogador, e Roth não os conquista desde 2000, quando venceu a Copa do Nordeste pelo Sport. Mas não há como negar que, nos últimos anos - especialmente com o advento dos pontos corridos -, ele tem acabado com o rótulo de treinador excessivamente defensivo que ainda insistem em lhe imputar.

Em 2004, fez excelente campanha com o Goiás de Paulo Baier e Alex Dias, terminando o Brasileirão na 6ª posição, a sete pontos da zona da Libertadores. No ano seguinte, assumiu o Botafogo em agosto e fez a melhor campanha do clube desde o título de 95, terminando em nono lugar.

Após as duas boas campanhas, foi demitido. Ficou um ano e quatro meses parado, até assumir o Vasco no lugar de Renato Gaúcho. No Brasileirão, levou o time carioca à liderança pela única vez em toda a história dos pontos corridos, na quinta rodada. Terminou o primeiro turno em quarto lugar (com um jogo a menos), na zona da Libertadores. Com a queda de produção no segundo turno, acabou demitido e o Vasco terminou o ano em 12º lugar.

No Grêmio, fez um trabalho ainda melhor e por pouco não foi campeão brasileiro, liderando o maior número de rodadas da temporada (deixou a ponta a seis jogos do fim) e levando um time desacreditado ao vice-campeonato. Neste ano, abriu mão do Estadual para traçar uma campanha sólida na Libertadores, mas acabou pagando caro pela escolha.

Agora, no Atlético, desenvolve o mesmo trabalho dos outros clubes: recuperou a auto-estima ferida após a goleada na final do Mineiro, immpôs um sistema de jogo de marcação sufocante e contra-ataques mortais. Quando sai na frente, dificilmente o Galo sofre a virada. Na sexta rodada, assume a liderança com o clube pela primeira vez desde que os pontos corridos foram introduzidos.

Falta a Roth encontrar a consistência adequada em todo o ano. A queda de produção de seus times no segundo turno é evidência histórica. Embora seja difícil conseguir fazer isso com o Atlético neste ano, também parecia improvável em 2008 com o Grêmio. Se conseguir, acabará de vez com o rótulo e provará que tem, sim, qualidade. Basta deixá-lo trabalhar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sinal vermelho...e verde


O futebol paranaense não vive um bom momento no Brasileirão. Seus dois representantes dividem a lanterna do campeonato após cinco rodadas, e a ameaça de um campeonato nacional sem times do estado pela primeira vez desde 1990, se ainda parece longe, ao menos está mais palpável do que em outros momentos.

Se goleadas em casa são um dos fatores que apontam um time candidato ao descenso, ambos já sofreram deste mal: o Coxa perdeu por 4 a 2 para o Santo André e 3 a 1 para o Goiás, times que não aparecem entre os favoritos em nenhuma lista. As derrotas do Atlético foram mais contundentes: 2 a 0 para o Vitória, 3 a 2 para o Náutico e a última, um 4 a 0 para o Atlético-MG que derrubou Geninho.

Curiosamente, se o Coritiba pode parecer mais frágil pela campanha no Estadual, é justamente o campeão paranaense Atlético o mais ameaçado. A escolha da Arena como sede da Copa obriga uma concentração total de investimentos na conclusão do estádio, e muitos times grandes de outros países passaram por isso (Saint Ettiene, na França, e Borussia Dortmund, Colônia e Kaiserslautern, na Alemanha, são exemplos).

Já no ano passado o Furacão soprou com ventos menos fortes e escapou na última rodada. Agora, foca ainda menos no time e tem lançado os garotos vice-campeões da Copa São Paulo para tentarem dar conta do recado.

Todos estes são ingredientes comuns a muitas receitas de insucesso ao longo dos últimos Brasileiros. Apenas a título de comparação, os únicos times que conseguiram se safar de começos tão ruins foram Palmeiras, em 2006, e Fluminense, em 2008. Nos dois casos, os times estavam concentrados em disputas continentais e recuperaram os pontos perdidos ao final da Libertadores.

Pode ser o caso do Coritiba, que tem bons nomes e só precisa de melhores ajustes. Mas não parece ser o caso do Atlético, que se cair, pode dar início a uma bola de neve com a queda das receitas, influenciando no andamento das obras.

No momento, o sinal está vermelho para os clubes paranaenses - até mesmo para aquele que sequer aceita esta cor em seu estádio.

sábado, 6 de junho de 2009

Eliminatórias

Austrália, Japão, Coreia do Sul, Holanda e Inglaterra devem ser as primeiras seleções a carimbarem o passaporte para a Copa de 2010, provavelmente neste final de semana. Com o retorno das Eliminatórias neste final de semana, dezenas de jogos movimentam os quatro cantos do Planeta Bola.

Saiba de tudo o que acontece rumo a Copa da África do Sul no
Febre Mundialista. Resultados, classificação, próximos jogos e notícias, além de posts especiais com a História das Copas, grandes craques e muito mais.

Confira!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Caindo de pé


22min55s, segundo tempo. Carlos Alberto deixa o campo alegando cãibras, para a entrada de Enrico – que só foi visto em campo neste momento.

Nos dois minutos seguintes, o Corinthians faz, em três lances, mais do que o Vasco fez em toda a partida.

Fim de pressão vascaína? Nem um pouco. Como previsto, o empate no Maracanã foi melhor para o Vasco que uma possível vitória - o Corinthians aguardou e deu jogo, e se tivesse perdido iria para cima como um furacão e seria imparável.

Há tempos o Vasco não foi tão Vasco – jogando de igual para igual com os grandes, pressionando, se impondo –, e o Corinthians tão Corinthians – sofrido, com garra, luta e entrega.

Há tempos um jogo sem gols não significava tanto para os protagonistas e suas histórias.

Dorival errou, sim, ao sacar Pimpão e apostar em Edgar contra uma defesa entrosada nas bolas aéreas, e depois ao tirar Léo Lima para dar velocidade ao jogo com Fernandinho, corrigindo a substituição anterior.

O torcedor vascaíno pode reclamar de um pênalti não dado em Elton, que teve a camisa puxada no bololô da área.

Mas não pode reclamar do brio deste time, formado muito antes do que se imaginava, e que recuperou sua dignidade.

O Vasco deu o seu máximo hoje. No momento, não é o suficiente para bater o Corinthians.

Mas quantas equipes vão enfrentar o alvinegro paulista por duas vezes neste ano e não perder nenhuma?

O Gigante da Colina caiu de pé, por ora.

Mas nunca esteve tão perto de se reerguer – desta vez, definitivamente.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Brasileirão 2009: 10%


Passadas as quatro primeiras das 38 rodadas do Campeonato Brasileiro, é hora de voltarmos às nossas tradicionais análises pontuais da competição, destacando o que de melhor e pior aconteceu nessas rodadas iniciais que ninguém dá muita importância, mas que no final acabam fazendo falta.

Se a palavra que definiu as rodadas iniciais do BR'08 foi "sonolento", a deste ano pode ser "estranho". Afinal, por conta das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil, metade dos times começou o campeonato se lixando pra ele e deixando aquele ar de primeira segunda-feira depois das férias, quando nada é muito sério, nunca iremos nos lembrar e tudo pode ser deixado para depois.

Um número impressionante de empates deu a tônica na primeira quinzena: foram dez em vinte jogos, exatamente a metade. Ao final da segunda rodada, apenas oito times haviam conquistado uma vitória. Os resquícios deste começo no tranco são sentidos na parte de baixo da tabela: seis equipes ainda não venceram, contra quatro no ano passado, duas em 2006 e ZERO em 2007.

Pela primeira vez desde 2006, também, um time chega à nossa primeira análise com 100% de aproveitamento. Mesmo focado na Copa do Brasil, onde é favorito, o Inter venceu duas partidas fora de casa - uma delas contra o também favorito Corinthians - e desponta desde já como o time a ser batido. Os outros líderes (Vitória, Santos, Náutico e Atlético-MG) parecem o ser apenas por estarem focados apenas no Brasileirão. Vale lembrar, entretanto, que foi assim que o Grêmio, como quem não quer nada, disputou o título até o final.

A Série A ainda não engrenou também pelo fato de termos três times muito diferentes neste ano - Avaí e Santo André não disputam a primeira divisão desde a década de 70 e o Barueri é estreante -, o que deixa muita gente desnorteada sobre o verdadeiro nível do campeonato. Como podemos ver nos números, entretanto, a expectativa é de um campeonato bem equilibrado.

Como trata-se de um sprint inicial, pouco podemos analisar nos times, que vieram do embalo dos estaduais e ainda se voltam às copas, servindo este período, portanto, mais de base de comparação para nossa próxima análise do que qualquer outra coisa.

Algumas certezas, porém, parecem bastante claras: o Atlético-PR possui um time bastante limitado que, com as atenções voltadas para a Copa de 2014, correm sério risco de rebaixamento; da mesma forma, o Botafogo possui um elenco limitado e pode sofrer mais que o esperado; os caçulas Santo André e Barueri, por outro lado, se não são times de qualidade dificultam demais a vida dos peixes grandes e não vão apenas fazer figuração como se pensa.

Abaixo os números das quatro rodadas iniciais.

Destaques: campanha do Internacional, Pedrão, atacante do Barueri, que marca gol até sentado, e Felipe, bom atacante que comprova a vocação do Goiás para fazer artilheiros

Perebas: a defesa do Coritiba, que tomou sete gols em casa em dois jogos, e o destempero do Fluminense, que já teve três jogadores expulsos

4ª rodada

Melhor ataque
2009: Santos (11 gols)
2008: Cruzeiro (8)
2007: Botafogo (10)
2006: Cruzeiro, Ponte Preta e São Paulo (8)

Melhor defesa
2009: Internacional (1 gol)
2008: Cruzeiro (1)
2007: Corinthians e São Paulo (1)
2006: Santos (1)

Pior ataque
2009: Botafogo, Corinthians e Fluminense (3 gols)
2008: Fluminense (1)
2007: América-RN, Grêmio e São Paulo (3)
2006: Botafogo e Santa Cruz (1)

Pior defesa
2009: Coritiba (11 gols)
2008: Portuguesa (11)
2007: Cruzeiro (10)
2006: Palmeiras (13)

Gols e média
2009: 107 (2,67)
2008: 89 (2,22)
2007: 121 (3,02)
2006: 102 (2,55)

Artilheiros
2009: Marcelinho Paraíba (Coritiba) e Felipe (Goiás) - 4 gols
2008: Guilherme (Cruzeiro), Diogo (Portuguesa) e Kléber Pereira (Santos) - 3 gols
2007: Josiel (Paraná) - 5 gols
2006: Pedro Oldoni (Atlético-PR) e Wagner (Cruzeiro) - 4 gols

Números inéditos
Série de vitórias atual: Internacional (4)
Série invicta atual: Atlético-MG, Internacional, Náutico, Santos (4)
Série de derrotas atual: Atlético-PR (2)
Série sem vencer: Atlético-PR, Avaí, Barueri, Botafogo, Coritiba e Sport (4)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O jogo dos sete erros


Ninguém pode negar a Luxemburgo o status alcançado após tantas conquistas. Mas não há como discordar quando se diz que o técnico do Palmeiras já pareceu muito mais técnico do que agora. Luxemburgo tem sido tão manager quanto pode, e vem tomando decisões erradas há algum tempo. Ontem, errou de novo e prejudicou o time num jogo que poderia ser muito mais fácil.

Os sete erros de Luxemburgo no empate com o Nacional:

1. Esquema tático:
O Palmeiras não tem jogadores para o 3-5-2 que o treinador insiste em utilizar. Wendell, Armero, Fabinho Capixaba – nenhum deles é ala que aprofunda o jogo com a velocidade necessária para se utilizar esta formação. O time renderia muito mais com laterais mais plantados, subindo esporadicamente, Pierre à frente da zaga e Cleiton Xavier e Marquinhos dos lados, com Diego Souza aproximando e Keirrison com um companheiro. Ou ainda, com a volta de Edmilson, Diego Souza no meio, Cleiton Xavier e Marquinhos (ou Willians) abertos pelos lados.

2. Escalações equivocadas: Capixaba precisa de confiança para render o pouco que pode. Souza foi colocado na fogueira em Santiago, mas a pressão da torcida alviverde é pior que duas Bomboneras para um garoto que ainda não está no ritmo do restante da equipe.

3. Mudanças precoces: Não era o caso de pode trocar dois jogadores com menos de trinta minutos em um primeiro jogo de quartas-de-final. Luxemburgo se arriscou sem necessidade, podendo sofrer com expulsão ou contusão em partidas normalmente viris como são as contra uruguaios. Existe uma diferença entre arrojo e invencionice.

4. Obina: Por mais que a torcida gritasse seu nome, não era o caso de lançar o atacante tão cedo, e nessas circunstâncias. Obina não produz e força os chutões dos companheiros, procurando nele uma referência que nem Keirrison, nem mesmo o ex-flamenguista, são. Pareceu ter sido muito mais uma alteração psicológica, para mexer com a torcida. Uma aposta do tipo besta ou bestial.

5. Marquinhos: Por que não lançá-lo desde o início? O time o procurava a todo momento e, como já havia demonstrado, é a melhor opção para a ala direita ofensiva que Luxemburgo tanto precisa.

6. Padrão de jogo: O Palmeiras não possui jogadas ensaiadas, forma de jogo definida ou pontos fortes claros. O forte do São Paulo é a bola aérea. Do Inter, a troca de passes entre seu trio ofensivo. O Corinthians tem a velocidade de Dentinho e Jorge Henrique, a cobertura de Elias e Cristian e uma dupla de zaga eficiente. O Palmeiras continua sem ter nada: os gols saem em jogadas fortuitas, sem preparação, e as chances são atribuídas ao acaso ou a falhas do adversário.

7. Keirrison: Por que sacar seu principal atacante quando o adversário está retrancado e você vence por apenas um a zero? Por que colocar um volante e diminuir a já escassa criatividade da equipe?

Luxemburgo tem cada vez mais perguntas a equacionar, e suas respostas não têm sido boas. Mexe mal, escala errado e o time não evolui. Contratou mal, insiste em jogadores errados e não se incomoda em trabalhar a cabeça dos que precisam, como Keirrison.

O discurso do Nacional, de que o Verde era o pior dos brasileiros na Libertadores, acabou por se justificar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Só faltam seis


A convocação para a Copa das Confederações é a mais importante que teremos até a definitiva, para a Copa, em aproximadamente um ano. Como a garantia da vaga é questão de tempo, os jogos finais das Eliminatórias e demais amistosos servirão apenas para preparação e para que Dunga tire suas últimas dúvidas, nas posições que restam.

O torneio na África do Sul pode servir para confirmar algumas coisas - como se o Brasil precisa mesmo de Ronaldinho ou não, e quem é de fato o lateral-esquerdo. Apenas uma campanha catastrófica tiraria alguns nomes já praticamente certos da lista de 23, da mesma forma que somente uma jornada de sonho garantiria nomes ainda incertos como garantidos.

É fato que ainda temos uma temporada inteira pela frente, mas é difícil discordar que Dunga já tenha hoje 17 dos 23 nomes fechados para a Copa. Basta ver o número de convocações de cada jogador e os chamados recentes para se traçar o panorama.

Com Júlio César e Doni garantidos, falta-nos um terceiro goleiro que seria naturalmente Diego Alves, mas Gomes apareceu de surpresa e pode furar a fila. A lateral-direita é a mais tranquila, com Maicon e Daniel Alves até com passaportes e número dos assentos reservados. Na zaga, qualquer coisa que não seja Lúcio, Juan, Alex e Luisão será surpresa.

O maior enigma está na lateral-esquerda. Pelo número de convocações, Kléber (12), Gilberto (11) e Marcelo (10) brigam por duas vagas. Mas como Gilberto não é chamado desde que foi relegado ao Tottenham, a impressão que se tem é que Kleber e Marcelo irão para a Copa - mas a verdade é que ninguém confia muito no jogador do Internacional. Se considerarmos que Kleber, mais vezes convocado, é o atual titular e nome provável, a lista cai para cinco vagas.

No meio, Gilberto Silva e Josué são escolhas naturais e titulares indiscutíveis. Felipe Melo tem apenas convocações recentes, mas está em alta com Dunga e parece ter sua cadeira reservada. Sobra uma posição para os volantes, que poderia ser de Lucas, Hernanes ou Ramires (vantagem para o são-paulino no histórico recente, mas para o ex-cruzeirense pela ida ao Benfica). Pode ser ainda que Anderson seja chamado e colocado nesta posição, abrindo uma vaga a mais para os meias.

Isto porque Kaká, Elano e Júlio Baptista estão confirmados. Diego tem 15 convocações e, agora na Juventus, poderia ser nome certo não fosse a resistência enorme que Dunga sempre teve com ele - ainda não foi chamado em 2009. Ronaldinho Gaúcho, quem diria, não tem presença garantida, embora seja difícil imaginar que, independente de sua forma física, ele fique de fora. Com isso, outros nomes ficam pouco cotados.

E finalmente, no ataque, Luís Fabiano, Pato e Robinho parecem estar confirmados. Abre-se aí a vaga mais concorrida: recentemente Adriano, agora Nilmar, e ainda Vágner Love, Rafel Sobis, Fred...sem esquecer de Ronaldo. Uma coisa é certa: gente boa vai ficar de fora.

Confira os jogadores garantidos, as posições que estão vagas e os números de convocações

Goleiros:
Júlio César e Doni (falta 1)
Laterais-direitos: Maicon e Daniel Alves
Laterais-esquerdos: Kléber e Marcelo os mais cotados (ainda faltam 2)
Zagueiros: Lúcio, Juan, Alex e Luisão
Volantes: Gilberto Silva, Josué e Felipe Melo (ainda não 100%) (1 ou 2)
Meias: Kaká, Elano e Júlio Baptista (1)
Atacantes: Luís Fabiano, Pato e Robinho (1)

Os mais convocados

Goleiros: Júlio César (17), Doni (12) e Hélton (5)
Laterais-direitos: Maicon (19), Daniel Alves (18) e Rafinha (3)
Laterais-esquerdos: Kleber (12), Gilberto (11) e Marcelo (10)
Zagueiros: Juan (16), Lúcio (15), Luisão (12), Alex (10) e Naldo (7)
Volantes: Gilberto Silva (19), Josué (16), Mineiro (9), Lucas, Dudu Cearense e Fernando (6)
Meias: Elano (20), Diego e Júlio Baptista (15), Kaká (14), Ronaldinho (13) e Anderson (9)
Atacantes: Robinho (22), Vagner Love (10), Pato e Luís Fabiano (9) e Rafael Sóbis (8)
*Agradecimentos ao amigo Dassler Marques.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Copa...do Brasil??


Luiz Adriano, Jadson e Naldo marcaram os gols da decisão da última Copa da Uefa da história. É a primeira vez que jogadores de um mesmo país que não os representados pelos finalistas (no caso, Alemanha e Ucrânia) monopolizam a tábua de escore.

O Shakhtar Donetsk foi campeão com méritos. Jogou melhor que o Bremen, soube aproveitar as falhas defensivas do adversário e as ausências importantes de Mertesacker e Diego.

Mas vale o mérito do misterioso e excêntrico Rinat Akhmetov, bilionário fã do futebol brasileiro que pagou caro até demais por jogadores apenas promissores como Fernandinho e Brandão - que saiu no início do ano. Investimento que se paga - ainda que não inteiramente - agora.

Têm sido normal as legiões brasileiras nos últimos campeões europeus, conforme a tabela abaixo, apenas dos últimos três anos, mostra. A diferença do Shakhtar para o Milan ou o Barcelona, que também tinham cinco dos nossos no elenco, é que no time ucraniano todos são titulares e jogaram a decisão.

Vendo por este ponto de vista, os gols de Jadson e Luiz Adriano não são mais tão dignos de comemoração.

Confira os brasileiros presentes nos últimos campeões europeus:

2008/09
Shakhtar Donetsk - 5 (Fernandinho, Jadson, Ilsinho, Luiz Adriano e Willian)

2007/08
Manchester United - UCL - 1 (Anderson)
Zenit St. Petersburg - Uefa - 0

2006/07
Milan - UCL - 5 (Dida, Cafu, Serginho, Kaká e Ricardo Oliveira)
Sevilla - Uefa - 4 (Daniel Alves, Adriano, Renato e Luís Fabiano)

2005/06
Barcelona - UCL - 5 (Belletti, Sylvinho, Thiago Motta, Edmilson e Ronaldinho Gaúcho) 
Sevilla - Uefa - 4 (Daniel Alves, Adriano, Renato e Luís Fabiano)

Escola de Goleiros


Um post um pouco diferente hoje, para ajudar os amigos.

Pioneira no país, a Escolinha de Goleiros de Americana promove amanhã (21/5), às 19 horas, no Clube Veteranos, um bingo beneficente para arrecadação de fundos do projeto, que completa três anos de atividades, atendendo alunos de 7 a 18 anos com aulas gratuitas. Além de camisas autografadas por ídolos do futebol brasileiro, o bingo terá prêmios em dinheiro.


O coordenador do projeto, Vander Batistella, revelou que serão sorteadas camisas oficiais dos goleiros Marcos (Palmeiras), Ronaldo e Felipe (Corinthians), Magrão (Sport) e Rogério Ceni (São Paulo). Além disso, haverá prêmios em dinheiro (R$ 1 mil, R$ 500, R$300 e R$200).


Em três anos de atividades, o projeto já atendeu aproximadamente 600 alunos. Atualmente cerca de 120 alunos, três vezes por semana, treinam e desenvolvem habilidade na posição.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

EquilíBRio


Equilíbrio já deixou de ser adjetivo para se tornar chavão quando se fala de Campeonato Brasileiro. Mesmo que apenas duas rodadas tenham sido disputadas - e com metade dos times priorizando Copa do Brasil ou Libertadores -, salta aos olhos a igualdade marcante em todos os jogos realizados até agora.

O número de empates impressiona. Foram cinco na primeira rodada e cinco na segunda, metade dos jogos até agora. Uma porcentagem elevada, sem comparação nos últimos anos: em 2008 foram 5; 2007, apenas 1; 2006, 4; Antes disso, os campeonatos tinham mais equipes e o cruzamento de dados fica desigual.

Com tantos empates, outra marca é curiosa: apenas oito times já venceram no campeonato. São estranho, mas o fato é que menos da metade das equipes saiu de campo vitoriosa. Em 2008, também apenas duas equipes mantiveram 100% na segunda rodada (Náutico e Cruzeiro), e igualmente uma (Ipatinga) ainda não havia somado ponto. Mas doze times diferentes já tinham conquistado três pontos em uma partida.

O equilíbrio chama a atenção porque os placares também não foram dilatados. Quem venceu com mais folga, teve margem de dois: o Santo André foi o mais distonante e fez 4 a 2 no Coxa, exatamente o lanterna. Se a divisão de atenções com a Copa do Brasil serve de desculpa, o argumento cai por terra ao ver que Inter e Vitória, também quadrifinalistas, estão na ponta.

A média de gols foi baixa, como tem sido nos últimos anos. Dos atacantes e craques tão comentados, nenhum está na lista dos cinco artilheiros até aqui, com dois marcados. Pelo menos até a oitava rodada, quando teremos a final da Libertadores - provavelmente com um brasileiro -, não dá para afirmar que 100% das equipes estarão 100% focadas no campeonato.

Esperar tanto para engrenar pode ser tarde demais para alguns. Mas até lá, talvez, o equilíbrio já nem esteja mais tão presente. Ao menos por enquanto, a promessa é de um campeonato disputado dividida a dividida, onde até a vitória no cara ou coroa pelo "bola ou campo" é comemorada.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Menos surpresas


Dos oito cabeças-de-chave principais da Copa do Brasil, apenas dois falharam em chegar às quartas-de-final - fase em que tradicionalmente a competição se afunila e surgem os confrontos mais importantes. Santos e Botafogo caíram ainda na segunda fase, eliminados por CSA e Americano, que já estão fora da disputa, derrotados por Coritiba e Ponte Preta. Seria, na teoria, uma das quartas, que hoje vai colocar coxas brancas ou pontepretanos na melhor colocação destes clubes na história do torneio.

A exceção virou regra nos últimos anos e, desde que os classificados para a Libertadores deixaram de disputar a Copa do Brasil, o número de times grandes na competição diminuiu e vimos um número maior de zebras. Como em 2009 foram times de médio-grande porte que chegaram às quartas, pode-se dizer que esta é a Copa do Brasil com menos surpresas desde 2003.

Com grandes jogos, fica difícil prever uma final ou um campeão. Inter e Corinthians pintam como favoritos, e com as perspectivas de boa campanhas de ambos no Brasileirão, há quem sonhe por uma final entre os dois para abrir mais espaço no BR para vagas na Libertadores.

As surpresas da Copa do Brasil desde 2003, até onde elas foram e quem ficou pelo caminho:

Ano – Clube – Até onde foi (eliminado por quem) – Quem ficou pelo caminho
2009 – CSA – oitavas-de-final (Coritiba) – Santos
2009 – Americano – oitavas-de-final (Ponte Preta) - Botafogo
2008 – Corinthians-AL – quartas-de-final (Vasco) – Atlético-PR
2007 – Brasiliense – semifinal (Fluminense) – Cruzeiro
2007 – Gama – oitavas-de-final (Figueirense) – Vasco
2006 – Volta Redonda – quartas-de-final (Vasco) – Atlético-PR
2006 – XV Campo Bom-RS – oitavas-de-final (Volta Redonda) – Grêmio
2005 – Paulista – campeão – Botafogo, Internacional, Cruzeiro, Fluminense
2005 – Baraúnas – quartas-de-final (Cruzeiro) – Vasco, Vitória
2005 – Treze-PB – quartas de-final (Fluminense) – Coritiba, São Caetano
2004 – Santo André – campeão – Atlético-MG, Palmeiras, Flamengo
2004 – XV Campo Bom-RS – semifinal (Santo André) – Vasco

E você, quem acha que será o campeão?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ranking Olheiros do futebol de base brasileiro

Olheiros.net lança o primeiro ranking do futebol de base brasileiro. Confira!

Contestações, questionamentos quanto à formula de cálculo, insatisfação pelo fato do clube X estar abaixo do Y. Mais até do que estabelecer uma verdade dos fatos sobre quem é melhor que quem, os rankings de clubes e seleções servem para alimentar a discussão no bar, na roda de amigos e até nas mesas redondas.

Entretanto, quando se fala de futebol de base, nunca houve levantamento semelhante. Afinal, quem tem a melhor categoria de base do país?

Para responder a essa pergunta, os Olheiros Pedro Venancio e Maurício Vargas coletaram dados das principais competições de base nacionais e internacionais nos últimos três anos para lançar a primeira edição do Ranking Olheiros do futebol de base brasileiro.

Uma iniciativa inédita, pioneira como o próprio Olheiros, primeiro site a falar exclusivamente da base no Brasil.

Mas afinal, o que importa na base? Conquistar títulos ou revelar jogadores? A fórmula de cálculo adotada pretende encontrar este meio termo, tanto que os primeiros colocados, como se pode ver, têm revelado diversos nomes de qualidade para o futebol nacional ao passo que colecionam troféus.

Após a definição dos critérios de pontuação e a coleta de dados, o resultado é o material que se vê na nova seção do site. O Ranking será permanentemente atualizado, a cada competição concluída.

Por isso, fique de olho nas informações sobre os campeonatos, que você só encontra no Olheiros. Você torce para o seu time ser campeão, revelar novos craques e chegar – ou permanecer – no topo. E aguarde. Vem aí também o Ranking Olheiros de seleções. Algum palpite para o primeiro lugar?

Confira a primeira edição do Ranking Olheiros em:
http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=1207

terça-feira, 12 de maio de 2009

Baila comigo*


*Coluna desta terça-feira na Trivela.

Foi em meados de 1989 que Velloso estreou no gol do Palmeiras, substituindo o titular Zetti, lesionado. Desde então, uma amizade muito forte uniu os dois goleiros, que se enfrentaram diversas vezes. Entre 1994 e 1995, Velloso, então titular alviverde, foi procurado por Valdir de Moraes, treinador de goleiros do São Paulo, e convidado a trocar de CT na Barra Funda. Estava tudo certo para que a transferência ocorresse, até que numa conversa casual Zetti revelasse que não estava sendo valorizado pela diretoria Tricolor, que dificultava a renovação para contratar o palmeirense. Quando soube disso, Velloso encerrou as negociações e cada um ficou no seu clube.

Na semana passada, Velloso aguardava uma reunião com o presidente do Paraná Clube, Aurival Corrêa, para discutir a renovação do elenco para a disputa da Série B. Em vez disso, foi surpreendido com o anúncio de que ele não seria mais o treinador, já que um grupo de empresários iria investir no clube, levando alguns jogadores, mas exigia a contratação de um técnico de confiança. O nome escolhido foi exatamente o de Zetti.

“Foi a primeira vez que fui demitido na minha vida. Já entendi que para trabalhar como treinador eu vou ter de mudar. E principalmente estar preparado para coisas que eu nem sonhava. E também não vou acreditar na palavra das pessoas”, disse um magoado Velloso ao Bandsports. A forma como a troca de comando foi tratada não mostrou apenas como, pela segunda vez, os dirigentes “azedaram” a amizade dos dois ex-goleiros. Velloso parece ter descoberto, da pior maneira, a forma como atuam os donos da bola no país do futebol.

A palavra “planejamento” é uma das mais utilizadas no vocabulário futebolístico brasileiro, mas é usada na prática, como define seu conceito, em apenas, vá lá, 1% dos clubes. A sensação que se tem é que o emprego da palavra acontece em razão inversamente proporcional à efetiva realização do dito cujo planejamento. Mais um caso clássico do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” que impera em gramados tupiniquins.

Tamanha é a instabilidade com que lida o técnico de futebol no Brasil – lição número dois a ser aprendida por Velloso e quaisquer outros aspirantes a “homem do boné” –, que apenas uma hora depois da segunda parte de nosso Guia da Série B ter entrado no ar, ele já estava defasado. Conforme indicamos, a possibilidade de que Velloso saísse já era latente, mas como a bola da vez era Vagner Benazzi, fora dos padrões financeiros do clube no momento, a impressão era de que o time se viraria nas primeiras rodadas com o que sobrou do Estadual.

Velloso não possui ainda, de fato, tanta experiência como técnico a ponto de brigar por um acesso à primeira divisão – ainda mais com o elenco que possui o Tricolor. Entretanto, considerá-lo o único culpado pela queda de produção no octogonal do Paranaense e pela eliminação na Copa do Brasil é não querer enxergar a realidade. Sem alguns titulares contundidos, a equipe sentiu a falta de peças de reposição à altura e foi logo eliminada da disputa pelo título estadual.

Sem tempo para qualquer trabalho mais aprofundado, Zetti montou um onze com o que tinha em mãos e foi sufocado pelo Bahia, sofrendo dois gols nos vinte primeiros minutos de jogo. Depois do estrago, Marcelo e Aderaldo foram expulsos e o time só se defendeu até o final. Para quem venceu a primeira apenas na sétima rodada no ano passado e escapou do rebaixamento nas últimas partidas, o enredo atual pode ser ainda mais sinistro. Bem diferente do time que Zetti encontrou em sua passagem anterior, quando foi vice estadual e disputou a Libertadores. Os vôos da Gralha Azul poderão ser bem mais curtos neste ano.

Eu voltei

No Atlético Goianiense, a mudança deve ser vista sob outro prisma. “Tenho certeza que você voltará ao Atlético”, disse o presidente Valdivino José de Oliveira quando Mauro Fernandes foi contratado pelo Vitória para substituir Vagner Mancini. Ele só não sabia que seria tão cedo – apenas três meses depois.

Fernandes chegou a Salvador com a responsabilidade de manter a equipe na mesma toada que vinha desde o ano passado, quando fez boa campanha no Brasileirão. Entretanto, a classificação suada na Copa do Brasil, eliminando o ASA de Arapiraca somente nos pênaltis, somada a um empate com o Bahia e uma derrota para o Fluminense de Feira de Santana – todos na mesma semana – resultou numa pressão exagerada sobre o técnico, cujo time liderava o Baianão.

Sendo assim, o treiandor ficou disponível no mercado e Valdivino sentiu desde então uma enorme coceira para trazê-lo de volta. Com PC Gusmão, chegou às finais do Goianão e venceu o primeiro jogo, mas a derrota na segunda partida e a consequente perda do título eram a oportunidade que o dirigente precisava para trazer o técnico campeão da Série C de volta. A desculpa foi, além da derrota na decisão, o salário de PC e de sua comissão técnica, considerado alto para os padrões do clube.

Conhecedor do elenco que montou, o técnico devolveu a confiança a equipe e aproveitou um remendado América para vencer em Natal e começar a Série B com vitória. Com um retrospecto invejável em Goiânia – no ano passado, foram 21 vitórias e dois empates –, a torcida já começa a sonhar alto.

sábado, 9 de maio de 2009

O Brasileirão dos meninos*


* Publicado originalmente no Olheiros.

Com o início neste final de semana de mais uma temporada dos campeonatos nacionais das séries A e B, não começa apenas a briga pelo título máximo do futebol brasileiro. Em um ano que promete ser excepcional, afinal nunca na história recente houve tantos craques desfilando pelos gramados tupiniquins, a expectativa recai também sobre quais serão as revelações que os 40 principais times do Brasil preparam para os próximos meses.

Histórico não só por sua tradição de fatos e acontecimentos como também pelos nomes que apresentou ao longo do tempo, o Brasileirão se orgulha de ter sido o palco de exibições de gala protagonizadas por garotos, como os cinco gols fenomenais de Ronaldo sobre o Bahia em 1993, a estreia aquática do ensaboado Pato em um chuvoso Palestra Itália em 2006 ou até mesmo a guerra vencida sob o comando do cadete com espírito de comandante Anderson, na Batalha dos Aflitos em 2005.

Entretanto, com a chegada recente e inesperada de jogadores de ponta como o próprio Ronaldo, Fred, Adriano e D’Alessandro, entre outros, existe a sensação de que talvez sobre menos espaço para os garotos aparecerem. Afinal, nas últimas temporadas, o discurso mais utilizado foi exatamente de que, com as dificuldades financeiras e a incapacidade de manter seus destaques, os clubes eram obrigados a apostar principalmente em sua base, como brilhantemente fez o Atlético-MG no retorno à elite.

Se o espaço diminui, a garotada trata de buscá-lo. Após uma janela de transferências fraca em virtude da crise, a expectativa é que os clubes europeus se movimentem mais no mercado de verão. Nomes como Hernanes e Ramires, que apareceram bem já em 2007, podem ter suas saídas finalmente confirmadas, deixando a vaga para quem vem de baixo. No próprio Cruzeiro, que tem a política clara de negociar destaques para se manter, pode ocorrer novamente o adeus de Wagner, abrindo caminho para Bernardo se firmar de vez como titular.

Quem tem despedida marcada para o meio do ano é Thiago Neves, que pode ser acompanhado por Fred, que mal chegou. Maicon, que tem entrado bem e feito gols importantes, aguarda ansiosamente uma chance, assim como Alan. Wellington, meia da seleção sub-17, dificilmente será aproveitado nos profissionais nesta temporada. Ainda no Rio, o Flamengo terá a confirmação do xará Wellinton, zagueiro do Brasil sub-20, em substituição ao recém-aposentado Fábio Luciano, e o Botafogo aposta em nomes que aparecem bem, como o lateral-esquerdo Gabriel – além do já experiente goleiro Renan.

Sede de dois dos melhores times de 2009 – o Grêmio na Libertadores e o Inter no geral –, o Rio Grande do Sul mostra mais uma vez a capacidade formadora de sua dupla de gigantes. Taison é o grande nome de um trio ofensivo que tem Nilmar e D’Alessandro, e Adilson Warken e Saimon devem garantir que a fama de copero y peleador do Tricolor continue viva.

Há ainda muitos outros nomes que podem pintar ou se consolidar – casos de Rafael Tolói, Ciro, Victor Ramos, Souza, Wallyson, Renan Oliveira e Medina, entre outros, mas talvez aquele que mais desperte curiosidade seja o de Neymar, que deve estrear em Brasileiros neste domingo contra o Grêmio. Sua qualidade indiscutível terá a primeira prova verdadeira quando a bola rolar no Olímpico.

B de base

A Série B também promete apresentar muitas revelações. Com orçamentos modestos e maiores dificuldades, aliás, é até mais comum que times da Segundona que possuam categorias de base minimamente estruturadas as utilizem para rechear seus elencos.

Grande favorito da temporada, o Vasco montou uma equipe com média de idade bastante baixa, ao contrário do que normalmente se faz na Série B. Além disso, conta com a expectativa de que Alex Teixeira e Alan Kardec finalmente engatem uma sequência razoável de bons jogos. Fica também a pergunta no ar: será que Philippe Coutinho será integrado aos profissionais? Como a caminhada cruzmaltina não parece que será das mais difíceis, talvez fosse o caso de esperar. Mas como há menos holofotes, menos pressão e, principalmente, como em breve o garoto parte rumo à Itália, talvez sua estreia aconteça antes do que se imagina.

Um dos times a apostar mais na base para esta campanha é o Fortaleza, que teve o melhor desempenho do Nordeste nas duas últimas Copas São Paulo e tem em Bismarck uma responsabilidade grande pelo sucesso do time. Coadjuvantes, Bambam, Marllon e outros podem também se tornar protagonistas de um acesso que poderia ser comparado ao do Galo. A Ponte, que chega credenciada a uma das vagas, tem em Tinga, destaque na Copinha, um de seus principais nomes.

O mesmo acontece com o Figueirense de Talhetti, o Guarani de Romário e o Juventude de Zezinho, da seleção sub-17. Todos com vontade de crescer e aparecer. Com tantos candidatos a craque, espaço é o que não vai faltar para novas revelações no Brasileirão que se inicia.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Por que Ronaldo não pode ser convocado


Quem é o melhor atacante em atividade no futebol brasileiro hoje? Diego Tardelli tem os maiores números absolutos: foram 20 gols, 16 no Campeonato Mineiro e 4 na Copa do Brasil. Taison, Keirrison e Gilmar, do Náutico, têm 19 cada, divididos entre Estaduais, Copa do Brasil e Libertadores.

Ronaldo chegou ao seu décimo gol na vitória corintiana sobre o Atlético-PR, ultrapassando Chicão na artilharia do time na temporada. Na sequencia de cinco partidas que realizou recentemente (a maior desde que voltou), foram cinco gols, média de um por jogo.

Longe, aqui, de querer comparar o Fenômeno com os atacantes acima citados.

Mas o burburinho sobre sua convocação para as Eliminatórias e/ou Copa das Confederações cresce e monopolizou a coletiva de Dunga e Ricardo Teixeira no anúncio de um novo patrocinador para a CBF.

Ainda é cedo.

Não porque Ronaldo tenha feito menos gols que Tardelli ou Taison, ou ainda porque Luís Fabiano tenha caído absurdamente de produção no Sevilla, mesmo marcando gols na seleção (grande parte porque ele é, na verdade, o único centro-avante do time).

Ronaldo não deve ser convocado porque seria um retrocesso enorme em sua recuperação e preparação física a estadia, por menor que seja, com a seleção brasileira.

É fato que ele ainda está acima do peso, e dificilmente voltará às medidas anteriores. Mas para o nível das defesas que enfrenta por aqui, sua forma é mais que suficiente para que ele apareça somente na hora de definir - e isso ele faz como nenhum outro.

Mas no nível de seleção, Ronaldo parecerá deslocado. E mais: ficará uma semana na Granja Comary jogando rachões, participando de movimentações sem função tática ou técnica nenhuma. E se for para a Copa das Confederações, perderá todo o cronograma de treinamentos físicos preparado pela comissão técnica corintiana.

Não é jogando que se adquire forma física. É treinando, ficando de fora de um ou outro jogo, conforme o planejado, e trabalhando com quem o tem recuperado tão bem até agora.

Se ficar no Corinthians, Ronaldo poderá voltar para a seleção na hora certa, da maneira certa, e rendendo o que sempre pôde.